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Da tradição à vida moderna: a versatilidade e a elegância da madeira em 12 interiores japoneses

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A arquitetura japonesa contemporânea vem demonstrando como adaptar as necessidades em evolução dos moradores modernos a uma rica tradição construtiva e um legado artesanal. A madeira sempre foi a alma da arquitetura japonesa. Em muitos projetos residenciais recentes, esse material transcende seu papel estrutural para se tornar o acabamento principal de várias superfícies — que vão desde pisos e tetos até o mobiliário e demais elementos arquitetônicos. Esses ambientes encontram um delicado equilíbrio entre elegância e aconchego.

O uso de acabamentos naturais e não pintados destaca a honestidade inerente do material, ao mesmo tempo que celebra o caráter único de cada peça, seus veios naturais e a diversidade da composição geral. Enquanto algumas casas apresentam madeiras sóbrias e de tons escuros para criar uma atmosfera sóbria, outras utilizam madeiras mais claras, como o pinho, para promover uma sensação leve, arejada e etérea. Essa versatilidade prova que a madeira pode se adaptar a qualquer estética, do rústico ao ultra-minimalista.

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A ilusão da leveza: projetando vazios cívicos para a vida pública

Nas cidades contemporâneas, a densidade urbana e o aumento do valor da terra frequentemente impõem uma escolha entre edifícios cívicos de grande escala e espaços públicos abertos. Tradicionalmente, as praças eram tratadas como áreas ao redor da implantação do edifício, mas essa lógica foi transformada com a introdução dos pilotis pelo movimento moderno do início do século XX. Embora a intenção original fosse criar uma sensação de leveza que permitisse a circulação e a luz fluírem sob a estrutura, as exigências contemporâneas — como cargas sísmicas, rotas de evacuação e altas taxas de ocupação — tornam colunas esbeltas insuficientes para atender às demandas dos atuais edifícios cívicos de grande porte.

No entanto, a busca pela leveza arquitetônica não é exclusivamente contemporânea. Após a introdução dos pilotis, diversos projetos de meados do século XX passaram a explorar a ilusão de suspensão como forma de alcançar transparência cívica. Em 1953, o Congresso Nacional de Honduras, em Tegucigalpa, projetado por Mario Valenzuela, aplicou esses princípios ao contexto legislativo. O edifício consiste em uma câmara sólida elevada sobre uma série de colunas delgadas. Como o terreno está situado em um platô ao final de uma rua em declive, o vazio resultante vai além da circulação: ele enquadra vistas da cidade, criando a impressão de que o volume pesado está suspenso com leveza sobre o tecido urbano.

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Construindo com leveza em zonas de inundação: arquitetura para alagamentos sazonais

A enchente não chega como surpresa. Ela retorna, seguindo os mesmos rios transbordados e os mesmos céus de monção, soltando o solo e invadindo casas que nunca foram pensadas para resisti-la de forma definitiva. As paredes são desamarradas antes de serem perdidas, os materiais são recolhidos antes de serem levados pela correnteza, e as estruturas são reconstruídas com uma familiaridade que sugere que isso não é destruição, mas sequência. Em paisagens onde a água volta todos os anos, sobreviver é definido pela capacidade de recomeçar.

Nas planícies inundáveis de Bangladesh, da bacia do Brahmaputra e do Delta do Mekong, a inundação é uma certeza sazonal. Relatórios de instituições como o Banco Mundial e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas costumam enquadrar as enchentes a partir da exposição ao risco e dos danos, medindo o sucesso pela resistência e pela durabilidade. Ainda assim, em territórios submersos anualmente, esses parâmetros descrevem apenas parte do problema. O próprio solo oscila entre estados sólidos e líquidos. Construir como se ele fosse fixo significa projetar contra a própria condição que o define.

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Por que queremos flutuar? A psicologia da leveza na arquitetura

Em 1962, o arquiteto Buckminster Fuller imaginou uma cidade flutuante que libertaria a humanidade da dependência da Terra. O projeto hipotético consistia em enormes esferas geodésicas aéreas que levitariam naturalmente no ar quente aquecido pelo sol e que seriam ancoradas no topo das montanhas. Propondo abrigar milhares de pessoas, as Cloud Nine de Fuller tinham como objetivo aliviar a política de propriedade da terra, a escassez de moradias e auxiliar na preservação da natureza.

Passado mais de meio século, seguimos distantes de concretizar a ideia de Fuller. Criar uma estrutura verdadeiramente flutuante na superfície da Terra permanece, até o momento, um ideal inatingível. Enquanto os suportes ainda se impõem como necessidade, manipulamos sua posição, sua intensidade, sua quantidade, desenvolvendo acrobacias para, ao menos, nos aproximarmos da ideia de vencer a gravidade, esse desejo que há tanto tempo fascina a humanidade.

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Primeiros socorros para o patrimônio em risco: entrevista com Ambulance for Monuments

Ambulance for Monuments é uma iniciativa de primeiros socorros dedicada a salvaguardar o patrimônio construído ameaçado da Romênia, operando em uma corrida contra o tempo para evitar colapsos e perdas irreversíveis. O projeto responde à crescente vulnerabilidade das estruturas históricas — de igrejas fortificadas saxônicas e casas senhoriais a igrejas de madeira e marcos rurais — muitas das quais não se beneficiam mais das redes comunitárias que uma vez as sustentaram. Em um país profundamente afetado pela emigração desde 1990, onde quase metade da população ainda vive em áreas rurais, aldeias inteiras perderam os habitantes, suas habilidades e cuidados diários que uma vez mantiveram esses monumentos de pé.

Construída em torno de uma unidade de intervenção móvel — uma "Ambulância" equipada com ferramentas, andaimes e equipamentos — a iniciativa realiza trabalhos de estabilização urgentes que compram tempo para edifícios ameaçados. Em vez de substituir a restauração completa, essas intervenções estratégicas preservam o tecido histórico, garantem a segurança estrutural e mantêm a conservação a longo prazo e a reutilização adaptativa possíveis. 

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Entre reuso e novos modos de trabalhar: lições dos vencedores latino-americanos do Design Awards da Shaw Contract

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Uma premiação de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias passam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract tem se consolidado como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.

Mapeando a Tecnosfera: Arquitetura como Interface entre Sistemas e Territórios

A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.

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O que é a Tecnosfera e por que ela redefine a Arquitetura?

Em um momento em que satélites orbitam o planeta, cabos submarinos sustentam a circulação global de dados e algoritmos organizam a vida cotidiana, uma pergunta emerge no campo da arquitetura: em que escala estamos, realmente, projetando hoje em dia?

Se antes o projeto se articulava principalmente a condições locais ou regionais, hoje ele é atravessado por cadeias que começam na extração de recursos, passam por sistemas industriais e se estendem por infraestruturas planetárias muitas vezes invisíveis e que operam de forma contínua e interdependente.

É nesse deslocamento que a arquitetura passa a operar como mediadora de um campo muito maior, a tecnosfera.

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Conheça os projetos vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

Três projetos brasileiros foram escolhidos como vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 pelo público do ArchDaily Brasil. Após três semanas de votação pública, mais de 700 projetos foram reduzidos a 15 finalistas, encerrando o processo com três grandes vencedores que representam o melhor da arquitetura lusófona.

LANA: suporte ergonômico para notebooks e as novas dinâmicas do espaço de trabalho

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O trabalho já não acontece em um único lugar. Ele se desloca, se fragmenta e se adapta. Pode começar em um escritório, seguir para uma cabine acústica, passar por um espaço compartilhado e terminar em casa. Nesse percurso, o notebook se torna um elemento constante. À medida que o trabalho se torna mais móvel, as configurações espaciais também passam a acompanhar essa condição.

Coreografando Lagos: Dele Adeyemo fala sobre dança, cosmologia e práticas espaciais

Exu matou um pássaro ontem com a pedra que só jogou hoje. O provérbio iorubá narra, ao mesmo tempo, uma história de reparação e de ancestralidade, ao dobrar de forma lúdica as convenções de espaço-tempo e acessar o passado por meio de ações no presente. A frase oferece uma entrada poética para tradições mais amplas da África Ocidental e para a prática do artista e arquiteto escocês-nigeriano Dele Adeyemo. Nomeado um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, seu trabalho articula ecologia, espiritualidade, dança e território, investigando como práticas culturais corporificadas podem gerar possibilidades espaciais alternativas, tanto dentro quanto em oposição à arquitetura do capitalismo racial.

Nascido na Nigeria e criado no Reino Unido, Adeyemo visita Lagos há muitos anos. A partir dessa relação, desenvolveu um amplo corpo de pesquisa sobre práticas coletivas de movimento que antecedem o capitalismo e oferecem inteligências espaciais distintas, muitas vezes imaginativas, operando em paralelo aos sistemas dominantes. O ArchDaily conversou com Dele sobre suas práticas artísticas e pedagógicas, e sobre como ele identifica sofisticação projetual onde arquitetos frequentemente percebem carência.

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Incerteza e movimento: livro explora o labirinto como leitura da arquitetura

A arquitetura costuma ser narrada a partir de princípios como ordem, clareza e funcionalidade. Em O Livro dos Labirintos, Francesco Perrotta-Bosch propõe outra entrada possível: pensar a disciplina a partir do labirinto — uma estrutura que, desde sua origem mítica, opera por meio do desvio, da ambiguidade e da perda de orientação.

Partindo do Labirinto de Creta, atribuído a Dédalo na mitologia grega, o autor desloca a discussão sobre a origem da arquitetura para um campo menos associado à racionalidade construtiva e mais próximo da experiência espacial. A questão que orienta o livro é direta: por que a arquitetura teria começado com uma forma que subverte linearidade e legibilidade?

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Arquivo: Des-construção e reuso de materiais para uma arquitetura circular

O setor da construção civil enfrenta hoje um paradoxo incontornável: a necessidade urgente de soluções sustentáveis para o futuro das cidades colide com o esgotamento do próprio termo "sustentabilidade", muitas vezes reduzido a um selo comercial vazio. Diante desse cenário, a Arquivo — uma das vencedoras do prêmio Next Practices 2025 do ArchDaily — emerge como uma facilitadora e uma mediadora entre os diferentes agentes no campo da construção a partir da desmontagem – ou ainda, des-construção – e o reuso de elementos construtivos. Etimologicamente, se "construir" deriva do latim construere ("amontoar, reunir"), o prefixo "des-" impõe uma inversão conceitual: não se trata de destruir, mas de desmontar com inteligência para compreender a lógica das partes.

Enquanto a prática convencional das demolições gera um grande volume de resíduos e gasto energético, a Arquivo propõe o reuso como uma alternativa viável para a economia circular. A empresa atua na lacuna entre o descarte e a nova obra, operando sob uma premissa clara: “O reuso só se dá por completo quando o material ganha uma nova vida”.

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Últimos dias para votar nos finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

O anúncio do Prêmio Obra do Ano 2026 está próximo, com apenas dois dias restantes para o encerramento da etapa final de seleção. Os três vencedores serão divulgados no dia 16 de abril, após três semanas de votação pública. Os 15 finalistas compõem um retrato do estado atual da arquitetura segundo a opinião do público, que tem votado em suas obras favoritas.

Veja os 15 finalistas e faça parte de uma rede imparcial de jurados responsável por eleger os projetos mais relevantes do último ano construídos em países de língua portuguesa. Nesta etapa final, cada pessoa pode votar em um projeto por dia até o dia 15 de abril às 19h00 (horário de Brasília).

Os 15 finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

Ao longo das últimas duas semanas, a comunidade do ArchDaily Brasil nomeou mais de 14 mil projetos, resultando em 15 finalistas que representam algumas das obras arquitetônicas mais emblemáticas publicadas no último ano. Em sua 10ª edição, o Prêmio Obra do Ano existe para reconhecer o melhor da arquitetura nos países de língua portuguesa, a partir da escolha dos próprios leitores. Os finalistas compõem um retrato do estado atual da arquitetura, seja em projetos residenciais, urbanos, culturais e outros programas.

Representando Brasil e Portugal, os 15 projetos refletem as necessidades de seus contextos específicos por meio de soluções criativas propostas por arquitetos locais. De reformas de interiores a intervenções urbanas de grande escala, passando por residências unifamiliares e projetos comunitários, a seleção é heterogênea, mas unida por um traço comum: o reconhecimento do público, que busca ver suas próprias aspirações representadas.

Além da Terra Firme: Projetos de Arquitetura Flutuante Redefinindo o Ambiente Construído

Construir sobre a água significa abrir mão de uma parte da construção que é, literalmente, a base da maior parte do nosso ambiente construído: a própria fundação. Em um ambiente cercado por água, as correntes e a oscilação do nível da superfície são variáveis que simplesmente não podem ser ignoradas, e justamente por isso a característica mais emblemática comum a esses projetos é a sua adaptabilidade.

Em vez de bases robustas e profundas — como estacas ou tubulões — , responsáveis por fincar a arquitetura no chão, arquiteturas flutuantes frequentemente utilizam soluções como pontões de concreto e tonéis plásticos para impedir que o edifício afunde, usualmente somados a elementos de ancoragem para "fixá-las", mesmo que temporariamente, a determinado local.

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Repensando a arquitetura na escala dos sistemas planetários

A arquitetura tem sido tradicionalmente descrita como uma disciplina voltada ao espaço, à forma e à materialidade. No entanto, essa compreensão se mostra cada vez mais limitada diante das condições que moldam a construção contemporânea. Os edifícios já não surgem de uma relação estável entre lugar, programa e matéria. Em vez disso, são produzidos dentro de uma densa rede de sistemas tecnológicos que operam em escalas territoriais, ecológicas e temporais. Redes de energia, infraestruturas de dados, processos de extração e cadeias logísticas globais passam a influenciar a arquitetura de maneira tão decisiva quanto o clima ou o contexto urbano.

Sob essa perspectiva, a arquitetura deixa de ser um objeto isolado e passa a ser entendida como um momento dentro de um campo técnico mais amplo. Cadeias de suprimento, sistemas de dados, manutenção automatizada e redes energéticas não estão “por trás” do ambiente construído — elas o constituem. De certo modo, determinam o que pode ser construído, o que é economicamente viável, como os edifícios se comportam ao longo do tempo e que tipos de resíduos produzem. Quando a arquitetura é analisada principalmente pela forma, corre-se o risco de ignorar os sistemas que condicionam sua produção e seu pós-uso.

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Últimos dias para escolher os finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

Com apenas cinco dias até o anúncio dos finalistas, ainda há tempo para escolher seus projetos favoritos ao Prêmio Obra do Ano 2026. Maior premiação arquitetônica do mundo lusófono, decidida por voto popular, o Obra do Ano existe para reconhecer os melhores projetos arquitetônicos publicados todo ano no ArchDaily Brasil.

No dia 8 de abril, serão revelados os 15 finalistas, escolhidos pela comunidade ArchDaily ao longo dessas duas semanas de nomeações. Ao nomear projetos, cada leitor passa a fazer parte de uma rede imparcial de jurados, dando visibilidade ao que há de melhor na arquitetura dos países de língua portuguesa.

Projetando uma cidade sensorial: Arquitetura, poluição luminosa e ruído urbano

Ao longo da maior parte da história humana, a noite chegava como uma certeza planetária. A escuridão se espalhava pela paisagem, e o céu revelava milhares de estrelas. Hoje, esse céu está desaparecendo. A luz artificial se projeta das cidades para cima, se dispersa na atmosfera e transforma a noite em uma névoa permanente. Estudos que mapeiam o brilho do céu em escala global mostram que mais de 80% da humanidade vive sob céus poluídos por luz, e a Via Láctea já não é visível para mais de um terço da população mundial. Embora esse fenômeno costume ser discutido no campo da astronomia, suas causas estão profundamente ligadas ao ambiente construído. Edifícios emitem luz, a refletem em fachadas de vidro e estendem sua iluminação muito além de seus limites físicos. Na tecnosfera — o vasto sistema de infraestruturas e materiais criado pelos humanos — a arquitetura passa, assim, a moldar não apenas o espaço físico, mas também as condições sensoriais que o envolvem.

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A computação tem peso: a infraestrutura da IA e a arquitetura da cidade

À medida que a inteligência artificial continua transformando setores da economia e reconfigurando indústrias inteiras, instituições e indivíduos se veem obrigados a se preparar — e a se adaptar rapidamente — às mudanças que essas tecnologias parecem impor. No entanto, a pressão mais precisa não está apenas na forma como a IA altera o modo de trabalhar e viver, mas nos modelos de negócio e nas lógicas de investimento das empresas que a desenvolvem: a concentração de capital, as novas demandas por capacidade computacional, a corrida por talentos altamente especializados e a infraestrutura necessária para sustentar esse ecossistema. Na Grande Baía — ancorada por Guangzhou, Shenzhen e Hong Kong — essa dinâmica é particularmente evidente. Iniciativas governamentais vêm acelerando o crescimento do setor, com políticas e instrumentos de planejamento começando a traduzir um campo aparentemente intangível em forma física: revisões de zoneamento, destinação de terrenos e o surgimento de tipologias arquitetônicas voltadas à IA, de laboratórios de pesquisa a grandes centros de dados.

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Prêmio Obra do Ano 2026: nomeações abertas

Dez anos atrás, o ArchDaily Brasil lançou a primeira edição do Prêmio Obra do Ano. Durante esta última década, centenas de projetos arquitetônicos têm sido reconhecidos como os melhores do mundo lusófono, graças à inteligência coletiva dos leitores do ArchDaily Brasil.

Hoje começa o Prêmio Obra do Ano 2026, e mais uma vez contamos com a comunidade do ArchDaily Brasil para escolher as melhores obras construídas em território de língua portuguesa. Durante as próximas três semanas, vocês serão os responsáveis por escolher os 15 finalistas e os 3 vencedores desta edição.

Participam todas as obras publicadas durante 2025, dos seguintes países: Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Guiné Equatorial, Macau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Nesta primeira fase, os leitores podem nomear uma obra por día para passar à etapa dos finalistas, que serão anunciados no dia 8 de abril.

Mapear o espaço sem a visão: a arquitetura sensorial do SEAlab

Fundado em 2015 em Ahmedabad por Anand Sonecha, o SEAlab é um escritório moldado por uma abordagem lenta e contemplativa em relação ao lugar, à proporção e à participação. Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio constrói com materiais simples e técnicas locais, buscando criar ambientes que sejam experimentados tanto quanto vistos. Esse ethos tornou-se particularmente tangível em Gandhinagar, onde a Escola para Crianças Cegas e Deficientes Visuais não começou como uma instituição projetada especificamente para esse fim. A escola funcionava em um edifício de ensino fundamental já existente, com salas de aula sobrepostas a dormitórios e doze crianças dividindo um único quarto. O espaço era limitado, assim como as possibilidades de crescimento. O novo edifício acadêmico precisava ampliar a capacidade, melhorar as condições de permanência e favorecer uma maior autonomia dos estudantes.

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Quem é Smiljan Radić Clarke? 10 fatos sobre o ganhador do Prêmio Pritzker 2026

Smiljan Radić Clarke, vencedor do Prêmio Pritzker 2026, é um arquiteto chileno contemporâneo conhecido por sua abordagem projetual experimental, com uma prática que equilibra o elementar com o íntimo, o monumental com o frágil. Ao longo de mais de três décadas, Radić desenvolveu uma arquitetura que resiste à repetição e à categorização estilística convencional, favorecendo, em vez disso, intervenções profundamente específicas ao local, materialmente sensíveis e culturalmente reflexivas.

Seu trabalho negocia permanência e impermanência, memória e imaginação, criando edifícios que tratam tanto da experiência e emoção humanas quanto da estrutura e forma. Em residências, instituições culturais e instalações temporárias, a arquitetura de Radić destaca a interação entre contexto, materiais e os gestos sutis que moldam a forma como os espaços são habitados e percebidos.

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Smiljan Radić Clarke recebe o Prêmio Pritzker 2026, o artista da arquitetura silenciosa

O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke foi anunciado como o laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura 2026, considerado uma das maiores honras no campo da arquitetura. O prêmio reconhece Radić por um corpo de trabalho que explora a arquitetura através da experimentação de materiais, percepção espacial e um cuidadoso engajamento com a paisagem e o contexto. Nascido em Santiago, Chile, onde continua a viver e trabalhar, Radić lidera o escritório Smiljan Radić Clarke, estabelecido em 1995. Ele se junta a uma lista ilustre de laureados anteriores, incluindo Liu Jiakun em 2025, Riken Yamamoto em 2024, David Chipperfield em 2023 e Diébédédo Francis Kéré em 2022.

A arquitetura de Radić opera dentro de um território onde a experiência fenomenológica do espaço precede a explicação. Seus edifícios frequentemente parecem silenciosos, elementares e resistentes a uma interpretação verbal fácil, encorajando os visitantes a experienciá-los através do movimento, atmosfera e percepção, em vez de por meio da expressão formal. 

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