O colapso da seção inferior de uma geleira no Himalaia na quarta-feira, 26 de agosto, provocou uma avalanche de gelo e rochas no vale do rio Lhende, desencadeando graves enchentes repentinas na fronteira entre o Nepal e o Tibete. As inundações destruíram vilarejos inteiros, com pelo menos 350 mortes confirmadas e mais de 1.300 pessoas ainda desaparecidas. Caracterizadas por sua natureza súbita e violenta, as enchentes repentinas ocorrem nas primeiras seis horas após fortes chuvas ou outra fonte de inundação. Neste caso, o evento foi atribuído ao colapso de uma geleira em uma altitude mais elevada no Himalaia, associado, segundo algumas análises, a uma onda de calor na região. A velocidade do deslocamento também é uma característica desse tipo de inundação, cujo rastro de destruição, neste caso, segue a bacia do rio Trishuli, no Nepal. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, as áreas mais afetadas são os distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot. Uma avaliação mais detalhada é esperada para os próximos dias, à medida que o nível da água baixar; enquanto isso, já é possível delinear algumas das consequências sob o ponto de vista territorial.
A pesquisa é um processo estruturado e ativo de analisar, testar, interpretar e resolver, culminando em um conhecimento que pode ser considerado disruptivo. O processo criativo por trás da pesquisa é um convite à imaginação: buscar respostas, soluções e alternativas para a realidade que conhecemos. Para ir além da teoria, a prática se afasta dos livros e computadores para ocupar espaços projetados especificamente para fomentar a experimentação. Nesses seis projetos não construídos, laboratórios, oficinas, observatórios, jardins, auditórios e espaços expositivos articulam-se como terrenos férteis para a imaginação. São espaços que devem apoiar o trabalho colaborativo e a criatividade, permitindo que mentes curiosas e céticas encontrem caminhos em direção a futuros alternativos.
As notícias desta semana destacaram como a arquitetura dialoga com o preexistente e se comunica para além do próprio edifício. Diversas reportagens exploraram a restauração e o reuso, desde a renovação de um salão universitário histórico até a preservação de espaços expositivos de um artista e a incorporação de materiais reaproveitados em novas construções. Em outras frentes, a arquitetura continuou a servir tanto como tema quanto como cenário de exposições, com anúncios de novos museus e espaços culturais que analisam os contextos social, tecnológico e ecológico mais amplos da disciplina. No radar, três projetos para acompanhar: em Berlim, o escritório sauerbruch hutton venceu o concurso para ampliar a sede do Ministério Federal da Defesa no Bendlerblock; em Santa Barbara, a SOM e a Mithun revelaram o projeto de um novo e importante complexo de habitação estudantil na UC Santa Barbara; e, abordando uma forma totalmente diferente de intervenção, o escritório Autonoma, liderado pelo arquiteto Paulo Tavares, lançou a Documental, uma plataforma de código aberto que permite a jornalistas, pesquisadores/as e organizações civis transformar dados, fotos e imagens de satélite em narrativas digitais geolocalizadas em defesa dos direitos humanos e ambientais.
Powerhouse Parramatta, um novo museu e instituição cultural às margens do Rio Parramatta, no oeste de Sydney, Austrália, abrirá ao público no sábado, 7 de novembro de 2026. O edifício de 30 mil metros quadrados foi projetado pelo escritório franco-japonês Moreau Kusunoki como projetista principal, com o escritório australiano Genton na arquitetura local e a Arup na engenharia. O Moreau Kusunoki venceu o concurso de projeto em 2019, com a conclusão inicialmente prevista para 2025. O Powerhouse Parramatta é a primeira organização cultural estatal localizada no oeste de Sydney, uma região cuja população inclui comunidades de mais de 170 países. Em sua abertura, o museu apresentará cinco exposições.
As obras do Gothenburg Grand Central estão avançando. O novo edifício de estação e sua destacada entrada oeste foram projetados pelo escritório Reiulf Ramstad Arkitekter. O projeto faz parte da linha ferroviária suburbana West Link (Västlänken), na Estação Central de Gotemburgo, que consiste em 8 quilômetros de ferrovias e inclui três novas estações: Centralen, Haga e Korsvägen. A nova rota deve aumentar a capacidade nos horários de pico e reduzir o tempo de viagem dos trens suburbanos e regionais, conectando-se diretamente à estação central existente e ao Terminal Nils Ericson. A inauguração da nova estação está prevista para dezembro de 2026, junto com a estação subterrânea Centralen do Västlänken. Os inquilinos dos escritórios devem se mudar ao longo de 2027, e o restante do túnel tem previsão de abertura para o tráfego até dezembro de 2030.
A construção do William and Charlotte Bloomberg Public Science Common, o novo espaço do Museu de Ciência de Boston — uma das instituições científicas mais antigas dos Estados Unidos —, está em fase de conclusão. O edifício de 929 m², projetado por William Rawn Associates, Architects, Inc., tem abertura prevista para o público em 10 de outubro de 2026, seguida por um evento comemorativo no dia 28 de outubro. Com vista para o Rio Charles e para o horizonte de Boston , o novo espaço cívico envidraçado conta com paredes móveis e assentos retráteis que permitem alternar entre diferentes funções e programas. O espaço foi projetado para apoiar o diálogo público sobre as ciências, utilizando mídias imersivas, tecnologia de produção e transmissão ao vivo para alcançar públicos além dos limites da cidade.
Plano diretor do Baku Expo City, ZHA, 2026. Imagem cortesia de ZHA
O escritório ZHA foi selecionado para projetar um novo distrito urbano de 198 hectares em Baku, no Azerbaijão. O projeto envolve o atual centro de eventos Baku Expo Center, em uma área de floresta de pinheiros que deve ser preservada. A proposta responde ao crescimento populacional da cidade na última década por meio de um plano diretor que organiza a oferta de uma ampla variedade de habitações. Este é o segundo projeto do escritório em Baku, após o centro cultural Heydar Aliyev, concluído em 2013. Ainda que em outra escala, as edificações do novo distrito parecem seguir o estilo geométrico herdado de Zaha Hadid, com uma série de volumes brancos e bordas arredondadas que transmitem a ideia de uma arquitetura fluida.
O pavilhão ucraniano na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia está sendo projetado pela equipe do CO-HATY, uma iniciativa voluntária local que restaura edifícios abandonados no país para transformá-los em moradias estáveis para pessoas deslocadas internamente. A equipe é formada pelo METALAB e por membros realocados da agência ucraniana Urban Curators, que vêm desenvolvendo o CO-HATY desde 2022. Intitulado "Pool of Questions" [Piscina de Perguntas], o projeto levanta uma questão que a organização argumenta ser raramente abordada no contexto de sobrevivência: não se trata apenas de onde as pessoas deslocadas devem morar, mas sim de quando elas podem começar a viver. Para Veneza, a instalação idealizada estende o trabalho de restauração e reutilização adaptativa para um debate sobre moradia acessível, dignidade e descanso em tempos de guerra.
Norman Jaffe, Casa Krieger, Montauk, Nova York, 1975. Fotografia em preto e branco, 9 x 12 pol. Cortesia do Norman Jaffe Archives. Foto: Bill Maris. Do subsídio de 2026 para Wandering Eye Studios para o filme "Vanishing Point: An Architect’s Journey". Imagem cortesia da Graham Foundation
Desde 1956, a Graham Foundation for Advanced Studies in the Fine Arts fomenta o desenvolvimento e o intercâmbio de ideias sobre a arquitetura e seu papel nas artes, na cultura e na sociedade. A instituição concede anualmente bolsas de estudo para projetos desenvolvidos por indivíduos e organizações, além de realizar exposições públicas e palestras. Em junho, a fundação anunciou os beneficiários do seu programa de Apoio a Indivíduos para 2026, contemplando 54 projetos que investigam a arquitetura por meio de exposições, filmes, publicações e iniciativas de pesquisa. Em uma segunda rodada anunciada esta semana, a organização destinou recursos para projetos geridos por organizações com o mesmo objetivo: ampliar o discurso arquitetônico por meio de diversos materiais e mídias culturais.
De 25 de julho a 25 de outubro de 2026, a Power Station of Art (PSA) de Xangai sediará a primeira exposição na China dedicada à obra da arquiteta brasileira Lina Bo Bardi. Sob o título "A Poética da Sobrevivência" (ou "The Poetics of Survival"), a mostra tem curadoria de Renato Anelli, com projeto expográfico assinado pelo escritório OPEN Architecture em um espaço de 2.300 m² do museu de arte contemporânea PSA, em Huangpu. O objetivo foi conceber "um palco onde o público pudesse vislumbrar a realidade cotidiana do Brasil na época de Lina" por meio de uma jornada pela obra e pela personalidade multifacetada da arquiteta. A exposição não é descrita como uma retrospectiva, mas sim como um "encontro com a poética da sobrevivência da mestra", um conceito do final do século XX que descreve como o trabalho criativo se torna uma ferramenta para suportar traumas como a opressão histórica ou crises extremas. Esse conceito serve como um fio condutor que conecta a realidade retratada aos observadores contemporâneos de um corpo de trabalho "marcado por sua engenhosidade, versatilidade e generosidade".
O Belvedere de Louisville, no Kentucky, é um ponto de encontro com 53 anos de história, palco de concertos, festivais e eventos comunitários. A praça de concreto suspensa foi construída sobre a maior estrutura de estacionamento da cidade e se estende sobre um importante viaduto de rodovia. Desde 1973, o local funciona como um espaço cívico à beira-rio para eventos e grandes aglomerações, mas seu uso como espaço público cotidiano está em evidente declínio. Em seu estado atual, o espaço carece de sombra, áreas verdes e infraestrutura de lazer, enquanto a laje de concreto sofreu com o desgaste ao longo dos anos. Em fevereiro de 2025, o Heatherwick Studio revelou as primeiras imagens de sua visão para transformar o Belvedere, um projeto encomendado pelo prefeito da cidade e pelo Governo Metropolitano de Louisville. Esta semana, o escritório divulgou novas imagens do redesenho, que propõe um espaço aberto, verde e flexível integrado ao centro de Louisville.
Escapar da rotina é uma fantasia e um desejo antigo. Na literatura, no cinema e na música, a humanidade sempre criou jornadas imaginárias, mundos possíveis e cenários de contemplação e prazer. É essa fantasia que alimenta uma tipologia arquitetônica específica: o hotel. Diante do debate crítico sobre o turismo de massa, dos impactos climáticos das viagens e da concorrência e externalidades associadas aos aluguéis por temporada, essa fantasia assume contornos ainda mais marcantes. Um hotel já não é apenas um lugar de hospedagem, mas um espaço de vivência que pode abarcar uma ampla gama de atividades, como entretenimento, relaxamento, gastronomia e até mesmo o trabalho. Essa diversidade de conceitos assume formas orgânicas e impressionantes nos sete projetos não construídos compilados neste artigo, que vão de hotéis urbanos a resorts de praia.
Diante de um cenário de mudanças climáticas, inflação e conflitos armados, o sistema energético global passa por transformações e enfrenta questionamentos. Segundo as Nações Unidas, os edifícios devem ser aquecidos, iluminados e eletrificados por meio de fontes de energia limpas, acessíveis, viáveis, sustentáveis e confiáveis. A arquitetura e o planejamento urbano podem contribuir tanto para expandir o acesso à energia quanto para explorar diferentes formas de armazenamento. A startup Civic Grid, sediada em Toronto, projeta e constrói sistemas de armazenamento de energia com o objetivo de transformar a relação das comunidades com a eletricidade que move o cotidiano. Sua primeira bateria arquitetônica foi concebida como uma obra de arquitetura pública pelos/as arquitetos/as Jack Self e Josh Harskamp, em colaboração com o designer industrial Max Fine. O protótipo é a evolução de um sistema de energia implantável desenvolvido em parceria com a Proteção Civil de Lisboa para a Trienal de Arquitetura de Lisboa 2025, ainda em funcionamento, e é acompanhado por uma maquete física.
Na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu as costas do Pacífico e do Caribe da Colômbia. Embora o evento sísmico tenha afetado levemente a fronteira sul do Panamá e a fronteira norte do Equador, a Colômbia declarou estado de emergência nacional. O terremoto causou 111 mortes, de acordo com relatórios oficiais, e a expectativa é de que esse número aumente à medida que os esforços de busca e resgate continuam. Segundo o Servicio Geológico Colombiano (SGC), o epicentro foi localizado a 96 quilômetros de profundidade, próximo a San José del Palmar, uma área rural no noroeste da província de Chocó. Os danos à infraestrutura se estendem a cidades densamente povoadas, incluindo Cali, Pereira, Manizales e Armenia, afetando uma área com uma população de cerca de 3,5 milhões de pessoas. Este evento sísmico ocorre logo após outros quatro ocorridos há menos de dois meses no Japão, nos Estados Unidos e na Venezuela, somando-se aos esforços de reconstrução já em andamento em todo o mundo.
Desde 1994, a cada ano no dia 9 de agosto, a UNESCO comemora o Dia Internacional dos Povos Indígenas. As Nações Unidas ainda não adotaram uma definição oficial para o termo "povos indígenas", mas consideram, para fins de reconhecimento social, os grupos não dominantes da sociedade que se autoidentificam como tais, com língua, cultura e crenças distintas, organizados em sistemas sociais, econômicos e políticos próprios. Sob uma perspectiva territorial, a ONU compreende o termo a partir da continuidade histórica com sociedades pré-coloniais ou pré-colonizadoras, além dos fortes laços desses grupos com seus territórios e recursos naturais circundantes. A persistência em manter e reproduzir ambientes e sistemas ancestrais também é reconhecida como um elemento de identidade, englobando outras denominações como primeiros povos/nações, aborígenes ou grupos étnicos. Alinhando-se ao objetivo da data de conscientizar o público, apresentamos neste artigo reflexões contemporâneas, casos regionais e entrevistas sobre o conhecimento construtivo ancestral e seu potencial para moldar o futuro.
O título de Capital Mundial da Arquitetura UNESCO-UIA é uma iniciativa criada em conjunto pela UNESCO e pela União Internacional de Arquitetos (UIA). Em 5 de agosto de 2026, Pequim foi nomeada Capital Mundial da Arquitetura para 2029, um título concedido a cada três anos a uma cidade que sedia um ano de programação voltada à arquitetura, coincidindo com o Congresso Mundial de Arquitetos/as da UIA. A indicação foi feita sob recomendação do Comitê Conjunto para a Capital Mundial da Arquitetura, presidido pelo/a arquiteto/a Dominique Perrault. A nomeação ocorre após o recente encerramento do Congresso Mundial de Arquitetos/as da UIA 2026 em Barcelona, atual Capital Mundial da Arquitetura, e se apoia nas experiências anteriores do Rio de Janeiro e de Copenhague.
O projeto Grand Paris Express consiste em 200 quilômetros de novas linhas de metrô totalmente automatizadas, 68 novas estações e quatro novas linhas perimetrais (15, 16, 17 e 18), além da extensão da Linha 14. A rede está sendo entregue em etapas entre 2024 e 2031: as 8 estações da Linha 14 estão totalmente operacionais após sua extensão em 2024; a Linha 18 é a mais avançada das novas linhas, com testes em andamento antes de sua primeira inauguração; e a engenharia civil está praticamente concluída em muitos trechos, com trilhos, sistemas, acabamento arquitetônico e testes avançando estação por estação. Cada uma das 68 estações foi atribuída a um/a arquiteto/a ou equipe de arquitetura específica, por vezes em colaboração com arquitetos/as paisagistas para os elementos de superfície.