LUMA Arles / Gehry Partners. Fotografia de Iwan Baan. Imagem cortesia de Gehry Partners
As notícias desta semana refletem o envolvimento simultâneo da arquitetura com a reflexão cultural, o legado profissional e as realidades materiais da construção das cidades. O falecimento de Frank Gehry motivou uma reavaliação mais ampla da prática arquitetônica do final do século XX e início do século XXI, ao passo que a seleção de Shigeru Ban para receber a Medalha de Ouro do AIA de 2026 trouxe atenção renovada para o design de cunho social e as responsabilidades públicas da profissão. Esses marcos ocorreram em paralelo a discussões mais amplas geradas pelo Dia dos Direitos Humanos, que examinaram o papel da arquitetura na equidade, no acesso à habitação e na segurança em todo o mundo, além de debates prospectivos que definem a agenda da arquitetura para 2026 por meio de grandes eventos internacionais e programas culturais. Na escala do ambiente construído, esses temas ecoam em três projetos que moldam as futuras condições urbanas: a transformação promovida pelo escritório Powerhouse Company de uma antiga pedreira de calcário em um bairro de uso misto em Bærum, próximo a Oslo; o início das obras do Riverside Wharf, um empreendimento voltado para a hotelaria e o lazer que contribui para a regeneração do River District de Miami; e o projeto de retrofit aprovado da Foster + Partners para a 1 St James's Square em Londres, focado na preservação estrutural e na resiliência urbana de longo prazo.
Com o avanço dos preparativos para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026, programados para ocorrer de 6 a 22 de fevereiro de 2026, esta edição apresenta uma das configurações de maior abrangência geográfica já implementadas para as Olimpíadas de Inverno. Estendendo-se por duas cidades, duas regiões e duas províncias autônomas, as competições serão realizadas em uma área de mais de 22.000 quilômetros quadrados no norte da Itália. Os locais metropolitanos de Milão unem-se a tradicionais centros alpinos em Cortina d'Ampezzo, Livigno, Bormio, Anterselva e Val di Fiemme, criando uma estrutura que conecta os contextos urbano e montanhoso. Mais de 90% das instalações são estruturas existentes ou temporárias, refletindo uma estratégia focada no reuso adaptativo, em melhorias seletivas e na integração de longo prazo às infraestruturas culturais e de esporte regionais. Cerca de 2.900 atletas competirão em 116 eventos, incluindo a estreia do esqui de montanhismo e diversos novos formatos de gênero misto, sinalizando a evolução das abordagens na programação de esportes de inverno.
O Dia dos Direitos Humanos é celebrado anualmente em 10 de dezembro no mundo todo. A data comemora o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Redigida por representantes de diversas origens jurídicas e culturais de todas as regiões, a Declaração foi proclamada como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Pela primeira vez, o documento estabeleceu direitos humanos fundamentais a serem protegidos universalmente e inalienáveis, garantindo-os a todo ser humano, independentemente de raça, cor, religião, sexo, idioma, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, bens, nascimento ou qualquer outra condição. Hoje, a Declaração serve como um modelo global para leis e políticas internacionais, nacionais e locais. Disponível em 577 idiomas, trata-se do documento mais traduzido do mundo. A Organização das Nações Unidas definiu o tema da celebração deste ano como "Direitos Humanos, Nossos Elementos Essenciais do Dia a Dia", com o objetivo de "reafirmar os valores dos direitos humanos e demonstrar que eles continuam sendo uma proposta vencedora para a humanidade".
De 12 a 19 de outubro de 2025, a cidade de Cuenca tornou-se o ponto de encontro de mais de 150 estudantes de arquitetura vindos de 13 países latino-americanos. O XXXVII Encontro Latino-Americano de Estudantes de Arquitetura (ELEA) — realizado no âmbito do 40º aniversário da Coordenação Latino-Americana de Estudantes de Arquitetura (CLEA) — propôs repensar o papel do/a arquiteto/a frente aos desafios contemporâneos do território.
Coordenado pelo arquiteto Fernando Abarca, com o apoio da CLEA, da Organização Nacional de Estudantes de Arquitetura do Equador (ONEA), da Universidad del Azuay (UDA), da Universidad de Cuenca (UCUENCA) e do Parlamento Andino, o encontro adotou como eixo conceitual "Pegadas Resilientes": um convite a ler a cidade não apenas como suporte físico, mas como memória, conflito e oportunidade.
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Fortaleza de Narikala (as partes mais antigas datam do século IV), Tbilisi, Geórgia. Imagem cortesia do Arquivo Nacional da Geórgia
O Ubani — Centro de Pesquisa da Paisagem Urbana de Tbilisi lançou "Kala", a primeira publicação de sua nova série de Guias dos Distritos de Tbilisi, oferecendo um olhar aprofundado sobre uma das áreas urbanas mais antigas da capital georgiana. Como uma organização sem fins lucrativos dedicada a pesquisar e promover o patrimônio arquitetônico e a paisagem de Tbilisi, o Ubani desenvolve programas públicos, exposições, oficinas e eventos que buscam ampliar a compreensão sobre o ambiente construído da cidade. Este guia inaugural dá continuidade a essa missão ampla, situando Kala dentro da evolução de longo prazo do tecido urbano de Tbilisi.
A iniciativa Capital Europeia da Cultura (CEC) foi lançada em 1985 e, até o momento, contemplou mais de 60 cidades em toda a Europa. O projeto busca celebrar e promover a diversidade cultural no continente, fortalecer o sentimento de pertencimento da população europeia a um espaço cultural compartilhado e incentivar a contribuição da cultura para o desenvolvimento urbano. Na prática, a nomeação tem se mostrado um catalisador para a regeneração urbana, o crescimento do turismo, o fortalecimento do perfil internacional das cidades e a melhoria de como elas são percebidas por seus próprios habitantes. As Capitais Europeias da Cultura são formalmente designadas quatro anos antes do ano do título, garantindo tempo para planejar, preparar e integrar o programa a uma estratégia cultural de longo prazo, estabelecer parcerias europeias e assegurar a infraestrutura necessária. Em 2025, as Capitais Europeias da Cultura são a cidade alemã de Chemnitz e a cidade eslovena de Nova Gorica. Para 2026, as cidades escolhidas são Oulu na Finlândia e Trenčín na Eslováquia.
Após a notícia do falecimento aos 96 anos de Frank Gehry, as atenções se voltaram novamente para uma carreira que moldou significativamente o discurso arquitetônico a partir do final do século XX. Ao longo de mais de sete décadas, Gehry desenvolveu uma linguagem de projeto definida pela experimentação de materiais, pela modelagem de maquetes de forma iterativa e pelo interesse em formas fluidas e expressivas. Sua obra abrange desde as primeiras intervenções residenciais no sul da Califórnia até grandes instituições culturais que contribuíram para a identidade de cidades em todo o mundo. Juntos, esses projetos delineiam uma trajetória que se cruzou com mudanças nas tecnologias de fabricação, nas tipologias de museus e nas estratégias de requalificação urbana.
Frank Gehry, um dos nomes mais influentes e reconhecidos da arquitetura das últimas seis décadas, faleceu em sua residência em Santa Monica aos 96 anos. Sua chefe de gabinete, Meaghan Lloyd, confirmou que a causa foi uma breve doença respiratória. A morte de Gehry marca a partida de um designer cujo trabalho transformou não apenas a cultura arquitetônica, mas a imaginação global sobre o que um edifício pode ser.
Cor do Ano 2026 "Cloud Dancer". Imagem cortesia de Pantone
O Pantone Color Institute apresentou a tonalidade PANTONE 11-4201 Cloud Dancer como a Cor do Ano de 2026, um branco suave selecionado por sua presença discreta e sensação de calma visual. Descrito como equilibrado e leve, o tom surge em um contexto cultural mais amplo, no qual profissionais de design e mentes criativas reavaliam o papel da clareza, da simplicidade e do silêncio espacial. Apresentada como uma cor que se assemelha a uma tela em branco, a Cloud Dancer sinaliza um interesse renovado por ambientes que favorecem a reflexão e uma criatividade ponderada, em vez da aceleração constante.
O Estado do Catar anunciou em 4 de dezembro de 2025 a seleção do Frida Escobedo Studio, juntamente com a equipe de engenharia da Buro Happold e a equipe de paisagismo do Studio Zewde, para projetar a nova sede do Ministério das Relações Exteriores. Com o objetivo de estabelecer uma presença cívica mais visível para o serviço diplomático catariano e oferecer acesso público ao complexo ministerial, o projeto está planejado para um terreno de destaque na orla de Doha, transformando um trecho importante da Corniche da cidade. Situado junto à Baía de Doha, o projeto de 70.000 metros quadrados (750.000 pés quadrados) é concebido como uma combinação de novas construções e a reutilização adaptativa do histórico e modernista edifício do Correio Central (General Post Office) atualmente no local.
No dia 21 de novembro de 2025, ocorreu o encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP), a reunião anual dos Estados-membros das Nações Unidas dedicada à negociação de acordos internacionais sobre o clima e à avaliação do progresso global na redução de emissões. Nesta edição, o evento foi realizado em Belém, no Brasil — uma cidade portuária com menos de 1,5 milhão de habitantes, amplamente reconhecida como porta de entrada para a região do baixo Amazonas. Criadas em 1992, as Conferências do Clima da ONU (ou COPs) são um fórum internacional de tomada de decisão multilateral que envolve 198 “Partes” (197 países, a depender das definições, além da União Europeia). Seu objetivo central é avaliar os esforços globais para cumprir a meta principal do Acordo de Paris: limitar o aquecimento global ao mais próximo possível de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O evento reúne líderes e negociadores dos países-membros, representantes do setor privado, jovens, cientistas do clima, povos indígenas e diversos segmentos da sociedade civil em debates essenciais para atingir essa meta. Em 2025, a COP30 foi marcada por fortes críticas às suas relações com a indústria de combustíveis fósseis, por descrições dos acordos como frágeis e insuficientes, e pelo desafio de transformar promessas financeiras em ações concretas — “de compromisso a linha de vida”.
O Canadian Centre for Architecture (CCA) lançou recentemente um novo projeto de pesquisa e colaboração institucional com o M+ de Hong Kong, intitulado How Modern: Biographies of Architecture in China 1949–1979. O projeto se desdobra em uma exposição apresentada nas Galerias Principais do CCA de 20 de novembro de 2025 a 5 de abril de 2026, uma série de filmes encomendados e vídeos de história oral do artista Wang Tuo, conteúdo editorial online, programação pública e um livro complementar copublicado pelo CCA e pela M BOOKS. Esse conjunto de conteúdos busca reformular as histórias arquitetônicas do modernismo nas três primeiras décadas da República Popular da China, revelando como o design operava sob ideologias flutuantes e pressões socioeconômicas a partir das perspectivas e experiências de arquitetos/as, instituições e residentes. O projeto se alinha ao interesse contínuo do CCA em produzir novas leituras da arquitetura moderna em diferentes contextos sociopolíticos e recortes geográficos, incluindo Architecture in Uniform: Designing and Building for the Second World War (2011) e Building a new New World: Amerikanizm in Russian Architecture (2020).
Todos os anos, em 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência traz atenção renovada para a necessidade de ambientes inclusivos e equitativos, tanto no aspecto social quanto no espacial. O tema de 2025, "Fomentar sociedades inclusivas para pessoas com deficiência para promover o progresso social", destaca como barreiras persistentes no emprego, na proteção social e no acesso a serviços continuam a afetar mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Nesse contexto mais amplo, o ambiente construído desempenha um papel decisivo: a arquitetura pode tanto reforçar a exclusão quanto abrir caminhos para a autonomia, a dignidade e a participação na vida cotidiana.
O ambiente construído da Grécia é moldado pela coexistência de múltiplas camadas arquitetônicas, onde se cruzam estruturas históricas, intervenções modernas e sistemas urbanos em evolução. Marcos de valor histórico (landmarks) e as malhas urbanas que os cercam continuam a definir o caráter espacial das cidades, ao passo que os empreendimentos do pós-guerra, as melhorias infraestruturais e os projetos contemporâneos agregam novas dimensões à paisagem do país. Essa continuidade entre o passado e o presente fundamenta as abordagens de projeto atuais, que se concentram cada vez mais no equilíbrio entre o patrimônio, as considerações ambientais e as demandas urbanascontemporâneas.
O escritório UNS revelou imagens do SeoulOne, um plano diretor projetado para a Hyundai Development Company (HDC) em Seul, Coreia do Sul, concebido como um novo modelo de habitação multigeracional. O projeto, que já está em construção em uma antiga área industrial no nordeste da cidade, reimagina um antigo complexo industrial e ferroviário como um bairro de 405.000 m² livre de carros para uma comunidade multigeracional. Como um plano diretor verde e sempre ativo para Seul, o SeoulOne é concebido como uma minicidade de uso misto onde todos os serviços essenciais para pessoas de todas as idades estão disponíveis a uma caminhada de no máximo 10 minutos. O projeto inclui torres residenciais em funcionamento ininterrupto, espaços comerciais, escritórios, um hotel, instalações esportivas, creches, moradias para idosos e um centro médico, oferecendo serviços permanentes a curtas distâncias a pé. Mais de 30% do terreno é dedicado à vegetação, incluindo praças de bolso (*pocket parks*), jardins na cobertura, jardins aquáticos e uma trilha florestal, criando uma vila verde aberta o ano todo.
Jacarta se tornou a cidade mais populosa do mundo, de acordo com o relatório World Urbanization Prospects 2025, divulgado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA). Utilizando um método atualizado e harmonizado para definir áreas urbanas, o relatório estima a população de Jacarta em quase 42 milhões de habitantes, superando Daca, com cerca de 40 milhões, e Tóquio, com 33 milhões. A revisão do ranking ilustra como os critérios atualizados de medição e o contínuo crescimento demográfico estão redefinindo a compreensão da escala urbana na Ásia e no mundo.
MVRDV e SYNRG receberam aprovação para construir o Schieblocks, um edifício de escritórios de 47.000 metros quadrados em Roterdã, nos Países Baixos. Projetado para a incorporadora LSI, que comercializa o empreendimento como The Bluezone Offices, o edifício ocupará um terreno estreito ao longo da linha ferroviária, atingindo 61 metros de altura e se estendendo por quase 150 metros de comprimento. O programa inclui espaços comerciais no nível térreo, escritórios em todos os pavimentos, além de um restaurante e um espaço para eventos nos andares superiores. Concebido como um "bairro 3D", o projeto divide o grande volume em uma série de blocos coloridos e distintos que trazem diversas referências ao caráter arquitetônico de Roterdã.
Stern, na Yale School of Architecture, via Dan’s Hampton. Imagem Cortesia de Common Edge
Robert A.M. Stern, o arquiteto, educador e historiador americano cujo trabalho moldou tanto o panorama físico quanto o intelectual da arquitetura contemporânea, faleceu aos 86 anos. Seu falecimento foi confirmado pelo Robert A.M. Stern Architects (RAMSA), escritório sediado em Nova York que ele liderou por mais de cinco décadas. Conhecido por promover uma abordagem contextual e historicamente fundamentada durante décadas dominadas pela arquitetura modernista e high-tech, Stern permaneceu como uma voz proeminente em defesa da continuidade, da civilidade urbana e da compreensão da arquitetura como parte de uma linhagem cultural mais ampla.
Em 20 de novembro de 2025, o Mississippi Museum of Art (MMA) confirmou a compra de Fountainhead, uma residência projetada por Frank Lloyd Wright em 1948 e concluída em 1954. O/A renomado/a arquiteto/a modernista projetou a residência e seu mobiliário para o empresário do setor petrolífero J. Willis Hughes, que morou no local com sua família até 1980. Fundado em 1911, o MMA é o maior museu de arte do estado do Mississippi, oferecendo exposições, programas públicos, parcerias artísticas e comunitárias, iniciativas educacionais e oportunidades de intercâmbio ao longo de todo o ano, por meio de um acervo permanente de pintura, fotografia, obras multimídia e escultura. A aquisição faz parte do objetivo do museu de se integrar aos bairros de toda a cidade de maneira a apoiar suas prioridades de fortalecimento comunitário, disponibilizando o marco arquitetônico ao público para visitas guiadas mediante reserva. A iniciativa é inspirada por instituições como o Crystal Bridges Museum of American Art, que adquiriu a Bachman-Wilson House, também projetada por Wright, em 2015.
Biblioteca dos Saberes de Kéré Architecture. Vista norte. Render. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Kéré Architecture apresentou sua proposta para a Biblioteca dos Saberes, um complexo cultural de 40.000 metros quadrados no bairro da Cidade Nova, no Rio de Janeiro. Projetado por Francis Kéré, Mariona Maeso Deitg e Juan Carlos Zapata, o conjunto foi encomendado pela Prefeitura do Rio de Janeiro e está previsto para um terreno próximo ao Cais do Valongo e à região da Pequena África. O projeto foi apresentado à comunidade em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Entre seus elementos principais, estão uma fachada perfurada para proteção solar, jardins na cobertura, terraços ajardinados, pátios sombreados, áreas ao ar livre, um anfiteatro coberto e uma passarela para pedestres que conecta o edifício ao monumento a Zumbi dos Palmares.