Globalmente, a arquitetura contemporânea continua investigando ferramentas e metodologias de projeto para integrar a natureza nos espaços habitáveis, dados os seus comprovados benefícios e contribuições para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Embora existam diferentes crenças religiosas ao redor do mundo, a arquitetura religiosa geralmente vai além de seus usos e funções para conectar-se com o sagrado. Sentidos, memórias e emoções são transmitidos nesses espaços a partir do uso de certos materiais, organizações espaciais e até sons e aromas que potencializam as experiências em atmosferas de espiritualidade, divindade e reflexão. No México, Chile, Equador, Brasil ou Uruguai, projetos de espaços de culto abertos para o exterior revelam uma arquitetura capaz de se adaptar a diferentes ambientes naturais, mantendo a premissa de que cada religião está ligada a uma identidade social e exige um vínculo particular com sua comunidade e a paisagem circundante.
A sustentabilidade na arquitetura é frequentemente abordada como um desafio universal, resultando em soluções padronizadas que priorizam a eficiência em detrimento do contexto. No entanto, a arquitetura está intrinsecamente ligada ao seu ambiente — os edifícios interagem com o clima, a topografia e a história cultural de maneiras que exigem especificidade. Em vez de depender de listas de verificação de sustentabilidade padronizadas, como a arquitetura pode adotar soluções específicas para o local? Essa discussão está profundamente conectada ao conceito de Genius Loci, ou o espírito do lugar, introduzido por Christian Norberg-Schulz e adotado por arquitetos/as que defendem projetos em sintonia com seu entorno. Essa filosofia sugere que a arquitetura não deve ser imposta a um terreno, mas sim emergir dele, informada por seus materiais, clima e relevância cultural. Esse pensamento contesta a aplicação generalizada de tecnologias sustentáveis genéricas, propondo, em contrapartida, que a sustentabilidade deve estar intrinsecamente ligada ao local onde se insere.
Para a edição de 5º aniversário do "Monaco Smart & Sustainable Marina Rendezvous", a M3 Monaco revela o novo tema de seu concurso internacional de arquitetura anual. Estudantes, jovens arquitetos/as e profissionais da área têm o desafio de conceber uma nova visão ou repensar o desenvolvimento da infraestrutura da Ilha de Certosa, em Veneza, criando um diálogo singular que integre o turismo regenerativo, a jornada marítima, o título de Patrimônio Mundial da UNESCO e o próprio contexto de "La Serenissima."
Render aéreo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Em setembro de 2024, a Foster + Partners anunciou sua contratação pelo Manchester United para o desenvolvimento de um plano diretor para a região do estádio de Old Trafford. A peça central do plano diretor é um novo estádio, projetado para se tornar a maior arena de futebol do Reino Unido, com capacidade para 100 mil espectadores. Esta semana, o escritório revelou imagens do projeto do estádio, juntamente com os espaços públicos circundantes, incluindo parques, empreendimentos de uso misto, um cinema ao ar livre e uma estação de trem revitalizada. Essas imagens contêm conceitos ilustrativos que servirão de base para estudos de viabilidade mais detalhados, consultas e planejamento à medida que o projeto avança para novas etapas.
A fusão criativa entre arte e ativismo nos espaços urbanos impulsionou o coletivo britânico Led by Donkeys ao centro das atenções, acumulando milhões de visualizações com suas intervenções nas redes sociais. Suas ocupações visuais críticas — sejam mensagens em outdoors durante o dia ou projeções em grande escala à noite — levantam uma questão instigante: qual meio possui maior poder de persuasão? O livro "Led by Donkeys: Adventures in Art, Activism and Accountability" oferece um mergulho profundo em sua abordagem conceitual, mapeando sua rápida evolução ao longo de seis anos. O que começou como uma reação londrina ao Brexit expandiu-se para uma crítica global à hipocrisia política, abordando questões na Europa, no Oriente Médio e nas Américas. Para Peter Weibel, ex-diretor do ZKM Center for Art and Media em Karlsruhe, Alemanha, a fusão inovadora entre ativismo e arte — ou "Artivismo" — representa a primeira nova forma de arte do século XXI. Anos de experiência no ativismo ambiental proporcionaram ao grupo percepções cruciais sobre as engrenagens da comunicação política, a organização de intervenções públicas e os desafios para alcançar mudanças sociais significativas.
À medida que a indústria da construção intensifica seus esforços em direção à sustentabilidade, arquitetos/as e incorporadores/as buscam ativamente soluções inovadoras para reduzir a pegada ambiental dos edifícios. A Trimo, líder global em soluções de fachadas e coberturas arquitetônicas, está na vanguarda dessa transformação com sua linha de produtos NEXT — Qbiss One NEXT e Trimoterm NEXT —, que está estabelecendo novos padrões de sustentabilidade. Projetados para apoiar a transição global para uma construção de carbono zero, esses produtos incorporam tecnologia de ponta, baixas emissões de carbono e alta reciclabilidade, tudo isso sem abrir mão de desempenho e estética superiores.
"Living Scaffolding" (Andaimes Vivos) é o nome da proposta selecionada para representar o Peru na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Com curadoria dos/as arquitetos/as Alex Hudtwalcker, Sebastián Cillóniz e Gianfranco Morales, junto ao/à historiador/a José Ignacio Beteta, a exposição conta a história de uma embarcação de junco (totora) que, em 1988, partiu em uma viagem marítima rumo a outros portos da América do Sul e da Polinésia. Essa expedição sem precedentes começou na costa peruana, ao sul de Lima, e durou 54 dias no mar. A embarcação foi fruto de um esforço coletivo e artesanal, representando um grande desafio estrutural. A mostra busca destacar a importância dos saberes ancestrais no enfrentamento desses desafios, celebrar materiais essenciais para o patrimônio cultural peruano e evidenciar o valor da inteligência coletiva.
O escritório MVRDV acaba de apresentar o projeto do LuLa Light Mall, um shopping center ao ar livre em construção em Luxelakes Eco-City, na cidade de Chengdu, na China. A proposta consiste em volumes sobrepostos com espaços abertos entre eles, criando terraços, passarelas e escadarias que integram o entorno natural e oferecem vistas para o lago vizinho. Luxelakes Eco-City, um distrito em desenvolvimento no sul de Chengdu, abrange 5,5 quilômetros quadrados e conta com 1,4 quilômetro quadrado de lagos e áreas verdes. A localização do shopping, situado entre a paisagem natural ao sudeste e edifícios de grande altura ao noroeste, funciona como uma transição entre os ambientes urbano e natural.
Coberturas impressas em 3D da NEOM. Imagem cortesia de MEAN*
Reconhecido como uma das Melhores Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, o escritório MEAN* (Middle East Architecture Network) está redefinindo o panorama arquitetônico da região ao fundir design computacional, fabricação digital e pesquisa de materiais com o patrimônio local. Fundado em 2016, o estúdio adota uma abordagem inovadora, desenvolvendo soluções arquitetônicas site-specific que equilibram a inovação tecnológica com a continuidade cultural. Seu trabalho abrange projetos de diversas escalas, desde móveis experimentais, como a Cadeira Mawj, até intervenções de escala urbana, como o The Adaptive Majlis — uma reinterpretação fabricada digitalmente de espaços sociais e de resfriamento tradicionais. Ao integrar ferramentas avançadas como design paramétrico, IA e impressão 3D com materiais locais, o MEAN* está moldando uma nova linguagem arquitetônica que reflete tanto as aspirações do futuro quanto a profundidade do passado.
O mundo observa o desenvolvimento da China com uma mistura de admiração, curiosidade e apreensão. De gigantescas obras de infraestrutura, como hidrelétricas e uma moderna rede ferroviária de alta velocidade, ao surgimento de cidades inteiras praticamente do zero, o país evidencia um ambicioso projeto de crescimento e uma impressionante capacidade de execução. No entanto, esse avanço também traz desafios e contrastes marcantes. Se, por um lado, a modernidade se impõe em arranha-céus futuristas e tecnologias de ponta, por outro, permanece a necessidade de preservar a rica herança cultural e histórica do país, refletida em templos ancestrais, palácios imperiais e cidades tradicionais.
O rápido crescimento urbano também trouxe problemas como superlotação, poluição ambiental, aumento da desigualdade social e perda de terras agrícolas. A urbanização em larga escala levou ao desaparecimento de aldeias tradicionais, à degradação ambiental e à homogeneização da arquitetura e do estilo de vida em muitas cidades chinesas. É nesse cenário que Liu Jiakun, laureado com o Prêmio Pritzker de 2025, se destaca por uma uma arquitetura de gestos sutis, mas profundamente transformadora, que responde a estes e outros desafios da sociedade chinesa enquanto valoriza materiais e técnicas tradicionais, bem como a criação de espaços comunitários.
Leonardo.ai. Imagem gerada por IA pelo ZIGURAT Institute of Technology. Imagem: Cortesia de ZIGURAT
"Estamos à beira de uma revolução na construção civil. A introdução da Inteligência Artificial transformará inevitavelmente um setor que, até agora, tem sido tradicional e pouco digitalizado. Em breve, testemunharemos uma mudança de paradigma na forma como abordamos cada etapa do processo construtivo, e os/as profissionais do setor devem liderar essa mudança", alerta Lilian Ho, BIM & Digital Leader na indústria de AEC.
Desert X é uma exposição internacional de arte site-specific realizada este ano no Coachella Valley, Califórnia. Sua quinta edição, com curadoria do diretor artístico Neville Wakefield e da cocuradora Kaitlin Garcia Maestas, foi inaugurada em 10 de março de 2025, apresentando 11 instalações de artistas internacionais integradas à paisagem do deserto. Artistas receberam o convite para propor formas alternativas de perceber um mundo "cada vez mais cercado pelos efeitos transformadores da natureza e da humanidade", por meio de instalações físicas em locais específicos do deserto da Califórnia. Nesse contexto, a arquitetura é compreendida como a evidência mais visível da transformação humana, enquanto elementos imateriais, como o vento e a luz, destacam os efeitos transformadores não apenas da atividade humana, mas também da própria natureza. A exposição é gratuita e aberta ao público, estendendo-se até 11 de maio de 2025. Abaixo, veja as imagens e descrições das 11 instalações de arte apresentadas na exposição Desert X deste ano.
Diller Scofidio + Renfro revelou o projeto da nova Frederick S. Pardee School for Global Studies na Boston University, uma proposta que busca integrar sustentabilidade, densidade urbana e colaboração interdisciplinar. Com cerca de 6.500 metros quadrados, o edifício terá 56,7 metros de altura, tornando-se a mais alta torre de madeira engenheirada (mass timber) do nordeste dos Estados Unidos. Implantada em um antigo estacionamento no coração do campus da universidade, a estrutura ocupará apenas 10% do lote, permitindo a criação de uma área verde central no futuro.
Ambientes úmidos apresentam alguns dos desafios mais complexos no projeto arquitetônico. Desde o período de monções tropicais no Sudeste Asiático ao calor equatorial da África Central, esses contextos exigem soluções que considerem a umidade intensa, as altas temperaturas e o combate constante ao mofo, à deterioração e à estagnação do ar. No entanto, há séculos, as comunidades dessas regiões desenvolvem técnicas arquitetônicas que não lutam contra a umidade, mas trabalham em harmonia com ela, aproveitando materiais locais, design responsivo ao clima e técnicas de resfriamento passivo para criar espaços sustentáveis e habitáveis. Ao considerar a atmosfera como um fenômeno sensorial e climático, arquitetos e arquitetas criarão espaços que não são apenas evocativos, mas também responsivos, adaptáveis e sustentáveis.
Desafiar convenções tem sido uma constante na produção artística ao longo da história, sempre buscando ressignificar limites estabelecidos. No século XX, transformações sociais, históricas e tecnológicas criaram o contexto ideal para uma profunda reconfiguração arquitetônica. Nesse processo, o modernismo introduziu novas ideias sobre funcionalidade, rompendo com a ornamentação do passado. No entanto, partindo dessa base, o minimalismo refinou ainda mais a redução da forma à sua essência. Ao focar na relação entre espaço, sobriedade e luz, o movimento minimalista transformou a arquitetura contemporânea e o design de interiores, convertendo as janelas em um recurso fundamental para a percepção sensorial e a interação com a atmosfera e o espaço, abrindo um campo de exploração introspectivo, sensível e refinado.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142793/sem-caixilho-e-mais-como-as-janelas-minimalistas-moldam-as-atmosferas-arquitetonicasEnrique Tovar
Na arquitetura moderna, a promenade architecturale destacou-se como uma estratégia projetual essencial para concretizar os princípios de funcionalidade, estética e integração ao contexto urbano. Projetos icônicos de Le Corbusier, como a Villa Savoye (1929), ilustram esse conceito ao guiar o visitante por um percurso ascendente que culmina na contemplação do terraço-jardim, um espaço aberto onde a edificação dialoga harmoniosamente com a natureza. Passados cem anos, o conceito continua influenciando projetos contemporâneos, explorando a relação entre movimento e espaço em diferentes tipologias arquitetônicas como casas, museus, bibliotecas e parques.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebramos as contribuições das mulheres na arquitetura, um campo tradicionalmente dominado por homens. Embora as narrativas dominantes muitas vezes ignorem seu impacto significativo, a história da arquitetura está repleta de exemplos de mulheres que moldaram a profissão de forma sutil, mas poderosa. Quando limitada a um cargo de desenhista, Ester McCoy deu um passo atrás, não para se afastar, mas para observar melhor. Ela se tornou a primeira crítica e historiadora de arquitetura a notar o caráter único do modernismo que se desenvolvia na Costa Oeste dos EUA durante a década de 1950, trazendo nomes como Richard Neutra ou Luis Barragán para o centro dos debates arquitetônicos. Da mesma forma, o nome de Aline Louchheim pode não ser amplamente conhecido entre arquitetos/as, mas, graças a ela, o de Eero Saarinen certamente é. A profissão de relações-públicas na arquitetura também surgiu dessa colaboração. Essas histórias nos lembram que reconhecer as conquistas das mulheres na arquitetura não se trata de celebrar o gênero, mas sim de admitir um viés histórico que limitou o progresso de toda a disciplina.
Longe de ser apenas um material pré-fabricado produzido atualmente em larga escala, a aplicação dos blocos de concreto na arquitetura continua evoluindo para atender às demandas e necessidades das sociedades contemporâneas, em constante transformação. Seja em espaços interiores ou exteriores, seu uso se alinha a conceitos de economia circular, eficiência de recursos, sustentabilidade, entre outros, com o objetivo de criar espaços habitáveis e, ao mesmo tempo, explorar suas vantagens e desvantagens construtivas, além de suas qualidades expressivas e estéticas.
Render do Plano Diretor Geral. Imagem Cortesia de Sasaki
Salalah é o maior porto logístico de Omã e sua segunda maior cidade. Localizada a duas horas de voo de Dubai e a 90 minutos de voo de Mascate, a cidade atraiu mais de um milhão de turistas em 2024. Como parte do plano de investimento Oman Vision 2040, o Ministério de Habitação e Planejamento Urbano de Omã encomendou à Sasaki o desenvolvimento de um plano diretor para redesenhar a orla da cidade. O plano inclui a renovação dos espaços públicos costeiros da cidade e a construção de novas moradias e infraestrutura para acomodar o crescimento projetado. A iniciativa integra um esforço mais amplo para duplicar a contribuição do turismo para o PIB do país até 2030, com o início das obras no local previsto para o final deste ano, em 2025.
O escritório de arquitetura Henning Larsen acaba de lançar uma nova iniciativa em Esbjerg, na Dinamarca, com o objetivo de repensar os espaços urbanos sob a perspectiva de garotas adolescentes. Desenvolvido em colaboração com o Município de Esbjerg, Ramboll, Catapult Projects e KOMPAN, o projeto se baseia nas pesquisas do framework Urban Minded para explorar de que forma a cocriação pode moldar ambientes públicos mais inclusivos. Apoiada por um subsídio de 2,3 milhões de coroas dinamarquesas (DKK) da Fundação Villum e 485.000 DKK da Fundação Ramboll, a iniciativa busca atender a um grupo demográfico frequentemente negligenciado no planejamento urbano. À medida que as cidades continuam a evoluir, as discussões sobre espaços urbanos inclusivos em termos de gênero vêm ganhando força, especialmente em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
Westmark Lower School / NBBJ. Imagem cortesia de NBBJ
Espaços de uso público podem ser avassaladores. Aeroportos, escolas, estádios e locais de trabalho frequentemente apresentam ambientes com um caos visual que pode ser desorientador e estressante para as pessoas, especialmente aquelas que são neurodivergentes. O bombardeio de estímulos, movimentos imprevisíveis e informações visuais concorrentes podem criar barreiras ao conforto dos usuários. Profissionais da arquitetura são constantemente incentivados a criar espaços que reconheçam e valorizem as diferenças individuais. Projetar para a neurodiversidade é uma forma de promover a inclusão e ampliar os princípios do desenho universal.
Transformar edifícios urbanos em usinas de energia limpa é uma estratégia ousada e poderosa para combater a crise climática, reduzir a dependência de redes centralizadas e promover cidades mais resilientes e sustentáveis. Desde 2010, as cidades têm sido responsáveis por mais de 75% do consumo global de eletricidade — uma demanda historicamente suprida por combustíveis fósseis à medida que a urbanização se intensificou a partir da Revolução Industrial. No final do século XIX, a energia hidrelétrica começou a ganhar relevância como alternativa renovável. No entanto, com os rápidos avanços na tecnologia solar, os edifícios urbanos agora têm um potencial sem precedentes para se tornarem hubs autossuficientes de geração de energia.