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12 casas colombianas que usam tijolo aparente

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O tijolo é um dos materiais mais utilizados na Colômbia e um dos responsáveis por projetar a arquitetura local em escala global. Isso se deve à excelente qualidade da argila encontrada em algumas regiões do país. Além de revestir a maioria dos edifícios que caracterizam a paisagem urbana de Bogotá, este material é utilizado em todas as suas formas, desde o adobe até placas de piso em habitações rurais.

Relativamente próximas à capital encontram-se as icônicas olarias artesanais que abasteceram as construções que definem o cenário arquitetônico colombiano, como costumava fazer o arquiteto Herbert Baresch, para quem se desenhavam até mesmo as fôrmas de suas colunas de concreto com tijolos sob medida, e cujos adobes eram fabricados por artesãos locais nos próprios canteiros de obras. Este material parece imune à obsolescência; pelo contrário, com o avanço tecnológico, novas formas de aplicação continuam sendo descobertas. A seguir, apresentamos 12 exemplos de casas que o utilizam como superfície aparente.

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A Maison du Peuple: a reapropriação do brutalismo para a construção nacional

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Quando os países africanos conquistaram sua independência do domínio colonial europeu em meados do século XX, a construção nacional envolveu muito mais do que estabelecer novos governos e instituições políticas. Os novos Estados soberanos também precisavam estabelecer uma identidade edificada que os diferenciasse de seu passado colonial, e a arquitetura tornou-se uma ferramenta crucial nesse processo. Em todo o continente, edifícios cívicos monumentais, universidades, centros de convenções e instituições culturais foram encomendados para personificar o progresso e a unidade nacional. No entanto, isso criou uma contradição fundamental: muitos desses edifícios adotaram linguagens arquitetônicas modernistas e brutalistas de origem europeia, sendo que alguns foram inclusive projetados por profissionais de arquitetura das antigas potências coloniais. A Maison du Peuple em Ouagadougou, Burkina Faso, oferece um exemplo particularmente revelador de como uma linguagem arquitetônica associada à Europa pôde ser apropriada e transformada em uma expressão de independência pós-colonial.

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A Cozinha Pública: Como os Mercados Asiáticos Transformam o Ato de Comer em Vida Cívica

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In many Asian cities, eating has never belonged entirely to the private home. It spills into markets, hawker centers, street stalls, and wholesale districts embedded within larger buildings or areas. These are places where the city exchanges information and watches other people pass through. They are not restaurants in the conventional sense, nor are they simply markets. In some way, their vibrancy and usage reflect the society's conditions at that moment. They are public kitchens: shared infrastructures where domestic routines are partially transferred into collective space.

Hong Kong's Municipal Services Buildings and curbside dining are where food is understood not only as culture, but as urban organization. The cooked-food center in the city folds eating into a larger civic machine of wet markets, libraries, and sports halls. The dai pai dong and street-side table, meanwhile, transform the curb into a temporary dining room. Looking beyond Hong Kong, similar questions emerge across the region. How do cities make room for social eating? Where does cooking happen when domestic space is limited? What kind of architecture supports the mess and heat of everyday food?

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Construindo uma imagem nacional: arquitetura, capital e poder político

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A Pirâmide de Tirana foi inaugurada como um museu dedicado a Enver Hoxha em outubro de 1988, três anos após sua morte e três anos antes do colapso do regime. Nas décadas seguintes, o espaço funcionou como estação de rádio, centro de convenções, boate e base da OTAN durante a Guerra do Kosovo. Em 2023, o escritório MVRDV a reabriu como um parque e escola de tecnologia, adicionando degraus às fachadas para que as pessoas pudessem caminhar sobre o edifício. A inauguração coincidiu com a Cúpula dos Balcãs Ocidentais em 16 de outubro, data que, como apontaram alguns críticos, correspondia ao aniversário de Hoxha. Dois projetos de autodefinição nacional, separados por trinta e cinco anos e concebidos sob premissas políticas opostas, utilizaram a mesma estrutura.

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O protótipo como método: TAKK, salazarsequeromedina e Ensamble Studio

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Protótipos arquitetônicos são frequentemente usados para testar decisões antes que a construção comece. No entanto, em alguns escritórios, a prototipagem se inicia enquanto essas decisões ainda estão tomando forma. Transportar uma ideia do desenho para a matéria introduz questões que dependem do próprio fazer: como um material pode ser cortado ou unido, quanto pesa uma peça, como um encaixe se articula, se as partes podem ser reutilizadas ou até mesmo que forma o projeto deve assumir.

TAKK, salazarsequeromedina e Ensamble Studio fazem da experimentação física parte de seus processos de projeto, mas buscam respostas distintas por meio dela. Para o TAKK, os protótipos ajudam a testar como materiais e componentes se unem para formar um sistema construtivo. Para o salazarsequeromedina, maquetes e sistemas construídos permanecem abertos ao desmonte, à recombinação e a usos posteriores. O Ensamble Studio utiliza experimentos físicos para gerar geometria e conhecimento técnico-construtivo que possam ser aplicados na engenharia e na construção em escala real. O que distingue essas abordagens não é simplesmente o fato de prototiparem, mas sim o que cada escritório espera aprender por meio do protótipo.

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Como habitar um território: 10 casas moldadas pelas paisagens da Argentina

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O vasto território da Argentina revela múltiplas formas de construir moldadas por sua diversidade geográfica, climática e cultural. Ao projetar residências unifamiliares em Córdoba, Mendoza, Santa Fe e Buenos Aires, diversos escritórios jovens de arquitetura do país respondem a diferentes condições materiais, paisagísticas e culturais, trabalhando com os recursos, sistemas construtivos e ofícios artesanais disponíveis em cada região. A casa torna-se, assim, um meio de interpretar seu contexto, dialogar com as tradições locais e incorporar novas abordagens à produção arquitetônica.

Como cenário da vida cotidiana, a casa faz parte de uma experiência contínua, agindo como um organismo complexo e sutil que responde não apenas ao modo de vida das pessoas que a habitam, mas também às paisagens em que se insere. Após apresentar diferentes perspectivas e definições de figuras como Le Corbusier, Ernesto Rogers e Lewis Mumford, o arquiteto argentino Eduardo Sacriste enfatiza em seu livro Qué es la casa seu papel como reflexo do passado, que compartilha o presente e ilumina o futuro.

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Da tenda ao terminal: o ofício beduíno na infraestrutura contemporânea

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Em toda a região do Golfo, o patrimônio beduíno costuma entrar na arquitetura, primeiramente, como imagem. Terminais aeroportuários remetem a silhuetas de tendas, centros de visitantes incorporam painéis trançados e pavilhões reinterpretam têxteis tradicionais como fachadas decorativas. Essas referências tornaram-se uma linguagem visual familiar para expressar a identidade regional. No entanto, elas também correm o risco de reduzir uma das mais sofisticadas tradições construtivas vernáculas do mundo a um mero motivo arquitetônico. Muito antes de a tenda beduína se tornar um símbolo cultural, ela era uma tecnologia ambiental: uma estrutura leve e adaptável, capaz de proporcionar conforto em um dos climas mais rigorosos do planeta. O que a infraestrutura contemporânea pode herdar não é a silhueta da tenda, mas sim a inteligência construtiva nela tecida.

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Como uma cultura pode ser traduzida em espaço? Por dentro do Studio NEiDA

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"Uma arquitetura que abriga multidões." Essa é a frase que o Studio NEiDA usa para se apresentar, deixando clara sua postura diante do mundo: escutar e respeitar a pluralidade de existências que transitam por cada contexto. Mais do que uma declaração de princípios, a frase parece funcionar como um método. Afinal, o que significa projetar espaços capazes de acolher não apenas pessoas, mas também memórias, saberes e conflitos?

Sem dúvida, a abordagem plural do Studio NEiDA está, em parte, enraizada em sua própria inserção geográfica. Atuando entre o Togo e a Alemanha, o escritório opera em dois contextos aparentemente distintos, mas historicamente conectados. Em uma entrevista recente, Jeanne Autran-Edorh, arquiteta franco-togolesa e cofundadora do estúdio, ao lado da curadora e escritora Fabiola Büchele, relembra a história entre as duas nações, apontando que, como poucos sabem, antes de se tornar uma república independente, o Togo foi uma colônia alemã que posteriormente passou para o domínio francês.

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Modernismo sob vigilância: a preservação do Estádio Sardar Vallabhbhai Patel na Índia

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No coração do distrito de Navrangpura, em Ahmedabad, na Índia, ergue-se o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel. Muito mais do que um campo de críquete, o estádio representa um dos primeiros experimentos da Índia em arquitetura pública modernista. Construída nas décadas que se seguiram à independência do país, a estrutura tornou-se não apenas um marco da engenharia, mas também um espaço público de destaque na malha urbana de Ahmedabad. Apesar do significado arquitetônico e histórico do edifício, bem como de sua profunda inserção na vida cotidiana da comunidade, a estrutura sofreu uma degradação física significativa devido a décadas de manutenção precária e falta de recursos. Essa fragilidade foi justamente o que atraiu a atenção internacional. Em 2020, o World Monuments Fund (WMF) incluiu o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel no World Monuments Watch, uma lista global que destaca sítios de patrimônio cultural que enfrentam desafios urgentes de preservação.

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O que é infraestrutura azul? Repensando o papel da água no desenho urbano

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Soluções baseadas na natureza são uma das principais estratégias para a adaptação climática contemporânea e para a resiliência ecológica urbana, adotadas por cidades independentemente de sua geografia ou zona climática. Telhados verdes, florestas urbanas, biovaletas, ampliação da cobertura arbórea, áreas úmidas protegidas e paisagens permeáveis ocupam posição de destaque nos planos municipais de adaptação. Essas intervenções são implantadas nos bairros, distribuídas pelas redes viárias e mensuradas por hectares restaurados, árvores plantadas, águas pluviais retidas ou redução de temperatura. Essa mudança amplia o papel da ecologia nas cidades, estabelecendo elementos ambientais como sistemas de infraestrutura e proporcionando a profissionais de planejamento uma estrutura sólida para integrar sistemas naturais ao desenvolvimento urbano.

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Refúgios All-Inclusive: 7 projetos de hotéis não construídos da comunidade ArchDaily

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Escapar da rotina é uma fantasia e um desejo antigo. Na literatura, no cinema e na música, a humanidade sempre criou jornadas imaginárias, mundos possíveis e cenários de contemplação e prazer. É essa fantasia que alimenta uma tipologia arquitetônica específica: o hotel. Diante do debate crítico sobre o turismo de massa, dos impactos climáticos das viagens e da concorrência e externalidades associadas aos aluguéis por temporada, essa fantasia assume contornos ainda mais marcantes. Um hotel já não é apenas um lugar de hospedagem, mas um espaço de vivência que pode abarcar uma ampla gama de atividades, como entretenimento, relaxamento, gastronomia e até mesmo o trabalho. Essa diversidade de conceitos assume formas orgânicas e impressionantes nos sete projetos não construídos compilados neste artigo, que vão de hotéis urbanos a resorts de praia.

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A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos

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O artesanato em interiores contemporâneos adquire um valor crescente na maneira como os materiais são unidos e postos em relação uns com os outros. À medida que cresce a demanda por reformas rápidas, baratas e lucrativas, surge também um desejo paralelo por interiores que transmitam uma resolução cuidadosa: espaços onde os detalhes são integrados, as composições de materiais são ponderadas, as transições de textura ocorrem com intencionalidade e as ferragens são tratadas como parte da própria linguagem arquitetônica, e não como um improviso de última hora. Em muitos interiores chineses contemporâneos, o fazer artesanal opera de forma sutil no tratamento de superfícies e estruturas: madeiras que preservam suas irregularidades, terrazzos que registram agregados e o trabalho manual, ou acabamentos que revelam o esmero de sua execução.

Isso assume particular relevância em uma era na qual as imagens digitais priorizam cada vez mais a homogeneidade das superfícies. Interiores renderizados frequentemente parecem contínuos, sem atritos e concluídos antes mesmo de a construção ter início. O fazer artesanal tensiona essa imagem. Ele introduz margens de tolerância, textura, resistência material e a percepção de que a superfície passou pelas mãos humanas antes de se converter em arquitetura. A imperfeição não se traduz necessariamente em falta de precisão. Para o olhar atento que sabe decifrá-la, ela se torna o próprio testemunho do processo de feitura.

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Por que viajar (ainda) molda a forma como arquitetos/as pensam

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Entre os séculos XVIII e XIX, viajar por Roma, Paris, Veneza, Florença e outras cidades europeias era considerado parte essencial da formação de arquitetos e arquitetas recém-formados. Em uma época em que o acesso a fotografias e publicações era extremamente limitado, essas viagens constituíam o principal meio de vivenciar a arquitetura de perto. No início do século XX, Le Corbusier reinterpretou essa tradição à sua própria maneira: aos 23 anos, embarcou na Voyage d'Orient, passando pelos Bálcans, Istambul e Atenas, e produzindo cadernos de viagem aos quais retornaria ao longo de toda a sua vida.

A Nova Paisagem Arquitetônica da Hungria: Construindo a Partir do Passado

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A paisagem arquitetônica da Hungria passou pelas décadas socialistas sendo redesenhada de cima para baixo, com suas fazendas cooperativas consolidadas a partir de propriedades familiares e seus blocos habitacionais padronizados distribuídos pelo território de uma forma que teria sido idêntica em qualquer outro lugar. A socióloga Virág Molnár, cujo livro Building the State traça os usos políticos da arquitetura na Hungria e na Alemanha Oriental do pós-guerra, defende que essa reconfiguração do ambiente construído foi um dos principais instrumentos do projeto político, e não um subproduto dele — uma mobilização que se estendeu pela modernização socialista e avançou pela transição que se seguiu. O crítico britânico Owen Hatherley, cuja obra Landscapes of Communism explora os conjuntos habitacionais de Budapeste ao lado dos de Varsóvia e Kyiv, descreve o extremo dessa mesma herança, em que os edifícios sobreviveram à ideologia que os encomendou e continuam ocupados por pessoas que têm pouco interesse em defender a lógica por trás deles.

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Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção

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Nunca houve um momento tão celebrado para o trabalho artesanal na arquitetura. Em revistas, premiações e exposições internacionais, o tijolo artesanal, o revestimento de cal, a pedra entalhada, o bambu trançado e a taipa de pilão ressurgiram como símbolos de responsabilidade ambiental, continuidade cultural e autenticidade arquitetônica. No entanto, por trás desses projetos cuidadosamente documentados, reside outra realidade. A esmagadora maioria dos edifícios construídos hoje — de blocos de apartamentos e torres de escritórios a habitações de interesse social e empreendimentos comerciais — continua a depender de sistemas industrializados que deixam pouco espaço para artesãos/ãs qualificados/as. O ofício tornou-se cada vez mais visível justamente no momento em que se tornou cada vez mais incomum. Em países como a Índia, o contraste é difícil de ignorar. Tradições construtivas centenárias coexistem com uma das indústrias da construção que mais cresce no mundo. Para reformular a questão de por que o trabalho artesanal está retornando, talvez a verdadeira intriga seja por que ele agora surge principalmente onde os orçamentos de construção, os cronogramas e os/as clientes podem financiá-lo.

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Reelaborando objetos cotidianos e a produção industrial: o trabalho do Amass

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O trabalho artesanal carrega os vestígios de quem o moldou, revelando como os materiais reagem a diferentes técnicas e oferecendo pistas sobre as ferramentas utilizadas em sua criação. Na experiência arquitetônica, contudo, esse fazer pode se expressar não apenas por meio de materiais e estruturas, mas também pelo próprio espaço. Buscando aprofundar e extrair aprendizados das conexões entre projeto e execução, o amass studio tem explorado a tradução de métodos construtivos informais e cotidianos em sistemas espaciais em diversos de seus projetos. Ao integrar mecanismos, materiais, estruturas e mobiliário, o estúdio cria novas narrativas espaciais nas quais o diálogo entre o artesanal e o industrial se fortalece mutuamente. Para além do fazer artesanal em si, por que não tornar visíveis também os processos que o trazem à existência?

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Uma arquitetura da coletividade: por dentro da prática do Taller General

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Fundado em Quito em 2017 por Martín Real e Florencia Sobrero, o Taller General atua em habitação, reabilitação, exposições e projetos comunitários. O que os une é menos uma tipologia de edifício e mais uma forma de construir: arquitetos/as, construtores/as, artesãos/as, estudantes, organizações e comunidades transitam pelo processo, e cada projeto toma forma a partir do que já existe no local.

Essa abordagem surgiu da experiência direta com o canteiro de obras. Antes da fundação formal do Taller General, Real e Sobrero envolveram-se com a Actuemos Ecuador, uma das iniciativas da sociedade civil criadas em resposta ao terremoto que atingiu a costa do Equador em 2016. Trabalhar sob as condições reais da construção vinculou as decisões arquitetônicas aos materiais, orçamentos, mão de obra disponível e saberes locais, estabelecendo uma relação com o fazer construtivo que permanece central em sua prática.

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Como a apresentação de projetos está evoluindo para um espaço de tomada de decisões em tempo real

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Durante anos, os avanços na visualização arquitetônica foram medidos pela qualidade da imagem. Iluminação fisicamente precisa, sistemas de materiais sofisticados e renderização em tempo real transformaram o fotorrealismo em um padrão do setor. No entanto, a prática da arquitetura tem evoluído em uma direção diferente.

Hoje, a colaboração de clientes, consultorias, profissionais de engenharia e equipes de projeto ocorre de forma cada vez mais precoce e frequente ao longo do processo de projeto. As revisões de projeto não servem mais apenas para apresentar decisões tomadas; elas se tornam, cada vez mais, parte de como essas decisões são construídas.

Artesanato na era da terra impressa em 3D: as ferramentas digitais podem criar um novo tipo de artesão/ã?

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Em 2021, uma colaboração entre o escritório de arquitetura italiano Mario Cucinella Architects e a WASP, uma empresa italiana de impressão 3D, levou ao desenvolvimento da TECLA: uma casa impressa em 3D inteiramente com terra crua. Cinco anos depois, a tecnologia por trás do projeto evoluiu, espalhando-se discretamente por diversos continentes e práticas de projeto. Ao controlar a velocidade, o ângulo e a trajetória do bocal de extrusão, arquitetos e arquitetas conseguem ir muito além da criação de paredes convencionais. Ao longo dos anos, esses/as profissionais vêm experimentando maneiras de moldar o material impresso em 3D em padrões de superfície detalhados, reintroduzindo relevos, texturas e grafismos complexos diretamente na estrutura. Dessa forma, busca-se estabelecer uma ponte entre as tradições da construção com terra e a computação digital, em uma era em que o código começa a influenciar a forma e a expressão material na arquitetura.

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Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea

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O movimento Arts and Crafts costuma ser lembrado como um estilo arquitetônico definido por detalhes artesanais, escala íntima, materiais naturais e pela rejeição ao excesso e à indústria. Sua influência é frequentemente rastreada por meio de características visuais que continuam a aparecer na arquitetura e nos interiores contemporâneos — da madeira exposta e da marcenaria artesanal à ênfase na textura e na permanência —, contudo, reduzir o movimento a um vocabulário estético significa ignorar sua contribuição muito mais significativa. Para William Morris, Philip Webb, John Ruskin e seus contemporâneos, a arquitetura era uma questão de como as coisas eram feitas, quem as fazia e se o processo de feitura poderia cultivar dignidade, significado, cultura e beleza.

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Arquitetura Comunitária no Brasil: 4 Projetos de Transformação Social

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Em 2021, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou um levantamento a respeito da quantidade de equipamentos culturais e sociais existentes nas cidades do Brasil. Os resultados eram alarmantes, apenas 29,6% dos municípios brasileiros possuíam equipamentos culturais e sociais como museus, enquanto teatros e casas de espetáculos estavam presentes em apenas 23,3% das cidades. Um recorte que diz muito em relação à carência de espaços desse gênero nas cidades brasileiras. Nesse contexto, quando uma cooperativa de mulheres no Maranhão ou um grupo de voluntários na Bahia decide construir seu próprio equipamento cultural e comunitário, o gesto não apenas supre uma carência material, mas reivindica, por iniciativa própria, um direito que deveria ser garantido como política pública.

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A arquitetura já foi inteiramente humana? Beatriz Colomina e Mark Wigley sobre a natureza microbiana da arquitetura

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A arquitetura é, há muito tempo, entendida como uma disciplina criada por seres humanos e para seres humanos. No entanto, em We the Bacteria: Notes Toward Biotic Architecture, Beatriz Colomina e Mark Wigley desafiam essa premissa, argumentando que "os micróbios inventaram a arquitetura". A partir desse ponto de vista, desdobra-se uma história alternativa da arquitetura que desvia o foco do excepcionalismo humano em direção aos microrganismos que moldaram a vida, os ambientes e o mundo construído ao longo de bilhões de anos.

O livro explora a ideia de que a arquitetura não pode ser compreendida separadamente dos mundos microbianos que a moldam, sugerindo que "a arquitetura habita os seres humanos tanto quanto os seres humanos habitam a arquitetura". Em vez de objetos inertes, os edifícios surgem como ecossistemas dinâmicos que Colomina e Wigley chegam a descrever como "um intestino expandido compartilhado com outros", onde micróbios, materiais, pessoas e inúmeras outras formas de vida coexistem, trocam e evoluem continuamente.

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Microecossistemas: A resposta da Coreia do Sul ao morar de uso misto em alta densidade

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Com mais de 80% de sua população vivendo em centros urbanos e uma densidade nacional que supera 500 pessoas por quilômetro quadrado — chegando a mais de 15.000 em Seul —, a Coreia do Sul enfrenta uma disputa acirrada por terras aproveitáveis. Diante disso, a arquitetura contemporânea sul-coreana oferece exemplos contundentes de intervenções de uso misto que lidam com lotes urbanos estreitos para articular engajamento público e utilidade de alta eficiência. Ao sobrepor verticalmente programas distintos, integrando centros de arte pública, sedes corporativas e polos comerciais a funções residenciais e outras atividades, esses empreendimentos multifacetados transformam restrições espaciais em interfaces urbanas dinâmicas.

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Ambientes que surgem: divisórias deslizantes e o espaço doméstico condicional

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As portas de correr são frequentemente discutidas sob a ótica da eficiência. Elas poupam o raio de abertura de uma porta convencional, facilitam o funcionamento de cômodos compactos e ajudam pequenos apartamentos a ganhar alguns centímetros extras de espaço útil. Contudo, em muitos interiores, seu papel mais interessante não se limita à economia espacial. Divisórias deslizantes transformam a própria leitura do espaço. Um quarto, escritório, quarto de hóspedes, sala de jantar ou espaço de trabalho pode surgir quando um painel é fechado, desaparecer quando ele é aberto e permanecer ambíguo quando o limite é translúcido ou parcial.

Isso torna a divisória deslizante especialmente útil em contextos domésticos moldados pela densidade, por estruturas familiares em mutação, pelo trabalho híbrido e pelas negociações climáticas típicas de regiões como o Leste e o Sudeste Asiático. Ela permite privacidade sem permanência, fechamento sem separação total e abertura sem perda de controle. Ao contrário da parede fixa, ela não impõe uma identidade única ao cômodo. Em vez disso, permite que o espaço doméstico responda ao tempo: dia e noite, visitas e família, trabalho e descanso, exposição e recolhimento.

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