A magia da arquitetura indiana reside em uma ordem invisível em meio ao caos visceral. Quando um futuro incerto bate à porta de profissionais locais, abre-se a possibilidade de olhar para dentro das próprias quatro paredes em busca de uma oportunidade de reinterpretação.
Mumbai, Déli, Bengaluru e outras grandes metrópoles são frequentemente descritas como carentes de soluções habitacionais massivas para milhões de pessoas. A resposta instintiva é previsível — planos diretores, torres densas e unidades padronizadas sobrepostas a um desenvolvimento desordenado. Esse léxico ignora uma verdade mais profunda sobre como as pessoas já vivem, trabalham e constroem na Índia. Os termos simplistas adotados em políticas públicas e no planejamento urbano — favela, assentamento informal, colônia irregular — sugerem um estado temporário a ser corrigido. O olhar do/a designer, contudo, enxerga esses lugares como histórias urbanas em camadas, moldadas pela necessidade.
Outrora um assentamento najdi definido por muralhas de tijolos de adobe e casas com pátio, Riade passou por uma das transformações urbanas mais radicais dos séculos XX e XXI. A descoberta de reservas de petróleo, a consolidação do poder político e a rápida expansão da infraestrutura remodelaram a cidade, transformando-a de uma capital regional em uma metrópole em expansão em praticamente uma única geração. Como consequência, a malha urbana de Riade é marcada por descontinuidades, onde fragmentos de arquitetura vernacular coexistem com o modernismo institucional de meados do século e um skyline contemporâneo em rápida evolução.
Nas últimas décadas, essa condição estratificada foi ainda mais intensificada por estratégias de desenvolvimento em grande escala e programas de investimento cultural que posicionam a arquitetura como uma ferramenta para redefinir a identidade nacional. Escritórios internacionais desempenharam um papel decisivo na configuração de importantes instituições, infraestruturas e marcos urbanos, ao passo que estúdios locais contribuem cada vez mais com projetos que reinterpretam o clima, a materialidade e o espaço social dentro de uma perspectiva contemporânea.
Estrutura da Casa. Imagem cortesia de IGArchitects
Fundado em 2020 por Masato Igarashi, o IGArchitects é um escritório de arquitetura com sede em Tóquio e Saitama, no Japão. O estúdio, um dos vencedores do Next Practices Awards 2025 do ArchDaily, explora uma arquitetura perene por meio de um tratamento cuidadoso, porém assertivo, da estrutura, da escala e da materialidade. Antes de estabelecer seu próprio escritório, Igarashi trabalhou na empresa de grande porte Shimizu Sekkei, bem como no Suppose Design Office, adquirindo experiência em projetos que variam de grandes empreendimentos a obras menores e conceituais. Essa amplitude de experiência continua a informar o foco atual do IGArchitects na arquitetura residencial e comercial em todo o Japão.
Zhu Pei é um arquiteto chinês nascido em 1962 em Pequim. Estudou na Universidade Tsinghua e na UC Berkeley, e fundou o Studio Zhu Pei em 2005. O trabalho experimental e as pesquisas do escritório têm como foco a arquitetura contemporânea, a arte e os projetos culturais. Com uma abordagem artística e exploratória, o estúdio investiga a relação entre as raízes que ancoram a arquitetura em contextos naturais e culturais específicos e a inovação que a impulsiona como uma forma de revolução artística. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, Zhu Pei descreve a arquitetura como uma disciplina artística que, assim como a poesia, depende da abertura, da imaginação e da criação de novas experiências. Ele argumenta que a grande arquitetura vai além da resolução de problemas funcionais ao gerar um senso de maravilhamento por meio de sua capacidade de "inventar" e "criar algo novo, uma nova experiência", posicionando a prática arquitetônica como uma exploração cultural e sensorial, em vez de uma produção puramente técnica.
O ArchDaily está expandindo sua equipe de produto e busca um/a Product Manager adicional para auxiliar na expansão do nosso portfólio. Atuando na interseção entre conteúdo, tecnologia e o ambiente construído, essa função oferece a oportunidade de contribuir diretamente para a plataforma de arquitetura mais visitada do mundo e para produtos utilizados diariamente por milhões de profissionais.
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A revitalização de centros históricos tem se tornado uma estratégia recorrente nas cidades centro-americanas que buscam reafirmar a relevância simbólica, econômica e funcional de seus núcleos tradicionais. Esses processos frequentemente combinam reabilitação física, investimento institucional e um controle mais rígido sobre o espaço público. San Salvador oferece um caso recente e instrutivo, que permite compreender como as intervenções em espaços cívicos herdados equilibram a melhoria da infraestrutura com a conservação do patrimônio e a regulação social. Além disso, possibilita avaliar como essas escolhas ecoam em debates mais amplos sobre a transformação urbana na região.
Ao deslocar a rotação das dobradiças tradicionais e distribuir o peso verticalmente, as portas pivotantes foram desenvolvidas para responder a um desafio arquitetônico específico: como movimentar painéis de portas grandes e pesados com precisão, durabilidade e o mínimo de interferência visual. Esses sistemas permitem que as portas ganhem dimensões significativas em termos de escala, peso e ambição material, frequentemente diluindo a fronteira entre porta, parede e superfície arquitetônica. Com o tempo, essa inovação técnica expandiu o papel das portas na arquitetura, permitindo que funcionassem não apenas como pontos de acesso, mas também como limiares espaciais, dispositivos de composição e elementos expressivos na envoltória do edifício.
Para destacar essa evolução, a FritsJurgens criou o Best Pivot Door Contest, com o objetivo de apresentar projetos nos quais a precisão da engenharia e a intenção arquitetônica convergem. Fundada nos Países Baixos, a empresa é reconhecida internacionalmente por seus sistemas pivotantes embutidos, capazes de suportar portas excepcionalmente grandes e pesadas. Esses sistemas proporcionam a arquitetos/as maior liberdade em termos de escala e materialidade, mantendo a precisão, a confiabilidade e a clareza arquitetônica.
Na tradução da realidade tridimensional para um plano bidimensional, a axonometria se consolida como um dos sistemas gráficos de representação que fundamentam a linguagem utilizada por profissionais de arquitetura e design. Ao lado de plantas, cortes e elevações, suas vistas explodidas frequentemente se destacam pela capacidade de estudar as múltiplas camadas que compõem um projeto. Embora a axonometria também seja empregada em outras disciplinas, como a engenharia e o planejamento urbano, ela demonstra constantemente sua capacidade de funcionar como algo que vai além de uma mera ferramenta de representação. Com isso, ela não apenas reforça a compreensão dos processos construtivos, materiais e sistemas estruturais de uma obra, mas também amplia a comunicação das ideias e processos de projeto que a moldam.
De códigos de obras a restrições de mobilidade e novas funções diplomáticas em governos municipais, a política climática é cada vez mais moldada em nível local por meio de uma variedade crescente de ferramentas legislativas e institucionais. Cidades tão diversas quanto Sydney, Boston, Nova York, Paris, Miami e dezenas de outras na América Latina estão adotando estratégias direcionadas que refletem suas pressões ambientais e estruturas de governança específicas. Essas iniciativas variam de exigências de eletrificação total e construção com emissão líquida zero a medidas de controle de tráfego projetadas para conter os custos sociais do uso de veículos particulares, além de novas formas de diplomacia urbana para coordenar respostas ao aumento das temperaturas e à perda de biodiversidade. Juntas, essas abordagens ilustram como a gestão territorial está evoluindo em resposta à aceleração da crise climática e como as administrações locais estão testando regulamentações e colaborações para enfrentar desafios que são, ao mesmo tempo, globais e profundamente locais.
Como um material concebido para pontes, fábricas e grandes estruturas chegou ao banco da sala, à estante do apartamento, à mesa do café? O metal atravessou séculos associado ao esforço, à máquina e à monumentalidade — das estruturas expostas das Exposições Universais do século XIX à lógica produtiva da indústria moderna. Sua presença no interior doméstico não é um dado óbvio, mas uma conquista cultural: a transformação de um material fabril em elemento de uso cotidiano, íntimo e próximo do corpo.
Como o projeto "Espaços de Paz" está transformando os espaços comunitários na Venezuela Pinto Salinas -- Oficina Lúdica + PKMN. Imagem Cortesia de PICO Estudio
Na América Latina, os encontros não nascem necessariamente de grandes gestos arquitetônicos ou de planos urbanos monumentais. Eles emergem do entre, do espaço intermediário: o pátio, a varanda, a calçada, o corredor compartilhado. Esses espaços, muitas vezes considerados residuais ou informais pela disciplina tradicional, são precisamente aqueles onde o cotidiano constrói vínculos.
Dessa cultura latino-americana surge uma lógica espacial na qual a vida cotidiana se organiza de maneira relacional e extensiva. Práticas como sentar à porta de casa, ocupar a calçada, brincar na rua, produzem uma cidade vivida para além dos limites formais do projeto.
A Fundação Nobel revelou a primeira proposta de projeto para o novo Nobel Center, uma instituição pública cultural e educacional dedicada à ciência, à literatura e à paz. Projetado por David Chipperfield Architects Berlin, o projeto será construído ao longo de Stadsgårdskajen em Slussen, em Estocolmo, com início das obras previsto para 2027 e conclusão planejada para 2031. Concebido como uma sede permanente para as atividades em torno do Prêmio Nobel, o edifício visa tornar o trabalho das pessoas laureadas com o prêmio acessível ao público geral por meio de exposições, programas públicos e intercâmbio interdisciplinar, posicionando o centro tanto como um marco cívico quanto como um ponto de referência internacional.
O Museu de Arte Moderna de Louisiana inaugurará, em 22 de janeiro de 2026, a segunda exposição de sua série Architecture Connecting, focada na relação da disciplina com a ciência e a pesquisa em uma ampla variedade de campos, incluindo biologia, neurociência e antropologia. A primeira mostra da série, Living Structures (2024–2025), contou com a participação do ecoLogicStudio, do Atelier LUMA e do Jenny Sabin Studio, destacando seus trabalhos na intersecção entre algoritmos e natureza, além do desenvolvimento de métodos que reavaliam a arquitetura sustentável e as preocupações climáticas. Esta segunda exposição, intitulada Memoryscapes, explora as memórias, histórias e tradições que fundamentam as metodologias de trabalho do escritório DnA_Design and Architecture (Pequim), de Xu Tiantian, e do ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects (Paris).
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Ecophon Solo™ Square. Image Cortesía de Volcan
Para além de sua estética, materialidade ou método de instalação, o papel dos forros na arquitetura contemporânea já não se limita apenas a ocultar estruturas ou instalações internas nos edifícios. Ao agregar qualidades funcionais como absorção acústica, isolamento térmico, eficiência energética, proteção contra o fogo, iluminação integrada ou facilidade de manutenção, as diferentes disposições de forros são capazes de combinar flexibilidade e versatilidade de acordo com as diferentes necessidades e usos de seus/suas ocupantes. Interiores de escritórios, restaurantes, consultórios, estabelecimentos comerciais e outros espaços ganham protagonismo por meio da aplicação de forros com intenções e mensagens claras a transmitir.
Em cidades de todo o mundo, a arquitetura se desdobra continuamente na escala das pessoas e das comunidades — não apenas por meio de novos edifícios, reformas ou obras monumentais. Os "terceiros espaços" são especialmente reveladores. Considere o universo culinário à beira da calçada: a forma como sentar-se, servir e permanecer ocupa o limite da rua frequentemente revela os códigos culturais e os hábitos espaciais de uma cidade. Que formas de alimentação e habitação surgiram em resposta ao clima local, às regulamentações e aos costumes sociais — e como elas evoluíram ao longo do tempo?
Em partes da Europa, por exemplo, o al fresco na Itália e o en terrasse na França denominam formas culturalmente específicas de comer em público, trazendo a refeição para o campo urbano — em sintonia com o clima, o ar livre e a sociabilidade passiva de observar quem passa. Desde a COVID-19, Nova York expandiu de forma semelhante as refeições ao ar livre, refletindo um desejo impulsionado pela comunidade de interagir com a paisagem da rua enquanto se come — um "terceiro lugar" cotidiano, ao nível da rua, inserido em uma metrópole densa.
Sob a superfície visível das cidades jaz uma arquitetura invisível. Metrôs, túneis, sistemas de água, cabos de dados e bunkers formam uma rede densa que sustenta a vida urbana enquanto permanece, em grande parte, invisível. O solo sob nossos pés não é um vazio, mas um território complexo que abriga as infraestruturas, memórias e ansiedades de nossa época. Nos últimos anos, à medida que a terra se torna escassa e as pressões climáticas se intensificam, arquitetos/as e urbanistas voltaram seus olhares para baixo, redescobrindo o subterrâneo como uma fronteira tanto física quanto conceitual. Projetar no subsolo significa engajar-se com os mecanismos invisíveis que moldam o mundo acima.
O subterrâneo há muito tempo é um espaço de interseção entre arquitetura, política, tecnologia e crença. Das catacumbas de Roma aos metrôs industriais da modernidade, o ato de descer simboliza tanto a proteção quanto a exposição. O urbanismo do século XX transformou esse gesto em sistema: metrôs, abrigos e serviços públicos redefiniram o corte urbano como um instrumento de governança. Sob a promessa de eficiência e progresso, o subsolo absorveu as ansiedades de uma era de guerra, vigilância e colapso. Sua evolução revela não apenas como as sociedades constroem, mas também como temem.
Hoje, o solo se tornou a nova fronteira da expansão urbana e da adaptação ecológica. À medida que infraestruturas digitais, sistemas de energia e amortecedores climáticos migram para baixo do nível do solo, a arquitetura confronta um espaço que é ao mesmo tempo técnico e metafísico — essencial, porém marginal; invisível, porém decisivo. Pensar em cortes, e não em planta, é reconhecer que as cidades contemporâneas não existem mais apenas em suas silhuetas, mas também em suas profundezas. O desafio para a arquitetura não é apenas ocupar esse espaço, mas torná-lo legível, transformar o invisível em conhecimento e o oculto em um novo território de projeto.
Perspectiva da expansão do New Museum. Imagem cortesia de OMA/bloomimages.de
O New Museum é o único museu em Nova York dedicado exclusivamente à arte contemporânea. Desde seu início como um escritório de uma única sala na Hudson Street até a inauguração de seu primeiro edifício próprio e independente na Bowery, projetado pelo SANAA em 2007, a instituição evoluiu para se tornar um centro de exposições, pesquisa e documentação sobre artistas internacionais vivos. Em 2017, Shohei Shigematsu e Rem Koolhaas, do OMA, foram selecionados para projetar a expansão do New Museum. As primeiras imagens do projeto foram divulgadas em 2019. No dia 13 de janeiro, o museu anunciou que sua expansão de cerca de 5.570 metros quadrados (60.000 pés quadrados), projetada em colaboração com o escritório Cooper Robertson, será inaugurada em 21 de março de 2026, com uma exposição que explora a própria definição de humanidade.
Foram iniciadas as obras do novo Aeroporto Internacional de Bishoftu (BIA), projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects para o Ethiopian Airlines Group. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, lançou a pedra fundamental na cerimônia de início das obras no sábado, 10 de janeiro de 2026. O novo aeroporto ficará localizado a aproximadamente 40 quilômetros ao sul da capital etíope, Adis Abeba, e está planejado para se tornar o maior aeroporto da África. A primeira fase do projeto foi dimensionada para atender 60 milhões de passageiros/as por ano. As fases subsequentes deverão aumentar a capacidade para até 110 milhões de passageiros/as anuais, contando com quatro pistas e estacionamento para 270 aeronaves — mais de quatro vezes a capacidade do atual principal aeroporto da Etiópia, segundo declarações do primeiro-ministro.
A criação de um lugar não é, em princípio, algo difícil; basta que as pessoas se reúnam em um local fixo e regular para um propósito ou atividade, e um espaço passa a existir. Isso não desconsidera o fato de que um elemento físico precisa acompanhar esse encontro para que o espaço se torne acolhedor, receptivo e atraente. Essa ideia de um espaço que surge a partir de uma intenção pode ser vista claramente em uma das funções mais antigas da humanidade: os mercados de alimentos e produtos locais.
Para que um mercado exista, o elemento arquitetônico pode ser tão simples quanto uma cobertura leve, que abrigue os/as comerciantes e ofereça um limite implícito ao lugar, ou pode ser tão engenhoso quanto a reutilização adaptativa de um edifício ou terreno existente para atender a novas necessidades. Por fim, pode ser uma estrutura temporária e leve, montada para determinados eventos ou necessidades e depois desmontada para ser utilizada em outro lugar ou para outros fins.
A busca por materiais mais resistentes, leves e duráveis orienta a arquitetura muito antes do surgimento dos polímeros ou das fibras de carbono. Um dos primeiros exemplos em grande escala de materiais compósitos está na Grande Muralha da China, onde pedras, tijolos de argila e fibras orgânicas, como juncos e galhos de salgueiro, foram combinados para criar uma estrutura resiliente e duradoura. Essas técnicas primitivas revelam uma intuição atemporal: quando combinados de maneira cuidadosa, materiais distintos geram propriedades impossíveis de serem alcançadas por um único elemento. Diante das urgentes pressões ecológicas que o setor da construção enfrenta, essa intuição é revisitada sob a ótica da sustentabilidade, com arquitetos/as e engenheiros/as explorando compósitos de base biológica, reciclados e híbridos projetados não apenas pelo desempenho, mas também pela circularidade e responsabilidade ambiental.
Snøhetta, em colaboração com o Beijing Institute of Architectural Design (BIAD), venceu o concurso internacional para projetar o Museu de Arte de Pequim no distrito de Tongzhou, em Pequim. O início oficial das obras ocorreu em 31 de dezembro de 2025, com conclusão e abertura ao público previstas para 2029. Concebido como um novo marco para a região leste da cidade, o museu fará parte da estratégia de desenvolvimento cultural e cívico de Tongzhou como subcentro de Pequim. O projeto marca a segunda grande comissão cultural do Snøhetta na capital chinesa, sucedendo a Biblioteca de Pequim, inaugurada em 2023 e que, desde então, tornou-se uma referência fundamental para a arquitetura cívica contemporânea na cidade.