
A Assembleia Geral das Nações Unidas votou para promover o uso de projeções de mapas-múndi que representam com maior precisão as dimensões relativas dos continentes. A resolução foi apresentada durante uma sessão na sede da ONU em Nova York no dia 4 de setembro e recebeu 164 votos a favor, com um voto contra e seis abstenções. Proposta pelo Togo, a resolução incentiva governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas de tecnologia a utilizarem projeções de área equivalente sempre que a escala geográfica for relevante. A resolução não substitui ou proíbe formalmente o uso da projeção de Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI. Em vez disso, defende um maior uso de projeções que preservem a área relativa das massas terrestres e incentiva a conscientização sobre as limitações de se representar a superfície curva da Terra em um mapa bidimensional. A projeção Equal Earth, de 2018, é apontada como um exemplo de mapa que representa a escala dos continentes de forma mais precisa.

A votação ocorreu durante a 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, após discussões sobre os impactos geográficos e de percepção causados pelos mapas-múndi mais comuns. O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, apresentou a resolução, destacando o papel da representação cartográfica na construção do nosso entendimento sobre as relações geográficas. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a resolução, enquanto Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram.

A projeção de Mercator foi desenvolvida pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator em 1569 como uma ferramenta para a navegação marítima. Sua capacidade de preservar ângulos e direções de bússola tornava-a extremamente eficaz para traçar rotas, contudo, isso se dava em detrimento da representação precisa da área das massas de terra. Consequentemente, as regiões geográficas aparecem cada vez mais ampliadas à medida que se afastam da Linha do Equador. Essa distorção fica especialmente evidente ao se comparar a África e a Groenlândia. Em um mapa de Mercator, as duas massas territoriais parecem ter um tamanho semelhante, muito embora a África cubra cerca de 30,4 milhões de quilômetros quadrados, sendo cerca de 14 vezes maior que a Groenlândia. O norte da Europa e a América do Norte sofrem uma distorção semelhante de ampliação em relação às regiões mais próximas à Linha do Equador.

Apesar de ter sido desenvolvida para a navegação, a projeção de Mercator continuou sendo amplamente utilizada em materiais didáticos, meios de comunicação, mapeamento digital e outras formas de representação geográfica. O seu uso contínuo gera debates entre profissionais da cartografia, geografia e educação sobre como as projeções cartográficas influenciam a percepção da escala geográfica e a posição relativa de diferentes regiões.
A Equal Earth foi desenvolvida em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny como uma projeção de mapa-múndi de área equivalente. Diferente da projeção de Mercator, ela preserva a proporcionalidade das áreas das massas terrestres, permitindo comparar de forma mais precisa os tamanhos relativos de continentes e países. No entanto, ela introduz outras distorções na forma, na distância e na direção, tornando-a mais adequada para a visualização geográfica do que para a navegação.
A resolução recebeu apoio de diversos governos, incluindo o da França, cujo ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, anunciou pouco antes da votação que o país deixaria de adotar a projeção de Mercator em seus próprios materiais cartográficos. A França planeja adotar a projeção Eckert IV, outro sistema de área equivalente, selecionando diferentes projeções de acordo com a finalidade de cada mapa. A discussão também levou questões de representação territorial ao debate na ONU. A Ucrânia e a União Europeia expressaram preocupações sobre a representação de territórios em disputa em alguns mapas-múndi alternativos, destacando, contudo, que a resolução em si não tem efeito sobre a soberania, o status territorial ou as fronteiras internacionalmente reconhecidas.

A votação na ONU não estabelece um novo padrão global único para mapas-múndi. Em vez disso, ela reconhece as limitações das projeções existentes e incentiva o uso de sistemas variados de acordo com sua finalidade. Dado que nenhum mapa plano consegue preservar simultaneamente as áreas, formas, distâncias e direções da Terra, a escolha da projeção continua intimamente ligada à maneira como a informação geográfica é comunicada.

Acontecimentos recentes têm chamado a atenção para a arquitetura, a paisagem e a prática espacial em toda a África. Em janeiro de 2026, o World Monuments Fund e a Knoll concederam ao escritório australiano Architectus o Prêmio de Modernismo World Monuments Fund/Knoll de 2026 pela restauração do histórico Africa Hall das Nações Unidas em Adis Abeba, Etiópia. Em uma escala territorial mais ampla, iniciativas como a Grande Muralha Verde demonstram como paisagem, agricultura e infraestrutura se cruzam em resposta à desertificação e às mudanças climáticas. Paralelamente, a edição inaugural da Bienal Pan-Africana (PAB), que ocorre de 7 a 11 de setembro de 2026, em Nairóbi, reunirá profissionais da arquitetura, estúdios, coletivos de pesquisa e especialistas em materiais de todo o continente.
Este artigo foi escrito por Reyyan Dogan. A tradução é gerada por IA.







