In Jacques Tati's Mon Oncle (1958), a própria arquitetura se torna uma personagem: portas de correr, uma fonte automática, portões que emitem sons mecânicos, dispositivos que ao mesmo tempo encantam e frustram os habitantes. A comédia surge justamente do fato de que esses sistemas aparentemente triviais moldam silenciosamente a vida cotidiana. Mais de seis décadas depois, a observação parece profética. Nos edifícios contemporâneos, inúmeros sistemas funcionam de maneira autônoma e discreta, passando despercebidos quando operam corretamente. Entre eles, as portas automáticas, tradicionalmente vistas como elementos secundários, despontam como parte de uma nova "infraestrutura invisível": sistemas conectados, eficientes e inteligentes que apoiam o conforto, a sustentabilidade e a resiliência operacional.
A Madraça Mir-i-Arab. Imagem cortesia da Uzbekistan Art and Culture Development Foundation
A edição inaugural da Bienal de Bukhara foi aberta em 5 de setembro de 2025, trazendo mais de 70 obras comissionadas site-specific de mais de 200 participantes de 39 países para o centro histórico da cidade uzbeque. Comissionada pela Fundação de Desenvolvimento de Arte e Cultura do Uzbequistão (ACDF) e pela comissária Gayane Umerova, a Bienal é descrita como o maior e mais diverso evento cultural da Ásia Central até o momento. Com curadoria de Diana Campbell sob o tema Recipes for Broken Hearts, o evento de dez semanas de duração se divide por uma constelação de locais recém-restaurados, incluindo madrassas, caravançarais e mesquitas, todos integrantes da lista de Patrimônio Mundial da UNESCO de Bukhara. Mais do que uma plataforma de exposição, a bienal é estruturada como parte de um plano diretor mais amplo, posicionando a cultura como catalisadora da transformação urbana e da renovação do patrimônio.
Lina Ghotmeh — Architecture revelou recentemente imagens do projeto que transformará uma residência histórica em Bucara, no Uzbequistão, em um "destino cultural do século XXI". A proposta prevê um museu dedicado às ideias e à influência do Jadidismo, um movimento de reforma muçulmano que defendia a modernização da educação na Ásia Central durante o final do século XIX e início do século XX.
O projeto foi encomendado pela Fundação de Desenvolvimento de Arte e Cultura do Uzbequistão (ACDF, na sigla em inglês), instituída em 2017 para preservar, promover e fomentar o patrimônio, as artes e a cultura do país, integrando-os ao cenário cultural e artístico global. Com abertura ao público prevista para 2027, o museu faz parte dos esforços mais amplos da ACDF para criar instituições culturais de referência que engajem públicos em todo o mundo.
O conceito de guarda-roupa cápsula, popularizado nos anos 1970 por Susie Faux, propõe um exercício de síntese: um conjunto compacto de peças versáteis, capazes de se combinar de inúmeras maneiras para se adaptar a diferentes ocasiões. Na cultura visual, existem algumas metáforas para isso: em desenhos animados como Doug Funnie ou O Laboratório de Dexter, abrir o armário revelava fileiras de roupas idênticas, prontas para simplificar a vida (e, no caso de quem desenhava, o próprio trabalho). No mundo real, personalidades como Steve Jobs transformaram essa lógica em método ao adotar um uniforme diário, eliminando a pequena — mas recorrente — decisão de "o que vestir?" e poupando tempo e energia para questões mais importantes.
Para outras pessoas, no entanto, essa escolha está longe de ser um fardo. Escolher o que vestir é um momento de prazer, capaz de definir o tom do dia e influenciar o humor. Sob essa perspectiva, o guarda-roupa também se torna uma extensão da identidade, um espaço onde as escolhas práticas e simbólicas se encontram. Não por acaso, expressões como "sair do armário" ou "ter um esqueleto no armário" estão profundamente enraizadas na linguagem, revelando a dimensão cultural desse elemento doméstico. No design de interiores contemporâneo, essa noção ganha novas camadas: o armário pode definir o caráter de um espaço, guiar a circulação, influenciar a percepção e até moldar a atmosfera de um ambiente.
Your greenhouse is your living room. Office for Roundtable e JXY Studio. Leyuan Li. Image Cortesia de Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
Entre 18 de setembro e 19 de outubro de 2025, a 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, organizada pelo IABsp, ocupará o Pavilhão da Oca, no Parque Ibirapuera, para discutir como a arquitetura, o urbanismo, o design e o paisagismo podem enfrentar as mudanças climáticas e os eventos extremos.
O conceito curatorial parte do entendimento que vivemos em tempos de extremos, exigindo soluções radicais e inovadoras. Nos quatro pisos da Oca, os curadores propõem reunir ciência e inovação, saberes tradicionais, práticas cotidianas, propostas de mercado e ações do Estado, afirmando que o desafio climático deve ser enfrentado por toda a sociedade.
O ruído de conversas sobrepostas, os letreiros luminosos piscantes, passos apressados na calçada e o martelar constante de um canteiro de obras próximo: os espaços públicos são, por vezes, vivenciados como ambientes onde os estímulos se acumulam e, frequentemente, nos sobrecarregam. Cada pessoa percebe e responde a esses estímulos sensoriais de maneira distinta, e reconhecer a neurodiversidade significa compreender que alguns indivíduos necessitam de mais tempo para se adaptar, de trajetos em ritmo mais lento ou de interações mais graduais com o entorno. Esses encontros levantam questões fundamentais sobre o espaço público contemporâneo: como ele pode acomodar a diversidade de maneiras pelas quais as pessoas o percebem e habitam? Como podemos imaginá-lo como um espaço que acolha todas as formas de vivenciá-lo?
À medida que as cidades continuam a se desenvolver, observamos abordagens cada vez mais bem planejadas, meticulosamente executadas e rigidamente regulamentadas para moldar os centros urbanos e seus espaços adjacentes — para o bem e para o mal. Conforme os códigos, restrições e diretrizes se aprimoram e se tornam mais rigorosos, os ambientes urbanos tornam-se mais seguros, equilibrados e menos propensos a surpresas. No entanto, o outro lado dessa moeda é que distritos altamente controlados podem tender a uma ordem excessiva e à higienização, desfazendo-se do caráter informal e cumulativo que outrora gerava becos, espaços residuais e sequências inesperadas de movimento — condições muitas vezes nascidas da constante improvisação comunitária nas zonas cinzentas da regulamentação.
Em resposta a isso, um número crescente de iniciativas em todo o mundo propõe instalações urbanas temporárias que testam futuros alternativos para as cidades. Essas intervenções buscam provocar um diálogo entre o que a cidade é e o que ela poderia oferecer às suas comunidades por meio de práticas espaciais reflexivas e específicas de cada contexto. Um exemplo notável é o Concéntrico, festival internacional em Logroño, Espanha, concebido como um laboratório de inovação urbana. Comemorando sua décima edição, o festival está prestes a publicar Concéntrico: Urban Innovation Laboratory, um livro que traça um panorama de uma década de desenho urbano e transformação coletiva moldados ao longo de suas sucessivas edições. O lançamento é acompanhado por uma turnê internacional voltada a compartilhar uma década de aprendizados sobre transformação e design coletivos.
Fazer perguntas é o primeiro passo para questionar o que tomamos como certo e abrir novas possibilidades para o planejamento e a construção. Essas indagações, valiosas por si só, ganham nova força quando compartilhadas e examinadas sob diferentes perspectivas. Ao se cruzarem com as vivências de profissionais e marcas, elas tecem pontos de vista que enriquecem o debate. Feiras e eventos de design pelo mundo tornaram-se espaços onde essas conversas ganham força, fomentando conexões e incentivando dinâmicas colaborativas. Nesse cenário, a Colômbia desponta como um polo, servindo como uma plataforma que promove a arquitetura e o design na América Latina e no Caribe, ao mesmo tempo em que projeta a voz da região no cenário global.
A Fundação de Desenvolvimento de Arte e Cultura do Uzbequistão (ACDF) anunciou a transformação de um edifício industrial de 1912 em Tashkent no Centro de Arte Contemporânea (CCA), que se tornará a primeira instituição permanente dedicada à arte contemporânea e à pesquisa na Ásia Central. Projetado pelo escritório de arquitetura francêsStudio KO, liderado por Karl Fournier e Olivier Marty, o projeto integra a preservação do patrimônioindustrial da cidade a uma nova identidade cultural para o sítio histórico. O edifício, originalmente projetado por Wilhelm Heizelmann — conhecido pela Câmara do Tesouro —, foi construído como uma estação de geradores a diesel e depósito para a primeira linha de bonde de Tashkent. Após décadas servindo à rede de energia elétrica da cidade, a estrutura foi transferida para a Fundação em 2019, como parte da estratégia de desenvolvimento cultural de longo prazo do Uzbequistão. Sob a liderança de Gayane Umerova, o projeto agora representa um passo importante na consolidação de uma infraestrutura cultural contemporânea para a região.
Instalação "Spinning Around" de Sophia Taillet. Musée de la Chasse et de la Nature, 4 a 13 de setembro de 2025. Imagem cortesia de Maison & Objet
Este ano, a feira de design de interiores Maison&Objet e a Paris Design Week uniram forças para dar visibilidade a designers emergentes, valorizar novamente os métiers d'art franceses e transformar temporariamente marcos históricos com visões de design contemporâneo. Ambos os eventos começaram em 4 de setembro, transformando Paris em um festival de design que ocupou toda a cidade. Galerias, showrooms e concept stores abriram suas portas, enquanto marcos de destaque serviram de palco para designers de mais de 30 países. A abundância e a diversidade da programação renderam comparações com a Milan Design Week, ao mesmo tempo em que garantem a Paris uma vitrine única no calendário global de design. Este artigo apresenta uma seleção de instalações e exposições de interesse arquitetônico que surgem da sinergia entre as duas iniciativas.
Na medicina tradicional chinesa, a acupuntura funciona por meio de agulhas estrategicamente posicionadas que estimulam a cura em todo o corpo. O conceito do urbanista Jaime Lerner sobre intervenções arquitetônicas pontuais encontra sucesso tanto na China quanto em países vizinhos da Ásia, onde comunidades locais são revitalizadas por meio de intervenções simples. As bibliotecas, especificamente, vêm promovendo transformações sociais, culturais e econômicas no continente.
Por trás das fachadas pulsa uma vida vibrante, onde o exterior se funde ao interior, transformando vazios urbanos negligenciados em residências cativantes.Em cidades de todo o mundo, profissionais de arquitetura, engenharia e design enfrentam o desafio de integrar novas edificações a tecidos urbanos consolidados com escassez de espaço. Atualmente, muitos/as arquitetos/as vêm adotando esse conceito, expandindo seus projetos para além dos limites convencionais e transformando pequenos lotes urbanos em espaços de convivência multifacetados e interconectados.
AquaPraça em Veneza. Imagem cortesia de CRA-Carlo Ratti Associati
CRA–Carlo Ratti Associati e Höweler + Yoon projetaram a AquaPraça, um espaço de encontro flutuante voltado para o diálogo climático global que ancorará a COP30 em Belém, no Brasil. O projeto faz sua estreia na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza em 5 de setembro de 2025. Em seguida, a estrutura embarcará em uma jornada transatlântica rumo ao Brasil, onde integrará o Pavilhão Italiano na COP30, realizada de 10 a 21 de novembro de 2025. Após o evento, a expectativa é que ela se torne um marco flutuante permanente na Amazônia, como parte da infraestrutura cultural de Belém.
O escritório VUILD apresentou o projeto para um estádio de futebol em madeira planejado para Fukushima, no Japão, que será a futura sede do Fukushima United FC. Encomendada pela SportX, a proposta combina participação comunitária, uma estrutura inovadora de madeira e estratégias sustentáveis, posicionando o estádio tanto como uma arena esportiva funcional quanto como um potencial símbolo de renovação. Inspirado na tradição japonesa do Shikinen Sengu, a reconstrução periódica de santuários, o conceito introduz três ciclos: recursos, comunidade e trabalho artesanal.
À medida que as cidades e comunidades se adaptam a novas realidades culturais, ambientais e sociais, a arquitetura assume um papel cada vez mais amplo na criação de espaços de resiliência, encontro e imaginação. Esta edição do Architecture Now destaca seis projetos recentes que abrangem diferentes continentes e tipologias — desde a requalificação de paisagens pós-industriais até a arquitetura sacra, pavilhões culturais e centros cívicos. Seja por meio de inovações em madeira engenheirada em Vancouver e Jülich, reuso adaptativo em Ostrava, um pavilhão infantil em Londres, um centro espiritual na Índia ou uma igreja paramétrica em Kyiv, cada projeto demonstra como o design pode conectar patrimônio e inovação ao mesmo tempo em que promove conexão, cuidado e comunidade.
A arquitetura sempre foi muito mais do que tijolo e argamassa. Ela se constrói igualmente por meio de palavras, ideias e narrativas. Dos tratados antigos aos manifestos radicais, dos manuais técnicos aos ensaios poéticos, a palavra escrita tem servido como uma ferramenta espacial, pedagógica e política no campo profissional. A escrita molda a forma como a arquitetura é concebida, comunicada e criticada — muitas vezes muito antes, ou mesmo na ausência, de uma construção física.
Historicamente, figuras como Vitrúvio, Alberti e Palladio utilizaram a escrita para codificar princípios, projetar ideais e legitimar a arquitetura como disciplina. No período moderno, Le Corbusier, Adolf Loos e Lina Bo Bardi escreveram prolificamente para expandir o escopo da arquitetura para além da forma e da função, frequentemente utilizando publicações como ferramentas de persuasão e experimentação. O período do pós-guerra deu origem a novas estratégias editoriais, patentes nos manifestos do Archizoom e do Superstudio, e nas publicações polêmicas de Delirious New York e Oppositions, nas quais a escrita servia tanto como crítica quanto como projeto.
A arquitetura, por si só, define a maneira como habitamos um espaço? Está cada vez mais claro que não. Os objetos em um espaço — em especial o mobiliário e outras peças de design — não apenas cumprem funções práticas, mas também moldam ativamente a experiência espacial e humana. À medida que escolas, residências e escritórios evoluem para acomodar novas formas de trabalhar, viver e socializar, o mobiliário acompanha essas transições, estimulando diálogos que vão além do funcional e dialogam com a dimensão corporal implícita em seu uso.
Há várias décadas, a dupla de arquitetura britânica Alison e Peter Smithson já explorava a relação entre o corpo, a experiência cotidiana e o espaço em escala arquitetônica. Desde então, conceitos contemporâneos de flexibilidade e conforto ampliaram esse panorama para abranger outras escalas, como o mobiliário. Essas transformações impulsionaram a consolidação de sistemas de assentos modulares cuja flexibilidade e adaptabilidade respondem a diversas formas de viver e se relacionar com o espaço. Nesse contexto, surgem propostas inovadoras, como a linha completa de assentos e mesas Beau — um sistema expansivo de sofás modulares projetado para múltiplas possibilidades, com forte ênfase no conforto e no apelo sensorial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143200/um-sistema-expansivo-de-sofas-modulares-reimaginando-o-conforto-para-alem-do-sentarEnrique Tovar
O Royal Institute of British Architects (RIBA)revelou os seis projetos finalistas do RIBA Stirling Prize de 2025. Desde a sua criação, em 1996, o prêmio reconhece obras que respondem a desafios contemporâneos e, ao mesmo tempo, moldam futuros mais inclusivos. A lista de finalistas deste ano abrange uma gama diversificada de escalas e programas, incluindo a restauração de um dos marcos urbanos mais icônicos do país, uma instalação pioneira de pesquisa médica, um lar beneficente contemporâneo projetado para reduzir o isolamento de pessoas idosas, uma "fábrica de moda" universitária, uma residência totalmente acessível e uma extensão residencial criativa. O projeto vencedor do prêmio será anunciado ao vivo na cerimônia do Stirling Prize em 16 de outubro no Roundhouse, em Londres.
O Pavilhão das Filipinas na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia apresenta Soil-beings (Lamánlupa), uma exposição com curadoria do diretor artístico Renan Laru-an. Por meio de colaborações interdisciplinares, o Pavilhão reúne arquitetos/as, especialistas, lideranças indígenas, artistas, formuladores/as de políticas públicas e comunidades locais para explorar as dimensões culturais, ecológicas e tecnológicas do solo. Seu objetivo é desafiar os paradigmas arquitetônicos convencionais, deslocando o foco da estrutura para o solo, tratado não como um material passivo, mas como uma força viva dotada de agência, história e poder.
Na histórica Stone Town, a principal cidade de Zanzibar, na Tanzânia, a história de um edifício de cinema e sua iminente restauração reflete tanto a história da cidade quanto a própria trajetória das salas de cinema em geral. O início do século XX testemunhou o surgimento da construção de cinemas, com um auge em meados do século, seguido por um declínio decorrente da concorrência com os multiplexes e a televisão doméstica. Embora muitos tenham sido demolidos ou alterados de forma irreversível, outros tantos permaneceram abandonados, como cápsulas do tempo de uma época passada. Eles constituem um registro instantâneo dos estilos e métodos arquitetônicos de seu tempo, funcionando como um lembrete de seu papel social. Restaurar e adaptar um cinema como o Majestic é um reconhecimento de seu valor patrimonial e comunitário.
O 'T' Space inaugurará a exposição New Hudson Valley Houses no dia 7 de setembro na Archive Gallery em Rhinebeck, Nova York. A exposição reúne dez residências recentemente projetadas por arquitetos e arquitetas como Stan Allen, Garrick Ambrose, Steven Holl, Toshiko Mori Architect e MOS, todas localizadas a menos de três horas da cidade de Nova York. Em vez de exibir obras concluídas por meio de fotografia, a apresentação apoia-se exclusivamente em maquetes e desenhos, convidando o público a conhecer o processo arquitetônico e as bases conceituais de cada projeto.
Projeto do Campus Híbrido Houhai. Render. Imagem cortesia de Büro Ole Scheeren
O escritório internacional Büro Ole Scheeren revelou imagens do Houhai Hybrid Campus, um novo complexo urbano no distrito de Houhai, em Shenzhen. O empreendimento está situado em uma área estratégica dentro da Zona Econômica Especial (ZEE) original de Shenzhen, conectando o centro comercial da cidade à sua orla. A divulgação das imagens do Hybrid Campus coincidiu com o 45º aniversário da designação de Shenzhen como Zona Econômica Especial, um marco que assinala a transformação da cidade de uma vila de pescadores em um polo global de inovação. Atualmente em construção, o Hybrid Campus integra trabalho, moradia, cultura, comércio, lazer, recreação e natureza em um complexo urbano unificado, com inauguração prevista para o final de 2026.
Profissionais de arquitetura hoje atuam em múltiplos universos: desde o design de mobiliário, paisagismo e quadras urbanas até a criação de cenários cinematográficos, fotografias e vídeos. Restauram e realizam o retrofit de edifícios antigos em vez de construir do zero, ao mesmo tempo em que escrevem, pesquisam e publicam. Alguns/as projetam espaços virtuais para videogames ou especulam sobre habitats no espaço sideral e subaquáticos. Outros/as se engajam diretamente com a sociedade por meio da política, do ativismo ou de projetos comunitários. Muitos/as experimentam com a biologia, testam novos materiais e assumem o papel de cientistas. Ao descolonizar narrativas antigas e descarbonizar a indústria da construção, e ao entrelaçar paixões pessoais com desafios sociais e ambientais urgentes, esses/as profissionais expandem o escopo da profissão e tensionam seus limites.
Diante de tantas transformações na profissão, especialmente nos últimos anos, cabe perguntar: como o papel do/a arquiteto/a está evoluindo em resposta às crises globais e às mudanças nas necessidades da sociedade? De que maneiras a interdisciplinaridade pode expandir o escopo e o impacto da prática arquitetônica? E quais habilidades que vão além do projeto tradicional estão se tornando essenciais para esses/as profissionais no mundo de hoje?