Prêmio AlMusalla 2027 - Retrato do grupo, da esquerda para a direita: Jessam Al-Jawad (Al-Jawad Pike), Zeina Koreitem (MILLIØNS), Meriem Chabani (New South), Ali Ismail Karimi (Civil Architecture). Imagem cortesia de Diriyah Biennale Foundation
Em 28 de fevereiro de 2026, as notícias sobre a perda de vidas humanas, o padrão operacional dos ataques militares, os danos à infraestrutura, as interrupções nas comunicações e as reações internacionais após os ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã confirmaram ao mundo um novo foco de guerra no Sudoeste Asiático. Este conflito militar também gerou impactos humanos e na infraestrutura do Líbano, da Síria, do Iraque e da Jordânia, com zonas de combate ativas em seus territórios, além dos Estados do Golfo, onde os danos afetaram particularmente as bases militares dos EUA e a infraestrutura energética. O cenário soma um novo palco de conflito armado na região, após mais de dois anos de destruição sistemática de vidas, habitats e instalações essenciais na Faixa de Gaza, com quase 81% das estruturas destruídas até o final de 2025. Atualmente, esses territórios sofrem com a desestruturação deliberada de sua normalidade, afetando infraestruturas essenciais, cotidianas e bens culturais de relevância global. Embora as informações ainda sejam dispersas e preliminares, é possível mensurar parte dos danos ao patrimônio cultural causados por este novo desdobramento do conflito armado.
Fallingwater, a icônica residência projetada por Frank Lloyd Wright, foi reaberta ao público após a conclusão de um projeto de preservação de três anos. A reabertura coincide com o 90º aniversário do edifício e o início de sua 63ª temporada de visitas, marcando um momento fundamental na conservação contínua de uma das obras mais reconhecidas da arquitetura moderna. A intervenção, liderada pela Western Pennsylvania Conservancy, concentrou-se em resolver desafios estruturais e ambientais, mantendo a integridade do projeto original de Wright.
Visualizações em 3D do projeto para o Hospital Universitário Saint-Ouen Grand Paris Nord, 2026. Imagem cortesia de Renzo Piano Building Workshop
No dia 20 de fevereiro, o escritório Renzo Piano Building Workshop anunciou que a licença de construção do Hôpital Universitaire Saint-Ouen Grand Paris Nord (HUSOGPN) foi oficialmente concedida. O projeto é uma iniciativa estatal que responde ao rápido crescimento populacional, ao aumento da demanda por atendimento e à evolução das normas técnicas por meio de um hospital de "última geração" em Saint-Ouen-sur-Seine, uma comuna no subúrbio ao norte da capital francesa. O complexo hospitalar será implantado no terreno da antiga fábrica da PSA, que outrora foi um motor industrial da região e que hoje se apresenta amplo e bem conectado o suficiente para abrigar um programa de escala incomum: 986 leitos comuns e 288 leitos de hospital-dia, uma equipe de mais de 5.500 profissionais e instalações equipadas com tecnologia de ponta para áreas como cirurgia e maternidade. Concebido como um "hospital-paisagem", o edifício projetado pelo RPBW em associação com o Brunet Saunier & Associés destaca-se por apresentar um jardim de 1,3 hectare na cobertura e uma floresta urbana com mais de 1.000 árvores.
Vista aérea aproximada de Manresa Wilds. Imagem cortesia de BIG
A Manresa Island Corp. revelou a visão final para o Manresa Wilds, um parque à beira-mar de 125 acres planejado para a península de uma antiga usina termoelétrica ao longo do Long Island Sound, em Norwalk, nos Estados Unidos. Desenvolvida em colaboração com o escritório de arquitetura de paisagemSCAPE e o estúdio de arquiteturaBIG, a proposta detalha a transformação de uma orla industrial poluída e há muito inacessível em uma paisagem costeira aberta ao público. Após a obtenção de uma licença de gestão ambiental concedida pelo Departamento de Energia e Proteção Ambiental de Connecticut em dezembro de 2025, o projeto avançará em etapas, começando com a abertura da Floresta Norte, de 28 acres, na primavera de 2027. As fases subsequentes, que se estenderão até o início da década de 2030, entregarão a maior parte da paisagem recuperada e a reutilização adaptativa da usina dos anos 1960 como um polo cívico e educacional permanente, liberando quase 3,2 quilômetros de costa que estiveram fechados ao público por décadas.
O Heatherwick Studio revelou as primeiras imagens do projeto de transformação dos Apartamentos Daegyo em Yeouido, Seul. O projeto, que marca o primeiro empreendimento residencial do escritório na Coreia do Sul, foi apresentado por Thomas Heatherwick à Associação de Moradores de Yeouido Daegyo durante uma Assembleia Geral realizada em 28 de fevereiro de 2026. O empreendimento foi anunciado originalmente em meados de 2025 como uma reurbanização residencial liderada pela comunidade, com o escritório envolvido em todas as etapas, do conceito à conclusão. A proposta transformará quatro edifícios residenciais datados de 1975, buscando estabelecer uma identidade marcante e atraente, distante do padrão convencional de edifícios de apartamentos em Seul.
O escritório de arquitetura Settanta7 iniciou a construção do Bosco della Musica, um novo campus para o Conservatorio Giuseppe Verdi em Milão. O terreno está localizado em Rogoredo, uma antiga área industrial no sudeste da cidade, que atualmente atrai atenção devido a episódios de violência e preocupações com a segurança pública. Por conta disso, a região é o foco de iniciativas de desenvolvimento do Ministério da Infraestrutura e dos Transportes da Itália, incluindo o concurso para este projeto, vencido pela Settanta7 em 2022. O escritório é responsável pelo projeto e supervisiona a coordenação de todas as disciplinas como consultor principal para a construção de todo o empreendimento: um programa de regeneração urbana mais amplo que engloba a revitalização do terreno de 17.400 m² e o reúso adaptativo do edifício industrial "Ex Chimici", além da construção de quatro novos edifícios — três dedicados a atividades educacionais e um destinado a habitação estudantil.
O AJ e a The Architectural Review anunciaram a arquiteta Barbara Buser como vencedora do Jane Drew Prize de 2026. A premiação, que leva o nome da arquiteta e urbanista modernista inglesa Jane Drew, faz parte dos W Awards e do W Programme, que reconhecem a contribuição de mulheres na profissão da arquitetura. Sediada na Suíça, Barbara Buser é conhecida por sua atuação inovadora no campo da reciclagem e do reaproveitamento, e como especialista em construção circular, sendo reconhecida pelo pioneirismo em práticas de reutilização no país. Dessa forma, o prêmio reconhece não apenas sua contribuição para a arquitetura em si, mas sobretudo seus esforços para reduzir o impacto ambiental do setor por meio de iniciativas de socialização. Esta honraria sucede a premiação de Anne Lacaton em 2025, além de outras figuras de destaque na área, como Kazuyo Sejima em 2023, Farshid Moussavi in 2022 e Yasmeen Lari em 2020.
O escritório CRA–Carlo Ratti Associati foi selecionado para projetar o centro cultural Buzzi Heritage em Casale Monferrato, na Itália. A proposta apresenta uma treliça suspensa de 100 metros de comprimento que interliga dois antigos edifícios educacionais, consolidando funções de arquivo, pesquisa e cultura em uma única estrutura. O projeto também marca a primeira aplicação prática de um sistema estrutural patenteado, desenvolvido por meio de pesquisas do Carlo Ratti Associati em parceria com a Maestro Technologies. Posicionada sobre um sistema de espaços abertos, a intervenção reconfigura o terreno como um complexo cultural de acesso público, mantendo uma distinção clara entre as áreas construídas e as paisagísticas.
Novas galerias de Arte da África do Brooklyn Museum. Renderização do projeto, 2026. Imagem cortesia de Peterson Rich Office
O Brooklyn Museum, em Nova York, anunciou a ampliação de seu edifício neoclássico — um patrimônio histórico tombado pela cidade de Nova York — para incluir novas galerias dedicadas à sua histórica coleção de arte africana. O projeto de renovação e criação das galerias permanentes foi desenvolvido pelo escritório de arquitetura Peterson Rich Office (PRO), sediado no Brooklyn e com experiência em espaços expositivos contemporâneos, em consultoria com o escritório Beyer Blinder Belle Architects & Planners para a preservação histórica do museu. A proposta transforma espaços anteriormente subutilizados que serviam como depósitos, marcando um novo marco na série de reformas desta instituição com mais de 200 anos de história. Pela primeira vez, as galerias de arte egípcia do museu serão conectadas às novas galerias africanas, unindo o norte da África ao resto do continente para oferecer ao público uma visão coesa do rico legado artístico africano.
Shamballa: Laboratório para uma Vida Sustentável. Ítaca, 2026. Imagem cortesia de WASP
Shamballa, um laboratório e centro de pesquisa ao ar livre de 8 hectares dedicado ao modo de vida sustentável e à impressão 3D arquitetônica avançada, foi inaugurado em 8 de junho de 2026, nas colinas da região de Emilia-Romagna, no norte da Itália. O projeto é uma colaboração entre a WASP, empresa de tecnologia de impressão 3D, e a Olfattiva, empresa de aromaterapia e perfumery botânica, e abriga um laboratório maker, um jardim botânico medicinal e a "Itaca", uma fazenda autossuficiente construída por meio de impressão 3D. O edifício foi projetado como um modelo para a construção impressa em 3D, representando uma estrutura certificada e replicável. As áreas externas abrigam centros de pesquisa e desenvolvimento, formando um "ecossistema" experimental para conceber novas ideias em bioconstrução e habitação sustentável, além de hortas automatizadas, sistemas de captação de água da chuva e iniciativas focadas em microeconomias circulares.
O Museu de Arte Moderna de Louisiana inaugurará, em 22 de janeiro de 2026, a segunda exposição de sua série Architecture Connecting, focada na relação da disciplina com a ciência e a pesquisa em uma ampla variedade de campos, incluindo biologia, neurociência e antropologia. A primeira mostra da série, Living Structures (2024–2025), contou com a participação do ecoLogicStudio, do Atelier LUMA e do Jenny Sabin Studio, destacando seus trabalhos na intersecção entre algoritmos e natureza, além do desenvolvimento de métodos que reavaliam a arquitetura sustentável e as preocupações climáticas. Esta segunda exposição, intitulada Memoryscapes, explora as memórias, histórias e tradições que fundamentam as metodologias de trabalho do escritório DnA_Design and Architecture (Pequim), de Xu Tiantian, e do ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects (Paris).
Foram iniciadas as obras do novo Aeroporto Internacional de Bishoftu (BIA), projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects para o Ethiopian Airlines Group. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, lançou a pedra fundamental na cerimônia de início das obras no sábado, 10 de janeiro de 2026. O novo aeroporto ficará localizado a aproximadamente 40 quilômetros ao sul da capital etíope, Adis Abeba, e está planejado para se tornar o maior aeroporto da África. A primeira fase do projeto foi dimensionada para atender 60 milhões de passageiros/as por ano. As fases subsequentes deverão aumentar a capacidade para até 110 milhões de passageiros/as anuais, contando com quatro pistas e estacionamento para 270 aeronaves — mais de quatro vezes a capacidade do atual principal aeroporto da Etiópia, segundo declarações do primeiro-ministro.
Projeto de revitalização do Centro Comercial Montparnasse e da Torre CIT, 2026. Vista aérea. Imagem cortesia de RPBW
Durante uma apresentação à imprensa realizada na Prefeitura de Paris em 7 de janeiro de 2026, o arquiteto e vencedor do Prêmio Pritzker Renzo Piano divulgou as primeiras imagens da transformação do emblemático centro comercial de Montparnasse e da Torre CIT em um distrito voltado para pedestres em Paris, na França. O projeto, encomendado ao escritório Renzo Piano Building Workshop (RPBW) em 2022 pelos coproprietários do complexo comercial, propõe uma transformação visual e funcional do centro de compras de baixa altura dos anos 1970 em um espaço mais transitável, caracterizado pela transparência e abertura. O projeto foi desenvolvido em paralelo com a revitalização da Torre Montparnasse, liderada pela Nouvelle AOM, com o objetivo de remodelar o complexo de serviços em um quarteirão parisiense contemporâneo voltado para a vida pública, o desempenho ambiental e o uso cotidiano. A proposta reabre o local para a cidade, reconectando ruas e restaurando a continuidade entre Montparnasse e os bairros vizinhos por meio de novos espaços públicos.
O Salone del Mobile.Milano anunciou as diretrizes para sua 64ª edição, programada para acontecer de 21 a 26 de abril de 2026, na Fiera Milano, Rho. O evento reunirá mais de 1.900 expositores/as de 32 países em uma área de exposição superior a 169.000 metros quadrados, evidenciando a escala contínua e o alcance internacional da feira. Para além de sua dimensão quantitativa, o Salone 2026 se posiciona como uma infraestrutura cultural e econômica em evolução, cada vez mais estruturada em torno de estratégias de longo prazo, em detrimento de eventos isolados. A programação reflete uma ênfase crescente na acessibilidade, profundidade curatorial e diálogo intersetorial, apontando para o papel do Salone não apenas como um mercado para o setor, mas também como uma plataforma onde o pensamento arquitetônico, a produção industrial e as dinâmicas globais se cruzam em um sistema único e coordenado.
Prefeitura de Tagaytay / WTA Architecture and Design Studio. Imagem cortesia de WTA Architecture and Design Studio
As notícias de arquitetura desta semana reúnem uma série de anúncios que refletem como a disciplina está se engajando com marcos estruturais e institucionais mais amplos. A introdução de "Systems' Hack" pela Fundação OBEL como o tema para seu ciclo de 2026 coloca em primeiro plano a relação da arquitetura com os sistemas que organizam a vida contemporânea, da infraestrutura aos fluxos de recursos. No âmbito da indústria do design, as diretrizes do Salone del Mobile.Milano para sua edição de 2026, incluindo a participação do OMA no masterplan do Salone Contract, sinalizam uma evolução no entendimento das grandes feiras, que passam a ser vistas como infraestruturas culturais e econômicas de longo prazo, e não apenas como eventos isolados. Paralelamente a esses desenvolvimentos que definem rumos para o setor, os últimos dias de indicações para o Prêmio ArchDaily Building of the Year 2026 destacam o papel da avaliação coletiva e da participação pública na formulação do discurso arquitetônico contemporâneo.
Centre Pompidou Hanwha, 2026. Imagem cortesia de Wilmotte & Associés Sa
O museu e instituição cultural francesa Centre Pompidou abrirá uma nova filial coreana em colaboração com a instituição local Hanwha Foundation of Culture. Amplamente conhecido no campo da arquitetura por sua sede francesa, projetada por Renzo Piano e Richard Rogers e recentemente fechada para reformas, o Centre Pompidou expande sua presença internacional com um novo espaço, somando-se às suas sedes na Espanha, Bélgica, China e Emirados Árabes Unidos. A sede coreana consiste em um projeto de reforma de 12.000 m² na base do arranha-céu 63 Tower, liderado pelo escritório Wilmotte & Associés. Localizado na Ilha de Yeouido, às margens do Rio Han e no coração do distrito financeiro de Seul, o Hanwha Seoul Pompidou Center foi concebido tanto como um espaço de exposições quanto como um ponto de encontro onde a educação e a arte convergem, oferecendo áreas flexíveis para abrigar uma ampla gama de atividades.
No domingo, 19 de abril de 2026, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA) abriu suas novas David Geffen Galleries ao público. Projetado pelo arquiteto Peter Zumthor, o edifício oferece um espaço expositivo elevado para a coleção permanente do museu. Todas as obras de arte são apresentadas em um único pavimento contínuo e aberto, em uma disposição não hierárquica de culturas, tradições e eras, abrangendo 6.000 anos de história da arte por meio de aproximadamente 155.000 objetos. O espaço é flexível, acomodando diversos projetos curatoriais, bem como os caminhos individuais dos/as visitantes. O projeto marca um novo passo na transformação de duas décadas da instituição em um museu de arte global, sendo o mais abrangente do oeste dos Estados Unidos.
Metamorphosis in Motion por Lina Ghotmeh. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily em Milão
Milão reativa seu papel de capital global do design esta semana com o início da Milan Design Week 2026 no dia 20 de abril, seguida pela abertura da 64ª edição do Salone del Mobile.Milano em 21 de abril na Fiera Milano, Rho. Mais do que um evento único, a semana se desdobra como um sistema multifacetado em que a feira e a cidade operam sob diferentes temporalidades e condições espaciais. Das aberturas antecipadas nos distritos urbanos ao início formal da programação no centro de exposições, o calendário escalonado reforça um fluxo contínuo de atividades que se estende por instituições, infraestruturas e espaços públicos.
Localizado aproximadamente 300 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico, na ilha de Andøya, no norte da Noruega, o projeto The Whale, de Dorte Mandrup, está atualmente em construção na linha costeira de Andenes. O pequeno assentamento está situado perto de Bleiksdjupa, um cânion submarino profundo que atrai a vida marinha para perto da costa e contribui para o papel da região como destino de observação de baleias. Imagens recentes da obra mostram o edifício surgindo da costa rochosa, mantendo um perfil baixo que acompanha os contornos do terreno. O contexto circundante, incluindo o farol existente e as estruturas residenciais, insere o projeto em um ambiente costeiro ativo.
No Dia Internacional da Luz da UNESCO, celebrado anualmente em 16 de maio, o Daylight Award anunciou os/as laureados/as de 2026. Criado para apoiar pesquisas sobre a compreensão científica da luz natural e sua importância para a saúde, o bem-estar, os ecossistemas e o projeto de arquitetura, o prêmio reconhece realizações em duas categorias: Luz Natural na Arquitetura e Pesquisa em Luz Natural. Este ano, os/as arquitetos/as japoneses/as Momoyo Kaijima e Yoshiharu Tsukamoto, do Atelier Bow-Wow, foram homenageados/as por demonstrarem como a luz natural pode moldar os espaços compartilhados e a vida cotidiana, ao passo que os/as biólogos/as marinhos/as Brittany N. Zepernick, Steven W. Wilhelm e R. Michael McKay, dos Estados Unidos e do Canadá, foram reconhecidos/as por suas pesquisas sobre microrganismos aquáticos e suas implicações para a saúde planetária e a biodiversidade.