A Milano Centrale é a principal estação ferroviária do norte da Itália e a segunda maior do país, atrás apenas da Roma Termini. O edifício foi inaugurado oficialmente em 1º de julho de 1931, substituindo a primeira estação central da cidade, que havia sido aberta em 1864. A construção tinha o objetivo de demonstrar o poder do regime fascista do então primeiro-ministro Mussolini, destacando-se por sua escala monumental, arcos grandiosos e uma fachada imponente. Após um concurso fechado promovido pela Grandi Stazioni Retail, o Park, um coletivo interdisciplinar italiano, foi selecionado para redesenhar o térreo e os mezaninos da estação, transformando este marco histórico urbano em uma plataforma contemporânea.
O prazo de envio de propostas para o ArchDaily Student Project Awards foi prorrogado por uma semana. Estudantes agora têm até o dia 20 de fevereiro de 2026, às 23h59 (CET), para enviar seus projetos.
Aberta a estudantes cadastrados/as no ArchDaily Campus, a edição de estreia da premiação tem como tema Arquitetura da Coexistência, convidando propostas que explorem espaços inclusivos para comunidades e formas coletivas de cuidado. A prorrogação oferece um tempo adicional para que os/as estudantes refinem seus projetos conceituais e fortaleçam seus argumentos espaciais e narrativos.
Como um material concebido para pontes, fábricas e grandes estruturas chegou ao banco da sala, à estante do apartamento, à mesa do café? O metal atravessou séculos associado ao esforço, à máquina e à monumentalidade — das estruturas expostas das Exposições Universais do século XIX à lógica produtiva da indústria moderna. Sua presença no interior doméstico não é um dado óbvio, mas uma conquista cultural: a transformação de um material fabril em elemento de uso cotidiano, íntimo e próximo do corpo.
Estabelece-se, portanto, uma hierarquia visual que orienta o olhar, determinando o que deve ser visto, de que maneira e com qual intensidade emocional, sendo capaz de definir como o usuário interpreta o entorno. Nesse contexto, a estratégia projetual ultrapassa o campo da decisão estética para atuar como uma manipulação da experiência fenomenológica do espaço. Ao selecionar um fragmento específico do horizonte por meio de uma abertura controlada, ou dissolver os limites entre interior e exterior com amplos planos envidraçados, a arquitetura passa a operar como uma lente. Ela pode enfatizar a pequenez da escala humana diante da vastidão do território ou, em sentido oposto, domesticar a natureza, incorporando-a como parte da vida cotidiana.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 foram oficialmente abertos na sexta-feira, 6 de fevereiro, com uma cerimônia realizada em quatro locais no norte da Itália. O principal evento de abertura ocorreu no Estádio San Siro, um dos marcos modernistas mais significativos de Milão, unindo dança e artes performáticas em uma homenagem à cultura italiana, com apresentações de artistas internacionais, incluindo a estrela pop Mariah Carey. Embora diversas competições já tivessem começado no dia 4 de fevereiro, a cerimônia de abertura marcou o início de um programa mais amplo de eventos esportivos, sociais e culturais distribuídos por Milão e pelas três regiões alpinas anfitriãs: Cortina d'Ampezzo, Valtellina e Val di Fiemme. Os Jogos estão programados para seguir até 22 de fevereiro, encerrando-se com uma cerimônia de encerramento na Arena de Verona, antecedendo os Jogos Paralímpicos, que ocorrerão de 6 a 15 de março. Como um evento internacional de grande escala, as Olimpíadas impõem demandas significativas sobre a infraestrutura esportiva, redes de transporte, hospedagem e capacidade turística, oferecendo os primeiros indícios dos impactos urbanos, arquitetônicos e territoriais de longo prazo que os Jogos podem deixar para trás.
Símbolos do desenvolvimento tecnológico e da densidade urbana, os edifícios em altura, tal qual conhecemos hoje, surgiram no final do século XIX, principalmente nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento acelerado do comércio urbano e à necessidade de expandir as cidades sem ocupar mais território. O termo arranha-céu, por exemplo, foi cunhado na década de 1880 e originalmente se referia a edifícios com cerca de 10 a 20 pavimentos — uma altura impressionante para a época.
No entanto, a ideia de construir verticalmente é bem mais antiga do que os arranha-céus de aço e vidro sugerem. Muito antes da revolução industrial, algumas sociedades já experimentavam formas de urbanização vertical como solução para limitações de espaço, defesa territorial ou adaptação ambiental.
Sob o solo encontra-se um material que, silenciosamente, moldou a arquitetura do mundo moderno. O petróleo raramente é debatido no discurso arquitetônico; no entanto, a extração, a circulação e o consumo desse recurso reorganizaram profundamente a lógica espacial dos territórios. Oleodutos, refinarias, plataformas de perfuração, portos, rodovias e complexos petroquímicos formam uma vasta paisagem de infraestrutura que sustenta a vida contemporânea, compondo uma arquitetura de energia dispersa.
Ao longo dos séculos XX e XXI, o petróleo tornou-se a base material da sociedade industrial. Ele abasteceu os transportes, alimentou fábricas e sustentou o crescimento de cidades cuja organização espacial dependia de fluxos contínuos de energia. Contudo, as infraestruturas que viabilizam esses fluxos raramente se tornam objetos de investigação arquitetônica. A atenção permanece amplamente direcionada para a forma, a tipologia ou a densidade urbana, enquanto os sistemas materiais que sustentam esses ambientes tendem a ser deslocados no âmbito da disciplina.
Os mirantes são estruturas destinadas à observação da paisagem a partir de pontos elevados. Implantados em meio à natureza ou no cenário urbano, funcionam como dispositivos que organizam o olhar e estabelecem uma relação direta entre o corpo e o território. Nessa fronteira entre o observador e a paisagem, os mirantes podem assumir diferentes configurações, desde pequenos gestos até estruturas monumentais, sempre em resposta ao contexto em que se inserem. Independente da escala, são – em certa medida -, tentativas de domesticar a vastidão, recortes precisos que tornam legível aquilo que, sem mediação, poderia se apresentar como excesso.
Esta semana foi marcada pelo Dia Mundial da Saúde, comemorado anualmente em 7 de abril pela Organização Mundial da Saúde. A edição deste ano lançou o apelo de "Apoiar a ciência", convidando a um engajamento renovado com o conhecimento científico como base para a ação coletiva entre diversas disciplinas. Na arquitetura e no desenho urbano, esse imperativo ressoa em projetos que traduzem pesquisas em estratégias espaciais: desde a implantação de gêmeos digitais para subsidiar o planejamento urbano e a tomada de decisões, até iniciativas de renaturalização (*rewilding*) que integram a biodiversidade como ferramenta para mitigar as mudanças climáticas, além de práticas focadas na materialidade que promovem uma construção consciente dos recursos. Dentro desse panorama mais amplo, trabalhos recentes também destacam a agência social da arquitetura em múltiplas escalas, incluindo um centro de apoio a pacientes com câncer em Kent focado na paisagem, que alinha bem-estar à sensibilidade ambiental; uma instalação urbana em Brescia que funciona como um dispositivo de conscientização cívica sobre a vida na prisão e caminhos para a reintegração; e a transformação de uma rua em Mântua em um espaço público voltado para pedestres e rico em biodiversidade.
Uma tela perfurada frequentemente é tratada como um elemento secundário, algo aplicado para suavizar a luz, decorar uma fachada ou adicionar textura onde, de outro modo, a parede pareceria plana. É fotografada como superfície, desenhada como padrão e discutida como trabalho artesanal. No entanto, em muitos edifícios pelo subcontinente indiano e pelo mundo islâmico, essa tela nunca foi um mero acréscimo. Era a própria parede. Ao removê-la, o edifício não muda apenas de aparência; ele perde a capacidade de regular o calor, circular o ar e mediar a relação entre o interior e o exterior.
Essa leitura equivocada revela mais sobre os hábitos contemporâneos do que sobre a tela em si. O pensamento arquitetônico há muito separa a estrutura da envoltória, o desempenho da expressão. Sob essa perspectiva, elementos como o jaali ou o muxarabi são facilmente categorizados como ornamentais, visualmente ricos, mas tecnicamente secundários. Contudo, essas telas foram concebidas como sistemas integrados, nos quais geometria, material e clima operam em conjunto. Sua inteligência reside naquilo que realizam.
Há um gesto ancestral em dar forma à terra. Muito antes da arquitetura se constituir como disciplina, o barro já era moldado pelas mãos e transformado pelo fogo, convertendo matéria bruta em utensílio doméstico e objeto cultural. Na história desse ofício, as fábricas de cerâmicamarcam a transição do saber manual para a produção em série, ampliando sua escala sem romper completamente com a origem material. Dispersas por diferentes territórios, essas estruturas registram a relação entre técnica, paisagem e tempo. Com o passar das décadas, no entanto, muitas delas acabaram perdendo sua função original, sendo substituídas por processos mais tecnológicos ou fagocitadas pelo desenvolvimento urbano ao seu redor, passando a ocupar um estado intermediário, entre permanência e obsolescência.
A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.
Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.
Mesmo o transeunte mais distraído é capturado pela presença monumental dessa estrutura situada no consolidado bairro valenciano de Benimaclet. Diante dela, qualquer tentativa de apreensão racional se desfaz. A lógica construtiva parece escapar enquanto o espaço se desdobra em tensões e desvios onde nada se oferece de imediato. Entre massas de concreto e a insurgência da vegetação, emerge um jogo quase coreográfico de planos, ângulos e rotações. Na vertigem desse encontro, percebe-se que o edifício não foi feito para ser compreendido, mas para ser experimentado.
No dia 12 de março, o arquiteto chileno de ascendência croata, Smiljan Radić Clarke, foi laureado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026. O júri destacou sua "abordagem pouco ortodoxa do projeto", que "pode parecer inicialmente incomum, inesperada e até rebelde; no entanto, longe de produzir distanciamento ou estranhamento, sua postura anticanônica parece nova e sem precedentes. Ela transmite a sensação inconfundível de se deparar com algo novo". Esse reconhecimento será celebrado com a conferência e o painel de discussão anuais do Prêmio Pritzker de Arquitetura, a serem realizados na Cidade do México, na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), no Teatro Estefanía Chávez da Faculdade de Arquitetura, em 12 de maio de 2026.
Diferente de muitos programas industriais tradicionalmente ocultos atrás de fachadas neutras e espaços herméticos, as destilarias contemporâneas frequentemente expõem seus processos produtivos como parte essencial da experiência arquitetônica. O calor dos alambiques, os vapores da destilação ou os percursos da matéria-prima deixam de ser apenas operações técnicas para assumir protagonismo espacial.
Embora produzam bebidas distintas, os projetos selecionados a seguir compartilham desafios arquitetônicos semelhantes. Todos precisam organizar fluxos industriais, controlar condições específicas de temperatura, ventilação e armazenamento, além de compatibilizar áreas técnicas com percursos de visitação pública. Ao mesmo tempo, cada destilaria estabelece respostas particulares ao território em que se insere, revelando diferentes maneiras de relacionar produção e paisagem.
As cidades modernas são movidas por indicadores de desempenho. Elas movem milhões de pessoas todos os dias, concentram capital, separam os usos do solo e sustentam sistemas complexos de logística e consumo. Nesse sentido, a cidade funciona como um sistema a ser continuamente ajustado e otimizado.
As métricas dominantes hoje são familiares e amplamente conhecidas: veículos por hora, tempos médios de deslocamento, coeficientes de aproveitamento, rotatividade de estacionamento, novos projetos habitacionais e receita tributária por lote. Esses números descrevem uma cidade legível por meio da eficiência. São herdados de uma lógica industrial, na qual o espaço urbano é tratado mais como um mecanismo de produção do que como um ambiente vivenciado. Sob essa perspectiva, as cidades começam a mimetizar as necessidades e métricas de uma máquina.
Os escritórios internacionais Studio Gang e Henning Larsen concluíram o One Milestone, um empreendimento da Breakthrough Properties. O complexo voltado para as ciências da vida faz parte da primeira fase do Enterprise Research Campus (ERC), um distrito de uso misto de 14 acres no bairro de Allston, em Boston, liderado pela Tishman Speyer e pela Harvard Allston Land Company. Localizado na extremidade sudoeste do ERC, o One Milestone foi projetado para funcionar como um polo de criatividade, ciência e empreendedorismo. Seu complexo recém-inaugurado de dois edifícios, que abrange 47.380 m², foi concebido para atender à comunidade científica da Grande Boston. Os dois escritórios começaram a colaborar no projeto em 2019 com o codesenho de um plano diretor estratégico, iniciando as obras do One Milestone em 2023.
Os planos de reurbanização do escritório FCBStudios para St Mary le Port, em Bristol, receberam aprovação urbanística, liderando a transformação desta importante área em um trecho vibrante do tecido urbano. A proposta valoriza a importância histórica da torre e das ruínas da igreja de St Mary le Port, restaurando o traçado viário anterior à Segunda Guerra Mundial e reconectando a região ao centro da cidade. Composto por escritórios e espaços comerciais, o projeto foi concebido para aprimorar a experiência de trabalho e consumo no centro de Bristol.
“Refletir e imaginar o potencial da arquitetura e do urbanismo para propor questionamentos sobre nossos modos de vida em tempos de mudança e transformação. Destacando especialmente a importância da criatividade e da imaginação na prática e no projeto nos campos da arquitetura e do urbanismo — entendidos em sua dimensão cultural —, buscamos abrir novos espaços de reflexão sobre as transformações culturais, sociais e tecnológicas em uma espécie de mudança de era que se aproxima, bem como as lições aprendidas com a crise social e sanitária”, este foi o principal chamado feito pela Bienal.
Instalada no último andar do Het Nieuwe Instituut em Roterdã, Países Baixos, a exposição “MVRDVHNI: The Living Archive” apresenta 30 anos de trabalho do MVRDV, analisando a filosofia de projeto de cada obra e suas visões de futuro. A mostra, localizada ao lado do projeto mais recente do escritório, o Depot Boijmans Van Beuningen, destaca o processo criativo por trás de cada proposta, como foram desenvolvidas e os desafios de preservar seus materiais e abordagens para as futuras gerações.
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Porta pivotante interna alta e larga / Govaert & Vanhoutte. Imagem cortesia de FritsJurgens
Entre os muitos fatores que podem impactar a personalidade, o estilo e a funcionalidade de um espaço residencial, as portas certamente desempenham um papel fundamental na definição do tom do ambiente. Além de sua função decorativa, elas protegem os cômodos das intempéries e dos ruídos, delimitam espaços, definem circulações e proporcionam privacidade. À medida que as tendências recentes de design continuam a apontar para linhas limpas e modernas, a porta pivotante nunca esteve tão em alta — sendo aplicada não apenas em entradas principais, mas também aparecendo com maior frequência no design de interiores. Além de serem maiores, mais pesadas e oferecerem um visual contemporâneo marcante, as portas pivotantes proporcionam um movimento belo e elegante com ferragens quase invisíveis que rotacionam em torno de um eixo vertical, diferenciando-as das portas de dobradiça comuns.
Mesquita Amir Shakib Arslan / L.E.FT Architects. Imagem cortesia de Abdullatif Alfozan Award for Mosque Architecture
O Prêmio Abdullatif Alfozan para Arquitetura de Mesquitas premiou sete mesquitas em seu terceiro ciclo sob o tema "Arquitetura de mesquitas no século XXI", avaliando seus conceitos arquitetônicos únicos, bem como sua conexão com as comunidades locais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131160/projetos-na-arabia-saudita-no-libano-e-na-indonesia-estao-entre-os-vencedores-do-iii-premio-abdullatif-alfozan-de-arquitetura-de-mesquitasArchDaily Team