Oferecendo um caminho rumo à resiliência e à segurança alimentar nas planícies aluviais do Lago Titicaca, os campos agrícolas Waru Waru distribuem-se por todo o altiplano peruano, constituindo um antigo sistema agrícola. Ao conectar um legado ancestral a preocupações modernas sobre segurança hídrica e alimentar, resiliência climática e gestão sustentável da terra, esses sistemas agrícolas abrem o debate acerca da gestão eficiente da água e da importância da biodiversidade agrícola. Ao mesmo tempo, integram o sentimento de identidade e orgulho da comunidade aimará local, consolidando um conhecimento cultural transmitido e preservado entre gerações.
Na Capela de Campo Bruder Klaus, projetada por Peter Zumthor, o processo de construção contou com a participação direta de habitantes do pequeno vilarejo suíço de Mechernich. Utilizando uma fôrma interna feita de troncos de madeira dispostos verticalmente, o concreto foi preparado em pequenos lotes e vertido manualmente, dia após dia, formando camadas marcadas por variações sutis de mistura e aplicação. Ao final do processo, a estrutura de madeira foi reduzida a cinzas, deixando o interior da capela impregnado com marcas de fogo e revelando uma superfície escura e tátil. O resultado foi um espaço silencioso e profundamente significativo, onde a ação coletiva, o tempo e a transformação da matéria se tornaram parte da arquitetura. Centrado em recursos disponíveis localmente e técnicas manuais, esse método construtivo evidencia como a escolha dos materiais e do sistema construtivo pode moldar a experiência de um espaço, revelar o tempo investido e incrustar a cultura de um lugar na própria matéria da arquitetura. Dessa forma, oferece um exemplo de como a própria construção pode se tornar um ato regenerativo, restaurando significados, conectando comunidades e honrando os ciclos da matéria.
A Mute, fabricante global de soluções de arquitetura adaptável para locais de trabalho modernos, inaugurou sua nova sede no edifício de escritórios Ambassador, em Varsóvia, administrado pela Hines. Com mais de 840 m², trata-se do primeiro escritório na Europa construído inteiramente com um sistema modular — que pode ser livremente reconfigurado sem gerar resíduos de reforma ou emissões de CO₂.
Vista aérea do Hub Alessandria. Imagem cortesia de Carlo Ratti Associati
O escritório CRA-Carlo Ratti Associati, em colaboração com a The Blossom Avenue Partners, foi anunciado como o vencedor do concurso internacional para o projeto urbano e arquitetônico do X-Change, um importante hub logístico multimodal localizado no terreno de um antigo pátio ferroviário em Alessandria, na Itália. O projeto reimagina uma tipologia tradicionalmente introvertida — a infraestrutura de distribuição ferroviária — ao integrar a logística com a produção de energia, a regeneração ecológica e a vida pública. Concebido como um dos maiores hubs intermodais do sul da Europa, o X-Change foi planejado para apoiar o papel em evolução de Alessandria como um porto seco para Gênova, aproveitando as futuras conexões ferroviárias de carga de alta velocidade.
O Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York sediará uma exposição dedicada à Nakagin Capsule Tower, obra do arquiteto japonês Kisho Kurokawa, de 10 de julho de 2025 a 12 de julho de 2026. Intitulada The Many Lives of the Nakagin Capsule Tower, a mostra apresenta uma retrospectiva dos 50 anos de existência do edifício. Construída no distrito de Ginza, em Tóquio, em 1972 e desmantelada em 2022, a torre é representada por meio de materiais contextuais, desenhos originais, gravações de arquivo e uma cápsula totalmente restaurada. A exposição convida à reflexão sobre como as cidades lidam com edifícios antigos e com a rápida transformação das áreas urbanas. Os diversos materiais que documentam a evolução contínua da torre ao longo de cinco décadas incentivam o público a refletir sobre como a arquitetura pode perdurar ao assumir novos papéis e funções além de seu propósito original.
Espera-se que o ambiente construído reduza as emissões de carbono, apoie a biodiversidade e responda às transformações nas condições ecológicas, ao mesmo tempo em que oferece habitação para as comunidades e reflete seus valores culturais. Nesse cenário de transição, um estilo arquitetônico outrora criticado ressurge em uma forma nova e surpreendente. O Brutalismo, há muito associado à gravidade institucional e à austeridade material, está agora sendo reformulado sob uma ótica ecológica. Esse movimento híbrido, conhecido como eco-brutalismo, combina a força do concreto com a vegetação e estratégias de projeto sensíveis ao clima. O resultado é um conjunto de espaços visualmente impactantes, conceitualmente complexos e cada vez mais populares entre designers, urbanistas e o público em geral. Este movimento engloba não apenas a linhagem direta do Brutalismo dos anos 1960, mas também projetos contemporâneos que, embora não sejam estritamente brutalistas, compartilham de sua honestidade material, escala monumental e uso de formas expressivas de concreto.
Em 1982, em uma conferência sobre construção com terra em Tucson, Arizona, uma apresentação incomum desafiou tudo o que os/as arquitetos/as pensavam saber sobre recursos rurais. Em vez de focar em técnicas construtivas, o apresentador, o arquiteto Pliny Fisk III, estendeu uma série de mapas desenhados à mão que revelavam algo extraordinário: o Texas rural não era escasso em recursos, como sugeria o senso comum, mas sim incrivelmente rico em materiais. Os mapas mostravam cinzas vulcânicas ideais para concreto leve, depósitos de caliche que se estendiam por vastos territórios e florestas de mesquite que podiam fornecer tanto pisos de madeira de alta densidade quanto isolamento térmico. Essa revelação redefiniu as noções predominantes de valor na arquitetura.
A Casa de Cultura e Administração, um novo complexo cívico projetado pelo escritório Benthem Crouwel Architects em colaboração com o Snøhetta, está tomando forma gradualmente na cidade holandesa de Delfzijl. Localizado na praça Molenbergplein, o projeto reúne funções culturais e administrativas em um gesto arquitetônico unificado que visa fortalecer o tecido urbano de Eemsdelta. As visualizações atuais marcam um avanço na fase de projeto estrutural. O refinamento técnico e financeiro continuará ao longo do verão, e a aprovação final do conselho municipal está prevista para outubro de 2025.
Swimmable Cities é uma aliança de 153 organizações signatárias em 59 cidades de 22 países que apoia o movimento global por cursos d'água urbanos próprios para banho. Diante do avanço da urbanização, das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, a iniciativa busca recuperar rios e portos como espaços públicos onde as comunidades possam desfrutar e se beneficiar do banho. A organização defende que as vias fluviais urbanas sejam seguras, saudáveis e acessíveis tanto para banhistas quanto para a vida silvestre, demandando uma colaboração transfronteiriça para desenvolver estratégias de melhoria e coletar dados para avaliar a "balneabilidade". Esse apelo torna-se ainda mais relevante diante do aumento das temperaturas globais e das crescentes desigualdades no acesso à infraestrutura pública nas grandes cidades. A carta de 10 pontos do movimento começa com a afirmação do "direito ao banho", celebrando a cultura do nado urbano e reconhecendo a importância histórica da água.
A arquitetura vernacular em Hong Kong originou-se como uma série de pequenos assentamentos costeiros — comunidades simples, semelhantes a vilas, que refletiam a identidade primordial da cidade como um polo pesqueiro. Essas vilas litorâneas eram tipicamente compostas por casas de baixa altura e estrutura de madeira, agrupadas ao redor de templos, formando comunidades coesas e intimamente ligadas aos ritmos das águas.
Um exemplo notável é Tai Hang, um dos primeiros assentamentos estabelecidos pelo povo Hakka em Hong Kong. Originalmente situada ao longo de um canal de água que descia das montanhas próximas em direção ao mar, a área servia como um ponto vital de lavagem para os moradores da vila — daí seu nome, que significa literalmente "Grande Drenagem". Antes de grandes obras de aterro marítimo, Tai Hang ficava muito próxima da linha de costa. Hoje, localiza-se a quase 700 metros terra adentro.
O design escandinavo há muito é admirado por sua estética minimalista e funcionalidade, que valorizam as coisas simples, com raízes profundas no conceito de Hygge. Esta reverência vai além do design de interiores, estendendo-se também ao mundo natural, o que resulta em projetos de arquitetura e instalações paisagísticas de alta qualidade que estreitam a conexão humana com ambientes intocados. Em vez de impor grandes estruturas ao meio ambiente, a abordagem escandinava propõe intervenções sutis e precisas. Estes projetos não buscam dominar, mas sim estabelecer um diálogo com a paisagem existente, valendo-se de um desenho sensível para potencializar suas formas, cores e texturas intrínsecas. O objetivo é complementar e valorizar a natureza, criando espaços funcionais que, ao mesmo tempo, aprofundam a relação de quem os visita com o entorno.
A trajetória de Christele Harrouk na arquitetura foi moldada pelo ambiente complexo e em constante mutação de sua criação no Líbano — um lugar marcado por contradições, transformações e resiliência. Embora seu ingresso na área não tenha sido planejado, a disciplina logo se tornou uma lente profunda pela qual ela compreende o mundo e suas complexidades. Ao aliar sua paixão pela escrita à sua experiência em arquitetura e desenho urbano, Christele descobriu uma voz única na interseção desses campos, adotando o trabalho editorial como uma plataforma poderosa para influenciar o discurso e amplificar narrativas diversas.
Como editora-chefe do ArchDaily, Christele está profundamente comprometida em moldar o discurso arquitetônico por meio de uma curadoria criteriosa. Ela busca projetos e histórias que dialoguem profundamente com o contexto, a cultura e as realidades sociais — priorizando aqueles que vão além de apresentar a arquitetura como mera forma ou função. Para ela, o real valor reside em conteúdos que desafiam as narrativas dominantes, amplificam vozes marginalizadas e fomentam debates críticos em comunidades globais.
Na busca por criar um diálogo fluido entre a arquitetura e a paisagem circundante, o estudo da topografia traduz o reconhecimento e a investigación sobre a aplicação de materiais, estratégias autossuficientes, soluções de baixa manutenção e projetos paisagísticos que se integrem ao entorno natural e minimizem o impacto ambiental das obras. Mais do que apenas registrar as diferenças de níveis, orientações solares, ventos predominantes ou inclinações de escoamento dos terrenos, diversos/as profissionais de arquitetura na Argentina demonstram interesse em desenvolver soluções arquitetônicas capazes de se adaptar às geografias naturais e restaurar o vínculo entre a natureza e o ser humano.
Localizado em uma fazenda no sul da Índia, o Museu do Arroz ocupa o andar superior da casa de Syed Ghani, inserido na verdejante paisagem agrícola de Mandya — uma região moldada por construções de tijolos, vegetação abundante e conhecimentos agrícolas ancestrais. Syed Ghani, agricultor, historiador e museólogo, tem se dedicado a preservar variedades nativas de arroz por meio da conservação de sementes, de sua reprodução e de iniciativas educacionais. Com o apoio de agricultores e agricultoras locais, ele ajudou a recuperar mais de mil variedades nativas de arroz (paddy), salvaguardando uma parte essencial do patrimônio agrícola da Índia.
Todos os anos, o Dia Mundial da População é celebrado em 11 de julho, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre diversas questões demográficas, como a importância da urbanização, da igualdade de gênero, da pobreza, da saúde e dos direitos humanos. Em 2025, sob o tema "Empoderando a Juventude para Construir as Famílias que Desejam", as Nações Unidas chamam a atenção para a maior geração de jovens da história, da qual uma grande parte está atingindo a maioridade em contextos de rápida urbanização. Os centros urbanos continuam sendo fundamentais para a compreensão desses padrões demográficos, à medida que as cidades continuam a atrair populações em busca de oportunidades, estabilidade e acesso a serviços essenciais. Hoje, mais da metade da população global reside em áreas urbanas, uma parcela que deve aumentar para 66% até 2050.
The Royal Institute of British Architects (RIBA) anunciou os 20 vencedores do RIBA National Awards 2025, que reconhece as contribuições mais significativas para a arquitetura em todo o Reino Unido. Concedida anualmente desde 1966, a premiação celebra a excelência em projeto e oferece um panorama valioso das tendências arquitetônicas, culturais e sociais em constante evolução. Os projetos vencedores deste ano distribuem-se por todo o território nacional, da Ilha de Wight à Escócia e à Irlanda do Norte, e representam uma ampla variedade de tipologias e escalas, desde grandes edifícios institucionais até intervenções residenciais e comunitárias de menor escala.
À medida que as cidades em todo o mundo lidam com prioridades sociais, ambientais e culturais em constante evolução, anúncios recentes de projetos revelam como a arquitetura tem sido cada vez mais concebida tanto como infraestrutura cívica quanto como catalisadora da identidade coletiva. Desde o novo projeto de estádio do escritório Populous em Tessalônica, que atenua as fronteiras entre o esporte e a vida urbana, até o palco cultural transparente do HENN em Augsburg, que convida à participação comunitária, essas propostas ilustram a ampliação do papel da arquitetura para além de sua função imediata. Em Luxemburgo, o trabalho do Schmidt Hammer Lassen para o Banco Europeu de Investimento reinventa os espaços institucionais por meio da sustentabilidade e do patrimônio, enquanto a nova comunidade insular do SLA e da GHD em Toronto impulsiona um urbanismo adaptado ao clima e baseado na natureza. Esta edição do Architecture Now reúne esforços diversos, porém interconectados, que moldam a maneira como a arquitetura pode promover um impacto ecológico, cultural e cívico de longo prazo.
Mercado Urbano Tobalaba / Territoria. Image Cortesía de MUT
O Urban Land Institute (ULI), uma organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa e educação sobre o desenvolvimento imobiliário e territorial, anunciou em 24 de junho os dez projetos vencedores do ULI Americas Awards for Excellence 2025. A premiação reconhece a excelência na arquitetura e no design de projetos urbanos, com foco especial na execução integral de cada um, desde o planejamento até a operação, incluindo seus impactos social, ambiental e econômico.
NDSM Lusthof / Studio Ossidiana. Imagem cortesia de Studio Ossidiana, Riccardo de Vecchi
À medida que a instabilidade climática reformula as prioridades projetuais, a arquitetura é cada vez mais atraída para os debates ecológicos, não como espectadora, mas como participante. Entre os conceitos que ganham força está o de rewilding (ou renaturalização), uma prática fundamentada na restauração de ecossistemas autossustentáveis por meio da reintrodução da biodiversidade, da remoção de barreiras e do reequilíbrio da presença humana na paisagem. Embora frequentemente associado à biologia da conservação, o rewilding também abre novos imaginários espaciais e arquitetônicos — que desafiam as noções convencionais de permanência, autoria e uso.
O OMA concluiu a sede da JOMOO em Xiamen, marcando o primeiro campus corporativo de escritórios da maior empresa de louças sanitárias da China. Situado no limite do distrito empresarial central da cidade, o edifício reflete a transformação contínua da JOMOO em uma marca global. O projeto foi liderado pelo sócio do OMA, Chris van Duijn, ao lado dos/as arquitetos/as de projeto Lingxiao Zhang e Chen Lu. Segundo Chris van Duijn, a sede faz parte de uma trajetória mais ampla no trabalho do OMA em cidadeschinesas em rápido desenvolvimento, como Hangzhou, Xiamen e Shenzhen, onde o escritório continua a explorar novas relações entre a arquitetura de torres e seu contexto urbano.
O Studio Gang é um escritório de arquitetura e design urbano fundado em 1997 por Jeanne Gang, com sede em Chicago e filiais em Nova York, San Francisco e Paris. Composto por mais de 100 profissionais, incluindo arquitetos/as, designers e planejadores/as, o escritório é conhecido por sua abordagem de projeto baseada em pesquisa. Na sexta-feira, 11 de julho, o Aedes Architecture Forum em Berlim inaugurará uma exposição sobre o trabalho do Studio Gang, organizada em colaboração com a revista AW Architektur & Wohnen. Sob o título Studio Gang: The Art of Architectural Grafting, a mostra explora a metodologia de projeto do escritório por meio de seis projetos recentes.
Enel, líder global em energia renovável, lançou o "WinDesign", um concurso internacional que convida profissionais e estudantes talentosos/as das áreas de engenharia, arquitetura e design a imaginarem e projetarem novas turbinas eólicas. O objetivo é desenvolver projetos de turbinas que se integrem de forma mais harmoniosa às paisagens onde serão instaladas, fortalecendo, assim, seu papel na transição energética.
O escritório Henning Larsen, em colaboração com o Siimi Design Studio, sediado em Kampala, revelou o projeto de um novo campus modular para a El Cambio Academy, uma instituição de educação e futebol juvenil localizada em Masaka, Uganda. O projeto está sendo desenvolvido utilizando a taipa de pilão na construção, com tijolos produzidos no próprio local a partir de terra escavada na área. Atualmente em obras, a primeira fase inclui um dormitório masculino, com conclusão prevista para o verão de 2025. O campus de 1.280 metros quadrados foi projetado para abrigar 60 crianças e jovens de 9 a 16 anos, oferecendo instalações para educação formal e treinamento esportivo.