A atmosfera de uma residência se constrói gradualmente através da interação entre arquitetura, mobiliário e materiais. Cada componente traz cor, textura e profundidade, tornando a experiência de habitar sensorial e envolvente. Dentre eles, os materiais desempenham um papel decisivo: não apenas definem o aspecto visual, mas também transmitem tato, luz, temperatura e conexão com o entorno, transformando nossa percepção do lar. Quando observados de maneira contextualizada, revelam novas possibilidades para projetar e vivenciar interiores e exteriores, lembrando-nos de que cada escolha influencia o conforto e a funcionalidade.
As etapas iniciais de ideação podem ser, ao mesmo tempo, a parte mais empolgante e a mais desafiadora do processo de projeto. As ideias fluem rapidamente, mas podem ser abstratas e difíceis de comunicar. Isso pode gerar frustração e desperdiçar um tempo precioso.
Hoje, arquitetos/as, designers e artistas podem encurtar a distância entre o primeiro esboço e uma decisão de projeto significativa ao aliar técnicas tradicionais de ideação a ferramentas de visualização baseadas em IA, desenvolvidas para aprimorar — e não substituir — a criatividade humana. As ferramentas da Chaos mantêm as mentes criadoras firmemente no centro do processo, proporcionando agilidade e clareza sem que se perca a autoria ou o controle.
O Museu de Artes de Almaty foi inaugurado no Cazaquistão, estabelecendo uma nova instituição cultural dedicada à arte contemporânea na Ásia Central e no cenário internacional. Projetado pelo escritório Chapman Taylor, o museu está localizado no sopé das montanhas Tian Shan e abrange 10.060 metros quadrados. O projeto se inspira no contraste entre a cidade de Almaty e seu entorno montanhoso, uma relação expressa por meio de dois volumes interconectados revestidos de calcário e alumínio. Estes volumes se organizam em torno de um átrio central e iluminado, chamado de "Art Street", que funciona como o principal espaço de circulação e encontro.
Lina Ghotmeh — Architecture revelou recentemente imagens do projeto AlUla Immersive Living, uma proposta residencial concebida para emergir da paisagem desértica da Arábia Saudita. Sua forma é moldada pela luz e pelo vento do local, enraizada no clima e posicionada entre a rocha e a duna. O projeto segue o conceito de um abrigo que pertence tanto ao deserto quanto aos seus habitantes, funcionando como uma "paisagem viva". A estrutura é concebida com paredes espessas de taipa de pilão, contrastadas por plataformas abertas que emolduram o céu. O projeto se apresenta como um manifesto de uma arquitetura que pretende "não dominar, mas acolher", proporcionando refúgio sem romper conexões, refletindo o posicionamento de Lina Ghotmeh na interseção entre contexto, ofício e cuidado.
O papel do/a arquiteto/a tradicionalmente tem sido relativamente bem definido: projetar um edifício, dirigir o projeto, coordenar a logística e orientar a construção até a sua conclusão. À medida que campos especializados proliferaram, em paralelo a uma economia social em rápida mutação, a prática da arquitetura se diversificou, abrindo múltiplos caminhos para que arquitetos e arquitetas contribuam com a sociedade.
Desde a década de 1980, uma das mudanças mais consistentes talvez tenha sido a separação entre o/a "arquiteto/a de concepção" e o/a "arquiteto/a técnico/a responsável". Onde antes um único escritório conduzia o projeto do conceito à conclusão, a internacionalização — somada ao trabalho transfronteiriço, regimes de licenciamento, modelos de contratação e estruturas de responsabilidade civil — incentivou essa divisão. As equipes de projeto definem cada vez mais a direção conceitual e esquemática, para então transferir o desenvolvimento do projeto a arquitetos/as técnicos/as locais para detalhamento técnico, aprovações e execução em canteiro. Esse modelo apresenta vantagens claras — especialização mais refinada, eficiência e, frequentemente, maior rentabilidade (ou serviços oferecidos a custos reduzidos) —, mas também segmenta a profissão e pode distanciar a autoria da execução física.
Qual seria, então, a próxima mudança e que novas sinergias poderiam redefinir o papel do/a arquiteto/a? De que maneira os/as arquitetos/as devem se adaptar ao clima profissional em transformação? Uma trajetória promissora é a transição de objetos singulares e permanentes para um processo contínuo de placemaking — programas iterativos e específicos para cada contexto que prototipam, testam e refinam ideias espaciais em espaço público. Em vez de produzir uma única obra icônica e de grande escala que define um local por décadas, esse modelo privilegia ciclos de criação, uso, avaliação e ajuste na escala comunitária.
Areal am Kronenrain / MONO Architekten. Imagem cortesia de Gregor Schmidt
Marginalizados no discurso arquitetônico e frequentemente descartados como puramente funcionais, os edifícios-garagem continuam entre as estruturas mais onipresentes na paisagem urbana. Projetados para atender às necessidades dos veículos particulares, eles ocupam localizações centrais, moldam a silhueta das cidades e consomem recursos consideráveis, mas raramente recebem a mesma atenção — ou o mesmo cuidado arquitetônico — que instituições culturais, escolas ou habitações. Apesar de sua prevalência, esses edifícios tendem a se misturar ao pano de fundo da vida cotidiana, tratados como necessidades de infraestrutura e não como oportunidades de projeto.
Esse cenário começa a mudar. À medida que a mobilidade urbana passa por transformações profundas — desde o declínio da propriedade de automóveis até a ascensão dos veículos elétricos e dos sistemas de transporte compartilhado —, o papel da infraestrutura de estacionamento vem sendo redefinido. Profissionais de arquitetura e urbanismo estão reimaginando os edifícios-garagem como estruturas adaptáveis que integram espaço público, funções ecológicas e programas de uso misto. Essas novas abordagens desafiam a percepção do estacionamento como uma tipologia residual, posicionando-o, em vez disso, como uma estrutura cívica com potencial para apoiar modelos urbanos mais inclusivos, flexíveis e sustentáveis.
Comayagua é uma cidade no centro de Honduras situada em um vale de mesmo nome. A cidade ocupa um lugar central na história do país, tendo servido como sua capital colonial e do início do período republicano por mais de 300 anos. No entanto, quando a capital foi transferida para Tegucigalpa em 1880, a expansão urbana de Comayagua estagnou, o que acabou por preservar, involuntariamente, um rico e vasto patrimônio. No início da década de 1990, grande parte do legado arquitetônico da cidade encontrava-se em estado de deterioração. Diante da necessidade urgente de protegê-lo, os governos de Honduras e da Espanha iniciaram um esforço conjunto com o objetivo de lançar um programa de restauração de longo prazo, criando uma estrutura de diretrizes políticas que garantisse a preservação do centro histórico da cidade para as gerações futuras.
A trajetória na arquitetura de Jonathan Yeung começou a partir de seu profundo apreço pela experiência física e corpórea de se mover por espaços minuciosamente detalhados. Tendo crescido e estudado em diferentes lugares—Hong Kong, Kyoto, Cambridge e Berkeley—, ele desenvolveu uma sensibilidade para a forma como a arquitetura reverbera culturalmente, muitas vezes de maneiras que transcendem explicações simples. Para Jonathan, a arquitetura evoluiu de uma experiência incorporada para uma poderosa forma de expressão, abrangendo projeto, construção e escrita. O trabalho editorial tornou-se, naturalmente, uma extensão dessa exploração, oferecendo-lhe uma plataforma para refletir sobre ideias arquitetônicas sob múltiplas perspectivas.
Ele aborda a curadoria editorial com foco em questões de relevância persistente—temas que convidam a discussões complexas e multifacetadas, fundamentadas em dilemas sociais, culturais ou arquitetônicos. Busca projetos marcados por intencionalidade e excelência: obras que desafiam limites, refinam o cotidiano em algo excepcional ou revelam nuances espaciais e materiais sutis que moldam nossa experiência do ambiente construído. Seu interesse pelo detalhamento arquitetônico destaca-se como um tema recorrente, evidenciando o ofício e a precisão que contribuem para espaços duradouros e atemporais, muitas vezes negligenciados no discurso mais amplo.
Ao trabalhar com o lugar, e não contra ele, a exposição "Arquitetura é Cooperação", com curadoria de Josep Ferrando, enfatiza o valor da cooperação na essência da arquitetura. Apresentando o trabalho de profissionais, organizações e comunidades em projetos de cooperação promovidos a partir da Espanha, a instalação se materializa por meio de uma expografia em terra e madeira. Dessa forma, compreende-se a escolha desses materiais não apenas por sua estética ou simbolismo, mas por sua funcionalidade e compromisso com os princípios da economia circular. Até 30 de setembro de 2025, a mostra fica em exibição na Casa de la Arquitectura, em Madri, ressaltando a necessária atenção da arquitetura às demandas das sociedades e coletivos mais vulneráveis, alinhando a linguagem construtiva ao conteúdo da exposição.
Ao reconhecer o projeto, o júri da premiação elogiou sua capacidade de intervir de maneira sensível e ao mesmo tempo racional, utilizando o design para promover inclusão, resiliência, sustentabilidade e bem-estar geral. O projeto alcança esses objetivos ao rejeitar um zoneamento funcional rígido. Em vez disso, um pátio circular permeável integra as diversas atividades comunitárias, organizando a circulação e conectando múltiplas salas abertas em um todo coeso.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143321/emergir-naturalmente-do-local-zhang-pengju-sobre-a-vila-west-wusutu-vencedora-do-premio-aga-khan韩爽 - HAN Shuang
A edição de 2025 apresentou projetos que examinaram temas de ecologia, memória e conectividade, ao mesmo tempo em que responderam aos desafios de construir no deserto. Variando de peças interativas íntimas a marcos monumentais, as instalações incentivaram a reflexão, a participação e o engajamento comunitário antes de desaparecerem com o encerramento do evento.
De 6 de setembro a 15 de outubro de 2025, o Aedes Architecture Forum em Berlim receberá uma exposição sobre o escritório de arquitetura finlandês Helin & Co. A mostra busca examinar o papel do escritório na configuração de Helsinque ao longo das últimas duas décadas. Intitulada Heart and Horizon, a exposição reflete a abordagem profissional de combinar a escala humana ("Coração") com uma forte relação com o espaço urbano ao longo da orla ("Horizonte"). O foco central está voltado para três projetos fundamentais para a transformação de Helsinque: o Centro Kamppi, um bairro urbano conectado com nós de mobilidade, áreas culturais e residenciais; o Centro Kalasatama, um novo distrito no antigo porto que combina densidade urbana com vistas para o mar; e o Centro do Distrito de Sello, em Espoo, um complexo multifuncional com biblioteca, escola de música e sala de concertos.
No mundo de hoje, o aprendizado não está mais confinado às salas de aula nem se define apenas pela educação formal; ele acontece em todos os lugares, de diversas formas. De salas de música e bibliotecas sensoriais a centros de treinamento em neurodiversidade e escolas públicas reinventadas, os espaços que apoiam o aprendizado estão se tornando tão variados quanto as maneiras como aprendemos. Esta seleção de projetos educacionais não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, reflete essa mudança, explorando como a arquitetura pode acolher a diferença, cultivar a curiosidade e criar ambientes que atendam a um amplo espectro de necessidades cognitivas, emocionais e sociais.
A Espanha combina diversidade cultural e uma longa tradição construtiva que se reflete diretamente em sua arquitetura. O país abriga escolas influentes, um corpo consistente de produção teórica, uma geração ativa de arquitetos/as e uma indústria da construção civil consolidada, com forte capacidade de inovação, padronização e exportação. A arquitetura espanhola contemporânea caracteriza-se pela pluralidade de abordagens e pela articulação entre tradição material, tecnologia e desempenho.
Nesse contexto, os materiais desempenham um papel central na concepção, expressão e funcionalidade dos edifícios. O aço, o vidro, o tijolo, o pedra e a madeira continuam sendo insumos essenciais na prática arquitetônica, mas seu papel vai muito além da matéria-prima. Uma vez processados industrialmente, esses materiais se desdobram em uma ampla gama de produtos e sistemas, como painéis técnicos, fachadas ventiladas, componentes estruturais, revestimentos extrudados e sistemas de brise-soleil.
As pedras guardam o tempo. Algumas são formadas pela solidificação repentina do magma, como o basalto, cuja estrutura densa e cor escura resultam do resfriamento rápido na superfície. Outras, como o granito, nascem lentamente em profundas câmaras magmáticas, onde o resfriamento gradual permite o crescimento de cristais visíveis, criando padrões e cores únicos. Há também as rochas sedimentares, formadas pela compactação de detritos minerais e orgânicos ao longo de milhões de anos, com tons que refletem sua composição química e o ambiente em que foram depositadas. Ao transformar essa diversidade geológica em uma superfície contínua única, o terrazzo surge como um composto cimentício ou mineral no qual fragmentos de mármore, granito, quartzo, basalto e outras litologias são incorporados a uma matriz aglutinante e, em seguida, polidos para revelar a estrutura e o brilho de cada partícula. Diferentemente de uma superfície homogênea, o terrazzo atua como uma vitrine mineralógica, onde cada agregado preserva sua identidade ao mesmo tempo em que contribui para um todo coerente, podendo se transformar em pisos, revestimentos de parede ou até mesmo mobiliário.
O concurso internacional de projeto para selecionar a equipe de arquitetura do novo Museu de Arquitetura e Design da Finlândia, em Helsinque, foi concluído com o anúncio de que o escritório JKMM Architects recebeu o primeiro prêmio. A proposta do escritório sediado em Helsinque, conhecida durante o concurso como Kumma, foi escolhida entre as 624 propostas enviadas de todo o mundo. O concurso aberto e anônimo, lançado em abril de 2024, buscava estudos conceituais para uma nova instituição cultural de 10.050 metros quadrados a ser construída na orla do Porto Sul da cidade. O início da construção está previsto para 2027, com conclusão e abertura ao público planejadas para 2030.
O European Cultural Centre Italy organiza o ECC Awards desde 2010 para reconhecer artistas, arquitetos/as, designers e acadêmicos/as em suas respectivas áreas. A premiação destaca projetos apresentados na exposição *Time Space Existence*, que acontece paralelamente à Bienal de Arquitetura de Veneza e apresenta abordagens concretas para construir de forma mais sustentável, com o objetivo de posicionar a arquitetura como uma força de reparação ambiental e social. A sétima edição da Time Space Existence é uma exposição coletiva que ocupa três espaços venezianos: o Palazzo Bembo, o Palazzo Mora e os Jardins da Marinaressa. Este ano, a exposição foca nos temas Reparar, Regenerar e Reutilizar, enfatizando o papel essencial de arquitetos/as e designers como agentes de mudança positiva na criação de modos de vida sustentáveis, inclusivos e regenerativos.
In Jacques Tati's Mon Oncle (1958), a própria arquitetura se torna uma personagem: portas de correr, uma fonte automática, portões que emitem sons mecânicos, dispositivos que ao mesmo tempo encantam e frustram os habitantes. A comédia surge justamente do fato de que esses sistemas aparentemente triviais moldam silenciosamente a vida cotidiana. Mais de seis décadas depois, a observação parece profética. Nos edifícios contemporâneos, inúmeros sistemas funcionam de maneira autônoma e discreta, passando despercebidos quando operam corretamente. Entre eles, as portas automáticas, tradicionalmente vistas como elementos secundários, despontam como parte de uma nova "infraestrutura invisível": sistemas conectados, eficientes e inteligentes que apoiam o conforto, a sustentabilidade e a resiliência operacional.
A Madraça Mir-i-Arab. Imagem cortesia da Uzbekistan Art and Culture Development Foundation
A edição inaugural da Bienal de Bukhara foi aberta em 5 de setembro de 2025, trazendo mais de 70 obras comissionadas site-specific de mais de 200 participantes de 39 países para o centro histórico da cidade uzbeque. Comissionada pela Fundação de Desenvolvimento de Arte e Cultura do Uzbequistão (ACDF) e pela comissária Gayane Umerova, a Bienal é descrita como o maior e mais diverso evento cultural da Ásia Central até o momento. Com curadoria de Diana Campbell sob o tema Recipes for Broken Hearts, o evento de dez semanas de duração se divide por uma constelação de locais recém-restaurados, incluindo madrassas, caravançarais e mesquitas, todos integrantes da lista de Patrimônio Mundial da UNESCO de Bukhara. Mais do que uma plataforma de exposição, a bienal é estruturada como parte de um plano diretor mais amplo, posicionando a cultura como catalisadora da transformação urbana e da renovação do patrimônio.
Lina Ghotmeh — Architecture revelou recentemente imagens do projeto que transformará uma residência histórica em Bucara, no Uzbequistão, em um "destino cultural do século XXI". A proposta prevê um museu dedicado às ideias e à influência do Jadidismo, um movimento de reforma muçulmano que defendia a modernização da educação na Ásia Central durante o final do século XIX e início do século XX.
O projeto foi encomendado pela Fundação de Desenvolvimento de Arte e Cultura do Uzbequistão (ACDF, na sigla em inglês), instituída em 2017 para preservar, promover e fomentar o patrimônio, as artes e a cultura do país, integrando-os ao cenário cultural e artístico global. Com abertura ao público prevista para 2027, o museu faz parte dos esforços mais amplos da ACDF para criar instituições culturais de referência que engajem públicos em todo o mundo.
O conceito de guarda-roupa cápsula, popularizado nos anos 1970 por Susie Faux, propõe um exercício de síntese: um conjunto compacto de peças versáteis, capazes de se combinar de inúmeras maneiras para se adaptar a diferentes ocasiões. Na cultura visual, existem algumas metáforas para isso: em desenhos animados como Doug Funnie ou O Laboratório de Dexter, abrir o armário revelava fileiras de roupas idênticas, prontas para simplificar a vida (e, no caso de quem desenhava, o próprio trabalho). No mundo real, personalidades como Steve Jobs transformaram essa lógica em método ao adotar um uniforme diário, eliminando a pequena — mas recorrente — decisão de "o que vestir?" e poupando tempo e energia para questões mais importantes.
Para outras pessoas, no entanto, essa escolha está longe de ser um fardo. Escolher o que vestir é um momento de prazer, capaz de definir o tom do dia e influenciar o humor. Sob essa perspectiva, o guarda-roupa também se torna uma extensão da identidade, um espaço onde as escolhas práticas e simbólicas se encontram. Não por acaso, expressões como "sair do armário" ou "ter um esqueleto no armário" estão profundamente enraizadas na linguagem, revelando a dimensão cultural desse elemento doméstico. No design de interiores contemporâneo, essa noção ganha novas camadas: o armário pode definir o caráter de um espaço, guiar a circulação, influenciar a percepção e até moldar a atmosfera de um ambiente.
Your greenhouse is your living room. Office for Roundtable e JXY Studio. Leyuan Li. Image Cortesia de Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
Entre 18 de setembro e 19 de outubro de 2025, a 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, organizada pelo IABsp, ocupará o Pavilhão da Oca, no Parque Ibirapuera, para discutir como a arquitetura, o urbanismo, o design e o paisagismo podem enfrentar as mudanças climáticas e os eventos extremos.
O conceito curatorial parte do entendimento que vivemos em tempos de extremos, exigindo soluções radicais e inovadoras. Nos quatro pisos da Oca, os curadores propõem reunir ciência e inovação, saberes tradicionais, práticas cotidianas, propostas de mercado e ações do Estado, afirmando que o desafio climático deve ser enfrentado por toda a sociedade.
O ruído de conversas sobrepostas, os letreiros luminosos piscantes, passos apressados na calçada e o martelar constante de um canteiro de obras próximo: os espaços públicos são, por vezes, vivenciados como ambientes onde os estímulos se acumulam e, frequentemente, nos sobrecarregam. Cada pessoa percebe e responde a esses estímulos sensoriais de maneira distinta, e reconhecer a neurodiversidade significa compreender que alguns indivíduos necessitam de mais tempo para se adaptar, de trajetos em ritmo mais lento ou de interações mais graduais com o entorno. Esses encontros levantam questões fundamentais sobre o espaço público contemporâneo: como ele pode acomodar a diversidade de maneiras pelas quais as pessoas o percebem e habitam? Como podemos imaginá-lo como um espaço que acolha todas as formas de vivenciá-lo?