
Ao caminhar pela orla de Barcelona, a linha da costa parece sempre ter estado ali: areia, palmeiras, um longo calçadão, restaurantes, lojas e hotéis modernos. No entanto, a realidade é que nem sempre foi assim. Até a década de 1980, a frente marítima de Barcelona era uma barreira ativa de linhas ferroviárias, fábricas e habitações informais, com águas residuais escoando diretamente para o Mediterrâneo. A partir de 1987, a cidade começou a criar continuamente grandes calçadões e passagens entre o tecido urbano e o mar, moldando um ambiente que hoje muitos podem interpretar como um espaço outrora vazio, mas que, na verdade, resulta de décadas de intervenções de infraestrutura e complexidade social, somadas a um esforço municipal para transformar o território urbano e sua relação com a água. Acompanhar essa transformação levanta três questões que estruturam este artigo: quem foi deslocado para abrir a orla, quem a governa hoje e quem a mantém de pé?




























