Em junho de 2026, o reformado Teatro Mauri reabriu suas portas no Cerro Bellavista, em Valparaíso, que já foi o principal porto do Chile. O edifício faz parte do legado modernista da América Latina e fica ao lado de La Sebastiana, uma das renomadas residências do poeta Pablo Neruda. O projeto foi concebido pelo arquiteto Alfredo Vargas Stoller, autor de outros ícones da arquitetura moderna em Valparaíso, como o Edificio Cooperativa Vitalicia e o Conjunto de Viviendas Vargas em Viña del Mar. O Teatro Mauri foi inaugurado em 1951 como um espaço para espetáculos e cinema. Após um incêndio no início dos anos 1990, o edifício entrou em declínio, servindo apenas esporadicamente como espaço para festas e eventos locais. Em 2015, foi adquirido pela Sociedad Chilena de Autores e Intérpretes (SCD), que encomendou sua restauração aos/às arquitetos/as Laura Garrido e Gregorio Garretón.
Embora os Andes sejam frequentemente vistos como uma cordilheira contínua, eles abrangem uma grande variedade de climas e ecossistemas. No Equador, Peru, Bolívia, Colômbia e Chile, páramos, planaltos áridos, vales temperados e paisagens nevadas podem coexistir a distâncias relativamente curtas uns dos outros. À medida que a altitude varia, mudam também a temperatura, a radiação solar, a umidade, os ventos, a vegetação e a topografia, gerando ambientes que exigem diferentes abordagens construtivas.
Diferentemente de muitas regiões montanhosas onde o frio é a condição ambiental predominante, as áreas de grande altitude nos Andes reúnem diversas condições climáticas simultaneamente. Conforme a altitude aumenta, a radiação solar torna-se mais intensa. Algumas regiões permanecem úmidas ao longo de todo o ano, ao passo que outras enfrentam períodos prolongados de seca. Em muitos locais, o terreno íngreme, a neve e as mudanças constantes nos padrões meteorológicos tornam-se fatores adicionais que influenciam o desenho das edificações.
A madeira está entre os materiais mais antigos e familiares da arquitetura. Contudo, seu uso contemporâneo levanta questões complexas sobre impacto ambiental, disponibilidade de recursos, procedência de materiais e circularidade em relação às economias locais. Ao mesmo tempo, os avanços no design computacional, na usinagem CNC e na fabricação robótica também estão reconfigurando a maneira como a madeira é projetada e montada, abrindo novas possibilidades para a inovação estrutural e a expressão formal, ao mesmo tempo em que redefinem o equilíbrio entre automação, força de trabalho e eficiência.
As informações de um projeto de arquitetura não se limitam aos softwares CAD ou BIM. Briefings, PDFs de desenhos, contratos, orçamentos, relatórios de obra, arquivos de aprovação e especificações técnicas costumam ser os documentos que as equipes abrem, revisam, enviam e confirmam diariamente.
Quando esses arquivos ficam dispersos em e-mails, aplicativos de mensagem, cópias digitalizadas e diferentes dispositivos, erros de versão, atrasos em aprovações e perda de informações podem acontecer facilmente. Para arquitetos/as e pequenos escritórios, isso não apenas desacelera a comunicação, como também compromete a precisão do projeto, a confiança do cliente e os prazos de entrega.
Anualmente, no dia 11 de julho, o Dia Mundial da População chama a atenção para as tendências demográficas que estão remodelando as sociedades em todo o mundo. Em 2026, as Nações Unidas marcam a ocasião sob o tema "Realizar as Esperanças e Aspirações dos Jovens – Hoje e para o Futuro", destacando como as decisões da juventude sobre educação, emprego, habitação, relacionamentos e vida familiar são cada vez mais influenciadas pelas cidades onde vivem. Com base em Lives, Choices and Futures, uma pesquisa global com mais de 108 mil jovens adultos em 73 países, a campanha deste ano destaca a estreita relação entre as mudanças demográficas e as condições sociais, econômicas e espaciais das cidades.
O conceito de museu historicamente suscita reflexões sobre identidade, representação e estruturas institucionais. Atualmente, os museus são concebidos como espaços cada vez mais complexos, que combinam áreas de exposição com outras funções culturais e educativas, estimulando o engajamento cívico, a experimentação artística e a responsabilidade arquivística. Ao longo deste ano, inúmeros projetos de museus foram anunciados e avançaram em várias regiões do mundo, com cronogramas de conclusão que se estendem, em sua maioria, de 2026 a 2030. A essa variedade soma-se a ampla gama de conceitos desenvolvidos no campo das ideias, propostas e especulações. É nesse território que se insere esta seleção de projetos enviados pela comunidade de leitores do ArchDaily: propostas cujos desenhos expandem os limites da nossa imaginação.
Parte da arquitetura regional mais inovadora do mundo nunca chega às manchetes simplesmente porque ninguém está contando a sua história. No sexto episódio do podcast Room For Dreams, gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, a host Claire Brodka, do designboom, analisa detalhadamente esse gargalo ao lado dos/as arquitetos/as Niroop Reddy, Sujit Nair e Aman Aggarwal. O debate investiga como a falta histórica de narrativas na arquitetura acabou obscurecendo uma grande revolução de design em curso no subcontinente indiano.
https://www.archdaily.com.br/pt/1092434/a-arquitetura-chinesa-contemporanea-em-constante-geracao-e-transformacao-entrevista-com-liu-yulong-thad韩爽 - HAN Shuang
O fotógrafo Paul Clemence registrou o West Bund Orbit, pavilhão de exposições públicas do Heatherwick Studio na orla de West Bund, em Xangai, através de uma série de fotos que explora a identidade arquitetônica em constante evolução do projeto. Situado no Distrito de Xuhui, ao longo do Rio Huangpu, o edifício foi concebido como um destino cultural dentro do emergente polo financeiro da região, ao mesmo tempo em que amplia a rede de espaços públicos que definem a orla revitalizada. Em vez de focar apenas no edifício como um objeto isolado, as fotografias de Clemence examinam a relação entre arquitetura, circulação e paisagem, revelando como os caminhos interconectados e a forma em camadas do projeto dialogam tanto com a orla quanto com a cidade ao redor.
Esta semana foi dedicada às artes, com a arquitetura cultural dominando as manchetes em todo o mundo. Edifícios emblemáticos de grandes instituições alcançaram marcos importantes de construção e projeto, desde a Ópera de Xangai até o novo centro de artes cênicas de Abu Dhabi, ao mesmo tempo em que duas novas encomendas de museus foram anunciadas após concursos internacionais. A arquitetura também assumiu o papel de protagonista como tema de exposição em si mesma, com a Trienal de Arquitetura de Sharjah revelando sua lista de participantes e a Áustria apresentando sua proposta para a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2027. Além dessas novidades, o compilado de notícias desta semana inclui três futuros projetos de desenho urbano: em Seul, Coreia do Sul, um novo bairro à beira-rio no distrito de Apgujeong integra torres residenciais a áreas de parque que conectam a cidade ao Rio Han; em Cardiff, País de Gales, uma ponte de pedestres e ciclistas sobre o Rio Taff conecta bairros costeiros a novas habitações à beira-mar; e em Bengaluru, no sul da Índia, o Museu de Arte e Fotografia está expandindo seu campus público, adicionando novas instalações cívicas e culturais, além de um grande parque de esculturas localizado em uma Reserva da Biosfera da UNESCO em Tamil Nadu.
Projeto Dar al Funoon Abu Dhabi por Frank Gehry. Imagem cortesia do Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi
O Dar al Funoon Abu Dhabi, a nova instituição de artes performáticas projetada pelo falecido arquiteto Frank Gehry, está entre suas obras finais. Com nome que se traduz como "Casa das Artes", o edifício de destaque, encomendado pelo Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi, foi projetado para ser um polo global de artes performáticas e tem previsão de inauguração para 2030. O projeto se soma ao portfólio de Gehry no emirado, que também inclui o futuro Guggenheim Abu Dhabi, e dá sequência à nomeação da cidade como Cidade Criativa da Música pela UNESCO em 2021.
Galeria Cívica de Arte Moderna e Contemporânea de Turim. Imagem cortesia de MVRDV
O escritório MVRDV e a Balance Architettura apresentaram sua proposta para a renovação da Galeria Cívica de Arte Moderna e Contemporânea (GAM) de Turim, na Itália, após terem sido selecionados em um concurso público em dezembro de 2025. O projeto busca recuperar as qualidades espaciais do edifício do museu, datado de 1959, ao mesmo tempo em que introduz novas estratégias de exposição, uma reserva técnica aberta ao público e sistemas de exibição flexíveis, projetados para se adaptar às constantes transformações das demandas de curadoria. Concebida tanto como uma restauração arquitetônica quanto como uma transformação institucional, a proposta visa reconectar o museu com a cidade ao seu redor, adaptando-o às abordagens contemporâneas de expografia e engajamento do público. O projeto conta com o apoio da Fondazione Torino Musei, é financiado pela Fondazione Compagnia di San Paolo e a previsão é que as obras comecem no segundo semestre de 2027.
Acontecimentos recentes destacaram as diversas maneiras pelas quais a arquitetura responde às transformações nas condições ambientais, sociais e culturais. Grandes terremotos na Venezuela, no Japão e no norte da Califórnia renovaram a atenção para o papel do planejamento, da infraestrutura e das práticas construtivas na promoção da resiliência a desastres naturais. Enquanto essas questões seguem moldando o ambiente construído, a abertura do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026, em Barcelona, reuniu profissionais e pesquisadores/as para debater clima, habitação, espaço público e o futuro da profissão. Anúncios recentes de projetos, iniciativas de preservação, obras concluídas e novas ferramentas de projeto também refletiram a diversidade de abordagens que moldam a prática arquitetônica atual, desde a conservação do patrimônio e o reuso adaptativo até o desempenho ambiental e o planejamento de longo prazo.
A 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (BIAsp), programada para ocorrer em setembro e outubro de 2027, anunciou a dupla de profissionais da arquitetura Gabriela de Matos e Pedro Rossi na curadoria-geral do evento. Dando continuidade à edição anterior, sob o tema Extremos: Arquiteturas para um mundo quente, espera-se que a dupla traga perspectivas críticas sobre arquitetura, cultura e cidade para o tema Arquitetura, Cultura e Soberania. O papel de ambos/as será coordenar o desenvolvimento conceitual da Bienal, definir a equipe de curadoria e realizar uma chamada pública para co-curadores/as.
Arquitetura e água pertencem a naturezas opostas. Enquanto uma delimita e contém, a outra insiste em se espalhar, e é dessa tensão entre o sólido e o líquido que surgem os centros aquáticos. Nesses edifícios, a presença da água transforma tudo ao seu redor. A luz se fragmenta em reflexos instáveis, os sons adquirem uma reverberação particular, a temperatura e a umidade passam a definir a atmosfera dos espaços, enquanto materiais e sistemas construtivos são permanentemente postos à prova. Mas sua singularidade não é apenas técnica.
Uma rebelião experiencial ganha destaque no quarto episódio do podcast Room For Dreams, tocando diretamente no cerne da cultura de design contemporânea, obcecada por imagens e pela superficialidade das telas. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, a apresentadora Claire Broadka conversa com quatro profissionais da arquitetura indiana — Indrajit Kembhavi, Manish Gulati, Sanjay Singh e Sidhartha Talwar — para discutir uma questão crucial: teríamos sacrificado a alma da arquitetura em prol de um post perfeito no Instagram?
O projeto desenvolvido por CRA-Carlo Ratti Associati, Park Associati, Politecnica Building for Humans, Openfabric, DOTDOTDOT, Studio Mattioli e Eckersley O'Callaghan foi selecionado para projetar o novo Hospital Geral e o Hospital Infantil em Brescia, na Itália. O mandato do concurso internacional previa a requalificação de um hospital existente, preservando e ampliando a planta radial concebida pelo engenheiro Angelo Bordoni no início do século XX. O complexo de saúde existente, Spedali Civili di Brescia, segue um plano diretor hexagonal e uma disposição radial que orientam o novo desenho das instalações. A geometria é reinterpretada para atualizar o campus voltado a futuros modelos de assistência à saúde, desenhando em seu entorno um novo anel de serviços (CareRing) que conecta pessoas, natureza e saúde por meio dos princípios da "One Health" (Saúde Única) — a ideia de que a saúde humana, a saúde ambiental e o bem-estar social são indissociáveis.
Vencedor do Primeiro Prêmio: Seeds in Forgotten Soil. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados da segunda edição do concurso Re-Form: New Life for Old Spaces, uma premiação internacional de ideias que investiga o reuso adaptativo de edifícios existentes de pequena escala. O concurso convidou profissionais de arquitetura e design a proporem transformações de estruturas usadas, abandonadas ou negligenciadas com uma área de projeção aproximada de 250 metros quadrados, localizadas em qualquer lugar do mundo. Sem terreno ou programa definidos, incentivou-se a exploração de alternativas à demolição e à construção nova, por meio de estratégias de reuso fundamentadas em questões sociais e ambientais contemporâneas.
A ascensão acelerada de uma estética homogeneizada e globalizada está forçando criadores e criadoras a confrontar uma realidade crítica: as tendências de design transcendem a geografia sem esforço, mas a identidade local acaba pagando o preço. O quinto episódio do podcast Room For Dreams investiga diretamente se um mercado sem fronteiras está apagando silenciosamente a diversidade do design. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026, em parceria com a INDX|GLOBAL, a apresentadora Claire Broadka, do designboom, conversa com Sachi Gupta, Shilpi Sonar, Krithika Subrahmanian e Sumit Dhawan para mapear a realidade dos/as profissionais criativos/as sem fronteiras.
A Áustria anunciou Koncesija / Konzession / Concession(e) como sua contribuição para a 20ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Com curadoria da dupla de arquitetura Adna Babahmetović e Ajna Babahmetović, juntamente com o curador Sebastian Höglinger, o projeto propõe ceder temporariamente o Pavilhão Austríaco à Bósnia e Herzegovina por meio de uma concessão cooperativa. Selecionado por meio do processo de concurso público da Áustria, o pavilhão examina questões de representação nacional, diplomacia e intercâmbio arquitetônico, respondendo à ausência de um pavilhão nacional bósnio nos Giardini, onde se localizam os históricos pavilhões nacionais da Bienal.