O Créateurs Design Awards (CDA) anunciou Xu Tiantian, fundadora e arquiteta principal do escritório DnA_Design and Architecture, como a vencedora da edição de 2026 do Le Prix Charlotte Perriand. O prêmio celebra profissionais da arquitetura cujo trabalho incorpora inovação, responsabilidade social e um profundo compromisso com as comunidades e os lugares. A arquiteta foi reconhecida por seu trabalho transformador de aproximação entre comunidades urbanas e rurais por meio de intervenções de projeto inovadoras. Sua abordagem à arquitetura foi reconhecida como uma ferramenta para a preservação cultural e a revitalização rural, tornando-a uma destinatária exemplar desta honraria, anteriormente concedida a nomes de destaque na arquitetura como Frida Escobedo, Jeanne Gang e a dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.
A perspectiva arquitetônica de Olivia Poston está profundamente enraizada em sua infância e juventude nos cenários pós-industriais no sopé das montanhas do Tennessee, onde desenvolveu um fascínio precoce pela complexa relação entre ecologia e ambientes urbanos. Essa experiência formativa moldou sua visão da arquitetura não apenas como o ato de construir, mas como uma lente para explorar sistemas sociais, culturais e ambientais em constante transformação. O trabalho de Olivia conecta pesquisa, escrita e prática editorial, concentrando-se em como cidades de diversos climas evoluem e se adaptam em resposta aos crescentes desafios ambientais.
Ela se interessa de forma especial por estratégias de projeto colaborativas que integram perspectivas de arquitetos/as, urbanistas e engenheiros/as para promover a resiliência e a equidade no ambiente construído. Sua abordagem editorial prioriza projetos que dialogam criticamente com o risco climático, mantendo, ao mesmo tempo, um senso de otimismo e possibilidade. Valoriza conteúdos que ofereçam tanto reflexão quanto caminhos práticos para o futuro, servindo como uma plataforma para destacar respostas inovadoras às demandas urgentes da sustentabilidade.
A arquitetura — um dos poucos artefatos culturais feitos para serem vividos publicamente, preservados e, muitas vezes, capazes de resistir por séculos — contribui significativamente para a identidade cultural de lugares e povos. Historicamente, os edifícios expressaram atitudes institucionais, influência e poder; são manifestações claras de cultura. No entanto, a longevidade complexifica a preservação: quando uma estrutura é reconstruída, reparada ou totalmente remontada, em que sentido ela ainda é o mesmo edifício?
Há o clássico enigma do Navio de Teseu, de Plutarco: se as tábuas de um navio forem substituídas uma a uma ao longo do tempo, ele continua sendo o mesmo navio? Thomas Hobbes acrescenta um elemento complicador — se as tábuas originais forem remontadas em outro lugar, qual navio é "o original"? O paradoxo põe à prova o que fundamenta a identidade: a matéria física, a continuidade de uso e história, ou o reconhecimento compartilhado. Na arquitetura e na conservação, isso redefine a preservação como uma escolha entre conservar a matéria, manter a forma e a função, ou perpetuar as histórias e práticas que dão significado a um lugar.
O arquiteto chinês Shui Yanfei foi agraciado com o 4º Prêmio Kazuhiro Kojima de 2025, tornando-se o primeiro premiado de fora do Japão desde a criação da honraria. O júri desta edição concedeu a distinção a Shui Yanfei em reconhecimento à sua profunda compreensão da realidade social chinesa, ao mesmo tempo em que investiga continuamente novas possibilidades futuras para a arquitetura. Atento à extensão do pensamento oriental no contexto pós-humano, o arquiteto reinterpreta com destreza os mecanismos de estruturas sociais acumulados historicamente. Paralelamente, partindo das realidades sociais, econômicas e institucionais, ele transforma a arquitetura emaranhada em relações complexas em um meio que conecta pessoas, objetos e o tempo. A prática diversificada de seu escritório está profundamente enraizada na realidade, ao mesmo tempo em que confere uma nova poesia ao cotidiano contemporâneo.
A ilha de Taiwan apresenta um contexto natural e topográfico variado, caracterizado por uma área territorial de 36.197 quilômetros quadrados e uma alta densidade populacional de 644 habitantes por quilômetro quadrado. Sua localização geológica, situada na divisa entre as placas tectônicas da Eurásia e do Mar das Filipinas, resulta em uma topografia predominantemente montanhosa e acidentada. Embora essa condição force a maioria dos 23 milhões de habitantes a residir em grandes centros urbanos nas planícies costeiras ocidentais, a ilha mantém um setor agrícola ativo, com cerca de 22% de suas terras destinadas ao cultivo.
Historicamente — a exemplo de outras formas culturais — a arquitetura tem sido documentada, compartilhada e promovida principalmente pela mídia impressa. Livros, periódicos e revistas veiculavam os argumentos e as imagens da disciplina e, como a prática arquitetônica depende fortemente da comunicação visual, os periódicos impressos criavam uma ponte entre as publicações acadêmicas e as revistas comerciais. Ao longo das décadas do pós-guerra, volumes belamente produzidos estabeleciam um ponto de vista coletivo, sinalizando o que o campo profissional amplamente considerava digno de discussão ou exemplar.
Nos principais centros culturais, um punhado de publicações moldava esse discurso: suas perspectivas eram tipicamente sofisticadas, profissionais e cuidadosamente editadas — sintetizando uma produção global difusa em uma pequena constelação de projetos notáveis. É indiscutível que o sistema privilegiava certas práticas e geografias, mas ele também ampliava o alcance da arquitetura para públicos mais amplos. Os edifícios começaram a se fixar no imaginário popular; o turismo cultural — viagens realizadas expressamente para vivenciar a arquitetura — deixou de ser uma raridade para se tornar um ritual.
Uma estrutura de bambu ergue-se como espaço de confluência entre técnica, ancestralidade e prática coletiva. OCO é a primeira obra do Cambará Instituto, organização originada do Projeto Arquitetas Negras, concebida durante uma residência artística no Cerbambu, em Ravena (MG), com apoio do re:arc institute. Ao longo de sete dias de imersão, em julho deste ano, dez arquitetas negras trabalharam ao lado do mestre Lúcio Ventania, explorando o potencial construtivo e simbólico do bambu. O processo culminou na apresentação da obra na 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.
A experiência propôs um reencontro entre práticas arquitetônicas e ciências enraizadas no corpo e na terra. O processo envolveu todas as etapas de produção, da escolha e corte do bambu à cura e montagem, resultando em uma estrutura de seis metros de altura e cinco de diâmetro. O desenho faz referência às xossas do Benin e conta com palhas da costa do país africano em seu topo. A instalação foi ainda "vestida" com 220 mil contas, conhecidas como "lágrimas de Nossa Senhora", confeccionadas por quarenta mulheres idosas em situação de vulnerabilidade social, que vivem na região onde foi realizada a residência artística, fortalecendo vínculos comunitários e econômicos.
O hábito de sentar-se à mesa e compartilhar um momento específico com outras pessoas está presente há séculos nas mais diversas culturas. O Simpósio Grego, o Convivium Romano, os banquetes e festivais medievais e os salões parisienses são apenas alguns exemplos de como esse costume foi construído historicamente e tem sido relevante em negociações sociais e políticas, discussões intelectuais e debates filosóficos.
A comensalidade frequentemente serve como um ritual de socialização, negociação e celebração de eventos importantes. Em muitas culturas de língua espanhola, o período após a refeição em que toda a família permanece sentada conversando é tão marcante que existe uma palavra específica para isso: sobremesa — traduzida literalmente como "sobre a mesa" (embora, em espanhol, refira-se mais precisamente à conversa pós-refeição). No entanto, apesar de frequentemente associada ao ato de compartilhar uma refeição, a mesa pode ser considerada uma plataforma flexível, aberta a inúmeras possibilidades de apropriação e interação.
Diferente de um livro ou de uma peça musical, que podem ser facilmente deixados de lado se não despertarem interesse, a arquitetura impõe outra realidade. Um edifício perdura por décadas, moldando a paisagem e influenciando a vida de seus ocupantes por muitos anos. Essa permanência traz consigo um conjunto único de desafios: profissionais da arquitetura devem projetar espaços que impactam a vida coletiva, muitas vezes sob prazos apertados, orçamentos limitados e forte pressão. Além de lidar com regulamentações complexas e coordenar a construção, enfrenta-se a falsa percepção de que projetar é algo simples ou que qualquer pessoa poderia fazer. O constante malabarismo entre qualidade, custo e rapidez frequentemente resulta em sacrifícios — seja de tempo, de saúde ou da própria integridade do projeto. Esse ciclo não apenas desgasta a profissão, mas também enfraquece a compreensão da sociedade sobre o real valor do design.
O conhecido triângulo do "bom, rápido e barato" raramente se resolve sem que o/a arquiteto/a sacrifique seu próprio tempo, saúde ou até mesmo a qualidade do projeto. Repetida há décadas, essa equação alimenta um ciclo de desgaste que não apenas mina a profissão, mas também deprecia o valor do design na sociedade, diminuindo o papel de uma disciplina tão bela e fundamental.
A artista holandesa Madelon Vriesendorp foi anunciada como a vencedora da Soane Medal de 2025, tornando-se a primeira artista mulher sediada no Reino Unido a receber o prêmio desde sua criação em 2017. Co-fundadora do Office for Metropolitan Architecture (OMA), Vriesendorp é amplamente reconhecida por sua linguagem visual surrealista e bem-humorada, que moldou a forma como a arquiteturamoderna e pós-moderna é representada e compreendida. Seu trabalho, que combina ludicidade e pensamento crítico, proporcionou à arquitetura um imaginário vívido e memorável que continua a influenciar gerações de arquitetos e arquitetas.
Empreendimento de uso misto Hudson's Detroit. Vista aérea. Imagem cortesia de Bedrock
O grupo de desenvolvimento Bedrock, sediado em Detroit, anunciou a conclusão da primeira fase de seu projeto de uso misto Hudson's Detroit, no centro da cidade. O projeto foi revelado em 2017, quando a empresa apresentou os planos para um empreendimento de 1,2 milhão de pés quadrados (cerca de 111 mil metros quadrados) projetado pelo escritório SHoP Architects para ser construído em um dos terrenos há muito abandonados do centro de Detroit, anteriormente ocupado pela loja de departamentos J.L. Hudson's. O local, que já abrigou a maior loja de departamentos do mundo e foi um ponto de encontro central da cidade durante grande parte do século XX, foi agora reinventado como um destino urbano contemporâneo. Após quase uma década de planejamento e construção, o Hudson's Detroit busca trazer nova dinâmica e espaço público a um endereço emblemático do passado comercial e cultural da cidade.
Em diferentes geografias e gerações, profissionais da arquitetura estão repensando a ideia de lar, equilibrando expressão pessoal, sensibilidade ao contexto e clareza material. Estas propostas residenciais contemporâneas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, revelam como a casa continua a evoluir tanto como manifesto arquitetônico quanto como um cenário íntimo para a vida cotidiana. Do escultórico e futurista ao enraizado e vernáculo, os projetos exploram como a forma construída se equilibra entre identidade, meio ambiente e estilo de vida em um mundo cada vez mais complexo.
Mutirão de construção do Circo-lô na Associação IDE, em Botucatu | SP. Foto: Tomaz Lotufo
Historicamente, as primeiras universidades do modelo contemporâneo foram implantadas na Europa como instituições voltadas à formação de elites para servir ao Estado e à Igreja, e não para promover a emancipação social. Com o avanço do capitalismo, consolidaram-se como espaços privilegiados de produção e reprodução da cultura ocidental moderna. Contudo, a partir da década de 1960 — especialmente após as revoltas estudantis de maio de 1968 —, a ênfase acadêmica se voltou para valores relacionados ao mercado, substituindo os ideais humanistas e críticos. As ciências humanas perderam espaço, enquanto as áreas técnicas, passaram a ocupar lugar central, muitas vezes afastando-se da reflexão crítica sobre o impacto social de suas práticas.
Novo Bairro da Arena de Gotemburgo. Imagem cortesia de White Arkitekter
Nesta semana, os debates arquitetônicos foram pautados por temas como resiliência, equidade e relevância cultural, trazidos à tona pelo Dia Mundial da Arquitetura. Em diferentes contextos globais, a disciplina continua a expandir sua compreensão de força, indo além da mera resistência estrutural para se consolidar como uma base para projetos inclusivos, adaptáveis e ambientalmente conscientes. Desde estratégias para espaços públicos com equidade de gênero até novas encomendas fundamentadas na memória e na reconciliação, os desdobramentos recentes refletem como a arquitetura se posiciona cada vez mais como uma ferramenta de engajamento social e de gestão a longo prazo diante dos desafios globais atuais.
O patrimônioarquitetônico e artístico do Uzbequistão reflete uma história multifacetada, moldada por séculos de intercâmbio cultural ao longo da Rota da Seda. Dos conjuntos monumentais de Samarcanda e Bucara às instituições científicas e educacionais da era timúrida, a arquitetura tem sido, há muito tempo, um vetor de identidade e conhecimento em toda a região. No século XX, Tashkent emergiu como um novo laboratório urbano, onde os ideais modernistas se encontraram com as tradições artesanais locais e o pragmatismo ambiental. A reconstrução da cidade após o terremoto de 1966 tornou-se um momento decisivo, fundindo o urbanismo soviético com a estética regional para produzir uma expressão de modernidade tipicamente central-asiática, que traduziu a continuidade cultural em concreto, vidro e luz.
Adolescentes codesenham e constroem seus espaços públicos em Beirute, junho de 2024. Imagem cortesia de CatalyticAction
Make Space for Girls (MSFG) é uma organização beneficente com sede em Londres que faz campanhas para que os espaços públicos e parques no Reino Unido sejam mais inclusivos para garotas adolescentes. A organização realiza pesquisas sobre como os espaços públicos são utilizados e projetados, conscientiza sobre as desigualdades percebidas em seu uso e colabora com instituições públicas e privadas para promover a representação de garotas adolescentes no planejamento e desenho de ambientes externos. Seus estudos indicam que a exclusão dessas jovens no projeto de parques e espaços públicos muitas vezes as deixa sem locais onde se sintam acolhidas ou valorizadas, e que as áreas de lazer e espaços públicos para crianças mais velhas e adolescentes são atualmente projetados tendo a figura masculina como padrão. De 8 a 15 de outubro, a organização realiza uma campanha de arrecadação de fundos para apoiar a implementação de sua nova estratégia de três anos, voltada para a promoção de espaços públicos mais inclusivos.
Todo ato de construir começa com a transformação de matérias-primas, energia e solo, o que inevitavelmente acarreta impactos ambientais. Isso engloba todas as alterações que um processo desencadeia no mundo natural: da extração de recursos às emissões de poluentes, do consumo de energia à perda de biodiversidade. Mensurar esse impacto é complexo, pois envolve múltiplas dimensões. O carbono consolidou-se como a métrica comum, traduzindo esses efeitos em emissões de gases de efeito estufa (equivalente de CO₂) diretamente ligadas ao aquecimento global. Essa padronização tornou o indicador onipresente e comparável entre diferentes materiais, sistemas e setores. Reduzir as emissões de carbono significa, portanto, atacar a raiz do aquecimento global — uma tarefa de urgência máxima para a indústria da construção, responsável por cerca de 39% das emissões globais. Em resposta a esse desafio, o MVRDV NEXT, divisão de inovação e ferramentas digitais do escritório de arquitetura holandês, lançou o CarbonSpace, uma plataforma aberta e gratuita que leva a contabilidade de carbono diretamente para a mesa de projeto, ainda na fase do rascunho em guardanapo.
A arquitetura vai além de sua função fundamental de definir espaços e proporcionar proteção; ela molda a experiência do/a usuário/a, influenciando sensações de conforto, amplitude e bem-estar. Entre os muitos elementos que compõem uma edificação, as aberturas desempenham um papel crucial na conexão entre interior e exterior, equilibrando privacidade e transparência, além de permitir a entrada de luz natural e ventilação. Em especial, a luz natural transforma ambientes, define atmosferas e realça detalhes arquitetônicos, tornando os espaços mais dinâmicos e convidativos.
O escritório Zaha Hadid Architects, em colaboração com o Bureau Cube Partners, venceu um concurso internacional para projetar uma nova torre para o Alta Bank em Nova Belgrado, na Sérvia. Concebido como um empreendimento de uso misto, o projeto integra a nova sede do banco com unidades residenciais, espaços de escritórios para aluguel e áreas de comércio e alimentação integradas a uma praça pública. O projeto busca oferecer uma base operacional voltada para o futuro que reflita os padrões em constante evolução do trabalho e da vida urbana, dando continuidade à colaboração entre os dois escritórios após sua proposta vencedora para o novo Museu Nikola Tesla em Belgrado, em 2025.
A Índia carrega uma linhagem milenar de tradições que há muito molda a própria concepção e a construção de suas cidades. O Vastu Shastra é uma dessas tradições — mais uma ciência do que uma crença —, intimamente integrada aos princípios do projeto arquitetônico. A prática continua amplamente difundida e valorizada, com 93% das residências projetadas para se alinharem aos princípios do Vastu. À medida que a Índia se urbaniza a um ritmo sem precedentes, com projeção de atrair mais 416 milhões de habitantes para as áreas urbanas até 2050, o Vastu Shastra continua a influenciar bilhões de decisões imobiliárias em meio aos desafios da vida urbana moderna. Como uma ciência espacial de 8.000 anos poderia evoluir para orientar o desenho de cidades que abrigam milhões de pessoas?