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Cinema: O mais recente de arquitetura e notícia

Arquitetura como tradução: o africanofuturismo no folclore, no cinema e na arte especulativa

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"Tome seus supressores de sonhos." A frase de abertura em Pumzi, de Wanuri Kahiū, direcionada à protagonista Asha, impõe a ordem de romper laços com futuros esperançosos e memórias ancestrais em passados compartilhados para forçar seu foco no presente perpétuo da heterotopia de um enclave da Comunidade Maitu. A vista aérea de Maitu revela uma estrutura estéril, semelhante a um drone, com uma esfera panóptica no centro, onde o comportamento humano normal é medicalizado. O layout é construído em torno de sistemas de reciclagem de circuito fechado tão eficientes quanto um organismo autossustentável, projetados para escapar do ambiente tóxico de uma Terra doente, onde cada cano e corredor é planejado para coletar excreções humanas para a geração de água, absorvendo, assim, os papéis tanto da natureza quanto do Estado. A arquitetura da comunidade traduz perfeitamente a mensagem do filme por meio de sua fisicalidade.

No folclore, no cinema e na arte, o mesmo movimento se repete: a arquitetura traduz um "outro lugar" — seja ele ancestral, espiritual ou especulativo — em uma forma que pode ser vista ou adentrada. As seções a seguir acompanham essa tradução, dos Túmulos de Kasubi a Kizazi Moto, mostrando que esse "outro lugar" é uma forma de ler o presente.

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O Sagrado Cotidiano: Studio Ghibli e o Ritual de Voltar para Casa

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Todas as noites, ao voltarmos para casa, realizamos, sem cerimônia, um pequeno ritual. Nós chegamos a uma porta, a abrimos e cruzamos o limite em direção a um espaço que nos pertence de uma maneira que nenhum outro lugar consegue imitar. Trata-se de um ato tão cotidiano que raramente percebemos sua estrutura; e, no entanto, a filosofia e a antropologia dedicaram livros inteiros à descrição dessas estruturas psicológicas. Curiosamente, obras visuais como os mundos animados do Studio Ghibli parecem refletir essa dinâmica, criando cenários com arquiteturas e arranjos espaciais que oferecem uma via de escape ao evocar nossas memórias de forma legível e, ao mesmo tempo, encantada.

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Clube do Arquiteto Cinéfilo

Clube do Arquiteto Cinéfilo — A arquitetura do cinema de Stanley Kubrick

Construindo a Índia da Imaginação: O Cinema e a Construção do Lugar

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Alguns dos universos arquitetônicos mais convincentes da Índia nunca existiram fora de um set de filmagem. Pátios, palácios, ruas e até bairros inteiros foram construídos, iluminados e enquadrados pelas câmeras para depois serem desmontados ao fim das gravações. O que resta são suas imagens. Para milhões de espectadores, esses espaços tornam-se referências de como são as cidades, de como a riqueza é exibida e de como determinados bairros ou versões da Índia são lembrados. O cinema constrói mundos espaciais, comprimindo histórias complexas em imagens que o público reconhece quase instantaneamente. Posteriormente, tais imagens podem moldar a forma como os lugares físicos são compreendidos.

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Cinema-Estúdio Namibe: A Reabilitação de um Ícone do Modernismo Tropical Angolano

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O que sustenta o propósito de uma arquitetura que nunca foi ocupada? Durante décadas, essa foi a pergunta que rondou o Cinema-Estúdio de Namibe, construído na costa da Angola, em 1973. Concebido para ser um espaço de exibição cinematográfica, o edifício permaneceu fechado e abandonado sem nunca exercer o papel para o qual foi criado. Ainda assim, sobreviveu ao tempo, tornando-se um ícone da paisagem e da arquitetura angolana, até finalmente exibir seu primeiro filme quase cinquenta anos depois.

Mas o que manteve esse edifício vivo no imaginário coletivo durante tanto tempo? Teria sido justamente sua arquitetura ousada e singular capaz de atribuir significado a uma obra que nunca teve um uso?

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A arquitetura de Peter Zumthor ganha destaque no novo filme de Wim Wenders, "From Inside Out"

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O cineasta alemão Wim Wenders apresentará "From Inside Out – The Architecture of Peter Zumthor", um novo documentary que examina a obra e a abordagem arquitetônica do arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Peter Zumthor. Com 114 minutos de duração, o filme utiliza cinematografia 3D para documentar as obras de Zumthor a partir da perspectiva de quem as visita, utiliza, habita e constrói. O documentário terá sua estreia mundial em setembro de 2026, integrando a mostra Venice Open – Fora de Competição, do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

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Arquiteturas Film Festival 2026 abre chamada para filmes sobre a era urbana

O Arquiteturas Film Festival abriu as inscrições para sua 13ª edição, que acontecerá de 1º a 5 de julho de 2026, na cidade do Porto, Portugal. Organizado pelo INSTITUTO e dirigido pelo arquiteto Paulo Moreira, o festival foi criado em 2013 e se consolidou como uma plataforma internacional dedicada ao debate e à difusão da arquitetura em diálogo com o cinema, as artes visuais e espaciais, o pensamento crítico e a colaboração interdisciplinar.

Com o tema "Urban Age", a edição de 2026 convida cineastas, arquitetos e artistas a refletirem sobre a era urbana que habitamos e sobre as formas como cidades e territórios são moldados pelos desafios sociais, políticos e ambientais contemporâneos. O festival propõe uma reflexão sobre a experiência vivida da urbanização — desde as formas materiais da arquitetura até as dinâmicas sociais e culturais que definem as cidades contemporâneas.

12ª Edição do Arquiteturas Film Festival propõe reflexão sobre fronteiras físicas e simbólicas

Em um momento de profundas mudanças sociais, espaciais e culturais, a 12ª edição do Arquiteturas Film Festival convida a refletir sobre como as fronteiras — físicas e simbólicas — moldam o ambiente construído, influenciam o cotidiano e as dinâmicas coletivas. Que papel têm a arquitetura e o pensamento urbano para entender esse mundo em transformação?

Desde que passou a ser organizado pelo centro cultural INSTITUTO em 2021, o festival se firmou como uma plataforma crítica que une cinema, arquitetura e práticas espaciais para discutir temas urgentes. Nos últimos anos, abordou migração, crise ecológica, descolonização e novos modos de habitar. Em 2025, o foco é a 'fronteira' em suas múltiplas dimensões.

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Projeto e destino: “O Brutalista” incita a reflexões difíceis sobre o ofício do arquiteto


Se você ainda não viu "O Brutalista" e pretende ver, recomendo que não prossiga a leitura deste texto e o guarde para depois da sessão. Há spoilers em muitas linhas subsequentes. Caso o leitor espere ler aqui uma crítica de cinema, peço desculpas antecipadamente porque irei frustrá-lo: isto aqui é uma crítica arquitetônica a partir de assuntos abordados na película.

A frase final do filme incita um interessante debate sobre o processo de projeto de arquitetura: "Não importa o que os outros tentem lhe vender, o que importa é o destino, não é a jornada." A frase foi dita por Zsófia, sobrinha do arquiteto ficcional László Tóth, protagonista de "O Brutalista", durante o epílogo que apresenta o seu reconhecimento internacional em uma cerimônia da primeira Bienal de Arquitetura de Veneza, de 1980, cujo título era a "A presença do passado".

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Pele de Vidro: filme resgata história de edifício moderno que desabou em incêndio

"Beber Caracú é beber saúde". É o que se lia na imensa empena de um prédio no centro de São Paulo, na manhã do dia 1 de maio de 2018. Por décadas encoberto, o anúncio da famosa marca de cerveja pairava agora diante de um enorme amontoado de concreto, metal retorcido e vidro estilhaçado. Entulho ao qual fora reduzido o emblemático Edifício Wilton Paes de Almeida, projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, tema do documentário Pele de Vidro, dirigido por sua filha, Denise Zmekhol.

O filme transcende o registro arquitetônico tradicional ao misturar um relato pessoal com questões políticas do Brasil contemporâneo, um país marcado por desigualdades e memórias apagadas. No centro da história está o edifício, considerado um marco da arquitetura moderna brasileira, que desabou em 2018 após um trágico incêndio.

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Dias Perfeitos e a ode aos banheiros públicos de Tóquio

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“Um banheiro é um lugar onde todos são iguais, não tem rico e pobre, idoso e jovem, todos são parte da humanidade”. Essa reflexão foi compartilhada por Wim Wenders, expoente do Cinema Novo Alemão e diretor do filme Dias Perfeitos (2023), ao ser questionado sobre os marcantes cenários de sua mais recente obra. Os banheiros públicos de Tóquio foram escolhidos por Wenders para construir uma narrativa que oferece profundas reflexões sobre a solidão, a simplicidade e a beleza da vida cotidiana.

A história gira em torno de Hirayama, um homem de meia-idade que trabalha como faxineiro de banheiros públicos em Tóquio. Sua vida é simples e rotineira, mas preenchida por pequenos prazeres e momentos de contemplação. Um cotidiano humilde que contrasta com as arquiteturas tecnológicas, coloridas e inovadoras dos banheiros públicos nos quais o protagonista passa o dia limpando.

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11ª Edição do Arquiteturas Film Festival: Aprender a Desaprender

A arquitetura acolhe culturas e pessoas de todos os quadrantes da vida. Mas nem sempre considera questões prementes como a justiça social, a crise ecológica e a descolonização, em detrimento de um paradigma ocidental dominante na educação e prática da profissão. O Arquiteturas Film Festival 2024 procura desafiar esta hegemonia, refletindo sobre os discursos enraizados na disciplina.

Nesta 11ª edição, convidamos o público para uma cativante viagem cinematográfica através das complexidades da produção do conhecimento arquitetónico e do seu impacto social. O programa oferece novas perspetivas sobre o papel da disciplina na formação do ambiente construído a partir de vários ângulos. Explora a forma como a arquitetura pode corajosamente reimaginar a representação convencional, questionar as práticas extractivistas e desmantelar as narrativas coloniais.

MASP apresenta pré-estreia de documentário sobre a vida de Álvaro Siza

Álvaro Siza, primeiro Pritzker português, é inegavelmente um personagem de grande importância na história da arquitetura contemporânea, com projetos que mudaram a paisagem urbana de várias cidades ao redor do mundo. Embora seu nome e trabalho sejam amplamente conhecidos, Siza é uma pessoa bastante reservada e introspectiva, que prefere manter sua vida pessoal longe dos holofotes.

Com a direção do produtor e diretor Augusto Custódio, o documentário SIZA apresenta uma visão mais íntima e pessoal do renomado arquiteto português. O filme aborda sua infância, sua relação com a esposa, sua paixão pela escultura e admiração pela música clássica, explorando suas influências e sua jornada profissional.

"Paisagem Concreta": documentário sobre Álvaro Siza está disponível para streaming

Em Porto Alegre, o edifício da Fundação Iberê Camargo; na cidade do Porto, o escritório de Álvaro Siza, arquiteto e autor do celebrado projeto da sede da instituição, inaugurado em 2008. Ao longo de 70 minutos, o documentário Paisagem Concreta navega entre esses dois portos.

Como as cores influenciam as narrativas e espaços do cinema

É sabido que as cores evocam sentimentos específicos, portanto são utilizadas para transmitir ou causar um ou outro efeito na superfície em que é aplicada, ou no observador que a contempla. Na arquitetura, a cor desempenha um papel fundamental na definição da forma. Materiais em seu estado natural já possuem uma coloração própria, que é percebida de uma certa maneira. No entanto, quando tingidos de alguma forma, a percepção do observador é alterada, levando a associações de sensações diferentes em relação ao mesmo objeto. Essa transformação na sensação devido à cor ocorre em qualquer meio visual, dos tridimensionais (como arquitetura), aos bidimensionais imóveis e móveis: gravuras, fotografias, pinturas e filmes.

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Estreia do documentário "Construindo com árvores vivas" por Al Borde

Na próxima quarta-feira, 23 de agosto, será lançado o primeiro episódio da nova série de documentários que explora os projetos do Al Borde. Construir com árvores vivas, mergulha nas histórias da Casa-Jardín, uma residência unifamiliar localizada na periferia da cidade de Quito.

Fondazione Prada do OMA, pelas lentes de Bahaa Ghoussainy

Em 2018, o OMA inaugurou a Fondazione Prada em Milão, Itália, localizada em uma antiga destilaria de gin construída em 1910. O projeto, que inclui uma fachada revestida com folha de ouro 24 quilates e espelhos camuflados, compreende a reabilitação de sete edifícios no complexo industrial Largo Isarco, na zona sul de Milão, fazendo da fundação algo que não é nem um projeto de preservação histórica nem uma arquitetura completamente nova. Recentemente, o fotógrafo Bahaa Ghoussainy registrou o projeto em sua série de fotografias.

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Especulação imobiliária e memória em Recife: uma conversa sobre o filme "Aquarius"

Ambientado em Recife, mais especificamente na praia de Boa Viagem, Aquarius (2016) retrata um conflito presente em diversas cidades ao redor do mundo. Com uma história que se desenrola em partes, o filme busca estabelecer um paralelo entre os conflitos pessoais da protagonista e sua luta contra uma construtora que deseja adquirir seu apartamento para dar lugar a um novo empreendimento.