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O manguezal como muralha: proteção costeira e desenvolvimento urbano na Índia

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Ao longo da costa da Índia, a fronteira entre a terra e o mar nem sempre é uma linha de concreto. Em alguns trechos, ela se revela como uma floresta de raízes emaranhadas, canais de maré e sedimentos — uma paisagem que muda de caráter conforme o fluxo das águas. Os manguezais influenciam o movimento das águas, a evolução das linhas de costa e a forma como as comunidades litorâneas vivenciam o risco de inundação. Seu papel na proteção costeira depende da largura e das condições da floresta, do movimento das marés e do acúmulo de sedimentos.

Quebra-mares e diques são projetados para resistir à água em um limite definido. Os manguezais, por sua vez, funcionam por meio de um conjunto diferente de processos. Suas raízes, troncos e galhos criam resistência à água em movimento, enquanto a floresta interage com os sedimentos e os fluxos das marés ao longo do tempo. Embora essas duas formas de proteção sejam frequentemente discutidas de maneira isolada, nas costas habitadas elas ocupam o mesmo território. A expansão urbana ocorre atrás de diques, estradas cruzam paisagens de maré e as florestas de mangue persistem nos espaços que restam entre a infraestrutura e a água. A forma como esses elementos estão dispostos pode influenciar as condições sob as quais a proteção costeira opera.

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Do Papel ao Espaço: A Matéria como Arquitetura Sensorial

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Selecionar um material durante o processo projetual envolve mais do que definir uma aparência. Seu comportamento em resposta à luz, ao som, ao toque e à passagem do tempo pode transformar a maneira como um espaço é percebido e utilizado. Paralelamente, fatores como durabilidade, resistência, reciclabilidade e o impacto ambiental associado à sua produção introduzem novas variáveis na tomada de decisões na arquitetura. Para Stephanie Forsythe e Todd MacAllen, cofundadores do estúdio de design e produção molo, com sede em Vancouver, essas considerações levaram a uma exploração do papel e de seu potencial para moldar espaços flexíveis e sensoriais.

Grande Ópera de Xangai, do Snøhetta, é inaugurada com cobertura sinuosa e vistas panorâmicas para o rio

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O Grand Opera House de Xangai, projetado pelo escritório Snøhetta em colaboração com o East China Architectural Design & Research Institute (ECADI), a Theatre Projects e a Nagata Acoustics, foi oficialmente inaugurado em 17 de outubro de 2026, às margens do Rio Huangpu, em Xangai, na China. A abertura marca a conclusão de um projeto cultural selecionado por meio de um concurso internacional de projetos em 2016 e desenvolvido ao longo da década seguinte. Localizado no distrito de Expo Houtan, o edifício de 146.786 metros quadrados reúne três salas de espetáculos, instalações de produção e espaços de acesso público, integrando a transformação contínua da orla de Xangai.

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Modelo alternativo de fábrica do Nakshabid Architects em Bangladesh recebe o Prêmio Internacional RIBA 2026

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A Green Field Factory da Karupannya Rangpur Limited, projetada pelo escritório Nakshabid Architects, foi anunciada como a vencedora do RIBA International Prize 2026. Desde 2016, o RIBA International Prize é concedido a "um edifício que demonstra pensamento visionário, originalidade, excelência de execução e faz uma contribuição singular para as pessoas que o utilizam, o entorno e as comunidades." Este ano, a Green Field Factory foi reconhecida por propor um modelo alternativo de projeto e operação industrial, desafiando os ambientes de trabalho tradicionais e criando novas oportunidades para as trabalhadoras. A lista de finalistas incluía outros três projetos: a renovação do Royale Belge em Bruxelas, Bélgica, por Caruso St John Architects em colaboração com Bovenbouw Architectuur e DDS+; a Z33 House for Contemporary Art em Hasselt, Bélgica, por Francesca Torzo Architetto; e a BRAC University em Daca, Bangladesh, projetada pelo escritório WOHA.

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Os olhos da rua: o conceito de Jane Jacobs e a arquitetura residencial contemporânea no Brasil

O conceito de "olhos da rua" talvez seja o mais famoso dentro da literatura arquitetônica e urbanística quando o assunto é segurança urbana. Jane Jacobs utiliza essa expressão para se referir às pessoas que – de forma consciente ou inconsciente – utilizam os espaços públicos ou os contemplam desde suas casas, gerando uma vigilância natural. Um movimento que, no âmbito da nossa disciplina, é fomentando tanto por meio de espaços públicos de qualidade quanto pela potente relação entre o público e o privado criada através das fachadas das edificações. Defendendo esse controle cotidiano, Jacobs acredita em um modo de fazer arquitetura e cidades que condena a verticalização em excesso, reforçada por edifícios isolados e de uso único os quais negam o contato com rua.

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Capturando a neblina: como a arquitetura coleta água do ar

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Onde rios, reservatórios e o regime de chuvas já não oferecem um abastecimento confiável, a busca por água volta-se cada vez mais para a atmosfera. Neblina, umidade atmosférica e condensação oferecem caminhos distintos para essa captação. À medida que a arquitetura passa a extrair água do ar, superfícies, estruturas e espaços abertos integram-se ao sistema hídrico.

De acordo com o UNICEF, a Estratégia Nacional de Água da Jordânia estima que a disponibilidade anual de água renovável seja de apenas 61 metros cúbicos por habitante — patamar muito aquém dos 500 metros cúbicos usualmente adotados como limite para a escassez absoluta de água. Cerca de metade da população local recebe água encanada apenas uma vez por semana, ao passo que os aquíferos subterrâneos são explorados em um ritmo mais acelerado do que sua capacidade natural de recarga.

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Bunkers e arcas: escapando do futuro que nós mesmos construímos

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Invertendo a narrativa convencional, esta história começa pelo fim: o dia seguinte ao colapso do mundo. Enquanto quase toda a população luta para sobreviver a chamas e tempestades solares, uma fração ínfima é recebida por um guarda fortemente armado na entrada do Survival Condo Project, um antigo silo de mísseis no Kansas convertido há alguns anos em apartamentos de luxo.

Esqueça, portanto, a figura do eremita que estoca comida enlatada no porão ou o profeta do fim dos tempos. Nos últimos anos, o sobrevivencialismo expandiu-se para círculos mais abastados, criando raízes no Vale do Silício entre profissionais de tecnologia de nível executivo e da gestão de fundos de hedge. O que antes poderia ser visto meramente como excentricidade tornou-se também uma forma de pensar o futuro e, para algumas pessoas, uma oportunidade de investimento.

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Transformando a orla de Barcelona: uma história de renovação urbana

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Ao caminhar pela orla de Barcelona, a linha da costa parece sempre ter estado ali: areia, palmeiras, um longo calçadão, restaurantes, lojas e hotéis modernos. No entanto, a realidade é que nem sempre foi assim. Até a década de 1980, a frente marítima de Barcelona era uma barreira ativa de linhas ferroviárias, fábricas e habitações informais, com águas residuais escoando diretamente para o Mediterrâneo. A partir de 1987, a cidade começou a criar continuamente grandes calçadões e passagens entre o tecido urbano e o mar, moldando um ambiente que hoje muitos podem interpretar como um espaço outrora vazio, mas que, na verdade, resulta de décadas de intervenções de infraestrutura e complexidade social, somadas a um esforço municipal para transformar o território urbano e sua relação com a água. Acompanhar essa transformação levanta três questões que estruturam este artigo: quem foi deslocado para abrir a orla, quem a governa hoje e quem a mantém de pé?

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O que o isolamento externo deve oferecer além do desempenho térmico?

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O setor de edifícios e construção civil é responsável por cerca de 39% das emissões globais de CO₂ e por quase 50% da extração global de materiais. As emissões operacionais de carbono, associadas à energia consumida para o funcionamento das edificações, também aumentaram 1%, atingindo 9,9 bilhões de toneladas de CO₂ em 2024, mesmo com a melhoria na intensidade de uso de energia (EUI) dos edifícios. Esses números apontam para lacunas persistentes na forma como os edifícios são projetados, construídos e reformados. Uma área crucial para mitigar essas lacunas é o isolamento do envelope da edificação, que continua sendo central para controlar a demanda de energia, melhorar a resiliência térmica e reduzir as emissões de carbono.

Lion Green Road, de Mary Duggan Architects e RUFFARCHITECTS, vence o RIBA Stirling Prize 2026

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O RIBA Stirling Prize de 2026 foi concedido ao Lion Green Road, um conjunto habitacional em Coulsdon, no sul de Londres, projetado pelo escritório Mary Duggan Architects em colaboração com o RUFFARCHITECTS para o Croydon Council. Composto por 157 residências distribuídas em cinco blocos residenciais, o projeto combina moradias privadas e de aluguel social no terreno de um antigo estacionamento. Apresentado anualmente pelo Royal Institute of British Architects (RIBA), o Stirling Prize reconhece uma edificação considerada de contribuição significativa para a evolução da arquitetura e do ambiente construído. O vencedor de 2026 foi anunciado em uma cerimônia no Old Billingsgate, em Londres, em 15 de outubro, marcando o 30º aniversário do prêmio.

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Indicações para o World Monuments Watch 2027 apontam austeridade governamental, impacto climático e escassez de mão de obra qualificada como as principais ameaças ao patrimônio

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O World Monuments Fund (WMF), uma organização independente sem fins lucrativos dedicada à preservação da arquitetura histórica e do patrimônio cultural desde 1965, recebe indicações por meio do World Monuments Watch, seu principal programa de defesa e conservação. A cada dois anos, o Watch seleciona 25 locais a partir das indicações recebidas de indivíduos e organizações comunitárias em todo o mundo. As indicações para o World Monuments Watch de 2027 foram encerradas em 20 de março de 2026, totalizando 372 indicações públicas de 84 países e territórios. Antes de anunciar os locais selecionados no início de 2027, o WMF apresenta uma análise das indicações. Dados globais apontam três causas principais de ameaça ao patrimônio em todo o mundo: a austeridade governamental, a intensificação dos impactos climáticos e a falta de acesso a habilidades e conhecimentos especializados. Em um momento no qual as prioridades políticas tendem a se afastar da história, o apelo é para que os locais de patrimônio sejam reconhecidos como uma área de oportunidade compartilhada, e não como um fardo.

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O escopo ampliado do/a arquiteto/a: Centro de Inovação Moving Windmills

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O que fazem os/as arquitetos/as? Essa pergunta milenar revela a dicotomia perene entre dois aspectos da edificação – como construir e por que construir. Apesar de suas origens antigas e de seu nome derivar do grego antigo, a profissão se transformou ao longo dos séculos. Sua configuração atual, geralmente datada do Renascimento Italiano, estabelece uma distinção entre o ato de construir e a tomada de decisões intelectuais e estéticas por trás dele. No entanto, podemos estar no meio de outra transformação incipiente. Historicamente, a encomenda da arquitetura permaneceu separada da prática, mas, como se pode observar no trabalho do MASS e em projetos como o Moving Windmills Innovation Center, essa distinção começa a se diluir.

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Como transformar um sótão em espaço habitável

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O que acontece com o espaço sob a cobertura? Em muitas casas, a resposta é simples: ele se torna um sótão, um depósito ou um volume amplamente subutilizado entre o último pavimento e o telhado. No entanto, esse mesmo espaço pode se transformar em um dormitório, home office, sala de brinquedos ou área de estar adicional se a cobertura e o ambiente abaixo dela forem pensados de forma conjunta.

Esse potencial é relevante tanto em edifícios existentes quanto na arquitetura residencial de modo geral. A conversão de um sótão pode adicionar área útil sem ampliar a projeção da edificação, ao passo que projetar uma casa nova já prevendo o aproveitamento do espaço sob a cobertura a torna mais adaptável ao longo do tempo. Portanto, a questão não é apenas como converter um sótão, mas sim como reconhecer o potencial arquitetônico de um espaço subutilizado criado por uma cobertura inclinada.

ONU-Habitat destaca iniciativas habitacionais e Sauerbruch Hutton conclui edifício híbrido de madeira em Berlim: Resumo da semana

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Esta semana, questões sobre habitação, segurança e o futuro das cidades ganharam destaque, desde o impacto de desastres naturais até o papel da arquitetura na construção de ambientes urbanos mais inclusivos. O Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, celebrado em 13 de outubro sob o tema "A resiliência começa em casa", colocou essas questões em evidência apenas alguns dias após um terremoto de magnitude 7,7 atingir o Panamá, danificando edifícios e provocando evacuações em todo o país. Para além da preparação para desastres, os acontecimentos da semana também refletem esforços mais amplos para atender às necessidades habitacionais, dar novos usos a edifícios existentes e criar espaços voltados para a educação, a cultura e a vida pública.

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OODA e LJ-Group transformam quarteirão em Praga em complexo de uso misto permeável com praça central ajardinada

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O escritório português de arquitetura e urbanismo OODA divulgou novas imagens de um projeto de desenho urbano em Praga, na República Tcheca. A proposta transforma uma quadra existente em um lote permeável que abriga habitação de interesse social municipal, unidades comerciais e uma praça central ajardinada. O projeto, intitulado Kodaňská 1441, prioriza a caminhabilidade, a mobilidade verde e o espaço público. Além de abrir novas conexões entre a edificação existente e a malha urbana, a intervenção inclui um projeto de paisagismo assinado pelo LJ-Group e um sistema de gestão hídrica que amplia em 21,5% as superfícies permeáveis do pátio. A iniciativa serve como exemplo de renovação urbana, incorporando preocupações contemporâneas como espaços comunitários, uma relação regulada com o espaço público, áreas arborizadas e o uso sustentável de recursos naturais.

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Arquitetura entre a terra e a água: lições de projeto dos bayous

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Um bayou é um corpo d'água de fluxo lento, tipicamente um riacho ou rio que serpenteia por terrenos planos e baixos em uma paisagem mais ampla de áreas úmidas. Encontrados por toda a Costa do Golfo, os bayous se diferenciam dos pântanos (*swamps*), que abrigam florestas alagadas caracterizadas por águas paradas, e das marismas (*marshes*), onde gramíneas altas e plantas herbáceas crescem em solos saturados. As correntes na paisagem do bayou sustentam ecossistemas biodiversos de plantas, árvores, insetos, aves e peixes, ao passo que as oscilações nos níveis da água, o solo saturado, o ar úmido, as chuvas intensas e os verões longos e quentes criam uma fronteira difusa entre a terra e a água, o úmido e o seco, o interior e o exterior.

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O que é preciso para iniciar uma carreira na arquitetura?

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O diploma de arquitetura fornece as bases da disciplina, mas a transição para a prática profissional muitas vezes vai muito além da sala de aula. Adquirir experiência, desenvolver um portfólio e navegar pelas realidades dos escritórios de arquitetura são desafios que muitos/as jovens profissionais enfrentam em seus primeiros anos de prática.

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Aprendizado pela Prática: Por que estudantes de arquitetura participam de concursos

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Em tese, participar de um concurso de arquitetura é um dos maiores desafios na trajetória de um/a estudante de arquitetura. O grande atrativo para os/as estudantes é a oportunidade de experimentar, abordando um programa vagamente definido que abre espaço para testar ideias não convencionais e ferramentas desconhecidas fora do ritmo do semestre letivo. Esse distanciamento das avaliações formais é um desdobramento relativamente recente, já que os concursos outrora desempenhavam um papel central no ensino de arquitetura.

Na École des Beaux-Arts, o ensino dividia-se entre o ateliê — onde os/as estudantes desenvolviam projetos sob a orientação de um/a arquiteto/a atuante — e o concurso, no qual um júri de professores/as avaliava o trabalho sem ter acompanhado seu desenvolvimento. Esse modelo foi posteriormente levado a escolas como o MIT, a Penn, e a Cornell por docentes com formação francesa. Com o tempo, a maioria das escolas manteve o ateliê, que se transformou no estúdio de projeto, e relegou os concursos às margens do currículo acadêmico.

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Geometria que gera energia: a fachada solar de Breidablikk Gården, Noruega

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Painéis solares costumam ser tratados como equipamentos adicionados a um edifício. Mas o que acontece quando eles passam a integrar a própria arquitetura? Uma vez incorporada ao envelope, a tecnologia fotovoltaica pode gerar energia e, ao mesmo tempo, influenciar a forma, a construção e o desempenho ambiental da edificação.

As coberturas costumam ser o local mais óbvio para painéis fotovoltaicos; no entanto, outras partes do edifício também podem gerar energia enquanto desempenham funções arquitetônicas adicionais. Fachadas podem proporcionar sombreamento, brises podem controlar a luz solar e fachadas ventiladas podem aliar a proteção contra intempéries à geração de energia. Com isso, sua orientação, posicionamento e integração ao envelope do edifício passam a fazer parte do partido arquitetônico, em vez de se limitarem a uma decisão técnica isolada.

Brasil em Foco: Este mês em arquitetura, habitação, espaços de aprendizagem e vida urbana

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O Foco no Brasil deste mês analisa como a arquitetura e o desenvolvimento urbano se cruzam com questões de habitação, educação, espaço público e mobilidade em todo o país. A seleção deste mês inclui uma aldeia indígena em Maricá reconhecida pelo ONU-Habitat por sua abordagem de habitação adequada, editoriais que examinam campi universitários e cidades planejadas como estruturas para a vida coletiva, e projetos que vão desde a expansão de um aeroporto com estrutura de madeira até um edifício comercial que dialoga com o espaço público de São Paulo e uma residência moldada por sua paisagem. Também estão em destaque a proposta vencedora para a nova sede do Itaú Cultural na Avenida Paulista, o reconhecimento internacional de dois projetos de paisagismo brasileiros e um diagnóstico nacional que aponta lacunas persistentes na infraestrutura para pedestres e na segurança viária.

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Sir Donald Insall, arquiteto e figura de destaque na conservação arquitetônica moderna, falece aos 100 anos

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No dia 11 de outubro de 2026, a Donald Insall Associates anunciou o falecimento de seu fundador, Sir Donald Insall. Descrevendo-o como "um homem de grande tato, charme e humor", o escritório reconheceu sua contribuição para as estruturas, instituições e ferramentas de preservação do patrimônio na Inglaterra, bem como seu conhecimento prático e aplicação do ofício da restauração. Arquiteto, conservacionista, consultor de planejamento, autor e professor, ele liderou um dos principais escritórios de conservação do Reino Unido por quatro décadas após fundá-lo em 1958. Seu escritório realizou a renovação da Kelmscott Manor de William Morris em Oxfordshire e da Kedleston Hall de Robert Adam em Derbyshire, a conservação do centro histórico de Chester e a restauração do Castelo de Windsor após o incêndio de 1992, entre outros marcos britânicos.

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Além da caixa: O que a arquitetura com contêineres acerta e onde deixa a desejar

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Além da caixa: O que a arquitetura com contêineres acerta e onde deixa a desejar - Imagem de Destaque
Edifício de contêineres District 10. Imagem cortesia de Shipping Containers

Usar contêineres marítimos como base para uma estrutura — prática também conhecida como "cargotectura" — parece ser uma abordagem simples para a construção. Uma impressão que, no entanto, pode ser enganosa. Embora seja verdade que os contêineres são um material de construção rápido, econômico e que frequentemente exige menos esforço, além de durável e personalizável, as conversões dessas estruturas também trazem desafios. Sem um planejamento minucioso, o processo de obra pode ser desgastante e os resultados, frustrantes.

Para entender se os contêineres são a escolha certa para um projeto de construção, é importante olhar além de seu apelo industrial e encarar a realidade e as limitações das caixas de aço como material construtivo.

Abrindo espaço para a água: parques inundáveis na América Latina

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Caminhar ao longo de um rio em quase qualquer cidade da América Latina revela trechos que foram retificados, canalizados em concreto, soterrados por avenidas ou relegados aos fundos de áreas industriais e bairros residenciais. Ao longo do século XX, a expansão urbana ocupou gradualmente as margens dos rios e as antigas planícies de inundação, enquanto os cursos d'água eram desviados ou confinados em infraestruturas destinadas a controlá-los. Contudo, a água continuou a retornar. Há décadas, as inundações representam o desastre natural mais frequente na América Latina e no Caribe, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Algumas cidades começaram a reconsiderar o que acontece ao longo dessas margens. No Chile, no México e no Brasil, parques vêm sendo desenvolvidos em leitos de rios, canais de drenagem e outros territórios expostos a inundações. Esses espaços acolhem a água durante as fortes chuvas, ao mesmo tempo que oferecem áreas de lazer, circulação e convivência na maior parte do ano. O projeto desses espaços também transforma a forma como as comunidades do entorno acessam territórios antes associados a enchentes, poluição ou uso público restrito.

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Ágoras urbanas: Como as pistas de skate podem devolver o espaço público à cidade

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Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Estabeleceu-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como possíveis linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a coesão comunitária e para novos usos em espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela como diversas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, a depender de quem se desloca por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.

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