No início deste mês, a notícia do falecimento de Frank Gehry gerou uma onda de homenagens ao arquiteto por trás de museus exuberantes, salas de concerto e complexos residenciais sinuosos. Em vez de revisitar esse terreno já tão explorado, vale a pena nos determos em uma obra mais contemplativa de sua trajetória: o Maggie's Cancer Caring Centre em Hong Kong. Silencioso, otimista e calibrado para a resiliência cotidiana, o edifício reflete múltiplos registros das intenções de Gehry: um compromisso com a positividade e a sobrevivência — e, em um nível mais pessoal, o próprio acerto de contas de um arquiteto com a perda e os cuidados de fim de vida.
Essa declaração ressignifica o Maggie's Hong Kong, elevando-o a mais do que uma simples encomenda; ela sugere um processo de projeto moldado pelo luto e voltado para o conforto, a dignidade e a possibilidade de esperança — um ethos que se alinha perfeitamente à missão da organização.
NPO Aoyama Design Forum (ADF), uma organização sem fins lucrativos, anunciou o ADF Design Award 2026, uma premiação que celebra a arquitetura que vai além do apelo estético — seu objetivo é gerar um impacto significativo na sociedade, na cultura e no meio ambiente. O prêmio busca reconhecer obras excepcionais que desafiam as convenções estabelecidas, demonstram pensamento inovador e enriquecem a vida das pessoas por meio de um design visionário e responsável. Profissionais de arquitetura e design de todo o mundo estão convidados/as a enviar suas propostas em uma plataforma exclusiva que fomenta conexões, promove a troca de ideias e incentiva uma colaboração intercultural significativa.
LUMA Arles / Gehry Partners. Fotografia de Iwan Baan. Imagem cortesia de Gehry Partners
As notícias desta semana refletem o envolvimento simultâneo da arquitetura com a reflexão cultural, o legado profissional e as realidades materiais da construção das cidades. O falecimento de Frank Gehry motivou uma reavaliação mais ampla da prática arquitetônica do final do século XX e início do século XXI, ao passo que a seleção de Shigeru Ban para receber a Medalha de Ouro do AIA de 2026 trouxe atenção renovada para o design de cunho social e as responsabilidades públicas da profissão. Esses marcos ocorreram em paralelo a discussões mais amplas geradas pelo Dia dos Direitos Humanos, que examinaram o papel da arquitetura na equidade, no acesso à habitação e na segurança em todo o mundo, além de debates prospectivos que definem a agenda da arquitetura para 2026 por meio de grandes eventos internacionais e programas culturais. Na escala do ambiente construído, esses temas ecoam em três projetos que moldam as futuras condições urbanas: a transformação promovida pelo escritório Powerhouse Company de uma antiga pedreira de calcário em um bairro de uso misto em Bærum, próximo a Oslo; o início das obras do Riverside Wharf, um empreendimento voltado para a hotelaria e o lazer que contribui para a regeneração do River District de Miami; e o projeto de retrofit aprovado da Foster + Partners para a 1 St James's Square em Londres, focado na preservação estrutural e na resiliência urbana de longo prazo.
Se no passado as cidades eram moldadas por estruturas simples que podiam se adaptar a novos usos, hoje elas estão repletas de habitações rígidas — muitas vezes projetadas para uma única finalidade e com layout e vida útil predeterminados. À medida que os prazos climáticos se estreitam, as comunidades exigem espaços mais resilientes e conscientes dos recursos, e os padrões de trabalho e moradia continuam a mudar, essa rigidez se torna um entrave. Quando as edificações se recusam a se flexibilizar, costumam ser tratadas como descartáveis, desencadeando ciclos de demolição, inatividade e desperdício. A adaptabilidade, outrora vista como uma conveniência adicional, está se tornando um imperativo — algo que a edição inaugural da Adaptable Building Conference (ABC), em Roterdã, pretende colocar em primeiro plano.
À medida que 2025 se aproxima do fim, revisitamos um ano marcante no universo do design de interiores. No ano passado, os designers se voltaram para abordagens mais contidas e discretas, uma tendência que já vinha se consolidando. A ascensão da inteligência artificial intensificou debates sobre equidade digital e desinformação — discussões que continuaram em 2025, especialmente com o tema da Bienal de Arquitetura de Veneza, Intelligens. Esse contexto ampliou o diálogo sobre as oportunidades trazidas pelas tecnologias digitais, propondo um olhar mais esperançoso. Em contrapartida, os projetos de interiores concluídos ao longo do ano mantiveram o foco no tangível e no pragmático, valorizando materiais brutos e uma apreciação da história.
Antes restritos às indústrias aeroespacial e automotiva, os materiais compósitos passaram a desempenhar um papel cada vez mais central na arquitetura contemporânea. Ao associar dois ou mais componentes, como fibras e polímeros, eles oferecem leveza e resistência, alta durabilidade, liberdade formal e um melhor desempenho ambiental. Sua incorporação à prática arquitetônica marca uma profunda transformação na maneira como projetamos, fabricamos e habitamos o espaço.
Com o avanço dos preparativos para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026, programados para ocorrer de 6 a 22 de fevereiro de 2026, esta edição apresenta uma das configurações de maior abrangência geográfica já implementadas para as Olimpíadas de Inverno. Estendendo-se por duas cidades, duas regiões e duas províncias autônomas, as competições serão realizadas em uma área de mais de 22.000 quilômetros quadrados no norte da Itália. Os locais metropolitanos de Milão unem-se a tradicionais centros alpinos em Cortina d'Ampezzo, Livigno, Bormio, Anterselva e Val di Fiemme, criando uma estrutura que conecta os contextos urbano e montanhoso. Mais de 90% das instalações são estruturas existentes ou temporárias, refletindo uma estratégia focada no reuso adaptativo, em melhorias seletivas e na integração de longo prazo às infraestruturas culturais e de esporte regionais. Cerca de 2.900 atletas competirão em 116 eventos, incluindo a estreia do esqui de montanhismo e diversos novos formatos de gênero misto, sinalizando a evolução das abordagens na programação de esportes de inverno.
O Dia dos Direitos Humanos é celebrado anualmente em 10 de dezembro no mundo todo. A data comemora o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Redigida por representantes de diversas origens jurídicas e culturais de todas as regiões, a Declaração foi proclamada como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Pela primeira vez, o documento estabeleceu direitos humanos fundamentais a serem protegidos universalmente e inalienáveis, garantindo-os a todo ser humano, independentemente de raça, cor, religião, sexo, idioma, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, bens, nascimento ou qualquer outra condição. Hoje, a Declaração serve como um modelo global para leis e políticas internacionais, nacionais e locais. Disponível em 577 idiomas, trata-se do documento mais traduzido do mundo. A Organização das Nações Unidas definiu o tema da celebração deste ano como "Direitos Humanos, Nossos Elementos Essenciais do Dia a Dia", com o objetivo de "reafirmar os valores dos direitos humanos e demonstrar que eles continuam sendo uma proposta vencedora para a humanidade".
O nicho tem sido um espaço de intenção visível ao longo da história da arquitetura. Na arquitetura romana antiga, servia como um recurso formal esculpido na alvenaria para expor estátuas, vasos ou outros objetos. Esses recuos animavam as paredes de templos, termas e edifícios públicos, conferindo ritmo, profundidade e pontos focais a estruturas que, de outro modo, seriam maciças. Os espaços internos do Panteão emolduravam estátuas de deuses, e as Termas de Caracala utilizavam vazios semelhantes para estruturar salões imensos. Já no Renascimento, o nicho evoluiu para uma moldura arquitetônica refinada. Em Florença, as cavidades externas de Orsanmichele abrigavam estátuas encomendadas por corporações de ofício, enquanto os recuos do Palácio Uffizi exibiam obras escultóricas. Preenchidas ou intencionalmente deixadas vazias, essas aberturas articulavam paredes internas, externas e fachadas, introduziam hierarquia e despertavam interesse visual, funcionando como gestos deliberados feitos para serem vistos.
De 12 a 19 de outubro de 2025, a cidade de Cuenca tornou-se o ponto de encontro de mais de 150 estudantes de arquitetura vindos de 13 países latino-americanos. O XXXVII Encontro Latino-Americano de Estudantes de Arquitetura (ELEA) — realizado no âmbito do 40º aniversário da Coordenação Latino-Americana de Estudantes de Arquitetura (CLEA) — propôs repensar o papel do/a arquiteto/a frente aos desafios contemporâneos do território.
Coordenado pelo arquiteto Fernando Abarca, com o apoio da CLEA, da Organização Nacional de Estudantes de Arquitetura do Equador (ONEA), da Universidad del Azuay (UDA), da Universidad de Cuenca (UCUENCA) e do Parlamento Andino, o encontro adotou como eixo conceitual "Pegadas Resilientes": um convite a ler a cidade não apenas como suporte físico, mas como memória, conflito e oportunidade.
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A Unidade de Serviços Básicos, um protótipo habitacional em escala real desenvolvido pela ELEMENTAL e Holcim, apresentado em Veneza durante a Bienal de Arquitetura de 2025. Imagem Cortesia de Holcim Awards
Durante a exposição Time Space Existence, organizada pelo European Cultural Centre em Veneza, a empresa de soluções construtivas Holcim e o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Alejandro Aravena, junto com seu escritório ELEMENTAL, apresentaram um protótipo em escala real que introduz uma nova abordagem para soluções de habitação incremental.
O protótipo habitacional — The Basic Services Unit — foi construído com a recentemente lançada tecnologia de biochar da Holcim, que transforma edifícios em sumidouros de carbono ao capturar permanentemente o carbono em um material de base biológica chamado biochar. Esse material é utilizado como componente em concretos, cimentos e argamassas de baixo carbono.
Fortaleza de Narikala (as partes mais antigas datam do século IV), Tbilisi, Geórgia. Imagem cortesia do Arquivo Nacional da Geórgia
O Ubani — Centro de Pesquisa da Paisagem Urbana de Tbilisi lançou "Kala", a primeira publicação de sua nova série de Guias dos Distritos de Tbilisi, oferecendo um olhar aprofundado sobre uma das áreas urbanas mais antigas da capital georgiana. Como uma organização sem fins lucrativos dedicada a pesquisar e promover o patrimônio arquitetônico e a paisagem de Tbilisi, o Ubani desenvolve programas públicos, exposições, oficinas e eventos que buscam ampliar a compreensão sobre o ambiente construído da cidade. Este guia inaugural dá continuidade a essa missão ampla, situando Kala dentro da evolução de longo prazo do tecido urbano de Tbilisi.
A iniciativa Capital Europeia da Cultura (CEC) foi lançada em 1985 e, até o momento, contemplou mais de 60 cidades em toda a Europa. O projeto busca celebrar e promover a diversidade cultural no continente, fortalecer o sentimento de pertencimento da população europeia a um espaço cultural compartilhado e incentivar a contribuição da cultura para o desenvolvimento urbano. Na prática, a nomeação tem se mostrado um catalisador para a regeneração urbana, o crescimento do turismo, o fortalecimento do perfil internacional das cidades e a melhoria de como elas são percebidas por seus próprios habitantes. As Capitais Europeias da Cultura são formalmente designadas quatro anos antes do ano do título, garantindo tempo para planejar, preparar e integrar o programa a uma estratégia cultural de longo prazo, estabelecer parcerias europeias e assegurar a infraestrutura necessária. Em 2025, as Capitais Europeias da Cultura são a cidade alemã de Chemnitz e a cidade eslovena de Nova Gorica. Para 2026, as cidades escolhidas são Oulu na Finlândia e Trenčín na Eslováquia.
Ao redor da Europa — e além dela — arquitetos enfrentam um ponto de inflexão. À medida que metas de redução de emissões colidem com a escassez de materiais e com a urgência crescente dos compromissos climáticos, o ambiente construído é forçado a encarar, de forma mais profunda, como consome, circula e descarta recursos. O que antes era tratado como resíduo revela-se agora como um arquivo arquitetônico adormecido, um ecossistema urbano de materiais à espera de serem recuperados, revalorizados ou reimaginados. Nesse movimento, os arquitetos começam a assumir um papel radicalmente diferente — não apenas como autores de edifícios, mas como orquestradores dos fluxos que os sustentam.
Essa mentalidade emergente está remodelando as bases da prática. Em vez de depender de longas e extrativas cadeias de suprimento, designers começam a construir redes de ciclo fechado, criando bancos de materiais, negociando protocolos de desconstrução e participando de novas formas de mineração urbana.
Como o setor da construção molda o futuro das cidades? Quais desafios ele enfrenta? No cruzamento de pressões demográficas, sociais, energéticas e climáticas, o setor da construção está mudando rapidamente. Profissionais, instituições e cidadãos/as trabalham em conjunto para construir ambientes que promovam a saúde e o bem-estar, incentivem soluções duráveis e sensíveis ao contexto local, reduzam as emissões de carbono, resistam aos riscos climáticos e ofereçam moradia acessível e de alta qualidade.
Após a notícia do falecimento aos 96 anos de Frank Gehry, as atenções se voltaram novamente para uma carreira que moldou significativamente o discurso arquitetônico a partir do final do século XX. Ao longo de mais de sete décadas, Gehry desenvolveu uma linguagem de projeto definida pela experimentação de materiais, pela modelagem de maquetes de forma iterativa e pelo interesse em formas fluidas e expressivas. Sua obra abrange desde as primeiras intervenções residenciais no sul da Califórnia até grandes instituições culturais que contribuíram para a identidade de cidades em todo o mundo. Juntos, esses projetos delineiam uma trajetória que se cruzou com mudanças nas tecnologias de fabricação, nas tipologias de museus e nas estratégias de requalificação urbana.
A especificidade ressurgiu como uma linguagem central no discurso arquitetônico. Em um campo cada vez mais globalizado, no qual os projetos muitas vezes seguem modelos conhecidos independentemente do contexto, arquitetos/as voltam-se agora para abordagens enraizadas nas particularidades de cada local. Essa atenção renovada ao contexto reflete pressões sociais, climáticas e políticas mais amplas: as cidades enfrentam calor extremo, desafios ecológicos, mudanças demográficas e novas formas de vida coletiva que exigem respostas fundamentadas em suas condições imediatas.
A arquitetura situada descreve essa mudança. Refere-se a abordagens projetuais nas quais a forma, o programa e a materialidade emergem do ambiente específico que os produz: seus microclimas, estruturas culturais e rituais cotidianos. Em vez de partirem de modelos universais, essas práticas começam com a observação, a prototipagem e o engajamento direto com as dinâmicas locais. Essa lógica é visível nos experimentos climáticos e materiais do TAKK na Espanha, como o Portable Garden e a 10k House, que funcionam como protótipos leves ajustados a gradientes térmicos e ecológicos; no Art Pavilion M do Studio Ossidiana, moldado por camadas de solo e ciclos ecológicos nos Países Baixos; nas reinterpretações de objetos vernaculares por Izaskun Chinchilla e em seus experimentos posteriores com 100 Sillas e 3 Salones Urbanos; nos espaços domésticos guiados por narrativas do Common Accounts; e nas intervenções urbanas do Raumlabor, que respondem diretamente às especificidades da Berlim pós-industrial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142704/vagas-em-xangai-atelier-xy-contrata-designer-de-interiores-especialista-em-marketing-e-midia-estagiario-a韩爽 - HAN Shuang
A fragilidade — e a beleza temporal — do neon cativa o público desde o início do século XX. Apresentado comercialmente pela primeira vez pelo engenheiro francês Georges Claude no Salão do Automóvel de Paris de 1910, o neon se espalhou rapidamente, alcançando ampla popularidade nos Estados Unidos entre as décadas de 1920 e 1950. Em meados do século, ele estava em toda parte nos EUA: dos cassinos da Las Vegas Strip aos motéis de beira de estrada ao longo da Rota 66 e ao espetáculo da Times Square. Na segunda metade do século, no entanto, muitos letreiros foram descartados ou abandonados à deterioração, e diversos municípios restringiram o neon por considerá-lo visualmente espalhafatoso ou de alto consumo energético — apesar do consumo de energia comparativamente modesto da tecnologia. Nos EUA, o interesse renovado pelo neon indiscutivelmente só retornou de forma expressiva no início dos anos 2000.
Em Hong Kong, em contrapartida, o neon foi adotado com um entusiasmo incomum em uma época em que começava a perder popularidade em outros lugares. Mesmo com a desaceleração de suas instalações nas últimas décadas — em grande parte devido à atualização de regulamentos que exigiam a remoção de letreiros suspensos cujas estruturas de suporte não atendiam aos padrões de segurança —, a afinidade da cidade com o neon nunca desapareceu por completo.
Entre os Andes, a costa e a Amazônia, a arquitetura do Equador evoluiu como um reflexo de sua geografia em camadas, um lugar onde clima, topografia e cultura se encontram. Ao longo do território, a arquitetura tem sido um ato de adaptação: das tradições vernáculas enraizadas no trabalho coletivo e nos materiais locais às influências coloniais e modernistas que redesenharam suas cidades. Essa diversidade gerou sistemas construtivos distintos, de estruturas de bambu e cana na costa a construções de terra e pedra nos Andes, formando um acervo de design adaptativo que continua a influenciar a prática contemporânea.
Contudo, na última década, a arquitetura equatoriana passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. Novos programas acadêmicos e referências internacionais estimularam uma conscientização crescente sobre o clima e a justiça social. Profissionais emergentes da arquitetura estão redefinindo a prática por meio de oficinas, estúdios coletivos e experimentação in loco que atenuam a fronteira entre projeto e ativismo. Longe de focar na arquitetura como um mero objeto, essa nova geração aborda o projeto como um processo — focado na colaboração, na sustentabilidade e na identidade cultural. Seus questionamentos mudaram a linguagem projetual: a pergunta já não é mais o que construir, mas com quem.
Frank Gehry, um dos nomes mais influentes e reconhecidos da arquitetura das últimas seis décadas, faleceu em sua residência em Santa Monica aos 96 anos. Sua chefe de gabinete, Meaghan Lloyd, confirmou que a causa foi uma breve doença respiratória. A morte de Gehry marca a partida de um designer cujo trabalho transformou não apenas a cultura arquitetônica, mas a imaginação global sobre o que um edifício pode ser.