O escritório MVRDV anunciou um novo marco no desenvolvimento de suas torres Tour & Taxis, um projeto de uso misto em Bruxelas, Bélgica. O projeto foi encomendado pela incorporadora e investidora imobiliária Nextensa em 2021, no âmbito de um plano diretor de zoneamento específico também desenvolvido pelo MVRDV. O empreendimento de duas torres combina escritórios, habitação e comodidades públicas em uma área de 58.000 m², consolidando-se como um marco no bairro e alcançando 126 metros de altura em seu ponto mais alto. Com a licença de construção recém-aprovada, o projeto foi concebido para reduzir o carbono incorporado por meio de uma estrutura híbrida e elementos de fachada leves, com o objetivo de minimizar o uso de concreto tanto na estrutura quanto nas fundações. Desde as etapas iniciais, o escritório utilizou seu software CarbonSpace para orientar essas decisões.
Entre 23 de junho e 30 de agosto de 1988, o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York realizou uma exposição intitulada Deconstructivist Architecture, como parte de um programa "concebido para examinar os desenvolvimentos atuais na arquitetura". Com curadoria de Philip Johnson e Mark Wigley, a mostra focou no trabalho contemporâneo de sete profissionais da arquitetura internacional: Coop Himmelblau, Peter Eisenman, Frank Gehry, Rem Koolhaas, Daniel Libeskind, Bernard Tschumi e uma jovem Zaha M. Hadid. Aos 37 anos, seu trabalho foi apresentado ao mundo como um exemplo do "surgimento de uma nova sensibilidade na arquitetura". O material exposto não era uma maquete ou uma planta, mas sim uma pintura, intitulada The Peak, enviada para um concurso de arquitetura em Hong Kong em 1983. A partir desse ponto de partida, sua contribuição para a arquitetura se aprofundou nas mesmas linhas reconhecidas na época de sua inclusão na mostra: o desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica distinta, matemática e, em suas próprias palavras, "fluida", além de sua emergência como uma figura feminina de liderança em um campo historicamente dominado por homens.
O escritório de arquitetura vencedor do Prêmio PritzkerHerzog & de Meuron divulgou novas imagens que mostram o avanço das obras do Memphis Art Museum, previsto para ser inaugurado em dezembro de 2026. Funcionando atualmente como Memphis Brooks Museum of Art, a instituição é o mais antigo e maior museu de arte do Tennessee, nos Estados Unidos, com um acervo de mais de 10.000 obras que abrangem da arte antiga à contemporânea. Encomendado em 2019, o projeto marca a mudança do museu para uma nova sede no centro de Memphis, ao longo da encosta do Rio Mississippi. As primeiras imagens do novo campus cultural, projetado pelo Herzog & de Meuron em parceria com o escritório local responsável archimania e paisagismo desenvolvido pela OLIN, foram divulgadas em 2021. O museu de 11.500 metros quadrados expandirá a área de exposições em 50% e introduzirá amplos espaços gratuitos e acessíveis ao público, concebidos como um convite aberto à cidade.
O World Monuments Fund (WMF) é uma organização independente dedicada a salvaguardar lugares significativos que enriquecem a vida das pessoas e promovem a compreensão mútua entre culturas e comunidades. Desde 2008, o World Monuments Fund/Knoll Modernism Prize é um prêmio bienal que reconhece conquistas de destaque na conservação de edifícios emblemáticos do movimento arquitetônico modernista. A premiação homenageia pessoas e organizações que revitalizam o patrimônio moderno construído por meio de intervenções arquitetônicas inovadoras e sensíveis.
Em 22 de janeiro de 2026, o WMF e a Knoll anunciaram o escritório de arquitetura australiano Architectus como o vencedor do World Monuments Fund/Knoll Modernism Prize de 2026 pela restauração do histórico Africa Hall das Nações Unidas em Adis Abeba, na Etiópia. O júri reconheceu o projeto por restabelecer uma obra marcante do modernismo africano como um espaço ativo de diplomacia e intercâmbio cultural. Além do prêmio principal, o júri concedeu à Umbrella House, de Paul Rudolph, em Sarasota, Flórida (Estados Unidos), o Stewardship Award for Modernist Homes.
A 20ª edição do DAM Preis 2026 foi concedida ao escritório Peter Grundmann Architekten pelo ZK/U Center for Art and Urbanistics, um projeto de reutilização adaptativa em Berlim, na Alemanha. O projeto transforma um antigo galpão térreo em uma estação de carga em Berlin-Moabit em um ponto de encontro cultural. O júri reconheceu a abordagem transformadora da equipe de arquitetura, destacando o uso de uma quantidade de trabalho manual acima da média e um orçamento modesto para envolver o pavilhão existente em uma estrutura leve de aço e vidro, além de adicionar um pavimento extra. Desenvolvido em estreita colaboração com a associação sem fins lucrativos KUNSTrePUBLIK e. V., o projeto apoia uma ampla programação pública estabelecida na antiga estação de carga desde 2012, incluindo exposições, performances, residências artísticas, oficinas de reparo, feiras de bairro e exibições públicas. O escritório Peter Grundmann Architekten foi selecionado por meio de uma licitação de âmbito europeu e contratado para construir a aclamada ampliação em 2019.
O escritório de arquitetura Sordo Madaleno, em colaboração com o építész stúdió e a Buro Happold, foi selecionado para projetar o novo Centro de Coleções de Debrecen, com 43 mil metros quadrados, destinado ao Museu de História Natural da Hungria. Debrecen, a segunda maior cidade da Hungria, é atualmente o foco de um importante desenvolvimento urbano e universitário, que inclui planos para transferir o Museu de História Natural da Hungria de Budapeste para as proximidades da Grande Floresta de Debrecen. O Centro de Coleções proposto foi concebido como uma instalação dedicada ao armazenamento controlado e ao estudo de mais de 11 milhões de objetos, inspirando-se conceitualmente nos tradicionais vasos de argila húngaros, estruturas historicamente utilizadas para proteger e conservar. O projeto marcará a primeira comissão cultural europeia do escritório de arquitetura mexicano, que possui filiais em Londres e na Cidade do México.
Uma discussão coletiva intitulada "Beyond Recognition: Exploring the Role of Architectural Awards" ocorrerá no dia 29 de junho em Barcelona, por ocasião do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026. O debate parte da convicção de que, no contexto atual de aceleração dos desafios globais, o papel dos prêmios de arquitetura precisa evoluir. O evento dá continuidade à discussão iniciada durante a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, na qual a relevância das premiações foi questionada, abrindo caminho para um novo debate sobre como os prêmios de arquitetura podem contribuir para moldar a prática profissional, as instituições e o discurso público. As sessões de discussão são organizadas por representantes de importantes prêmios internacionais: o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, o Ammodo Architecture Award, os EUmies Awards, o Holcim Foundation Awards, o Mies Crown Hall Americas Prize e o OBEL Award, contando também com a participação de figuras proeminentes no campo da arquitetura e do design.
Algumas cidades crescem pela continuidade; outras se constroem em momentos de aceleração. Baku, no Azerbaijão, parece situar-se em algum ponto intermediário. Seu núcleo histórico, o Icherisheher, ainda mantém uma lógica espacial que resiste à expansão: denso, fechado, definido pela proximidade e pela repetição. No entanto, logo além de suas muralhas, a cidade começa a se transformar. A escala aumenta, as distâncias se ampliam e a relação entre os edifícios passa a se basear menos na continuidade e mais na visibilidade.
Nas últimas duas décadas, Baku tem sido palco de um esforço deliberado para construir uma imagem de si mesma. A riqueza do petróleo forneceu os meios, mas a arquitetura tornou-se uma de suas principais ferramentas. Projetos como o Centro Heydar Aliyev, do escritório Zaha Hadid Architects, ou as Flame Towers são símbolos dessa transformação, com formas projetadas para circular tanto nos meios de comunicação quanto na própria cidade. Trata-se de objetos precisos, controlados e extremamente bem resolvidos. Contudo, eles também introduzem uma lógica urbana distinta, que privilegia a singularidade em detrimento da continuidade e posiciona a arquitetura como um agente de representação.
Situada na interseção entre as paisagens do Adriático e a geopolítica dos Bálcãs, Tirana passou por uma das transformações urbanas mais aceleradas da Europa nas últimas três décadas. Outrora definida por um rígido planejamento socialista e pelo isolamento político, a cidade se reorientou progressivamente por meio de uma combinação de crescimento informal, investimento internacional e intervenções urbanas estratégicas que buscam redefinir sua imagem pública e estrutura espacial.
Desde o início dos anos 2000, uma série de políticas públicas urbanas, notadamente aquelas iniciadas durante o mandato de Edi Rama como prefeito (atual primeiro-ministro da Albânia), promoveu o uso da cor, do espaço público e da experimentação arquitetônica como ferramentas de reativação cívica. Em vez de depender exclusivamente de planos diretores, o desenvolvimento de Tirana tem se operado por meio de intervenções, nas quais edifícios individuais e espaços públicos funcionam como catalisadores em um tecido urbano fragmentado.
Um edifício projetado por Minoru Yamasaki no centro de Minneapolis será convertido em um hotel, marcando uma nova fase na história da antiga sede da Northwestern National Life Insurance Company, uma das obras menos conhecidas, porém formalmente mais singulares, do arquiteto. Desocupado desde 2023, o edifício situado no número 20 da Washington Avenue South é agora objeto de uma proposta de reuso adaptativo que visa introduzir funções de hospitalidade e atividades voltadas ao público. Os planos iniciais foram apresentados em abril de 2026, delineando uma transformação da estrutura que preserva suas características arquitetônicas marcantes. Espera-se que o projeto avance após as aprovações necessárias, com previsão de abertura para 2028.
O prazo de envio de propostas para o ArchDaily Student Project Awards foi prorrogado por uma semana. Estudantes agora têm até o dia 20 de fevereiro de 2026, às 23h59 (CET), para enviar seus projetos.
Aberta a estudantes cadastrados/as no ArchDaily Campus, a edição de estreia da premiação tem como tema Arquitetura da Coexistência, convidando propostas que explorem espaços inclusivos para comunidades e formas coletivas de cuidado. A prorrogação oferece um tempo adicional para que os/as estudantes refinem seus projetos conceituais e fortaleçam seus argumentos espaciais e narrativos.
Situada à beira do Mediterrâneo e moldada por séculos de ocupação contínua, Nápoles é uma cidade onde a arquitetura é indissociável do tempo. Camadas de fundações gregas, infraestruturas romanas, igrejas medievais, palácios barrocos e intervenções modernas coexistem em uma malha urbana densa e compacta. Nápoles revela-se como um acúmulo de estruturas, adaptações e reutilizações, onde os edifícios raramente são objetos isolados, mas sim partes de um sistema espacial, social e histórico mais amplo.
A arquitetura da cidade está profundamente ligada à sua geografia e à sua cultura construtiva. Construída entre o mar e o terreno vulcânico, Nápoles desenvolveu-se verticalmente e voltada para dentro, valendo-se de pátios, ruas estreitas e grossas paredes de alvenaria para mediar a luz, o clima e a circulação. Espaços subterrâneos, cisternas romanas reaproveitadas e estruturas escavadas no tufo estendem a cidade sob o solo, criando uma dimensão arquitetônica paralela que dá suporte à vida cotidiana na superfície.
A renovação do Distrito da Caverna Tianbao na Cidade de Erlang por Liu Jiakun, o laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2025. Imagem Cortesia de Arch-Exist
À medida que a comunidade da arquitetura volta suas atenções para o anúncio do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026, a expectativa cresce mais uma vez em torno de quem será nomeado/a o/a laureado/a deste ano. Embora a data oficial ainda não tenha sido confirmada, a revelação anual tradicionalmente ocorre no início de março, marcando um dos momentos mais aguardados do calendário arquitetônico. Criado em 1979 pela Fundação Hyatt, o Prêmio Pritzker de Arquitetura é amplamente considerado "a maior honraria da profissão". A cada ano, a premiação homenageia um/a arquiteto/a, ou arquitetos/as, vivo/as cuja obra demonstre uma contribuição consistente e significativa para a humanidade e para o espaço construído. Ao longo das décadas, o prêmio tem refletido a mudança de prioridades na disciplina, destacando práticas comprometidas com a equidade social, a responsabilidade ambiental, a experimentação material e a continuidade cultural.
A intenção original dos edifícios sempre foi resolver um problema simples: o abrigo. Por meio da forma e da materialidade, eles protegiam seus ocupantes das intempéries e organizavam a atividade humana. A arquitetura moderna, acompanhando a evolução dos estilos de vida, acrescentou novas prioridades — eficiência, densidade, inovação estrutural e estética. Hoje, as pessoas exigem mais dos edifícios. Os/as ocupantes desejam, cada vez mais, ambientes que apoiem ativamente a maneira como vivem, trabalham e se sentem.
O bem-estar tornou-se uma preocupação central na contemporaneidade. Décadas de pesquisa em psicologia ambiental e ciência da construção revelam que as condições internas podem afetar profundamente a saúde e o comportamento humano. A iluminação influencia os ritmos circadianos e os padrões de sono. A qualidade do ar afeta o desempenho cognitivo e a saúde respiratória. A temperatura e a acústica moldam o conforto e a concentração.
A Milano Centrale é a principal estação ferroviária do norte da Itália e a segunda maior do país, atrás apenas da Roma Termini. O edifício foi inaugurado oficialmente em 1º de julho de 1931, substituindo a primeira estação central da cidade, que havia sido aberta em 1864. A construção tinha o objetivo de demonstrar o poder do regime fascista do então primeiro-ministro Mussolini, destacando-se por sua escala monumental, arcos grandiosos e uma fachada imponente. Após um concurso fechado promovido pela Grandi Stazioni Retail, o Park, um coletivo interdisciplinar italiano, foi selecionado para redesenhar o térreo e os mezaninos da estação, transformando este marco histórico urbano em uma plataforma contemporânea.
O escritório de paisagismo e desenho urbano SLA revelou o projeto para o espaço público e as vias urbanas de uma nova comunidade de 39,8 hectares à beira-mar em Toronto. O projeto de paisagismo urbano "Ookwemin Minising" está localizado em Port Lands, um distrito industrial e recreativo a sudeste do centro de Toronto, que atualmente passa por uma revitalização urbana para transformar a antiga zona industrial em um vale fluvial renaturalizado, bairros de uso misto e parques públicos. A transformação geral está sendo liderada pela Waterfront Toronto, uma corporação sem fins lucrativos financiada por recursos públicos, fundada em 2001 para supervisionar a regeneração da área, como parte de uma iniciativa governamental mais ampla para renaturalizar áreas urbanas e aumentar a densidade habitacional. Espera-se que a reurbanização de Ookwemin Minising seja concluída em fases entre 2031 e 2040.
Como um material concebido para pontes, fábricas e grandes estruturas chegou ao banco da sala, à estante do apartamento, à mesa do café? O metal atravessou séculos associado ao esforço, à máquina e à monumentalidade — das estruturas expostas das Exposições Universais do século XIX à lógica produtiva da indústria moderna. Sua presença no interior doméstico não é um dado óbvio, mas uma conquista cultural: a transformação de um material fabril em elemento de uso cotidiano, íntimo e próximo do corpo.
Estabelece-se, portanto, uma hierarquia visual que orienta o olhar, determinando o que deve ser visto, de que maneira e com qual intensidade emocional, sendo capaz de definir como o usuário interpreta o entorno. Nesse contexto, a estratégia projetual ultrapassa o campo da decisão estética para atuar como uma manipulação da experiência fenomenológica do espaço. Ao selecionar um fragmento específico do horizonte por meio de uma abertura controlada, ou dissolver os limites entre interior e exterior com amplos planos envidraçados, a arquitetura passa a operar como uma lente. Ela pode enfatizar a pequenez da escala humana diante da vastidão do território ou, em sentido oposto, domesticar a natureza, incorporando-a como parte da vida cotidiana.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 foram oficialmente abertos na sexta-feira, 6 de fevereiro, com uma cerimônia realizada em quatro locais no norte da Itália. O principal evento de abertura ocorreu no Estádio San Siro, um dos marcos modernistas mais significativos de Milão, unindo dança e artes performáticas em uma homenagem à cultura italiana, com apresentações de artistas internacionais, incluindo a estrela pop Mariah Carey. Embora diversas competições já tivessem começado no dia 4 de fevereiro, a cerimônia de abertura marcou o início de um programa mais amplo de eventos esportivos, sociais e culturais distribuídos por Milão e pelas três regiões alpinas anfitriãs: Cortina d'Ampezzo, Valtellina e Val di Fiemme. Os Jogos estão programados para seguir até 22 de fevereiro, encerrando-se com uma cerimônia de encerramento na Arena de Verona, antecedendo os Jogos Paralímpicos, que ocorrerão de 6 a 15 de março. Como um evento internacional de grande escala, as Olimpíadas impõem demandas significativas sobre a infraestrutura esportiva, redes de transporte, hospedagem e capacidade turística, oferecendo os primeiros indícios dos impactos urbanos, arquitetônicos e territoriais de longo prazo que os Jogos podem deixar para trás.
Símbolos do desenvolvimento tecnológico e da densidade urbana, os edifícios em altura, tal qual conhecemos hoje, surgiram no final do século XIX, principalmente nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento acelerado do comércio urbano e à necessidade de expandir as cidades sem ocupar mais território. O termo arranha-céu, por exemplo, foi cunhado na década de 1880 e originalmente se referia a edifícios com cerca de 10 a 20 pavimentos — uma altura impressionante para a época.
No entanto, a ideia de construir verticalmente é bem mais antiga do que os arranha-céus de aço e vidro sugerem. Muito antes da revolução industrial, algumas sociedades já experimentavam formas de urbanização vertical como solução para limitações de espaço, defesa territorial ou adaptação ambiental.
Sob o solo encontra-se um material que, silenciosamente, moldou a arquitetura do mundo moderno. O petróleo raramente é debatido no discurso arquitetônico; no entanto, a extração, a circulação e o consumo desse recurso reorganizaram profundamente a lógica espacial dos territórios. Oleodutos, refinarias, plataformas de perfuração, portos, rodovias e complexos petroquímicos formam uma vasta paisagem de infraestrutura que sustenta a vida contemporânea, compondo uma arquitetura de energia dispersa.
Ao longo dos séculos XX e XXI, o petróleo tornou-se a base material da sociedade industrial. Ele abasteceu os transportes, alimentou fábricas e sustentou o crescimento de cidades cuja organização espacial dependia de fluxos contínuos de energia. Contudo, as infraestruturas que viabilizam esses fluxos raramente se tornam objetos de investigação arquitetônica. A atenção permanece amplamente direcionada para a forma, a tipologia ou a densidade urbana, enquanto os sistemas materiais que sustentam esses ambientes tendem a ser deslocados no âmbito da disciplina.
Os mirantes são estruturas destinadas à observação da paisagem a partir de pontos elevados. Implantados em meio à natureza ou no cenário urbano, funcionam como dispositivos que organizam o olhar e estabelecem uma relação direta entre o corpo e o território. Nessa fronteira entre o observador e a paisagem, os mirantes podem assumir diferentes configurações, desde pequenos gestos até estruturas monumentais, sempre em resposta ao contexto em que se inserem. Independente da escala, são – em certa medida -, tentativas de domesticar a vastidão, recortes precisos que tornam legível aquilo que, sem mediação, poderia se apresentar como excesso.