Anterselva. Imagem cortesia de Milano Cortina 2026
Em 24 de junho de 2019, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou Milão e Cortina d'Ampezzo como sedes dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Os últimos Jogos de Inverno na Itália ocorreram em Turim, em 2006. Desde então, as mudanças climáticas no continente europeu têm impactado as tradicionais pistas de esqui. Nesse cenário, a Itália conta com a vantagem de abrigar parte dos Alpes, uma faixa de cerca de 1.200 km ao longo das fronteiras com França, Suíça, Áustria e Eslovênia. A região alpina italiana concentra a maioria das instalações preparadas nos últimos cinco anos para a Olimpíada de Inverno, que será realizada de 6 a 22 de fevereiro de 2026, seguida pelos Jogos Paralímpicos, de 6 a 15 de março. Com a proposta de ser a edição dos Jogos Olímpicos de Inverno com maior dispersão geográfica da história, o evento adota o modelo de sustentabilidade consolidado pelos Jogos Olímpicos de Paris 2024, apoiando-se quase integralmente em infraestruturas esportivas existentes e reformadas.
A inovação está no cerne da arquitetura, manifestando-se através de novas abordagens projetuais, da experimentação material e, naturalmente, das formas de habitar. Diante disso, a concepção de edifícios e espaços internos passa por uma constante evolução. Esse processo é especialmente evidente em regiões com um rico patrimônio cultural, como a Espanha, onde a inovação reinterpreta as maneiras tradicionais de se relacionar com o espaço. Essa atenção à memória e à vida cotidiana estende-se aos interiores, nos quais cada intervenção tem o potencial de remodelar ativamente a experiência espacial das pessoas e abrir novas possibilidades de convivência e interação.
Transcendendo o papel de mera infraestrutura, as pontes há muito servem como potentes manifestações arquitetônicas. Esse potencial expressivo está sendo explorado agora com vigor renovado em todo o Sudeste Asiático, onde um número crescente de arquitetos e arquitetas está reavaliando os materiais tradicionais. Ao priorizar a madeira e o bambu, esses/as profissionais criam estruturas singulares que integram o artesanato local às demandas contemporâneas, resultando em marcos urbanos que são, ao mesmo tempo, funcionais e profundamente enraizados em suas paisagens.
Mesclando técnicas vernáculas e experimentação contemporânea, a paisagem arquitetônica do México é moldada por um diálogo contínuo entre tradição, materialidade e modernidade. Sendo o quinto país com maior biodiversidade do mundo, a arquitetura mexicana busca responder a uma vasta gama de ambientes naturais, climas e tradições culturais, tudo dentro de um território marcado por contrastes impressionantes. Refletindo uma dualidade latente, ela é capaz tanto de expressar exclusividade quanto de atuar como catalisadora de transformação social.
O ArchDaily tem o prazer de apresentar os vencedores da 5ª edição do Next Practices, que reconheceu 20 práticas de arquitetura inovadoras de diferentes partes do mundo. Estes profissionais desenvolvem trabalhos marcados pela criatividade, inovação, abordagem interdisciplinar e responsabilidade social — qualidades que estão redefinindo o futuro da arquitetura e ampliando seus horizontes.
A graduação em arquitetura pode até oferecer um currículo vasto, mas muitas das competências necessárias para desenvolver um projeto estão fora dessa disciplina. Isso é especialmente evidente em projetos em escala urbana, que demandam conhecimentos especializados em áreas como estudos de tráfego, cálculo estrutural, paisagismo e previsão de instalações técnicas. Muitas vezes consideradas "complementares", essas especialidades são, na verdade, fundamentais para a concepção global do projeto.
Em um país como Portugal, de território relativamente pequeno, mas geograficamente diverso, o desafio de conectar diferentes partes do território – seja para atravessar um rio ou ligar diferentes níveis de uma cidade – é constante. As maiores áreas metropolitanas do país, como Lisboa e Porto, compartilham uma geografia acidentada de vales e colinas íngremes. Essas características impulsionaram o desenvolvimento de elevadores e funiculares, como o Elevador de Santa Justa e o Ascensor da Bica em Lisboa, e o Funicular dos Guindais no Porto. Hoje, além de melhorarem a mobilidade urbana, essas estruturas se tornaram marcos turísticos.
Exemplo das capacidades do Nested Floor System. Cortesia de Offsite Wood e Quebec Wood Export Bureau
O lançamento mais recente do Offsitewood.org marca um passo significativo para tornar a construção offsite em madeira mais acessível para arquitetos/as. A Versão 2.0 introduz um conjunto de recursos digitais voltados a ajudar profissionais de design e arquitetura a modelar, planejar e colaborar de maneira mais eficiente.
Bibliotecas gratuitas para download são um recurso central e em constante expansão no site. Além disso, novos aplicativos e serviços estão disponíveis, incluindo visualizadores de amostras digitais de madeira (e-samples), uma barra de ferramentas avançada de paginação de painéis e de estruturas (framing) para o Revit, além de um espaço de trabalho colaborativo para otimização de projetos.
Em outubro, será inaugurado o Ibraaz, um novo espaço cultural reformulado pela arquiteta residente Sumayya Vally no centro de Londres. A iniciativa é liderada pela Kamel Lazaar Foundation e busca destacar a arte, a cultura e as ideias da Maioria Global: comunidades de herança africana, asiática, indígena e latino-americana que, juntas, representam a maior parte da população mundial. O projeto tem como objetivo conectar discussões locais e globais ao criar um "mundo de muitos mundos" em um único local: um edifício de seis andares e cerca de 930 metros quadrados que já passou por diversas transformações, funcionando como sinagoga, residência, clube e, agora, centro cultural.
Posto de Serviços Paramédicos Multifuncional de Toronto 02. Imagem cortesia de Diamond Schmitt Architects
À medida que as cidades e as infraestruturas evoluem para atender às constantes mudanças nas demandas culturais, ambientais e sociais, novos projetos de arquitetura redefinem a forma como os espaços públicos e as instituições cívicas funcionam. Esta edição do Architecture Nowreúne propostas que abrangem diferentes contextos e escalas: na Ilha de Yakushima, Jean Nouvel insere um refúgio boutique para o NOT A HOTEL em uma paisagem florestal tombada pela UNESCO; em Nova York, o escritório Rossetti e a WSP preparam uma grande reforma do Arthur Ashe Stadium para expandir a capacidade e aprimorar a experiência dos/as visitantes; em Toronto, o Diamond Schmitt e o gh3* iniciaram as obras de um posto de atendimento paramédico em madeira engenheirada (mass timber) com consumo de energia líquida zero (net-zero); e, do outro lado do Canal da Mancha, o Hollaway Studio lidera a transformação dos terminais britânico e francês do LeShuttle em portais mais fluidos e sustentáveis. Juntos, esses projetos refletem como o design vem sendo utilizado para adaptar sistemas e paisagens existentes a novas formas de vida pública.
"Dance, dance… otherwise we are lost." Esta frase frequentemente citada de Pina Bausch encapsula não apenas a urgência do movimento, mas sua capacidade de revelar o próprio espaço. Em suas coreografias, o espaço nunca é um plano de fundo neutro; ele se torna um parceiro, um obstáculo, uma memória. Pisos se inclinam, cadeiras se acumulam, paredes oprimem ou libertam. Trata-se de condições arquitetônicas, encenadas e contestadas pelo corpo. O que Bausch expõe — e o que a arquitetura frequentemente esquece — é que o espaço não é simplesmente construído, ele é performado. Seu trabalho convida arquitetos e arquitetas a pensar não apenas em termos de materiais e formas, mas de gestos, relações e ritmos. Ela sugere que a arquitetura, assim como a dança, trata fundamentalmente de como habitamos, estruturamos e carregamos emocionalmente os espaços pelos quais nos movemos.
Historicamente, a arquitetura e a dança operaram em paralelo, moldando a experiência humana por meio da orientação do corpo no espaço e no tempo. Dos rituais coreografados dos templos clássicos às lógicas axiais dos palácios barrocos, o espaço construído sempre implicou movimento. A Bauhaus levou isso adiante, à medida que o Ballet Triádico de Oskar Schlemmer visualizava o espaço como uma extensão geométrica do corpo. Não se tratava de cenário, mas de pensamento espacial tornado cinético. No século XX, coreógrafos e coreógrafas como William Forsythe e Anne Teresa De Keersmaeker integraram restrições arquitetônicas em suas partituras, ao passo que arquitetos e arquitetas como Steven Holl, Diller Scofidio + Renfro e Toyo Ito projetaram edifícios que se revelam como sequências espaciais, convidando ao movimento, ao desvio e à pausa.
O projeto do escritório Zaha Hadid Architects para um habitat marinho de fabricação digital na zona de conservação do Parque Marinho de North Lantau, em Hong Kong, foi apresentado recentemente na exposição do World Design Congress, em Londres. O evento ocorreu no Barbican Centre entre os dias 9 e 10 de setembro, um dos exemplos mais reconhecidos de arquitetura brutalista no mundo. Com o tema "Design for Planet" (Design para o Planeta), o congresso convocou profissionais de design e contratantes do setor a assumirem sua missão mais crítica até o momento: projetar um futuro regenerativo diante das mudanças climáticas e examinar o papel do design como ferramenta de ação ambiental. Nesse contexto, o escritório Zaha Hadid Architects apresentou o Nereid, um habitat de fabricação digital desenvolvido com tecnologias avançadas de impressão 3D pela D-Shape, destinado a apoiar a regeneração natural dos ecossistemas marinhos.
Revitalização da Esna Histórica, Egito. Imagem cortesia de Takween ICD
Entre os sete vencedores do 16º Prêmio Aga Khan de Arquitetura deste ano esteve a revitalização da Esna Histórica, no sul do Egito. Liderado pelo escritório Takween, sediado no Cairo, o projeto foi muito além de uma simples restauração. Trata-se de um esforço de renovação abrangente que aliou um profundo engajamento comunitário à preservação do patrimônio material e imaterial. Ao gerar milhares de empregos e restaurar o centro histórico, a iniciativa ofereceu uma alternativa viável e potente à demolição. O Aga Khan Trust elogiou a proposta como um "modelo replicável de desenvolvimento sustentável".
Este ano marca o 20º aniversário do primeiro VELUX Daylight Symposium—duas décadas de compartilhamento de ideias, descobertas e exploração sobre o papel da luz natural em nosso ambiente construído. Desde seu início modesto em 2005, o simpósio cresceu e se tornou um dos principais fóruns internacionais para o diálogo interdisciplinar sobre a luz natural.
A 10ª edição, realizada no coração de Copenhague, reunirá mais uma vez pesquisadores/as, arquitetos/as, engenheiros/as e formuladores/as de políticas públicas para examinar a evolução do papel da luz natural na arquitetura e no design. Trata-se de um espaço onde a ciência e a prática se encontram para refletir sobre os aprendizados do passado e vislumbrar o futuro da iluminação natural em nossas cidades e espaços. Acompanhe a transmissão ao vivo no dia 18 de setembro de 2025, das 09:00 às 17:30 (CEST).
Christian de Portzamparc foi anunciado como o vencedor do Prêmio Andrée Putman pelo Conjunto da Obra de 2026 (Andrée Putman Lifetime Achievement Award), concedido pelo Créateurs Design Awards (CDA). O reconhecimento homenageia sua influência na arquitetura e no urbanismo, situando-o em uma linhagem de profissionais cujo trabalho moldou tanto o ambiente construído quanto o discurso cultural. A cerimônia será realizada em Paris em 17 de janeiro de 2026, data em que de Portzamparc receberá o prêmio pessoalmente.
Convento de Al-Saa'a após a restauração. Imagem cortesia da UNESCO / Abdullah Rashid
Entre 2014 e 2019, o Daesh (Estado Islâmico) ocupou e controlou territórios no Iraque e na Síria, incluindo a cidade de Mosul, no norte iraquiano. A UNESCO estima que 80% do centro histórico de Mosul tenha sido destruído nesse período, o que motivou uma das campanhas de reconstrução mais ambiciosas das últimas décadas: "Reviver o Espírito de Mosul". Desde 2019, a UNESCO vem realizando esforços de grande escala para recuperar a paisagem e os monumentos da cidade, reconstruindo três marcos religiosos e culturais e 124 casas históricas, além de outros edifícios situados na Cidade Antiga. O programa foi estruturado em três pilares: a restauração do patrimônio material relevante, o fomento ao retorno da vida cultural e o fortalecimento de espaços voltados à educação. Em 1º de setembro de 2025, o Primeiro-Ministro do Iraque inaugurou três dos principais marcos recuperados: o complexo da Mesquita Al-Nouri, o Convento Al-Saa'a e a Igreja Al-Tahera, consolidando a conclusão do projeto de restauração.
Desde sua inauguração em 1987, o Four Winds Field — casa do time da Minor League AA, o South Bend Cubs — passou por diversas transformações. Em cada uma delas, o tijolo permaneceu como um elemento arquitetônico central, evocando tradição, permanência e um caráter urbano marcante. Agora, com uma grande expansão em andamento, o estádio reafirma esse legado ao mesmo tempo em que adota técnicas construtivas inovadoras, com destaque para a integração do tijolo em plaqueta (thin brick) como uma solução contemporânea que honra o passado sem comprometer o desempenho técnico.
Com raízes profundas, troncos robustos e a capacidade de suportar temperaturas extremas, as tamareiras (Phoenix dactylifera) estão entre as espécies mais bem adaptadas ao ambiente árido do deserto. Não é por acaso que, em muitas culturas indígenas locais, são conhecidas como a "árvore da vida", já que seus frutos, folhas e troncos fornecem alimento, abrigo e materiais de construção há milhares de anos. Sem elas, grande parte do assentamento humano em regiões desérticas não teria sido possível. Hoje, amplamente cultivada em regiões áridas de todo o mundo, a espécie continua a sustentar práticas agrícolas tradicionais; no entanto, seu potencial pode ser ainda mais aprimorado e ampliado por meio dos esforços da pesquisa contemporânea.
O Utopian Hours retorna a Turim como o principal festival da Europa dedicado à construção de cidades (*city making*) e à inovação urbana. Serão três dias repletos de inspiração, com masterclasses, palestras, workshops, mesas-redondas e exposições. Fórmulas e estudos de caso de todo o mundo revelam como ocorre a inovação urbana (e social) — e como o próprio conceito de fazer cidade está sendo ampliado em direções ousadas e inéditas. Mais de 40 convidados/as internacionais, os veículos de mídia mais influentes, grandes referências do urbanismo e os/as gestores/as públicos/as mais dinâmicos/as da Europa se reunirão em Turim para trocar ideias, ferramentas, experiências, soluções, desejos e paixões.
Os espaços que habitamos são repletos de movimentos, atividades e encontros: a cozinha onde preparamos a comida, a sala onde nos reunimos, o escritório onde trabalhamos. No meio de tudo isso, alguns elementos passam despercebidos, mas conectam a nossa experiência com o entorno: interruptores, tomadas e placas elétricas. Esses dispositivos não apenas permitem a distribuição de energia, mas também estruturam e facilitam a interação com o espaço, atuando como nós que vinculam funções e fluxos, ao mesmo tempo em que reforçam a identidade estética dos interiores.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142694/alem-da-funcao-placas-eletricas-como-solucao-tecnologica-e-de-design-de-interioresEnrique Tovar
O PavilhãoCoreano na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia celebra seu 30º aniversário com "Little Toad, Little Toad: Unbuilding Pavilion", uma exposição comissionada pelo Conselho de Artes da Coreia (ARKO) e sob curadoria do Curating Architecture Collective (CAC), composto por Chung Dahyoung, Kim Heejung e Jung Sungkyu. Reunindo arquitetos/as e artistas como Kim Hyunjong, Heechan Park, Young Yena e Lee Dammy, a exposição revisita de forma crítica o pavilhão tanto como estrutura física quanto como espaço simbólico, traçando sua trajetória desde sua conclusão em 1995 e, ao mesmo tempo, especulando sobre seus possíveis futuros.
Na alegoria da caverna de Platão, a luz simboliza o conhecimento: é o que guia o ser humano para fora das sombras da ignorância em direção à verdade. Em muitas religiões, a luz também é associada à divindade, como uma manifestação do sagrado. Com o tempo, a luz deixou de ser apenas um símbolo da razão para se tornar um instrumento de sensibilidade, uma matéria viva capaz de moldar atmosferas, influenciar a percepção e revelar significados.
A luz é usada com maestria nos espaços silenciosos de Tadao Ando, por exemplo, onde se infiltra como uma substância sagrada entre as paredes de concreto. Nos edifícios de Alvar Aalto, ela é delicadamente modulada para dialogar com o céu nórdico. Nas instalações imersivas de James Turrell, ela se torna corpo, cor e experiência. Mas a luz também se manifesta nos gestos mais cotidianos: em cada janela precisamente orientada ou em cada sombra cuidadosamente desenhada para revelar o que não é imediatamente visível. Como um/a maestro/a diante da partitura e da orquestra, o/a arquiteto/a pode compor com a luz, acentuando volumes, suavizando limites e conferindo ritmo e intensidade aos espaços que habitamos.