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Arquitetos: Peris+Toral.arquitectes
- Área: 6140 m²
- Ano: 2022
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Fabricantes: AISLUX Catalunya S.A., ALUMINIOS CORTIZO S.A, ARREGUI, GLS Prefabricados, GRADHERMETIC , +4



Nesta semana, a relação da arquitetura com a cultura ganhou destaque por meio de exposições, projetos públicos e novas infraestruturas que expandem o discurso arquitetônico para além do edifício em si. Ao mesmo tempo que grandes exposições na Austrália, em Xangai, Barcelona e Copenhague investigaram temas como habitação, paisagem e lugar por meio de pesquisa e projeto, obras recém-reveladas na China e na Itália demonstram como museus, espaços de performance e complexos de uso misto são cada vez mais concebidos como paisagens públicas abertas, e não como instituições isoladas. Paralelamente, novas mostras e marcos de construção refletem a experimentação contínua em reuso adaptativo, projetos responsivos ao contexto e ambientes urbanos flexíveis.

Como parte da programação oficial de Barcelona como Capital Mundial da Arquitetura UNESCO-UIA de 2026, o Jardí Botànic de Barcelona recebe a exposição "Parlour Gardens: Dreams from the Rooftop", uma mostra de instalações cerâmicas que propõe um percurso pela arquitetura de paisagem. Com curadoria de Marina Cervera (Bienal Internacional de Paisagem de Barcelona, CEO da NablaBCN), James Hayter (ex-presidente da IFLA, Oxigen) e José Luis Cortés (ex-presidente da UIA), a exposição marca o centenário da criação dos jardinets de saló (jardins de salão) em 1926: universos paisagísticos de cerâmica em miniatura concebidos originalmente por Nicolau M. Rubió i Tudurí, Llorenç Artigas e Raoul Dufy. Instalações desenvolvidas por 14 arquitetos/as paisagistas do cenário internacional estarão distribuídas pelo jardim botânico, agrupadas por zonas homoclimáticas para associar cada proposta à vegetação regional correspondente, permanecendo em cartaz até 4 de outubro de 2026.
No Congresso Mundial de Arquitetos da UIA de 2026 em Barcelona, as discussões sobre o futuro da habitação frequentemente foram além das questões de projeto para abranger temas como governança, propriedade e gestão a longo prazo. Entre os/as palestrantes que participaram dessas conversas estava Cristina Gamboa, cofundadora da Lacol, cooperativa com sede em Barcelona, cuja prática alia arquitetura, ativismo pela habitação, gestão de obras e pesquisa ambiental por meio de um modelo cooperativo. Durante o Congresso, o ArchDaily conversou com Gamboa sobre como a prática cooperativa redefine o papel do/a arquiteto/a, por que a participação vai muito além da mera consulta e de que forma projetos como La Borda e La Morada continuam a alimentar debates mais amplos sobre habitação, cuidado e vida coletiva.
No Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026 em Barcelona, o tema Becoming. Arquiteturas para um Planeta em Transição enquadrou a arquitetura como uma disciplina que atua no âmbito das transformações ambientais, políticas e sociais, e não à margem delas. Entre os palestrantes desta edição estava o arquiteto Andrés Jaque, fundador do Office for Political Innovation e decano da Graduate School of Architecture, Planning and Preservation (GSAPP) da Universidade de Columbia. Durante o Congresso, o ArchDaily conversou com Jaque sobre a capacidade da arquitetura de gerar alternativas, o papel da experimentação na educação e por que a transição deve ser compreendida como uma condição, e não como um destino.

As áreas de interface entre terra e água sempre exerceram papel fundamental na formação e no desenvolvimento das cidades. Dos antigos portos comerciais até as atuais orlas multifuncionais, as frentes marítimas e fluviais representam espaços de grande potencial econômico e social. Diante deste contexto, os complexos náuticos contemporâneos cada vez mais assumem o papel de equipamentos urbanos estratégicos, capazes de integrar diferentes atividades, promovendo a reaproximação entre a cidade e a água e contribuindo para a valorização de paisagens frequentemente subutilizadas.

O projeto ReGreeneration, uma iniciativa do programa Horizon Europe liderada pela Inetum e apoiada pelo C40 Cities, pela ARUP, pela Placemaking Europe, entre outros parceiros, atua como uma colaboração ativa entre governos locais, empresas privadas, academia e organizações da sociedade civil na interseção entre regeneração urbana, espaços públicos verdes e desenho em escala de bairro. Sua premissa aborda como as cidades europeias são construídas e mantidas, e de que forma vivenciam as mudanças climáticas, defendendo que os centros urbanos precisam mudar estruturalmente para continuarem habitáveis diante das crescentes pressões climáticas.

Barcelona é a primeira cidade na história do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA a sediar o evento duas vezes. A edição de 1996, Presente e Futuros: Arquitetura nas Cidades, aconteceu em um momento de forte efervescência, quando a cidade pós-olímpica consolidava um modelo urbano que se tornaria um dos mais estudados e contestados do urbanismo contemporâneo, e quando a arquitetura aprendia a pensar a grande metrópole como seu principal campo de investigação. Trinta anos depois, a mesma cidade retoma a questão sob uma condição distinta: aquela em que o ambiente construído não pode mais ser compreendido como um objeto autônomo, mas apenas por meio dos sistemas ecológicos, materiais e políticos mais amplos que o sustentam. O tema do Congresso de 2026 — Devir. Arquiteturas para um Planeta em Transição — não abandona as preocupações urbanas de 1996; ele as reabre a partir de uma escala planetária.
A equipe de curadoria por trás desta edição, formada por Pau Bajet, Maria Giramé, Mariona Benedito, Tomeu Ramis, Pau Sarquella e Carmen Torres, aborda a arquitetura como uma ferramenta crítica e transformadora enraizada no território, atuando na intersecção entre prática profissional, pesquisa e ensino. Seu programa estrutura o Congresso em torno de seis linhas temáticas interconectadas (Devir Mais-que-humano, Devir Circular, Devir Incorporado, Devir Interdependente, Devir Hiperconsciente e Devir Sintonizado) e o distribui por três locais de características bastante distintas — Les Tres Xemeneies del Besòs, o Disseny Hub em Glòries e o CCIB —, cada um escolhido tanto pelo que representa quanto pelo que pode abrigar.

Em 2026, Barcelona se tornará o epicentro mundial da arquitetura ao ser nomeada Capital Mundial da Arquitetura pela UNESCO e pela UIA. Esse reconhecimento reforça o papel da cidade como laboratório urbano de inovação, sustentabilidade e design contemporâneo. Nesse contexto, estudar um mestrado em arquitetura em Barcelona representa uma oportunidade para arquitetos, arquitetas e profissionais do setor que buscam se especializar e se conectar com as tendências que estão transformando a disciplina.

Uma discussão coletiva intitulada "Beyond Recognition: Exploring the Role of Architectural Awards" ocorrerá no dia 29 de junho em Barcelona, por ocasião do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026. O debate parte da convicção de que, no contexto atual de aceleração dos desafios globais, o papel dos prêmios de arquitetura precisa evoluir. O evento dá continuidade à discussão iniciada durante a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, na qual a relevância das premiações foi questionada, abrindo caminho para um novo debate sobre como os prêmios de arquitetura podem contribuir para moldar a prática profissional, as instituições e o discurso público. As sessões de discussão são organizadas por representantes de importantes prêmios internacionais: o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, o Ammodo Architecture Award, os EUmies Awards, o Holcim Foundation Awards, o Mies Crown Hall Americas Prize e o OBEL Award, contando também com a participação de figuras proeminentes no campo da arquitetura e do design.

Cada vez mais raramente o patrimônio em interiores resume-se a uma questão de mera preservação. Com mais frequência, ele se manifesta como fricção: o encontro entre o que um edifício já é — a lógica de sua planta, suas cicatrizes, suas inconsistências estruturais — e o que a vida contemporânea dele exige.
Alguns dos projetos mais potentes da atualidade não são aqueles que "restauram" um interior de volta a um momento específico, nem os que apagam o passado sob uma nova pele homogênea. São, antes, aqueles que encenam uma relação entre o antigo e o novo — permitindo que o contraste vá além do mero relato histórico, e fazendo do embate uma ferramenta pragmática de viabilidade construtiva, orçamentária e de execução.


A arquitetura e o design entram em 2026 em um momento de experimentação renovada, reflexão ambiental urgente e ampliação do diálogo global sobre o ambiente construído. À medida que as cidades enfrentam pressões relacionadas à adaptação climática, às transformações demográficas e às mudanças tecnológicas, o calendário internacional deste ano oferece um retrato de como a disciplina vem respondendo a esses desafios — de forma criativa, crítica e coletiva. Entre bienais consolidadas e plataformas recém-criadas, os eventos de 2026 evidenciam o papel da arquitetura tanto como registro das transformações do nosso tempo quanto como agente ativo na construção de futuros mais equitativos e sustentáveis.

