Exterior of the Cinema Studio Namibe, Angola. Photo credit: Walter Fernandes
O que sustenta o propósito de uma arquitetura que nunca foi ocupada? Durante décadas, essa foi a pergunta que rondou o Cinema-Estúdio de Namibe, construído na costa da Angola, em 1973. Concebido para ser um espaço de exibição cinematográfica, o edifício permaneceu fechado e abandonado sem nunca exercer o papel para o qual foi criado. Ainda assim, sobreviveu ao tempo, tornando-se um ícone da paisagem e da arquitetura angolana, até finalmente exibir seu primeiro filme quase cinquenta anos depois.
Mas o que manteve esse edifício vivo no imaginário coletivo durante tanto tempo? Teria sido justamente sua arquitetura ousada e singular capaz de atribuir significado a uma obra que nunca teve um uso?
A Trienal de Arquitetura de Oslo de 2026 acontecerá de 17 de setembro a 1º de outubro na Igreja de Sofienberg, em Oslo, reunindo mais de 30 projetos internacionais de arquitetura sob o questionamento "E se a natureza vier em primeiro lugar?". Em sua nona edição, a Trienal adotará o formato de um festival de duas semanas, combinando uma exposição com conferências, seminários, oficinas, exibições de filmes e caminhadas guiadas. Com curadoria de Line Ramstad, a programação examinará como colocar a natureza como ponto de partida das decisões arquitetônicas pode influenciar o que é construído, preservado, transformado ou deixado intocado.
As obras do Gothenburg Grand Central estão avançando. O novo edifício de estação e sua destacada entrada oeste foram projetados pelo escritório Reiulf Ramstad Arkitekter. O projeto faz parte da linha ferroviária suburbana West Link (Västlänken), na Estação Central de Gotemburgo, que consiste em 8 quilômetros de ferrovias e inclui três novas estações: Centralen, Haga e Korsvägen. A nova rota deve aumentar a capacidade nos horários de pico e reduzir o tempo de viagem dos trens suburbanos e regionais, conectando-se diretamente à estação central existente e ao Terminal Nils Ericson. A inauguração da nova estação está prevista para dezembro de 2026, junto com a estação subterrânea Centralen do Västlänken. Os inquilinos dos escritórios devem se mudar ao longo de 2027, e o restante do túnel tem previsão de abertura para o tráfego até dezembro de 2030.
O tijolo é um dos materiais mais utilizados na Colômbia e um dos responsáveis por projetar a arquitetura local em escala global. Isso se deve à excelente qualidade da argila encontrada em algumas regiões do país. Além de revestir a maioria dos edifícios que caracterizam a paisagem urbana de Bogotá, este material é utilizado em todas as suas formas, desde o adobe até placas de piso em habitações rurais.
Relativamente próximas à capital encontram-se as icônicas olarias artesanais que abasteceram as construções que definem o cenário arquitetônico colombiano, como costumava fazer o arquiteto Herbert Baresch, para quem se desenhavam até mesmo as fôrmas de suas colunas de concreto com tijolos sob medida, e cujos adobes eram fabricados por artesãos locais nos próprios canteiros de obras. Este material parece imune à obsolescência; pelo contrário, com o avanço tecnológico, novas formas de aplicação continuam sendo descobertas. A seguir, apresentamos 12 exemplos de casas que o utilizam como superfície aparente.
Quando os países africanos conquistaram sua independência do domínio colonial europeu em meados do século XX, a construção nacional envolveu muito mais do que estabelecer novos governos e instituições políticas. Os novos Estados soberanos também precisavam estabelecer uma identidade edificada que os diferenciasse de seu passado colonial, e a arquitetura tornou-se uma ferramenta crucial nesse processo. Em todo o continente, edifícios cívicos monumentais, universidades, centros de convenções e instituições culturais foram encomendados para personificar o progresso e a unidade nacional. No entanto, isso criou uma contradição fundamental: muitos desses edifícios adotaram linguagens arquitetônicas modernistas e brutalistas de origem europeia, sendo que alguns foram inclusive projetados por profissionais de arquitetura das antigas potências coloniais. A Maison du Peuple em Ouagadougou, Burkina Faso, oferece um exemplo particularmente revelador de como uma linguagem arquitetônica associada à Europa pôde ser apropriada e transformada em uma expressão de independência pós-colonial.
In many Asian cities, eating has never belonged entirely to the private home. It spills into markets, hawker centers, street stalls, and wholesale districts embedded within larger buildings or areas. These are places where the city exchanges information and watches other people pass through. They are not restaurants in the conventional sense, nor are they simply markets. In some way, their vibrancy and usage reflect the society's conditions at that moment. They are public kitchens: shared infrastructures where domestic routines are partially transferred into collective space.
Hong Kong's Municipal Services Buildings and curbside dining are where food is understood not only as culture, but as urban organization. The cooked-food center in the city folds eating into a larger civic machine of wet markets, libraries, and sports halls. The dai pai dong and street-side table, meanwhile, transform the curb into a temporary dining room. Looking beyond Hong Kong, similar questions emerge across the region. How do cities make room for social eating? Where does cooking happen when domestic space is limited? What kind of architecture supports the mess and heat of everyday food?
As matérias desta semana exploram como a arquitetura se relaciona com questões de cultura, acesso e vida coletiva, desde novas instituições culturais e exposições até espaços públicos e habitação. Também nesta semana, o relatório "NCARB by the Numbers" de 2026 trouxe uma perspectiva mais ampla sobre a própria profissão, mostrando que pessoas não brancas representaram 49% das pessoas candidatas ao registro profissional em 2025, e as mulheres, 47%, em comparação com 21% e 28% entre o total de profissionais de arquitetura. O relatório oferece uma perspectiva sobre o acesso dentro da profissão, ao passo que projetos e iniciativas culturais examinam mais a fundo como a arquitetura responde a diferentes formas de vida pública e coletiva.
Plano diretor do Baku Expo City, ZHA, 2026. Imagem cortesia de ZHA
O escritório ZHA foi selecionado para projetar um novo distrito urbano de 198 hectares em Baku, no Azerbaijão. O projeto envolve o atual centro de eventos Baku Expo Center, em uma área de floresta de pinheiros que deve ser preservada. A proposta responde ao crescimento populacional da cidade na última década por meio de um plano diretor que organiza a oferta de uma ampla variedade de habitações. Este é o segundo projeto do escritório em Baku, após o centro cultural Heydar Aliyev, concluído em 2013. Ainda que em outra escala, as edificações do novo distrito parecem seguir o estilo geométrico herdado de Zaha Hadid, com uma série de volumes brancos e bordas arredondadas que transmitem a ideia de uma arquitetura fluida.
A construção do William and Charlotte Bloomberg Public Science Common, o novo espaço do Museu de Ciência de Boston — uma das instituições científicas mais antigas dos Estados Unidos —, está em fase de conclusão. O edifício de 929 m², projetado por William Rawn Associates, Architects, Inc., tem abertura prevista para o público em 10 de outubro de 2026, seguida por um evento comemorativo no dia 28 de outubro. Com vista para o Rio Charles e para o horizonte de Boston , o novo espaço cívico envidraçado conta com paredes móveis e assentos retráteis que permitem alternar entre diferentes funções e programas. O espaço foi projetado para apoiar o diálogo público sobre as ciências, utilizando mídias imersivas, tecnologia de produção e transmissão ao vivo para alcançar públicos além dos limites da cidade.
A Pirâmide de Tirana foi inaugurada como um museu dedicado a Enver Hoxha em outubro de 1988, três anos após sua morte e três anos antes do colapso do regime. Nas décadas seguintes, o espaço funcionou como estação de rádio, centro de convenções, boate e base da OTAN durante a Guerra do Kosovo. Em 2023, o escritório MVRDV a reabriu como um parque e escola de tecnologia, adicionando degraus às fachadas para que as pessoas pudessem caminhar sobre o edifício. A inauguração coincidiu com a Cúpula dos Balcãs Ocidentais em 16 de outubro, data que, como apontaram alguns críticos, correspondia ao aniversário de Hoxha. Dois projetos de autodefinição nacional, separados por trinta e cinco anos e concebidos sob premissas políticas opostas, utilizaram a mesma estrutura.
Protótipos arquitetônicos são frequentemente usados para testar decisões antes que a construção comece. No entanto, em alguns escritórios, a prototipagem se inicia enquanto essas decisões ainda estão tomando forma. Transportar uma ideia do desenho para a matéria introduz questões que dependem do próprio fazer: como um material pode ser cortado ou unido, quanto pesa uma peça, como um encaixe se articula, se as partes podem ser reutilizadas ou até mesmo que forma o projeto deve assumir.
TAKK, salazarsequeromedina e Ensamble Studio fazem da experimentação física parte de seus processos de projeto, mas buscam respostas distintas por meio dela. Para o TAKK, os protótipos ajudam a testar como materiais e componentes se unem para formar um sistema construtivo. Para o salazarsequeromedina, maquetes e sistemas construídos permanecem abertos ao desmonte, à recombinação e a usos posteriores. O Ensamble Studio utiliza experimentos físicos para gerar geometria e conhecimento técnico-construtivo que possam ser aplicados na engenharia e na construção em escala real. O que distingue essas abordagens não é simplesmente o fato de prototiparem, mas sim o que cada escritório espera aprender por meio do protótipo.
O National Council of Architectural Registration Boards (NCARB) publicou a edição de 2026 de seu relatório anual NCARB by the Numbers, apresentando dados de 2025 sobre o registro profissional e a demografia da arquitetura nos Estados Unidos. Os números mais recentes mostram um aumento gradual na diversidade entre as pessoas que buscam o registro profissional, ao passo que a composição demográfica da população de profissionais de arquitetura licenciados permanece consideravelmente menos diversa do que o grupo atual de candidatos e candidatas ao registro. O relatório também analisa a evasão ao longo do caminho para a habilitação profissional, revelando disparidades sobre quem de fato alcança o registro profissional.
O pavilhão ucraniano na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia está sendo projetado pela equipe do CO-HATY, uma iniciativa voluntária local que restaura edifícios abandonados no país para transformá-los em moradias estáveis para pessoas deslocadas internamente. A equipe é formada pelo METALAB e por membros realocados da agência ucraniana Urban Curators, que vêm desenvolvendo o CO-HATY desde 2022. Intitulado "Pool of Questions" [Piscina de Perguntas], o projeto levanta uma questão que a organização argumenta ser raramente abordada no contexto de sobrevivência: não se trata apenas de onde as pessoas deslocadas devem morar, mas sim de quando elas podem começar a viver. Para Veneza, a instalação idealizada estende o trabalho de restauração e reutilização adaptativa para um debate sobre moradia acessível, dignidade e descanso em tempos de guerra.
O vasto território da Argentina revela múltiplas formas de construir moldadas por sua diversidade geográfica, climática e cultural. Ao projetar residências unifamiliares em Córdoba, Mendoza, Santa Fe e Buenos Aires, diversos escritórios jovens de arquitetura do país respondem a diferentes condições materiais, paisagísticas e culturais, trabalhando com os recursos, sistemas construtivos e ofícios artesanais disponíveis em cada região. A casa torna-se, assim, um meio de interpretar seu contexto, dialogar com as tradições locais e incorporar novas abordagens à produção arquitetônica.
Como cenário da vida cotidiana, a casa faz parte de uma experiência contínua, agindo como um organismo complexo e sutil que responde não apenas ao modo de vida das pessoas que a habitam, mas também às paisagens em que se insere. Após apresentar diferentes perspectivas e definições de figuras como Le Corbusier, Ernesto Rogers e Lewis Mumford, o arquiteto argentino Eduardo Sacriste enfatiza em seu livro Qué es la casa seu papel como reflexo do passado, que compartilha o presente e ilumina o futuro.
Em toda a região do Golfo, o patrimônio beduíno costuma entrar na arquitetura, primeiramente, como imagem. Terminais aeroportuários remetem a silhuetas de tendas, centros de visitantes incorporam painéis trançados e pavilhões reinterpretam têxteis tradicionais como fachadas decorativas. Essas referências tornaram-se uma linguagem visual familiar para expressar a identidade regional. No entanto, elas também correm o risco de reduzir uma das mais sofisticadas tradições construtivas vernáculas do mundo a um mero motivo arquitetônico. Muito antes de a tenda beduína se tornar um símbolo cultural, ela era uma tecnologia ambiental: uma estrutura leve e adaptável, capaz de proporcionar conforto em um dos climas mais rigorosos do planeta. O que a infraestrutura contemporânea pode herdar não é a silhueta da tenda, mas sim a inteligência construtiva nela tecida.
O OMA, liderado pelo/a sócio/a Jason Long, em conjunto com o escritório Y.A. Studio, sediado em São Francisco, concluiu o 730 Stanyan, um empreendimento de habitação de interesse social de uso misto no bairro de Haight-Ashbury, em São Francisco. Desenvolvido pela Tenderloin Neighborhood Development Corporation (TNDC) e pela Chinatown Community Development Center (CCDC), o projeto oferece 160 moradias permanentemente acessíveis para famílias de baixa renda, famílias anteriormente em situação de rua e jovens em idade de transição (TAY). Localizado no cruzamento das ruas Haight e Stanyan, ao lado da entrada do Golden Gate Park, o empreendimento marca o primeiro projeto de habitação de interesse social 100% acessível concluído pelo OMA nos Estados Unidos.
Norman Jaffe, Casa Krieger, Montauk, Nova York, 1975. Fotografia em preto e branco, 9 x 12 pol. Cortesia do Norman Jaffe Archives. Foto: Bill Maris. Do subsídio de 2026 para Wandering Eye Studios para o filme "Vanishing Point: An Architect’s Journey". Imagem cortesia da Graham Foundation
Desde 1956, a Graham Foundation for Advanced Studies in the Fine Arts fomenta o desenvolvimento e o intercâmbio de ideias sobre a arquitetura e seu papel nas artes, na cultura e na sociedade. A instituição concede anualmente bolsas de estudo para projetos desenvolvidos por indivíduos e organizações, além de realizar exposições públicas e palestras. Em junho, a fundação anunciou os beneficiários do seu programa de Apoio a Indivíduos para 2026, contemplando 54 projetos que investigam a arquitetura por meio de exposições, filmes, publicações e iniciativas de pesquisa. Em uma segunda rodada anunciada esta semana, a organização destinou recursos para projetos geridos por organizações com o mesmo objetivo: ampliar o discurso arquitetônico por meio de diversos materiais e mídias culturais.
"Uma arquitetura que abriga multidões." Essa é a frase que o Studio NEiDA usa para se apresentar, deixando clara sua postura diante do mundo: escutar e respeitar a pluralidade de existências que transitam por cada contexto. Mais do que uma declaração de princípios, a frase parece funcionar como um método. Afinal, o que significa projetar espaços capazes de acolher não apenas pessoas, mas também memórias, saberes e conflitos?
Sem dúvida, a abordagem plural do Studio NEiDA está, em parte, enraizada em sua própria inserção geográfica. Atuando entre o Togo e a Alemanha, o escritório opera em dois contextos aparentemente distintos, mas historicamente conectados. Em uma entrevista recente, Jeanne Autran-Edorh, arquiteta franco-togolesa e cofundadora do estúdio, ao lado da curadora e escritora Fabiola Büchele, relembra a história entre as duas nações, apontando que, como poucos sabem, antes de se tornar uma república independente, o Togo foi uma colônia alemã que posteriormente passou para o domínio francês.
No coração do distrito de Navrangpura, em Ahmedabad, na Índia, ergue-se o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel. Muito mais do que um campo de críquete, o estádio representa um dos primeiros experimentos da Índia em arquitetura pública modernista. Construída nas décadas que se seguiram à independência do país, a estrutura tornou-se não apenas um marco da engenharia, mas também um espaço público de destaque na malha urbana de Ahmedabad. Apesar do significado arquitetônico e histórico do edifício, bem como de sua profunda inserção na vida cotidiana da comunidade, a estrutura sofreu uma degradação física significativa devido a décadas de manutenção precária e falta de recursos. Essa fragilidade foi justamente o que atraiu a atenção internacional. Em 2020, o World Monuments Fund (WMF) incluiu o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel no World Monuments Watch, uma lista global que destaca sítios de patrimônio cultural que enfrentam desafios urgentes de preservação.
A arquitetura no Brasil este mês destaca as diversas abordagens do país para a produção cultural, o patrimônio e a transformação de seu ambiente construído. Da formação curatorial da 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo ao reconhecimento dos Teatros da Amazônia na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, os acontecimentos recentes colocam em foco questões de representação, preservação e identidade cultural. Paralelamente, novos projetos no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Rondônia exploram o reuso adaptativo, as relações entre arquitetura e paisagem e novos caminhos para a materialidade e a sustentabilidade. Somadas a isso, discussões em andamento sobre a Fordlândia e o acervo de Lucio Costa revisitam como o patrimônio arquitetônico brasileiro é preservado, interpretado e compreendido hoje.
De 25 de julho a 25 de outubro de 2026, a Power Station of Art (PSA) de Xangai sediará a primeira exposição na China dedicada à obra da arquiteta brasileira Lina Bo Bardi. Sob o título "A Poética da Sobrevivência" (ou "The Poetics of Survival"), a mostra tem curadoria de Renato Anelli, com projeto expográfico assinado pelo escritório OPEN Architecture em um espaço de 2.300 m² do museu de arte contemporânea PSA, em Huangpu. O objetivo foi conceber "um palco onde o público pudesse vislumbrar a realidade cotidiana do Brasil na época de Lina" por meio de uma jornada pela obra e pela personalidade multifacetada da arquiteta. A exposição não é descrita como uma retrospectiva, mas sim como um "encontro com a poética da sobrevivência da mestra", um conceito do final do século XX que descreve como o trabalho criativo se torna uma ferramenta para suportar traumas como a opressão histórica ou crises extremas. Esse conceito serve como um fio condutor que conecta a realidade retratada aos observadores contemporâneos de um corpo de trabalho "marcado por sua engenhosidade, versatilidade e generosidade".
O escritório Pelli Clarke & Partners concluiu o Centro Cultural Lola Mora em San Salvador de Jujuy, na Argentina, uma nova instituição cultural dedicada à vida e à obra da escultora argentina Lola Mora (1866-1936). Localizado na região noroeste do país, o projeto é o primeiro edifício cultural do escritório na América do Sul e o último projeto liderado por seu fundador, o falecido César Pelli. Projetado como uma instalação net-zero, o centro reúne seis das esculturas monumentais de mármore de Mora pela primeira vez em mais de um século, proporcionando um lar permanente para obras que antes eram expostas ao ar livre em Jujuy.