A seleção deste ano das melhores casas latino-americanas reúne tanto renovações quanto projetos construídos do zero, abarcando reinterpretações de técnicas construtivas locais e respostas arquitetônicas inovadoras. As obras estão situadas em uma ampla variedade de contextos, desde ambientes urbanos densos até paisagens rurais e litorâneas isoladas.
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Vencedor do Primeiro Prêmio: Edge of presence. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do Re-Form: New Life for Old Spaces, um concurso internacional de ideias que investiga o reuso adaptativo de edificações existentes em pequena escala. O certame convidou profissionais de arquitetura e design a propor transformações de estruturas usadas, abandonadas ou negligenciadas com uma área de implantação aproximada de 250 metros quadrados, localizadas em qualquer parte do mundo. Sem terreno ou programa predefinidos, estimulou-se a busca por alternativas à demolição e a novas construções por meio de estratégias de reuso fundamentadas em preocupações sociais e ambientais contemporâneas.
Por ser um concurso de formato aberto, o Re-Form priorizou a sustentabilidade, a viabilidade e o impacto comunitário em detrimento de restrições formais ou tipológicas. As propostas enviadas variaram de inserções urbanas precisas a intervenções rurais mais especulativas, refletindo uma ampla gama de abordagens no trabalho com o tecido preexistente. Muitos projetos focaram em como espaços limitados e, frequentemente, marginais poderiam ser reativados para viabilizar novas formas de uso coletivo, respondendo simultaneamente a condicionantes materiais, climáticas e ecológicas.
O Congresso Mundial de Arquitetos da UIA é um evento internacional de debate arquitetônico organizado pela União Internacional de Arquitetos (UIA), uma organização não governamental que reúne associações nacionais de arquitetos/as de mais de 100 países, representando mais de um milhão de profissionais. O primeiro Congresso de Arquitetos/as da UIA, que também marcou a fundação da instituição, foi realizado em Lausanne em 1948, durante o período de reconstrução do pós-guerra. Desde então, os congressos da UIA acontecem a cada três anos em uma cidade diferente de um país membro, consolidando-se como o principal evento periódico da organização. Em 2026, o Congresso será realizado em Barcelona e, consequentemente, a UNESCO declarou a cidade como a Capital Mundial da Arquitetura de 2026. Cada edição do evento foca em uma questão fundamental para a profissão, articulada por meio de um tema central. Entre os temas recentes estão Copenhague 2023: "Futuros Sustentáveis. Não deixar ninguém para trás" e Rio 2020–2021: "Todos os mundos. Um só mundo." O tema de 2026 será "Becoming. Architectures for a Planet in Transition" (Devir. Arquiteturas para um Planeta em Transição), reunindo figuras de destaque do pensamento e da prática arquitetônica contemporânea para um panorama amplo e crítico sobre os futuros possíveis da arquitetura.
Em toda a América Latina, a reforma tem se concentrado menos na mera preservação e mais na resposta às mudanças nos modos de vida. Em vez de congelar os edifícios no tempo, muitos projetos contemporâneos trabalham com estruturas existentes para adaptá-las a novas rotinas domésticas, dinâmicas sociais e necessidades espaciais. Por meio de alterações estratégicas de materiais, composição, cor e luz, essas intervenções reinterpretam os espaços cotidianos, mantendo uma forte conexão com seu contexto original.
Nesse processo, casas e apartamentos tornam-se palcos de transformação onde o fluxo, a continuidade e os espaços compartilhados são cuidadosamente reconsiderados. A reforma funciona como uma ferramenta arquitetônica precisa, que prioriza a iluminação natural, a abertura e a flexibilidade para acolher a vida cotidiana em constante evolução. Em vez de impor novas formas, esses projetos reaproveitam o que já existe, alinhando as decisões espaciais aos hábitos e rituais de quem neles habita.
O futuro Las Vegas Museum of Art (LVMA) será o primeiro museu independente da cidade, projetado pelo arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, Francis Kéré. No outono de 2024 (hemisfério norte), a prefeitura de Las Vegas cedeu ao LVMA uma área de dois acres no Symphony Park, vizinho ao distrito artístico do centro da cidade, como parte de uma parceria público-privada. O projeto visa atender aos mais de 2.4 milhões de residentes locais, incluindo quase 300 mil estudantes que vivem em um raio de 16 quilômetros do parque, além de dezenas de milhões de visitantes do mundo todo. O edifício de aproximadamente 5.500 metros quadrados foi projetado pelo escritório Kéré Architecture, que se uniu ao Skidmore, Owings & Merrill (SOM) para proporcionar a Las Vegas "um local de encontro para a comunidade e um farol para o mundo cultural", com abertura prevista para 2029.
Em 2025, os projetos de design de maior impacto na Índia desenrolaram-se, em grande parte, longe dos olhos do público. Enquanto a atenção pública convergia para museus, marcos culturais e fachadas de forte apelo visual, a arquitetura que moldou de forma mais decisiva a vida cotidiana situava-se no subsolo, nas franjas urbanas ou no interior de complexos de segurança que poucos habitantes chegariam a adentrar. Redes de esgoto foram reconstruídas, túneis de escoamento de enchentes foram escavados sob bairros densos, subestações foram elevadas acima de planícies de inundação e data centers se multiplicaram pelas paisagens periurbanas. Estas não eram obras periféricas de engenharia; eram os sistemas espaciais que permitiram às cidades indianas manterem-se funcionais sob ondas de calor recordes, monções erráticas e um crescimento urbano acelerado.
Bratislava, a capital de rápido desenvolvimento da Eslováquia—localizada no coração da Europa—continua a fortalecer sua presença no mapa arquitetônico europeu. Como um polo crescente de design contemporâneo—que já abriga projetos de Zaha Hadid Architects, Massimiliano & Doriana Fuksas, Stefano Boeri, Studio Egret West e Snøhetta—, a cidade agora alcançou outro marco importante: foi anunciado um concurso internacional de arquitetura e desenho urbano para moldar o futuro do Zváračák, um dos últimos grandes vazios industriais próximos ao centro da cidade.
O ArchDaily está abrindo uma convocatória global para estudantes de arquitetura e design participarem do Programa de Embaixadores/as Estudantis do ArchDaily, uma iniciativa criada para fortalecer as conexões entre as universidades e a maior plataforma de arquitetura do mundo. O programa convida estudantes motivados/as a se tornarem representantes locais do Student Project Awards, ajudando a ampliar a participação, a visibilidade e o engajamento dentro de suas comunidades acadêmicas, ao mesmo tempo em que contribuem para um diálogo global mais amplo sobre o ensino de arquitetura.
O Programa de Embaixadores/as Estudantis do ArchDaily é uma iniciativa global projetada para capacitar estudantes a representar e promover o Student Project Awards e a missão educacional mais ampla do ArchDaily em suas respectivas universidades. Atuando como uma ponte entre o ArchDaily e as comunidades acadêmicas, as pessoas embaixadoras ajudam a conscientizar, incentivar a participação e promover um engajamento significativo entre estudantes, ateliês e corpo docente. Os/as participantes selecionados/as receberão uma assinatura gratuita do ArchDaily durante o período de sua atuação e terão acesso exclusivo a uma rede global de arquitetura e novos aprendizados.
Em 2025, o campo da arquitetura foi marcado por um calendário intenso de exposições, por uma desaceleração moderada na construção civil em diversas regiões e por um período de reflexão que examina o impacto da inteligência (artificial e natural) — tanto na prática profissional e na cultura do ambiente de trabalho quanto em seu uso como ferramenta pedagógica. Ao longo deste ano, o ArchDaily publicou mais de 30 entrevistas em diversos formatos — perguntas e respostas, conversas presenciais, vídeos especiais e muito mais. Esses diálogos abordaram temas como sustentabilidade e natureza, habitação e desenvolvimento urbano, IA e inteligência, reuso adaptativo e vida pública, além de terem acompanhado de perto importantes plataformas de exposição, incluindo a Bienal de Veneza, a Expo 2025 Osaka, a Semana de Design de Milão, o Concentrico, entre outras.
Em meio a inúmeras perguntas, reflexões e debates sobre como repensar o que um hotel pode ser, a arquitetura hoteleira atual enfrenta complexidades crescentes que abrangem a experiência do/a usuário/a, a responsabilidade ambiental e a relação com o contexto local. O design contemporâneo de hotéis demonstra uma intenção clara — e cada vez mais proeminente — de se integrar de forma fluida e harmoniosa ao seu entorno, construindo um senso de identidade que responde às culturas, tradições e ao caráter local. A interconexão com a natureza, somada à reinterpretação dos hotéis como espaços de diálogo com o entorno, estabelece uma relação direta que expande seus limites para além da história e das origens das diversas práticas que moldaram — e continuam a definir — suas características locais e filosofia de vida.
Em uma época em que muitos hotéis são projetados para parecerem destinos, o verdadeiro desafio é conceber hotéis que surjam organicamente de seu destino. No entanto, como integrar projetos urbanos de grande escala em paisagens sensíveis sem descaracterizá-las? Como é possível construir com alta densidade preservando um senso de intimidade e criar identidade em locais que já carregam um forte caráter local?
As notícias de arquitetura desta semana refletem um amplo engajamento sobre como instituições, profissionais e plataformas culturais estão se posicionando em relação ao legado histórico e às transformações de longo prazo. Em museus, galerias e grandes eventos culturais, a arquitetura vem sendo apresentada como uma infraestrutura pública em constante evolução, que precisa responder a acervos em expansão, novos modelos curatoriais e demandas crescentes por acessibilidade, sustentabilidade e presença cívica. Paralelamente a esses desenvolvimentos institucionais, reconhecimentos e nomeações profissionais destacam práticas fundamentadas na especificidade do local, na conservação e em pesquisas críticas, evidenciando o papel da arquitetura na mediação entre contextos históricos e demandas contemporâneas.
O dia 18 de dezembro marca o Dia Internacional dos Migrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), que visa destacar a necessidade de sistemas de migração mais seguros, justos e inclusivos. Proclamada em 4 de dezembro de 2000, a data busca reconhecer as múltiplas dimensões da migração para além de seus aspectos econômicos e humanitários. Segundo a ONU, evidências crescentes indicam que a migração internacional beneficia tanto os países de origem quanto os de destino. Nesse sentido, o Dia Internacional dos Migrantes oferece uma oportunidade para destacar o valor da possibilidade de migrar e as contribuições de milhões de pessoas migrantes em todo o mundo para as cidades e culturas em que estão integradas.
Alinhado a essa perspectiva, o tema de 2025 da ONU, "Minha Grande História: Culturas e Desenvolvimento", enfatiza como a mobilidade humana impulsiona o crescimento, enriquece as sociedades e ajuda as comunidades a se conectarem, adaptarem e apoiarem mutuamente. Ao mesmo tempo, o Dia Internacional dos Migrantes também reconhece o cenário cada vez mais complexo em que a migração ocorre. Conflitos, desastres climáticos e pressões econômicas continuam a forçar milhões de pessoas a deixar suas casas em busca de segurança ou oportunidades. Sob ambas as perspectivas, é essencial reconhecer o papel da arquitetura na construção de comunidades integradas e multiculturais, bem como na resposta às condições que levam as pessoas a migrar de seus territórios de origem.
Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Quem projeta a arquitetura hoje? Em um panorama profissional cada vez mais definido por fluxos de trabalho colaborativos, softwares gerativos e equipes distribuídas, a figura do/a arquiteto/a como autor/a criativo/a singular parece tanto anacrônica quanto insuficiente. Este artigo defende que a autoria arquitetônica não é mais um ato individual, mas sim uma condição coletiva e distribuída, moldada por instituições, tecnologias e formas compartilhadas de trabalho. A transição da autoria individual para a coletiva não é mera consequência de escritórios maiores ou de ferramentas digitais; ela sinaliza uma mudança estrutural profunda no modo como a arquitetura é produzida, comunicada e validada.
La Sagrada Família, de Antoni Gaudí. Imagem de Maksim Sokolov, via Wikimedia Commons, Licença CC BY-SA 4.0
À medida que 2025 se aproxima do fim, aguardamos ansiosamente por 2026, um ano que promete a entrega de uma série diversa de projetos arquitetônicos de grande relevância ao redor do mundo. O período se destaca especialmente pela conclusão de importantes obras de infraestrutura e equipamentos culturais, incluindo projetos de longa duração que finalmente chegam à etapa final. A Europa estará em evidência com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026. O evento contará com projetos como a Vila Olímpica, assinada por SOM, e a Arena Olímpica de Inverno, projetada por David Chipperfield Architects. Ainda em Milão, BIG deve concluir o City Wave, parte de um novo distrito de negócios da cidade. Paralelamente, após mais de 140 anos desde o início de sua construção, arquitetos do mundo todo acompanham com expectativa a tão aguardada conclusão da Sagrada Família, de Antoni Gaudí, em Barcelona, prevista para 2026.
O Kistefos Museum anunciou o escritório suíço de arquitetura Christ & Gantenbein como o vencedor do seu concurso internacional de projeto para um novo edifício de museu no terreno do Kistefos em Jevnaker, cerca de uma hora ao norte de Oslo. Concebido como uma nova e importante adição a um dos principais parques de esculturas e destinos culturais da Europa, o projeto tem abertura prevista para 2031 e abrigará a coleção de arte do fundador e colecionador do Kistefos, Christen Sveaas, por meio da Fundação de Arte Christen Sveaas. Após o anúncio, o Christ & Gantenbein trabalhará em conjunto com o Kistefos Museum para desenvolver o projeto conceitual rumo à sua execução.
A 8ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa está programada para ocorrer no outono de 2028. Assim como nas edições anteriores, o processo de curadoria começa com três anos de antecedência, garantindo tempo para desenvolver plenamente o projeto e dar continuidade ao trabalho das trienais passadas. A 7ª edição, com curadoria de Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, fundadores do Territorial Agency, ocorreu de 2 de outubro a 8 de dezembro de 2025. O evento foi estruturado em torno da pergunta "Qual é o peso de uma cidade?", propondo uma compreensão das cidades não como objetos estáticos, mas como sistemas dinâmicos que se estendem além dos limites urbanos em direção à atmosfera, aos oceanos e ao tempo profundo. Essa abordagem foi explorada por meio de três exposições principais — Fluxes, Spectres e Lighter —, além de um conjunto mais amplo de iniciativas. Com a conclusão da 7ª edição, a Trienal anunciou o arquiteto e acadêmico português Joaquim Moreno como curador-geral da próxima edição, responsável por desenvolver um novo projeto curatorial para o evento.
O fenômeno conhecido na biologia como evolução convergente descreve como espécies distantes podem desenvolver estruturas semelhantes ao enfrentarem desafios comparáveis. Golfinhos e ictiossauros, por exemplo, são separados por milhões de anos de história evolutiva, mas ambos desenvolveram corpos hidrodinâmicos quase idênticos. A arquitetura tem seus próprios paralelos: as estruturas em pórtico (A-frame) surgiram de forma independente tanto nos Alpes europeus quanto no Japão, mesmo sem intercâmbio cultural direto, como respostas espontâneas à neve, ao vento e à escassez de recursos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142786/tendencias-arquitetonicas-convergentes-em-2025-circularidade-biomateriais-e-design-consciente-de-carbonoArchDaily Team
Bolete Lounge BIO®. Imagem cortesia de Andreu World
Qual é o panorama global atual sobre a reciclabilidade dos materiais utilizados na arquitetura? Até que ponto as sociedades contemporâneas estão realmente comprometidas em reduzir o impacto ambiental? No esforço para viver em equilíbrio com a natureza, a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis é uma das principais estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global. Buscar inspiração na natureza como forma de protegê-la significa criar projetos que incorporem sustentabilidade, circularidade e reciclabilidade desde o primeiro esboço. Dos sistemas construtivos aos acabamentos de superfície, o uso de biomateriais na arquitetura reflete uma mentalidade baseada na responsabilidade de longo prazo pelo ciclo de vida completo do material.
O escritório Studioninedots está liderando a transformação de uma antiga fábrica de tabaco de 200 anos de idade no Niemeyer, um complexo urbano de uso misto que abrigará inovação digital, espaços culturais, hotelaria, educação e manufatura dentro das edificações industriais existentes. Localizado na Paterswoldseweg em Groningen, nos Países Baixos, o projeto de 38.000 m² foi encomendado pela MWPO, com a MWPO e o Campus Groningen atuando conjuntamente como clientes das Instalações Compartilhadas. Atualmente na fase de projeto (2023–2025), o cronograma preliminar indica um início de construção em fases, começando pela seção sul da fábrica em 2026, seguida pela seção norte em 2027. A proposta do escritório com sede em Amsterdã abre ao público o conjunto industrial outrora fechado, introduzindo cafés, galerias, oficinas e espaços de trabalho compartilhado distribuídos por ruas internas e áreas de parques adjacentes.