
A arquitetura contemporânea aprendeu a celebrar a matéria viva. Painéis de micélio, sistemas de algas, paredes vivas — a vida agora é bem-vinda nos edifícios, sob a ótica da inovação. No entanto, a mesma disciplina que celebra esses organismos trata o mofo como contaminação. Ambos são biológicos. Ambos respondem à umidade, à temperatura e às condições dos materiais. A diferença não é científica; diz respeito a quais formas de vida a arquitetura está disposta a aceitar e quais prefere eliminar.
O mofo não se limita a edifícios abandonados ou interiores mal conservados. Ele surge em residências, escolas, escritórios, estruturas históricas e novas construções, nos mais diversos climas e contextos. Isso torna difícil ignorá-lo como um problema menor ou isolado. Se o mofo continua voltando, o que ele nos diz sobre os ambientes que os edifícios criam?
David Gissen descreve a fumaça, os gases de escape, a poeira, as multidões e a lama como formas da natureza que permanecem "pouco teorizadas, pouco discutidas e pouco visualizadas" na arquitetura. O mofo se enquadra nessa categoria. É altamente visível, mas raramente discutido de outra forma que não seja como um problema a ser resolvido.
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Designing for Time: Material Aging as a Design StrategyIsso tensiona uma das premissas mais familiares da arquitetura: a de que os edifícios servem para separar. Paredes dividem o interior do exterior. Telhados protegem da água. Fachadas regulam o calor, o ar e a umidade. O edifício torna-se uma barreira, protegendo um interior controlado do mundo em constante transformação ao seu redor.

Contudo, os edifícios não se limitam a manter o mundo exterior do lado de fora. Eles são moldados pelo que se move através deles, mesmo quando essas transformações permanecem ocultas sob as superfícies de acabamento. É aí que o mofo passa a ser mais do que um simples problema de manutenção. Ele surge onde essas transformações começam a deixar rastros: em uma parede fria, perto de um caixilho de janela, atrás de um móvel ou em um cômodo onde o ar raramente circula. Uma mancha não explica tudo, mas oferece uma pista. Mostra onde o edifício deixou de se comportar como um objeto hermeticamente fechado.
Os edifícios continuam a se transformar após a construção, moldados pelo clima, pela manutenção, pela ocupação e pelo tempo. O ar circula de forma irregular pelos ambientes. Algumas superfícies permanecem mais frias que outras. Certos espaços são usados com maior intensidade, ventilados com menor frequência ou mantidos com menos recursos. A partir dessas disparidades, o mofo começa a descrever o edifício como ele é vivido, e não apenas como foi projetado.
A questão não é apenas que os edifícios mudam, mas que a arquitetura frequentemente os representa antes que essa transformação comece. Desenhos, renders e fotografias costumam mostrar o edifício em seu momento de maior controle: limpo, completo e finalizado. O mofo surge depois, decorrente da ocupação, da manutenção, do clima e do tempo. Ele nos lembra de que a arquitetura não termina quando a construção acaba.
Essa tensão é visível mesmo em projetos que circulam no campo da arquitetura como imagens cuidadosamente compostas. No Convento de La Tourette, de Le Corbusier, as superfícies de concreto já não se apresentam apenas como expressões de estrutura e massa. Elas carregam manchas, áreas escurecidas e vestígios de umidade que fazem com que o edifício pareça exposto ao clima e ao tempo.

Na Mole House, do escritório Adjaye Associates, essas marcas tornam-se parte da presença da edificação. A fachada não é lida apenas por sua forma ou paleta de materiais, mas pelas superfícies expostas que absorveram o uso, a manutenção, a umidade e o tempo. A arquitetura permanece, mas é visualmente moldada pelas condições que continuam a afetá-la.

A Old Chapel, do O-office Architects, torna essa relação ainda mais explícita. O crescimento de vegetação e a descoloração surgem na superfície de concreto, mostrando como o material, a umidade e os processos biológicos podem se sobrepor. A parede já não é apenas um limite ou um acabamento; ela se torna o registro do ambiente que se forma ao seu redor.

O mofo torna essa condição mais difícil de ser ignorada. Diferentemente de simples manchas ou do desgaste pela ação do tempo, trata-se de um processo vivo. Ele se desenvolve de acordo com suas próprias condições — umidade, temperatura, porosidade do material e circulação de ar —, e não segundo a intenção do projeto. Sua presença desvia a atenção da mancha em si para o ambiente que a tornou possível.
O desconforto não é apenas técnico; é também cultural. A representação arquitetônica há muito privilegia imagens de limpeza, ordem e permanência. A parede branca imaculada tornou-se um dos símbolos mais duradouros da arquitetura moderna, reforçando a ideia de que edifícios bem-sucedidos são aqueles capazes de manter a sujeira, a umidade e o crescimento biológico sob controle.
Essa contradição é visível na maneira como a arquitetura contemporânea aborda a matéria biológica. Painéis de micélio, sistemas de algas, compósitos de base biológica, coberturas verdes e paredes vivas são frequentemente celebrados como marcos de inovação ambiental, provas de que a arquitetura pode trabalhar com a vida, e não contra ela. Contudo, essa receptividade impõe condições. A vida entra na arquitetura por meio de pesquisa, fabricação, especificação e manutenção. Ela é testada, controlada e recebe uma função dentro do projeto. É convidada justamente porque pode ser gerenciada.

O mofo ocupa uma posição distinta. Ele também é biológico, mas surge sem ser especificado. Desenvolve-se a partir das condições que o edifício gera, e não das intenções de seu projeto. Por essa razão, raramente é discutido com a mesma linguagem aplicada aos biomateriais ou sistemas vivos. Um é tratado como inovação; o outro, como contaminação.
Essa diferença importa porque altera a forma como a arquitetura compreende a responsabilidade. O mofo é frequentemente abordado como algo externo ao projeto, como se surgisse à margem da lógica do desenho. No entanto, ele costuma resultar de uma combinação de clima, comportamento dos materiais, manutenção, ocupação e da forma como o ar e a umidade circulam pela edificação. Ele não é dissociado da arquitetura; desenvolve-se graças às condições que a própria arquitetura ajuda a criar.

Isso torna o mofo útil como uma ferramenta para pensar o desempenho do edifício para além de sua conclusão. Uma parede pode ter sido detalhada corretamente, fotografada de forma impecável e finalizada conforme a especificação, mas ainda assim comportar-se de maneira diferente após a ocupação. O mobiliário pode obstruir a circulação de ar. Um cômodo pode ter um uso mais intenso do que o previsto. A manutenção pode tornar-se irregular. Uma superfície pode permanecer mais fria do que o ar ao seu redor. O mofo torna visíveis essas relações porque surge precisamente onde essas condições se cruzam. A questão não é se a vida pertence à arquitetura, mas sim quais formas de vida a arquitetura está disposta a aceitar. A arquitetura contemporânea frequentemente celebra as formas de vida que pode cultivar, direcionar e incorporar ao projeto, enquanto rejeita aquelas que expõem os limites desse controle.

O mofo não é apenas um organismo vivo no interior da arquitetura. Ele é também uma forma de informação. Ele não inventa as condições que o fazem surgir; ele responde a elas. Uma mancha pode registrar o acúmulo de umidade, a ventilação deficiente, as diferenças de temperatura, os padrões de ocupação ou uma manutenção que não acompanhou o ritmo de uso. Nesse sentido, o mofo produz um tipo de conhecimento sobre a edificação que plantas, cortes e renders são incapazes de revelar.

É isso o que o torna arquitetonicamente relevante. Os desenhos descrevem o desempenho pretendido de um edifício. O mofo revela como ele se comporta de fato ao longo do tempo. Trata-se de um documento produzido pela própria edificação, escrito lentamente por meio da umidade, do material, do uso e do clima.
O desconforto, portanto, não reside apenas no fato de o mofo estar vivo, mas de ele falar de fora dos sistemas de representação prediletos da arquitetura. Ele gera informações que a disciplina frequentemente trata como contaminação porque não se enquadram na imagem idealizada de como um edifício deve ser: limpo, completo, estável e sob controle. O mofo não é simplesmente a falha de uma superfície. É o retorno de tudo aquilo que a arquitetura tentou afastar de si mesma.
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Este artigo foi escrito por Daniela Andino. A tradução é gerada por IA.




















