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Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil

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Filippo Brunelleschi e a cúpula de Santa Maria del Fiore, concluída em 1436 na cidade italiana de Florença, representam um capítulo importante na história da arquitetura, frequentemente associado ao crescente distanciamento entre o desenho e a construção. Essa separação, consolidada gradualmente ao longo do tempo, encontra um ponto de inflexão decisivo no Renascimento. O desenho torna-se um instrumento para antecipar e impor autoridade sobre a construção. O canteiro de obras, outrora um espaço de invenção e tomada de decisões, passa a ser compreendido primordialmente como um local de execução.

Nos séculos seguintes, esse distanciamento torna-se cada vez mais acentuado, sobretudo com a construção moderna. A industrialização, la especialização técnica e a organização corporativa fragmentam o processo construtivo em etapas progressivamente distintas. Quem projeta raramente constrói; quem constrói nem sempre participa das decisões; quem financia, gerencia e habita ocupa posições ainda mais distanciadas entre si. A eficiência desse modelo permitiu construir em escala, mas também concentrou o conhecimento e o poder de decisão nas mãos de determinados agentes.

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Mapeando narrativas: o que o mapa da ONU revela sobre as reparações simbólicas

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Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um formato para ensaios argumentativos sobre questões cruciais que moldam nossa área.

Durante séculos, a maior parte do mundo se enxergou por meio de um instrumento de representação espacial do século XVI. No dia 4 de setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou para mudar esse cenário, adotando uma resolução que solicita a governos, escolas, veículos de imprensa e empresas de tecnologia que deixem de usar a projeção de Mercator onde o tamanho relativo dos países de fato importe, substituindo-a por alternativas de áreas equivalentes, como a projeção Equal Earth de 2018. A votação foi aprovada por 164 votos a 1, sendo os Estados Unidos o único voto contrário.

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MAD revela projeto para transformar armazém de 1923 na Danshuis, em Roterdã

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O MAD, escritório de arquitetura fundado por Ma Yansong, revelou o projeto para o Danshuis, um novo centro de dança planejado para Roterdã, nos Países Baixos. Situado em uma área emblemática da histórica região portuária da cidade, ao lado do Fenix Museum of Migration — também projetado pelo MAD —, o projeto tem previsão de inauguração para 2030. O centro de 9.500 metros quadrados transformará um antigo galpão Art Déco de 1923, localizado na margem sul do Rio Mosa. Concebido como um polo de produção, desenvolvimento e prática de dança em diversos estilos, o Danshuis busca reunir programações profissionais e amadoras voltadas a diferentes idades e níveis de experiência.

Bienal de Arquitetura de Buenos Aires celebra 40 anos com programação gratuita sob o tema "Habitar"

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A Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires celebra 40 anos de história este ano, ao longo de 20 edições. Como um dos principais encontros de arquitetura da América Latina, o evento comemorará este aniversário com uma edição que reúne cerca de 100 escritórios de arquitetura, 15 exposições, 50 conferências, 40 convidados/as internacionais e representantes de mais de 55 cidades do mundo, em uma programação gratuita e aberta que se estenderá por cinco semanas. A partir de 22 de setembro e durante todo o mês de outubro, integrando o Mês do Design e da Arquitetura de Buenos Aires, serão realizadas conferências, abertas exposições, inauguradas instalações e promovidas atividades em pontos específicos da cidade. Sob o tema HABITAR, a Bienal também sediará um fórum de seis dias com o/a vencedor/a do Prêmio Pritzker 2026, Smiljan Radić, culminando na entrega dos prêmios desta edição.

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Estruturas da memória: 5 projetos não construídos sobre patrimônio da comunidade ArchDaily

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De modo geral, uma estrutura é um testemunho de seu tempo. A proposta e a escala física de um projeto de arquitetura frequentemente superam o tempo de vida de um ser humano, integrando-se, assim, a uma narrativa histórica. Essa característica transversal se manifesta de forma especialmente clara em tipologias de projeto específicas: memoriais, cemitérios, museus e até mesmo centros educacionais e comunitários. Recentemente, esse valor expandiu-se para além dos edifícios, englobando também técnicas construtivas, formas e geometrias ancestrais, e a própria natureza. Esse valor histórico e sua conotação simbólica estão representados nesta seleção de cinco projetos desenvolvidos por leitores e leitoras do ArchDaily, ainda não construídos, localizados no Kosovo, no Canadá, na China, no Egito e em Bangladesh.

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Mundos Digitais e os Limites do Espaço Sem Atrito: Repensando Escala e Materialidade

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Historicamente, a forma como projetamos esteve intimamente ligada à maneira como construímos. A arquitetura avançava por meio de testes físicos, tentativa e erro, desenhos de projeção, maquetes em escala real e modelos físicos: cada um introduzindo uma nova camada de abstração, mas mantendo-se atrelado à materialidade, à escala e à construção. A introdução do CAD alterou significativamente essa dinâmica. No início, ele era compreendido sobretudo como a computadorização de geometrias precisas para a construção. Com o tempo, contudo, as ferramentas digitais passaram a ser incorporadas em etapas mais precoces do processo projetual, substituindo o croqui, a tentativa e erro física, a confecção de maquetes e outras formas de pensamento que outrora mantinham a escala e a matéria sempre próximas.

A linhagem do projeto de arquitetura pode, portanto, ser compreendida em parte como uma evolução de abstrações. Algumas delas revelaram-se extraordinariamente produtivas. Plantas e cortes, por exemplo, isolam dimensões específicas da arquitetura e, ao mesmo tempo, permitem que a mente reconstrua o todo. Elas planificam, cortam e reduzem, mas não abandonam o edifício. Pela combinação desses desenhos, é possível compreender ambientes, circulação, estrutura, aberturas e relações espaciais sem se perder na complexidade do projeto. Sua abstração é disciplinada porque permanece vinculada a uma realidade arquitetônica que, eventualmente, precisará ser medida, construída e habitada.

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Stefano Boeri Architetti vence concurso para habitação acessível em madeira em Ibiza

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Stefano Boeri Architetti venceu o concurso lançado pela Entidad Estatal de Vivienda da Espanha, Casa 47, para um novo empreendimento de habitação acessível em Ibiza. Batizado de "Sa Casa", o projeto propõe aproximadamente 190 apartamentos para aluguel abaixo do valor de mercado, distribuídos em quatro volumes residenciais. A proposta combina um sistema construtivo pré-fabricado em madeira com layouts habitacionais adaptáveis e espaços abertos compartilhados, com o projeto estruturado a partir da relação entre os edifícios residenciais, a paisagem e as áreas públicas.

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Uma proposta para um novo mapa-múndi e dois novos complexos esportivos: os destaques da semana

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As histórias desta semana compartilham um fio condutor: a importância de olhar além das estruturas estabelecidas. Duas arquitetas franco-marroquinas refletiram sobre o que a arquitetura pode aprender com a cultura marroquina e o conhecimento local, enquanto a Assembleia Geral das Nações Unidas votou para promover projeções de mapa-múndi que representam com maior precisão o tamanho relativo dos continentes — uma mudança simbólica que desafia séculos de representação geográfica eurocêntrica, com implicações diretas sobre como compreendemos a África e o Sul Global. Esse mesmo espírito de questionamento das convenções permeia os projetos de destaque desta semana, que vão desde governos municipais que adaptam edifícios abandonados para a construção circular até o Pavilhão Alemão para a próxima Bienal de Arquitetura de Veneza, que aborda o isolamento social e a coexistência democrática. No Radar desta semana, destacamos três projetos anunciados recentemente: um novo complexo esportivo multifuncional em Hilversum que reúne esporte, educação e vida comunitária em torno de um circuito interno contínuo; um distrito residencial de baixa densidade em Yerevan, onde a restauração da paisagem antecedeu a construção; e uma praça pública ajardinada encomendada pelo Las Vegas Raiders para substituir estacionamentos subutilizados ao lado do Allegiant Stadium.

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Guia de arquitetura de Oslo: 12 edifícios que contrastam o design histórico e o contemporâneo

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Oslo é a capital e maior cidade da Noruega, servindo como o centro político, econômico e cultural do país. Situada na cabeceira do Fiorde de Oslo e cercada por colinas florestais, abriga cerca de 700.000 pessoas em sua área urbana, com mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana. Fundada há cerca de mil anos, Oslo tem uma longa história como entreposto comercial e sede administrativa. No entanto, grande parte de seu caráter moderno foi moldada depois que um grande incêndio no século XVII levou a uma reconstrução completa sob o domínio dinamarquês, época em que foi temporariamente rebatizada de Cristiania. Hoje, a cidade figura constantemente entre as mais habitáveis do mundo, valorizada por sua harmonia entre a vida urbana e o fácil acesso à natureza.

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Quando a segurança se torna parte da arquitetura

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O que transforma um espaço de morar em um lar? Para além da propriedade ou do abrigo, o lar está vinculado a uma sensação mais sutil de certeza: o sentimento de poder se recolher, descansar e se afastar momentaneamente da imprevisibilidade do mundo. Os lares são onde as rotinas se acumulam, as memórias se assentam em espaços e objetos, e onde a identidade pessoal ganha forma física por meio da ocupação e dos rituais cotidianos. No entanto, esse sentimento de pertencimento depende de outra condição que frequentemente passa despercebida até ser interrompida: a segurança. Sentir-se "em casa" implica uma condição de conforto e estabilidade. Quando os ambientes domésticos não conseguem proporcionar isso, espaços projetados para o descanso tornam-se fontes de inquietação, afetando sutilmente as rotinas e o bem-estar.

O papel do desenho urbano na segurança das mulheres: lições de quatro espaços públicos

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O espaço público costuma ser idealizado como um ambiente universal, mas a experiência de acesso a ele é desigual. Para muitas mulheres, deslocar-se pela cidade exige uma avaliação contínua de exposição, visibilidade, proximidade com outras pessoas, iluminação, acesso ao transporte, rotas de fuga e a probabilidade de sofrer assédio. Esses cálculos são moldados tanto pelas condições espaciais quanto pelas sociais. A segurança é uma questão de forma urbana, manutenção, mobilidade, governança e distribuição de investimento público. Embora o ambiente construído possa não ser a causa direta da violência de gênero, ele tem o poder de intensificar a vulnerabilidade e normalizar o acesso desigual, especialmente a espaços públicos.

Para profissionais de arquitetura e planejamento urbano, existe uma distinção fundamental entre projetar para o controle de segurança e projetar para a sensação de segurança. Estratégias de controle de segurança tendem a se concentrar em vigilância, policiamento e gestão de fluxos, ao passo que a segurança urbana cotidiana depende de as pessoas poderem ver e ser vistas, de as rotas serem legíveis, de os espaços públicos acolherem atividades ao longo do dia e de como a manutenção de longo prazo é viabilizada. O papel do design é alterar as condições nas quais a vida pública acontece.

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“Viver com contrastes é algo muito significativo”: Salwa e Selma Mikoü falam sobre arquitetura e ofício em entrevista ao Louisiana Channel

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As gêmeas e arquitetas franco-marroquinas Salwa e Selma Mikoü desenvolveram uma prática que une arquitetura, engenharia, artesanato e memória cultural. Fundadoras do escritório Mikoü Architecture, sediado em Paris, as irmãs se apoiam em suas diferentes abordagens de projeto, bem como na experiência de terem crescido entre o Marrocos e a França. Em uma entrevista recente ao Louisiana Channel, elas discutem a influência da arquitetura marroquina em seu trabalho, seu processo colaborativo e o interesse em colocar as tecnologias construtivas contemporâneas em diálogo com as tradições artesanais.

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Daniel Libeskind é agraciado com o Praemium Imperiale de Arquitetura 2026

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O Praemium Imperiale é um prêmio global de artes que reconhece conquistas excepcionais em arquitetura, pintura, escultura, música e teatro ou cinema. Concedido anualmente desde 1988 pela Associação de Arte do Japão, o prêmio teve apenas um adiamento, em 2020, em decorrência da pandemia de Covid-19. Entre as personalidades laureadas em edições anteriores estão o arquiteto português Eduardo Souto de Moura, o arquiteto e humanitário japonês Shigeru Ban e o arquiteto burquinense-alemão Francis Kéré, reconhecidos/as pela associação como profissionais "que transcendem as fronteiras nacionais e étnicas, personificando a cultura e as artes do nosso tempo". Este ano, a pessoa laureada na categoria de arquitetura é o arquiteto polonês-americano Daniel Libeskind, cofundador do Studio Libeskind, conhecido pelo projeto do Museu Judaico de Berlim e pelo Plano Diretor do World Trade Center em Nova York.

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Do óculo à órbita: o simbolismo do círculo na arquitetura

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Ao longo da história da arquitetura, o círculo esteve associado a múltiplos significados — desde a geometria cósmica dos templos antigos e o óculo dos edifícios clássicos até as rosáceas das catedrais góticas e as escotilhas dos navios. No entanto, no século XX, o círculo adquiriu um novo significado cultural. À medida que a aviação, a exploração espacial e a inovação tecnológica transformavam a maneira como a sociedade imaginava o futuro, as formas circulares passaram a evocar máquinas, naves espaciais, cápsulas e até mesmo novas formas de habitação.

O Grande Garuda: A visão inacabada de Jacarta para um litoral à prova de mudanças climáticas

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Houve um momento em que a futura defesa costeira de Jacarta assumiu a forma de um Garuda gigante surgindo do mar. A ave mítica, símbolo nacional da Indonésia, deu forma a uma vasta intervenção costeira destinada a proteger a capital em processo de afundamento contra inundações, ao mesmo tempo em que criava um novo território em mar aberto. Era uma imagem extraordinária: uma muralha costeira transformada em cidade. O projeto Great Garuda é revelador porque mostra o que acontece quando a adaptação climática começa a se sobrepor ao desenvolvimento urbano. A partir do momento em que a infraestrutura de proteção também gera terras valiosas, defender uma cidade e reconstruí-la tornam-se processos difíceis de separar.

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Como a inteligência de materiais resolve o que o BIM não consegue

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A promessa original do BIM (Modelagem de Informação da Construção) ia muito além da representação tridimensional de um edifício. Sua ambição era transformar o modelo em uma estrutura de informação coordenada, na qual geometria, componentes, sistemas e dados permanecessem conectados à medida que o projeto evoluía. Alterações em um elemento podiam se refletir nas plantas, cortes, elevações e quantitativos correspondentes; interferências entre diferentes disciplinas podiam ser identificadas antes da construção; e as informações associadas aos componentes do edifício podiam acompanhar o projeto ao longo das diferentes etapas de seu ciclo de vida.

As cidades mais habitáveis do mundo em 2026: Copenhague mantém o primeiro lugar com a ascensão da Ásia

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Rankings globais de cidades oferecem uma maneira de analisar como os ambientes urbanos apoiam a vida cotidiana. O Global Liveability Index da Economist Intelligence Unit (EIU) avalia 173 cidades em termos de estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura, destacando tanto padrões de longo prazo quanto mudanças de um ano para o outro. Na edição de 2026, Copenhague foi eleita a cidade mais habitável do mundo pelo segundo ano consecutivo, seguida por Viena e Melbourne. A capital dinamarquesa obteve uma pontuação geral de 98 de 100, alcançando a nota máxima em estabilidade, educação e infraestrutura. A média global permanece inalterada em 76,1, com melhorias em saúde, educação e infraestrutura compensando os declínios contínuos na estabilidade.

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Governos municipais transformam edifícios industriais em hubs de construção circular em Nova York, Londres e Bruxelas

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Na última semana de agosto, o governo da cidade de Nova York anunciou um novo projeto para o MADE Bush Terminal, em Sunset Park, Brooklyn. A iniciativa consiste na transformação de um antigo edifício industrial em um centro de recuperação, armazenamento, triagem e redistribuição de materiais de construção durante um programa piloto de um ano. A proposta acompanha uma onda de centros de construção circular semelhantes lançados ou anunciados recentemente na Europa: um galpão adaptado em Bruxelas, a conversão de uma área industrial nas Royal Docks, no leste de Londres, e uma rede transfronteiriça apoiada pela CirCoFin que abrange Munique, Copenhague, Lisboa e Escócia. Cada um desses projetos reaproveita edifícios e infraestruturas industriais para apoiar o reuso de materiais de construção.

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O direito à ingenuidade: como a arquitetura transformou a inocência em um posicionamento

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Desde a crise de 2008, um conjunto disperso de pequenos escritórios (nenhum com mais de quinze anos de existência e nenhum grande o suficiente para precisar de um manifesto no sentido tradicional) chegou, de forma independente, a alguma versão de uma mesma recusa: a de parecer assertivo demais, cedo demais, em uma disciplina que havia passado a década anterior vendendo a autoconfiança como acabamento. É provável que esses escritórios resistam a ser classificados sob um único rótulo, mas a própria coincidência reside no fato de que exercer a arquitetura após 2008 fez com que a inocência parecesse a única postura que valia a pena tentar.

Pelo menos a partir de 2019, o Fala passou a divulgar uma descrição de si mesmo em duas palavras, repetida textualmente em dezenas de veículos de arquitetura: um "escritório de arquitetura ingênuo" (naïve architecture practice). Sem notas de rodapé, sem ironia, apenas um escritório, fundado em 2013, que construiu uma década de casas, casas de passarinho e encomendas institucionais com base em um termo que a arquitetura passara um século tentando superar. A questão que a frase levanta não é se os edifícios são bons (pois geralmente são), mas sim o que significa para um escritório escolher a inocência como posicionamento público. Onde termina a pós-ironia e começa o marketing?

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Assembleia Geral da ONU vota pela promoção da projeção Equal Earth para mapas-múndi mais precisos

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A Assembleia Geral das Nações Unidas votou para promover o uso de projeções de mapas-múndi que representam com maior precisão as dimensões relativas dos continentes. A resolução foi apresentada durante uma sessão na sede da ONU em Nova York no dia 4 de setembro e recebeu 164 votos a favor, com um voto contra e seis abstenções. Proposta pelo Togo, a resolução incentiva governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas de tecnologia a utilizarem projeções de área equivalente sempre que a escala geográfica for relevante. A resolução não substitui ou proíbe formalmente o uso da projeção de Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI. Em vez disso, defende um maior uso de projeções que preservem a área relativa das massas terrestres e incentiva a conscientização sobre as limitações de se representar a superfície curva da Terra em um mapa bidimensional. A projeção Equal Earth, de 2018, é apontada como um exemplo de mapa que representa a escala dos continentes de forma mais precisa.

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Pavilhão da Alemanha examina a coexistência e a democracia por meio de "CONVIVERE" na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2027

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O Ministério Federal da Habitação, Desenvolvimento Urbano e Construção da Alemanha nomeou o escritório Kawahara Krause Architects, juntamente com Andres Lepik e Olga Cobuscean, para a curadoria do Pavilhão Alemão na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura — La Biennale di Venezia 2027. A exposição, intitulada "CONVIVERE — A Repertoire of Living Together", direciona a atenção do público para os espaços intermediários da habitação: o limiar, a escadaria, o pátio e o espaço em frente à porta. O argumento curatorial parte de um diagnóstico sobre o crescente isolamento social, a polarização política e a crescente pressão para construir mais e mais rápido na atualidade. A partir disso, utiliza esses espaços — onde a coexistência cotidiana se inicia — para questionar de que maneira a arquitetura pode contribuir para as bases da democracia.

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Uma casa, muitos climas: quando o design de estufas entra no lar

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Uma estufa é uma edificação projetada para criar um clima dentro de outro. Ao controlar a luz solar, o calor e a ventilação por meio de sua envoltória, ela produz condições distintas daquelas do exterior. Tradicionalmente, esse ambiente controlado era projetado em função das plantas. Na habitação, esse mesmo princípio é cada vez mais empregado para conformar espaços para pessoas.

Trazer a construção de estufas para o âmbito residencial oferece muito mais do que um fechamento adicional. Essa estratégia permite criar espaços abrigados sem a necessidade de climatizá-los como os cômodos internos convencionais, capturar o calor solar quando oportuno, proporcionar ventilação quando as temperaturas se elevam e prolongar os períodos do ano em que determinadas áreas da casa permanecem confortáveis para o uso.

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A Cidade como Sistema de Saúde: Rompendo Ciclos de Retroalimentação no Planejamento

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As consequências espaciais da forma urbana se revelam quando os indicadores de saúde são mapeados nos bairros. Bairros que estimulam a caminhabilidade, a realização de tarefas diárias, a interação social e o acesso a serviços essenciais criam oportunidades para incorporar a atividade física à rotina diária. Por outro lado, locais estruturados em torno de longas distâncias e do transporte individual motorizado anulam essa possibilidade. A atividade física e a motivação para integrá-la ao cotidiano são moldadas pela distância até o supermercado, a segurança de uma faixa de pedestres, a frequência do transporte público, a largura da calçada e a quantidade de serviços disponíveis a curtas distâncias a pé.

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Prêmio ArchDaily Next Practices 2026: Conheça o júri

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Desde o seu lançamento em 2020, o ArchDaily Next Practices Awards tem destacado escritórios de arquitetura inovadores que estão redefinindo as fronteiras da disciplina. Ao longo de cinco edições, a iniciativa já reconheceu 105 escritórios de 44 países, amplificando vozes de todo o mundo e fomentando um diálogo global sobre o papel em constante evolução da arquitetura na sociedade. Entre as práticas premiadas, emergem valores recorrentes: sensibilidade ao contexto, uso sustentável de materiais, cocriação com comunidades, abordagens experimentais e interdisciplinares, memória e patrimônio, responsabilidade social e intervenções em escala humana.

O programa reflete o que vem a seguir: as ideias, práticas e projetos que devem ser levados adiante. O termo "Next" sintetiza escritórios que encontram soluções para os desafios urgentes de hoje enquanto antecipam as necessidades de amanhã. Ao destacar essas práticas, esperamos iluminar os caminhos que podem levar a um futuro mais significativo e resiliente para a arquitetura e além dela.

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