Projeto de revitalização do Centro Comercial Montparnasse e da Torre CIT, 2026. Vista aérea. Imagem cortesia de RPBW
Durante uma apresentação à imprensa realizada na Prefeitura de Paris em 7 de janeiro de 2026, o arquiteto e vencedor do Prêmio Pritzker Renzo Piano divulgou as primeiras imagens da transformação do emblemático centro comercial de Montparnasse e da Torre CIT em um distrito voltado para pedestres em Paris, na França. O projeto, encomendado ao escritório Renzo Piano Building Workshop (RPBW) em 2022 pelos coproprietários do complexo comercial, propõe uma transformação visual e funcional do centro de compras de baixa altura dos anos 1970 em um espaço mais transitável, caracterizado pela transparência e abertura. O projeto foi desenvolvido em paralelo com a revitalização da Torre Montparnasse, liderada pela Nouvelle AOM, com o objetivo de remodelar o complexo de serviços em um quarteirão parisiense contemporâneo voltado para a vida pública, o desempenho ambiental e o uso cotidiano. A proposta reabre o local para a cidade, reconectando ruas e restaurando a continuidade entre Montparnasse e os bairros vizinhos por meio de novos espaços públicos.
O World Monuments Fund (WMF) é uma organização independente dedicada a salvaguardar lugares significativos que enriquecem a vida das pessoas e promovem a compreensão mútua entre culturas e comunidades. Desde 2008, o World Monuments Fund/Knoll Modernism Prize é um prêmio bienal que reconhece conquistas de destaque na conservação de edifícios emblemáticos do movimento arquitetônico modernista. A premiação homenageia pessoas e organizações que revitalizam o patrimônio moderno construído por meio de intervenções arquitetônicas inovadoras e sensíveis.
Em 22 de janeiro de 2026, o WMF e a Knoll anunciaram o escritório de arquitetura australiano Architectus como o vencedor do World Monuments Fund/Knoll Modernism Prize de 2026 pela restauração do histórico Africa Hall das Nações Unidas em Adis Abeba, na Etiópia. O júri reconheceu o projeto por restabelecer uma obra marcante do modernismo africano como um espaço ativo de diplomacia e intercâmbio cultural. Além do prêmio principal, o júri concedeu à Umbrella House, de Paul Rudolph, em Sarasota, Flórida (Estados Unidos), o Stewardship Award for Modernist Homes.
Zhu Pei é um arquiteto chinês nascido em 1962 em Pequim. Estudou na Universidade Tsinghua e na UC Berkeley, e fundou o Studio Zhu Pei em 2005. O trabalho experimental e as pesquisas do escritório têm como foco a arquitetura contemporânea, a arte e os projetos culturais. Com uma abordagem artística e exploratória, o estúdio investiga a relação entre as raízes que ancoram a arquitetura em contextos naturais e culturais específicos e a inovação que a impulsiona como uma forma de revolução artística. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, Zhu Pei descreve a arquitetura como uma disciplina artística que, assim como a poesia, depende da abertura, da imaginação e da criação de novas experiências. Ele argumenta que a grande arquitetura vai além da resolução de problemas funcionais ao gerar um senso de maravilhamento por meio de sua capacidade de "inventar" e "criar algo novo, uma nova experiência", posicionando a prática arquitetônica como uma exploração cultural e sensorial, em vez de uma produção puramente técnica.
De códigos de obras a restrições de mobilidade e novas funções diplomáticas em governos municipais, a política climática é cada vez mais moldada em nível local por meio de uma variedade crescente de ferramentas legislativas e institucionais. Cidades tão diversas quanto Sydney, Boston, Nova York, Paris, Miami e dezenas de outras na América Latina estão adotando estratégias direcionadas que refletem suas pressões ambientais e estruturas de governança específicas. Essas iniciativas variam de exigências de eletrificação total e construção com emissão líquida zero a medidas de controle de tráfego projetadas para conter os custos sociais do uso de veículos particulares, além de novas formas de diplomacia urbana para coordenar respostas ao aumento das temperaturas e à perda de biodiversidade. Juntas, essas abordagens ilustram como a gestão territorial está evoluindo em resposta à aceleração da crise climática e como as administrações locais estão testando regulamentações e colaborações para enfrentar desafios que são, ao mesmo tempo, globais e profundamente locais.
O Museu de Arte Moderna de Louisiana inaugurará, em 22 de janeiro de 2026, a segunda exposição de sua série Architecture Connecting, focada na relação da disciplina com a ciência e a pesquisa em uma ampla variedade de campos, incluindo biologia, neurociência e antropologia. A primeira mostra da série, Living Structures (2024–2025), contou com a participação do ecoLogicStudio, do Atelier LUMA e do Jenny Sabin Studio, destacando seus trabalhos na intersecção entre algoritmos e natureza, além do desenvolvimento de métodos que reavaliam a arquitetura sustentável e as preocupações climáticas. Esta segunda exposição, intitulada Memoryscapes, explora as memórias, histórias e tradições que fundamentam as metodologias de trabalho do escritório DnA_Design and Architecture (Pequim), de Xu Tiantian, e do ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects (Paris).
Perspectiva da expansão do New Museum. Imagem cortesia de OMA/bloomimages.de
O New Museum é o único museu em Nova York dedicado exclusivamente à arte contemporânea. Desde seu início como um escritório de uma única sala na Hudson Street até a inauguração de seu primeiro edifício próprio e independente na Bowery, projetado pelo SANAA em 2007, a instituição evoluiu para se tornar um centro de exposições, pesquisa e documentação sobre artistas internacionais vivos. Em 2017, Shohei Shigematsu e Rem Koolhaas, do OMA, foram selecionados para projetar a expansão do New Museum. As primeiras imagens do projeto foram divulgadas em 2019. No dia 13 de janeiro, o museu anunciou que sua expansão de cerca de 5.570 metros quadrados (60.000 pés quadrados), projetada em colaboração com o escritório Cooper Robertson, será inaugurada em 21 de março de 2026, com uma exposição que explora a própria definição de humanidade.
Foram iniciadas as obras do novo Aeroporto Internacional de Bishoftu (BIA), projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects para o Ethiopian Airlines Group. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, lançou a pedra fundamental na cerimônia de início das obras no sábado, 10 de janeiro de 2026. O novo aeroporto ficará localizado a aproximadamente 40 quilômetros ao sul da capital etíope, Adis Abeba, e está planejado para se tornar o maior aeroporto da África. A primeira fase do projeto foi dimensionada para atender 60 milhões de passageiros/as por ano. As fases subsequentes deverão aumentar a capacidade para até 110 milhões de passageiros/as anuais, contando com quatro pistas e estacionamento para 270 aeronaves — mais de quatro vezes a capacidade do atual principal aeroporto da Etiópia, segundo declarações do primeiro-ministro.
Um novo museu dedicado à ciência da fibra de carbono foi inaugurado em Fiorenzuola d'Arda, Itália, em 17 de dezembro de 2025. O projeto remonta a 2021 e foi desenhado pelo escritório CRA–Carlo Ratti Associati em colaboração com o falecido arquiteto italiano Italo Rota. Encomendado pela MAE, fabricante de equipamentos para a produção de fibra de carbono, o projeto transforma um dos maiores acervos do mundo sobre fibra de carbono em um museu dinâmico, unindo a pesquisa à preservação arquivística e convertendo o arquivo em um espaço de exploração interativa. O projeto é descrito pela equipe de projeto como um "museu vivo", um lugar para ler, indagar e conectar ideias.
Malabo serviu como capital da Guiné Equatorial desde a independência do país da Espanha, em 12 de outubro de 1968, até 2 de janeiro de 2026, quando um decreto promulgado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo oficializou a transferência da capital para Ciudad de la Paz ("Cidade da Paz"), localizada na província de Djibloho. Obiang formalizou a mudança como parte de uma reorganização territorial planejada há bastante tempo. Embora a antiga capital continue a ser um polo econômico importante na ilha de Bioko, Ciudad de la Paz foi concebida como uma capital planejada na porção continental da África. A iniciativa de transferir a capital remonta a 2008, com o início das obras em 2011. A nova capital, também chamada de Djibloho (em referência à província) ou Oyala, é apresentada pelo governo como um esforço de descentralização para melhorar a acessibilidade em todo o território nacional.
Renderização aérea do novo estádio do Manchester United. Imagem cortesia de Foster + Partners
Ao longo de 2025, foram anunciados diversos projetos de infraestrutura esportiva que continuam em nosso radar, com conclusão prevista, em sua maioria, entre 2028 e 2030. Localizados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e América do Norte, esses projetos refletem estratégias contemporâneas de masterplans para a transformação de grandes arenas esportivas em seus contextos urbanos. Muitos dos estádios foram projetados como parte de estruturas mais amplas de requalificação urbana que incluem novos espaços públicos, programas de uso misto, instalações para eventos e melhorias de mobilidade, em vez de surgirem como estruturas isoladas. Projetos liderados por escritórios internacionais como Populous, Foster + Partners, Heatherwick Studio, OMA, Gensler, AFL Architects e VUILD ilustram uma variedade de respostas arquitetônicas, urbanísticas e de infraestrutura para o papel em constante evolução dessas grandes instalações esportivas.
O compilado de notícias desta semana reúne discussões atuais sobre espaço público e coletivo, infraestrutura cultural e transformação urbana de longo prazo em diversos contextos geográficos. Desde modelos de gestão compartilhada que redefinem a propriedade do espaço público em cidades como Paris e Nova York, até iniciativas de grande escala impulsionadas por eventos vinculadas a Milano Cortina 2026 e ao Fórum Urbano Mundial em Baku, os projetos e iniciativas selecionados destacam a interseção entre governança, cultura e infraestrutura na prática contemporânea. Esses temas são aprofundados por meio de uma combinação de processos de planejamento estratégico, incluindo esforços internacionais de planejamento experimental no norte de Lviv, e projetos construídos nas áreas de educação, cultura e arquitetura temporária — desde uma nova instalação de ensino odontológico em Blantyre, no Malawi, até espaços culturais restaurados e recém-inaugurados nos Estados Unidos e em Taiwan, além de intervenções de reutilização adaptativa apresentadas na Bienal de Arquitetura de Chicago. Os exemplos internacionais delineiam um panorama arquitetônico moldado pelo reuso, pelo engajamento público e pelo papel em evolução do design na resposta a estruturas sociais, culturais e institucionais.
O The Egg é um centro de artes cênicas localizado em Albany, na Empire State Plaza de Nova York, projetado pelo escritório norte-americano Harrison & Abramovitz. A construção teve início em 1966 e foi concluída doze anos depois, em 1978, com o objetivo de acolher uma ampla programação de eventos culturais e espetáculos para a população do Estado de Nova York. Inspirada no modernismo brasileiro, a estrutura de concreto em forma de cúpula semelhante a um ovo se destaca como um contraponto marcante em meio a um conjunto urbano de caráter racional. Cercado pelas torres do governo estadual implantadas em uma grande praça aberta e revestidas de pedra, o concreto aparente do edifício, sua forma aparentemente suspensa e sua geometria curva acentuada o posicionam como um exemplar tardio do brutalismo modernista. Atualmente, o espaço passa por uma restauração e, após seis meses de obras, deve reabrir em 8 de janeiro de 2026, apresentando-se como um local "renovado e reinventado".
Falta apenas um mês para a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026, cujas competições acontecerão de 4 a 22 de fevereiro de 2026. A Cerimônia de Abertura será realizada no dia 6 de fevereiro no Estádio Olímpico San Siro, em Milão, reunindo cerca de 2.900 atletas de todo o mundo para disputar 16 esportes, com 116 medalhas de ouro em jogo. Os Jogos Olímpicos de Inverno retornam à Itália vinte anos depois de Turim 2006 e setenta anos após Cortina 1956. Esta edição, no entanto, adota uma abordagem marcadamente diferente, distanciando-se do modelo tradicional de altos custos e desperdício em prol do reuso adaptativo, do uso de energia renovável e do desenvolvimento regional de longo prazo. Sendo a edição mais dispersa geograficamente na história dos Jogos de Inverno, o plano prevê o uso de 92% de instalações já existentes ou temporárias, aproveitando regiões com forte infraestrutura turística para evitar grandes impactos ambientais e implementar estratégias de design circular e reciclagem — cujos resultados se tornarão evidentes nos próximos meses. Em seguida, serão realizadas as Paralimpíadas de Inverno de Milano Cortina 2026, de 6 a 15 de março de 2026.
Nesta entrevista ao Louisiana Channel, a arquiteta mexicana Gabriela Carrillo apresenta os desafios que movem seu trabalho, especialmente os projetos desenvolvidos como integrante do Colectivo C733, do qual participa atualmente ao lado de Carlos Facio, José Amozurrutia, Eric Valdez e Israel Espin. Ao explorar sua definição de arquitetura, ela propõe reflexões sobre o projeto de espaços públicos, a relação entre arquitetura e land art e o papel do preexistente na transformação do espaço. A arquiteta defende a arquitetura como uma "ferramenta poderosa" para estreitar as conexões entre as pessoas e seu entorno, definindo sua prática como otimista.
O Museu de Arte de Taichung inaugurou oficialmente em 13 de dezembro de 2025, com a exposição inaugural intitulada A Call of All Beings: See You Tomorrow, Same Time, Same Place. O edifício, projetado pelo SANAA, faz parte do projeto Taichung Green Museumbrary, desenvolvido em colaboração com o escritório local Ricky Liu & Associates. Concebido como uma grande iniciativa cultural, o projeto combina um museu de arte contemporânea, recursos de biblioteca e um parque público. Por meio de programas educativos e de extensão interativos, o projeto visa estabelecer um novo modelo institucional para Taichung, apoiando o intercâmbio artístico e posicionando a cidade como um polo cultural internacional. Em exibição até 12 de abril de 2026, a mostra de abertura explora as relações entre as pessoas e a natureza, a cidade e a memória, as conexões entre espécies e o futuro, partindo de uma análise do próprio contexto do complexo no centro de Taiwan.
Renzo Piano Building Workshop, em colaboração com o escritório Betaplan Architects (Atenas) e o/a paisagista Camille Muller (Paris), deu início às obras de um novo centro cultural em Pireu, o porto de Atenas. Comissionado pela Fundação Dinos e Lia Martinos (DLMF), o projeto busca estabelecer um polo internacional conectado a centros de arte semelhantes no exterior, aberto à comunidade local, a estudantes e a visitantes, além de contribuir para o tecido urbano e cultural da região metropolitana de Atenas. O complexo, chamado KYKLOS, abrigará coleções de arte contemporânea e uma programação cultural de projeção internacional. Iniciado em 2023, o projeto está atualmente em desenvolvimento, com a conclusão das obras prevista para o último trimestre de 2028.
A exposição Coming Together: Reimagining America's Downtowns, realizada no National Building Museum, em Washington, D.C., explora as transformações em curso nos centros urbanos dos Estados Unidos e as maneiras como as comunidades têm se organizado para moldar cenários urbanos alternativos. Com curadoria de Uwe S. Brandes, docente na Universidade de Georgetown, e projeto expográfico de Reddymade e MGMT., esta é a primeira de três grandes exposições da iniciativa Future Cities do museu, um projeto interdisciplinar que examina a cidade como polo, catalisadora, elemento fundamental e reflexo da sociedade. Coming Together apresenta exemplos de mais de 60 cidades estadunidenses, de grande e pequeno porte, destacando lições aprendidas e oportunidades aproveitadas em decorrência da pandemia de COVID-19, à medida que as comunidades se adaptam a mudanças duradouras no trabalho, na moradia, na mobilidade, no entretenimento e no lazer. A exposição está aberta ao público e permanecerá em cartaz até o outono de 2026.