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Transformações patrimoniais, novas capitais e inovações residenciais: O resumo da semana

Lúdico e irônico: o legado da arquitetura pós-moderna nos Estados Unidos

O Pós-Modernismo nos Estados Unidos transformou a arquitetura em um palco para a memória cultural, a ironia e o patrimônio em um momento no qual o ambiente construído se tornava menos cívico e mais comercial e curado. No final do século XX, o investimento em arquitetura não se centrava mais em instituições públicas monumentais ou no compromisso federal compartilhado com o espaço cívico. O desenvolvimento privado, a expansão corporativa e os ambientes de consumo moldavam cada vez mais as cidades por todo o país. Os edifícios assumiram um novo papel como imagens culturais, dos quais se esperava tanto a comunicação de identidade e significado quanto o atendimento a uma função.
O Pós-Modernismo começou como uma crítica às promessas esgotadas do modernismo. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, muitos/as designers já não tratavam o modernismo como algo radical ou socialmente redentor. Os projetos de renovação urbana aceleraram a demolição de bairros históricos, e as batalhas pela preservação do patrimônio levantaram questões urgentes sobre o que os Estados Unidos valorizavam e, em última análise, protegiam. A perda de grandes ícones cívicos, incluindo a Penn Station de Nova York, aguçou a consciência pública de que o progresso muitas vezes ocorre por meio do apagamento. Em Chicago, o arquiteto e provocador Stanley Tigerman capturou esse sentimento de ruptura em sua fotomontagem de 1978, The Titanic, que retrata o Crown Hall de Mies van der Rohe afundando no Lago Michigan, uma imagem contundente do colapso simbólico do modernismo. Os/as arquitetos/as pós-modernos/as trabalharam em meio a essa turbulência, moldados/as por choques econômicos, excessos corporativos, transformações na produção cultural e um ceticismo crescente em relação às grandes soluções arquitetônicas.
Vencedores do Denver Affordable Housing Challenge são revelados pela Buildner e pelo AIA Colorado

A Buildner, em colaboração com a Cidade e o Condado de Denver e o AIA Colorado, anunciou os vencedores do Denver Affordable Housing Challenge, um concurso internacional de ideias que investiga como a acessibilidade econômica e a excelência no design podem se fortalecer mutuamente dentro do contexto urbano, social e ambiental específico de Denver.
Como a décima nona edição da série Affordable Housing Challenge da Buildner, o concurso convidou profissionais de arquitetura e design de todo o mundo a responderem à crise habitacional de Denver por meio de propostas que operassem em escalas arquitetônica, urbana e sistêmica. O edital não prescreveu um terreno ou tipologia únicos; pelo contrário, incentivou estratégias flexíveis capazes de abordar a acessibilidade econômica, a resiliência climática e o impacto comunitário, ao mesmo tempo em que contribuíssem positivamente para a identidade urbana de Denver.
Conheça os 75 finalistas do Prêmio ArchDaily Building of the Year 2026

Duas semanas e mais de 85.000 indicações depois, foram definidos os finalistas do Building of the Year Awards deste ano. A seleção reflete o perfil do próprio público do ArchDaily que a escolheu: geograficamente diversa, generosa em ideias e precisa em suas intenções. Reunindo projetos de 46 países, em uma ampla variedade de tipologias e escalas, a lista apresenta um belo panorama do momento atual da arquitetura.
Convidamos você a navegar pela seleção e votar em seus projetos favoritos. Abaixo, apresentamos os 75 finalistas divididos em suas respectivas categorias. A votação estará aberta até o dia 18 de fevereiro, às 18:00 EST. Agradecemos a sua participação — ela é fundamental para consolidar este como o maior prêmio de arquitetura do mundo decidido pelo público.
Sanatório Druzhba: um monumento soviético suspenso entre a terra e o mar

Empoleirado sobre as falésias da Crimeia, o Sanatório Termal Druzhba assemelha-se menos a um edifício e mais a uma espaçonave que acabou de pousar. Suas formas circulares, deques suspensos e rampas em espiral evocam uma cena de Solaris (1972), de Andrei Tarkovsky, onde arquitetura e psicologia se fundem em uma única paisagem. Construído entre 1978 e 1985 por Igor Vasilevsky, o complexo foi concebido como um balneário termal para profissionais da indústria petrolífera, integrando a vasta rede de sanatórios da União Soviética dedicados à saúde e ao lazer.
Para além de sua função como local de recuperação, o Druzhba (cujo nome significa "amizade") personificava uma ambição política e estética mais ampla. O projeto buscava fundir a proeza tecnológica com os ideais restaurativos da modernidade socialista, traduzindo o bem-estar coletivo em forma concreta. Erguendo-se sobre uma encosta costeira íngreme com vista para o Mar Negro, sua estrutura maciça desafia a gravidade, sustentada por um núcleo central de concreto do qual se projetam alas radiais como as pás de uma enorme engrenagem. Visto à distância, o conjunto parece simultaneamente mecânico e orgânico, um híbrido entre infraestrutura e paisagem.
Cozinha como Espaço Social: Rituais Cotidianos e a Construção do Lugar

Pode a arquitetura ser construída a partir da comida? Entre o fogo que aquece, os cheiros que se espalham e os corpos que se reúnem em torno da mesa, a aparente banalidade dos atos de cozinhar e comer revela-se como uma dança coreografada de apropriação e pertencimento espacial. São gestos que organizam rotinas, produzem vínculos e transformam o ambiente construído em lugar vivido. A cozinha — doméstica, comunitária ou urbana — deixa, assim, de ser apenas um espaço funcional para afirmar-se como território de encontro.
Quem deve ganhar o Prêmio Pritzker de 2026?

À medida que a comunidade da arquitetura volta suas atenções para o anúncio do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026, a expectativa cresce mais uma vez em torno de quem será nomeado/a o/a laureado/a deste ano. Embora a data oficial ainda não tenha sido confirmada, a revelação anual tradicionalmente ocorre no início de março, marcando um dos momentos mais aguardados do calendário arquitetônico. Criado em 1979 pela Fundação Hyatt, o Prêmio Pritzker de Arquitetura é amplamente considerado "a maior honraria da profissão". A cada ano, a premiação homenageia um/a arquiteto/a, ou arquitetos/as, vivo/as cuja obra demonstre uma contribuição consistente e significativa para a humanidade e para o espaço construído. Ao longo das décadas, o prêmio tem refletido a mudança de prioridades na disciplina, destacando práticas comprometidas com a equidade social, a responsabilidade ambiental, a experimentação material e a continuidade cultural.
World Monuments Fund apoia 21 projetos de patrimônio liderados localmente que abordam riscos climáticos e a perda de conhecimentos indígenas

World Monuments Fund (WMF) é uma organização independente dedicada a salvaguardar lugares de grande valor em todo o mundo que enriquecem vidas e promovem a compreensão mútua entre culturas e comunidades. No dia 10 de fevereiro, o WMF anunciou um compromisso de US$ 7 milhões para apoiar 21 projetos de preservação do patrimônio que serão lançados em 2026. Esses investimentos impulsionam o trabalho em locais incluídos no 2025 World Monuments Watch, o programa de defesa do WMF baseado em indicações, ao mesmo tempo em que apoiam novas fases de conservação, planejamento e capacitação em outros sítios patrimoniais em cinco continentes. Os locais selecionados refletem uma ampla variedade cronológica e geográfica, desde paisagens culturais antigas até marcos arquitetônicos modernos. Os projetos destacam a diversidade do patrimônio global, abrangendo desde jardins mogóis e complexos religiosos otomanos até cinemas modernistas, paisagens de mineração industrial, rotas culturais indígenas e santuários sagrados, evidenciando o conhecimento cultural de longo prazo incorporado em sua preservação.
Hotéis tropicais na Costa Rica: seis projetos para explorar a arquitetura sensível ao clima na América Central

In no coastal and jungle regions of Costa Rica, high humidity and intense solar radiation dictate an architectural strategy centered on permeability rather than enclosure. Unlike the airtight envelopes required in cold climates to retain heat, Costa Rican architecture uses the building envelope as a climatic filter to maximize air exchange. The primary mechanism for managing these thermal gradients seems to be the oversized roof overhang. By extending the roof plane significantly beyond the floor plate, architects create a permanent buffer of deep shade that reduces solar gain and lowers the ambient temperature before air enters the structure. This strategy, combined with permeable or non-existent walls, allows for constant airflow. This is a critical technical requirement for humidity control and the prevention of material degradation through mold and rot.
Projetar com o que existe: Expansão da sede da Rieder transforma materiais residuais em design de fachada

E se as sobras industriais não fossem resíduos, mas o ponto de partida do projeto de arquitetura? Na sede da Rieder em Maishofen, na Áustria, mais de 1.300 metros cúbicos de madeira, 180 elementos de teto e centenas de fragmentos reciclados de concreto reforçado com fibra de vidro se unem em um edifício moldado tanto pelo reúso quanto pelo planejamento. O novo pavilhão de produção, projetado pelo escritório Kessler² Architecture, trata as sobras de materiais como recurso de projeto. Desenvolvido como parte de um investimento de longo prazo em manufatura sustentável, o edifício híbrido de madeira e concreto introduz uma técnica de fachada que inverte os fluxos de trabalho convencionais da arquitetura: em vez de projetar primeiro para depois produzir os componentes, o envelope do edifício é gerado a partir dos resquícios de materiais já disponíveis no local, estabelecendo uma nova linguagem para a arquitetura industrial.
Mediação Material e Patrimônio Arquitetônico

Preservar edifícios históricos exige responder simultaneamente a demandas técnicas, ambientais e regulatórias, mantendo a continuidade material, cultural e simbólica do que já existe. À medida que se consolida o entendimento de que o edifício mais sustentável é aquele que já está de pé, e de que a preservação envolve também o saber construtivo, as tradições materiais e as redes sociais de onde surgiram, essas mesmas edificações são cada vez mais confrontadas com parâmetros contemporâneos rigorosos. Eficiência energética, segurança, redução de emissões de carbono e conformidade normativa tornaram-se referências incontornáveis, colocando a arquitetura diante de uma tensão central: como atualizar o que já existe sem romper a continuidade que sustenta seu valor patrimonial.
Níall McLaughlin Architects vence concurso internacional para o Museu do Batismo de Jesus em Betânia, Jordânia

Após a divulgação das sete propostas finalistas em 2025 em uma galeria online, a Fundação para o Desenvolvimento das Terras Adjacentes ao Sítio do Batismo anunciou o vencedor do concurso internacional de projetos para o Museu do Batismo de Jesus em Betânia, Jordânia. Gerenciado pela Malcolm Reading Consultants, o concurso por convite, com duração de seis meses, reuniu equipes multidisciplinares lideradas por arquitetos/as para projetar um museu e um projeto paisagístico que respondessem ao caráter sagrado de Al-Maghtas, um Patrimônio Mundial da UNESCO. Após entrevistas com as equipes finalistas realizadas por um Painel Consultivo internacional, o grupo liderado pelo escritório Níall McLaughlin Architects (NMLA) foi selecionado como vencedor do concurso.
Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 são abertos oficialmente com o lançamento de eventos urbanos por toda a Itália

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 foram oficialmente abertos na sexta-feira, 6 de fevereiro, com uma cerimônia realizada em quatro locais no norte da Itália. O principal evento de abertura ocorreu no Estádio San Siro, um dos marcos modernistas mais significativos de Milão, unindo dança e artes performáticas em uma homenagem à cultura italiana, com apresentações de artistas internacionais, incluindo a estrela pop Mariah Carey. Embora diversas competições já tivessem começado no dia 4 de fevereiro, a cerimônia de abertura marcou o início de um programa mais amplo de eventos esportivos, sociais e culturais distribuídos por Milão e pelas três regiões alpinas anfitriãs: Cortina d'Ampezzo, Valtellina e Val di Fiemme. Os Jogos estão programados para seguir até 22 de fevereiro, encerrando-se com uma cerimônia de encerramento na Arena de Verona, antecedendo os Jogos Paralímpicos, que ocorrerão de 6 a 15 de março. Como um evento internacional de grande escala, as Olimpíadas impõem demandas significativas sobre a infraestrutura esportiva, redes de transporte, hospedagem e capacidade turística, oferecendo os primeiros indícios dos impactos urbanos, arquitetônicos e territoriais de longo prazo que os Jogos podem deixar para trás.
Além da sala de aula: seis projetos não construídos que repensam a arquitetura educacional

A arquitetura educacional continua sendo um terreno fértil para a exploração de propostas não construídas, oferecendo uma perspectiva de como os ambientes de aprendizagem podem evoluir em sintonia com as transformações nos valores sociais, ecológicos e pedagógicos. Nesta seleção de projetos não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, as propostas reunidas examinam escolas, bibliotecas, creches e centros acadêmicos como estruturas espaciais voltadas para o cuidado, o conhecimento e o crescimento coletivo. Em vez de tratar a educação como um programa estático abrigado em edifícios isolados, estes projetos abordam os espaços de aprendizagem como ambientes adaptáveis, moldados pela paisagem, pelo clima e pelas interações humanas.
Em diferentes geografias — de encostas mediterrâneas e pátios da Europa Central a cidades tropicais e modelos de campus distribuídos —, as propostas exploram diversas respostas arquitetônicas para a educação contemporânea. Elas variam desde jardins de infância em escala infantil, organizados em torno de árvores e claustros, até bibliotecas concebidas como paisagens cívicas, edifícios acadêmicos focados na biodiversidade e escolas pensadas como sistemas urbanos caminháveis.
Rituais Matinais: Arquitetura dos Espaços de Café da Manhã

Os cantos de café da manhã surgiram no início do século XX em resposta ao aumento da densidade doméstica e às mudanças nas concepções sobre a vida cotidiana. Com raízes no movimento Arts and Crafts americano e popularizados pelas casas tipo bangalô das décadas de 1910 e 1920, eles evoluíram da mais formal sala de café da manhã vitoriana para espaços compactos e integrados, embutidos na cozinha. À medida que as casas se tornavam menores e mais econômicas, arquitetos/as e marcenarias utilizaram bancos e mesas fixos para ocupar cantos, alcovas e janelas de bay window que, de outro modo, seriam ineficientes. Esses nichos iluminados ofereciam uma maneira acessível de concentrar as atividades diárias, preservando o conforto e a clareza espacial.
Buildner anuncia os(as) vencedores(as) do concurso Architect’s Chair #4 e lança a 5ª edição

A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da Architect's Chair Competition Edition 4, um concurso internacional anual que convida arquitetos/as e designers de todo o mundo a enviar propostas para uma cadeira autoral. Seguindo os passos de figuras icônicas como Charles e Ray Eames, Ludwig Mies van der Rohe, Marcel Breuer e Arne Jacobsen, os/as participantes têm a tarefa de criar cadeiras personalizadas que reflitam suas filosofias e visões de design únicas.
WEISS/MANFREDI revela projeto atualizado para a transformação do La Brea Tar Pits em Los Angeles

Novas projeções em 3D divulgadas pelo escritório WEISS/MANFREDI revelam os planos atualizados para a transformação em andamento do La Brea Tar Pits em Los Angeles, um projeto de redesenho abrangente que integra o museu, o paisagismo e as áreas de escavação ativas em um campus contínuo, público e voltado para a pesquisa. Paralelamente à atualização do projeto, o Natural History Museums of Los Angeles County (NHM) anunciou a criação do Samuel Oschin Global Center for Ice Age Research, uma nova iniciativa apoiada pela Samuel Oschin Family Foundation que impulsiona a reestruturação de longo prazo do local. O projeto de transformação é liderado pelo escritório WEISS/MANFREDI como responsável pelo design do museu e do parque, com a Gruen Associates atuando como arquiteta executiva e paisagista, e a Kossmanndejong (KDJ) encarregada do projeto expográfico. Os esforços de captação de recursos estão em andamento, e a conclusão do projeto está prevista para antes dos Jogos Olímpicos de 2028 em Los Angeles.
Exposição da sauerbruch hutton em Paris explora o potencial técnico e atmosférico da madeira

A recém-inaugurada exposição matière en résonance ("matéria em ressonância") reúne uma ampla variedade de maquetes e uma seleção curada de fotografias para apresentar a constante exploração da madeira pelo escritório sauerbruch hutton. A mostra parte do pressuposto de que, embora a era do concreto tenha definido o século XX, o início do século XXI testemunha um ressurgimento global da madeira, um material construtivo muito mais antigo. A madeira é apresentada como uma alternativa que oferece "uma versão diferente de modernidade", sendo objeto de um interesse renovado que desperta imaginários coletivos de longa data. Há mais de duas décadas, o escritório de arquitetura sediado em Berlim explora as possibilidades da construção em madeira, desde elementos de fachada até estruturas autoportantes e sistemas modulares. A exposição reflete os resultados dessa investigação contínua, evidenciando tanto a inovação técnica quanto as qualidades intrínsecas da madeira em diversos contextos europeus. A mostra estará em exibição de 3 a 28 de fevereiro de 2026 na Galerie d'Architecture de Paris.
Quando a arte veio primeiro: experimentos espaciais que moldaram a arquitetura na América Latina

Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.
Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.
Repensando as superfícies internas, dos acabamentos às estruturas

Projetar um espaço interno é, de muitas maneiras, um exercício de orquestração. Assim como um/a maestro/a coordena instrumentos, timbres, ritmos e intensidades para compor uma peça coerente, o/a arquiteto/a reúne materiais, cores, luz, textura e proporção para definir a qualidade espacial e a atmosfera de um ambiente. Nenhuma dessas decisões funciona isoladamente: a escolha de uma superfície influencia o modo como a luz é refletida; um determinado material pode moldar o envelhecimento do espaço ao longo do tempo; a cor, por sua vez, afeta diretamente a percepção de escala.
Materiais derivados de madeira, tais como painéis de partículas de madeira (MDP) decorativos, painéis de MDF ou laminados, podem, portanto, ser compreendidos como mais do que simples acabamentos. Produzidos industrialmente, eles combinam a seleção de padrões decorativos, textura superficial e substrato técnico, definindo tanto sua aparência quanto a maneira como o espaço responde ao uso, à luz e ao tempo. Fatores como estabilidade dimensional, facilidade de manutenção e resistência ao desgaste tornam-se parte integrante das decisões projetuais, sobretudo em interiores sujeitos a uso intensivo.
Saúde, habitat e infraestrutura cívica: projetando a cidade como um parque nacional

Cidades em todo o mundo compartilham um objetivo comum: tornarem-se mais saudáveis e verdes, apoiadas por uma infraestrutura cívica que restaure ecossistemas e fortaleça a vida pública. A questão é como alcançar esse objetivo. Metas climáticas globais, códigos de obras locais e normas municipais orientam cada vez mais os/as profissionais de design e planejamento rumo a melhores escolhas. Contudo, muitas cidades ainda enfrentam dificuldades para traduzir essas diretrizes em conforto cotidiano ao nível da rua e em proteção ecológica de longo prazo. O que acontece se a cidade deixar de ser tratada como uma cidade tradicional e passar a ser vista como um parque nacional?
Os parques nacionais operam por meio de sistemas de proteção que tratam o território como uma rede de relações ecológicas, e não como uma coleção de áreas isoladas. Eles estabelecem uma base comum sobre o que deve ser preservado, mantido e tornado acessível ao longo do tempo. Quando essa lógica é aplicada ao ambiente urbano, o sucesso dessa abordagem pode inspirar orgulho e um senso de responsabilidade compartilhada entre projetistas, formuladores/as de políticas públicas e moradores/as, fomentando um compromisso coletivo com a saúde, o habitat e a infraestrutura cívica.
9 m³ de Sobrevivência: Por Dentro da Espaçonave Orion e a Arquitetura das Viagens Espaciais

Era julho de 1969 e os habitantes do planeta Terra estavam prestes a presenciar um momento histórico para a humanidade: a primeira vez que um ser humano pisaria na superfície da Lua a bordo da missão Apollo 11. Após esse marco, a NASA pousou na superfície lunar mais cinco vezes, sendo a última com a Apollo 17, em 1972. Desde então, a humanidade não tentou retornar à Lua — até este ano de 2026, quando lançará a nave espacial Orion como parte da Missão Artemis II. Com lançamento planejado entre fevereiro e abril de 2026, a Orion ainda não levará pessoas para pousar na Lua; em vez disso, fará um voo de sobrevoo para testar softwares e sistemas. Esse teste servirá de base para um pouso humano real no Polo Sul da Lua como parte da Artemis III, previsto para ocorrer entre 2027 e 2028, inaugurando, em última análise, uma nova era no projeto arquitetônico extraterrestre.
Tons profundos e raízes naturais: 22 casas em Shou Sugi Ban nos Estados Unidos e Canadá

O Shou Sugi Ban é uma técnica tradicional japonesa de preservação de madeira que consiste na carbonização da superfície para a criação de uma camada protetora. Embora suas origens estejam enraizadas na durabilidade prática, o método foi amplamente adaptado ao ambiente construído moderno, definindo uma estética singular e marcante. Trata-se de um material contraditório: ao mesmo tempo que se impõe visualmente por seus tons escuros, ele também se apropria de seu entorno natural e o complementa, permitindo que as casas se insiram discretamente na paisagem.
O acabamento carbonizado das 22 residências selecionadas no Canadá e nos Estados Unidos serve como um fio condutor para lidar com climas extremos. De margens de lagos úmidas a florestas densas, a pele carbonizada atua como um escudo resistente contra as mais diversas intempéries. Indo além da mera proteção, estas casas demonstram como a textura do material se transforma sob a exposição à luz, passando de um tom fosco e plano na sombra para uma superfície cintilante, salpicada de prata, sob o sol direto. Os projetos também evidenciam a capacidade da técnica de definir volumes arquitetônicos, utilizando o revestimento escuro para criar silhuetas monolíticas precisas ou para destacar os vazios na volumetria do edifício, como recuos de entrada e terraços protegidos.
Semeando o futuro e redefinindo o impacto da arquitetura

O que importa mais: olhar para o passado ou para o futuro? Reconhecer trajetórias consolidadas ou fomentar caminhos ainda em construção? Talvez esta não seja uma pergunta com resposta única. Tradicionalmente, os prêmios de arquitetura funcionam como dispositivos de consagração, reconhecendo obras concluídas, carreiras consolidadas e soluções já testadas, na maioria das vezes sob uma perspectiva retrospectiva. Mas o que aconteceria se o reconhecimento deixasse de ser um fim em si mesmo e passasse a funcionar como um agente catalisador, investindo menos no que já foi feito e mais no que está por vir?















