Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Estabeleceu-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como possíveis linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a coesão comunitária e para novos usos em espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela como diversas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, a depender de quem se desloca por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.
Laab Is More / Sifah Studio. Tailândia. Imagem cortesia de NS BlueScope
Embora a arquitetura frequentemente responda a um programa de necessidades específico, considerando áreas, contextos e diversas condicionantes econômicas e técnicas, os edifícios raramente permanecem os mesmos ao longo de sua vida útil. Programas, dinâmicas espaciais e as necessidades dos/as usuários/as se transformam, assim como as condições ambientais, econômicas e tecnológicas, exigindo intervenções que provavelmente não foram previstas no início do projeto. Estruturas de aço tornam possível conceber uma arquitetura capaz de crescer, se transformar, ser desmontada e remontada. Sua precisão dimensional, componentes industrializados e o potencial de conexões mecânicas viabilizam o projeto de sistemas abertos preparados para futuras intervenções.
Todos os anos, em 13 de outubro, o Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres (IDDRR) chama a atenção para as formas como as comunidades podem reduzir a exposição e a vulnerabilidade a perigos. Instituída pela Organização das Nações Unidas em 1989, a data oferece uma oportunidade para refletir sobre como governos, comunidades e profissionais podem fortalecer a preparação e a resiliência antes que os desastres ocorram. Para a edição de 2026, o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR) escolheu "A Resiliência Começa em Casa" como tema, colocando a habitação no centro da campanha deste ano.
Tiveram início as obras da Frank Liu Jr. Academy for Music and Arts (FLAMA) em Houston, Texas, projetada pelo OMA, sob a liderança do sócio Jason Long, com o escritório RDLR Architects como arquiteto de registro e o SWA Group responsável pelo projeto de paisagismo. O projeto consiste na reconversão e reuso adaptativo da histórica fábrica de café J. A. Folger & Co., da década de 1930, em Houston, transformada em um espaço educacional voltado às artes. A instalação de 6.050 m² será uma escola pública autônoma (charter school) de matrícula aberta e gratuita, atendendo a estudantes desde a educação infantil até o oitavo ano do ensino fundamental. O edifício localiza-se ao longo do corredor Buffalo Bayou East, em Houston, logo em frente ao Turkey Bend, um projeto de paisagismo assinado por Reed Hilderbrand com NADAAA e Rogers Partners que reimagina a antiga orla industrial como uma rede de espaços públicos e paisagens adaptadas a enchentes. A conversão da antiga fábrica de café faz parte de uma transformação mais ampla da região, com previsão de inauguração para agosto de 2027.
Cidade do México. Imagem por Eduardo Enriquez, via Unsplash
A Cidade do México é uma vasta metrópole de temporalidades sobrepostas, onde a arquitetura atua como uma negociação contínua entre uma história profundamente enraizada e uma intensa mutação urbana. Construída sobre os vestígios aquáticos de Tenochtitlán, a malha urbana é um diálogo contínuo entre eras: a escala monumental do Templo Mayor pré-hispânico e a arquitetura vice-reinal da Catedral Metropolitana coexistem com os impulsos modernos e contemporâneos que definem seu perfil urbano. Essa justaposição densa cria um cenário urbano único, onde a geografia sagrada, a imposição colonial e a ambição do século XX se cruzam.
Os meados do século XX marcaram uma era definitiva de experimentação, forjando um modernismo mexicano que sintetizou com maestria o racionalismo estrutural internacional com a identidade e a materialidade locais. Essa síntese é simbolizada pela vasta integração plástica entre arte e arquitetura na Ciudad Universitaria, pela poesia estrutural das cascas paraboloides hiperbólicas de Félix Candela e pelo brutalismo cru e monumental de Teodoro González de León e Abraham Zabludovsky. Paralelamente, o domínio íntimo e introspectivo de Luis Barragán e Juan O'Gorman redefiniu o espaço doméstico, experimentando com a luz, as cores vernáculas e a honestidade tectônica para criar espaços de profunda quietude espacial.
Uma cor tem uma biografia. Ela pode ter uma origem, mas também se transformar. Pode transitar entre materiais e disciplinas, de uma prática local para a arquitetura, do ordinário ao simbólico. Pode perder uma associação e adquirir outra, ou persistir sem que ninguém a considere conscientemente como algo cultural. Sua vida se desenrola a partir das condições em que é produzida, utilizada, repetida e habitada. À medida que essas condições mudam, transformam-se também os significados que ela pode carregar.
O interior é o local onde essas histórias convergem. A cor dentro de um cômodo pode carregar vestígios de um território, de uma prática material, de um clima ou de uma história de habitação. Sua presença não depende necessariamente de uma intenção de representar qualquer um desses aspectos.
A cor pode passar a integrar um lugar pela continuidade dos materiais e dos modos de vida, adquirindo um significado que extrapola a superfície na qual se apresenta.
Tsuyoshi Tane é um arquiteto japonês nascido em 1979 em Tóquio e radicado em Paris, onde fundou o ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects em 2006. Com atuação em projetos culturais, institucionais e de paisagismo, Tane desenvolveu uma abordagem arquitetônica que posiciona a memória como diretriz fundamental do projeto. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, gravada em seu estúdio em Paris, ele reflete sobre a arquitetura como uma disciplina de observação e pensamento, argumentando que o design significativo surge de uma leitura atenta dos vestígios contidos em um terreno. Para ele, a arquitetura não é produzida a partir de uma tela em branco, mas começa com uma investigação sobre o que já existe física, cultural e emocionalmente sob a superfície de um lugar.
A segunda parte do Utopian Hours 2026, festival internacional de city-making, será realizada em Turim nos dias 16 e 17 de outubro. Após um primeiro capítulo em Roterdã, o festival celebra sua edição de décimo aniversário retornando à sua cidade natal, na Itália. A programação e o projeto cultural do evento foram concebidos para explorar como as cidades podem responder de forma criativa aos desafios sociais, ambientais e políticos do século XXI. O festival Utopian Hours é organizado desde 2017 pela Stratosferica, uma associação cultural sem fins lucrativos dedicada a produzir e compartilhar conhecimento urbano por meio de conteúdos sobre a evolução das cidades, estratégias de comunicação urbana, eventos, engajamento comunitário (community building) e placemaking.
Ondas de calor estão se tornando cada vez mais frequentes em todo o mundo, levando arquitetos e arquitetas a reconsiderarem como as envoltórias dos edifícios são concebidas e projetadas. O foco não está mais apenas em limitar a perda de calor durante os meses mais frios, mas também em controlar a quantidade de calor que entra nas edificações durante períodos de radiação solar intensa. Ao compreender o sombreamento solar como uma decisão de projeto — e não como um elemento meramente decorativo ou de condicionamento interno —, ele passa a integrar as estratégias passivas de eficiência energética, que podem contribuir para o conforto térmico e visual ao mesmo tempo em que reduzem a demanda por resfriamento.
Conforme as cidades se transformam, nossas expectativas sobre elas também mudam. Cada vez mais, as pessoas demandam espaços de acolhimento: locais públicos abertos a todas as idades e gêneros, a natureza ao alcance de todas as classes sociais e ambientes que promovam o convívio. Poucas premissas de projeto sintetizam tão bem esses anseios quanto os espaços voltados para a infância. Esta seleção de projetos não construídos, enviados por leitores e leitoras do ArchDaily, apresenta diferentes abordagens para uma arquitetura baseada no cuidado. Escolas, creches, uma biblioteca, um centro de juventude e um novo modelo de orfanato assumem a missão de proporcionar um ambiente seguro e estimulante para as crianças em todas as etapas de seu desenvolvimento. Ainda não construídas, mas cuidadosamente projetadas, essas propostas oferecem um vislumbre de espaços de brincar, aprender e acalmar que alimentam a criatividade no design para pessoas de todas as idades.
A ONU-Habitat anunciou os cinco premiados do Scroll of Honour Award de 2026, reconhecendo contribuições para a habitação adequada e o desenvolvimento urbano sustentável no Brasil, Myanmar, Paquistão, Tunísia e Reino Unido. Os vencedores deste ano incluem uma organização de habitação que trabalha com comunidades afetadas por conflitos e deslocamentos forçados, um/a pesquisador/a que desenvolve materiais de construção a partir de resíduos locais e de mineração, uma aldeia indígena no Brasil, uma agência de habitação pública no Paquistão e o prefeito de Londres, Sadiq Khan. Selecionados entre 101 candidaturas enviadas de toda a África, Ásia, Europa e Américas, os premiados representam uma variedade de abordagens para enfrentar os desafios de habitação e desenvolvimento urbano.
A expansão de 9.300 metros quadrados (100.000 pés quadrados) do campus da Colburn, projetada por Frank Gehry, será inaugurada em 25 de setembro de 2027, com um evento no novo Terri and Jerry Kohl Hall, uma sala de concertos em formato circular com capacidade para 1.000 pessoas. A Colburn é uma escola de música e dança em Los Angeles, em um campus no centro da cidade que recebe cerca de 10.000 pessoas semanalmente. A instituição oferece formação em artes cênicas, além de promover anualmente mais de 500 apresentações de música e dança abertas ao público. As primeiras imagens do projeto foram divulgadas em 2022. A expansão triplica as instalações atualmente dedicadas à dança e abrigará o Trudl Zipper Dance Institute da Colburn. O edifício, com acabamento em revestimento rosa metálico, está localizado ao lado do campus da Grand Avenue da Colburn, no centro de Los Angeles, e deve ter suas obras concluídas no verão do hemisfério norte de 2027.
As terras conquistadas à água são frequentemente apresentadas como um novo solo: plano, disponível e pronto para a arquitetura. Elas prometem mais espaço às cidades onde a terra é escassa, permitindo-lhes estender frentes de água e construir distritos culturais. Em alguns casos, essas novas áreas conquistadas também se convertem em centros financeiros, dão origem a parques e projetam futuros além dos limites do território existente. No entanto, a terra conquistada nunca é apenas terra. Trata-se de uma superfície de engenharia, produzida por meio de aterros, diques, sistemas de drenagem e estabilização do solo — uma negociação de longo prazo com a água que ela afirma ter deslocado.
Isso faz da conquista de terras uma das fantasias espaciais mais poderosas e ambíguas da arquitetura. Por um lado, oferece liberdade: uma tábula rasa onde ruas e edifícios podem ser planejados praticamente do zero. Por outro, essa aparente liberdade esconde uma dependência. A terra construída deve constantemente se provar como solo firme. Ela precisa resistir a inundações, suportar fundações, nutrir árvores e sustentar a vida pública sobre um terreno que antes simplesmente não existia.
A arquitetura tradicional da água raramente era um objeto isolado. Em Ahmedabad, a gestão dos recursos hídricos estava integrada à própria organização da cidade. Nos pols históricos (bairros residenciais tradicionais), poços, pátios e as Tankas subterrâneas faziam parte de um sistema distribuído de armazenamento de água doméstico e comunitário. Um estudo de 2026 publicado na revista Built Heritage estima que quase 10.000 Tankas ainda possam existir em Ahmedabad, muitas localizadas sob pátios residenciais.
Centro de Saúde e Bem-Estar Beijing Taikang Yanyuan. Imagem Cortesia de Serge Ferrari
Na história dos Três Porquinhos, a escolha do material determina o destino de cada casa. O sopro do lobo derruba as estruturas feitas de palha e madeira, enquanto a casa de tijolos permanece de pé. A moral é que, quanto mais sólida a construção, maior sua capacidade de resistência. Um edifício, no entanto, precisa responder a questões muito menos simples. Permanecer de pé continua sendo essencial, mas calor, luz, ar e som não são forças que necessariamente precisam ser bloqueadas. Às vezes, a luz solar deve ser evitada; em outras, a luz natural precisa entrar. Reter o calor pode ser desejável no inverno e contraproducente no verão. O ar precisa circular, o som pode precisar ser absorvido, e as condições que determinam essas respostas mudam ao longo do dia, das estações e da própria vida útil da edificação. Mais material não significa necessariamente um melhor desempenho. Em alguns casos, pode simplesmente adicionar complexidade sem melhorar a forma como o edifício responde.
Além de fotografar os estúdios, Goodwin fez a mesma pergunta a cada escritório: "O que constitui um bom espaço de escritório e uma boa cultura de trabalho para você?" Suas respostas acompanham as imagens, oferecendo uma perspectiva de como os/as arquitetos/as definem a atmosfera de seus ambientes de trabalho. O Studio Okami descreve seu local de trabalho como um "home office fora de casa", enquanto o Brut destaca o papel das refeições compartilhadas e da vegetação para suavizar o espaço de sua cobertura.
Design House. Image Cortesía de Design Week Mexico
Até 11 de outubro de 2026, a Cidade do México se transforma mais uma vez em um epicentro global de inovação e excelência criativa com a abertura da Design Week México 2026 (#DWM26). Esta edição adota uma visão curatorial mais ampla e diversa, convidando tanto o público quanto profissionais do design a refletirem sobre a disciplina a partir de perspectivas globais, fluidas e inclusivas que vão além das abordagens tradicionais.
A semana começou com o Dia Mundial da Arquitetura, chamando a atenção para a crise global de moradia como um elemento fundamental da dignidade humana, inclusão e bem-estar. Em uma mensagem conjunta entre a UIA e as Nações Unidas, o apelo deste ano é para concentrar os esforços da disciplina na construção não apenas de estruturas residenciais, mas também de sistemas para melhor distribuir e utilizar o que já existe, com propostas que possibilitem novas formas de viver e alternativas para uma indústria mais sustentável. Em sintonia com esse conceito, destacamos três projetos onde o reuso e a representação convergem, e outros três que ajudam a estabelecer um diálogo entre o que consideramos antigo e o que podemos esperar do novo. No radar desta semana, encontramos também uma oportunidade para reexaminar os cânones da arquitetura moderna na Suíça, o início da construção de um edifício translúcido, mas resistente a furacões nos Estados Unidos, e o projeto vencedor para um complexo urbano de uso misto na Áustria.
Muito além do simples transporte de mercadorias de um ponto a outro, os contêineres marítimos se tornaram um material de construção recorrente nos EUA, servindo de base para tudo, desde minicasas e piscinas até escritórios de canteiro de obras e oficinas. No entanto, dada a extensão territorial do país e a diversidade de climas em suas fronteiras, as abordagens para a arquitetura de contêineres podem variar significativamente de estado para estado, e até mesmo de município para município.
A conversão de um contêiner no sudoeste desértico enfrenta condições muito diferentes daquela realizada na Nova Inglaterra, ao passo que projetos ao longo da Costa do Golfo precisam lidar com umidade, tempestades e maresia. Essas disparidades regionais influenciam desde o isolamento e a ventilação até a cobertura, as fundações e a proteção externa. A seguir, analisamos em detalhes essas abordagens regionais, os desafios climáticos locais a serem considerados antes da construção e as adaptações necessárias para superá-los.
O Portão Norte de Taipé, também conhecido como Beimen, ergue-se não apenas como um lembrete da complexa história da cidade, mas também como testemunha das transformações da paisagem urbana ao seu redor e da mudança de atitude em relação aos espaços urbanos no entorno de edifícios de patrimônio histórico. Inicialmente uma fronteira imperial chinesa, poupado da demolição durante o domínio colonial japonês e espremido por viadutos e rodovias nos esforços de modernização do pós-guerra, o portal recuperou recentemente seu status de destaque graças ao desenvolvimento da praça que hoje o emoldura. A resiliência do monumento diante das oscilações nas prioridades urbanas e nas políticas arquitetônicas revela que a preservação do patrimônio ocorre não apenas através da forma construída, mas também pelos espaços abertos que a circundam.
O escritório de arquitetura HENN lançou a CarbonBudget, uma ferramenta digital que calcula orçamentos de CO2 específicos para projetos de edifícios. A nova plataforma, gratuita, é uma contribuição para que profissionais de design ajudem a atingir a meta de 1,5 °C, um objetivo global do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global de longo prazo a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Como a indústria da construção civil é responsável por cerca de um terço das emissões globais de CO2, as decisões de projeto de arquitetura podem contribuir de maneira eficaz para conter o aquecimento global. A ferramenta foi desenvolvida para calcular se as emissões de um projeto arquitetônico na Europa são compatíveis com a meta do Acordo de Paris, com base em dados específicos como localização e área construída. A nova plataforma se junta a outros projetos de escritórios internacionais, como o CarbonSpace, do MVRDV NEXT, e as plataformas Minoro, do Grimshaw, e OpenDetail, do Henning Larsen, que abordam a descarbonização por meio do compartilhamento de dados digitais.
Diante da crise climática e no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o reuso de materiais ganhou destaque nos campos da construção e da arquitetura nos últimos anos. Da "mineração urbana" às avaliações de ciclo de vida (ACVs), profissionais, organizações e pesquisadores/as exploram diferentes soluções e estratégias para enfrentar esse mesmo desafio global. O Project (Un)Build é uma iniciativa de pesquisa que desenvolve métodos de construção reversível em madeira com o uso de cintas e placas de fricção para facilitar o reuso de materiais. A iniciativa contribui para o debate e a reflexão contínuos sobre o próprio ato de construir.