A pré-fabricação é uma das inovações mais transformadoras na arquitetura e na construção civil, redefinindo a maneira como os edifícios são projetados, fabricados e montados. Embora não seja um conceito novo, sua aplicação evoluiu para oferecer uma gama mais ampla de vantagens. Tradicionalmente valorizada por sua precisão e qualidade, a pré-fabricação agora é igualmente reconhecida por sua eficiência em termos de custo e tempo, sobretudo ao tirar proveito das disparidades regionais de mão de obra e produção. Essa mudança impulsionou seu ressurgimento tanto em projetos de alto padrão focados no design quanto em edifícios públicos de grande escala e baixo custo.
Retrato de Ricardo Scofidio. Imagem cortesia de Diller Scofidio + Renfro
Ricardo Scofidio, figura de destaque no mundo da arquitetura, faleceu em 6 de março de 2025, aos 89 anos. Nascido em Nova York em 1935, Scofidio cofundou o influente escritório de arquitetura Diller Scofidio + Renfro (DS+R) com sua parceira Elizabeth Diller em 1979. Juntos, eles trouxeram para a profissão uma sensibilidade da arte conceitual, influenciando o desenho de marcos culturais e espaços públicos reconhecidos mundialmente. Entre seus projetos mais notáveis estão o High Line em Manhattan e a transformação do Lincoln Center, ambos refletindo a ambição do estúdio de desafiar premissas arquitetônicas convencionais.
Na busca por promover uma construção mais sustentável, na qual o uso de materiais naturais contribua para a transmissão de tradições e culturas locais, cada vez mais projetos de arquitetura exploram diferentes recursos e técnicas para enfrentar preocupações ambientais, econômicas ou sociais. Conhecer os benefícios e qualidades dos materiais, tais como sua cor ou textura, influencia a experiência final de quem habita, percorre ou visita os espaços. Portanto, compreender suas propriedades técnicas, construtivas, estéticas e funcionais deve fazer parte do processo de projeto desde o início de sua concepção.
Em um mundo que enfrenta a escassez de recursos, uma rápida transformação digital e demandas sociais em constante evolução, a necessidade de um diálogo dinâmico entre profissionais da arquitetura, do design, do desenvolvimento de produtos e fabricantes nunca foi tão crucial. Em 2025, o ICONIC AWARDS irá ainda mais longe com uma plataforma ampliada e renovada que une arquitetura, design de interiores e inovação de produtos — abrangendo desde edifícios até mobiliário — tudo sob o mesmo teto. O German Design Council está unificando as antigas premiações "Innovative Architecture" e "Interior Products" para criar um novo e potente palco para ideias visionárias e soluções inovadoras.
No outono de 2024, a Fundação do Museu Kistefos convidou 28 escritórios de arquitetura a participar de um processo de pré-qualificação para projetar uma nova galeria independente e integrada ao local (*site-specific*). Com abertura prevista para 2031, o novo edifício do museu abrigará a coleção de arte do fundador da instituição, Christen Sveaas. A galeria fará parte do parque de esculturas do Kistefos, que conta com 55 obras de artistas internacionais como Yayoi Kusama, Olafur Eliasson, Fernando Botero e Anish Kapoor, além de um museu industrial e da premiada galeria de arte do BIG, The Twist. Além disso, um novo centro de visitantes, projetado pelo escritório de arquitetura de OsloLund Hagem, deve ser inaugurado em 2026.
As notícias de arquitetura deste mês destacam um forte foco em sustentabilidade, reaproveitamento adaptativo e design inovador centrado na comunidade. De desenvolvimentos urbanossensíveis ao clima a espaços culturais e recreativos, profissionais de arquitetura estão redefinindo como os edifícios interagem com seu entorno. Exemplos notáveis incluem a revitalização do Sydney Fish Market, do escritório 3XN, que integra acessibilidade pública a um projeto sensível ao clima, e a expansão do Seneca Park Zoo, projetada pelo CambridgeSeven, que une esforços de conservação a experiências imersivas para os visitantes. Seja com a criação de instalações esportivas de alto desempenho em Portland ou com a transformação de locais históricos em polos contemporâneos, esses projetos mostram o papel em constante evolução da arquitetura na formação de comunidades. Leia a seguir para descobrir as últimas notícias e desenvolvimentos da arquitetura.
Ao investigar a envoltória da edificação e como o interior se relaciona com o exterior, a figura das estufas surge como uma oportunidade de gerar vida em um espaço interno a partir de fatores externos (ou não). Conhecida como o espaço revestido por vidro ou qualquer outro material plástico transparente, a estufa permite cultivar hortaliças e plantas ornamentais em épocas cujas condições climáticas externas não permitiriam o cultivo ao ar livre. No entanto, o que envolve projetar para plantas? O clima, as espécies, o projeto estrutural e o tipo de cobertura são apenas algumas das considerações a serem levadas em conta.
O projeto Rixos Marina demonstra a harmonia perfeita entre luxo e estilo utilizando o Terracoat Suede da Terraco. Imagem cortesia de Terraco
A fachada de qualquer edifício é mais do que apenas o seu exterior; ela serve como uma tela que não apenas realça a aparência da estrutura, mas também reflete sua essência e caráter internos. A categoria de fachadas externas abrange uma ampla variedade de acabamentos e sistemas, incluindo argamassas e revestimentos decorativos, projetados para proteger os edifícios e, ao mesmo tempo, agregar valor estético, mesclando funcionalidade e apelo visual em perfeita harmonia. Esses acabamentos são fundamentais para definir o caráter arquitetônico e a eficiência energética de estruturas residenciais, comerciais e industriais.
O setor global de acabamentos e revestimentos para fachadas externas vem registrando um crescimento significativo, impulsionado por: aumento das atividades de construção relacionadas à rápida urbanização e ao desenvolvimento; aceleração de projetos de reforma; adoção de práticas de construção sustentáveis e de alta eficiência energética; e pela crescente demanda por exteriores de edifícios esteticamente atraentes e duráveis. Projeta-se que o mercado cresça a uma forte taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9% entre 2023 e 2030, de acordo com o relatório Exterior Architectural Coating Market 2024 da 360iResearch.
O pavilhão de Luxemburgo na 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza oferecerá aos visitantes uma experiência totalmente focada no som. Sonic Investigations, com curadoria dos/as arquitetos/as Valentin Bansac, Mike Fritsch e Alice Loumeau, é um convite imersivo para deslocar o foco do visual para o sonoro. A instalação sonora, localizada na Sale d'Armi do Arsenale, baseia-se em uma investigação prática e teórica que reexamina o território do país por meio de gravações de campo que capturam uma variedade de sons de fontes biológicas, geológicas e antropogênicas entrelaçadas na paisagem. A instalação cria uma experiência corporificada do espaço, enfatizando o valor de abordagens sensoriais nas práticas espaciais e explorando a seguinte questão: como podemos revelar o caráter emaranhado de situações contemporâneas específicas em Luxemburgo?
Apesar de sua extensão territorial reduzida, a ilha de Taiwan é densamente povoada, com mais de 80% de sua população vivendo em áreas urbanas. Diante disso, o espaço disponível é frequentemente limitado, sobretudo em grandes cidades como Taipé, Taichung e Kaohsiung. Por esse motivo, profissionais de design e arquitetura enfrentam o desafio constante de criar interiores que pareçam amplos, funcionais e visualmente atraentes, apesar de suas plantas por vezes compactas. Em vez de encarar essas limitações como restrições, as equipes de projeto as transformam em oportunidades para experimentar layouts inteligentes e mobiliário multifuncional que melhora a habitabilidade.
Al agua patos de K37.lab (Carlos Iraburu Elizalde, Álvaro Oriol, José Rodríguez-Losada, Carlos Iraburu Bonafé), España.. Image Cortesía de k37.lab
O consolidado festival de arquitetura efêmera e cidade, Concéntrico, prepara-se para sua décima primeira edição, que, como todos os anos, acontecerá na cidade de Logroño. Em 2025, o encontro será de 19 a 24 de junho, com uma programação que incluirá diversas atividades, conferências e percursos para refletir sobre o espaço público, as cidades e nossa forma de intervir e interagir com elas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142269/sana-frini-e-philippe-rahm-assinam-a-curadoria-da-exposicao-de-arquitetura-na-bienal-de-arquitetura-e-paisagismo-de-versalhes-de-2025ArchDaily Team
Se você ainda não viu "O Brutalista" e pretende ver, recomendo que não prossiga a leitura deste texto e o guarde para depois da sessão. Há spoilers em muitas linhas subsequentes. Caso o leitor espere ler aqui uma crítica de cinema, peço desculpas antecipadamente porque irei frustrá-lo: isto aqui é uma crítica arquitetônica a partir de assuntos abordados na película.
A frase final do filme incita um interessante debate sobre o processo de projeto de arquitetura: "Não importa o que os outros tentem lhe vender, o que importa é o destino, não é a jornada." A frase foi dita por Zsófia, sobrinha do arquiteto ficcional László Tóth, protagonista de "O Brutalista", durante o epílogo que apresenta o seu reconhecimento internacional em uma cerimônia da primeira Bienal de Arquitetura de Veneza, de 1980, cujo título era a "A presença do passado".
Em uma busca constante por encontrar novas maneiras de reduzir os custos e prazos de construção, a arquitetura modular se apresenta como uma oportunidade para implementar diversos métodos, tecnologias e técnicas que permitam projetar espaços habitáveis a partir de elementos repetitivos independentes, como os módulos. Como afirma Tom Hardiman, diretor executivo do Modular Building Institute (MBI), "modular" não se trata de um produto de construção, mas sim de um processo construtivo.
A arena United Center em Chicago, projetada por HOK Sport (hoje Populous), Marmon Mok e W.E. Simpson Company, foi construída entre 1992 e 1994. Com capacidade para mais de 20.000 pessoas em eventos esportivos e gerais, a arena conta com mais de 6.000 vagas de estacionamento em seu entorno. Esses bolsões de estacionamento ocupam cerca de 55 acres (mais de 22 hectares) no West Side de Chicago (1901 W. Madison Street). Um novo plano diretor, batizado de 1901 Project, pretende transformar essa área em um bairro de uso misto. Liderado pelo coletivo de design RIOS, com a colaboração do escritório de arquitetura de paisagem Field Operations, este projeto multifásico de longo prazo busca conectar bairros por meio da criação de novos espaços públicos e infraestrutura em escala metropolitana. A proposta recebeu aprovação recente da Comissão de Planejamento de Chicago.
O Paquistão revelou seu pavilhão nacional para a 19ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, que acontecerá de 10 de maio a 23 de novembro de 2025, em Veneza, Itália. Sob o título (Fr)Agile Systems), o pavilhão explora a dupla natureza da resiliência e da vulnerabilidade frente às mudanças climáticas, utilizando o rico patrimônio geológico e cultural do Paquistão como lente para examinar as desigualdades ambientais globais. Por meio de uma instalação impactante que apresenta o sal-gema — um material moldado pelo tempo, mas suscetível a transformações —, o pavilhão desafia as narrativas dominantes de adaptação climática, defendendo soluções localizadas e baseadas na natureza, em vez de abordagens universais e padronizadas.
Liu Jiakun, laureado com o Prêmio Pritzker de 2025, passou décadas redefinindo a arquitetura chinesa ao conciliar utopia e função, engajamento social e memória pessoal. Suas obras refletem a vida cotidiana das pessoas comuns, concebidas a partir de uma profunda compreensão do lugar, da cultura e da materialidade. Ao rejeitar a busca por um estilo arquitetônico fixo, Jiakun aposta em uma estratégia em detrimento de uma estética de assinatura, moldando cada projeto a seu contexto e necessidades específicas. Seu trabalho integra a história às demandas urbanas contemporâneas, o coletivismo à experiência individual e a densidade à abertura, oferecendo respostas precisas aos desafios da rápida urbanização.
A abordagem de Jiakun está profundamente enraizada na filosofia chinesa, no bom senso e no artesanato local, garantindo que a arquitetura brote naturalmente de seu entorno em vez de se impor a ele. Seus edifícios refletem uma autenticidade que dialoga tanto com o passado quanto com o presente, evitando gestos grandiosos em favor de espaços que promovem a interação, a espiritualidade e a conexão humana.
O Prêmio Pritzker de 2025 foi concedido este ano ao arquiteto chinês Liu Jiakun. Nascido em Chengdu em 1956, ele cresceu nessa cidade em crescente adensamento antes de ingressar e se formar no Chongqing Architecture and Engineering College (Chongqing University) em 1982, obtendo o título de Bacharel em Engenharia com especialização em Arquitetura. Com isso, tornou-se uma das primeiras pessoas graduadas a assumir a tarefa de reconstruir o país durante o período de transição chinês. No entanto, foi apenas muitos anos mais tarde que o arquiteto compreendeu que "o ambiente construído poderia ser usado como um meio de expressão pessoal". Foi a partir de então que seus projetos e sua carreira decolaram, com Liu Jiakun fundando seu escritório em 1999 e passando a se envolver em trabalhos mais colaborativos na China e na Europa. Fruto de suas vivências, suas obras ancoram-se na compreensão da realidade e no respeito à história de múltiplas tradições e à diversidade interna da China, ao mesmo tempo em que alcançam um equilíbrio fluido entre arquitetura e natureza, tradição e modernidade.
Esses conceitos não limitam sua percepção das necessidades humanas e da importância dos espaços comunitários. Por meio de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que os espaços podem afetar o comportamento humano e evocar sentimentos positivos. Um espaço público como os que ele cria é capaz de propiciar uma atmosfera acolhedora que favorece o descanso e a colaboração, refletindo o que descreve como "minha busca por narrativa e poesia no projeto". A abrangência das obras de Liu Jiakun permite que elas não fiquem restritas a exigências ou limitações estilísticas e estéticas. O arquiteto simplesmente responde ao que o terreno, a paisagem natural, a malha urbana preexistente e as necessidades da população demandam. O resultado construído é uma síntese de todos esses elementos com as tradições vernáculas predominantes.
O Museu Judaico de Berlim, projetado por Daniel Libeskind, utiliza a sinestesia para evocar sentimentos de desorientação, perda e memória por meio de uma geometria fragmentada, iluminação contrastante e escolhas de materiais. Inspirado em uma Estrela de Davi despedaçada, o edifício conduz os/as visitantes por corredores inclinados e estreitos, gerando instabilidade e desconforto. A luz, ora filtrada por frestas, ora quase totalmente ausente em certas áreas, reforça a atmosfera opressiva. O concreto aparente, com sua textura fria e rígida, intensifica essa experiência, enquanto o vazio ressoa com ecos e silêncio. No espaço Shalekhet (Folhas Caídas), placas de metal em forma de rostos emitem sons perturbadores ao serem pisadas, criando uma experiência auditiva desconfortável. O museu transcende sua função como espaço expositivo e se torna uma experiência arquitetônica imersiva, na qual luz, som, textura e forma se combinam para transmitir a dor e a memória do Holocausto.
A arquitetura é uma disciplina que evolui por meio de etapas progressivas, em que cada fase se desenvolve a partir da anterior. O estudo preliminar, por exemplo, começa com conceitos amplos e explorações iniciais, seguidos por análise do terreno, croquis e modelos 3D, com ajustes realizados ao longo do processo. O verdadeiro desafio não reside apenas em seguir essa sequência, mas em equilibrar velocidade, qualidade e eficiência para gerenciar a relação entre tempo e qualidade. Nesse contexto, a integração da inteligência artificial generativa no ambiente construído remodela a dinâmica arquitetônica ao auxiliar profissionais de arquitetura, criando espaço para maior experimentação e exploração. Seu impacto é especialmente significativo na renderização, que antes representava um gargalo em diferentes etapas do projeto—em particular durante o desenvolvimento do conceito. Hoje, contudo, a renderização arquitetônica baseada em IA opera de forma fluida, permitindo maior foco na resolução criativa de problemas por meio de ferramentas e estratégias inovadoras.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143140/como-a-renderizacao-com-ia-elimina-gargalos-na-arquitetura-e-no-design-de-interioresEnrique Tovar