Hoje, na primeira segunda-feira de outubro, comemoramos o Dia Mundial da Arquitetura. Este ano, a União Internacional de Arquitetos (UIA) definiu o tema "Design para a Resistência", um poderoso apelo à ação que ressoa profundamente com o foco da ONU na resposta a crises urbanas. Em um mundo que enfrenta rupturas socioambientais sem precedentes, esse tema nos desafia a ir além de soluções temporárias. O tema propõe a seguinte reflexão: como nossos edifícios e cidades podem não apenas resistir a impactos, mas também promover equidade, continuidade e resiliência?
Embora o conceito de força na arquitetura possa facilmente evocar imagens de concreto armado e aço, uma interpretação mais profunda vem emergindo, que define essa força não como mera rigidez, mas como uma capacidade holística de resistir e se adaptar. Isso engloba diversas facetas, desde a resiliência ecológica e a gestão ambiental até conceitos duradouros de resiliência social e a conservação de estruturas urbanas existentes, contribuindo para um ambiente construído mais capaz de responder à variedade de crises enfrentadas pelas cidades em todo o mundo.
Buildner, em parceria com o Governo de Dubai, anunciou os resultados do concurso House of the Future 2024/25. Após o sucesso de sua edição inaugural em 2023, esta segunda edição convidou arquitetos/as e designers do mundo todo a desenvolverem um protótipo de residência acessível, expansível e inovador, adaptado às necessidades em constante evolução das famílias dos Emirados.
Organizado em colaboração com o Mohammed bin Rashid Centre for Government Innovation e o Sheikh Zayed Housing Programme, o concurso ofereceu uma premiação total de € 250.000 (1 milhão de AED). As propostas vencedoras estão sendo avaliadas para potencial inclusão no catálogo nacional de projetos habitacionais dos Emirados Árabes Unidos, que oferece à população uma seleção de modelos de residências inovadoras e pré-aprovadas.
Nova Estação Ferroviária Casa Sud por OUALALOU+CHOI . Imagem cortesia de OUALALOU+CHOI
OUALALOU+CHOI venceu o concurso internacional para o projeto da nova Estação Ferroviária Casa Sud em Casablanca, no Marrocos. Com escritórios em Paris e Casablanca, a equipe de arquitetura e desenho urbano liderada por Tarik Oualalou e Linna Choi é reconhecida por seu trabalho que explora a relação entre arquitetura, infraestrutura e vida pública. A proposta vencedora concebe a nova estação tanto como um polo de infraestrutura quanto como um marcocívico, atendendo às demandas de uma metrópole em rápida expansão e, ao mesmo tempo, contribuindo para o tecido urbano e social da capital econômica do Marrocos.
ReSa Architects. Foto de Antonin Kanant e Revati Shah
A Trienal de Arquitetura de Lisboa anunciou o escritório indiano ReSa Architects como vencedor da quinta edição do Prêmio Début. O estúdio é reconhecido por sua abordagem coletiva da prática espacial, tratando a arquitetura como um processo de reescrita das relações sociais e corporais. Em edições anteriores, o prêmio reconheceu o trabalho do Vão (Brasil, 2022), Bonell+Dòriga (Espanha, 2019), Umwelt (Chile, 2016) e Jimenez Lai, do Bureau Spectacular (EUA, 2013).
O anúncio foi feito no dia 4 de outubro, durante as festividades de abertura da Trienal, que nesta edição concedeu o Prêmio Carreira à arquiteta paquistanesa Yasmeen Lari, a primeira pessoa do Sul Global a receber a honraria. Lari junta-se a Marina Tabassum (vencedora em 2022), Denise Scott-Brown (2019), à dupla Lacaton & Vassal (2016), Kenneth Frampton (2013), Álvaro Siza (2010) e Vittorio Gregotti (2007).
À medida que os países da África se libertavam do colonialismo em meados do século XX, muitos expressaram suas identidades independentes por meio da arquitetura. Esse processo continua várias décadas depois, exemplificado por diversos novos museus na África Ocidental, recém-concluídos ou em fase de planejamento. Embora variem em propósito e forma, essas instituições compartilham objetivos comuns: responder à necessidade de restituição de inúmeros artefatos saqueados durante o período colonial e mantidos majoritariamente em museus europeus; e definir um modelo de museu com identidade local, em contraposição a uma importação descontextualizada.
A visita a museus e galerias há muito tempo é uma experiência meticulosamente curada. O público é conduzido por uma sequência de salas cuidadosamente orquestrada, com obras selecionadas minuciosamente para contar uma narrativa específica, apoiada por sinalização, recursos gráficos, cenografia e iluminação calibrada. Mesmo as exposições que raramente mudam — como as coleções permanentes — costumam apoiar-se em uma forte voz curatorial — liderada por artistas ou curadores/as de destaque — para definir o posicionamento institucional e moldar a interpretação.
Paralelamente, as áreas de reserva técnica de museus e galerias costumam ser mantidas separadas — muitas vezes no mesmo edifício, mas sob acesso rigidamente controlado, e não raramente fora do local, em instalações dedicadas, como o Centro de Conservação do Louvre. Essas zonas são historicamente entendidas como espaços de controle rigoroso, não apenas em termos de acesso, mas também em relação ao clima, à umidade, à organização do acervo, aos protocolos de manuseio, à manutenção e à restauração. Por receio de furtos e de que as exigências espaciais, ambientais e de catalogação do acervo fossem perturbadas, a reserva técnica tradicionalmente manteve um caráter quase secreto, atendendo prioritariamente a pesquisadores/as acadêmicos/as e profissionais da arte sob solicitação. Raramente o público em geral tem uma visão abrangente das obras salvaguardadas por uma determinada instituição.
Há lugares no mundo onde o calor já passa dos cinquenta graus e outros onde a água sobe metros acima do esperado. Enquanto isso, no coração de São Paulo, arquitetos, pesquisadores, artistas e comunidades se reúnem para perguntar: como habitar a Terra em tempos de extremos? É essa a provocação que guia a 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que ocupa a Oca do Ibirapuera e concentra-se no tema Extremos: Arquiteturas para um Mundo Quente. Mais do que uma exposição, trata-se de um chamado a encarar a crise climática, a desigualdade social e a urgência de reinventar formas de vida.
Diferente de edições anteriores, espalhadas por vários lugares da cidade, os curadores Clevio Rabelo, Jera Guarani, Karina de Souza, Marcella Arruda, Marcos Certo e Renato Anelli optaram por concentrar a edição deste ano sob um mesmo teto, permitindo que a narrativa curatorial se apresente de maneira clara e direta. Todo o percurso está ali, organizado em seções que entrelaçam práticas ancestrais e tecnologias emergentes, experimentações materiais e perspectivas críticas, projetos locais e debates de alcance global. A Oca se torna, assim, uma encruzilhada: sobrepõe miradas arquitetônicas diversas, oferecendo uma plataforma de reflexão coletiva sobre a sociedade e o meio ambiente.
Os materiais podem carregar memória. Mais do que simplesmente dar acabamento a um espaço, eles são capazes de ancorá-lo, moldar sua atmosfera e conectar os interiores a narrativas culturais e materiais mais amplas. Alguns/as arquitetos/as e designers exploram técnicas locais, recursos naturais e tradições artesanais para equilibrar a preservação cultural com a funcionalidade moderna, introduzindo contexto e profundidade. Não se trata necessariamente de um retorno ao passado, mas sim de uma reinterpretação do conhecimento herdado para criar uma arquitetura que ressoe com as necessidades contemporâneas.
Fundado em 2006 em Copenhagen, o escritório Cobe Architects tornou-se amplamente conhecido por seu foco na vida pública, na transformação urbana e no planejamento urbano estratégico. De edifícios culturais e espaços públicos a desenvolvimentos urbanos de grande escala, a equipe tem desempenhado um papel central na definição da identidade contemporânea de Copenhagen, especialmente por meio de seu trabalho de regeneração portuária. Entre esses projetos, o plano diretor de Nordhavn se destaca como uma das reurbanizações de frente marítima mais ambiciosas da Europa. Durante a Bienal de Arquitetura de Copenhagen, a editora-chefe do ArchDaily, Christele Harrouk, encontrou-se com Mads Birgens, Diretor de Urbanismo do Cobe, na sede do escritório em Nordhavn. Na conversa, Birgens refletiu sobre a evolução do projeto desde que o escritório venceu o concurso internacional aberto em 2008, além de abordar as lições mais amplas de se projetar cidades voltadas para a proximidade, a diversidade e a adaptabilidade a longo prazo.
Projeto do centro esportivo e de natação pública Centralbadet na Suécia. Renderização da entrada. Imagem cortesia de Plankton Group
Henning Larsen foi selecionado para projetar o novo Centralbadet de Gotemburgo, um complexo público de natação e esportes destinado a fortalecer a rede de espaços comunitários e voltados para a saúde na cidade. A equipe vencedora inclui os escritórios Winell & Jern Architects e Ramboll, além de John Dohlsten, professor de Ciências do Esporte na Universidade de Gotemburgo. Organizado pela Prefeitura de Gotemburgo, o concurso contou com a participação de equipes como BIG e Wingårdh Arkitektkontor. O novo centro está planejado como uma instalação pública multifuncional que atende tanto ao lazer diário quanto à prática esportiva organizada para moradores de todas as idades.
A lista de finalistas do prestigiado BRICK AWARD 26 foi anunciada, revelando 50 edifícios excepcionais em tijolo ao redor do mundo. Organizado pela wienerberger, o prêmio bienal celebra a inovação arquitetônica e o trabalho artesanal no design cerâmico e de tijolos, reconhecendo projetos que desafiam os limites do material, da forma e do contexto. A seleção deste ano abrange cinco continentes e 21 países, destacando a relevância duradoura do tijolo na arquitetura contemporânea — desde residências intimistas e instituições culturais até instalações industriais e espaços públicos. Os projetos vencedores serão anunciados em Viena, em junho de 2026, e todas as obras selecionadas constarão no livro BRICK 26.
Na cidade holandesa de Hilversum, um edifício municipal concluído em 1931 redefiniu a própria ideia do que um paço municipal poderia ser. Mais do que uma sede para a administração local, a Prefeitura de Hilversum tornou-se a expressão arquitetônica de uma comunidade em transformação. Com sua torre erguendo-se sobre espelhos d'água, seus volumes de tijolos articulados em torno de pátios e seus interiores detalhados minuciosamente, o edifício provou que a arquitetura cívica poderia unir função e simbolismo, eficiência e solenidade.
O/A arquiteto/a por trás dessa visão, Willem Marinus Dudok, não foi responsável apenas por edifícios isolados, mas pela própria configuração urbana de Hilversum. Atuando no planejamento e na arquitetura da cidade, projetou escolas, bairros residenciais e parques, desenvolvendo uma linguagem que fundia o artesanato holandês com a clareza modernista. A prefeitura representou o ápice dessa trajetória: uma peça central cívica onde a ambição urbana, o refinamento material e a escala humana convergiam em uma forma única e coerente.
O We Design Beirut retorna em sua segunda edição, de 22 a 26 de outubro de 2025, reafirmando o papel da cidade como um nó vital no debate global sobre design. Tendo como cenário alguns dos locais de maior relevância histórica do Líbano, o evento de cinco dias entrelaça arquitetura, artesanato e cultura para refletir sobre temas como legado, renascimento e continuidade.
Pautado pelo empoderamento, pela preservação e pela sustentabilidade, o We Design Beirut fomenta a colaboração entre designers, artesãos/ãs, estudantes e arquitetos/as — criando uma plataforma vibrante para trocas, conexões e expressão criativa. Trata-se de um espaço voltado à cura, à inovação e à projeção dos crescentes talentos do design regional em um cenário internacional.
A arquiteta franco-libanesa Lina Ghotmehfoi incluída na lista TIME100 Next 2025, uma seleção anual de líderes e inovadores emergentes de diversas áreas. Conhecida por sua abordagem sensível ao contexto e à materialidade, Ghotmeh construiu um portfólio internacional que une tradição e modernidade. Em seu perfil na TIME, escrito pelo arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, Ghotmeh é elogiada por combinar consciência histórica com uma experimentação voltada para o futuro. O reconhecimento a posiciona como a única arquiteta na lista deste ano, destacando a presença contínua do design em uma seleção que costuma abranger entretenimento, política, ciência e negócios.
Em toda a China, um legado de imensas estruturas industriais encontra-se desativado, como resultado direto da transição econômica do país para novas formas de indústria. Esses edifícios caracterizam-se por sua altura colossal e robusta capacidade estrutural. Atualmente, representam um desafio arquitetônico para a renovação urbana contemporânea e um novo campo de debate para a preservação do patrimônio. À medida que são absorvidos pelo crescimento das cidades, arquitetos e arquitetas têm o desafio de transformá-los em ativos funcionais de uso público. Diante disso, intervenções recentes vêm tirando proveito de elementos marcantes, como fornos e chaminés, para reposicionar esses complexos monumentais como marcos urbanos fundamentais.
Por séculos, a arquitetura tem sido moldada pela aspiração de criar uma transição suave entre o interior e o exterior. Hoje, sistemas de janelas e fachadas tecnologicamente sofisticados permitem que arquitetos/as projetem conceitos de ambientes abertos e inundados de luz sem perder calor. A janela de correr cero maximum da Solarlux pode eliminar as fronteiras entre os espaços, o que se demonstra de forma ainda mais impressionante quando elementos de grande formato substituem os cantos dos edifícios. Trata-se de uma conquista técnica realizada inteiramente sem suportes que obstruam a vista. O sistema cero cria uma conexão direta e imediata com a natureza que vai muito além do que as soluções convencionais podem oferecer.
Uma explosão destruiu 40% da cidade de Beirute em 4 de agosto de 2020. Cinco anos após as explosões no porto, a direção-geral da UNESCO visitou o Líbano para avaliar o trabalho da instituição na capital. As ações da UNESCO basearam-se no reconhecimento de que a explosão destruiu inúmeros edifícios e bairros históricos que abrigavam uma comunidade de profissionais da cultura, deixando um vazio no cenário cultural e na economia da cidade. A organização mobilizou esforços internacionais para restaurar, reativar e salvaguardar os edifícios patrimoniais de Beirute, além de escolas, museus e instituições culturais, buscando oferecer uma resposta abrangente para proteger o tecido cultural da cidade. Durante a visita em setembro, novos programas de restauração e reconstrução foram anunciados, incluindo a reabilitação da estação ferroviária de Mar Mikhael e do Grand Theatre de Beirute, além de apoio às indústrias culturais em Tiro e Baalbek.
A cultura é o conjunto de saberes e práticas que as pessoas utilizam para se expressar e, de forma coletiva, dar sentido ao mundo. Como lembra a filósofa brasileira Marilena Chauí, a palavra deriva do latim colere, que significa "cuidar de". Nesse sentido, a agricultura significa o cuidado com o solo, enquanto os cultos religiosos representam o cuidado com os deuses. Em sua essência, a cultura é a criação de universos simbólicos, expressos por meio de diferentes linguagens — incluindo a arquitetura — que tecem conexões através do tempo. Ela salvaguarda as memórias do passado ao mesmo tempo que abre novas possibilidades para o futuro.
Este mês, o ArchDaily explora A Arquitetura da Cultura Hoje, propondo uma pergunta central: de que maneira a arquitetura molda a forma como a cultura é produzida, consumida e vivenciada? Este tema examina como a arquitetura ao mesmo tempo molda e responde à vida cultural — desde a permanência de museus, teatros e bibliotecas até a efemeridade de pavilhões, instalações e plataformas virtuais. O foco abrange o papel do/a arquiteto/a na curadoria, cenografia e design de exposições, bem como a representação de espaços culturais no cinema e em meios digitais.
O Delta do Nilo, em azul a subida do nível médio do mar com um aumento de 2°C acima dos níveis pré-industriais, dados do Sentinel. Territorial Agency: Oceans in Transformation, 2020
Quanto pesa uma cidade, e o que esse peso significa para o nosso futuro coletivo? Essa questão provocativa norteia a 7ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa, que propõe uma investigação sobre as transformações da vida urbana e as consequências materiais, sociais e ambientais de habitar o planeta hoje. De 2 de outubro a 8 de dezembro, Lisboa voltará a sediar um dos eventos de arquitetura mais importantes da Europa.
Com curadoria de Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, fundadores do escritório Territorial Agency, a Trienal investiga a magnitude das cidades contemporâneas e seu impacto planetário. Compostas por quase 30 trilhões de toneladas de materiais, as cidades globais formam uma rede densa e intrincada de estruturas em constante evolução. Para destrinchar essas complexidades, a Trienal se apresenta como um espaço de aprendizado, curiosidade, imaginação e debate — um ponto de encontro para arquitetos/as, pesquisadores/as, artistas e o público em geral.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143055/quao-pesada-e-uma-cidade-explorando-a-trienal-de-arquitetura-de-lisboa-2025ArchDaily Team
A famosa atriz Mae West certa vez descreveu a curva como "a distância mais encantadora entre dois pontos". Embora ela estivesse se referindo ao corpo humano, essa observação vai além da aparência física e toca no cerne daquilo que conforta e acalma a psique humana no design da natureza.
Colinas ondulantes, o arco de uma onda no oceano, o brilho intenso do amanhecer no horizonte—essas formas naturais evocam paz e serenidade a quem as observa. Ao projetar ambientes de trabalho e espaços comuns, é importante que os/as profissionais de design se lembrem de que existem pouquíssimas linhas retas na natureza. Quando bordas suaves, tetos em arco e paredes curvas são aplicados ao interior de um edifício, o design da natureza é trazido para dentro.
Quando exposto ao calor, o corpo ativa diversos mecanismos fisiológicos para manter a homeostase térmica. No entanto, essas defesas naturais costumam ser sobrecarregadas em nossas cidades modernas.Em um ambiente urbano marcado por asfalto e concreto que absorvem calor, somados à escassez de áreas verdes, tais mecanismos tornam-se ineficazes. Se o entorno for excessivamente quente, úmido ou mal ventilado — condições amplificadas pelo efeito de ilha de calor urbana —, a temperatura interna do corpo começa a subir, aumentando o risco de complicações graves, que vão de cãibras e exaustão a quadros de insolação potencialmente fatais.