Os hotéis estão sendo cada vez mais projetados para além de meros locais de hospedagem. À medida que as expectativas em torno das viagens mudam, profissionais da arquitetura abordam projetos de hotelaria como oportunidades para explorar conceitos de contexto, experiência e identidade. Sejam integradas em paisagens remotas ou inseridas em ambientes urbanos densos, estas propostas examinam como a arquitetura pode moldar a experiência do hóspede por meio da organização espacial, da seleção de materiais e da conexão com o lugar. O hotel torna-se uma estrutura não apenas para o descanso, mas para a interação com o entorno, com o outro e com o próprio projeto.
A cada mês, a equipe editorial do ArchDaily cura uma seleção de projetos não construídos focados em uma tipologia ou tema comum. Enviadas por escritórios de todas as escalas e de várias partes do mundo, essas propostas representam a diversidade de abordagens na nossa comunidade global de arquitetura. A seleção deste mês foca em hotéis, indo desde as escultóricas Pistachio Villas em Ubud ao modular Dubai Edition Hotel e ao Terra Dionysia em Santorini, enraizado em um vinhedo. Juntos, esses projetos refletem um amplo espectro do pensamento arquitetônico voltado à hotelaria, desde a integração com a paisagem e referências culturais até questões de densidade e espaço público. O envio de projetos é aberto a todas as pessoas.
À medida que a arquitetura navega por um mundo em rápida mudança, moldado pela urgência ecológica, pela transformação social e pela aceleração tecnológica, a noção de inteligência se transforma. Não mais restrita à cognição individual ou à computação artificial, a inteligência pode emergir da memória cultural, de práticas coletivas e de sistemas adaptativos. Nesse sentido mais amplo, a arquitetura torna-se um campo de convergência onde as inteligências natural, artificial e social se cruzam para oferecer novas formas de projetar e construir.
As tradições vernáculas incorporam gerações de conhecimento ambiental, frequentemente transmitidas por meio de materiais, técnicas de construção e lógicas espaciais finamente sintonizadas com as condições locais; as plataformas participativas expandem a tomada de decisões para comunidades mais amplas para que participem da modelagem de seus ambientes, redistribuindo a agência no processo de projeto; e os processos computacionais simulam e respondem a dados complexos em tempo real, trazendo a capacidade de analisar, simular e responder a variáveis complexas — sejam ambientais, sociais ou comportamentais — oferecendo novas formas de adaptabilidade.
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da terceira edição anual do seu concurso The Architect's Chair, que recebeu propostas excelentes de todas as partes do mundo. A Buildner publicou dois livros sobre o tema, destacando ideias fundamentais e projetos de destaque de suas edições anteriores. Com as inscrições já abertas, convidamos você a compartilhar sua visão da cadeira ideal até o dia 18 de setembro — envie sua proposta aqui.
O design de cadeiras exemplifica a natureza interdisciplinar da arquitetura, demonstrando a capacidade de arquitetos e arquitetas de adaptar habilidades e sensibilidades em diferentes escalas e contextos, atenuando as fronteiras entre arquitetura, design e arte. Essa versatilidade permite que esses e essas profissionais explorem novas ideias e desafiem noções convencionais sobre a estética, os materiais e a tecnologia das cadeiras.
Novo Edifício Acadêmico no ACT por PILA. Imagem cortesia de PILA
O PILA, escritório de arquitetura com sede em Atenas e em Nova York, revelou seu projeto para um novo edifício educacional no Anatolia College, localizado em Tessalônica, na Grécia. O projeto, voltado para os programas de ensino superior da instituição, foi resultado de um concurso de arquitetura por convite. A proposta integra o plano diretor de longo prazo do campus e visa atender às crescentes demandas acadêmicas, incorporando estratégias de design sustentável. A conclusão do edifício está prevista para o segundo semestre de 2027, fazendo parte de um esforço mais amplo do Anatolia College para expandir sua infraestrutura acadêmica e responder às transformações do ensino superior na Grécia.
Impresión de paredes exteriores. Image Cortesía de XWG Archi Studio at Tsinghua University
Segundo a empresa de análise Gartner, as vendas de impressoras 3D dispararam 75% por volta de 2014; no entanto, essa tecnologia ainda segue apresentando um forte crescimento. Embora existam múltiplos debates no campo da arquitetura sobre se a impressão 3D pode ser considerada artesanato ou se é viável a mistura de materiais locais com impressão 3D, sua implementação no meio acadêmico busca criar novas experiências, pesquisas e conhecimentos que colaborem para o desenvolvimento e a aplicação dessa tecnologia. Diante disso, como a integração da impressão 3D a partir da academia poderia provocar mudanças na indústria da construção no futuro? Como o ensino de arquitetura e design poderia fomentar a colaboração com outras disciplinas e criar novas aplicações em outros campos?
O escritório de arquitetura de Barcelona Bofill Taller de Arquitectura foi contratado pela Comissão Real para a Cidade de Riade em 2019 para projetar o Royal Arts Complex (RAC). Atualmente em construção, o complexo de 320 mil metros quadrados é composto por treze estruturas, cada uma contribuindo para a promoção da expressão artística. O projeto está localizado no Parque King Salman, um parque de 13,3 quilômetros quadrados que está sendo desenvolvido no terreno do antigo aeroporto de Riade. O empreendimento mais amplo inclui projetos de uso misto para transformar a área em um importante distrito de lazer. O plano diretor geral também inclui um estádio projetado pelo escritório Populous, planejado para a Copa do Mundo da FIFA de 2034.
A edição de 2025 da Bienal de Arquitetura de Veneza contará com um total de 65 pavilhões nacionais. Dentre eles, quatro países participam pela primeira vez: Azerbaijão, Catar, Omã e Togo. A mostra se distribuirá por três locais principais: 26 pavilhões no Giardini, 22 no Arsenale e 15 espalhados pelo centro histórico de Veneza. Reunindo mais de 750 participantes em equipes interdisciplinares e multigeracionais, a expectativa é que esta seja a maior edição na história da Bienal.
Pia Quagliato, Giovana Giosa, Luiza Giurni, Amanda Castro e Gabriela Mestriner. Cortesia de Vestigare Agency
A arquitetura se constitui tanto na materialidade dos espaços quanto na forma como é percebida, discutida e registrada. O discurso arquitetônico, suas mediações e representações são partes inseparáveis do ato de projetar, pois definem o alcance e a permanência da obra no tempo.
A partir dessa compreensão, a Vestigare Agency surge como uma agência de mídias sociais direcionada para arquitetura e design, mas também como um espaço de curadoria arquitetônica e uma ponte entre arquitetos e um público mais amplo. A plataforma, criada e liderada por Luiza Giurni, se estabelece como uma nova instância de comunicação na arquitetura contemporânea e destaca, entre suas parcerias, uma construção coletiva estabelecida a partir da colaboração com arquitetas mulheres.
Como uma das exposições de arquitetura contemporânea mais importantes e visitadas do mundo, a Bienal de Arquitetura de Veneza vai além dos limites do Giardini e do Arsenale, buscando engajar toda a cidade em discussões sobre questões relevantes, desafios e oportunidades na profissão. A Bienal deste ano, com curadoria de Carlo Ratti, explora o tema "Intelligens. Natural. Artificial. Coletivo", convidando o público a refletir sobre como a arquitetura, a tecnologia e a natureza se cruzam para moldar o futuro.
Como parte do evento deste ano, 11 exposições colaterais organizadas por diversas instituições nacionais e internacionais oferecem diferentes perspectivas sobre temas como sustentabilidade, paisagens culturais e arquitetura adaptativa. Essas mostras, espalhadas por toda Veneza, contribuem para o debate mais amplo sobre o papel em constante evolução da arquitetura no enfrentamento de desafios globais e na promoção de um futuro mais sustentável e interconectado.
A inteligência material refere-se à forma como os materiais se comportam, se adaptam e interagem com os sistemas ecológicos e culturais. Ela analisa como a pedra, o aço ou a madeira respondem a forças interligadas, como esses materiais são obtidos e montados, e como persistem após a demolição. Profissionais de projeto estão colocando a inteligência material no centro da construção de nossas cidades em uma geração marcada pela incerteza ambiental e por cadeias de suprimentos sobrecarregadas.
O Mies Crown Hall Americas Prize (MCHAP) acaba de anunciar o vencedor da quinta edição do MCHAP Americas Prize: a Thaden School, projetada por EskewDumezRipple, Marlon Blackwell Architects e Andropogon Associates. Localizado em Bentonville, no Arkansas, em um terreno de 30 acres, o campus explora a relação entre arquitetura, paisagem e comunidade no contexto educacional. O anúncio foi feito após um dia de celebrações no S.R. Crown Hall, no campus do Illinois Institute of Technology (IIT). O evento contou com apresentações de Masterclasses ministradas por estudantes do IIT e de universidades da região, além de uma mesa-redonda com os finalistas e o júri durante o Simpósio MCHAP.
Como é possível maximizar a habitabilidade em espaços pequenos? Que decisões projetuais colaboram para a funcionalidade e para a satisfação das necessidades essenciais de seus habitantes? Na última década, a arquitetura em pequena escala ganhou protagonismo na busca por novas maneiras de habitar em conexão com a natureza e com o objetivo de alcançar uma relativa autossuficiência, entre outras razões. De casas mínimas ou casas na árvore a soluções de marcenaria fina e esculturas, o escritório de design português Madeiguincho se dedica ao desenvolvimento de soluções em madeira, buscando promover o conhecimento do trabalho artesanal com esse material como matéria-prima e recurso construtivo.
O desenvolvimento imobiliário tradicional segue um modelo arriscado: projetar, construir em escala real e torcer para que tudo funcione como planejado. Os protótipos de habitação sustentável invertem essa lógica ao criarem microversões funcionais de visões mais amplas. Essa abordagem metódica permite que profissionais de design experimentem novos materiais, tecnologias e sistemas sem os enormes riscos financeiros e ambientais associados ao desenvolvimento em escala real. Protótipos de edifícios sustentáveis funcionam como laboratórios compactos onde teorias podem ser testadas antes de uma implementação mais ampla.
O programa de mestrado em Cidades Sustentáveis combina experiência prática com reflexões acadêmicas da rede global de especialistas da Norman Foster Foundation. Codirigido por Norman Foster, presidente da fundação, e pelo professor Kent Larson, diretor do City Science Group no MIT Media Lab, o programa coloca estudantes na vanguarda da inovação urbana. A cada ano, estudantes vivenciam uma imersão em três cidades-piloto, colaborando diretamente com planejadores/as e gestores/as locais para enfrentar desafios urbanos urgentes.
Após o sucesso das cidades-piloto deste ano na África, a edição de 2026 do programa expande seus horizontes geográficos para abranger três continentes: Ásia, Europa e América Latina. As cidades-piloto serão anunciadas nos próximos meses.
O pavilhão nacional do Reino do Bahrein na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza foi premiado com o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional deste ano. Intitulada Heatwave, a exposição tem curadoria do/a arquiteto/a Andrea Faraguna e está localizada no histórico espaço de Artiglierie do Arsenale. Por meio de uma instalação site-specific, a mostra propõe uma releitura do desenho do espaço público ao explorar estratégias de resfriamento passivo enraizadas nas realidades climáticas e no contexto cultural do Bahrein. O objetivo do projeto — oferecer uma resposta arquitetônica especulativa, porém fundamentada, à urgência ambiental que molda a vida urbana contemporânea — foi reconhecido pelo júri internacional da Bienal, que elogiou suas "propostas viáveis para condições de calor extremo".
Humanos e animais de estimação há muito compartilham um vínculo profundo e inseparável — e, hoje, a forma como vivemos ao lado deles assume uma importância cada vez maior. Mais do que oferecer companhia, os pets hoje são frequentemente considerados parceiros de vida, proporcionando um forte apoio para a saúde mental e o bem-estar emocional. No entanto, não é apenas a conexão emocional que importa: a maneira como projetamos e curamos os espaços para a coabitação desempenha um papel fundamental na construção de relações espaciais significativas entre os seres humanos e seus companheiros animais.
Seja por meio de móveis sob medida ou de soluções integradas de forma mais fluida, como nichos embutidos e cavidades nas paredes, dedica-se cada vez mais atenção a como podemos coexistir melhor com os animais de estimação em nossas casas. Essa mudança reflete mais do que mera prosperidade financeira ou a posse de um animal; ela sinaliza uma evolução mais ampla do conceito de companhia — enraizada no apoio mútuo, na saúde emocional e em ambientes compartilhados.
Na maioria dos casos, os/as arquitetos/as enfrentam uma complexa rede de códigos de obras, regulamentos de espaço aéreo e inúmeras outras regras que ditam a forma e a execução de um projeto. No entanto, a arquitetura cultural frequentemente apresenta uma oportunidade única para projetos mais ousados e expressivos. Esses projetos costumam receber apoio dos governos locais, liberando possibilidades de explorações formais que, de outra forma, poderiam não se concretizar. Nesse sentido, a arquitetura cultural cumpre um duplo propósito: enriquecer a comunidade e estabelecer marcos icônicos que definem a identidade de sua cidade ou região. Essa ambição certamente se manifestou em Taiwan. Situado no coração do Leste Asiático, este país insular ostenta uma variedade notável de explorações formais, realizadas tanto por profissionais internacionais quanto por arquitetos/as taiwaneses.
O escritório Zaha Hadid Architects acaba de anunciar a abertura oficial do Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen, localizado no Distrito de Guangming. Projetada como uma plataforma para destacar a pesquisa científica e a inovação tecnológica, a instituição explorará o papel da ciência na construção do futuro. Adjacente à Estação Guangming da rede de metrô de Shenzhen, o projeto responde à sua localização com um volume esférico sólido voltado para a cidade, definindo o canto sudeste do novo Parque de Ciências. O museu tem como objetivo oferecer um espaço para o engajamento do público com os avanços atuais da ciência e da tecnologia.
O Uzbequistão revelou as fotografias mais recentes de seu pavilhão para a Expo 2025 em Osaka, no Japão, após a recente abertura do evento. Projetado pelo Atelier Brückner e executado pela NUSSLI, o pavilhão busca apresentar a visão de futuro do país sob o tema geral da Expo, "Projetando a Sociedade do Futuro para Nossas Vidas". Composta por elementos modulares e reutilizáveis de madeira, a arquitetura do pavilhão será posteriormente reconstruída no Uzbequistão, onde funcionará como estúdio, oficina ou escola.
No passado, as imagens geradas por inteligência artificial costumavam se assemelhar a experiências psicodélicas — repletas de formas e cores estranhas, por vezes inquietantes. No entanto, avanços recentes na inteligência artificial transformaram esse panorama. Hoje, estamos cercados por imagens cujas origens muitas vezes desconhecemos. De colagens lúdicas a retratos transformados em obras de arte, é inegável que a inteligência artificial se consolidou como parte integrante de nossa paisagem visual. Como Yuval Noah Harari observou em uma entrevista de 2023 à revista *The Economist*, "a IA adquiriu habilidades notáveis para manipular e gerar linguagem — seja por meio de palavras, sons ou imagens. Ela, com efeito, hackeou o sistema operacional da nossa civilização."
A arquitetura, naturalmente, não ficou imune a isso. Geradores de imagem baseados em comandos (*prompts*) inundaram o ambiente virtual com renderizações que variam do surreal ao hiper-realista: cidades futuristas, arranha-céus orgânicos e cabanas utópicas empoleiradas em penhascos idílicos. A maior parte dessas criações é gerada por ferramentas de uso geral que priorizam o ineditismo visual em detrimento da lógica projetual. Contudo, nem todas as plataformas seguem esse caminho. O Gendo, por exemplo, foi desenvolvido especificamente para arquitetos/as e designers, oferecendo um controle mais refinado sobre parâmetros como escala, materialidade e intenção espacial. Seu objetivo não é apenas gerar imagens, mas apoiar o pensamento projetual. Ainda assim, essas ferramentas mais intencionais continuam sendo exceções em um vasto oceano de imagens genéricas e descontextualizadas.
Huizhen High School por Approach Design Studio - Zhejiang University of Technology Engineering Design Group Co.,Ltd_Huizhen High School por Approach Design Studio. Imagem cortesia de WAF23
O World Architecture Festival (WAF) realizará sua 17ª edição em Miami, marcando a estreia do evento nos Estados Unidos. O tema do festival deste ano, anunciado como Hearts and Minds, explorará a interseção entre estratégias de projeto racionais e ressonância emocional. Por meio de uma série de palestras e painéis de discussão, os/as palestrantes examinarão como a arquitetura opera tanto como uma busca intelectual quanto como uma experiência sensorial, envolvendo percepção, memória e afeto. Programado para ocorrer de 12 a 14 de novembro no Miami Beach Convention Center, na Flórida, o festival reunirá arquitetos/as e designers de todo o mundo em uma programação de três dias com palestras, prêmios, exposições e eventos paralelos. O evento destacará práticas internacionais, apresentará novos projetos e facilitará discussões sobre questões fundamentais que moldam o ambiente construído.
Circularity Handbook / PILLS, JIN ARTS, typo_d, Archi-Neering-Design/AND Office, Róng Design Library, Valeria Tatano, Massimiliano Condotta, Xiaoqing Cui, Zhengwei Tang. Imagem cortesia da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025
A 19ª Mostra Internacional de Arquitetura, organizada pela La Biennale di Venezia sob a curadoria de Carlo Ratti e sob o tema "Intelligens. Natural. Artificial. Coletivo", deve transformar Veneza em um "Laboratório Vivo" de experimentação e colaboração. Os projetos especiais deste ano vão além dos espaços tradicionais de exposição, integrando-se a diversos locais da cidade e ao Forte Marghera em Mestre, oferecendo uma perspectiva alternativa que amplia o alcance do discurso arquitetônico.
A Bienal promete ser uma plataforma dinâmica que reunirá mais de 750 participantes de diversas origens, incluindo arquitetos/as, engenheiros/as, matemáticos/as, cientistas do clima e artistas. Uma coalizão tão ampla, com mais de 280 projetos, reforça o foco da Mostra na inclusão e na colaboração interdisciplinar, aspectos essenciais para a adaptação. O processo de seleção propôs uma abordagem de baixo para cima, com uma chamada aberta por meio da iniciativa Space for Ideas, realizada entre maio e junho de 2024. A ação incentivou a participação de equipes globais, de vencedores/as dos prêmios Pritzker e Nobel a arquitetos/as e cientistas em início de carreira.