
Como um material concebido para pontes, fábricas e grandes estruturas chegou ao banco da sala, à estante do apartamento, à mesa do café? O metal atravessou séculos associado ao esforço, à máquina e à monumentalidade — das estruturas expostas das Exposições Universais do século XIX à lógica produtiva da indústria moderna. Sua presença no interior doméstico não é um dado óbvio, mas uma conquista cultural: a transformação de um material fabril em elemento de uso cotidiano, íntimo e próximo do corpo.
Essa transição não aconteceu por acaso. Ao ser deslocado do canteiro e da oficina para o interior, o metal passou por um processo de domesticação que redefiniu sua linguagem e suas possibilidades. Maleável, preciso e estruturalmente eficiente, ele permite reduzir espessuras, tensionar limites e desenhar objetos que parecem flutuar, mesmo sustentando peso e uso contínuo.































