Símbolos do desenvolvimento tecnológico e da densidade urbana, os edifícios em altura, tal qual conhecemos hoje, surgiram no final do século XIX, principalmente nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento acelerado do comércio urbano e à necessidade de expandir as cidades sem ocupar mais território. O termo arranha-céu, por exemplo, foi cunhado na década de 1880 e originalmente se referia a edifícios com cerca de 10 a 20 pavimentos — uma altura impressionante para a época.
No entanto, a ideia de construir verticalmente é bem mais antiga do que os arranha-céus de aço e vidro sugerem. Muito antes da revolução industrial, algumas sociedades já experimentavam formas de urbanização vertical como solução para limitações de espaço, defesa territorial ou adaptação ambiental.
Sob o solo encontra-se um material que, silenciosamente, moldou a arquitetura do mundo moderno. O petróleo raramente é debatido no discurso arquitetônico; no entanto, a extração, a circulação e o consumo desse recurso reorganizaram profundamente a lógica espacial dos territórios. Oleodutos, refinarias, plataformas de perfuração, portos, rodovias e complexos petroquímicos formam uma vasta paisagem de infraestrutura que sustenta a vida contemporânea, compondo uma arquitetura de energia dispersa.
Ao longo dos séculos XX e XXI, o petróleo tornou-se a base material da sociedade industrial. Ele abasteceu os transportes, alimentou fábricas e sustentou o crescimento de cidades cuja organização espacial dependia de fluxos contínuos de energia. Contudo, as infraestruturas que viabilizam esses fluxos raramente se tornam objetos de investigação arquitetônica. A atenção permanece amplamente direcionada para a forma, a tipologia ou a densidade urbana, enquanto os sistemas materiais que sustentam esses ambientes tendem a ser deslocados no âmbito da disciplina.
Os mirantes são estruturas destinadas à observação da paisagem a partir de pontos elevados. Implantados em meio à natureza ou no cenário urbano, funcionam como dispositivos que organizam o olhar e estabelecem uma relação direta entre o corpo e o território. Nessa fronteira entre o observador e a paisagem, os mirantes podem assumir diferentes configurações, desde pequenos gestos até estruturas monumentais, sempre em resposta ao contexto em que se inserem. Independente da escala, são – em certa medida -, tentativas de domesticar a vastidão, recortes precisos que tornam legível aquilo que, sem mediação, poderia se apresentar como excesso.
Esta semana foi marcada pelo Dia Mundial da Saúde, comemorado anualmente em 7 de abril pela Organização Mundial da Saúde. A edição deste ano lançou o apelo de "Apoiar a ciência", convidando a um engajamento renovado com o conhecimento científico como base para a ação coletiva entre diversas disciplinas. Na arquitetura e no desenho urbano, esse imperativo ressoa em projetos que traduzem pesquisas em estratégias espaciais: desde a implantação de gêmeos digitais para subsidiar o planejamento urbano e a tomada de decisões, até iniciativas de renaturalização (*rewilding*) que integram a biodiversidade como ferramenta para mitigar as mudanças climáticas, além de práticas focadas na materialidade que promovem uma construção consciente dos recursos. Dentro desse panorama mais amplo, trabalhos recentes também destacam a agência social da arquitetura em múltiplas escalas, incluindo um centro de apoio a pacientes com câncer em Kent focado na paisagem, que alinha bem-estar à sensibilidade ambiental; uma instalação urbana em Brescia que funciona como um dispositivo de conscientização cívica sobre a vida na prisão e caminhos para a reintegração; e a transformação de uma rua em Mântua em um espaço público voltado para pedestres e rico em biodiversidade.
Uma tela perfurada frequentemente é tratada como um elemento secundário, algo aplicado para suavizar a luz, decorar uma fachada ou adicionar textura onde, de outro modo, a parede pareceria plana. É fotografada como superfície, desenhada como padrão e discutida como trabalho artesanal. No entanto, em muitos edifícios pelo subcontinente indiano e pelo mundo islâmico, essa tela nunca foi um mero acréscimo. Era a própria parede. Ao removê-la, o edifício não muda apenas de aparência; ele perde a capacidade de regular o calor, circular o ar e mediar a relação entre o interior e o exterior.
Essa leitura equivocada revela mais sobre os hábitos contemporâneos do que sobre a tela em si. O pensamento arquitetônico há muito separa a estrutura da envoltória, o desempenho da expressão. Sob essa perspectiva, elementos como o jaali ou o muxarabi são facilmente categorizados como ornamentais, visualmente ricos, mas tecnicamente secundários. Contudo, essas telas foram concebidas como sistemas integrados, nos quais geometria, material e clima operam em conjunto. Sua inteligência reside naquilo que realizam.
Há um gesto ancestral em dar forma à terra. Muito antes da arquitetura se constituir como disciplina, o barro já era moldado pelas mãos e transformado pelo fogo, convertendo matéria bruta em utensílio doméstico e objeto cultural. Na história desse ofício, as fábricas de cerâmicamarcam a transição do saber manual para a produção em série, ampliando sua escala sem romper completamente com a origem material. Dispersas por diferentes territórios, essas estruturas registram a relação entre técnica, paisagem e tempo. Com o passar das décadas, no entanto, muitas delas acabaram perdendo sua função original, sendo substituídas por processos mais tecnológicos ou fagocitadas pelo desenvolvimento urbano ao seu redor, passando a ocupar um estado intermediário, entre permanência e obsolescência.
Mesmo o transeunte mais distraído é capturado pela presença monumental dessa estrutura situada no consolidado bairro valenciano de Benimaclet. Diante dela, qualquer tentativa de apreensão racional se desfaz. A lógica construtiva parece escapar enquanto o espaço se desdobra em tensões e desvios onde nada se oferece de imediato. Entre massas de concreto e a insurgência da vegetação, emerge um jogo quase coreográfico de planos, ângulos e rotações. Na vertigem desse encontro, percebe-se que o edifício não foi feito para ser compreendido, mas para ser experimentado.
A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.
Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.
Como resposta a um mundo em rápida transformação, a flexibilidade tornou-se prioridade absoluta no design de interiores contemporâneo. Isso explica, por exemplo, a crescente demanda por espaços amplos e multifuncionais em detrimento de layouts rígidos e fechados — como demonstra a tendência das cozinhas integradas. Essa mudança nas necessidades espaciais sugere que projetar para o presente e para o futuro significa criar espaços capazes de se adaptar facilmente a múltiplos usos: em um dia, uma sala pode ser destinada a um grande evento; no outro, pode ser necessária para atividades menores e mais reservadas. Diante disso, materiais, produtos e outros elementos do design de interiores devem responder à altura, integrando tecnologia e inovação para criar espaços flexíveis e, ao mesmo tempo, funcionais.
O ensino de arquitetura nunca foi concebido para preparar você para o lado empreendedor da gestão de um escritório. Na mente dos criadores que construíram o sistema que hoje define o caminho para a obtenção do registro profissional, a ideia nunca foi que você iniciasse um negócio de arquitetura de forma precoce. Existe um código, um conjunto de regras que o/a impulsiona a obedecer e a seguir uma visão unilateral de sucesso.
Burgess Creek Promenade, Steamboat Springs, Colorado. Imagem cortesia de Wenk Associates
A necessidade de se adaptar rapidamente às mudanças climáticas assumiu, com razão, o centro das atenções. No entanto, as conexões entre as mudanças climáticas e a gestão de águas pluviais frequentemente passam despercebidas. As mudanças climáticas impactam o ciclo hidrológico ao aumentar a escassez de água e a frequência e intensidade das inundações, além de contaminar os cursos d'água. Gerenciar melhor as águas pluviais é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e para a proteção de nossa segurança e da saúde do meio ambiente.
O American Institute of Architects (AIA) selecionou 11 projetos como vencedores do seu 2022 Architecture Awards. O programa anual celebra o melhor da arquitetura contemporânea e destaca como os espaços podem atender aos seus moradores/as e ao seu contexto, incorporando um sentido de lugar, propósito, história e sustentabilidade ambiental. Entre os projetos selecionados, estão tipologias comerciais, residenciais e cívicas, todos projetados por arquitetos/as licenciados/as nos EUA.
O mistério das cores nos intriga desde a infância. Misturar tintas para criar novos tons ou observar os raios de sol e cristais formando arco-íris torna-se uma parte fascinante da nossa infância muito antes de ouvirmos falar em química e óptica. À medida que crescemos, a cor continua a desempenhar um papel fundamental em como vivenciamos o mundo, impactando o humor, as emoções, a produtividade e o comportamento. Isso explica por que os seres humanos são naturalmente atraídos por certas tonalidades; trata-se de algo intrínseco ao cérebro humano. Há uma percepção comum, por exemplo, de que as paletas de vermelho, laranja e amarelo geram uma sensação de calor e alegria, ao passo que tons de marrom, cinza e preto evocam tristeza e melancolia. Naturalmente, o mesmo se aplica ao design e ao ambiente construído, pois, juntamente com a textura, a luz e a sombra, os espaços ao nosso redor são definidos por tons e nuances que moldam o que vemos e como nos sentimos. Assim, a cor acaba transformando a maneira como percebemos, sentimos e vivenciamos a arquitetura.
Os ruídos –especialmente aqueles que não podemos controlar– afetam profundamente tanto a saúde física quanto a mental. Sejam provenientes da rua, da vizinhança do andar de cima ou do cômodo ao lado, pesquisas sugerem que eles podem aumentar o estresse, reduzir a produtividade, interferir na comunicação e contribuir para o desenvolvimento de problemas como a hipertensão arterial. Em última análise, a qualidade acústica define a experiência de uso e (literalmente) dá o tom para o restante do interior. A má notícia é que a maioria dos materiais de construção convencionais utilizados hoje na arquitetura moderna –concreto, vidro, alvenaria– possui superfícies extremamente duras e propriedades acústicas limitadas, o que faz o som reverberar várias vezes e força as pessoas a elevarem a voz para se fazerem entender. Somado ao crescimento da densidade urbana e à adoção de layouts de uso misto nos projetos, tudo isso resulta em ambientes de vida e trabalho cada vez mais barulhentos, desconfortáveis e dispersivos.
Edifício Wolf Point East / Pappageorge Haymes. Imagem cortesia de Graphisoft
Considerada a segunda habilidade mais solicitada no setor (atrás apenas da experiência de campo) e utilizada por um número crescente de profissionais de projeto, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) provou ser o presente da arquitetura. No entanto, com constantes novos recursos e melhorias promissoras, a tecnologia é também, em grande medida, o futuro. Há décadas, esse software revolucionário vem se consolidando como uma ferramenta poderosa, com uma longa lista de recursos valiosos: detecção de erros, redução de custos e de desperdício de materiais, mitigação de riscos, otimização de fluxos de trabalho e, acima de tudo, a viabilização de uma colaboração multidisciplinar fluida.
O Design Educates Awards, premiação que reconhece anualmente os melhores projetos que respondem a contextos sociais e ambientais complexos e trazem valor educativo, acaba de anunciar os resultados de sua edição de 2022. O prêmio busca iniciativas que gerem um impacto duradouro nas pessoas e no meio ambiente, apresentando as melhores ideias e realizações do mundo com potencial educativo.
Eden Project North - Morecambe. Imagem cortesia de Grimshaw
Após revelar o Eden Project North em 2018, o escritório Grimshaw finalmente recebeu a aprovação do Conselho Municipal de Lancaster para iniciar a construção de sua atração em Morecambe. A nova adição à série Eden Project focará em reimaginar a saúde e o bem-estar, inspirando-se na paisagem de Morecambe Bay, um estuário natural ao sul de Lake District. Assim como nas demais atrações, uma série de estruturas semelhantes a conchas abrigará os principais espaços de exposição e lazer.
Após o lançamento bem-sucedido da 13ª edição do nosso Building of the Year Awards no início deste ano, gostaríamos de agradecer por fazer parte da nossa comunidade há mais de 10 anos. Juntos, temos crescido e contribuído para o cenário arquitetônico global, visando um mundo melhor. Agora, temos o orgulho de anunciar a 6ª edição do ArchDaily Building of the Year China, que celebra o melhor da arquitetura na China, escolhido por você, leitor(a).
Ao indicar e votar, você passa a integrar uma rede interdependente, imparcial e distribuída de jurados/as e pares que tem nos ajudado constantemente a celebrar a arquitetura de todas as escalas, propósitos e condições, bem como arquitetos/as de todos os perfis. Nas próximas semanas, seus votos filtrarão 700 projetos chineses para selecionar apenas os 10 melhores do país.
O prêmio Building of the Year Awards China 2022 é apresentado a você graças à Dornbracht, marca reconhecida por seu design de ponta voltado à arquitetura, presente internacionalmente em banheiros e cozinhas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135012/estao-abertas-as-indicacoes-para-o-premio-edificio-do-ano-2022-do-archdaily-china韩爽 - HAN Shuang
Como o segundo maior escritório de arquitetura do mundo, a Perkins&Will tem a responsabilidade de colocar as pessoas no centro de sua prática projetual, visto que seu trabalho impacta milhões de horas da experiência humana. O foco em sustentabilidade, saúde e justiça é um objetivo compartilhado por profissionais de projeto.
Sob o tema Unknown Unknowns. An Introduction to Mysteries, a 23ª Exposição Internacional da Trienal de Milão estará aberta ao público de 15 de julho a 11 de dezembro de 2022, apresentando instalações, intervenções e projetos especiais que "questionam o que não sabemos que não sabemos". A edição deste ano exibirá uma série de obras de arte e instalações projetadas por arquitetos/as e designers de destaque vindos de 40 países, como o de Francis Kéré, vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2022, que assina uma instalação que reúne as vozes da África e de sua diáspora.