Jacarta se tornou a cidade mais populosa do mundo, de acordo com o relatório World Urbanization Prospects 2025, divulgado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA). Utilizando um método atualizado e harmonizado para definir áreas urbanas, o relatório estima a população de Jacarta em quase 42 milhões de habitantes, superando Daca, com cerca de 40 milhões, e Tóquio, com 33 milhões. A revisão do ranking ilustra como os critérios atualizados de medição e o contínuo crescimento demográfico estão redefinindo a compreensão da escala urbana na Ásia e no mundo.
A edição de 2025 apresentou projetos que examinaram temas de ecologia, memória e conectividade, ao mesmo tempo em que responderam aos desafios de construir no deserto. Variando de peças interativas íntimas a marcos monumentais, as instalações incentivaram a reflexão, a participação e o engajamento comunitário antes de desaparecerem com o encerramento do evento.
Edifício de uso misto 5050 Gansevoort. Renderização do projeto. Imagem cortesia de Powerhouse Company
Em janeiro de 2025, o prefeito de Nova York e a New York City Economic Development Corporation (NYCEDC) anunciaram os próximos passos na reformulação da Gansevoort Square, um terreno de aproximadamente 6.130 metros quadrados (66.000 pés quadrados) localizado na Little West 12th Street, entre a Washington Street e a 10th Avenue, no Meatpacking District, em Manhattan. A revitalização da área visa integrar uma mistura de habitação acessível para os nova-iorquinos, novos espaços comerciais para moradores e visitantes, além de oportunidades para expandir o Whitney Museum of American Art e o High Line. A Solicitação de Propostas (RFP) delineou uma visão de até 600 unidades de habitação de renda mista, com a meta de que 50% do total de unidades fossem permanentemente acessíveis, além de espaço comercial no térreo. O escritório internacional de arquitetura Powerhouse Company revelou recentemente sua proposta para o concurso, superando essas exigências ao propor 1.000 residências de aluguel em uma torre superalta (supertall), sendo metade de habitações acessíveis e metade a preço de mercado, distribuídas igualmente ao longo de toda a altura do edifício.
Esboços de Léon Krier. Imagem cortesia de MIT Press
Léon Krier, o arquiteto e teórico urbano nascido em Luxemburgo que ficou conhecido por sua postura crítica em relação ao planejamento modernista e por seu papel influente no movimento do Novo Urbanismo, faleceu em 17 de junho de 2025, aos 79 anos. Conhecido por sua crítica intransigente ao planejamento modernista e por sua visão de comunidades caminháveis e em escala humana, Krier deixa um legado significativo de obras construídas, escritos teóricos e influência educacional.
Ao longo de uma carreira de várias décadas, Krier defendeu o retorno à arquitetura clássica e a um urbanismo em escala humana, posicionando-se como um dos principais críticos da expansão suburbana desordenada e do modernismo de arranha-céus. Sua defesa de bairros caminháveis e de uso misto, somada à sua insistência no valor cultural e social da arquitetura, desafiou as normas vigentes do planejamento urbano do final do século XX.
Em distritos culturais e centros cívicos, os desenvolvimentos arquitetônicos desta semana destacam como as instituições e governos municipais estão reformulando seus futuros em meio a pressões ambientais, sociais e econômicas em constante mudança. Novos projetos de museus e de óperas sinalizam o compromisso contínuo com a expansão da infraestrutura cultural pública, ao passo que o debate em torno da modernista Prefeitura de Dallas ilustra as tensões que surgem quando questões de patrimônio se deparam com demandas crescentes de manutenção e pressões por redesenvolvimento urbano. Paralelamente, os municípios avançam com novas ferramentas regulatórias para enfrentar os desafios climáticos, desde normas de eletrificação em Sydney e Boston até restrições de mobilidade e novas formas de diplomacia urbana. Esses desdobramentos refletem um cenário cada vez mais complexo, no qual os ambientes arquitetônicos evoluem a partir da combinação de ambição cultural, metas ambientais e transformações nos modelos de tomada de decisão pública.
De acordo com o Banco Mundial, o Programa Nacional de Urbanização e Habitação de Angola (PNUH), lançado em 2008, tinha como meta construir um milhão de novas unidades habitacionais. No entanto, até 2024, haviam sido entregues apenas cerca de 220.000. A Power2Build, uma startup angolana de construção, estima o déficit habitacional atual em Angola em aproximadamente três milhões de moradias, com a situação sendo particularmente crítica em Luanda, uma das cidades de crescimento mais rápido no continente africano. Contando com uma equipe multidisciplinar inteiramente angolana, a Power2Build busca contribuir para a redução desse déficit por meio do uso da tecnologia de impressão 3D automatizada de concreto. Implementado no canteiro de obras com impressoras de grande porte da empresa dinamarquesa COBOD, espera-se que o sistema acelere os cronogramas de construção e melhore a qualidade das edificações. A impressão 3D em larga escala à base de cimento elimina a necessidade de fôrmas tradicionais ao posicionar ou solidificar com precisão volumes específicos de material em camadas sequenciais, utilizando um sistema de posicionamento controlado por computador. O processo envolve três etapas principais: preparação de dados, preparação do material e impressão.
O escritório Coldefy, em colaboração com a Relief Architecture, concluiu a Escola Secundária Robert Badinter, a primeira escola com estrutura de madeira no norte da França. Projetado para receber 650 estudantes, o complexo está situado em um antigo pátio ferroviário adjacente à estação de trem da cidade e a uma curta distância a pé do centro. A nova escola integra uma estratégia mais ampla de renovação urbana que visa consolidar as conexões de transporte e introduzir novos equipamentos públicos na região.
A HouseEurope!, uma organização sem fins lucrativos registrada e voltada para a promoção da transformação social e ecológica do ambiente construído da Europa, recebeu o OBEL Award de 2025. Apresentado anualmente pela Henrik Frode Obel Foundation, o prêmio reconhece contribuições arquitetônicas com potencial de impulsionar mudanças significativas. Alinhado com o tema deste ano, "Ready Made", o júri do prêmio selecionou a HouseEurope! por seus esforços em conscientizar e fomentar o engajamento público em torno da necessidade de uma mudança nas práticas de construção e habitação em toda a Europa.
Instalação "Spinning Around" de Sophia Taillet. Musée de la Chasse et de la Nature, 4 a 13 de setembro de 2025. Imagem cortesia de Maison & Objet
Este ano, a feira de design de interiores Maison&Objet e a Paris Design Week uniram forças para dar visibilidade a designers emergentes, valorizar novamente os métiers d'art franceses e transformar temporariamente marcos históricos com visões de design contemporâneo. Ambos os eventos começaram em 4 de setembro, transformando Paris em um festival de design que ocupou toda a cidade. Galerias, showrooms e concept stores abriram suas portas, enquanto marcos de destaque serviram de palco para designers de mais de 30 países. A abundância e a diversidade da programação renderam comparações com a Milan Design Week, ao mesmo tempo em que garantem a Paris uma vitrine única no calendário global de design. Este artigo apresenta uma seleção de instalações e exposições de interesse arquitetônico que surgem da sinergia entre as duas iniciativas.
O pódio existente, localizado em frente ao Edifício do Secretariado em Freetown, homenageia os soldados da Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, passou a incluir também os combatentes da Segunda Guerra Mundial. Para isso, contudo, foi removida uma pequena menção aos homens do Corpo de Carregadores — uma ausência que este novo projeto busca reparar. A fundadora do escritório, Tosin Oshinowo, é a primeira mulher e a primeira arquiteta da África Ocidental a projetar um memorial para a CWGC.
Biblioteca dos Saberes por Kéré Architecture. Vista aérea. Render. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Em meio às discussões globais em andamento sobre adaptação climática e desenvolvimento urbano resiliente, que ganharam ainda mais destaque com os resultados da COP30, as notícias de arquitetura desta semana ilustram como as cidades em todo o mundo estão repensando seus ambientes construídos. De Veneza, onde a 19ª Bienal de Arquitetura foi encerrada com debates sobre o uso de materiais e o impacto cultural de longo prazo, a prêmios internacionais que colocam em primeiro plano o design regenerativo e socialmente responsivo, o diálogo em torno da arquitetura está cada vez mais interligado com as prioridades planetárias. Grandes intervenções urbanas, que vão desde a revitalização da orla de Tessalônica e a nova biblioteca pública do Rio de Janeiro até o Museu de História Natural de Abu Dhabi e um estádio cívico em Birmingham, demonstram como diversas cidades estão abordando mobilidade, patrimônio, densidade e resiliência climática. Outros projetos, como a estratégia urbana ecológica de Mântua, a paisagem elevada de Utrecht sobre as redes de transporte e o sistema de mobilidade terrestre redesenhado do Aeroporto Schiphol, em Amsterdã, refletem ainda mais a transição para estruturas urbanas integradas e centradas nas pessoas, que priorizam o desempenho ambiental, o espaço público e a gestão territorial de longo prazo.
Plaza do Instituto de Tecnologia de Kanagawa / junya ishigami + associates. Imagem Cortesia de Junya Ishigami + Associates
O American Institute of Architects (AIA), organização profissional dedicada a apoiar profissionais da arquitetura e promover o avanço da área, anunciou a nomeação de 93 arquitetos/as ao seu College of Fellows. Essa distinção é concedida a pessoas que fizeram contribuições significativas para a profissão e para a sociedade. A classe deste ano inclui 83 arquitetos/as membros do AIA e 10 arquitetos/as internacionais que receberam o título de Membro Honorário (Honorary Fellowship). Os/as novos/as Fellows serão homenageados/as na AIA Conference on Architecture & Design 2025 (AIA25) em Boston.
Um ano após o mega-incêndio em Viña del Mar, no Chile, e com os esforços de reconstrução avançando em apenas 26%, o escritório de arquitetura ELEMENTAL e as autoridades locais iniciaram a construção de um projeto habitacional pré-fabricado em um dos bairros residenciais mais afetados pelo desastre. O projeto consiste em um edifício residencial de média densidade com estrutura metálica modular, concebido como ponto de partida para iniciativas semelhantes em resposta àquele que hoje é considerado um dos eventos mais catastróficos da história recente do Chile. Segundo Alejandro Aravena e a prefeita da cidade, Macarena Ripamonti, o objetivo é que a tecnologia e o modelo de gestão por trás deste projeto sirvam de precedente para viabilizar soluções de habitação rápidas e permanentes em situações de emergência.
A contribuição búlgara para a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025 é uma instalação experimental intitulada Pseudonature, situada na intersecção entre natureza e tecnologia, realidade e simulação. Com curadoria do/a arquiteto/a e designer Iassen Markov, o projeto explora o futuro da sustentabilidade em um mundo onde os processos naturais são cada vez mais mediados pela inteligência artificial e pela intervenção humana. A exposição apresenta uma instalação ao ar livre que expõe paradoxos tecnológicos e climáticos e um espaço interno concebido como a releitura de um cômodo tradicional búlgaro. No ambiente externo, intervenções físicas perturbam o equilíbrio natural, destacando a frágil interação entre a tecnologia e o meio ambiente. No interior, o espaço se transforma em um cenário de contemplação, onde a restauração do equilíbrio se torna um desafio coletivo e introspectivo.
De códigos de obras a restrições de mobilidade e novas funções diplomáticas em governos municipais, a política climática é cada vez mais moldada em nível local por meio de uma variedade crescente de ferramentas legislativas e institucionais. Cidades tão diversas quanto Sydney, Boston, Nova York, Paris, Miami e dezenas de outras na América Latina estão adotando estratégias direcionadas que refletem suas pressões ambientais e estruturas de governança específicas. Essas iniciativas variam de exigências de eletrificação total e construção com emissão líquida zero a medidas de controle de tráfego projetadas para conter os custos sociais do uso de veículos particulares, além de novas formas de diplomacia urbana para coordenar respostas ao aumento das temperaturas e à perda de biodiversidade. Juntas, essas abordagens ilustram como a gestão territorial está evoluindo em resposta à aceleração da crise climática e como as administrações locais estão testando regulamentações e colaborações para enfrentar desafios que são, ao mesmo tempo, globais e profundamente locais.
A prefeitura de Chicago e o Departamento de Aviação de Chicago (CDA) iniciaram as obras do Concourse D no Aeroporto Internacional O'Hare, projetado por Skidmore, Owings & Merrill (SOM) em colaboração com Ross Barney Architects, Juan Gabriel Moreno Architects (JGMA) e Arup. O projeto marca o primeiro edifício do ORDNext, a expansão mais ambiciosa do O'Hare até o momento, e dá início a um novo capítulo na modernização do aeroporto. O gerenciamento da construção é liderado pela AECOM Hunt Clayco Bowa, com conclusão prevista para o final de 2028. O planejamento também está avançando para o Concourse E, o segundo terminal satélite projetado pela mesma equipe.
A Holcim Foundation for Sustainable Construction anunciou os 20 projetos vencedores dos Holcim Foundation Awards de 2025, reconhecendo contribuições para o design e a construção sustentável em cinco regiões: Ásia-Pacífico, Europa, América Latina, Oriente Médio e África e América do Norte. A seleção deste ano abrange uma ampla variedade de escalas, desde uma escola semipermanente de 200 metros quadrados em uma floresta no Quênia até grandes iniciativas de regeneração urbana em Madri, Daca e Shenzhen, refletindo a diversidade e o alcance da arquitetura sustentável contemporânea. Este ano marca a introdução de um novo formato para o Grande Prêmio (Grand Prize), que substitui as tradicionais classificações de Ouro, Prata e Bronze. A partir de agora, cada região homenageará um projeto vencedor com o Grande Prêmio, enfatizando a excelência de forma independente e reconhecendo as diversas abordagens voltadas à sustentabilidade.
O Nieuwe Instituut, museu e instituto nacional de arquitetura, design e cultura digital dos Países Baixos, inaugurou o Pavilhão Neerlandês na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025. Este ano, o pavilhão do Giardini, projetado por Gerrit Rietveld em 1953, transforma-se em um bar esportivo. Com o título "SIDELINED: A Space to Rethink Togetherness", a mostra conta com a curadoria de Amanda Pinatih, responsável pela área de Design e Arte Contemporânea no Stedelijk Museum de Amsterdã, em colaboração com Gabriel Fontana, profissional de design social. Sob uma perspectiva queer, o projeto examina o esporte como um sistema arquitetônico que regula espaços, corpos e comportamentos, oferecendo uma visão alternativa sobre as normas sociais relacionadas a gênero, identidade e dinâmica de grupo.
O escritório MVRDV concluiu o GATE M West Bund Dream Center, um importante projeto de reuso adaptativo que transforma uma antiga fábrica de cimento em um dinâmico distrito cultural e de lazer em Xangai. Localizado às margens do Rio Huangpu, o empreendimento soma-se à crescente série de iniciativas culturais do West Bund e oferece uma ampla gama de comodidades públicas, que vão desde áreas de alimentação e comércio até instalações de escalada, espaços para eventos e zonas de relaxamento à beira-rio. O local, que no passado abrigou a maior fábrica de cimento da Ásia, passou por uma transformação significativa após a Expo Xangai 2010, evento que impulsionou a transferência das atividades industriais e a revitalização das margens do rio.
O Pavilhão da Bélgica na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 apresenta um protótipo que integra a arquitetura de paisagem aos interiores arquitetônicos. Projetada por Bas Smets em colaboração com Stefano Mancuso, a exposição transforma o pavilhão em um microclima modelado a partir do sub-bosque de uma floresta subtropical, criando uma floresta interna que regula ativamente a temperatura e a umidade. O conceito curatorial, apoiado pelo Flanders Architecture Institute e por seu/sua diretor/a, Dennis Pohl, promove o pensamento paisagístico como uma força ativa de projeto, em vez de mera decoração externa. Nesta entrevista em vídeo gravada em Veneza, Bas Smets e Dennis Pohl explicam à equipe de edição do ArchDaily como o projeto posiciona a arquitetura como uma plataforma para a resiliência climática e propõe uma mudança nos paradigmas de projeto — de imagens estáticas para processos vivos em constante evolução.
Museu Asaan, Renderização por Specto-Digital. Imagem Cortesia de ZHA
Com projeto do escritório Zaha Hadid Architects, as obras de construção do Museu Asaan foram iniciadas recentemente. Localizado no distrito histórico de At-Turaif em Diriyah, na Arábia Saudita, o Museu Asaan pretende ser uma nova instituição cultural concebida para preservar e celebrar o patrimônio do país. Com o nome derivado da palavra árabe que significa "herança transmitida através de gerações", o Asaan reforça seu papel de conectar o passado e o presente. Situado em um local renomado por sua arquitetura de adobe e sua malha urbana secular, o museu se inspira nas técnicas construtivas tradicionais najdi. Planejado para ser construído com tijolos de argila obtidos localmente, o Museu Asaan marcará o primeiro projeto do escritório Zaha Hadid Architects a utilizar a construção em adobe.