A recém-inaugurada exposição matière en résonance ("matéria em ressonância") reúne uma ampla variedade de maquetes e uma seleção curada de fotografias para apresentar a constante exploração da madeira pelo escritório sauerbruch hutton. A mostra parte do pressuposto de que, embora a era do concreto tenha definido o século XX, o início do século XXI testemunha um ressurgimento global da madeira, um material construtivo muito mais antigo. A madeira é apresentada como uma alternativa que oferece "uma versão diferente de modernidade", sendo objeto de um interesse renovado que desperta imaginários coletivos de longa data. Há mais de duas décadas, o escritório de arquitetura sediado em Berlim explora as possibilidades da construção em madeira, desde elementos de fachada até estruturas autoportantes e sistemas modulares. A exposição reflete os resultados dessa investigação contínua, evidenciando tanto a inovação técnica quanto as qualidades intrínsecas da madeira em diversos contextos europeus. A mostra estará em exibição de 3 a 28 de fevereiro de 2026 na Galerie d'Architecture de Paris.
Invenção da cor, de Hélio Oiticica. Imagem via Carlos Reis Wikimedia Commons, CC BY-NC-SA 2.0
Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.
Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.
Na imagem: F128 PA Black Ambiance Granite, U590 PM/TM Deep Blue, U705 PM/TM Angora Grey, U755 PM/TM Havanna Grey, H1708 ST17 Brighton Chestnut. Imagem cortesia de EGGER
Projetar um espaço interno é, de muitas maneiras, um exercício de orquestração. Assim como um/a maestro/a coordena instrumentos, timbres, ritmos e intensidades para compor uma peça coerente, o/a arquiteto/a reúne materiais, cores, luz, textura e proporção para definir a qualidade espacial e a atmosfera de um ambiente. Nenhuma dessas decisões funciona isoladamente: a escolha de uma superfície influencia o modo como a luz é refletida; um determinado material pode moldar o envelhecimento do espaço ao longo do tempo; a cor, por sua vez, afeta diretamente a percepção de escala.
Materiais derivados de madeira, tais como painéis de partículas de madeira (MDP) decorativos, painéis de MDF ou laminados, podem, portanto, ser compreendidos como mais do que simples acabamentos. Produzidos industrialmente, eles combinam a seleção de padrões decorativos, textura superficial e substrato técnico, definindo tanto sua aparência quanto a maneira como o espaço responde ao uso, à luz e ao tempo. Fatores como estabilidade dimensional, facilidade de manutenção e resistência ao desgaste tornam-se parte integrante das decisões projetuais, sobretudo em interiores sujeitos a uso intensivo.
Cidades em todo o mundo compartilham um objetivo comum: tornarem-se mais saudáveis e verdes, apoiadas por uma infraestrutura cívica que restaure ecossistemas e fortaleça a vida pública. A questão é como alcançar esse objetivo. Metas climáticas globais, códigos de obras locais e normas municipais orientam cada vez mais os/as profissionais de design e planejamento rumo a melhores escolhas. Contudo, muitas cidades ainda enfrentam dificuldades para traduzir essas diretrizes em conforto cotidiano ao nível da rua e em proteção ecológica de longo prazo. O que acontece se a cidade deixar de ser tratada como uma cidade tradicional e passar a ser vista como um parque nacional?
Os parques nacionais operam por meio de sistemas de proteção que tratam o território como uma rede de relações ecológicas, e não como uma coleção de áreas isoladas. Eles estabelecem uma base comum sobre o que deve ser preservado, mantido e tornado acessível ao longo do tempo. Quando essa lógica é aplicada ao ambiente urbano, o sucesso dessa abordagem pode inspirar orgulho e um senso de responsabilidade compartilhada entre projetistas, formuladores/as de políticas públicas e moradores/as, fomentando um compromisso coletivo com a saúde, o habitat e a infraestrutura cívica.
Representação artística do sobrevoo lunar da Orion. Imagem via NASA sob licença CC BY-NC-ND 2.0
Era julho de 1969 e os habitantes do planeta Terra estavam prestes a presenciar um momento histórico para a humanidade: a primeira vez que um ser humano pisaria na superfície da Lua a bordo da missão Apollo 11. Após esse marco, a NASA pousou na superfície lunar mais cinco vezes, sendo a última com a Apollo 17, em 1972. Desde então, a humanidade não tentou retornar à Lua — até este ano de 2026, quando lançará a nave espacial Orion como parte da Missão Artemis II. Com lançamento planejado entre fevereiro e abril de 2026, a Orion ainda não levará pessoas para pousar na Lua; em vez disso, fará um voo de sobrevoo para testar softwares e sistemas. Esse teste servirá de base para um pouso humano real no Polo Sul da Lua como parte da Artemis III, previsto para ocorrer entre 2027 e 2028, inaugurando, em última análise, uma nova era no projeto arquitetônico extraterrestre.
O Shou Sugi Ban é uma técnica tradicional japonesa de preservação de madeira que consiste na carbonização da superfície para a criação de uma camada protetora. Embora suas origens estejam enraizadas na durabilidade prática, o método foi amplamente adaptado ao ambiente construído moderno, definindo uma estética singular e marcante. Trata-se de um material contraditório: ao mesmo tempo que se impõe visualmente por seus tons escuros, ele também se apropria de seu entorno natural e o complementa, permitindo que as casas se insiram discretamente na paisagem.
O acabamento carbonizado das 22 residências selecionadas no Canadá e nos Estados Unidos serve como um fio condutor para lidar com climas extremos. De margens de lagos úmidas a florestas densas, a pele carbonizada atua como um escudo resistente contra as mais diversas intempéries. Indo além da mera proteção, estas casas demonstram como a textura do material se transforma sob a exposição à luz, passando de um tom fosco e plano na sombra para uma superfície cintilante, salpicada de prata, sob o sol direto. Os projetos também evidenciam a capacidade da técnica de definir volumes arquitetônicos, utilizando o revestimento escuro para criar silhuetas monolíticas precisas ou para destacar os vazios na volumetria do edifício, como recuos de entrada e terraços protegidos.
O que importa mais: olhar para o passado ou para o futuro? Reconhecer trajetórias consolidadas ou fomentar caminhos ainda em construção? Talvez esta não seja uma pergunta com resposta única. Tradicionalmente, os prêmios de arquitetura funcionam como dispositivos de consagração, reconhecendo obras concluídas, carreiras consolidadas e soluções já testadas, na maioria das vezes sob uma perspectiva retrospectiva. Mas o que aconteceria se o reconhecimento deixasse de ser um fim em si mesmo e passasse a funcionar como um agente catalisador, investindo menos no que já foi feito e mais no que está por vir?
Ao longo da história, a transferência de cidades capitais frequentemente esteve associada a momentos de ruptura política, mudança de regime ou construção simbólica de uma nação. De Brasília a Islamabad, novas capitais eram muitas vezes concebidas como instrumentos de poder centralizado, controle territorial ou projeção ideológica. Nas últimas décadas, no entanto, um conjunto diferente de fatores passou a moldar essas decisões. Em vez de se limitarem a questões de segurança ou representação, as transferências contemporâneas de capitais estão cada vez mais ligadas a pressões estruturais, como concentração demográfica, saturação infraestrutural, risco ambiental e gestão de recursos a longo prazo. À medida que as regiões metropolitanas se expandem além de sua capacidade de suportar o crescimento populacional e as funções administrativas, os governos recorrem à reconfiguração espacial para enfrentar desequilíbrios urbanos sistêmicos.
Zaha Hadid Architects divulgou imagens de seu projeto para a revitalização da orla ao longo do Canal Zhedong, no distrito de Xiaoshan, em Hangzhou, na China. O projeto Qiantang Bay Central Water Axis prevê uma sequência de parques paisagísticos, terraços e jardins ao longo da bacia do canal, propondo a transformação de antigas áreas industriais em um corredor verde que se estende em direção ao centro da cidade. A proposta soma-se a outras iniciativas recentes de projeto na região, incluindo o Museu de Arte de Qiantang Bay, do Snøhetta, planejado para a confluência do rio Qiantang com o Eixo Aquático Central, além da Grand Canal Gateway Bridge, do Zaha Hadid Architects, uma ponte de pedestres destinada a conectar o plano diretor Seamless City, de 800.000 metros quadrados, desenvolvido pelo escritório nas margens leste e oeste do Grande Canal.
O desenvolvimento costeiro em grandes cidades há muito tempo se configura como um terreno de oportunidades e disputas—moldado, a um só tempo, pela busca por capital (vistas privilegiadas, escassez de terras e a promessa de aterros), pelas demandas cívicas por acesso público e por uma vida coletiva à beira-mar, e pelas aspirações contemporâneas de sustentabilidade e de uma identidade urbana marcante. Justamente porque essas agendas raramente se alinham, extrair o potencial máximo de áreas de orla nunca é uma tarefa simples.
Contudo, em Nova York e em Hong Kong, é possível traçar as ambições de cada cidade—a despeito de suas diferentes estratégias, prioridades e lógicas políticas—por meio de um conjunto de projetos fundamentais que ancoram suas linhas costeiras. Lidos em conjunto, esses projetos revelam não apenas o que cada cidade escolhe valorizar, mas também do que está disposta a abrir mão para construir no limite.
A Comissão Europeia e a Fundació Mies van der Rohe anunciaram os sete projetos finalistas do Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia de 2026 - Prêmios Mies van der Rohe, apoiado pelo programa Europa Criativa da União Europeia. A seleção ocorre após o anúncio das 410 obras indicadas em novembro e uma lista de 40 projetos finalistas revelada no início de janeiro. Dos sete finalistas, cinco foram selecionados na categoria Arquitetura e dois na categoria Emergente. De acordo com o júri presidido por Smiljan Radić, os projetos finalistas são contribuições exemplares para o futuro da arquitetura europeia, demonstrando como a disciplina pode responder de maneira simultânea a condições locais específicas e a desafios sociais, culturais e ambientais mais amplos. As obras selecionadas abrangem desde intervenções em antigas áreas industriais, pequenos vilarejos e periferias urbanas até projetos cuidadosamente calibrados em grandes cidades. Nesses variados contextos, as propostas mostram como a arquitetura pode transformar cenários esquecidos ou comuns em espaços inclusivos e de alta qualidade para viver, aprender e conviver.
Prefeitura de Tagaytay / WTA Architecture and Design Studio. Imagem cortesia de WTA Architecture and Design Studio
As notícias de arquitetura desta semana reúnem uma série de anúncios que refletem como a disciplina está se engajando com marcos estruturais e institucionais mais amplos. A introdução de "Systems' Hack" pela Fundação OBEL como o tema para seu ciclo de 2026 coloca em primeiro plano a relação da arquitetura com os sistemas que organizam a vida contemporânea, da infraestrutura aos fluxos de recursos. No âmbito da indústria do design, as diretrizes do Salone del Mobile.Milano para sua edição de 2026, incluindo a participação do OMA no masterplan do Salone Contract, sinalizam uma evolução no entendimento das grandes feiras, que passam a ser vistas como infraestruturas culturais e econômicas de longo prazo, e não apenas como eventos isolados. Paralelamente a esses desenvolvimentos que definem rumos para o setor, os últimos dias de indicações para o Prêmio ArchDaily Building of the Year 2026 destacam o papel da avaliação coletiva e da participação pública na formulação do discurso arquitetônico contemporâneo.
Espaços de lazer costumam ser locais onde diferentes gerações se cruzam. Sem programas formais ou papéis predefinidos, eles permitem que as pessoas se movimentem, façam pausas e permaneçam juntas, cada uma interagindo com o espaço à sua maneira. Em um ambiente construído cada vez mais moldado pela especialização e pela fragmentação, essas bases espaciais compartilhadas tornaram-se menos comuns, conferindo à arquitetura voltada para o lazer uma relevância renovada.
Os debates em torno do espaço público têm apontado repetidamente para o valor da abertura e da flexibilidade no apoio à vida coletiva. Ao refletir sobre como as pessoas interpretam, habitam e adaptam o espaço, o arquiteto Herman Hertzberger fala da arquitetura não como um conjunto de instruções, mas como uma estrutura de possibilidades — algo que convida à interpretação em vez de prescrever comportamentos. Como ele mesmo define, "o que devemos produzir na arquitetura é algo como competência, possibilidade – algo com o qual as pessoas possam lidar livremente, à sua própria maneira." Em vez de tentar criar a interação diretamente, a arquitetura molda as condições que tornam a convivência possível.
O escritório de arquitetura Sordo Madaleno, em colaboração com o építész stúdió e a Buro Happold, foi selecionado para projetar o novo Centro de Coleções de Debrecen, com 43 mil metros quadrados, destinado ao Museu de História Natural da Hungria. Debrecen, a segunda maior cidade da Hungria, é atualmente o foco de um importante desenvolvimento urbano e universitário, que inclui planos para transferir o Museu de História Natural da Hungria de Budapeste para as proximidades da Grande Floresta de Debrecen. O Centro de Coleções proposto foi concebido como uma instalação dedicada ao armazenamento controlado e ao estudo de mais de 11 milhões de objetos, inspirando-se conceitualmente nos tradicionais vasos de argila húngaros, estruturas historicamente utilizadas para proteger e conservar. O projeto marcará a primeira comissão cultural europeia do escritório de arquitetura mexicano, que possui filiais em Londres e na Cidade do México.
Situada ao longo da histórica Rota da Seda na Ásia Central, Tashkent é uma cidade com uma longa história que remonta a milhares de anos. Sua arquitetura histórica é conhecida pelos pátios, cúpulas e cerâmicas azuis, típicos do patrimônio timúrida. Hoje capital do Uzbequistão, a cidade foi incorporada ao Império Russo no século XIX, antes de se tornar uma república soviética. Durante o período em que integrou a União Soviética, a cidade transformou-se em um modelo de modernização, celebrando as conquistas socialistas na Ásia. Um terremoto devastador em 1966 acelerou esse processo à medida que a cidade era reconstruída, dando origem a muitos dos monumentos modernistas pelos quais Tashkent é conhecida hoje.
Comissionada em 2012 após um concurso internacional de projetos, a Ópera de Busan, projetada pelo escritório Snøhetta, está em construção na orla do Porto Norte da cidade, com as obras principais previstas para conclusão no final de 2026 e abertura planejada para 2027. Concebido como a primeira casa de ópera na segunda maior cidade da Coreia do Sul, o projeto redefine a tradicional casa de ópera como uma instituição cívica aberta e inclusiva. Em vez de funcionar apenas como um local de espetáculos, o edifício é concebido como um destino público que promove o uso cotidiano, a experiência coletiva e o engajamento cultural de longo prazo na paisagem urbana em constante evolução de Busan.
"Sabemos que não nascemos para morrer", dizia frequentemente o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. "Nascemos para continuar." Na arquitetura, essa ideia de continuidade está no cerne do patrimônio — não como uma herança estática, mas como algo que resiste, se transforma e é constantemente reinterpretado. No entanto, o que continua e o que se permite desaparecer nunca é algo neutro. As decisões sobre preservação são moldadas pelo poder, pela memória e pelo valor, levantando uma questão fundamental para a prática contemporânea: quem define o que vale a pena ser levado adiante, e para quem?
Santuario de la Naturaleza Humedal Río Maipo. Imagem cortesia de Fundación Cosmos
Celebrado anualmente em 2 de fevereiro, o Dia Mundial das Zonas Úmidas marca a adoção da Convenção de Ramsar em 1971, estabelecendo uma estrutura internacional para reconhecer o papel dessas áreas úmidas na proteção ambiental e no desenvolvimento sustentável. A edição de 2026 tem como tema "Zonas úmidas e conhecimento tradicional: Celebrando o patrimônio cultural", chamando a atenção para a relação duradoura entre os ecossistemas dessas regiões e as práticas culturais, sistemas de conhecimento e estruturas de governança desenvolvidos por comunidades ao longo dos séculos. O tema destaca como o conhecimento ecológico herdado, frequentemente incorporado em rituais, calendários sazonais, práticas de uso da terra e organização espacial, moldou interações resilientes entre os assentamentos humanos e as paisagens hídricas.
A 20ª edição do DAM Preis 2026 foi concedida ao escritório Peter Grundmann Architekten pelo ZK/U Center for Art and Urbanistics, um projeto de reutilização adaptativa em Berlim, na Alemanha. O projeto transforma um antigo galpão térreo em uma estação de carga em Berlin-Moabit em um ponto de encontro cultural. O júri reconheceu a abordagem transformadora da equipe de arquitetura, destacando o uso de uma quantidade de trabalho manual acima da média e um orçamento modesto para envolver o pavilhão existente em uma estrutura leve de aço e vidro, além de adicionar um pavimento extra. Desenvolvido em estreita colaboração com a associação sem fins lucrativos KUNSTrePUBLIK e. V., o projeto apoia uma ampla programação pública estabelecida na antiga estação de carga desde 2012, incluindo exposições, performances, residências artísticas, oficinas de reparo, feiras de bairro e exibições públicas. O escritório Peter Grundmann Architekten foi selecionado por meio de uma licitação de âmbito europeu e contratado para construir a aclamada ampliação em 2019.
Em toda a América do Sul, o conforto ambiental é compreendido não como uma condição interna estática, mas como algo moldado através do espaço. Em regiões marcadas pelo calor, umidade, luz solar intensa e variações sazonais, a arquitetura há muito tempo se apoia em decisões espaciais para amenizar o clima e acolher a vida cotidiana. O conforto surge da maneira como os interiores são abertos, sombreados, ventilados e habitados ao longo do tempo.
Em vez de isolar os espaços internos de seu entorno, muitos projetos contemporâneos na região cultivam o conforto por meio da profundidade, da porosidade e de zonas intermediárias. A luz é filtrada, e não maximizada; o ar é direcionado por aberturas alinhadas e vazios; e os limiares se transformam em espaços ativos de uso, em vez de bordas residuais. Tais estratégias não buscam um controle ambiental uniforme, mas produzem interiores que permanecem amenos, adaptáveis e intimamente sintonizados com as mudanças nas condições climáticas. Nesse contexto, o conforto ambiental torna-se indissociável da experiência espacial.
Fundado como um escritório que atua na interseção entre arquitetura e projetos de base comunitária, o pk_iNCEPTiON está sediado em Maharashtra, Índia. O estúdio, um dos vencedores do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, desenvolve escolas rurais, casas, bibliotecas e edifícios públicos, sempre com foco na organização espacial e na adaptabilidade. Atuando em diversos contextos sociais e climáticos, o pk_iNCEPTiON aborda o projeto com uma atenção minuciosa ao movimento, à escala e à relação entre a forma construída e o espaço livre.
Uma mesa longa pode ser colocada em quase qualquer lugar e ainda desempenhar a mesma função. Ela pode se estender sob a cobertura de um mercado, alinhar-se ao refeitório de uma escola ou ocupar o centro de uma sala de estar compartilhada, alterando imediatamente a temperatura do ambiente.
É por isso que a mesa longa é menos um objeto e mais um instrumento espacial. Ela não garante uma conexão e raramente parece "inclusiva" por padrão. Em vez disso, estabelece condições: uma borda compartilhada, um ritmo comum de chegada, um campo de visibilidade mútua ou uma regra que transforma o ato de comer em uma cena compartilhada. Estudos sobre alimentação descrevem essa prática como comensalidade, o ato de comer junto e a ordem social que ele pode criar, reforçar ou contestar. No entanto, o que importa aqui não é uma dimensão específica ou a função da mesa, mas a maneira como uma superfície longa comporta a diferença, a conversa e o silêncio; a intimidade e a distância; a decisão de se juntar e o direito de hesitar.
Selecionado como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório NAAW representa uma nova geração de estúdios de arquitetura que estão remodelando a prática contemporânea na Ásia Central. Fundado em 2019 por Elvira Bakubayeva e Aisulu Uali, o estúdio atua na interseção entre pesquisa, colaboração interdisciplinar e experimentação espacial, posicionando a arquitetura como uma ferramenta de reflexão e um agente ativo na construção da identidade cazaque contemporânea.