Diferente de um livro ou de uma peça musical, que podem ser facilmente deixados de lado se não despertarem interesse, a arquitetura impõe outra realidade. Um edifício perdura por décadas, moldando a paisagem e influenciando a vida de seus ocupantes por muitos anos. Essa permanência traz consigo um conjunto único de desafios: profissionais da arquitetura devem projetar espaços que impactam a vida coletiva, muitas vezes sob prazos apertados, orçamentos limitados e forte pressão. Além de lidar com regulamentações complexas e coordenar a construção, enfrenta-se a falsa percepção de que projetar é algo simples ou que qualquer pessoa poderia fazer. O constante malabarismo entre qualidade, custo e rapidez frequentemente resulta em sacrifícios — seja de tempo, de saúde ou da própria integridade do projeto. Esse ciclo não apenas desgasta a profissão, mas também enfraquece a compreensão da sociedade sobre o real valor do design.
O conhecido triângulo do "bom, rápido e barato" raramente se resolve sem que o/a arquiteto/a sacrifique seu próprio tempo, saúde ou até mesmo a qualidade do projeto. Repetida há décadas, essa equação alimenta um ciclo de desgaste que não apenas mina a profissão, mas também deprecia o valor do design na sociedade, diminuindo o papel de uma disciplina tão bela e fundamental.
O Memorial de Sardarapat e o esboço original do arquiteto. Imagem via risraelyan.com/en/, cortesia de Aram Ghanalanyan
Em uma época na qual grande parte da arquitetura global parece desconectada da identidade local, a obra de Rafayel Israelyan se destaca por estar profundamente enraizada no lugar, na cultura e na memória. Atuando na Armênia de meados do século XX, Israelyan criou uma arquitetura que vai além do funcional ou do monumental; trata-se de uma obra culturalmente resiliente. O uso de motivos, materiais e formas simbólicas tradicionais da Armênia deu aos seus projetos uma segunda vida após a queda da União Soviética, momento em que muitos edifícios nos Estados pós-soviéticos foram abandonados ou demolidos. A Armênia, por outro lado, preservou muitas de suas obras, provavelmente porque sua abordagem de projeto não apenas atendia a um momento histórico específico, mas também narrava uma história mais ampla. Muito antes de conceitos como sustentabilidade ou regionalismo crítico se popularizarem, Israelyan já compreendia que as edificações ganham significado e durabilidade quando refletem a identidade e as características específicas de seu lugar.
Torres residenciais The Sax, projetadas pelo MVRDV. Render. Imagem cortesia de MVRDV
A Prefeitura de Roterdã, as incorporadoras BPD e Synchroon e o escritório de arquitetura MVRDV iniciaram oficialmente a construção do The Sax, um importante projeto residencial localizado na Wilhelminapier, em Roterdã. Projetado para contribuir com os esforços contínuos de adensamento da cidade, o empreendimento oferecerá 916 apartamentos distribuídos em duas torres interconectadas. Após a conclusão, o The Sax tornará a Wilhelminapier a área mais densamente povoada dos Países Baixos, consolidando o projeto como um exemplo de crescimento urbano compacto. O projeto é composto por duas torres que reúnem uma ampla variedade de tipologias habitacionais e comodidades compartilhadas, além de fortes conexões com o transporte público e soluções de mobilidade sustentável, incluindo um bicicletário para 1.800 bicicletas e uma garagem totalmente automatizada. Com fachada prateada e varandas onduladas, a volumetria do edifício remete à forma de um saxofone, refletindo a identidade de Roterdã.
O BIG – Bjarke Ingels Group foi selecionado como vencedor do concurso internacional para projetar a nova Ópera Estatal de Hamburgo, um importante projeto cultural planejado para a península de Baakenhöft, em HafenCity, Hamburgo, Alemanha. O edifício reunirá as companhias de ópera e balé da cidade sob o mesmo teto, introduzindo novos espaços de apresentação, instalações de produção e áreas de convivência pública ao longo do rio Elba. O projeto substituirá a casa de ópera de meados do século XX na Dammtorstraße, atendendo à demanda municipal por uma estrutura que reflita os padrões contemporâneos de acústica, tecnologia de palco e experiência do público.
Na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, o Egito apresenta Let's Grasp the Mirage, seu pavilhão nacional que propõe uma exploração interativa da sustentabilidade através da lente simbólica do oásis egípcio. Com curadoria de Salah Zikri, Ebrahim Zakaria e Emad Fikry, e comissionado pelo Ministério da Cultura do Egito e pela Accademia d'Egitto, o projeto reflete sobre o delicado equilíbrio entre conservação e desenvolvimento, alinhando-se ao tema da Bienal de 2025: "Intelligens. Natural. Artificial. Collective."
Todos os anos, em 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência traz atenção renovada para a necessidade de ambientes inclusivos e equitativos, tanto no aspecto social quanto no espacial. O tema de 2025, "Fomentar sociedades inclusivas para pessoas com deficiência para promover o progresso social", destaca como barreiras persistentes no emprego, na proteção social e no acesso a serviços continuam a afetar mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Nesse contexto mais amplo, o ambiente construído desempenha um papel decisivo: a arquitetura pode tanto reforçar a exclusão quanto abrir caminhos para a autonomia, a dignidade e a participação na vida cotidiana.
O World Architecture Festival (WAF) anunciou a lista de finalistas de sua edição de 2025, destacando exemplos notáveis de edifícios concluídos, projetos futuros, interiores e paisagismo urbano de todo o mundo. O anúncio precede a primeira edição do WAF nos Estados Unidos, que será realizada no Miami Beach Convention Center de 12 a 14 de novembro de 2025. Os finalistas apresentarão seus projetos dentro de suas respectivas categorias durante os dois primeiros dias do festival. Selecionada entre mais de 780 candidaturas, a lista deste ano apresenta mais de 460 projetos que abrangem uma ampla gama de categorias, incluindo Reuso Criativo, Habitação, Educação, Hotelaria, Esportes e Cultura.
Posto de Serviços Paramédicos Multifuncional de Toronto 02. Imagem cortesia de Diamond Schmitt Architects
À medida que as cidades e as infraestruturas evoluem para atender às constantes mudanças nas demandas culturais, ambientais e sociais, novos projetos de arquitetura redefinem a forma como os espaços públicos e as instituições cívicas funcionam. Esta edição do Architecture Nowreúne propostas que abrangem diferentes contextos e escalas: na Ilha de Yakushima, Jean Nouvel insere um refúgio boutique para o NOT A HOTEL em uma paisagem florestal tombada pela UNESCO; em Nova York, o escritório Rossetti e a WSP preparam uma grande reforma do Arthur Ashe Stadium para expandir a capacidade e aprimorar a experiência dos/as visitantes; em Toronto, o Diamond Schmitt e o gh3* iniciaram as obras de um posto de atendimento paramédico em madeira engenheirada (mass timber) com consumo de energia líquida zero (net-zero); e, do outro lado do Canal da Mancha, o Hollaway Studio lidera a transformação dos terminais britânico e francês do LeShuttle em portais mais fluidos e sustentáveis. Juntos, esses projetos refletem como o design vem sendo utilizado para adaptar sistemas e paisagens existentes a novas formas de vida pública.
As obras de renovação começaram oficialmente no Toyota Stadium do FC Dallas, em Frisco, no Texas, com o escritório de arquitetura HKS liderando o redesenho. Inaugurado originalmente em 2005 com capacidade para aproximadamente 20.000 pessoas, o estádio passa por uma transformação em fases para melhorar a funcionalidade, expandir as comodidades e se preparar para a Copa do Mundo da FIFA de 2026, com a intenção de abrigar o centro de treinamento de uma das seleções. A construção teve início no setor leste e avançará progressivamente, permitindo que a arena continue operacional para os jogos em casa durante todo o processo. A conclusão está prevista para 2028.
Os destaques da arquitetura desta semana abordaram as interseções entre patrimônio, conscientização climática e prática do design contemporâneo. Com a proximidade do encerramento da 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza, projetos que exploram a inteligência coletiva e a experimentação material propõem reflexões sobre respostas em pequena escala para desafios globais. No Egito, a conclusão do Grande Museu Egípcio marca um momento muito aguardado na preservação cultural, ao mesmo tempo em que novas iniciativas de concursos na Jordânia estendem esse diálogo a contextos sagrados e arqueológicos. Somando-se a esses acontecimentos, o reconhecimento de Abdelwahed El-Wakil com o prêmio Tamayouz Lifetime Achievement Award destaca a influência contínua do design baseado na tradição na prática contemporânea.
O Pavilhão da Lituânia na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025 apresenta Archi / Tree / tecture, um projeto da Associação Nacional de Arquitetos/as. Com comissão de Juratė Tutlyte e curadoria do/a arquiteto/a Gintaras Balčytis, a exposição convida arquitetos/as, estudantes, comunidades e visitantes a refletirem sobre as profundas conexões entre a arquitetura e a natureza urbana. O projeto posiciona a disciplina como um meio interpretativo que revela as complexas camadas de relações que moldam nossas cidades, as quais, por sua vez, refletem essas interações dinâmicas. A proposta evoca uma memória urbana enraizada em paisagens outrora ocupadas por campos e árvores, introduzindo a dimensão do tempo nos debates sobre ecossistemas urbanos, sustentabilidade e resiliência. A mostra, uma instalação interna projetada pelos/as arquitetos/as Paulius Vaitiekūnas, Andrius Pukis e Vika Pranaitytė, será montada na Igreja de Santa Maria dei Derelitti. A instalação audiovisual e de iluminação do pavilhão foi concebida pela dupla artística interdisciplinar Lina Pranaitytė e Urtė Pakers, ao passo que o componente escultórico da instalação foi criado por Kęstutis Lanauskas.
Em uma entrevista recente ao Louisiana Channel, o aclamado arquiteto japonês Shigeru Ban compartilhou suas perspectivas sobre a arquitetura, sua trajetória profissional e sua dedicação ao design socialmente responsável. Conhecido por seu uso inovador de materiais como o papel e a madeira, Ban passou grande parte de sua carreira criando soluções para comunidades afetadas por desastres e populações deslocadas em todo o mundo.
Local do Batismo. Imagem cortesia de Malcolm Reading Consultants
Sete equipes internacionais de design foram selecionadas para o "Museu do Batismo de Jesus" em Betânia, Jordânia, um marco cultural e espiritual previsto para inaugurar em 2030, em comemoração ao bimilenário do batismo de Cristo. Apoiado por Sua Majestade o Rei Abdullah II bin Al-Hussein e liderado pela Fundação para o Desenvolvimento das Terras Adjacentes ao Sítio do Batismo, o projeto é gerenciado pela Malcolm Reading Consultants (MRC), sediada em Londres. O museu ficará ao lado do Patrimônio Mundial da UNESCO de "Betânia Além do Jordão", na margem leste do RioJordão, um local de peregrinação cristã há séculos.
A General Motors e a Bedrock apresentaram uma proposta ousada de US$ 1,6 bilhão para reimaginar o icônico Renaissance Center de Detroit e os 27 acres no entorno ao longo da orla do rio Detroit. O plano visa transformar o marco dos anos 1970 em um complexo dinâmico de uso misto voltado a habitação, escritórios e entretenimento. A proposta inclui a demolição de duas torres de 39 andares do complexo deamp;nbsp;cinco arranha-céus, liberando uma área valiosa na orla para novos projetos, sem descaracterizar a famosa silhueta urbana da cidade.
Convidamos você a participar do Prêmio ArchDaily Building of the Year 2025. Pedimos que nos ajude a reconhecer e premiar os projetos publicados em nossa base de dados em 2024 que, na sua opinião, estão gerando o maior impacto no ambiente construído. Ao indicar e votar, você passa a fazer parte de uma rede interdependente, imparcial e distribuída de jurados e pares que, de forma consistente, nos ajuda a celebrar a arquitetura de todas as escalas, propósitos e condições, de países grandes e pequenos, realizada por arquitetos e arquitetas de todos os perfis. Nas próximas semanas, seus votos farão com que 4.000 projetos sejam filtrados para apenas 15 — representando o melhor em cada categoria de projeto no ArchDaily.
Museu Erhardt por Kéré Architecture. Vista externa do jardim. Render . Imagem cortesia de Kéré Architecture
Tiveram início oficialmente as obras do Museum Ehrhardt em Plüschow, no nordeste da Alemanha, marcando o primeiro projeto cultural no país projetado por Francis Kéré e seu escritório Kéré Architecture, bem como o primeiro edifício de museu do escritório na Europa. Desenvolvido em cooperação com HK Architekten e Hermann Kaufmann + Partner ZT GmbH, o museu de 1.400 metros quadrados será dedicado à fotografia e à arte contemporânea. A iniciativa partiu do Dr. Jens Ehrhardt, filho do artista Alfred Ehrhardt (1901–1984), junto com sua esposa Elke Weicht-Ehrhardt, para homenagear o pintor, fotógrafo e cineasta que foi uma das figuras de destaque do movimento Nova Objetividade na Alemanha. O museu será construído próximo ao Mar Báltico, adjacente ao Schloss Plüschow, uma residência artística e galeria.
Calçada do campus. Render. Imagem cortesia de stantec
Stantec, empresa de consultoria em arquitetura, engenharia e meio ambiente, foi selecionada como vencedora de um concurso internacional organizado pela State Tax University (STU) para redesenhar o edifício de seu campus principal. A estrutura foi parcialmente destruída em 2022, durante as fases iniciais da guerra. A chamada internacional de projetos foi lançada em novembro de 2024, gratuita e "aberta a todos os escritórios de design, empresas de arquitetura e arquitetos/as autônomos/as de todas as partes do mundo". O objetivo do concurso era desenvolver um edifício educacional do século XXI, descrito como um "espaço progressivo e confortável para o aprendizado, a pesquisa e o lazer dos/as estudantes, baseado em padrões educacionais inovadores", conforme consta no anúncio da competição.
Cerca de um mês após o encerramento da Expo Osaka 2025, os projetos e construções apresentados na exposição mundial permanecem como um legado. Embora o Pavilhão do Bahrein, projetado por Lina Ghotmeh Architecture, tenha atraído atenção especial este ano ao receber um duplo reconhecimento, ele foi apenas um entre os muitos projetos premiados. Durante a cerimônia de premiação realizada na penúltima noite do evento, um total de 45 prêmios foram entregues entre os 165 países participantes. Os Prêmios Oficiais para Participantes são concedidos de acordo com o tamanho e o tipo do pavilhão, reconhecendo a excelência em Arquitetura e Paisagismo (apenas para pavilhões autoconstruídos), Design Externo (apenas para pavilhões modulares), Design de Exposição, Desenvolvimento de Tema e Sustentabilidade. Os premiados foram selecionados por um júri internacional composto por nove especialistas que visitaram todos os pavilhões nacionais e temáticos durante duas sessões de avaliação em maio e outubro de 2025. O panorama a seguir apresenta todos os 45 pavilhões destacados nas cinco categorias dos Prêmios Oficiais para Participantes.
Render de equipagem lunar da NASA. Imagem cortesia de Foster + Partners
Durante três semanas, de 28 de março a 20 de abril de 2025, o John F. Kennedy Center for the Performing Arts em Washington, D.C., sediará o festival de arte "EARTH to SPACE: Arts Breaking the Sky." Com curadoria de Alicia Adams, vice-presidente de programação internacional, e Gilda Almeida, diretora de programação internacional, o festival inclui uma programação repleta de apresentações, exibições de filmes, palestras, painéis e exposições. Como parte do festival, o escritório Foster + Partners projetou uma exposição intitulada "From Earth to Space and Back" (Da Terra ao Espaço e de Volta), que convida o público visitante a imaginar um futuro em que a humanidade já vivenciou a vida em Marte, onde a exploração de novos mundos está ao nosso alcance e onde os avanços tecnológicos no espaço revolucionam a vida na Terra. O festival baseia-se na ideia de que imaginar a vida no espaço pode inspirar soluções para a vida na Terra, perspectiva que se reflete nos projetos apresentados pelo escritório Foster + Partners.
O pavilhão nacional do Azerbaijão, participando da Bienal de Arquitetura de Veneza pela primeira vez, apresenta Equilibrium. Patterns of Azerbaijan. Com curadoria de Nigar Gardashkhanova, a exposição alinha-se ao tema geral da Bienal deste ano, Intelligens. Natural. Artificial. Collective. Com foco em respostas de design inovadoras para a crise climática, o pavilhão enfatiza os princípios de Regenerar. Inovar. Preservar. Com projetos encomendados por Rashad Aslanov, a mostra apresenta contribuições da Azerbaijan Development Company (ADEC), da Simmetrico Architettura e de Adalat Mammadov. Organizada pela Fundação Heydar Aliyev e pelo Ministério da Cultura da República do Azerbaijão, com o apoio da Embaixada do Azerbaijão na Itália, a exposição acontecerá de 10 de maio a 23 de novembro de 2025, no Castello 2127/A, próximo ao Arsenale.
A Itália está se preparando para sediar seus terceiros Jogos Olímpicos de Inverno, com Milão e Cortina d'Ampezzo se preparando para receber o Milano Cortina 2026, setenta anos após Cortina ter sediado a edição de 1956 e duas décadas depois de Turim 2006. Os Jogos ocorrerão de 6 a 22 de fevereiro de 2026, marcando a primeira vez que as Olimpíadas de Inverno serão organizadas em duas cidades, duas regiões (Lombardia e Vêneto) e duas províncias autônomas (Trento e Bolzano). Abrangendo um território de 22.000 quilômetros quadrados, o Milano Cortina 2026 se tornará a edição mais geograficamente extensa dos Jogos de Inverno até hoje, com mais de 90% das instalações já existentes ou projetadas como estruturas temporárias.