A iniciativa Capital Europeia da Cultura (CEC) foi lançada em 1985 e, até o momento, contemplou mais de 60 cidades em toda a Europa. O projeto busca celebrar e promover a diversidade cultural no continente, fortalecer o sentimento de pertencimento da população europeia a um espaço cultural compartilhado e incentivar a contribuição da cultura para o desenvolvimento urbano. Na prática, a nomeação tem se mostrado um catalisador para a regeneração urbana, o crescimento do turismo, o fortalecimento do perfil internacional das cidades e a melhoria de como elas são percebidas por seus próprios habitantes. As Capitais Europeias da Cultura são formalmente designadas quatro anos antes do ano do título, garantindo tempo para planejar, preparar e integrar o programa a uma estratégia cultural de longo prazo, estabelecer parcerias europeias e assegurar a infraestrutura necessária. Em 2025, as Capitais Europeias da Cultura são a cidade alemã de Chemnitz e a cidade eslovena de Nova Gorica. Para 2026, as cidades escolhidas são Oulu na Finlândia e Trenčín na Eslováquia.
Após a notícia do falecimento aos 96 anos de Frank Gehry, as atenções se voltaram novamente para uma carreira que moldou significativamente o discurso arquitetônico a partir do final do século XX. Ao longo de mais de sete décadas, Gehry desenvolveu uma linguagem de projeto definida pela experimentação de materiais, pela modelagem de maquetes de forma iterativa e pelo interesse em formas fluidas e expressivas. Sua obra abrange desde as primeiras intervenções residenciais no sul da Califórnia até grandes instituições culturais que contribuíram para a identidade de cidades em todo o mundo. Juntos, esses projetos delineiam uma trajetória que se cruzou com mudanças nas tecnologias de fabricação, nas tipologias de museus e nas estratégias de requalificação urbana.
Frank Gehry, um dos nomes mais influentes e reconhecidos da arquitetura das últimas seis décadas, faleceu em sua residência em Santa Monica aos 96 anos. Sua chefe de gabinete, Meaghan Lloyd, confirmou que a causa foi uma breve doença respiratória. A morte de Gehry marca a partida de um designer cujo trabalho transformou não apenas a cultura arquitetônica, mas a imaginação global sobre o que um edifício pode ser.
Cor do Ano 2026 "Cloud Dancer". Imagem cortesia de Pantone
O Pantone Color Institute apresentou a tonalidade PANTONE 11-4201 Cloud Dancer como a Cor do Ano de 2026, um branco suave selecionado por sua presença discreta e sensação de calma visual. Descrito como equilibrado e leve, o tom surge em um contexto cultural mais amplo, no qual profissionais de design e mentes criativas reavaliam o papel da clareza, da simplicidade e do silêncio espacial. Apresentada como uma cor que se assemelha a uma tela em branco, a Cloud Dancer sinaliza um interesse renovado por ambientes que favorecem a reflexão e uma criatividade ponderada, em vez da aceleração constante.
O Estado do Catar anunciou em 4 de dezembro de 2025 a seleção do Frida Escobedo Studio, juntamente com a equipe de engenharia da Buro Happold e a equipe de paisagismo do Studio Zewde, para projetar a nova sede do Ministério das Relações Exteriores. Com o objetivo de estabelecer uma presença cívica mais visível para o serviço diplomático catariano e oferecer acesso público ao complexo ministerial, o projeto está planejado para um terreno de destaque na orla de Doha, transformando um trecho importante da Corniche da cidade. Situado junto à Baía de Doha, o projeto de 70.000 metros quadrados (750.000 pés quadrados) é concebido como uma combinação de novas construções e a reutilização adaptativa do histórico e modernista edifício do Correio Central (General Post Office) atualmente no local.
No dia 21 de novembro de 2025, ocorreu o encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP), a reunião anual dos Estados-membros das Nações Unidas dedicada à negociação de acordos internacionais sobre o clima e à avaliação do progresso global na redução de emissões. Nesta edição, o evento foi realizado em Belém, no Brasil — uma cidade portuária com menos de 1,5 milhão de habitantes, amplamente reconhecida como porta de entrada para a região do baixo Amazonas. Criadas em 1992, as Conferências do Clima da ONU (ou COPs) são um fórum internacional de tomada de decisão multilateral que envolve 198 “Partes” (197 países, a depender das definições, além da União Europeia). Seu objetivo central é avaliar os esforços globais para cumprir a meta principal do Acordo de Paris: limitar o aquecimento global ao mais próximo possível de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O evento reúne líderes e negociadores dos países-membros, representantes do setor privado, jovens, cientistas do clima, povos indígenas e diversos segmentos da sociedade civil em debates essenciais para atingir essa meta. Em 2025, a COP30 foi marcada por fortes críticas às suas relações com a indústria de combustíveis fósseis, por descrições dos acordos como frágeis e insuficientes, e pelo desafio de transformar promessas financeiras em ações concretas — “de compromisso a linha de vida”.
O Canadian Centre for Architecture (CCA) lançou recentemente um novo projeto de pesquisa e colaboração institucional com o M+ de Hong Kong, intitulado How Modern: Biographies of Architecture in China 1949–1979. O projeto se desdobra em uma exposição apresentada nas Galerias Principais do CCA de 20 de novembro de 2025 a 5 de abril de 2026, uma série de filmes encomendados e vídeos de história oral do artista Wang Tuo, conteúdo editorial online, programação pública e um livro complementar copublicado pelo CCA e pela M BOOKS. Esse conjunto de conteúdos busca reformular as histórias arquitetônicas do modernismo nas três primeiras décadas da República Popular da China, revelando como o design operava sob ideologias flutuantes e pressões socioeconômicas a partir das perspectivas e experiências de arquitetos/as, instituições e residentes. O projeto se alinha ao interesse contínuo do CCA em produzir novas leituras da arquitetura moderna em diferentes contextos sociopolíticos e recortes geográficos, incluindo Architecture in Uniform: Designing and Building for the Second World War (2011) e Building a new New World: Amerikanizm in Russian Architecture (2020).
Todos os anos, em 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência traz atenção renovada para a necessidade de ambientes inclusivos e equitativos, tanto no aspecto social quanto no espacial. O tema de 2025, "Fomentar sociedades inclusivas para pessoas com deficiência para promover o progresso social", destaca como barreiras persistentes no emprego, na proteção social e no acesso a serviços continuam a afetar mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Nesse contexto mais amplo, o ambiente construído desempenha um papel decisivo: a arquitetura pode tanto reforçar a exclusão quanto abrir caminhos para a autonomia, a dignidade e a participação na vida cotidiana.
O ambiente construído da Grécia é moldado pela coexistência de múltiplas camadas arquitetônicas, onde se cruzam estruturas históricas, intervenções modernas e sistemas urbanos em evolução. Marcos de valor histórico (landmarks) e as malhas urbanas que os cercam continuam a definir o caráter espacial das cidades, ao passo que os empreendimentos do pós-guerra, as melhorias infraestruturais e os projetos contemporâneos agregam novas dimensões à paisagem do país. Essa continuidade entre o passado e o presente fundamenta as abordagens de projeto atuais, que se concentram cada vez mais no equilíbrio entre o patrimônio, as considerações ambientais e as demandas urbanascontemporâneas.
O escritório UNS revelou imagens do SeoulOne, um plano diretor projetado para a Hyundai Development Company (HDC) em Seul, Coreia do Sul, concebido como um novo modelo de habitação multigeracional. O projeto, que já está em construção em uma antiga área industrial no nordeste da cidade, reimagina um antigo complexo industrial e ferroviário como um bairro de 405.000 m² livre de carros para uma comunidade multigeracional. Como um plano diretor verde e sempre ativo para Seul, o SeoulOne é concebido como uma minicidade de uso misto onde todos os serviços essenciais para pessoas de todas as idades estão disponíveis a uma caminhada de no máximo 10 minutos. O projeto inclui torres residenciais em funcionamento ininterrupto, espaços comerciais, escritórios, um hotel, instalações esportivas, creches, moradias para idosos e um centro médico, oferecendo serviços permanentes a curtas distâncias a pé. Mais de 30% do terreno é dedicado à vegetação, incluindo praças de bolso (*pocket parks*), jardins na cobertura, jardins aquáticos e uma trilha florestal, criando uma vila verde aberta o ano todo.
Jacarta se tornou a cidade mais populosa do mundo, de acordo com o relatório World Urbanization Prospects 2025, divulgado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA). Utilizando um método atualizado e harmonizado para definir áreas urbanas, o relatório estima a população de Jacarta em quase 42 milhões de habitantes, superando Daca, com cerca de 40 milhões, e Tóquio, com 33 milhões. A revisão do ranking ilustra como os critérios atualizados de medição e o contínuo crescimento demográfico estão redefinindo a compreensão da escala urbana na Ásia e no mundo.
MVRDV e SYNRG receberam aprovação para construir o Schieblocks, um edifício de escritórios de 47.000 metros quadrados em Roterdã, nos Países Baixos. Projetado para a incorporadora LSI, que comercializa o empreendimento como The Bluezone Offices, o edifício ocupará um terreno estreito ao longo da linha ferroviária, atingindo 61 metros de altura e se estendendo por quase 150 metros de comprimento. O programa inclui espaços comerciais no nível térreo, escritórios em todos os pavimentos, além de um restaurante e um espaço para eventos nos andares superiores. Concebido como um "bairro 3D", o projeto divide o grande volume em uma série de blocos coloridos e distintos que trazem diversas referências ao caráter arquitetônico de Roterdã.
Stern, na Yale School of Architecture, via Dan’s Hampton. Imagem Cortesia de Common Edge
Robert A.M. Stern, o arquiteto, educador e historiador americano cujo trabalho moldou tanto o panorama físico quanto o intelectual da arquitetura contemporânea, faleceu aos 86 anos. Seu falecimento foi confirmado pelo Robert A.M. Stern Architects (RAMSA), escritório sediado em Nova York que ele liderou por mais de cinco décadas. Conhecido por promover uma abordagem contextual e historicamente fundamentada durante décadas dominadas pela arquitetura modernista e high-tech, Stern permaneceu como uma voz proeminente em defesa da continuidade, da civilidade urbana e da compreensão da arquitetura como parte de uma linhagem cultural mais ampla.
Em 20 de novembro de 2025, o Mississippi Museum of Art (MMA) confirmou a compra de Fountainhead, uma residência projetada por Frank Lloyd Wright em 1948 e concluída em 1954. O/A renomado/a arquiteto/a modernista projetou a residência e seu mobiliário para o empresário do setor petrolífero J. Willis Hughes, que morou no local com sua família até 1980. Fundado em 1911, o MMA é o maior museu de arte do estado do Mississippi, oferecendo exposições, programas públicos, parcerias artísticas e comunitárias, iniciativas educacionais e oportunidades de intercâmbio ao longo de todo o ano, por meio de um acervo permanente de pintura, fotografia, obras multimídia e escultura. A aquisição faz parte do objetivo do museu de se integrar aos bairros de toda a cidade de maneira a apoiar suas prioridades de fortalecimento comunitário, disponibilizando o marco arquitetônico ao público para visitas guiadas mediante reserva. A iniciativa é inspirada por instituições como o Crystal Bridges Museum of American Art, que adquiriu a Bachman-Wilson House, também projetada por Wright, em 2015.
Biblioteca dos Saberes de Kéré Architecture. Vista norte. Render. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Kéré Architecture apresentou sua proposta para a Biblioteca dos Saberes, um complexo cultural de 40.000 metros quadrados no bairro da Cidade Nova, no Rio de Janeiro. Projetado por Francis Kéré, Mariona Maeso Deitg e Juan Carlos Zapata, o conjunto foi encomendado pela Prefeitura do Rio de Janeiro e está previsto para um terreno próximo ao Cais do Valongo e à região da Pequena África. O projeto foi apresentado à comunidade em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Entre seus elementos principais, estão uma fachada perfurada para proteção solar, jardins na cobertura, terraços ajardinados, pátios sombreados, áreas ao ar livre, um anfiteatro coberto e uma passarela para pedestres que conecta o edifício ao monumento a Zumbi dos Palmares.
Duas torres residenciais de 36 andares foram concluídas na Irwell Bank Road, em Singapura, apresentando uma fachada pixelada projetada pelo escritório MVRDV. O projeto se baseia no sistema modular desenvolvido pelo ADDP Architects, que concebeu os edifícios utilizando Construção Volumétrica Pré-fabricada e Pré-acabada (PPVC). A fachada do MVRDV introduz variação nas elevações e marca a localização dos espaços verdes comunitários no 24º andar e na cobertura. O Irwell Hill Residences, desenvolvido pela City Developments Limited (CDL), marca a primeira colaboração do MVRDV em um edifício no centro urbano de Singapura.
Biblioteca dos Saberes por Kéré Architecture. Vista aérea. Render. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Em meio às discussões globais em andamento sobre adaptação climática e desenvolvimento urbano resiliente, que ganharam ainda mais destaque com os resultados da COP30, as notícias de arquitetura desta semana ilustram como as cidades em todo o mundo estão repensando seus ambientes construídos. De Veneza, onde a 19ª Bienal de Arquitetura foi encerrada com debates sobre o uso de materiais e o impacto cultural de longo prazo, a prêmios internacionais que colocam em primeiro plano o design regenerativo e socialmente responsivo, o diálogo em torno da arquitetura está cada vez mais interligado com as prioridades planetárias. Grandes intervenções urbanas, que vão desde a revitalização da orla de Tessalônica e a nova biblioteca pública do Rio de Janeiro até o Museu de História Natural de Abu Dhabi e um estádio cívico em Birmingham, demonstram como diversas cidades estão abordando mobilidade, patrimônio, densidade e resiliência climática. Outros projetos, como a estratégia urbana ecológica de Mântua, a paisagem elevada de Utrecht sobre as redes de transporte e o sistema de mobilidade terrestre redesenhado do Aeroporto Schiphol, em Amsterdã, refletem ainda mais a transição para estruturas urbanas integradas e centradas nas pessoas, que priorizam o desempenho ambiental, o espaço público e a gestão territorial de longo prazo.
Wang Shu e Lu Wenyu. Imagem cortesia de Venice Architecture Biennale
A La Biennale di Venezia anunciou que a dupla de arquitetura formada por Wang Shu e Lu Wenyu fará a curadoria da 20ª Exposição Internacional de Arquitetura, com abertura em maio de 2027. À frente do Amateur Architecture Studio e com papel de destaque na prática contemporânea, a dupla é reconhecida por uma abordagem fundamentada no fazer artesanal, no reuso de materiais e em uma profunda conexão com o lugar. Sua nomeação direciona as atenções novamente para os saberes vernaculares, as culturas construtivas e as realidades sociais que moldam a arquitetura hoje.
O escritório Foster + Partners desenvolveu um masterplan para a requalificação da antiga cervejaria FIX em Tessalônica, na Grécia. A proposta, encomendada pela Dimand, define um distrito de uso misto que integra espaço público, habitação, hotelaria e programas culturais. Localizado ao longo da orla ocidental e a uma curta distância a pé do centro da cidade, o terreno funciona como um ponto de conexão fundamental entre os bairros emergentes e a orla marítima. O projeto baseia-se na história industrial do complexo da antiga cervejaria, ao mesmo tempo em que introduz novas configurações espaciais destinadas a apoiar esforços mais amplos de regeneração urbana em toda a cidade de Tessalônica.
O Centro Cultural Europeu (ECC) anunciou os vencedores do ECCAwards 2025, selecionados entre os participantes da sétima edição da mostra Time Space Existence e revelados no encerramento da exposição, em 23 de novembro de 2025, em Veneza. Reunindo 207 escritórios de mais de 52 países, a edição deste ano destacou um amplo espectro de abordagens de arquitetura e design em resposta aos temas de Reparo, Regeneração e Reuso. Os prêmios reconhecem quatro projetos que se destacaram por sua originalidade, execução, clareza narrativa e olhar prospectivo para questões de sustentabilidade, comunidade e o futuro do ambiente construído.