Sob o título Paraíso, hoje., a exposição que representa Portugal na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia aborda a arquitetura como uma construção cultural da paisagem. Com curadoria da equipe de arquitetura composta por Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci, em conjunto com a arquiteta paisagista Catarina Raposo e o videoartista Nuno Cera, a mostra apresenta uma instalação imersiva com vídeos criados a partir de novas tecnologias digitais e inteligência artificial, além de um Atlas de imagens. Em conjunto, esses elementos constroem uma exploração crítica sobre o tema proposto, a alegoria de um "Paraíso". Este ano, a representação portuguesa mudou de localização, transferindo-se do Palazzo Franchetti para o edifício Fondaco Marcello, junto ao Grande Canal de Veneza. A mostra permanecerá aberta ao público e acolherá um ciclo de debates até 23 de novembro de 2025.
O projeto do escritório Zaha Hadid Architects para um habitat marinho de fabricação digital na zona de conservação do Parque Marinho de North Lantau, em Hong Kong, foi apresentado recentemente na exposição do World Design Congress, em Londres. O evento ocorreu no Barbican Centre entre os dias 9 e 10 de setembro, um dos exemplos mais reconhecidos de arquitetura brutalista no mundo. Com o tema "Design for Planet" (Design para o Planeta), o congresso convocou profissionais de design e contratantes do setor a assumirem sua missão mais crítica até o momento: projetar um futuro regenerativo diante das mudanças climáticas e examinar o papel do design como ferramenta de ação ambiental. Nesse contexto, o escritório Zaha Hadid Architects apresentou o Nereid, um habitat de fabricação digital desenvolvido com tecnologias avançadas de impressão 3D pela D-Shape, destinado a apoiar a regeneração natural dos ecossistemas marinhos.
Miguel Ramón López e Ander Bados Sesma, curadores da XVII Bienal Espanhola de Arquitetura e Urbanismo. Imagem Cortesia de XVII Bienal Española de Arquitectura y Urbanismo
A décima sétima edição da Bienal Espanhola de Arquitetura e Urbanismo (BEAU) acontecerá em dezembro de 2025. O evento consiste em uma exposição realizada em uma antiga usina termoelétrica reconvertida em centro cultural em Ponferrada, no nordeste da Espanha. Esta edição terá a curadoria de Ander Bados Sesma, do Atelier Ander Bados, e de Miguel Ramón López, arquiteto natural de Ponferrada que atua no Estudio Lamela, sob a proposta curatorial intitulada flujos comun.es ("fluxos comuns"). A proposta responde ao tema da chamada aberta: A Arquitetura como Política de Mudança, um convite para refletir sobre o papel da disciplina em processos de transformação social, econômica e ambiental. Nesse contexto, flujos comun.es apresenta uma perspectiva crítica sobre os desafios associados à hiperconectividade. O prazo para o envio de propostas e projetos já está aberto e se estenderá até o final de julho, a depender da categoria.
A iniciativa Capital Europeia da Cultura (CEC) foi lançada em 1985 e, até o momento, contemplou mais de 60 cidades em toda a Europa. O projeto busca celebrar e promover a diversidade cultural no continente, fortalecer o sentimento de pertencimento da população europeia a um espaço cultural compartilhado e incentivar a contribuição da cultura para o desenvolvimento urbano. Na prática, a nomeação tem se mostrado um catalisador para a regeneração urbana, o crescimento do turismo, o fortalecimento do perfil internacional das cidades e a melhoria de como elas são percebidas por seus próprios habitantes. As Capitais Europeias da Cultura são formalmente designadas quatro anos antes do ano do título, garantindo tempo para planejar, preparar e integrar o programa a uma estratégia cultural de longo prazo, estabelecer parcerias europeias e assegurar a infraestrutura necessária. Em 2025, as Capitais Europeias da Cultura são a cidade alemã de Chemnitz e a cidade eslovena de Nova Gorica. Para 2026, as cidades escolhidas são Oulu na Finlândia e Trenčín na Eslováquia.
O escritório VUILD apresentou o projeto para um estádio de futebol em madeira planejado para Fukushima, no Japão, que será a futura sede do Fukushima United FC. Encomendada pela SportX, a proposta combina participação comunitária, uma estrutura inovadora de madeira e estratégias sustentáveis, posicionando o estádio tanto como uma arena esportiva funcional quanto como um potencial símbolo de renovação. Inspirado na tradição japonesa do Shikinen Sengu, a reconstrução periódica de santuários, o conceito introduz três ciclos: recursos, comunidade e trabalho artesanal.
Casa de Veraneio Nature Within - Corte. Imagem Cortesia de Unformed Design
A virada do ano marcou o ápice de diversos processos no universo de escritórios de arquitetura de renome. Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o Gensler revelou a imagem de um projeto de requalificação em Manhattan, o Foster + Partners divulgou renders de um novo hotel e residências de luxo no Brasil, e o Herzog & de Meuron anunciou a data de conclusão do novo Memphis Art Museum. Concursos internacionais também revelaram seus resultados, destacando o projeto vencedor do jovem escritório Unformed Design, além da colaboração entre o escritório português Fala Atelier e o suíço Continentale em um projeto de arquitetura educacional. Essas propostas demonstram a amplitude do projeto de arquitetura, desde o detalhamento da relação de um empreendimento de alto padrão com a natureza até o potencial de renovação urbana de um projeto de conversão programática.
A instalação e a exposição que representam a Estônia na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza têm curadoria das arquitetas Keiti Lige, Elina Liiva e Helena Männa. Intitulada Let Me Warm You, a mostra nacional explora diferentes dimensões da sustentabilidade ao questionar se as renovações focadas em isolamento térmico na Estônia são meras medidas de conformidade para atingir as metas energéticas europeias ou se também podem servir como oportunidades para melhorar a qualidade espacial e social dos distritos de habitação de massa. Para ilustrar essa questão, a instalação estoniana reveste a fachada de um edifício veneziano com painéis de isolamento, replicando a maneira como são comumente aplicados na Estônia em reformas de habitações coletivas.
"There Is Nothing to See Here" ("Não há nada para ver aqui") é o título da exposição que ocupará o Pavilhão da Hungria na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025. Desde 2015, o Ludwig Museum of Contemporary Art administra e organiza tanto a exposição temporária quanto o edifício. Este ano, a mostra apresenta uma visão alternativa para o futuro da profissão. Com curadoria do/a diretor/a criativo/a e professor/a assistente Márton Pintér, em colaboração com Ingrid Manhertz, András Graf e Júlia Böröndy, fundadora da plataforma Women in Architecture (WIA), a exposição apresentará o trabalho de 12 profissionais de arquitetura que aplicam seus conhecimentos em áreas que vão além da prática tradicional.
Jenny E. Sabin é uma arquiteta, designer e educadora estadunidense conhecida por seu trabalho na interseção entre arquitetura, computação e biomateriais. Ela integra fabricação digital, materiais responsivos e design bioinspirado em sua prática de arquitetura e dirige um estúdio experimental, o Jenny Sabin Studio, com sede em Ithaca, Nova York. Nesta entrevista para o Louisiana Channel, ela compartilha sua trajetória pessoal de artista a cientista, explica como sistemas biológicos e de materiais podem ser aplicados em escala arquitetônica e discute sua atuação no ensino e na pesquisa na Cornell University. A arquiteta detalha seu interesse em aproximar as pessoas por meio de novas estratégias para uma arquitetura responsiva e adaptável. Em sua visão, as conexões entre o digital, o físico e o biológico definem uma mudança de paradigma na evolução da arquitetura, convergindo com outros campos da experiência física para criar um futuro mais interconectado.
Søren Pihlmann é o curador do Pavilhão Dinamarquês na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025. A exposição, encomendada pelo Danish Architecture Center, é intitulada Build of Site e foca na exploração de práticas arquitetônicas sustentáveis sob a ótica do reuso e do aproveitamento de recursos. A proposta de Pihlmann transforma o Pavilhão Dinamarquês existente, localizado em um complexo de edifícios históricos nos Giardini da Bienal, em um espaço de exposição ativo para experimentação de materiais. A instalação destaca técnicas que incorporam elementos reciclados e de base biológica. O pavilhão oferece a visitantes a oportunidade de observar processos experimentais em andamento, testemunhando como os recursos construtivos são criativamente reimaginados para novos usos. Nesta entrevista realizada no local, a equipe de redação do ArchDaily conversou com o curador sobre as ideias por trás do projeto e os desafios que sua execução representa.
Ao contrário das escolhas da Cor do Ano de 2024, as seleções para 2025 revelam mais afinidades entre as cores apontadas pelas principais marcas da indústria de tintas. Todos os anos, designers e entusiastas de diversas áreas reúnem-se em empresas de todo o mundo para reacender o debate sobre a cor e sua relação com a cultura contemporânea. Para as previsões de 2025, os tons terrosos parecem ser os grandes vencedores: à escolha da Pantone, a Mocha Mousse, somam-se tons de canela, marrom e borgonha de marcas como Benjamin Moore, Graham & Brown, Behr e C2 Paint. Já marcas como AkzoNobel, Valspar e Comex optaram por cores mais vibrantes para celebrar o otimismo e a alegria, enquanto a Sherwin-Williams e a Jotun não se limitaram a uma única cor. Em vez disso, apresentaram paletas completas voltadas para a tranquilidade e o relaxamento. Esses conceitos parecem ser os temas condutores para 2025.
Sob o título "Chinampa Veneta", a exposição mexicana para a 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia propõe uma reflexão sobre como habitamos, cultivamos e projetamos o mundo que compartilhamos. Diante da crise climática global, o projeto volta as atenções para as chinampas, um antigo sistema agrícola mesoamericano com mais de quatro mil anos de história. Esse conhecimento ancestral, que entrelaça paisagem, infraestrutura e técnica, é reimaginado no contexto da Bienal, ativando um ambiente vivo em meio à cidade de Veneza. O Pavilhão do México é composto por duas "encenações", uma localizada no Arsenale e a outra construída sobre a água.
Edifício de uso misto 5050 Gansevoort. Renderização do projeto. Imagem cortesia de Powerhouse Company
Em janeiro de 2025, o prefeito de Nova York e a New York City Economic Development Corporation (NYCEDC) anunciaram os próximos passos na reformulação da Gansevoort Square, um terreno de aproximadamente 6.130 metros quadrados (66.000 pés quadrados) localizado na Little West 12th Street, entre a Washington Street e a 10th Avenue, no Meatpacking District, em Manhattan. A revitalização da área visa integrar uma mistura de habitação acessível para os nova-iorquinos, novos espaços comerciais para moradores e visitantes, além de oportunidades para expandir o Whitney Museum of American Art e o High Line. A Solicitação de Propostas (RFP) delineou uma visão de até 600 unidades de habitação de renda mista, com a meta de que 50% do total de unidades fossem permanentemente acessíveis, além de espaço comercial no térreo. O escritório internacional de arquitetura Powerhouse Company revelou recentemente sua proposta para o concurso, superando essas exigências ao propor 1.000 residências de aluguel em uma torre superalta (supertall), sendo metade de habitações acessíveis e metade a preço de mercado, distribuídas igualmente ao longo de toda a altura do edifício.
De acordo com o Banco Mundial, o Programa Nacional de Urbanização e Habitação de Angola (PNUH), lançado em 2008, tinha como meta construir um milhão de novas unidades habitacionais. No entanto, até 2024, haviam sido entregues apenas cerca de 220.000. A Power2Build, uma startup angolana de construção, estima o déficit habitacional atual em Angola em aproximadamente três milhões de moradias, com a situação sendo particularmente crítica em Luanda, uma das cidades de crescimento mais rápido no continente africano. Contando com uma equipe multidisciplinar inteiramente angolana, a Power2Build busca contribuir para a redução desse déficit por meio do uso da tecnologia de impressão 3D automatizada de concreto. Implementado no canteiro de obras com impressoras de grande porte da empresa dinamarquesa COBOD, espera-se que o sistema acelere os cronogramas de construção e melhore a qualidade das edificações. A impressão 3D em larga escala à base de cimento elimina a necessidade de fôrmas tradicionais ao posicionar ou solidificar com precisão volumes específicos de material em camadas sequenciais, utilizando um sistema de posicionamento controlado por computador. O processo envolve três etapas principais: preparação de dados, preparação do material e impressão.
Instalação "Spinning Around" de Sophia Taillet. Musée de la Chasse et de la Nature, 4 a 13 de setembro de 2025. Imagem cortesia de Maison & Objet
Este ano, a feira de design de interiores Maison&Objet e a Paris Design Week uniram forças para dar visibilidade a designers emergentes, valorizar novamente os métiers d'art franceses e transformar temporariamente marcos históricos com visões de design contemporâneo. Ambos os eventos começaram em 4 de setembro, transformando Paris em um festival de design que ocupou toda a cidade. Galerias, showrooms e concept stores abriram suas portas, enquanto marcos de destaque serviram de palco para designers de mais de 30 países. A abundância e a diversidade da programação renderam comparações com a Milan Design Week, ao mesmo tempo em que garantem a Paris uma vitrine única no calendário global de design. Este artigo apresenta uma seleção de instalações e exposições de interesse arquitetônico que surgem da sinergia entre as duas iniciativas.
O pódio existente, localizado em frente ao Edifício do Secretariado em Freetown, homenageia os soldados da Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, passou a incluir também os combatentes da Segunda Guerra Mundial. Para isso, contudo, foi removida uma pequena menção aos homens do Corpo de Carregadores — uma ausência que este novo projeto busca reparar. A fundadora do escritório, Tosin Oshinowo, é a primeira mulher e a primeira arquiteta da África Ocidental a projetar um memorial para a CWGC.
Biblioteca dos Saberes por Kéré Architecture. Vista aérea. Render. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Em meio às discussões globais em andamento sobre adaptação climática e desenvolvimento urbano resiliente, que ganharam ainda mais destaque com os resultados da COP30, as notícias de arquitetura desta semana ilustram como as cidades em todo o mundo estão repensando seus ambientes construídos. De Veneza, onde a 19ª Bienal de Arquitetura foi encerrada com debates sobre o uso de materiais e o impacto cultural de longo prazo, a prêmios internacionais que colocam em primeiro plano o design regenerativo e socialmente responsivo, o diálogo em torno da arquitetura está cada vez mais interligado com as prioridades planetárias. Grandes intervenções urbanas, que vão desde a revitalização da orla de Tessalônica e a nova biblioteca pública do Rio de Janeiro até o Museu de História Natural de Abu Dhabi e um estádio cívico em Birmingham, demonstram como diversas cidades estão abordando mobilidade, patrimônio, densidade e resiliência climática. Outros projetos, como a estratégia urbana ecológica de Mântua, a paisagem elevada de Utrecht sobre as redes de transporte e o sistema de mobilidade terrestre redesenhado do Aeroporto Schiphol, em Amsterdã, refletem ainda mais a transição para estruturas urbanas integradas e centradas nas pessoas, que priorizam o desempenho ambiental, o espaço público e a gestão territorial de longo prazo.
Um ano após o mega-incêndio em Viña del Mar, no Chile, e com os esforços de reconstrução avançando em apenas 26%, o escritório de arquitetura ELEMENTAL e as autoridades locais iniciaram a construção de um projeto habitacional pré-fabricado em um dos bairros residenciais mais afetados pelo desastre. O projeto consiste em um edifício residencial de média densidade com estrutura metálica modular, concebido como ponto de partida para iniciativas semelhantes em resposta àquele que hoje é considerado um dos eventos mais catastróficos da história recente do Chile. Segundo Alejandro Aravena e a prefeita da cidade, Macarena Ripamonti, o objetivo é que a tecnologia e o modelo de gestão por trás deste projeto sirvam de precedente para viabilizar soluções de habitação rápidas e permanentes em situações de emergência.