
Três projetos brasileiros foram escolhidos como vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 pelo público do ArchDaily Brasil. Após três semanas de votação pública, mais de 700 projetos foram reduzidos a 15 finalistas, encerrando o processo com três grandes vencedores que representam o melhor da arquitetura lusófona.
Nesta edição, o primeiro lugar foi para o projeto Complexo Gastronômico da Sabiaguaba, do escritório Architectus S/S, um projeto que potencializa os atributos turísticos e paisagísticos do encontro entre o rio e o mar em Fortaleza. O segundo lugar ficou com o Cultura Artística, um projeto elaborado em conjunto entre os escritórios Pedro e Paulo Bruna Arquitetos Associados, MLD RAI e Acústica & Sônica, que interviu cuidadosamente no projeto original da década de 1940 de Rino Levi, Roberto Cerqueira Cesar e F. Pestalozzi. Por fim, a Casa das 7 Árvores, do escritório Hersen Mendes Arquitetura, um projeto cuidadosamente inserido no terreno em respeito à vegetação existente, ficou com o terceiro lugar.
O Prêmio Obra do Ano é resultado do esforço coletivo de nossas leitoras e leitores que votaram e selecionaram os 15 finalistas e, posteriormente, os três vencedores. O ArchDaily agradece sua participação em mais uma edição deste prêmio da arquitetura lusófona.
O Prêmio Obra do Ano 2026 é apresentado pela Dornbracht, empresa conhecida internacionalmente por seus produtos para cozinhas e banheiros.
1º Lugar: Complexo Gastronômico da Sabiaguaba / Architectus S/S

Mar e Rio. Água doce e água salgada. O encontro do Rio com o Mar na região da Sabiaguaba, em Fortaleza, tem uma das paisagens mais privilegiadas da cidade. Os guardiões dessa beleza natural, as famílias tradicionais da Sabiaguaba, reivindicavam há tempos a construção de um polo gastronômico que aproveitasse o potencial turístico e paisagístico da região, protegesse a fauna e flora locais e gerasse emprego e renda para os nativos (termo com o qual eles se orgulham de se identificar).


Da luta da comunidade, nasceu o Complexo Ambiental e Gastronômico da Sabiaguaba. Às margens do Rio Cocó, em sua área próxima à foz, a edificação caracteriza-se por uma estrutura de geometria simples e semienterrada, tanto para aproveitar o desnível acentuado do terreno, como para deixar a vista privilegiada da paisagem livre de qualquer barreira visual.
2º Lugar: Cultura Artística / Pedro e Paulo Bruna Arquitetos Associados + MLD RAI + Acústica & Sônica

Desde 1919, a Sociedade de Cultura Artística acalentou ter seu próprio teatro. Projetado em 1942 pelos arquitetos Rino Levi, Roberto Cerqueira Cesar e F. Pestalozzi, o Teatro Cultura Artística, foi construído entre 1947 e 1949. A inauguração realizada nas noites de 08 e 09 de março de 1950 foi marcada por dois extraordinários concertos regidos por Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, preparados para a ocasião, marcaram a abertura do que na época era um dos maiores e mais modernos complexos culturais da América Latina. Na madrugada de domingo, 08 de agosto de 2008, o teatro foi praticamente destruído por um incêndio, restando intactos apenas o foyer inferior, o superior e o magnífico painel. A Diretoria da Sociedade de Cultura Artística definiu que o novo teatro seria construído exatamente no mesmo local.


O partido adotado preserva e recupera os espaços frontais separados da plateia pelas portas corta-fogo. Já as salas de espetáculo, circulações e áreas de apoio foram projetados com os mais modernos preceitos de tecnologia, acústica e segurança. As área de convívio do térreo e do primeiro andar são abertas ao público durante o dia, com uma nova livraria e um café, além da programação educacional que a instituição vem desenvolvendo durante os últimos anos, que agora conta com uma infraestrutura de excelência. O prédio deve manter o quarteirão com vida, mesmos nos horários sem espetáculos, e a transparência da fachada ajuda a fazer a ligação do interno com a rua, trazendo o pedestre para este universo de arte e cultura. O Painel do Di Cavalcanti é agora acompanhado pelas tapeçarias da Sandra Cinto, que emolduram o novo átrio conectado a Praça Roosevelt.
3º Lugar: Casa das 7 Árvores / Hersen Mendes Arquitetura

Localizada em um terreno dentro do cerrado brasileiro, a Casa das 7 Árvores, desenvolvida pelo escritório Hersen Mendes Arquitetura, foi projetada para equilibrar o natural e o construído, estabelecendo uma relação única entre a residência e a natureza do entorno. "Queremos entrar em casa e sentir como se estivéssemos saindo dela", era o pedido dos clientes. Com essa premissa, o projeto partiu da vegetação natural do terreno — especialmente das árvores, que foram mapeadas, preservadas e incorporadas à concepção arquitetônica. O nome da residência homenageia as sete árvores que orientaram sua implantação.


Além da integração com a natureza, priorizou-se o uso de materiais locais, como tijolos ecológicos produzidos sem queima, minimizando impactos ambientais. A casa também conta com um sistema de energia fotovoltaica para complementar seu consumo energético.
As descrições das obras são de autoria dos escritórios e foram retiradas dos memoriais de projeto.









