Algumas experiências urbanas se gravam em nossa memória por meio de uma mudança de ritmo. A cidade pós-moderna costuma ser descrita como uma experiência vivenciada no ritmo da mobilidade motorizada, em contraste com o passeio, a promenade ou mesmo as procissões que a antecederam. Em uma cultura urbana acelerada, a caminhabilidade é defendida no planejamento urbano não apenas como um fator de segurança e coesão social, mas também como um caminho para um modo de vida mais sensorial. Esta seleção de projetos não construídos, enviados por leitores/as do ArchDaily, apresenta exemplos de design que priorizam a experiência do ambiente por meio do ritmo de quem caminha. Para além de respeitar o caminhar como uma opção de mobilidade, essas propostas conceituais vinculam o ato de caminhar à contemplação do entorno, ao respeito pelo que já existe e à conexão com outras pessoas.
O Habitat 67, projetado pelo arquiteto israelense-canadense Moshe Safdie como o Pavilhão do Canadá para a Exposição Mundial de 1967, foi originalmente concebido como uma solução experimental para habitação de alta qualidade em ambientes urbanos densos. Safdie explorou as possibilidades de unidades modulares pré-fabricadas para reduzir os custos habitacionais e permitir uma nova tipologia que poderia integrar as qualidades de uma casa suburbana em um arranha-céu urbano.
Refletindo sobre a importância do projeto em “A look back at habitat ’67”, Safdie afirmou que o projeto compreende duas ideias em um. Um trata da pré-fabricação, enquanto o outro é repensa os projetos de edifícios residenciais em um novo paradigma. "[1]
A história dos Jogos Olímpicos, embora celebrada pelos feitos esportivos, é constantemente marcada por desafios de infraestrutura. Em diversas cidades-sede, de Atenas a Rio e Pequim, repetem-se os mesmos problemas: grandes estouros de orçamento e a complexa questão do legado. Surge, então, a grande pergunta: qual é o melhor uso de longo prazo para instalações construídas especificamente para o evento? Os Jogos de Montreal, em 1976, não fugiram a esse padrão após a construção de um Parque Olímpico criticado pelos custos excessivos e pela dívida gerada por obras especializadas. No pós-Jogos, estruturas como o Velódromo de Montreal corriam o risco de se tornar um peso financeiro. No entanto, a cidade reagiu de forma proativa ao propor a transformação do edifício em um ativo cívico dinâmico, hoje reconhecido internacionalmente como um exemplo bem-sucedido de reutilização de instalações olímpicas.
A organização Arquitetura Sem Fronteiras Quebec (ASFQ) divulgou o catálogo Architecture + Homelessness: Inclusive Practices for a Supportive City. A publicação, disponível em inglês e francês, foi criada para incentivar escritórios de arquitetura e design a contribuirem para o bem-estar das pessoas em situação de rua. O catálogo faz parte de um projeto de pesquisa em andamento iniciado pela ASFQ e apoiado pelo Governo de Quebec e pela Cidade de Montreal.
Perspectiva exterior do Boulevard Saint-Laurent. Imagem Cortesia de KPMB Architects + Daoust Lestage Lizotte Stecker Architecture
Após um concurso internacional, o Museu do Holocausto de Montreal (MHM) selecionou os escritórios de arquitetura KPMB Architects e Daoust Lestage Lizotte Stecker Architecture para projetar o novo edifício do museu no centro da cidade. Localizado na Av. St-Laurent, o museu tem inauguração prevista para 2025. O MHM escolheu mudar sua localização atual em resposta à crescente demanda por seus programas educacionais, que abordam temas importantes como o Holocausto, genocídio e direitos humanos. O novo edifício terá vários espaços de exposição, salas de aula, um auditório, um jardim memorial e uma sala dedicada a testemunhos de sobreviventes.