O escritório Pelli Clarke & Partners concluiu o Centro Cultural Lola Mora em San Salvador de Jujuy, na Argentina, uma nova instituição cultural dedicada à vida e à obra da escultora argentina Lola Mora (1866-1936). Localizado na região noroeste do país, o projeto é o primeiro edifício cultural do escritório na América do Sul e o último projeto liderado por seu fundador, o falecido César Pelli. Projetado como uma instalação net-zero, o centro reúne seis das esculturas monumentais de mármore de Mora pela primeira vez em mais de um século, proporcionando um lar permanente para obras que antes eram expostas ao ar livre em Jujuy.
O Belvedere de Louisville, no Kentucky, é um ponto de encontro com 53 anos de história, palco de concertos, festivais e eventos comunitários. A praça de concreto suspensa foi construída sobre a maior estrutura de estacionamento da cidade e se estende sobre um importante viaduto de rodovia. Desde 1973, o local funciona como um espaço cívico à beira-rio para eventos e grandes aglomerações, mas seu uso como espaço público cotidiano está em evidente declínio. Em seu estado atual, o espaço carece de sombra, áreas verdes e infraestrutura de lazer, enquanto a laje de concreto sofreu com o desgaste ao longo dos anos. Em fevereiro de 2025, o Heatherwick Studio revelou as primeiras imagens de sua visão para transformar o Belvedere, um projeto encomendado pelo prefeito da cidade e pelo Governo Metropolitano de Louisville. Esta semana, o escritório divulgou novas imagens do redesenho, que propõe um espaço aberto, verde e flexível integrado ao centro de Louisville.
Escapar da rotina é uma fantasia e um desejo antigo. Na literatura, no cinema e na música, a humanidade sempre criou jornadas imaginárias, mundos possíveis e cenários de contemplação e prazer. É essa fantasia que alimenta uma tipologia arquitetônica específica: o hotel. Diante do debate crítico sobre o turismo de massa, dos impactos climáticos das viagens e da concorrência e externalidades associadas aos aluguéis por temporada, essa fantasia assume contornos ainda mais marcantes. Um hotel já não é apenas um lugar de hospedagem, mas um espaço de vivência que pode abarcar uma ampla gama de atividades, como entretenimento, relaxamento, gastronomia e até mesmo o trabalho. Essa diversidade de conceitos assume formas orgânicas e impressionantes nos sete projetos não construídos compilados neste artigo, que vão de hotéis urbanos a resorts de praia.
O artesanato em interiores contemporâneos adquire um valor crescente na maneira como os materiais são unidos e postos em relação uns com os outros. À medida que cresce a demanda por reformas rápidas, baratas e lucrativas, surge também um desejo paralelo por interiores que transmitam uma resolução cuidadosa: espaços onde os detalhes são integrados, as composições de materiais são ponderadas, as transições de textura ocorrem com intencionalidade e as ferragens são tratadas como parte da própria linguagem arquitetônica, e não como um improviso de última hora. Em muitos interiores chineses contemporâneos, o fazer artesanal opera de forma sutil no tratamento de superfícies e estruturas: madeiras que preservam suas irregularidades, terrazzos que registram agregados e o trabalho manual, ou acabamentos que revelam o esmero de sua execução.
Isso assume particular relevância em uma era na qual as imagens digitais priorizam cada vez mais a homogeneidade das superfícies. Interiores renderizados frequentemente parecem contínuos, sem atritos e concluídos antes mesmo de a construção ter início. O fazer artesanal tensiona essa imagem. Ele introduz margens de tolerância, textura, resistência material e a percepção de que a superfície passou pelas mãos humanas antes de se converter em arquitetura. A imperfeição não se traduz necessariamente em falta de precisão. Para o olhar atento que sabe decifrá-la, ela se torna o próprio testemunho do processo de feitura.
Entre os séculos XVIII e XIX, viajar por Roma, Paris, Veneza, Florença e outras cidades europeias era considerado parte essencial da formação de arquitetos e arquitetas recém-formados. Em uma época em que o acesso a fotografias e publicações era extremamente limitado, essas viagens constituíam o principal meio de vivenciar a arquitetura de perto. No início do século XX, Le Corbusier reinterpretou essa tradição à sua própria maneira: aos 23 anos, embarcou na Voyage d'Orient, passando pelos Bálcans, Istambul e Atenas, e produzindo cadernos de viagem aos quais retornaria ao longo de toda a sua vida.
sauerbruch hutton e Studio Gang foram selecionados para renovar a German House em Nova York, após um concurso internacional organizado pela República Federal da Alemanha. Localizado no United Nations Plaza, em Manhattan, o edifício abriga o Consulado Geral da Alemanha, a Missão Permanente da Alemanha junto às Nações Unidas e diversas instituições culturais afiliadas. O projeto marca a primeira colaboração entre os dois escritórios. Sediado em Berlim, o sauerbruch hutton atuará como designer principal, enquanto o Studio Gang será o planejador geral e arquiteto/a de registro, supervisionando a entrega e a execução do projeto. A proposta se concentra na adaptação do edifício existente, com o objetivo de prolongar sua vida útil e, ao mesmo tempo, melhorar seu desempenho operacional e ambiental.
A paisagem arquitetônica da Hungria passou pelas décadas socialistas sendo redesenhada de cima para baixo, com suas fazendas cooperativas consolidadas a partir de propriedades familiares e seus blocos habitacionais padronizados distribuídos pelo território de uma forma que teria sido idêntica em qualquer outro lugar. A socióloga Virág Molnár, cujo livro Building the State traça os usos políticos da arquitetura na Hungria e na Alemanha Oriental do pós-guerra, defende que essa reconfiguração do ambiente construído foi um dos principais instrumentos do projeto político, e não um subproduto dele — uma mobilização que se estendeu pela modernização socialista e avançou pela transição que se seguiu. O crítico britânico Owen Hatherley, cuja obra Landscapes of Communism explora os conjuntos habitacionais de Budapeste ao lado dos de Varsóvia e Kyiv, descreve o extremo dessa mesma herança, em que os edifícios sobreviveram à ideologia que os encomendou e continuam ocupados por pessoas que têm pouco interesse em defender a lógica por trás deles.
Nunca houve um momento tão celebrado para o trabalho artesanal na arquitetura. Em revistas, premiações e exposições internacionais, o tijolo artesanal, o revestimento de cal, a pedra entalhada, o bambu trançado e a taipa de pilão ressurgiram como símbolos de responsabilidade ambiental, continuidade cultural e autenticidade arquitetônica. No entanto, por trás desses projetos cuidadosamente documentados, reside outra realidade. A esmagadora maioria dos edifícios construídos hoje — de blocos de apartamentos e torres de escritórios a habitações de interesse social e empreendimentos comerciais — continua a depender de sistemas industrializados que deixam pouco espaço para artesãos/ãs qualificados/as. O ofício tornou-se cada vez mais visível justamente no momento em que se tornou cada vez mais incomum. Em países como a Índia, o contraste é difícil de ignorar. Tradições construtivas centenárias coexistem com uma das indústrias da construção que mais cresce no mundo. Para reformular a questão de por que o trabalho artesanal está retornando, talvez a verdadeira intriga seja por que ele agora surge principalmente onde os orçamentos de construção, os cronogramas e os/as clientes podem financiá-lo.
Parque Prado, Colômbia, por Connatural Arquitectura en el Paisaje. Imagem Cortesia de International Union of Architects (UIA)
O Dia Internacional da Juventude, celebrado anualmente em 12 de agosto, é marcado em 2026 sob o tema "Diferentes Contextos, Aspirações Comuns", destacando as aspirações compartilhadas por jovens em diversas realidades sociais, econômicas e geográficas. Apesar das diferenças de onde e como vivem, as pessoas jovens em todo o mundo continuam a buscar dignidade, oportunidades, participação significativa, trabalho decente, educação de qualidade e um futuro sustentável. A data oferece uma oportunidade para reconhecer suas contribuições, ao mesmo tempo em que chama a atenção para as condições e oportunidades que moldam suas vidas.
Diante de um cenário de mudanças climáticas, inflação e conflitos armados, o sistema energético global passa por transformações e enfrenta questionamentos. Segundo as Nações Unidas, os edifícios devem ser aquecidos, iluminados e eletrificados por meio de fontes de energia limpas, acessíveis, viáveis, sustentáveis e confiáveis. A arquitetura e o planejamento urbano podem contribuir tanto para expandir o acesso à energia quanto para explorar diferentes formas de armazenamento. A startup Civic Grid, sediada em Toronto, projeta e constrói sistemas de armazenamento de energia com o objetivo de transformar a relação das comunidades com a eletricidade que move o cotidiano. Sua primeira bateria arquitetônica foi concebida como uma obra de arquitetura pública pelos/as arquitetos/as Jack Self e Josh Harskamp, em colaboração com o designer industrial Max Fine. O protótipo é a evolução de um sistema de energia implantável desenvolvido em parceria com a Proteção Civil de Lisboa para a Trienal de Arquitetura de Lisboa 2025, ainda em funcionamento, e é acompanhado por uma maquete física.
O trabalho artesanal carrega os vestígios de quem o moldou, revelando como os materiais reagem a diferentes técnicas e oferecendo pistas sobre as ferramentas utilizadas em sua criação. Na experiência arquitetônica, contudo, esse fazer pode se expressar não apenas por meio de materiais e estruturas, mas também pelo próprio espaço. Buscando aprofundar e extrair aprendizados das conexões entre projeto e execução, o amass studio tem explorado a tradução de métodos construtivos informais e cotidianos em sistemas espaciais em diversos de seus projetos. Ao integrar mecanismos, materiais, estruturas e mobiliário, o estúdio cria novas narrativas espaciais nas quais o diálogo entre o artesanal e o industrial se fortalece mutuamente. Para além do fazer artesanal em si, por que não tornar visíveis também os processos que o trazem à existência?
Fundado em Quito em 2017 por Martín Real e Florencia Sobrero, o Taller General atua em habitação, reabilitação, exposições e projetos comunitários. O que os une é menos uma tipologia de edifício e mais uma forma de construir: arquitetos/as, construtores/as, artesãos/as, estudantes, organizações e comunidades transitam pelo processo, e cada projeto toma forma a partir do que já existe no local.
Essa abordagem surgiu da experiência direta com o canteiro de obras. Antes da fundação formal do Taller General, Real e Sobrero envolveram-se com a Actuemos Ecuador, uma das iniciativas da sociedade civil criadas em resposta ao terremoto que atingiu a costa do Equador em 2016. Trabalhar sob as condições reais da construção vinculou as decisões arquitetônicas aos materiais, orçamentos, mão de obra disponível e saberes locais, estabelecendo uma relação com o fazer construtivo que permanece central em sua prática.
Durante anos, os avanços na visualização arquitetônica foram medidos pela qualidade da imagem. Iluminação fisicamente precisa, sistemas de materiais sofisticados e renderização em tempo real transformaram o fotorrealismo em um padrão do setor. No entanto, a prática da arquitetura tem evoluído em uma direção diferente.
Hoje, a colaboração de clientes, consultorias, profissionais de engenharia e equipes de projeto ocorre de forma cada vez mais precoce e frequente ao longo do processo de projeto. As revisões de projeto não servem mais apenas para apresentar decisões tomadas; elas se tornam, cada vez mais, parte de como essas decisões são construídas.
Na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu as costas do Pacífico e do Caribe da Colômbia. Embora o evento sísmico tenha afetado levemente a fronteira sul do Panamá e a fronteira norte do Equador, a Colômbia declarou estado de emergência nacional. O terremoto causou 111 mortes, de acordo com relatórios oficiais, e a expectativa é de que esse número aumente à medida que os esforços de busca e resgate continuam. Segundo o Servicio Geológico Colombiano (SGC), o epicentro foi localizado a 96 quilômetros de profundidade, próximo a San José del Palmar, uma área rural no noroeste da província de Chocó. Os danos à infraestrutura se estendem a cidades densamente povoadas, incluindo Cali, Pereira, Manizales e Armenia, afetando uma área com uma população de cerca de 3,5 milhões de pessoas. Este evento sísmico ocorre logo após outros quatro ocorridos há menos de dois meses no Japão, nos Estados Unidos e na Venezuela, somando-se aos esforços de reconstrução já em andamento em todo o mundo.
Em 2021, uma colaboração entre o escritório de arquitetura italiano Mario Cucinella Architects e a WASP, uma empresa italiana de impressão 3D, levou ao desenvolvimento da TECLA: uma casa impressa em 3D inteiramente com terra crua. Cinco anos depois, a tecnologia por trás do projeto evoluiu, espalhando-se discretamente por diversos continentes e práticas de projeto. Ao controlar a velocidade, o ângulo e a trajetória do bocal de extrusão, arquitetos e arquitetas conseguem ir muito além da criação de paredes convencionais. Ao longo dos anos, esses/as profissionais vêm experimentando maneiras de moldar o material impresso em 3D em padrões de superfície detalhados, reintroduzindo relevos, texturas e grafismos complexos diretamente na estrutura. Dessa forma, busca-se estabelecer uma ponte entre as tradições da construção com terra e a computação digital, em uma era em que o código começa a influenciar a forma e a expressão material na arquitetura.
A Turquia anunciou para o seu Pavilhão a exposição oficial "Spolia Futures" para a 20ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que acontecerá de 8 de maio a 21 de novembro de 2027. Comissionada pela Fundação de Istambul para a Cultura e as Artes (İKSV), a exposição terá curadoria do coletivo ba-be commons, um grupo de pesquisa composto por Başak Eren, Asya Ece Uzmay, Beril Sarısakal Erkent e Ece Yetim. A proposta foi selecionada por meio de uma chamada aberta e de um processo de avaliação em duas etapas para representar a Turquia na edição de 2027 da Bienal de Arquitetura de Veneza. O projeto examina o conceito de spolia — tradicionalmente compreendido como o reuso de elementos arquitetônicos — como um método de projeto em constante evolução, e não apenas como uma prática histórica.
Desde 1994, a cada ano no dia 9 de agosto, a UNESCO comemora o Dia Internacional dos Povos Indígenas. As Nações Unidas ainda não adotaram uma definição oficial para o termo "povos indígenas", mas consideram, para fins de reconhecimento social, os grupos não dominantes da sociedade que se autoidentificam como tais, com língua, cultura e crenças distintas, organizados em sistemas sociais, econômicos e políticos próprios. Sob uma perspectiva territorial, a ONU compreende o termo a partir da continuidade histórica com sociedades pré-coloniais ou pré-colonizadoras, além dos fortes laços desses grupos com seus territórios e recursos naturais circundantes. A persistência em manter e reproduzir ambientes e sistemas ancestrais também é reconhecida como um elemento de identidade, englobando outras denominações como primeiros povos/nações, aborígenes ou grupos étnicos. Alinhando-se ao objetivo da data de conscientizar o público, apresentamos neste artigo reflexões contemporâneas, casos regionais e entrevistas sobre o conhecimento construtivo ancestral e seu potencial para moldar o futuro.
Em 2021, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou um levantamento a respeito da quantidade de equipamentos culturais e sociais existentes nas cidades do Brasil. Os resultados eram alarmantes, apenas 29,6% dos municípios brasileiros possuíam equipamentos culturais e sociais como museus, enquanto teatros e casas de espetáculos estavam presentes em apenas 23,3% das cidades. Um recorte que diz muito em relação à carência de espaços desse gênero nas cidades brasileiras. Nesse contexto, quando uma cooperativa de mulheres no Maranhão ou um grupo de voluntários na Bahia decide construir seu próprio equipamento cultural e comunitário, o gesto não apenas supre uma carência material, mas reivindica, por iniciativa própria, um direito que deveria ser garantido como política pública.
A arquitetura é, há muito tempo, entendida como uma disciplina criada por seres humanos e para seres humanos. No entanto, em We the Bacteria: Notes Toward Biotic Architecture, Beatriz Colomina e Mark Wigley desafiam essa premissa, argumentando que "os micróbios inventaram a arquitetura". A partir desse ponto de vista, desdobra-se uma história alternativa da arquitetura que desvia o foco do excepcionalismo humano em direção aos microrganismos que moldaram a vida, os ambientes e o mundo construído ao longo de bilhões de anos.
O livro explora a ideia de que a arquitetura não pode ser compreendida separadamente dos mundos microbianos que a moldam, sugerindo que "a arquitetura habita os seres humanos tanto quanto os seres humanos habitam a arquitetura". Em vez de objetos inertes, os edifícios surgem como ecossistemas dinâmicos que Colomina e Wigley chegam a descrever como "um intestino expandido compartilhado com outros", onde micróbios, materiais, pessoas e inúmeras outras formas de vida coexistem, trocam e evoluem continuamente.
Com mais de 80% de sua população vivendo em centros urbanos e uma densidade nacional que supera 500 pessoas por quilômetro quadrado — chegando a mais de 15.000 em Seul —, a Coreia do Sul enfrenta uma disputa acirrada por terras aproveitáveis. Diante disso, a arquitetura contemporânea sul-coreana oferece exemplos contundentes de intervenções de uso misto que lidam com lotes urbanos estreitos para articular engajamento público e utilidade de alta eficiência. Ao sobrepor verticalmente programas distintos, integrando centros de arte pública, sedes corporativas e polos comerciais a funções residenciais e outras atividades, esses empreendimentos multifacetados transformam restrições espaciais em interfaces urbanas dinâmicas.