Casa de Veraneio Nature Within - Corte. Imagem Cortesia de Unformed Design
A virada do ano marcou o ápice de diversos processos no universo de escritórios de arquitetura de renome. Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o Gensler revelou a imagem de um projeto de requalificação em Manhattan, o Foster + Partners divulgou renders de um novo hotel e residências de luxo no Brasil, e o Herzog & de Meuron anunciou a data de conclusão do novo Memphis Art Museum. Concursos internacionais também revelaram seus resultados, destacando o projeto vencedor do jovem escritório Unformed Design, além da colaboração entre o escritório português Fala Atelier e o suíço Continentale em um projeto de arquitetura educacional. Essas propostas demonstram a amplitude do projeto de arquitetura, desde o detalhamento da relação de um empreendimento de alto padrão com a natureza até o potencial de renovação urbana de um projeto de conversão programática.
O escritório VUILD apresentou o projeto para um estádio de futebol em madeira planejado para Fukushima, no Japão, que será a futura sede do Fukushima United FC. Encomendada pela SportX, a proposta combina participação comunitária, uma estrutura inovadora de madeira e estratégias sustentáveis, posicionando o estádio tanto como uma arena esportiva funcional quanto como um potencial símbolo de renovação. Inspirado na tradição japonesa do Shikinen Sengu, a reconstrução periódica de santuários, o conceito introduz três ciclos: recursos, comunidade e trabalho artesanal.
"There Is Nothing to See Here" ("Não há nada para ver aqui") é o título da exposição que ocupará o Pavilhão da Hungria na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025. Desde 2015, o Ludwig Museum of Contemporary Art administra e organiza tanto a exposição temporária quanto o edifício. Este ano, a mostra apresenta uma visão alternativa para o futuro da profissão. Com curadoria do/a diretor/a criativo/a e professor/a assistente Márton Pintér, em colaboração com Ingrid Manhertz, András Graf e Júlia Böröndy, fundadora da plataforma Women in Architecture (WIA), a exposição apresentará o trabalho de 12 profissionais de arquitetura que aplicam seus conhecimentos em áreas que vão além da prática tradicional.
Sob o título "Chinampa Veneta", a exposição mexicana para a 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia propõe uma reflexão sobre como habitamos, cultivamos e projetamos o mundo que compartilhamos. Diante da crise climática global, o projeto volta as atenções para as chinampas, um antigo sistema agrícola mesoamericano com mais de quatro mil anos de história. Esse conhecimento ancestral, que entrelaça paisagem, infraestrutura e técnica, é reimaginado no contexto da Bienal, ativando um ambiente vivo em meio à cidade de Veneza. O Pavilhão do México é composto por duas "encenações", uma localizada no Arsenale e a outra construída sobre a água.
A 19ª Exposição Internacional de Arquitetura da Biennale di Venezia abre em menos de duas semanas, no dia 10 de maio de 2025, e permanecerá aberta ao público até 23 de novembro. No dia da abertura, ocorrerá a Cerimônia de Premiação oficial, na qual um júri internacional selecionado concederá diversos prêmios oficiais, incluindo o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional. O júri recém-anunciado inclui a arquiteta, docente e curadora sul-africana Mpho Matsipa; a curadora italiana Paola Antonelli, curadora-chefe e diretora do Departamento de Arquitetura e Design do Museum of Modern Art (MoMA) em Nova York; e o curador, crítico e historiador de arte suíço Hans Ulrich Obrist, diretor artístico da Serpentine em Londres, que atuará como presidente do júri.
"Soane and Modernism: Make it New" reúne desenhos arquitetônicos da extensa coleção de Sir John Soane em diálogo com obras de figuras renomadas do modernismo, incluindo Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, Adolf Loos e Ernő Goldfinger. Com curadoria da Dra. Erin McKellar, curadora assistente de exposições do Sir John Soane's Museum, a mostra destaca a presença de ideais de projeto do modernismo do século XX na obra do arquiteto do século XIX Sir John Soane. A seleção das obras baseia-se na premissa de que os projetos de Soane podem ser considerados precursores de muitos dos princípios arquitetônicos adotados no século XX.
O Mosteiro Budista de Plum Village, no sul da Dordonha, na França, recebeu a aprovação de construção para a primeira fase de sua colaboração contínua com o escritório holandês de arquitetura MVRDV. As aprovações abrangem a fase do plano diretor do Hamlet Superior (Upper Hamlet), incluindo a construção de novas hospedarias e a reforma e ampliação da livraria do mosteiro, bem como um novo edifício para o mosteiro feminino no Hamlet Inferior (Lower Hamlet). Desenvolvido em colaboração com o escritório coautor MoonWalkLocal e as consultorias OTEIS, VPEAS e Emacoustic, o projeto mais amplo inclui dois planos diretores para os Hamlets Superior e Inferior do mosteiro, quatro hospedarias comunitárias, um novo mosteiro feminino e a transformação da livraria existente. Atuando sem fins lucrativos, a equipe de projeto prioriza a reforma juntamente com o uso de materiais circulares e biobaseados, alinhando a abordagem arquitetônica com os princípios filosóficos do mosteiro. As ampliações propostas visam acolher melhor os/as visitantes que viajam anualmente a Plum Village para vivenciar os ensinamentos do Budismo Engajado.
Sob o título Paraíso, hoje., a exposição que representa Portugal na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia aborda a arquitetura como uma construção cultural da paisagem. Com curadoria da equipe de arquitetura composta por Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci, em conjunto com a arquiteta paisagista Catarina Raposo e o videoartista Nuno Cera, a mostra apresenta uma instalação imersiva com vídeos criados a partir de novas tecnologias digitais e inteligência artificial, além de um Atlas de imagens. Em conjunto, esses elementos constroem uma exploração crítica sobre o tema proposto, a alegoria de um "Paraíso". Este ano, a representação portuguesa mudou de localização, transferindo-se do Palazzo Franchetti para o edifício Fondaco Marcello, junto ao Grande Canal de Veneza. A mostra permanecerá aberta ao público e acolherá um ciclo de debates até 23 de novembro de 2025.
O projeto do escritório Zaha Hadid Architects para um habitat marinho de fabricação digital na zona de conservação do Parque Marinho de North Lantau, em Hong Kong, foi apresentado recentemente na exposição do World Design Congress, em Londres. O evento ocorreu no Barbican Centre entre os dias 9 e 10 de setembro, um dos exemplos mais reconhecidos de arquitetura brutalista no mundo. Com o tema "Design for Planet" (Design para o Planeta), o congresso convocou profissionais de design e contratantes do setor a assumirem sua missão mais crítica até o momento: projetar um futuro regenerativo diante das mudanças climáticas e examinar o papel do design como ferramenta de ação ambiental. Nesse contexto, o escritório Zaha Hadid Architects apresentou o Nereid, um habitat de fabricação digital desenvolvido com tecnologias avançadas de impressão 3D pela D-Shape, destinado a apoiar a regeneração natural dos ecossistemas marinhos.
Uma mesa-redonda moderada organizada pelo Aga Khan Award for Architecture, pelo Holcim Foundation Awards, pelo EUmies Awards, pelo Mies Crown Hall Americas Prize, pelo OBEL Award e pelo Ammodo Architecture Award acontecerá em Veneza durante a semana de abertura da 19ª Bienal de Arquitetura. Esse consórcio de seis prêmios de arquitetura, juntamente com arquitetos e arquitetas de nível internacional associados às premiações, se reunirá na sexta-feira, 9 de maio de 2025, no Ocean Space da TBA21–Academy para debater o impacto global dos prêmios de arquitetura e seu potencial para promover mudanças significativas. Sob o título "Beyond the Prize", o evento tem como objetivo propor uma reflexão crítica sobre o propósito, a trajetória e o potencial dessas premiações diante dos desafios sociais e ambientais contemporâneos.
Projeto Gstaad House do escritório Foster + Partners na Suíça. Render. Imagem cortesia de Foster + Partners
Foster + Partners obteve aprovação para a construção de um novo edifício residencial de madeira em Gstaad, na Suíça. Projetado como uma residência na cidade turística alpina, o projeto combina o uso residencial com espaços de exposição, armazenamento e áreas de convivência. Segundo a equipe de arquitetura, este será o primeiro edifício construído especificamente em Gstaad para atender às exigências especializadas de coleções de arte, automóveis, moda e antiguidades.
Em 2021, a prefeitura de Roosendaal iniciou uma colaboração com o MVRDV como consultor de desenvolvimento urbano. O sócio do escritório, Winy Maas, foi posteriormente nomeado conselheiro urbano, formando uma equipe que incluía o MVRDV, Rebel Group, Transitiefocus e outros especialistas. A tarefa do grupo era consolidar os projetos e iniciativas existentes em uma visão estratégica unificada, buscando uma combinação de abordagens de planejamento bottom-up e top-down. A visão, batizada de "O Mosaico", foi desenvolvida por meio de um processo participativo envolvendo os moradores. O plano apresenta propostas em múltiplas escalas, desde ajustes no uso do solo em todo o município até mais de 40 projetos potenciais destinados a explorar o potencial de locais específicos. Publicada como uma série de sete documentos interconectados, a proposta visa fornecer a Roosendaal estratégias para acomodar seu crescimento.
Projeto da Torre Oricon por Eduardo Souto de Moura e OODA. Renderização externa. Imagem cortesia de Plomp
Eduardo Souto de Moura e OODA revelaram o projeto da Oricon Tower, um arranha-céu de uso misto com 180 metros de altura planejado para Tirana, na Albânia. Localizado próximo à Bond Tower, recentemente concluída pelo OODA, o projeto faz parte da transformação urbana em curso sob o Plano Diretor Tirana 2030, que prevê um núcleo urbano mais denso e conectado. A torre abrigará escritórios, residências, áreas comerciais e um hotel, contribuindo para a evolução do horizonte da cidade e funcionando como um novo portal urbano entre o centro histórico de Tirana e seus distritos ocidentais em expansão.
Render aéreo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Em setembro de 2024, a Foster + Partners anunciou sua contratação pelo Manchester United para o desenvolvimento de um plano diretor para a região do estádio de Old Trafford. A peça central do plano diretor é um novo estádio, projetado para se tornar a maior arena de futebol do Reino Unido, com capacidade para 100 mil espectadores. Esta semana, o escritório revelou imagens do projeto do estádio, juntamente com os espaços públicos circundantes, incluindo parques, empreendimentos de uso misto, um cinema ao ar livre e uma estação de trem revitalizada. Essas imagens contêm conceitos ilustrativos que servirão de base para estudos de viabilidade mais detalhados, consultas e planejamento à medida que o projeto avança para novas etapas.
O dia 18 de dezembro marca o Dia Internacional dos Migrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), que visa destacar a necessidade de sistemas de migração mais seguros, justos e inclusivos. Proclamada em 4 de dezembro de 2000, a data busca reconhecer as múltiplas dimensões da migração para além de seus aspectos econômicos e humanitários. Segundo a ONU, evidências crescentes indicam que a migração internacional beneficia tanto os países de origem quanto os de destino. Nesse sentido, o Dia Internacional dos Migrantes oferece uma oportunidade para destacar o valor da possibilidade de migrar e as contribuições de milhões de pessoas migrantes em todo o mundo para as cidades e culturas em que estão integradas.
Alinhado a essa perspectiva, o tema de 2025 da ONU, "Minha Grande História: Culturas e Desenvolvimento", enfatiza como a mobilidade humana impulsiona o crescimento, enriquece as sociedades e ajuda as comunidades a se conectarem, adaptarem e apoiarem mutuamente. Ao mesmo tempo, o Dia Internacional dos Migrantes também reconhece o cenário cada vez mais complexo em que a migração ocorre. Conflitos, desastres climáticos e pressões econômicas continuam a forçar milhões de pessoas a deixar suas casas em busca de segurança ou oportunidades. Sob ambas as perspectivas, é essencial reconhecer o papel da arquitetura na construção de comunidades integradas e multiculturais, bem como na resposta às condições que levam as pessoas a migrar de seus territórios de origem.
Biblioteca dos Saberes por Kéré Architecture. Vista aérea. Render. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Em meio às discussões globais em andamento sobre adaptação climática e desenvolvimento urbano resiliente, que ganharam ainda mais destaque com os resultados da COP30, as notícias de arquitetura desta semana ilustram como as cidades em todo o mundo estão repensando seus ambientes construídos. De Veneza, onde a 19ª Bienal de Arquitetura foi encerrada com debates sobre o uso de materiais e o impacto cultural de longo prazo, a prêmios internacionais que colocam em primeiro plano o design regenerativo e socialmente responsivo, o diálogo em torno da arquitetura está cada vez mais interligado com as prioridades planetárias. Grandes intervenções urbanas, que vão desde a revitalização da orla de Tessalônica e a nova biblioteca pública do Rio de Janeiro até o Museu de História Natural de Abu Dhabi e um estádio cívico em Birmingham, demonstram como diversas cidades estão abordando mobilidade, patrimônio, densidade e resiliência climática. Outros projetos, como a estratégia urbana ecológica de Mântua, a paisagem elevada de Utrecht sobre as redes de transporte e o sistema de mobilidade terrestre redesenhado do Aeroporto Schiphol, em Amsterdã, refletem ainda mais a transição para estruturas urbanas integradas e centradas nas pessoas, que priorizam o desempenho ambiental, o espaço público e a gestão territorial de longo prazo.
MVRDV e Zecc Architecten venceram o concurso para transformar a Igreja de São Francisco de Assis em Heerlen em uma piscina pública. Construída há mais de 100 anos, a igreja deixou de realizar missas em 2023, o que deu ao município a oportunidade de reaproveitar o edifício para uso comunitário. Apelidado de Holy Water, o projeto de reuso adaptativo tem como objetivo dar a este monumento nacional tombado, com sua silhueta marcante, uma nova função social, preservando ao mesmo tempo seus elementos históricos. O projeto foi elaborado em uma colaboração entre MVRDV, Zecc Architecten, IMd Raadgevende Ingenieurs, Nelissen Ingenieursbureau e a consultoria de economia de construção SkaaL, com conclusão prevista para o final de 2027.
O pavilhão de Luxemburgo na 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza oferecerá aos visitantes uma experiência totalmente focada no som. Sonic Investigations, com curadoria dos/as arquitetos/as Valentin Bansac, Mike Fritsch e Alice Loumeau, é um convite imersivo para deslocar o foco do visual para o sonoro. A instalação sonora, localizada na Sale d'Armi do Arsenale, baseia-se em uma investigação prática e teórica que reexamina o território do país por meio de gravações de campo que capturam uma variedade de sons de fontes biológicas, geológicas e antropogênicas entrelaçadas na paisagem. A instalação cria uma experiência corporificada do espaço, enfatizando o valor de abordagens sensoriais nas práticas espaciais e explorando a seguinte questão: como podemos revelar o caráter emaranhado de situações contemporâneas específicas em Luxemburgo?