A inteligência artificial está se tornando uma presença inegável em nosso cotidiano. Ela ensina, gera conteúdo e rompe as frágeis fronteiras—tanto visuais quanto imaginativas—que antes governavam nossas interações nas redes sociais. Em plataformas como o Instagram, testemunhamos uma enxurrada de imagens onde todo tipo de exercício especulativo é compartilhado livremente, recalibrando nossa compreensão da relação entre arquitetura e imagem. Em meio a essa transformação, profissões inteiras se veem em terreno incerto, à medida que a IA passa a desafiar áreas antes definidas pela expertise humana.
No entanto, sob essa aparente abundância reside o núcleo opaco da IA de código fechado: uma caixa-preta algorítmica que sistematicamente oculta as origens dos dados que consome. Como resultado, suas produções estão inevitavelmente sujeitas a distorções fatuais, anacronismos e vieses sutis ou manifestos. Esse mesmo mecanismo pode esvaziar o significado por trás das linguagens e assinaturas estilísticas de nomes canônicos da arquitetura—manifestando-se, por exemplo, em visões geradas por IA que especulam como projetistas renomados, vivos ou falecidos, poderiam ter reimaginado a Torre Eiffel. Compartilhamos uma dessas imagens para observar e compreender melhor como as pessoas—especialmente arquitetos e arquitetas—respondem às possibilidades e limitações atuais da IA, e às maneiras como ela mimetiza a intenção arquitetônica. A reação foi fascinante, revelando uma mistura de curiosidade, preocupação e reflexão crítica.
E se imaginássemos os edifícios como sistemas vivos, projetados para montagem e desmontagem com o mínimo de impacto? Uma forma de arquitetura aberta, modular e adaptável, concebida para evoluir junto com o seu entorno, respondendo às mudanças sazonais e às demandas pontuais em vez de permanecer estática. À primeira vista, a ideia parece paradoxal, já que muitos edifícios foram construídos para durar, projetados para resistir à passagem do tempo e evitar a demolição. Por conta disso, reverter ou desfazer uma construção poderia ser visto como um retrocesso. Mas e se essa forma de pensar já não se aplicar a todos os cenários?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142804/feito-para-nao-durar-como-a-arquitetura-reversivel-esta-redefinindo-a-forma-como-construimosEnrique Tovar
Combinando talentos emergentes e marcas consagradas, a edição deste ano da International Contemporary Furniture Fair promoveu conexões significativas, dinamismo comercial e debates aprofundados em toda a comunidade global de design.
De volta ao Javits Center em maio deste ano, a edição de 2025 da International Contemporary Furniture Fair (ICFF) reuniu mais de 400 marcas de design de 35 países, consolidando seu papel como ponto de encontro central para o design contemporâneo na América do Norte. Abrangendo os setores residencial, comercial e hoteleiro, a feira atraiu mais de 13 mil visitantes e manteve um forte engajamento em todas as frentes — mesmo diante da contínua volatilidade do mercado e das pressões tarifárias.
O Grand Palais, em Paris, foi reaberto ao público após a renovação mais abrangente de seus 120 anos de história, liderada pelo escritório Chatillon Architectes. Construído originalmente para a Exposição Universal de 1900, o monumento é há muito tempo um símbolo da excelência cultural, engenhosidade técnica e ambição arquitetônica francesas. Após a revelação da nave restaurada para as Olimpíadas de Paris de 2024, todo o edifício de 77.000 metros quadrados foi renovado para aumentar a clareza espacial, recuperar volumes originais e transformar a experiência de visitantes. O projeto amplia o acesso público e introduz novos espaços de exposição, restaurantes e melhorias na circulação, ao mesmo tempo em que se mantém enraizado no legado arquitetônico do edifício.
Vista da réplica do Castelo Animado dentro da área do Vale das Bruxas. Imagem via ghibli-park.jp, sob política de uso justo
Studio Ghibli e seu cofundador Hayao Miyazaki tornaram-se nomes amplamente conhecidos no Ocidente, graças a um impressionante corpo de trabalho que inclui mais de 10 longas-metragens, dois Oscars e mais de 100 prêmios em todo o mundo. Filmes como "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado" demonstram sua maestria na construção de mundos, narrativa e apelo visual marcante, o que lhes rendeu aclamação global. Com isso, consolidou-se uma base de fãs dedicada que, até então, contava apenas com o Museu do Studio Ghibli em Tóquio para vivenciar esses universos no mundo real. À medida que a popularidade do estúdio e seu catálogo de filmes cresciam, a expansão para um espaço físico maior tornou-se inevitável. Assim, novembro de 2022 marcou o início de uma nova fase, com a abertura do Ghibli Park em Nagoya, no Japão.
Residência Privada em Varese / Franzetti Primi Architetti Associati
A matemática nos mostra como, a partir de apenas alguns elementos, podemos gerar combinações quase infinitas e como cada novo arranjo pode transformar completamente o conjunto original. Teorias como as do caos e da complexidade apontam na mesma direção: pequenas variações iniciais, como uma escolha, um desvio ou um novo elemento, podem desencadear mudanças profundas e inesperadas. Na arquitetura, isso se manifesta de forma concreta no cotidiano de profissionais de projeto. A escolha dos materiais e a forma como são combinados pode parecer uma decisão meramente estética ou funcional, mas tem o poder de redefinir a linguagem de um edifício, o rumo do projeto e sua relação com o entorno e seus habitantes.
Na Índia, o tijolo como material de construção carrega memória, significado e modernidade. Dos tijolos cozidos e alinhados da Civilização do Vale do Indo aos intrincados jaalis de tijolo que decoram residências, edifícios públicos e marcos urbanos, o legado do material está profundamente enraizado na identidade arquitetônica do subcontinente. No entanto, ninguém moldou a narrativa do tijolo na arquitetura indiana moderna com tanta eloquência quanto Laurie Baker.
Brave New Axis, de Spyridon Loukidis, Markos Georgios Sakellion, Georgios Thalassinos da Universidade Técnica Nacional de Atenas, Grécia. Vencedor do EUmies Awards Young Talent. Imagem cortesia de Fundació Mies van der Rohe
Durante o Dia do EUmies Awards em Veneza, representantes do programa Europa Criativa e da Fundació Mies van der Rohe revelaram os quatro projetos estudantis vencedores do EUmies Awards Young Talent 2025. A premiação reconhece projetos de arquitetura por sua capacidade de responder a desafios sociais, urbanos e ambientais contemporâneos. O evento foi realizado no contexto da 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia, convidando as pessoas vencedoras, integrantes do júri e representantes institucionais a dialogar sobre quatro temas centrais, alinhados com a proposta curatorial da Bienal: Artificial, Natural, Coletivo e Intelligens.
A trajetória diversificada de Hana Abdel conecta arquitetura de interiores, arte e um profundo apreço pelo patrimônio cultural, moldando sua abordagem singular na curadoria de conteúdo de arquitetura no ArchDaily. De origem libanesa e atualmente baseada no Canadá, Hana passou mais de uma década explorando a arquitetura de interiores em paralelo com práticas artísticas como escultura, cerâmica e desenho. Embora não atue mais diretamente na arquitetura de interiores, essas experiências continuam a enriquecer sua compreensão das narrativas espaciais e da relação entre materialidade e lugar.
Como gestora da equipe de curadoria de projetos, Hana concentra-se em identificar uma arquitetura que conte histórias instigantes para além da estética. Sua visão editorial prioriza projetos que dialogam de forma reflexiva com o contexto cultural, técnicas tradicionais e vozes emergentes, garantindo uma representação diversa e inclusiva. Ela se empenha em dar visibilidade a comunidades sub-representadas e a práticas inovadoras que expandem os limites da arquitetura.
Em um momento de profundas mudanças sociais, espaciais e culturais, a 12ª edição do Arquiteturas Film Festival convida a refletir sobre como as fronteiras — físicas e simbólicas — moldam o ambiente construído, influenciam o cotidiano e as dinâmicas coletivas. Que papel têm a arquitetura e o pensamento urbano para entender esse mundo em transformação?
Desde que passou a ser organizado pelo centro cultural INSTITUTO em 2021, o festival se firmou como uma plataforma crítica que une cinema, arquitetura e práticas espaciais para discutir temas urgentes. Nos últimos anos, abordou migração, crise ecológica, descolonização e novos modos de habitar. Em 2025, o foco é a 'fronteira' em suas múltiplas dimensões.
https://www.archdaily.com.br/pt/1031145/12a-edicao-do-arquiteturas-film-festival-propoe-reflexao-sobre-fronteiras-fisicas-e-simbolicasArchDaily Team
Pelo terceiro ano consecutivo, Melbourne foi eleita uma das cinco cidades mais habitáveis do mundo. A cidade é amplamente considerada o principal polo arquitetônico da Austrália por sua cultura urbana única e pela diversidade de suas expressões de design, repletas de camadas e de uma mistura ousada de estilos. Dos edifícios da era vitoriana minuciosamente restaurados, com sua ornamentação e detalhamento complexos, aos marcos contemporâneos vizinhos, a cidade parece alcançar um equilíbrio harmonioso entre todas as tipologias e movimentos de design, mantendo-se acolhedora e atraente para seus cidadãos.
A 11ª edição do Concéntrico, o Festival Internacional de Arquitetura e Design, acontece atualmente em Logroño, Espanha, de 19 a 24 de junho de 2025. A edição deste ano amplia o escopo do festival com um programa multifacetado que inclui não apenas instalações temporárias, mas também projetos permanentes, exposições, iniciativas educacionais e eventos itinerantes. Por meio de 24 intervenções urbanas, o Concéntrico 2025 explora temas como o reuso de materiais e o design circular, a alimentação como prática coletiva, a recuperação de espaços relacionados à água, a ativação de vazios urbanos e conexões interespécies no contexto urbano, ao mesmo tempo em que enfatiza a necessidade de imaginar novas formas de habitar a cidade, colocando o cuidado, a sustentabilidade, a empatia e a escuta ativa no centro da arquitetura pública.
Zaha Hadid Architects (ZHA) revelou imagens do plano diretor para a Khalid Bin Sultan City em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. Localizado ao lado de sua Sede da BEEAH, o empreendimento se inspira no design desse edifício, incorporando formas arquitetônicas fluidas que remetem a dunas de areia moldadas pelo vento no deserto. Planejada como um distrito de design e negócios, a nova área urbana será composta por sete bairros residenciais conectados por caminhos sombreados e tendo como eixo um oásis central de dois quilômetros de extensão.
O Canadian Centre for Architecture (CCA) lançou o documentário e a exposição "With an Acre", terceiro e último capítulo da série Groundwork, que explora como profissionais da arquitetura contemporânea cultivam modos alternativos de prática para enfrentar a crise ecológica. O documentário acompanha o trabalho da arquiteta Carla Juaçaba em Minas Gerais, Brasil, onde ela desenvolve pavilhões em um cafezal onde coletivos resistem à agricultura industrial extrativista. A narrativa examina o papel de arquitetos/as em contextos extrativistas que enfrentam desafios de regeneração da terra e instabilidade climática, bem como as ferramentas que agricultores/as familiares podem utilizar para lidar com as consequências ambientais e sociais da colonização, urbanização e industrialização.
A vida coletiva continua a ser um tema central no discurso habitacional contemporâneo, estendendo-se para além das questões de densidade ou tipologia para abranger preocupações mais amplas sobre o uso do solo, a coesão social e a identidade espacial. Esta seleção de projetos conceituais não construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, explora o potencial dos ambientes de vida compartilhada, não apenas como soluções habitacionais funcionais, mas como estruturas para interação, integração ambiental e continuidade cultural. Seja em contextos urbanos ou remotos, as propostas refletem um interesse crescente em repensar como o espaço doméstico pode apoiar tanto a privacidade individual quanto a vida comunitária.
O espaço público há muito tempo ocupa o centro do pensamento arquitetônico, sendo frequentemente estruturado sob a ótica do planejamento, da infraestrutura e da regulamentação. De Paris de Haussmann aos masterplans contemporâneos, arquitetos e arquitetas têm trabalhado para definir e formalizar a vida coletiva por meio de ferramentas espaciais. No entanto, fora dessas estruturas, artistas têm oferecido continuamente formas alternativas de compreender e habitar o espaço público — abordagens que não dependem da construção ou da permanência, mas sim da presença, da percepção e da participação. Por meio de ações, objetos ou atmosferas, artistas abordam a cidade como um território de fricção e imaginação. Esses gestos desafiam as convenções arquitetônicas e convidam a reconsiderar o espaço público não como uma forma resolvida, mas como um processo contingente e aberto.
O SketchUp 2025 introduz novas ferramentas e aprimoramentos voltados para melhorar a forma como arquitetos/as e designers visualizam, colaboram e comunicam seus trabalhos.
Esta versão traz materiais mais realistas e ambientes imersivos, facilitando a criação de representações visuais impactantes de modelos arquitetônicos. Essas atualizações de visualização estão disponíveis no SketchUp para Desktop, Web e iPad, bem como no LayOut e no 3D Warehouse, proporcionando uma experiência consistente entre as plataformas.
A organização Friends of + POOL anunciou os próximos passos para a viabilização da primeira piscina flutuante com filtragem de água de Nova York, que será instalada no Pier 35, ao norte das pontes de Manhattan e do Brooklyn. O projeto busca oferecer acesso público e seguro para banhos nos rios da cidade, integrando um sistema de filtragem projetado sob medida a uma estrutura de piscina flutuante. A instalação no Pier 35 está prevista para maio de 2026, momento em que a piscina entrará em sua fase final de avaliação. O acesso do público dependerá da conclusão bem-sucedida dos testes de filtragem em grande escala e da finalização completa da estrutura para garantir uma utilização segura.
Todos os anos, a Naomi Milgrom Foundation comissiona um/a arquiteto/a para projetar um pavilhão temporário no Queen Victoria Gardens, no centro do Southbank Arts Precinct de Melbourne. Posteriormente, as estruturas são transferidas para o estado de Victoria. A décima edição do MPavilion foi projetada pelo laureado com o Prêmio Pritzker Tadao Ando, sendo sua primeira e única obra construída na Austrália e no hemisfério sul. O pavilhão foi inaugurado em 16 de novembro de 2023 e sua permanência foi prorrogada até março de 2025, acolhendo uma ampla programação de eventos culturais ao longo de duas temporadas de verão. Diante do risco de demolição, devido ao caráter temporário da iniciativa, a campanha comunitária "Preserve the Pavilion" foi lançada com o objetivo de salvar a edificação. Recentemente, a Naomi Milgrom Foundation anunciou que o pavilhão permanecerá no Queen Victoria Gardens até 2030, após uma decisão da Prefeitura de Melbourne.
O Pavilhão do Canadá na Expo 2025 Osaka apresenta exposições e instalações interativas que mostram a inovação, a cultura e a diversidade do país. Projetado sob a direção criativa de Robert Lepage, o pavilhão oferece uma experiência imersiva que visa apresentar os valores e o potencial do Canadá a um público global. Além disso, busca destacar a inovação, os recursos, os investimentos e a educação canadenses para toda a região do Indo-Pacífico. Centrado na regeneração, o projeto está alinhado com o tema geral da Expo: "Projetando a Sociedade do Futuro para Nossas Vidas".
O Juneteenth, celebrado anualmente em 19 de junho, comemora a emancipação dos afro-americanos escravizados nos Estados Unidos, marcando um momento de libertação e reflexão sobre uma história complexa e frequentemente negligenciada. Originalmente celebrado no Texas, o Juneteenth passou a simbolizar temas mais amplos de liberdade, resiliência e identidade cultural, promovendo debates sobre justiça e representatividade. Este dia também se apresenta como uma oportunidade para destacar as formas pelas quais a arquitetura pode servir como um meio de preservar e apresentar a história e os valores culturais afro-americanos.
Para além de suas qualidades funcionais e estéticas, a arquitetura pode refletir e reunir narrativas, valores e histórias ocultas, conferindo uma presença tangível e visual a comunidades que costumam ser sub-representadas nas paisagens urbanas. Edifícios dedicados à história e cultura afro-americanas tornam-se marcos físicos que ancoram essas narrativas no cotidiano das cidades. Funcionam como locais de aprendizado, reflexão e celebração, gerando espaços significativos que engajam o público e fortalecem o sentido de identidade comunitária.