
O Brick Award reconhece e celebra a arquitetura de tijolos excepcional em todo o mundo. O prêmio cria uma plataforma para que profissionais de arquitetura e planejamento apresentem seus projetos e criações inovadoras e criativas a um público internacional.
A arquitetura pode alcançar grandes feitos e unir culturas e natureza, como demonstram os edifícios de destaque que venceram o International Brick Award 22. Pela décima vez, a Wienerberger destacou projetos excepcionais de construção em tijolo de todo o mundo. O objetivo do Brick Award é servir de guia e fonte de inspiração para a arquitetura, o planejamento, o desenvolvimento urbano e a cultura. Os 50 projetos indicados também demonstram o potencial estético e funcional dos materiais de construção cerâmicos.
O processo de seleção dos projetos concentra-se em critérios específicos e em cinco categorias especializadas. O critério mais importante é que uma parte significativa do projeto seja composta por materiais de construção de argila, tais como blocos de argila, tijolos aparentes, blocos de pavimentação, telhas ou painéis de fachada cerâmicos. A edificação pode ser uma nova construção, reforma ou projeto de conversão, e os tijolos podem ser novos ou reutilizados. Em particular, o júri avalia como os projetos combinam funcionalidade, sustentabilidade e eficiência energética. Embora a Wienerberger seja a patrocinadora do Brick Award, não há exigência de que os/as participantes utilizem produtos da empresa em seus projetos. As páginas a seguir apresentam tanto os projetos vencedores de destaque em cada categoria quanto o eminente júri que os escolheu. Você pode conferir todos os projetos indicados e encontrar mais informações aqui.
Museu do Forno Imperial de Jingdezhen

A cidade de Jingdezhen, na China, tem uma história significativa na produção de porcelana.
O Museu do Forno Imperial foi projetado pelo Studio Zhu Pei, logo ao lado das ruínas do forno imperial da dinastia Ming. O complexo do museu é composto por oito abóbadas parabólicas de tijolos, incluindo duas salas de exposição no nível do solo e cinco subterrâneas. As abóbadas, em formato que remete a charutos, apresentam pequenas variações de altura, comprimento e curvatura, tendo sido modeladas a partir das formas dos fornos tradicionais. Elas estão organizadas lado a lado no terreno, em um arranjo aparentemente desordenado com orientação aproximada norte-sul. Os edifícios são intercalados por pátios que permitem que a luz do dia ilumine os subsolos. Nos andares superiores, a iluminação natural entra pelas extremidades abertas ou envidraçadas das abóbadas, por frestas horizontais rente ao piso, por vãos nas paredes e por claraboias que se assemelham às saídas de fumaça dos fornos.
A construção do museu também faz referência ao patrimônio de porcelana da cidade: as abóbadas consistem em paredes de tijolos de parede dupla construídas de maneira tradicional e preenchidas com concreto. Os 2,8 milhões de tijolos utilizados são uma mistura de peças novas e recuperadas oriundas da demolição de antigos fornos. Assim, este projeto extraordinário oferece tudo o que se exige de um espaço público, merecendo plenamente o prêmio não apenas na categoria *Sharing public spaces* (Compartilhando espaços públicos), mas também o Grande Prêmio (*Grand Prize*).
The House that Inhabits

O coletivo de arquitetura Natura Futura considera *The House that Inhabits*, localizada em Babahoyo, Equador, como um manifesto: uma declaração que não apenas se opõe à mercantilização da cidade — a qual marginaliza muitas pessoas —, mas que também atribui ao tijolo uma função tanto simbólica quanto estrutural. Esse material de construção tradicional costuma ser associado às parcelas mais pobres da população, sendo frequentemente ocultado, rebocado e pintado. A equipe de arquitetura busca, com este projeto, demonstrar e explorar o valor dos tijolos como matéria-prima para uma cidade vibrante e habitável.
A edificação remete às casas tradicionais das cidades latino-americanas, ainda comuns em Babahoyo, e aproveita ao máximo o lote de trinta por doze metros. Há um espaço comercial no térreo, enquanto o andar superior abriga um apartamento e cinco salas destinadas a uma instituição de ensino. Faixas de claraboias e um corredor estreito ao longo das paredes externas garantem a entrada de luz natural. A estrutura do telhado é feita de madeira — outro material historicamente associado à escassez de recursos.

O alcance deste projeto vai muito além do envelope da edificação. Ele chama a atenção para pequenas iniciativas que ampliam a definição de edifícios de uso misto, contribuindo de forma positiva para a qualidade da vida urbana no centro de uma cidade moderna. A combinação de uma organização espacial pouco ortodoxa com a escolha dos materiais torna *The House that Inhabits* um verdadeiro manifesto de suas convicções.
88 unidades residenciais + 1 espaço comercial

Em Pantin, um subúrbio a nordeste de Paris, na França, o escritório Avenier Cornejo Architectes ergueu três edifícios às margens do Canal de l'Ourcq. Eles abrigam um total de 88 apartamentos, estão dispostos em semicírculo e delimitam um pequeno pátio que se abre para o canal.
O terceiro bloco está localizado no lado oeste da rua: possui um pavimento adicional e espaço comercial no térreo. Todos os três edifícios têm proporções semelhantes, mas o projeto de cada um é determinado pelo formato do lote e por sua orientação em direção ao canal.

Tijolos moldados à mão foram assentados em amarração ao comprido com juntas frisadas. As seções das janelas foram executadas em amarração flamenga contrastante, com os tijolos de topo ligeiramente recuados para criar um efeito de relevo. A equipe de arquitetura selecionou três cores de tijolos como uma resposta moderna ao tom amarelo-claro dos moinhos de farinha Grands Moulins de Pantin, construídos em 1884 e situados um pouco mais a oeste ao longo do canal. O metal utilizado nos caixilhos das janelas e nos guarda-corpos também varia de cor em cada bloco: o tijolo vermelho é complementado por detalhes metálicos cinzas, os tijolos cinza-claro por verde e os tijolos cinza-escuro por marrom. Os mesmos tijolos também foram utilizados para pavimentar o caminho que serpenteia entre as árvores antigas do jardim. O conjunto constitui uma síntese bem-sucedida entre unidade e diversidade.
2226 Emmenweid

O nome 2226 Emmenweid provém do conceito de tecnologia predial que garante uma temperatura interna estável entre 22 e 26 graus Celsius. O novo edifício de quatro pavimentos, projetado pelo escritório Baumschlager Eberle Architekten em Emmenbrücke, na Suíça, destaca-se pelo reboco de cal claro e pela disposição regular de janelas generosas recuadas profundamente nas paredes. Sua volumetria é enfatizada por um telhado de quatro águas com bordas rentes. Um recuo na fachada cria uma linha horizontal marcante que estrutura o bloco maciço e estabelece uma relação de escala com as edificações vizinhas.

O conceito da planta baixa é simples e projetado para acomodar uma ampla variedade de usos. O núcleo central contém escadas, instalações sanitárias e copas. Esse núcleo é circundado por uma ampla área multiuso, sem paredes divisórias estruturais, que pode ser configurada de forma flexível para diferentes finalidades. A estrutura das paredes consiste em duas camadas de tijolos, cada uma com 36,5 cm de espessura: uma delas atua como parede estrutural e isolante, enquanto a outra funciona estritamente como isolamento. Foram utilizados grandes blocos cerâmicos não preenchidos, que garantem uma difusão de vapor eficiente e possuem alta inércia térmica, contribuindo significativamente para a estabilidade do clima interno.
Além de suas qualidades espaciais e atmosféricas, o 2226 Emmenweid demonstra que é possível adotar uma nova forma de pensar na construção de escritórios comerciais — um pensamento focado na variável do tempo para superar os costumes da era mecânica: uma longa vida útil e estabilidade climática ao longo de todo o ano e durante todo o dia.
The Brick Wall - Tsingpu Yangzhou Retreat

Este terreno costumava abrigar pescadores e agricultores. Antes do início da construção, o local continha um galpão e várias pequenas cabanas. A pedido do cliente, essas estruturas foram parcialmente preservadas pelo escritório Neri&Hu e influenciam a identidade do projeto. A equipe de projeto conseguiu integrar as cabanas a um hotel de luxo ao fazer referência à arquitetura tradicional chinesa.

Uma grelha foi traçada sobre o terreno, ecoando as tradicionais casas-pátio chinesas e integrando as edificações existentes. À exceção de uma casa-pátio de dois pavimentos que abriga a biblioteca e alguns quartos de hóspedes, todas as edificações da malha possuem apenas um pavimento. As paredes de tijolos envolvem todas as áreas funcionais, incluindo os quatro jardins. A alvenaria apresenta-se ora fechada, ora vazada. Aberturas na parede oferecem uma sucessão de vistas para os diversos pátios da recepção, do restaurante e dos quartos de hóspedes. Ao caminhar pelo edifício, revelam-se espaços multifacetados e perspectivas cuidadosamente coreografadas das paisagens interna e externa — conectando o céu e a terra. Este projeto vencedor na categoria *Building outside the box* faz referência à arquitetura tradicional da região. Ao mesmo tempo, demonstra um forte compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental por meio da reciclagem e reutilização de tijolos recuperados.












