A iniciativa Capital Europeia da Cultura (CEC) foi lançada em 1985 e, até o momento, contemplou mais de 60 cidades em toda a Europa. O projeto busca celebrar e promover a diversidade cultural no continente, fortalecer o sentimento de pertencimento da população europeia a um espaço cultural compartilhado e incentivar a contribuição da cultura para o desenvolvimento urbano. Na prática, a nomeação tem se mostrado um catalisador para a regeneração urbana, o crescimento do turismo, o fortalecimento do perfil internacional das cidades e a melhoria de como elas são percebidas por seus próprios habitantes. As Capitais Europeias da Cultura são formalmente designadas quatro anos antes do ano do título, garantindo tempo para planejar, preparar e integrar o programa a uma estratégia cultural de longo prazo, estabelecer parcerias europeias e assegurar a infraestrutura necessária. Em 2025, as Capitais Europeias da Cultura são a cidade alemã de Chemnitz e a cidade eslovena de Nova Gorica. Para 2026, as cidades escolhidas são Oulu na Finlândia e Trenčín na Eslováquia.
Ao redor da Europa — e além dela — arquitetos enfrentam um ponto de inflexão. À medida que metas de redução de emissões colidem com a escassez de materiais e com a urgência crescente dos compromissos climáticos, o ambiente construído é forçado a encarar, de forma mais profunda, como consome, circula e descarta recursos. O que antes era tratado como resíduo revela-se agora como um arquivo arquitetônico adormecido, um ecossistema urbano de materiais à espera de serem recuperados, revalorizados ou reimaginados. Nesse movimento, os arquitetos começam a assumir um papel radicalmente diferente — não apenas como autores de edifícios, mas como orquestradores dos fluxos que os sustentam.
Essa mentalidade emergente está remodelando as bases da prática. Em vez de depender de longas e extrativas cadeias de suprimento, designers começam a construir redes de ciclo fechado, criando bancos de materiais, negociando protocolos de desconstrução e participando de novas formas de mineração urbana.
Como o setor da construção molda o futuro das cidades? Quais desafios ele enfrenta? No cruzamento de pressões demográficas, sociais, energéticas e climáticas, o setor da construção está mudando rapidamente. Profissionais, instituições e cidadãos/as trabalham em conjunto para construir ambientes que promovam a saúde e o bem-estar, incentivem soluções duráveis e sensíveis ao contexto local, reduzam as emissões de carbono, resistam aos riscos climáticos e ofereçam moradia acessível e de alta qualidade.
Após a notícia do falecimento aos 96 anos de Frank Gehry, as atenções se voltaram novamente para uma carreira que moldou significativamente o discurso arquitetônico a partir do final do século XX. Ao longo de mais de sete décadas, Gehry desenvolveu uma linguagem de projeto definida pela experimentação de materiais, pela modelagem de maquetes de forma iterativa e pelo interesse em formas fluidas e expressivas. Sua obra abrange desde as primeiras intervenções residenciais no sul da Califórnia até grandes instituições culturais que contribuíram para a identidade de cidades em todo o mundo. Juntos, esses projetos delineiam uma trajetória que se cruzou com mudanças nas tecnologias de fabricação, nas tipologias de museus e nas estratégias de requalificação urbana.
A especificidade ressurgiu como uma linguagem central no discurso arquitetônico. Em um campo cada vez mais globalizado, no qual os projetos muitas vezes seguem modelos conhecidos independentemente do contexto, arquitetos/as voltam-se agora para abordagens enraizadas nas particularidades de cada local. Essa atenção renovada ao contexto reflete pressões sociais, climáticas e políticas mais amplas: as cidades enfrentam calor extremo, desafios ecológicos, mudanças demográficas e novas formas de vida coletiva que exigem respostas fundamentadas em suas condições imediatas.
A arquitetura situada descreve essa mudança. Refere-se a abordagens projetuais nas quais a forma, o programa e a materialidade emergem do ambiente específico que os produz: seus microclimas, estruturas culturais e rituais cotidianos. Em vez de partirem de modelos universais, essas práticas começam com a observação, a prototipagem e o engajamento direto com as dinâmicas locais. Essa lógica é visível nos experimentos climáticos e materiais do TAKK na Espanha, como o Portable Garden e a 10k House, que funcionam como protótipos leves ajustados a gradientes térmicos e ecológicos; no Art Pavilion M do Studio Ossidiana, moldado por camadas de solo e ciclos ecológicos nos Países Baixos; nas reinterpretações de objetos vernaculares por Izaskun Chinchilla e em seus experimentos posteriores com 100 Sillas e 3 Salones Urbanos; nos espaços domésticos guiados por narrativas do Common Accounts; e nas intervenções urbanas do Raumlabor, que respondem diretamente às especificidades da Berlim pós-industrial.
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A fragilidade — e a beleza temporal — do neon cativa o público desde o início do século XX. Apresentado comercialmente pela primeira vez pelo engenheiro francês Georges Claude no Salão do Automóvel de Paris de 1910, o neon se espalhou rapidamente, alcançando ampla popularidade nos Estados Unidos entre as décadas de 1920 e 1950. Em meados do século, ele estava em toda parte nos EUA: dos cassinos da Las Vegas Strip aos motéis de beira de estrada ao longo da Rota 66 e ao espetáculo da Times Square. Na segunda metade do século, no entanto, muitos letreiros foram descartados ou abandonados à deterioração, e diversos municípios restringiram o neon por considerá-lo visualmente espalhafatoso ou de alto consumo energético — apesar do consumo de energia comparativamente modesto da tecnologia. Nos EUA, o interesse renovado pelo neon indiscutivelmente só retornou de forma expressiva no início dos anos 2000.
Em Hong Kong, em contrapartida, o neon foi adotado com um entusiasmo incomum em uma época em que começava a perder popularidade em outros lugares. Mesmo com a desaceleração de suas instalações nas últimas décadas — em grande parte devido à atualização de regulamentos que exigiam a remoção de letreiros suspensos cujas estruturas de suporte não atendiam aos padrões de segurança —, a afinidade da cidade com o neon nunca desapareceu por completo.
Entre os Andes, a costa e a Amazônia, a arquitetura do Equador evoluiu como um reflexo de sua geografia em camadas, um lugar onde clima, topografia e cultura se encontram. Ao longo do território, a arquitetura tem sido um ato de adaptação: das tradições vernáculas enraizadas no trabalho coletivo e nos materiais locais às influências coloniais e modernistas que redesenharam suas cidades. Essa diversidade gerou sistemas construtivos distintos, de estruturas de bambu e cana na costa a construções de terra e pedra nos Andes, formando um acervo de design adaptativo que continua a influenciar a prática contemporânea.
Contudo, na última década, a arquitetura equatoriana passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. Novos programas acadêmicos e referências internacionais estimularam uma conscientização crescente sobre o clima e a justiça social. Profissionais emergentes da arquitetura estão redefinindo a prática por meio de oficinas, estúdios coletivos e experimentação in loco que atenuam a fronteira entre projeto e ativismo. Longe de focar na arquitetura como um mero objeto, essa nova geração aborda o projeto como um processo — focado na colaboração, na sustentabilidade e na identidade cultural. Seus questionamentos mudaram a linguagem projetual: a pergunta já não é mais o que construir, mas com quem.
Frank Gehry, um dos nomes mais influentes e reconhecidos da arquitetura das últimas seis décadas, faleceu em sua residência em Santa Monica aos 96 anos. Sua chefe de gabinete, Meaghan Lloyd, confirmou que a causa foi uma breve doença respiratória. A morte de Gehry marca a partida de um designer cujo trabalho transformou não apenas a cultura arquitetônica, mas a imaginação global sobre o que um edifício pode ser.
Nos últimos anos, a equipe de curadoria do ArchDaily vem revisitando obras arquitetônicas que merecem um olhar mais atento. Por meio de um post no Instagram chamado "Project Review", descreve-se o que se considera o principal atributo da obra. Ao mergulhar nas histórias dos projetos e nos elementos que os tornam verdadeiramente inspiradores, a curadoria destaca iniciativas que, de outro modo, poderiam passar despercebidas, estudando-as de perto e com atenção à localidade e ao contexto. O resultado é um conjunto de obras diversas, muitas vezes localizadas em áreas rurais ou suburbanas, que possuem uma função pública ou significado histórico.
Embora algumas casas façam parte da lista, a maior parte das análises se volta para centros culturais, bibliotecas, espaços de trabalho ou ambientes comerciais. Destaca-se também o fato de que muitas dessas obras são provenientes da Ásia, incluindo alguns projetos fundamentais na China rural. As escolhas são bastante diversas em termos de materialidade e linguagem de projeto; no entanto, todas propõem soluções arquitetônicas inovadoras e narrativas cativantes.
A Unité d'Habitation de Le Corbusier imaginava um "bairro vertical", um edifício capaz de integrar habitação, comércio, lazer e espaços coletivos em um único organismo estrutural. Na mesma época, Jane Jacobs defendia que a diversidade de usos é o que gera segurança, identidade e vida social ao nível da rua. Mais tarde, Rem Koolhaas, em Delirious New York, descreveu o arranha-céu como um experimento pioneiro de "urbanismo vertical", capaz de empilhar programas incompatíveis sob o mesmo teto. Em cidades como Tóquio e Hong Kong, essa ambição amadureceu em edifícios híbridos complexos, onde diferentes usos — como terminais de transporte, comércio, escritórios, hotéis e habitação — coexistem e interagem continuamente.
Cor do Ano 2026 "Cloud Dancer". Imagem cortesia de Pantone
O Pantone Color Institute apresentou a tonalidade PANTONE 11-4201 Cloud Dancer como a Cor do Ano de 2026, um branco suave selecionado por sua presença discreta e sensação de calma visual. Descrito como equilibrado e leve, o tom surge em um contexto cultural mais amplo, no qual profissionais de design e mentes criativas reavaliam o papel da clareza, da simplicidade e do silêncio espacial. Apresentada como uma cor que se assemelha a uma tela em branco, a Cloud Dancer sinaliza um interesse renovado por ambientes que favorecem a reflexão e uma criatividade ponderada, em vez da aceleração constante.
O Estado do Catar anunciou em 4 de dezembro de 2025 a seleção do Frida Escobedo Studio, juntamente com a equipe de engenharia da Buro Happold e a equipe de paisagismo do Studio Zewde, para projetar a nova sede do Ministério das Relações Exteriores. Com o objetivo de estabelecer uma presença cívica mais visível para o serviço diplomático catariano e oferecer acesso público ao complexo ministerial, o projeto está planejado para um terreno de destaque na orla de Doha, transformando um trecho importante da Corniche da cidade. Situado junto à Baía de Doha, o projeto de 70.000 metros quadrados (750.000 pés quadrados) é concebido como uma combinação de novas construções e a reutilização adaptativa do histórico e modernista edifício do Correio Central (General Post Office) atualmente no local.
Toda arquitetura se fundamenta na terra. Essa matéria-prima maleável e resiliente é a origem das placas cerâmicas extrudadas — a argila transformada de seu estado natural em uma solução arquitetônica sem perder nada de sua autenticidade. O trabalho da Exagres está enraizado nesse material natural, transformando cuidadosamente a argila com precisão técnica e guiando-a nessa jornada em vez de forçá-la.
Encontrar as ferramentas certas para representar a ideia de um projeto ou executar uma obra continua sendo um desafio constante para profissionais de arquitetura e design. Embora softwares de desenho, modelagem 3D e cálculo tenham aumentado a precisão e a eficiência, muitos/as arquitetos/as continuam utilizando ferramentas legadas aprendidas na academia ou na prática — ferramentas que parecem familiares, mas que não oferecem necessariamente a melhor experiência de projeto. De interfaces sobrecarregadas e fluxos de trabalho travados a plug-ins infinitos e ao vaivém constante entre softwares desconectados, as ferramentas tradicionais de projeto costumam revelar sua complexidade e fragmentação.
Atenas destaca-se como uma cidade onde o legado da Antiguidade está entrelaçado em sua paisagem urbana moderna e vibrante. Marcos de renome mundial da Grécia Antiga, como a Acrópole e o Partenon, erguem-se como símbolos duradouros da arquitetura clássica e do rico passado da cidade. Estas estruturas refletem os princípios fundamentais de simetria e equilíbrio que influenciaram gerações de arquitetos e arquitetas e continuam a atrair estudiosos de todo o mundo. No entanto, Atenas é também uma metrópole próspera onde a arquitetura contemporânea coexiste com as suas contrapartes históricas. Desenvolvimentos recentes, liderados por escritórios internacionais e arquitetos e arquitetas locais, focam em sustentabilidade e inovação, ao mesmo tempo em que respeitam o rico patrimônio cultural de Atenas. Esta dualidade — preservar o antigo enquanto acolhe o novo — reflete as aspirações urbanas mais amplas da Grécia, tornando Atenas um ponto focal no discurso arquitetônico global. A evolução arquitetônica da cidade também se estende à sua cena de arquitetura contemporânea e design de interiores, que vem ganhando reconhecimento internacional.
Para celebrar essa evolução arquitetônica, este guia de cidades apresenta os marcos históricos de Atenas ao lado da seleção de projetos do ArchDaily com foco na arquitetura contemporânea e da curadoria do Designboom de designs de interiores inovadores. Juntos, eles destacam o papel de Atenas como um polo de inovação em design.
No Vietnã, a casa-tubo tornou-se praticamente uma tipologia vernacular em cidades densamente povoadas como Hanói e Ho Chi Minh. Essa tipologia originou-se de antigos impostos sobre fachadas e surgiu como uma resposta estratégica à escassez de solo urbano e à otimização da testada do lote para o comércio. Sua estrutura tradicional costuma depender da fachada frontal para obter iluminação natural e ventilação. Quem habita essas residências frequentemente enfrenta o desafio de projetar em espaços delimitados por lotes profundos, testadas estreitas e vizinhos muito próximos, o que restringe a luz natural e a circulação de ar. Para mitigar essa falta crônica de exposição perimetral, os/as arquitetos/as vietnamitas costumam empregar estratégias voltadas à manipulação ambiental interna. Esta seleção de projetos explora casas-tubo com menos de 100 m², onde a escala reduzida impõe uma economia espacial rigorosa e a verticalização das funções, influenciando diretamente as decisões de projeto em cada caso.
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Geração de conceito arquitetônico alimentada por IA. Imagem cortesia do AIRI Lab
À medida que as ferramentas de inteligência artificial avançam sobre as indústrias criativas, a arquitetura se depara com um momento decisivo: como adotar sistemas que ampliem o pensamento de projeto sem desgastar a autoria ou o ofício. Para compreender como a profissão está reagindo, o AIRI Lab realizou uma pesquisa com designers e lideranças de escritórios como LWK+P, MVRDV, Gensler, Büro Ole Scheeren, CUBE, HUAYI, entre outros. Suas respostas revelam uma visão nuançada e pragmática: a IA atua como colaboradora, e não como um substituto.
Em cidades de todo o mundo, as relíquias da produção industrial tornaram-se laboratórios de uma nova condição urbana. Galpões, usinas e estaleiros, outrora símbolos do trabalho e do progresso, hoje se erguem como vastas cascas vazias, à espera de serem reimaginados. Em vez de apagar essas estruturas, arquitetos e arquitetas estão encontrando maneiras criativas de adaptá-las às necessidades contemporâneas, transformando espaços de manufatura em locais de cultura, educação e vida comunitária.
Essa mudança reflete uma transformação mais ampla nas prioridades arquitetônicas: construir menos e reutilizar mais. A prática do reuso adaptativo responde simultaneamente à urgência ambiental e à necessidade de continuidade cultural nos ambientes urbanos.
No dia 21 de novembro de 2025, ocorreu o encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP), a reunião anual dos Estados-membros das Nações Unidas dedicada à negociação de acordos internacionais sobre o clima e à avaliação do progresso global na redução de emissões. Nesta edição, o evento foi realizado em Belém, no Brasil — uma cidade portuária com menos de 1,5 milhão de habitantes, amplamente reconhecida como porta de entrada para a região do baixo Amazonas. Criadas em 1992, as Conferências do Clima da ONU (ou COPs) são um fórum internacional de tomada de decisão multilateral que envolve 198 “Partes” (197 países, a depender das definições, além da União Europeia). Seu objetivo central é avaliar os esforços globais para cumprir a meta principal do Acordo de Paris: limitar o aquecimento global ao mais próximo possível de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O evento reúne líderes e negociadores dos países-membros, representantes do setor privado, jovens, cientistas do clima, povos indígenas e diversos segmentos da sociedade civil em debates essenciais para atingir essa meta. Em 2025, a COP30 foi marcada por fortes críticas às suas relações com a indústria de combustíveis fósseis, por descrições dos acordos como frágeis e insuficientes, e pelo desafio de transformar promessas financeiras em ações concretas — “de compromisso a linha de vida”.
Por muito tempo, a arquitetura foi entendida como uma atividade essencialmente individual, dependente da figura de um gênio criativo e centrada na habilidade de resolver problemas por meio do desenho. Com o tempo, essa imagem começou a se desgastar. O protagonismo outrora concentrado em poucos nomes atingiu seu auge na era dos *starchitects* e, gradualmente, passou a se distribuir entre escritórios, coletivos e equipes multidisciplinares. Hoje, profissionais da arquitetura expandem suas fronteiras para outros campos, como gastronomia, música, design e o ambiente corporativo, aplicando o pensamento espacial para enfrentar desafios de diversas naturezas. À medida que as crises sociais, ambientais e políticas se aprofundam, o papel do/a arquiteto/a continua a evoluir, deixando de lado a autoria solitária para se consolidar em uma atuação baseada na mediação, no ativismo e na agência coletiva de transformação. Essa mudança reflete um despertar ético e o reconhecimento de que o projeto, a regulamentação e o cuidado são dimensões indissociáveis da prática contemporânea.