No dia 25 de outubro de 2025, a Fondation Cartier Pour l'Art Contemporain abrirá suas novas instalações ao público com uma exposição inaugural composta por obras de seu próprio acervo, intitulada Exposition Générale. Localizado no coração de Paris, o novo espaço ocupa um edifício de estilo haussmanniano que outrora abrigou o Grands Magasins du Louvre, recentemente reimaginado por Jean Nouvel. Concebido como uma arquitetura dinâmica com essa estrutura de cinco plataformas móveis, o edifício foi projetado para expandir as possibilidades de um espaço de exposição tradicional. Esses mecanismos visam acolher todas as formas de expressão visual, incluindo fotografia, cinema, artes cênicas, ciência e artesanato, em um espaço que ressoa com a vida urbana de Paris e dialoga com questões de planejamento urbano e ecologia. Sob essas premissas, a mostra inaugural reúne mais de 600 obras de mais de 100 artistas em uma cenografia contemporânea projetada pelo Formafantasma.
Ópera e Centro de Convenções Isola Della Musica por Renzo Piano Building Workshop. Render. Imagem cortesia de RPBW
Renzo Piano Building Workshop (RPBW), em colaboração com o escritório PTW Architects, com sedes em Sydney e Hanói, deu início à construção da Isola della Musica, uma nova casa de ópera e centro de convenções em Hanói, no Vietnã. Encomendado pelo Sun Group, o projeto foi concebido originalmente em 2017 e faz parte de um plano diretor mais amplo que remodela o limite existente entre o Lago Oeste e o Lago Đầm Trị. Inspirado no histórico de cultivo de pérolas da região, o edifício apresenta uma série de cascas curvas de concreto cujas formas e superfícies evocam a textura e a luminosidade da madrepérola.
O Cobe revelou o projeto do Museum Wegner em Tønder, na Dinamarca, uma nova instituição cultural dedicada à vida e obra do renomado designer dinamarquês Hans J. Wegner. O museu ficará localizado em Hestholm, uma históricafazenda que remonta a 1445, e combinará a reutilização adaptativa de estruturas existentes com uma extensãocontemporânea. Após um processo seletivo de entrevistas, o Cobe foi escolhido em fevereiro de 2024 para desenvolver o projeto arquitetônico, que agora avança em direção à sua concretização com forte apoio local e nacional.
As participações arquitetônicas do Bahrein em exposições internacionais têm conquistado reconhecimento global crescente, marcado recentemente por prêmios importantes na Expo 2025 Osaka e na Bienal de Arquitetura de Veneza. Esses marcos refletem uma trajetória mais ampla na qual a cultura de projeto do país, baseada na inteligência climática e na continuidade cultural, consolidou-se como uma voz proeminente nos debates internacionais sobre arquitetura contextualizada.
Essa visibilidade crescente se apoia em uma profunda linhagem arquitetônica. A identidade do Bahrein é moldada há muito tempo por sua posição como um cruzamento marítimo no Golfo Pérsico, onde o legado dos assentamentos de extração de pérolas e a malha urbana compacta de Muharraq e Manama revelam um diálogo entre as tradições locais e os intercâmbios globais. Hoje, esse diálogo evolui por meio de práticas que fundem a preservação com a experimentação, traduzindo o patrimônio em uma linguagem arquitetônica contemporânea que é, ao mesmo tempo, específica de seu lugar e voltada para o futuro.
O Prêmio Internacional de Arquitetura de Paisagem Cornelia Hahn Oberlander, de caráter bienal, foi criado com o objetivo de aumentar a visibilidade, a compreensão, a valorização e o diálogo em torno da arquitetura de paisagem. A concepção do Prêmio Oberlander teve início em 2014, e o/a laureado/a mais recente foi o/a arquiteto/a paisagista Kongjian Yu, pioneiro/a no conceito de "Cidade Esponja". Este ano, a The Cultural Landscape Foundation (TCLF) anunciou que o arquiteto paisagista Mario Schjetnan, baseado na Cidade do México, e seu escritório, o Grupo de Diseño Urbano (GDU), são os vencedores do Prêmio Oberlander de 2025. Segundo a TCLF, Schjetnan pertence a uma geração de arquitetos/as paisagistas, arquitetos/as e urbanistas que se conscientizaram sobre os impactos ambientais do desenvolvimento urbano e suas consequências para a vida, o planeta e seus habitantes. Ele e a equipe do GDU são os primeiros latino-americanos a receber o Prêmio Oberlander.
Na segunda-feira, 13 de outubro, encerrou-se a Expo Osaka 2025. A exposição reuniu representantes de 165 países e organizações internacionais e recebeu cerca de 28 milhões de visitantes em Yumeshima, uma ilha artificial na Baía de Osaka. O local foi redefinido por meio de um plano diretor e delimitado por uma estrutura circular de madeira que quebrou o recorde mundial do Guinness, ambos projetados pelo escritório Sou Fujimoto Architects. Ao longo de 184 dias, o público pôde visitar pavilhões autoconstruídos, modulares e compartilhados, além de exposições nacionais e atividades públicas organizadas sob o tema central "Concebendo a Sociedade do Futuro para as Nossas Vidas". Durante seus seis meses de funcionamento, a Expo propôs a exploração de três subtemas fundamentais — Salvar Vidas, Empoderar Vidas e Conectar Vidas —, em um convite para reunir novas perspectivas para o nosso ecossistema social e construído.
O Créateurs Design Awards (CDA) anunciou Xu Tiantian, fundadora e arquiteta principal do escritório DnA_Design and Architecture, como a vencedora da edição de 2026 do Le Prix Charlotte Perriand. O prêmio celebra profissionais da arquitetura cujo trabalho incorpora inovação, responsabilidade social e um profundo compromisso com as comunidades e os lugares. A arquiteta foi reconhecida por seu trabalho transformador de aproximação entre comunidades urbanas e rurais por meio de intervenções de projeto inovadoras. Sua abordagem à arquitetura foi reconhecida como uma ferramenta para a preservação cultural e a revitalização rural, tornando-a uma destinatária exemplar desta honraria, anteriormente concedida a nomes de destaque na arquitetura como Frida Escobedo, Jeanne Gang e a dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.
O arquiteto chinês Shui Yanfei foi agraciado com o 4º Prêmio Kazuhiro Kojima de 2025, tornando-se o primeiro premiado de fora do Japão desde a criação da honraria. O júri desta edição concedeu a distinção a Shui Yanfei em reconhecimento à sua profunda compreensão da realidade social chinesa, ao mesmo tempo em que investiga continuamente novas possibilidades futuras para a arquitetura. Atento à extensão do pensamento oriental no contexto pós-humano, o arquiteto reinterpreta com destreza os mecanismos de estruturas sociais acumulados historicamente. Paralelamente, partindo das realidades sociais, econômicas e institucionais, ele transforma a arquitetura emaranhada em relações complexas em um meio que conecta pessoas, objetos e o tempo. A prática diversificada de seu escritório está profundamente enraizada na realidade, ao mesmo tempo em que confere uma nova poesia ao cotidiano contemporâneo.
A artista holandesa Madelon Vriesendorp foi anunciada como a vencedora da Soane Medal de 2025, tornando-se a primeira artista mulher sediada no Reino Unido a receber o prêmio desde sua criação em 2017. Co-fundadora do Office for Metropolitan Architecture (OMA), Vriesendorp é amplamente reconhecida por sua linguagem visual surrealista e bem-humorada, que moldou a forma como a arquiteturamoderna e pós-moderna é representada e compreendida. Seu trabalho, que combina ludicidade e pensamento crítico, proporcionou à arquitetura um imaginário vívido e memorável que continua a influenciar gerações de arquitetos e arquitetas.
Empreendimento de uso misto Hudson's Detroit. Vista aérea. Imagem cortesia de Bedrock
O grupo de desenvolvimento Bedrock, sediado em Detroit, anunciou a conclusão da primeira fase de seu projeto de uso misto Hudson's Detroit, no centro da cidade. O projeto foi revelado em 2017, quando a empresa apresentou os planos para um empreendimento de 1,2 milhão de pés quadrados (cerca de 111 mil metros quadrados) projetado pelo escritório SHoP Architects para ser construído em um dos terrenos há muito abandonados do centro de Detroit, anteriormente ocupado pela loja de departamentos J.L. Hudson's. O local, que já abrigou a maior loja de departamentos do mundo e foi um ponto de encontro central da cidade durante grande parte do século XX, foi agora reinventado como um destino urbano contemporâneo. Após quase uma década de planejamento e construção, o Hudson's Detroit busca trazer nova dinâmica e espaço público a um endereço emblemático do passado comercial e cultural da cidade.
Novo Bairro da Arena de Gotemburgo. Imagem cortesia de White Arkitekter
Nesta semana, os debates arquitetônicos foram pautados por temas como resiliência, equidade e relevância cultural, trazidos à tona pelo Dia Mundial da Arquitetura. Em diferentes contextos globais, a disciplina continua a expandir sua compreensão de força, indo além da mera resistência estrutural para se consolidar como uma base para projetos inclusivos, adaptáveis e ambientalmente conscientes. Desde estratégias para espaços públicos com equidade de gênero até novas encomendas fundamentadas na memória e na reconciliação, os desdobramentos recentes refletem como a arquitetura se posiciona cada vez mais como uma ferramenta de engajamento social e de gestão a longo prazo diante dos desafios globais atuais.
Adolescentes codesenham e constroem seus espaços públicos em Beirute, junho de 2024. Imagem cortesia de CatalyticAction
Make Space for Girls (MSFG) é uma organização beneficente com sede em Londres que faz campanhas para que os espaços públicos e parques no Reino Unido sejam mais inclusivos para garotas adolescentes. A organização realiza pesquisas sobre como os espaços públicos são utilizados e projetados, conscientiza sobre as desigualdades percebidas em seu uso e colabora com instituições públicas e privadas para promover a representação de garotas adolescentes no planejamento e desenho de ambientes externos. Seus estudos indicam que a exclusão dessas jovens no projeto de parques e espaços públicos muitas vezes as deixa sem locais onde se sintam acolhidas ou valorizadas, e que as áreas de lazer e espaços públicos para crianças mais velhas e adolescentes são atualmente projetados tendo a figura masculina como padrão. De 8 a 15 de outubro, a organização realiza uma campanha de arrecadação de fundos para apoiar a implementação de sua nova estratégia de três anos, voltada para a promoção de espaços públicos mais inclusivos.
O escritório Zaha Hadid Architects, em colaboração com o Bureau Cube Partners, venceu um concurso internacional para projetar uma nova torre para o Alta Bank em Nova Belgrado, na Sérvia. Concebido como um empreendimento de uso misto, o projeto integra a nova sede do banco com unidades residenciais, espaços de escritórios para aluguel e áreas de comércio e alimentação integradas a uma praça pública. O projeto busca oferecer uma base operacional voltada para o futuro que reflita os padrões em constante evolução do trabalho e da vida urbana, dando continuidade à colaboração entre os dois escritórios após sua proposta vencedora para o novo Museu Nikola Tesla em Belgrado, em 2025.
Hoje, na primeira segunda-feira de outubro, comemoramos o Dia Mundial da Arquitetura. Este ano, a União Internacional de Arquitetos (UIA) definiu o tema "Design para a Resistência", um poderoso apelo à ação que ressoa profundamente com o foco da ONU na resposta a crises urbanas. Em um mundo que enfrenta rupturas socioambientais sem precedentes, esse tema nos desafia a ir além de soluções temporárias. O tema propõe a seguinte reflexão: como nossos edifícios e cidades podem não apenas resistir a impactos, mas também promover equidade, continuidade e resiliência?
Embora o conceito de força na arquitetura possa facilmente evocar imagens de concreto armado e aço, uma interpretação mais profunda vem emergindo, que define essa força não como mera rigidez, mas como uma capacidade holística de resistir e se adaptar. Isso engloba diversas facetas, desde a resiliência ecológica e a gestão ambiental até conceitos duradouros de resiliência social e a conservação de estruturas urbanas existentes, contribuindo para um ambiente construído mais capaz de responder à variedade de crises enfrentadas pelas cidades em todo o mundo.
Nova Estação Ferroviária Casa Sud por OUALALOU+CHOI . Imagem cortesia de OUALALOU+CHOI
OUALALOU+CHOI venceu o concurso internacional para o projeto da nova Estação Ferroviária Casa Sud em Casablanca, no Marrocos. Com escritórios em Paris e Casablanca, a equipe de arquitetura e desenho urbano liderada por Tarik Oualalou e Linna Choi é reconhecida por seu trabalho que explora a relação entre arquitetura, infraestrutura e vida pública. A proposta vencedora concebe a nova estação tanto como um polo de infraestrutura quanto como um marcocívico, atendendo às demandas de uma metrópole em rápida expansão e, ao mesmo tempo, contribuindo para o tecido urbano e social da capital econômica do Marrocos.
ReSa Architects. Foto de Antonin Kanant e Revati Shah
A Trienal de Arquitetura de Lisboa anunciou o escritório indiano ReSa Architects como vencedor da quinta edição do Prêmio Début. O estúdio é reconhecido por sua abordagem coletiva da prática espacial, tratando a arquitetura como um processo de reescrita das relações sociais e corporais. Em edições anteriores, o prêmio reconheceu o trabalho do Vão (Brasil, 2022), Bonell+Dòriga (Espanha, 2019), Umwelt (Chile, 2016) e Jimenez Lai, do Bureau Spectacular (EUA, 2013).
O anúncio foi feito no dia 4 de outubro, durante as festividades de abertura da Trienal, que nesta edição concedeu o Prêmio Carreira à arquiteta paquistanesa Yasmeen Lari, a primeira pessoa do Sul Global a receber a honraria. Lari junta-se a Marina Tabassum (vencedora em 2022), Denise Scott-Brown (2019), à dupla Lacaton & Vassal (2016), Kenneth Frampton (2013), Álvaro Siza (2010) e Vittorio Gregotti (2007).