A IA tornou-se um produto de consumo mais rapidamente do que se consolidou como uma disciplina. A cada semana surgem novos modelos e mais informações do que qualquer pessoa é capaz de absorver, tornando o consumo acrítico a resposta mais fácil. A arquitetura necessita de uma estratégia diferente, fundamentada na crítica e no método. A IA está agora adquirindo inteligência espacial — a capacidade de compreender como o espaço físico se comporta —, e profissionais de arquitetura podem testar um projeto em relação ao seu entorno ainda durante o processo de concepção. Usada com discernimento, a IA pode aproximar profissionais de arquitetura da natureza e de sua complexidade, qualificando ainda mais a prática da construção. Simulamos o mundo para aprender a habitá-lo.
Projeto de masterplan do Loco Park em Tbilisi, Geórgia, 2026. Imagem cortesia de Stefano Boeri Architetti
As notícias de arquitetura desta semana abrangem uma série de projetos que respondem às necessidades em constante mudança das cidades, desde a adaptação de locais existentes até o desenvolvimento de novos espaços culturais e públicos. Enquanto Antália se prepara para sediar a COP31, projetos em Roterdã e Pittsburgh focam na renovação de instituições culturais consagradas, ao passo que empreendimentos em Copenhague, Chicago e Tbilisi exploram novas abordagens para lazer, acesso público e regeneração urbana. Paralelamente, o escritório Foster + Partners revelou planos para um complexo de uso misto em Yerevan, o VG13 Architects venceu o concurso para um novo estádio e distrito esportivo em Zagreb, e o Aria Property Group apresentou um setor residencial e público em Brisbane antes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2032.
The Human Shelter: Expedition into What Makes a Home é uma investigação sobre o sentimento de lar. Dirigido por Boris Bertram e financiado pela IKEA, o filme analisa modos de vida atuais na Noruega, no Iraque, nos Estados Unidos, na Nigéria, no Japão, em Uganda e na Islândia, questionando o papel da moradia para projetá-la no futuro. Por meio de imagens e narrativas pessoais, o documentário associa o conceito de lar à paisagem, ao movimento e ao assentamento, ao tempo, à migração e à segurança, à vulnerabilidade e à natureza. Como as populações deslocadas constroem um lar? Quando um abrigo se torna um lar? Retratos, histórias e abrigos em quatro continentes oferecem ao público um vislumbre das respostas a essas grandes questões em uma jornada cinematográfica de uma hora.
O contato direto com um material permite apreciar texturas, comparar acabamentos e observar como sua aparência se transforma sob diferentes condições de luz. Em uma exposição, essas possibilidades são complementadas pela troca de experiências com fabricantes e profissionais, o que ajuda a compreender suas aplicações e a esclarecer dúvidas sobre seu uso. Essa relação entre exploração material e prática arquitetônica foi um dos eixos da sétima edição da Obra Blanca, que reuniu mais de 23.000 profissionais na Expo Santa Fe, na Cidade do México.
Balsa Crosetto Piazzi é um escritório de arquitetura fundado em 2015, sediado em Córdoba, Argentina, e Boston, EUA. Liderado por Juan Manuel Balsa, Rocío Crosetto Brizzio e Leandro Piazzi, o escritório tem como essência de seu trabalho a dimensão material da arquitetura. Para o trio, um edifício não é apenas um objeto acabado, mas sim uma forma de organizar tudo o que envolve a sua construção. Seu trabalho é moldado por um processo lento; durante as etapas de projeto e obra, dedicam atenção à origem dos materiais, a quem executa a construção, às habilidades que essas pessoas já possuem e ao que está realmente disponível no entorno. Dessa forma, a obra construída torna-se uma plataforma que funciona como ponto de partida, reunindo todas essas partes. Nesse sentido, também descrevem seus projetos como oportunidades para "desconstruir condições arraigadas".
A abertura entre dois ambientes define a maneira como as pessoas se movem pelo edifício, o que visualizam de um espaço para outro e se uma área parece integrada ou isolada. Embora as portas estejam entre os elementos arquitetônicos internos mais utilizados, seu impacto na organização interna costuma ser considerado tardiamente no processo de projeto. No entanto, seu movimento e sua relação com as superfícies adjacentes influenciam a circulação, o layout do mobiliário e a percepção do espaço.
Em reformas residenciais, essas decisões são particularmente importantes. Paredes existentes, elementos estruturais, instalações prediais e a altura do pé-direito podem limitar as opções, ao passo que os novos layouts frequentemente buscam equilibrar a integração dos ambientes com a necessidade de privacidade. Já em novas construções, arquitetos/as desfrutam de maior liberdade para coordenar cavidades nas paredes, forros e mecanismos de portas desde o início do projeto.
NASA/METI/AIST/Japan Space Systems e U.S./Japan ASTER Science Team. Imagem via Wikipedia sob Domínio Público
Quando os ostrogodos cercaram Roma em 537 d.C., seu primeiro ato militar foi cortar os aquedutos. Onze canais alimentados por gravidade abasteciam a cidade com até um milhão de metros cúbicos de água por dia — volume mais do que suficiente para sustentar uma população de mais de um milhão de habitantes, abastecer as termas públicas e limpar os esgotos. Sem os aquedutos, Roma tornou-se um recinto fortificado em torno de um rio poluído, provando que a água era essencial para a própria existência da cidade.
Ao contrário da terra, que pode ser cercada, ou do petróleo, que pode ser armazenado, a água é um recurso que ninguém consegue possuir por completo, mas do qual todos dependem. Ela se move por aquíferos, atravessa fronteiras e corre pelos rios. Os romanos tinham consciência disso: como os aquedutos constituíam uma infraestrutura pública, a água que vertia nas fontes era acessível a todos. Frontino, o administrador que supervisionou o sistema de águas de Roma no século I d.C., documentou cada alocação, cada ligação clandestina e cada abuso do sistema com o rigor de quem compreendia que a gestão da água era um ato cívico. A arquitetura, sob essa ótica, sempre teve a capacidade de tornar a água um bem comum e, na mesma medida e pelos mesmos meios, um privilégio.
Projetada pelo escritório Kengo Kuma & Associates em colaboração com o Cornelius Vöge Atelier for Architecture e o Vilhelm Lauritzen Architects, a KAI Water Culture House tem abertura prevista para 5 de dezembro de 2026, em Papirøen (Paper Island), em Copenhague, na Dinamarca. O equipamento público de 5.800 m² reúne dez piscinas cobertas e ao ar livre, instalações de bem-estar, espaços culturais e acesso ao porto de Copenhague. Composto por cinco torres de tijolos sobre uma base envidraçada, o projeto integra natação, lazer e programação cultural como parte da transformação contínua da orla da cidade.
Heinz Architecture Center, Galeria. Imagem cortesia de AD—WO
O Carnegie Museum of Art, em Pittsburgh, comissionou o escritório de arquitetura e desenho urbano AD-WO para redesenhar o Heinz Architectural Center. Liderado por Emanuel Admassu and Jen Wood, o escritório — que é um dos vencedores do ArchDaily 2026 Next Practices Awards — foi reconhecido por explorar as relações entre pessoas, lugar, história e cultura material, trazendo uma abordagem interdisciplinar para a experiência da arquitetura. O Heinz Architectural Center é o fórum do museu dedicado a apresentar, explorar e incubar ideias arquitetônicas, atualmente localizado no edifício principal da instituição, que data de 1907. O novo projeto visa transformar o centro em uma instalação contemporânea que integre exposições, acervos, pesquisa, aprendizado e engajamento público. O AD-WO está trabalhando em parceria com o escritório R3A como arquiteto local, a Buro Happold para engenharia e sustentabilidade, a Tillotson Design Associates para projeto de iluminação e a VizzAcoustics para a acústica.
Atelier Aveta / Ben-Avid. Imagem cortesia de Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires
Habitar um espaço envolve múltiplos fatores econômicos, sociais, culturais, geográficos, políticos e ambientais. Para além dessas considerações, no entanto, o habitar dialoga com processos, limites e possibilidades que têm sido constantemente objeto de investigação arquitetônica. “Somos construtores de uma sociedade”, declarou Solano Benítez durante sua palestra intitulada O Lugar da Arquitetura na Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires. Por meio de uma série de conferências internacionais, exposições distribuídas por diferentes pontos da cidade e atividades abertas a todas as gerações, a 20ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires examinou o valor do habitar, reconhecendo a arquitetura como a disciplina que confere sentido a como e onde vivemos e, consequentemente, a como existimos em sociedade.
Em suas seis sedes principais e nas inúmeras instituições parceiras, emerge um tema comum: a existência humana explorada a partir de diferentes modos de habitar, do compartilhamento de saberes, do contraste de experiências e do debate sobre os desafios contemporâneos enfrentados pela arquitetura.
Um cânion é um espaço que ninguém projetou. Suas paredes expõem camadas de rocha depositadas ao longo de milhões de anos, e a passagem entre elas existe porque a água lentamente desgastou essa rocha. Geleiras moldaram vales de maneira semelhante, deixando encostas para trás à medida que o gelo recuava. Muito antes de arquitetos e arquitetas começarem a moldar espaços, a Terra já os produzia.
Há muito tempo, arquitetos e arquitetas buscam no solo sua geometria. Um penhasco pode sugerir um corte; uma cavidade, um cômodo; e a rocha estratificada, uma forma de empilhar materiais. Alguns profissionais constroem diretamente em uma formação existente, ocupando uma encosta ou cavidade no próprio local. Outros estudam uma formação e reproduzem algumas de suas características em outro lugar, desde dados geológicos precisos até a experiência geral de uma paisagem.
A madeira é utilizada na construção civil há milhares de anos. Trata-se de um recurso natural, renovável e versátil, mas sua reação à umidade exige atenção no projeto e na especificação. Oscilações nas condições de umidade podem fazer com que o material sofra inchamento e retração, enquanto a exposição prolongada à água pode propiciar o surgimento de fungos e o consequente apodrecimento. Diante disso, historicamente, o uso de madeira em áreas externas exigia a escolha de espécies de alta durabilidade natural, a proteção mecânica ou química do material, ou ainda soluções de projeto adaptadas ao comportamento físico da madeira. A modificação da madeira surge como uma abordagem alternativa: alterar certas propriedades da própria matéria-prima.
Novo Hall de Entrada do Griffin Museum of Science and Industry. Imagem cortesia de RAMSA
O escritório RAMSA (Robert A.M. Stern Architects) apresentou o projeto para o novo Hall de Boas-Vindas do Kenneth C. Griffin Museum of Science and Industry (Griffin MSI) em Chicago, Illinois. A proposta prevê a reabertura do histórico Pórtico Norte do edifício como um acesso permanente durante todo o ano, além da introdução de um novo volume envidraçado que conectará o pórtico às salas de exposição do museu. A intervenção faz parte de um plano diretor concluído pelo RAMSA em 2024, focado em otimizar o uso das áreas expositivas e públicas existentes.
A arquitetura é, acima de tudo, uma realidade material. Os materiais que nos cercam são o resultado de uma cadeia de considerações construtivas, econômicas, estéticas e, em exemplos mais contemporâneos, ambientais. As decisões são moldadas pela tecnologia disponível, pelas técnicas viáveis, pelas expectativas de tempo e pelos marcos regulatórios. Para enfrentar as pressões sobre o nosso ambiente construído, essas condições multidimensionais precisam mudar por meio daquilo que chamamos de inovação: a criação tangível de novos produtos e estratégias com capacidade de resolver problemas. Matéria é o termo geral para a substância física que possui massa e ocupa espaço. Quando a matéria ganha uma forma, um tipo específico ou uma aplicação útil, ela se torna material. Portanto, a transformação material exige ir além da reciclagem e do reuso: trata-se de combinar a matéria existente para criar novos materiais que abram novas possibilidades para a construção. As pesquisas apresentadas a seguir sugerem que demonizar os materiais existentes é desnecessário, desde que exista essa capacidade de inovação.
A barragem principal. "Inauguration of the Grand Ethiopian Renaissance Dam (September 9, 2025)". Imagem cortesia de PMO Barbados via Flickr (Domínio Público).
Inaugurada em setembro de 2025, a Grande Barragem da Renascença Etíope, ou GERD (na sigla em inglês), é uma imponente estrutura de concreto no Nilo Azul, no oeste da Etiópia, na região de Benishangul-Gumuz, situada a apenas 30 quilômetros rio acima e a leste da fronteira com o Sudão.
Construída para ser uma das principais fontes de energia hidrelétrica do mundo — figurando consistentemente entre as maiores do planeta —, a obra simboliza a soberania nacional da Etiópia, sua ascensão rumo ao desenvolvimento econômico exponencial e sua autodeterminação tecnológica. Diante disso, por que ela se tornou o centro de uma longa disputa sobre segurança hídrica regional e direito internacional envolvendo Etiópia, Sudão e Egito?
No Bishan–Ang Mo Kio Park, em Singapura, o rio não ocupa um limite fixo. Em condições normais, a água corre por um canal naturalizado ladeado por gramados, vegetação e caminhos que aproximam os/as visitantes do rio. Durante chuvas intensas, a água se espalha pelo parque ao redor, projetado para acomodar fluxos que excedem a capacidade do canal mais estreito. O que parece ser uma paisagem pública funciona também como infraestrutura ativa. A abordagem de Singapura mantém a engenharia de drenagem, ao mesmo tempo em que atribui um papel mais amplo ao território circundante.
Durante décadas, a rede de canais de concreto de Singapura foi fundamental para a gestão de águas pluviais em uma cidade densamente desenvolvida e exposta a intensas chuvas tropicais. Suas superfícies rígidas e canais definidos foram projetados para escoar a água de forma eficiente. Embora esses canais movessem as águas pluviais com eficácia, ofereciam espaço limitado para acesso público, vegetação ou outros usos ao longo das margens. Por meio de seu Programa Águas Ativas, Belas e Limpas (ABC Waters), lançado em 2006, Singapura começou a integrar as vias navegáveis a parques, sistemas ecológicos e espaços públicos. O programa vincula a gestão de águas pluviais ao desenho de parques, canais e espaços públicos.
Uma equipe liderada pela Politecnica Building for Humans, com Park Associati e AMDL CIRCLE como co-líderes de projeto arquitetônico, e o Studio Mattioli responsável pelas áreas de geologia e arqueologia, venceu o concurso para um novo polo cultural em Ceto, na Itália. O projeto transformará a antiga fábrica de tecidos Società Filati Niggeler & Kupfer em um complexo que abrigará espaços expositivos, instalações de pesquisa, um auditório e serviços de apoio ao visitante. Localizada em Valle Camonica, uma região conhecida por suas gravuras rupestres pré-históricas, a proposta aborda o terreno a partir da relação entre o patrimônio industrial, a arqueologia e a paisagem circundante.
Projeto do masterplan Loco Park em Tbilisi, Geórgia, 2026. Imagem cortesia de Stefano Boeri Architetti
O concurso de arquitetura LOCO Alliance em Tbilisi, Geórgia, foi organizado para transformar uma área industrial desativada de 73.600 m², onde funcionava a antiga Fábrica de Locomotivas Elétricas de Tbilisi da era soviética na área residencial de "Temka", em um novo bairro verde e destino cultural chamado Loco Park. Em 18 de outubro de 2026, a LOCO Alliance anunciou oficialmente o projeto do escritório Stefano Boeri Architetti como o selecionado para a transformação do local, com as imagens oficiais do masterplan reveladas em 23 de outubro. O masterplan selecionado foi projetado para integrar o patrimônio industrial da fábrica com arquitetura contemporânea, espaços públicos com vegetação densa e centros de lazer comunitários. O local já abriga eventos culturais de grande escala, organizados em paralelo ao concurso formal do masterplan.
Ao longo da história, as pessoas têm buscado formas de ver o mundo. Na pintura renascentista, a perspectiva linear tornou esse impulso explícito ao transformar a tela em uma janela, organizando a profundidade a partir de um ponto de vista fixo.Em seu tratado De Pictura (1435), Leon Battista Alberti descreveu a pintura como uma janela aberta para aquilo que se deseja representar. A paisagem, nesse sentido, deixou de ser meramente o que estava diante dos olhos e passou a ser uma construção visual, uma realidade selecionada e organizada pelo olhar.
A arquitetura opera de maneira muito semelhante. Uma janela determina o que pode ser visto, de onde é visto e, consequentemente, o que passa a fazer parte da experiência cotidiana. Essa questão foi central para a arquitetura moderna e encontrou um de seus debates mais emblemáticos na década de 1920.
A ampliação vertical de um edifício histórico apresenta um desafio que vai além da criação de espaço adicional: como uma intervenção contemporânea pode dialogar com o caráter de uma estrutura existente? A escolha dos materiais desempenha um papel fundamental no estabelecimento de uma relação entre diferentes períodos construtivos, seja com o objetivo de complementar o edifício existente ou de criar uma expressão arquitetônica mais distinta. A Residência LH em Varna, na Bulgária, projetada pelo escritório STARH, exemplifica como o fibrocimento pode articular a relação entre uma ampliação contemporânea e uma preexistência histórica. Por ser um material composto por cimento, água, fibras de reforço e outros aditivos, o fibrocimento alia uma relativa leveza a altos índices de resistência e durabilidade. Sua variedade de cores, texturas, dimensões de painéis e métodos de instalação oferece a profissionais de arquitetura diversas possibilidades para o desenvolvimento de envoltórias de edifícios contemporâneos que dialoguem com seu contexto histórico. Soluções como os painéis de fibrocimento da Swisspearl oferecem variações de acabamento superficial que viabilizam essa abordagem.
O conceito de "olhos da rua" talvez seja o mais famoso dentro da literatura arquitetônica e urbanística quando o assunto é segurança urbana. Jane Jacobs utiliza essa expressão para se referir às pessoas que – de forma consciente ou inconsciente – utilizam os espaços públicos ou os contemplam desde suas casas, gerando uma vigilância natural. Um movimento que, no âmbito da nossa disciplina, é fomentando tanto por meio de espaços públicos de qualidade quanto pela potente relação entre o público e o privado criada através das fachadas das edificações. Defendendo esse controle cotidiano, Jacobs acredita em um modo de fazer arquitetura e cidades que condena a verticalização em excesso, reforçada por edifícios isolados e de uso único os quais negam o contato com rua.
O andaime é, talvez, uma das estruturas temporárias mais familiares da arquitetura. Ele acompanha os edifícios durante as etapas de construção, manutenção e reforma, apenas para desaparecer assim que seu trabalho é concluído. No entanto, sua aparente impermanência esconde um tipo diferente de longevidade. Os sistemas de andaimes são projetados para serem montados, desmontados, transportados e reutilizados, com componentes padronizados robustos o suficiente para suportar o manuseio repetido e as condições variáveis do canteiro de obras. Seu caráter temporário reside menos no material em si do que na duração de cada montagem.
Essa lógica não é estranha ao design de mobiliário. O Sistema de Prateleiras Universal 606 de Dieter Rams, projetado para a Vitsœ em 1960, estabeleceu uma abordagem modular na qual prateleiras, armários e outros componentes podiam ser rearranjados, expandidos ou transportados conforme as circunstâncias mudavam. De maneira semelhante, os sistemas de armazenamento modulares da IKEA popularizaram e demonstraram como o mobiliário pode ser compreendido como uma coleção de peças intercambiáveis, em vez de um objeto único e acabado. Embora difiram em termos de material e vida útil pretendida, esses sistemas compartilham um princípio importante: a longevidade pode ser alcançada por meio da adaptabilidade, e não da permanência do arranjo.