O ano de 2025 marca o 60º aniversário da independência de Singapura, comemorando sua separação da Malásia em 9 de agosto de 1965. A ocasião é celebrada no pavilhão nacional do país na 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza com uma instalação multissensorial que homenageia a diversidade de Singapura e reimagina o fazer urbano por meio da comida, da cultura e do design coletivo. Intitulada RASA–TABULA–SINGAPURA, a instalação convida os/as visitantes a se sentarem à Mesa da Superdiversidade: uma releitura instigante da construção de cidades e de nações através do ato universal de compartilhar uma refeição. Segundo a equipe de curadoria da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura (SUTD), o objetivo da instalação é mostrar como a convergência de diferenças multiculturais, histórias coletivas, design e novas tecnologias cria oportunidades para futuros urbanos mais inclusivos e adaptáveis.
A Bienal de Arquitetura de Tallinn (TAB) é organizada pelo Centro de Arquitetura da Estônia (ECA) desde 2011. Desde sua fundação, tornou-se o principal festival internacional da Estônia dedicado à arquitetura e ao ambiente construído. O ECA anunciou recentemente que a próxima edição será curada pelo Stuudio TÄNA e por Mark Aleksander Fischer, vencedores do Concurso de Curadoria para a 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de Tallinn (TAB 2026). A proposta vencedora, intitulada "How Much?" (Quanto?), questiona o que a acessibilidade econômica realmente significa na arquitetura de hoje. O evento, que em edições anteriores incluiu exposições, palestras, seminários, visitas guiadas, eventos paralelos e instalações por toda a cidade de Tallinn, busca abrir um espaço de reflexão sobre como a arquitetura e o design podem ser genuinamente econômicos, abordando as implicações mais amplas de custo e consumo. A TAB 2026 será realizada na capital estoniana de 9 de setembro a 30 de novembro de 2026.
Os desdobramentos arquitetônicos desta semana destacaram como o design funciona como uma forma de infraestruturasocial e cultural, conectando cuidado, comunidade e contexto em diferentes escalas. Da reinterpretação do modelo de almshouses em Londres à transformação de portais urbanos em Phnom Penh e Tirana, a arquitetura refletiu um interesse compartilhado por espaços que promovem conexão e adaptabilidade. Paralelamente a essas obras urbanas e infraestruturais, novos projetos culturais em Paris e Hanói exploraram como os museus e espaços de espetáculos podem renovar instituições públicas por meio da experimentação material e da flexibilidade espacial.
O projeto Busan Slope Housing, do escritório OMA, aborda a reurbanização urbana nas encostas íngremes de Busan, na Coreia do Sul, inspirando-se na complexidade topográfica e nos padrões históricos de assentamento da cidade. Desenvolvido em colaboração com o Festival de Arquitetura de Busan e o Departamento de Habitação e Arquitetura, o projeto explora estratégias para repensar os bairros de encosta, ao mesmo tempo que responde tanto às necessidades contemporâneas de moradia quanto aos legados sociais e espaciais dessas áreas. Em vez de substituir essas áreas por conjuntos convencionais de edifícios altos, o OMA propõe uma estrutura flexível e sensível ao contexto, que integra tipologias contemporâneas de habitação com a estrutura herdada do local.
Projeto da Torre Oricon por Eduardo Souto de Moura e OODA. Renderização externa. Imagem cortesia de Plomp
Eduardo Souto de Moura e OODA revelaram o projeto da Oricon Tower, um arranha-céu de uso misto com 180 metros de altura planejado para Tirana, na Albânia. Localizado próximo à Bond Tower, recentemente concluída pelo OODA, o projeto faz parte da transformação urbana em curso sob o Plano Diretor Tirana 2030, que prevê um núcleo urbano mais denso e conectado. A torre abrigará escritórios, residências, áreas comerciais e um hotel, contribuindo para a evolução do horizonte da cidade e funcionando como um novo portal urbano entre o centro histórico de Tirana e seus distritos ocidentais em expansão.
O escritório Foster + Partners concluiu o Aeroporto Internacional Techo em Phnom Penh, no Camboja, marcando um novo capítulo na visão do país para o crescimento sustentável e para a melhoria da conectividade regional. Localizado a 20 quilômetros ao sul do centro da cidade, o terminal do aeroporto abrange 235.500 metros quadrados e constitui a peça central de um masterplan de 24 quilômetros quadrados. Inspirado na arquitetura vernacular e na paisagem tropical do Camboja, o projeto integra referências culturais e soluções de eficiência ambiental para criar uma porta de entrada contemporânea, porém enraizada no contexto local, para as viagensinternacionais. A primeira fase, que inclui o terminal principal e o píer norte, foi inaugurada em 2025, enquanto o píer sul tem conclusão prevista para 2030.
Entre 25 de setembro e 5 de outubro de 2025, a XXIII Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Chile foi realizada em Santiago. Sob o título "DUPLA EXPOSIÇÃO: (re)programar · (re)adaptar · (re)construir", o evento foi estruturado em torno da ideia de "entender a arquitetura não como a produção do novo, mas como a capacidade de reativar o que já existe". Com base nessa premissa, a equipe curatorial, composta por Ángela Carvajal e Sebastián López (Anagramma Arquitectes) em conjunto com Óscar Aceves, concebeu um circuito de oito sedes localizadas no centro de Santiago. O objetivo era reativar e recuperar espaços urbanos por meio de uma série de atividades públicas gratuitas que atraíram cerca de 70.000 visitantes. Entre os locais reativados, destacaram-se as ruínas da Igreja de San Francisco de Borja. Incendiado durante a onda de protestos sociais de outubro de 2019, o local abrigou um pavilhão temporário que serviu de espaço para palestras, leituras, instalações artísticas, debates e encontros comunitários.
No dia 25 de outubro de 2025, a Fondation Cartier Pour l'Art Contemporain abrirá suas novas instalações ao público com uma exposição inaugural composta por obras de seu próprio acervo, intitulada Exposition Générale. Localizado no coração de Paris, o novo espaço ocupa um edifício de estilo haussmanniano que outrora abrigou o Grands Magasins du Louvre, recentemente reimaginado por Jean Nouvel. Concebido como uma arquitetura dinâmica com essa estrutura de cinco plataformas móveis, o edifício foi projetado para expandir as possibilidades de um espaço de exposição tradicional. Esses mecanismos visam acolher todas as formas de expressão visual, incluindo fotografia, cinema, artes cênicas, ciência e artesanato, em um espaço que ressoa com a vida urbana de Paris e dialoga com questões de planejamento urbano e ecologia. Sob essas premissas, a mostra inaugural reúne mais de 600 obras de mais de 100 artistas em uma cenografia contemporânea projetada pelo Formafantasma.
Ópera e Centro de Convenções Isola Della Musica por Renzo Piano Building Workshop. Render. Imagem cortesia de RPBW
Renzo Piano Building Workshop (RPBW), em colaboração com o escritório PTW Architects, com sedes em Sydney e Hanói, deu início à construção da Isola della Musica, uma nova casa de ópera e centro de convenções em Hanói, no Vietnã. Encomendado pelo Sun Group, o projeto foi concebido originalmente em 2017 e faz parte de um plano diretor mais amplo que remodela o limite existente entre o Lago Oeste e o Lago Đầm Trị. Inspirado no histórico de cultivo de pérolas da região, o edifício apresenta uma série de cascas curvas de concreto cujas formas e superfícies evocam a textura e a luminosidade da madrepérola.
O Cobe revelou o projeto do Museum Wegner em Tønder, na Dinamarca, uma nova instituição cultural dedicada à vida e obra do renomado designer dinamarquês Hans J. Wegner. O museu ficará localizado em Hestholm, uma históricafazenda que remonta a 1445, e combinará a reutilização adaptativa de estruturas existentes com uma extensãocontemporânea. Após um processo seletivo de entrevistas, o Cobe foi escolhido em fevereiro de 2024 para desenvolver o projeto arquitetônico, que agora avança em direção à sua concretização com forte apoio local e nacional.
As participações arquitetônicas do Bahrein em exposições internacionais têm conquistado reconhecimento global crescente, marcado recentemente por prêmios importantes na Expo 2025 Osaka e na Bienal de Arquitetura de Veneza. Esses marcos refletem uma trajetória mais ampla na qual a cultura de projeto do país, baseada na inteligência climática e na continuidade cultural, consolidou-se como uma voz proeminente nos debates internacionais sobre arquitetura contextualizada.
Essa visibilidade crescente se apoia em uma profunda linhagem arquitetônica. A identidade do Bahrein é moldada há muito tempo por sua posição como um cruzamento marítimo no Golfo Pérsico, onde o legado dos assentamentos de extração de pérolas e a malha urbana compacta de Muharraq e Manama revelam um diálogo entre as tradições locais e os intercâmbios globais. Hoje, esse diálogo evolui por meio de práticas que fundem a preservação com a experimentação, traduzindo o patrimônio em uma linguagem arquitetônica contemporânea que é, ao mesmo tempo, específica de seu lugar e voltada para o futuro.
O Prêmio Internacional de Arquitetura de Paisagem Cornelia Hahn Oberlander, de caráter bienal, foi criado com o objetivo de aumentar a visibilidade, a compreensão, a valorização e o diálogo em torno da arquitetura de paisagem. A concepção do Prêmio Oberlander teve início em 2014, e o/a laureado/a mais recente foi o/a arquiteto/a paisagista Kongjian Yu, pioneiro/a no conceito de "Cidade Esponja". Este ano, a The Cultural Landscape Foundation (TCLF) anunciou que o arquiteto paisagista Mario Schjetnan, baseado na Cidade do México, e seu escritório, o Grupo de Diseño Urbano (GDU), são os vencedores do Prêmio Oberlander de 2025. Segundo a TCLF, Schjetnan pertence a uma geração de arquitetos/as paisagistas, arquitetos/as e urbanistas que se conscientizaram sobre os impactos ambientais do desenvolvimento urbano e suas consequências para a vida, o planeta e seus habitantes. Ele e a equipe do GDU são os primeiros latino-americanos a receber o Prêmio Oberlander.
Na segunda-feira, 13 de outubro, encerrou-se a Expo Osaka 2025. A exposição reuniu representantes de 165 países e organizações internacionais e recebeu cerca de 28 milhões de visitantes em Yumeshima, uma ilha artificial na Baía de Osaka. O local foi redefinido por meio de um plano diretor e delimitado por uma estrutura circular de madeira que quebrou o recorde mundial do Guinness, ambos projetados pelo escritório Sou Fujimoto Architects. Ao longo de 184 dias, o público pôde visitar pavilhões autoconstruídos, modulares e compartilhados, além de exposições nacionais e atividades públicas organizadas sob o tema central "Concebendo a Sociedade do Futuro para as Nossas Vidas". Durante seus seis meses de funcionamento, a Expo propôs a exploração de três subtemas fundamentais — Salvar Vidas, Empoderar Vidas e Conectar Vidas —, em um convite para reunir novas perspectivas para o nosso ecossistema social e construído.
O Créateurs Design Awards (CDA) anunciou Xu Tiantian, fundadora e arquiteta principal do escritório DnA_Design and Architecture, como a vencedora da edição de 2026 do Le Prix Charlotte Perriand. O prêmio celebra profissionais da arquitetura cujo trabalho incorpora inovação, responsabilidade social e um profundo compromisso com as comunidades e os lugares. A arquiteta foi reconhecida por seu trabalho transformador de aproximação entre comunidades urbanas e rurais por meio de intervenções de projeto inovadoras. Sua abordagem à arquitetura foi reconhecida como uma ferramenta para a preservação cultural e a revitalização rural, tornando-a uma destinatária exemplar desta honraria, anteriormente concedida a nomes de destaque na arquitetura como Frida Escobedo, Jeanne Gang e a dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.
O arquiteto chinês Shui Yanfei foi agraciado com o 4º Prêmio Kazuhiro Kojima de 2025, tornando-se o primeiro premiado de fora do Japão desde a criação da honraria. O júri desta edição concedeu a distinção a Shui Yanfei em reconhecimento à sua profunda compreensão da realidade social chinesa, ao mesmo tempo em que investiga continuamente novas possibilidades futuras para a arquitetura. Atento à extensão do pensamento oriental no contexto pós-humano, o arquiteto reinterpreta com destreza os mecanismos de estruturas sociais acumulados historicamente. Paralelamente, partindo das realidades sociais, econômicas e institucionais, ele transforma a arquitetura emaranhada em relações complexas em um meio que conecta pessoas, objetos e o tempo. A prática diversificada de seu escritório está profundamente enraizada na realidade, ao mesmo tempo em que confere uma nova poesia ao cotidiano contemporâneo.
A artista holandesa Madelon Vriesendorp foi anunciada como a vencedora da Soane Medal de 2025, tornando-se a primeira artista mulher sediada no Reino Unido a receber o prêmio desde sua criação em 2017. Co-fundadora do Office for Metropolitan Architecture (OMA), Vriesendorp é amplamente reconhecida por sua linguagem visual surrealista e bem-humorada, que moldou a forma como a arquiteturamoderna e pós-moderna é representada e compreendida. Seu trabalho, que combina ludicidade e pensamento crítico, proporcionou à arquitetura um imaginário vívido e memorável que continua a influenciar gerações de arquitetos e arquitetas.