O papel público da arquitetura surge como tema central em anúncios recentes, projetos institucionais e programas profissionais. A escolha do/a designer do Pavilhão Serpentine 2026 coloca a arquitetura em primeiro plano como um espaço de encontro público e investigação material, ao mesmo tempo que grandes projetos cívicos e culturais apontam para um investimento renovado em instituições que apoiam a educação, o intercâmbio e a continuidade urbana. Paralelamente a esses desenvolvimentos, programas de prêmios internacionais e iniciativas alinhadas a políticas públicas continuam a situar a arquitetura em debates mais amplos sobre sustentabilidade, responsabilidade social e impacto a longo prazo, destacando como as decisões de projeto — tanto em escala íntima quanto monumental — respondem a desafios ambientais e cívicos compartilhados.
À medida que a escassez de moradia e os desafios de acessibilidade financeira se intensificam nas cidades globais, o debate arquitetônico desta semana se concentra em como o design, as políticas públicas e as estratégias adaptativas se cruzam para moldar o futuro da vida urbana. As iniciativas vão desde movimentos de base e reformas legislativas destinadas a expandir o acesso à habitação até modelos inovadores que repensam a propriedade, o desenvolvimento e o engajamento comunitário. Paralelamente, arquitetos e arquitetas estão reimaginando estruturas e bairros existentes, transformando escritórios subutilizados, marcos históricos e edifícios inacabados em espaços de uso misto, com relevância cultural ou de acesso público. Em diferentes escalas, essas histórias ilustram como a arquitetura lida com a escassez, o valor e as prioridades sociais, demonstrando sua capacidade de não apenas produzir novos edifícios, mas também de recalibrar os ambientes urbanos de modo a equilibrar patrimônio, sustentabilidade e experiência humana.
Um pavilhão elipsoidal com cúpula para a produção de cogumelos projetado pelo OMA para a Fundación Casa Wabi foi inaugurado em 4 de março de 2026. O edifício está localizado no terreno de 25 hectares da Casa Wabi em Oaxaca, no México, na costa do Pacífico, a cerca de 30 minutos da cidade de Puerto Escondido. A Casa Wabi é uma fundação criada pelo artista Bosco Sodi que promove o intercâmbio de ideias entre artistas de diversas disciplinas e comunidades locais. O edifício principal da fundação tem projeto assinado por Tadao Ando e foi concluído em 2014. O pavilhão projetado pelo OMA adiciona um novo espaço para o cultivo de cogumelos e para promover o intercâmbio entre alimentação, arte, natureza e comunidades locais às instalações da fundação, que incluem uma palapa multiuso, seis quartos, dois estúdios fechados, seis estúdios abertos, uma sala de projeção e auditório, uma sala de exposições de 450 m² e diversos espaços de trabalho.
Localizada no distrito histórico de Diriyah, amplamente reconhecido como o berço do primeiro Estado saudita, a Grande Mesquita projetada pelo escritório X Architects faz parte da transformação em curso que está tornando a região um importante destino cultural em Riad. Concebido no âmbito do empreendimento Diriyah Gate II, o projeto se situa na interseção entre a preservação do patrimônio e a reurbanização urbana em grande escala, colaborando com um plano diretor mais amplo que inclui museus, instituições cívicas, bairros residenciais e espaços públicos. Nesse contexto, a mesquita é pensada não apenas como um local de culto, mas também como uma âncora urbana integrada ao tecido em constante evolução do distrito.
Vista aérea da área do Port Vell onde o Liceu Mar será construído. Imagem cortesia de Gran Teatre del Liceu e Port de Barcelona
A cidade de Barcelona anunciou as cinco equipes finalistas selecionadas para a próxima fase do concurso internacional para o Liceu Mar, um novo espaço cultural planejado para a orla de Port Vell. Promovido pelo Gran Teatre del Liceu em colaboração com o Porto de Barcelona, o projeto é concebido como uma segunda sede para a instituição histórica, ampliando seu papel artístico e cívico ao mesmo tempo em que fortalece sua presença internacional. Ao reunir um grupo de escritórios de reconhecimento internacional e forte atuação local, a lista de finalistas reforça a relevância global do projeto. O anúncio da proposta vencedora está previsto para o outono de 2026.
O BDP, a Cox Architecture e a Collage Design revelaram o masterplan para o complexo esportivo Sardar Vallabhbhai Patel Sports Enclave, de 350 acres, em Ahmedabad, na Índia. Localizado às margens do Rio Sabarmati e estruturado em torno do Estádio Narendra Modi — que, com capacidade para 132.000 espectadores, é o maior do mundo —, o projeto propõe um distrito esportivo de grande escala, integrando locais de competição internacional a paisagens públicas e instalações comunitárias. Concebido tanto como um complexo de eventos quanto como um parque urbano, o empreendimento foi planejado para sediar o evento do centenário dos Jogos da Commonwealth de 2030, após a seleção de Ahmedabad como cidade-sede.
O escritório MVRDViniciou as obras do Centro de Convergência UE TUMO, uma nova instalação educacional e de pesquisa em Yerevan, na Armênia. Localizado no Parque Tumanyan, o edifício de cinco andares expandirá o campus do TUMO, oferecendo espaços para educação tecnológica e criativa gratuita para adolescentes e adultos, além de áreas de pesquisa e de coworking para empresas de tecnologia e design. Situado em um afloramento montanhoso acima do desfiladeiro do rio Hrazdan, o projeto responde à topografia do entorno, estabelecendo conexões visuais com a cidade, o desfiladeiro e o Monte Ararat. A construção começou oficialmente em 24 de fevereiro, com a presença de representantes locais e internacionais.
Ao longo da história, a transferência de cidades capitais frequentemente esteve associada a momentos de ruptura política, mudança de regime ou construção simbólica de uma nação. De Brasília a Islamabad, novas capitais eram muitas vezes concebidas como instrumentos de poder centralizado, controle territorial ou projeção ideológica. Nas últimas décadas, no entanto, um conjunto diferente de fatores passou a moldar essas decisões. Em vez de se limitarem a questões de segurança ou representação, as transferências contemporâneas de capitais estão cada vez mais ligadas a pressões estruturais, como concentração demográfica, saturação infraestrutural, risco ambiental e gestão de recursos a longo prazo. À medida que as regiões metropolitanas se expandem além de sua capacidade de suportar o crescimento populacional e as funções administrativas, os governos recorrem à reconfiguração espacial para enfrentar desequilíbrios urbanos sistêmicos.
À medida que o setor da construção civil continua sendo responsável por uma parcela significativa das emissões globais de carbono, plataformas digitais são cada vez mais desenvolvidas para apoiar a redução de carbono em diferentes etapas do processo de projeto e construção. Essas iniciativas variam de bancos de dados voltados para materiais a orientações sobre o ciclo de vida dos projetos e ferramentas de avaliação de carbono incorporado nas fases iniciais. Embora difiram em escopo e metodologia, elas compartilham o objetivo de melhorar o acesso ao conhecimento técnico, esclarecer responsabilidades em toda a cadeia de valor e facilitar tomadas de decisão mais informadas no ambiente construído. Recentemente, o escritório Henning Larsen lançou o OpenDetail, unindo-se a esforços semelhantes de Grimshaw e MVRDV para enfrentar a descarbonização por meio de infraestrutura digital compartilhada.
Exposições podem ser uma oportunidade de estender o discurso arquitetônico além dos círculos profissionais, abrindo conversas com um público mais amplo e servindo de interface entre a arquitetura e a sociedade. Sob essa premissa, grandes eventos internacionais, como a Expo Internacional de Osaka 2025 e a Bienal de Arquitetura de Veneza, adotaram o conceito de economia circular como um de seus objetivos organizacionais. A ideia de circularidade em eventos pode se refletir, por exemplo, no consumo de energia, no impacto do deslocamento gerado, nos resíduos produzidos ou na vida útil de sua infraestrutura. O local destinado à última Exposição Mundial, realizada em Osaka de 13 de abril a 13 de outubro de 2025, foi cercado por uma imensa estrutura de madeira projetada pelo escritório Sou Fujimoto Architects, uma das maiores construções de madeira do mundo. A Associação Japonesa para a Exposição Mundial de 2025 comprometeu-se a reutilizar os materiais de construção "o máximo possível", com planos concretos para sua reutilização previstos para serem finalizados até março. Enquanto isso, já começam a surgir alternativas de realocação para as partes da estrutura da Expo Mundial.
O Concéntrico, laboratório espanhol de inovação urbana que explora novas formas de habitar o espaço público por meio de instalações urbanas temporárias, apresentou o programa de sua próxima edição em 17 de março, juntamente com suas principais linhas de trabalho para a temporada 2025–2026. O festival convida profissionais da arquitetura, do design, das artes e da pesquisa de diferentes geografias a proporem intervenções que ativem praças, ruas, margens de rios e espaços vazios na cidade. A edição deste ano conta com a participação de Smiljan Radić, recentemente laureado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura, que desenvolverá uma estrutura leve, dobrável e temporária construída com tecidos plásticos industriais, sob o conceito de um "circo pobre". Outras 26 equipes, incluindo três escritórios selecionados por meio das chamadas abertas internacionais do festival, farão intervenções no espaço público de Logroño de 18 a 23 de junho de 2026, com projetos que vão de estruturas responsivas ao clima a ativações efêmeras do espaço público.
Demolição do Estacionamento C. Imagem via Redes Sociais
Os edifícios de estacionamento projetados por Christian Kerez ao longo do Caminho da Pérola no Bahrein estão sendo demolidos como parte de uma iniciativa de requalificação urbana em andamento em Muharraq. Notícias locais informam que a remoção dos estacionamentos está vinculada a um plano mais amplo de reorganização da área histórica e de melhoria do acesso a importantes locais de patrimônio, incluindo a Casa de Sheikh Isa bin Ali. Embora a extensão total da intervenção não tenha sido detalhada oficialmente, as informações disponíveis indicam que várias estruturas do projeto — composto por quatro partes — foram afetadas e que as obras já estão em segurança.
Diante da realidade de que as mudanças climáticas estão tornando as cidades cada vez mais inabitáveis, os cidadãos e cidadãs enfrentam a escolha entre abandonar ou transformar seus ambientes. Os projetos não construídos reunidos neste artigo oferecem alternativas transformadoras para cidades mais habitáveis, combinando estratégias de construção, arquitetura e paisagismo em parques urbanos e espaços intersticiais suburbanos. Funcionando como laboratórios ecológicos, essas propostas incorporam uma perspectiva multiespécies ao processo de projeto, adotando uma concepção de tempo mais adequada ao desenvolvimento dos ecossistemas.
O Heatherwick Studio e o SPPARC apresentaram a primeira fase da transformação do Olympia, um histórico complexo de exposições na região oeste de Londres, em um destino cultural de uso misto. Inaugurado originalmente em 1886, o marco vitoriano está passando por uma revitalização em grande escala que visa reconectar o terreno de 14 acres (cerca de 5,6 hectares) com a cidade ao redor por meio de novos espaços públicos, locais de interesse cultural, programas de hospitalidade e instalações comerciais. A inauguração é marcada pela conclusão de uma nova cobertura pública, que introduz uma circulação de pedestres elevada e serve como portal de entrada para o plano diretor mais amplo, além de emoldurar novas vistas da histórica cobertura do Olympia. A intervenção faz parte de um plano diretor abrangente que será implementado ao longo de 2026 e 2027.
O escritório Practice for Architecture and Urbanism (PAU), em colaboração com a HNTB e a HOK, foi selecionado como a equipe de projeto para a requalificação da Penn Station, em Nova York. O projeto faz parte de um esforço contínuo para reorganizar e expandir um dos polos de transporte ferroviário mais movimentados da América do Norte, com o objetivo de melhorar a circulação de passageiros, aumentar a capacidade e modernizar a infraestrutura existente da estação. Os trabalhos de projeto e desenvolvimento estão em andamento, e a previsão é que a construção comece em 2027. Localizada em Midtown Manhattan, a Penn Station ocupa o terreno da estação original da Pensilvânia, projetada por McKim, Mead & White e concluída em 1910.
Entre 2023 e 2024, os fotógrafos Francesco Russo e Luca Piffaretti documentaram a arquitetura e as paisagens da costa do Equador, da Cordilheira dos Andes, da floresta amazônica, das Ilhas Galápagos e de cidades como Quito, Guayaquil e Cuenca. O registro fotográfico explora a evolução da identidade do Equador por meio de sua arquitetura contemporânea, analisando como ela se relaciona com o entorno natural, as condições urbanas e os contextos sociais. O acervo resultante inclui mais de 40 projetos de renomados escritórios locais, como Al Borde, Durán & Hermida, Emilio López, José María Sáez, La Cabina de la Curiosidad, MCM+A, Natura Futura e RAMA Estudio, entre muitos outros. A seleção demonstra como a arquitetura pode criar espaços de alta qualidade que respondem às demandas contemporâneas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental, combinando criatividade e tecnologia com recursos renováveis, apesar dos constantes desafios econômicos, climáticos e políticos na América Latina e no mundo.
O Parc de la Villette, no 19º distrito de Paris, está passando por uma grande transformação que combina uma fazenda urbana recém-inaugurada com a restauração da biodiversidade, como parte de uma estratégia para adaptar o parque de 55,5 hectares às mudanças climáticas. Projetado por Bernard Tschumi em 1982 e inaugurado em 1987, o parque é um marco do modernismo europeu no desenho do espaço público, rompendo com o conceito tradicional de parque metropolitano. Com uma ampliação de 15 mil metros quadrados, este importante pulmão verde no nordeste de Paris está reimaginando seus gramados como um laboratório vivo de educação ambiental, onde animais, plantas e seres humanos coexistem. A ampla renovação dá continuidade à adição da HyperTent de Tschumi em 2022 — uma estrutura em paraboloide hiperbólico que funciona como uma nova bilheteria sobre o pódio da Folie L4 — e marca a transformação mais significativa do parque desde sua inauguração.
O Serpentine Pavilion de 2026, intitulado "a serpentine", projetado pelo escritório de arquitetura LANZA atelier, com sede na Cidade do México, será aberto ao público em 6 de junho de 2026 no Serpentine South, em Londres.
O OMA concluiu o Hangzhou Prism, um grande empreendimento de uso misto no distrito de Future Tech City, em Hangzhou, na China, após um processo de projeto e desenvolvimento iniciado em 2016. Encomendado pelo Xinhu Real Estate Group e liderado pelo sócio do OMA, Chris van Duijn, com Michael Hadjistyllis como arquiteto/a do projeto, o empreendimento combina unidades residenciais, um hotel, escritórios, espaços comerciais e comodidades públicas em um único volume edificado. Sendo o primeiro projeto concluído do OMA em Hangzhou, o complexo ocupa um terreno central em um dos distritos emergentes de inovação e negócios da cidade.
Após um concurso internacional de projeto lançado em janeiro de 2026, o Museu de Arte Contemporânea do Panamá (MAC Panamá) anunciou a seleção dos escritórios mexicanos Palma + Taller TO para projetar seu novo edifício. O museu é descrito como "uma nova infraestrutura cultural aberta à cidade, concebida a partir da identidade, do clima e da paisagem do Panamá." A futura sede do museu ficará localizada no corregimento de San Francisco, consolidando a área como um polo de atividade cultural. Os critérios de seleção envolveram a relação entre o museu e a cidade, priorizando propostas que integrassem elementos de engajamento comunitário e que posicionassem o edifício como uma infraestrutura cultural, enriquecendo o ambiente urbano contemporâneo da Cidade do Panamá.