Os desdobramentos arquitetônicos desta semana destacaram como o design funciona como uma forma de infraestruturasocial e cultural, conectando cuidado, comunidade e contexto em diferentes escalas. Da reinterpretação do modelo de almshouses em Londres à transformação de portais urbanos em Phnom Penh e Tirana, a arquitetura refletiu um interesse compartilhado por espaços que promovem conexão e adaptabilidade. Paralelamente a essas obras urbanas e infraestruturais, novos projetos culturais em Paris e Hanói exploraram como os museus e espaços de espetáculos podem renovar instituições públicas por meio da experimentação material e da flexibilidade espacial.
O projeto Busan Slope Housing, do escritório OMA, aborda a reurbanização urbana nas encostas íngremes de Busan, na Coreia do Sul, inspirando-se na complexidade topográfica e nos padrões históricos de assentamento da cidade. Desenvolvido em colaboração com o Festival de Arquitetura de Busan e o Departamento de Habitação e Arquitetura, o projeto explora estratégias para repensar os bairros de encosta, ao mesmo tempo que responde tanto às necessidades contemporâneas de moradia quanto aos legados sociais e espaciais dessas áreas. Em vez de substituir essas áreas por conjuntos convencionais de edifícios altos, o OMA propõe uma estrutura flexível e sensível ao contexto, que integra tipologias contemporâneas de habitação com a estrutura herdada do local.
O escritório Foster + Partners concluiu o Aeroporto Internacional Techo em Phnom Penh, no Camboja, marcando um novo capítulo na visão do país para o crescimento sustentável e para a melhoria da conectividade regional. Localizado a 20 quilômetros ao sul do centro da cidade, o terminal do aeroporto abrange 235.500 metros quadrados e constitui a peça central de um masterplan de 24 quilômetros quadrados. Inspirado na arquitetura vernacular e na paisagem tropical do Camboja, o projeto integra referências culturais e soluções de eficiência ambiental para criar uma porta de entrada contemporânea, porém enraizada no contexto local, para as viagensinternacionais. A primeira fase, que inclui o terminal principal e o píer norte, foi inaugurada em 2025, enquanto o píer sul tem conclusão prevista para 2030.
Além de fotografar os estúdios, Goodwin fez a mesma pergunta a cada escritório: "O que constitui um bom espaço de escritório e uma boa cultura de trabalho para você?" Suas respostas acompanham as imagens, oferecendo uma perspectiva de como os/as arquitetos/as definem a atmosfera de seus ambientes de trabalho. O Studio Okami descreve seu local de trabalho como um "home office fora de casa", enquanto o Brut destaca o papel das refeições compartilhadas e da vegetação para suavizar o espaço de sua cobertura.
O Cobe revelou o projeto do Museum Wegner em Tønder, na Dinamarca, uma nova instituição cultural dedicada à vida e obra do renomado designer dinamarquês Hans J. Wegner. O museu ficará localizado em Hestholm, uma históricafazenda que remonta a 1445, e combinará a reutilização adaptativa de estruturas existentes com uma extensãocontemporânea. Após um processo seletivo de entrevistas, o Cobe foi escolhido em fevereiro de 2024 para desenvolver o projeto arquitetônico, que agora avança em direção à sua concretização com forte apoio local e nacional.
As participações arquitetônicas do Bahrein em exposições internacionais têm conquistado reconhecimento global crescente, marcado recentemente por prêmios importantes na Expo 2025 Osaka e na Bienal de Arquitetura de Veneza. Esses marcos refletem uma trajetória mais ampla na qual a cultura de projeto do país, baseada na inteligência climática e na continuidade cultural, consolidou-se como uma voz proeminente nos debates internacionais sobre arquitetura contextualizada.
Essa visibilidade crescente se apoia em uma profunda linhagem arquitetônica. A identidade do Bahrein é moldada há muito tempo por sua posição como um cruzamento marítimo no Golfo Pérsico, onde o legado dos assentamentos de extração de pérolas e a malha urbana compacta de Muharraq e Manama revelam um diálogo entre as tradições locais e os intercâmbios globais. Hoje, esse diálogo evolui por meio de práticas que fundem a preservação com a experimentação, traduzindo o patrimônio em uma linguagem arquitetônica contemporânea que é, ao mesmo tempo, específica de seu lugar e voltada para o futuro.
A artista holandesa Madelon Vriesendorp foi anunciada como a vencedora da Soane Medal de 2025, tornando-se a primeira artista mulher sediada no Reino Unido a receber o prêmio desde sua criação em 2017. Co-fundadora do Office for Metropolitan Architecture (OMA), Vriesendorp é amplamente reconhecida por sua linguagem visual surrealista e bem-humorada, que moldou a forma como a arquiteturamoderna e pós-moderna é representada e compreendida. Seu trabalho, que combina ludicidade e pensamento crítico, proporcionou à arquitetura um imaginário vívido e memorável que continua a influenciar gerações de arquitetos e arquitetas.
Novo Bairro da Arena de Gotemburgo. Imagem cortesia de White Arkitekter
Nesta semana, os debates arquitetônicos foram pautados por temas como resiliência, equidade e relevância cultural, trazidos à tona pelo Dia Mundial da Arquitetura. Em diferentes contextos globais, a disciplina continua a expandir sua compreensão de força, indo além da mera resistência estrutural para se consolidar como uma base para projetos inclusivos, adaptáveis e ambientalmente conscientes. Desde estratégias para espaços públicos com equidade de gênero até novas encomendas fundamentadas na memória e na reconciliação, os desdobramentos recentes refletem como a arquitetura se posiciona cada vez mais como uma ferramenta de engajamento social e de gestão a longo prazo diante dos desafios globais atuais.
O patrimônioarquitetônico e artístico do Uzbequistão reflete uma história multifacetada, moldada por séculos de intercâmbio cultural ao longo da Rota da Seda. Dos conjuntos monumentais de Samarcanda e Bucara às instituições científicas e educacionais da era timúrida, a arquitetura tem sido, há muito tempo, um vetor de identidade e conhecimento em toda a região. No século XX, Tashkent emergiu como um novo laboratório urbano, onde os ideais modernistas se encontraram com as tradições artesanais locais e o pragmatismo ambiental. A reconstrução da cidade após o terremoto de 1966 tornou-se um momento decisivo, fundindo o urbanismo soviético com a estética regional para produzir uma expressão de modernidade tipicamente central-asiática, que traduziu a continuidade cultural em concreto, vidro e luz.
Nova Estação Ferroviária Casa Sud por OUALALOU+CHOI . Imagem cortesia de OUALALOU+CHOI
OUALALOU+CHOI venceu o concurso internacional para o projeto da nova Estação Ferroviária Casa Sud em Casablanca, no Marrocos. Com escritórios em Paris e Casablanca, a equipe de arquitetura e desenho urbano liderada por Tarik Oualalou e Linna Choi é reconhecida por seu trabalho que explora a relação entre arquitetura, infraestrutura e vida pública. A proposta vencedora concebe a nova estação tanto como um polo de infraestrutura quanto como um marcocívico, atendendo às demandas de uma metrópole em rápida expansão e, ao mesmo tempo, contribuindo para o tecido urbano e social da capital econômica do Marrocos.
Fundado em 2006 em Copenhagen, o escritório Cobe Architects tornou-se amplamente conhecido por seu foco na vida pública, na transformação urbana e no planejamento urbano estratégico. De edifícios culturais e espaços públicos a desenvolvimentos urbanos de grande escala, a equipe tem desempenhado um papel central na definição da identidade contemporânea de Copenhagen, especialmente por meio de seu trabalho de regeneração portuária. Entre esses projetos, o plano diretor de Nordhavn se destaca como uma das reurbanizações de frente marítima mais ambiciosas da Europa. Durante a Bienal de Arquitetura de Copenhagen, a editora-chefe do ArchDaily, Christele Harrouk, encontrou-se com Mads Birgens, Diretor de Urbanismo do Cobe, na sede do escritório em Nordhavn. Na conversa, Birgens refletiu sobre a evolução do projeto desde que o escritório venceu o concurso internacional aberto em 2008, além de abordar as lições mais amplas de se projetar cidades voltadas para a proximidade, a diversidade e a adaptabilidade a longo prazo.
A arquiteta franco-libanesa Lina Ghotmehfoi incluída na lista TIME100 Next 2025, uma seleção anual de líderes e inovadores emergentes de diversas áreas. Conhecida por sua abordagem sensível ao contexto e à materialidade, Ghotmeh construiu um portfólio internacional que une tradição e modernidade. Em seu perfil na TIME, escrito pelo arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, Ghotmeh é elogiada por combinar consciência histórica com uma experimentação voltada para o futuro. O reconhecimento a posiciona como a única arquiteta na lista deste ano, destacando a presença contínua do design em uma seleção que costuma abranger entretenimento, política, ciência e negócios.