A cada primavera, a Milan Design Week 2026 transforma a cidade em uma plataforma distribuída para a cultura do design, onde protótipos, lançamentos de produtos e investigações baseadas em pesquisa coexistem em múltiplas escalas, incluindo uma presença crescente de objetos projetados por arquitetos/as. Realizada de 20 a 26 de abril, a edição de 2026 voltou a se concentrar no 64º Salone del Mobile.Milano na Fiera Milano, complementada por uma rede de espaços e exposições independentes por toda a cidade — um panorama ampliado que se reflete na seleção de instalações e exposições do ArchDaily que acompanha a programação deste ano.
Renderização aérea do novo estádio do Manchester United. Imagem cortesia de Foster + Partners
Ao longo de 2025, foram anunciados diversos projetos de infraestrutura esportiva que continuam em nosso radar, com conclusão prevista, em sua maioria, entre 2028 e 2030. Localizados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e América do Norte, esses projetos refletem estratégias contemporâneas de masterplans para a transformação de grandes arenas esportivas em seus contextos urbanos. Muitos dos estádios foram projetados como parte de estruturas mais amplas de requalificação urbana que incluem novos espaços públicos, programas de uso misto, instalações para eventos e melhorias de mobilidade, em vez de surgirem como estruturas isoladas. Projetos liderados por escritórios internacionais como Populous, Foster + Partners, Heatherwick Studio, OMA, Gensler, AFL Architects e VUILD ilustram uma variedade de respostas arquitetônicas, urbanísticas e de infraestrutura para o papel em constante evolução dessas grandes instalações esportivas.
De 7 de março a 31 de maio de 2026, a Casa Bola, do arquiteto brasileiro Eduardo Longo, abrirá ao público pela primeira vez. A residência futurista em formato de esfera em São Paulo receberá uma das duas partes da exposição ABERTO5, paralelamente a um projeto na Faria Lima, importante avenida no coração da cidade que conta com marcos de nomes da arquitetura como Ruy Ohtake e Isay Weinfeld. Fundada em 2022, a ABERTO é uma plataforma de exposições que promove o encontro entre arquitetura, arte e design no Brasil e no exterior. Após sua primeira exposição internacional na Maison La Roche, em Paris, a ABERTO retorna a São Paulo para sua quinta edição, apresentando mais de 60 peças de arte e design de 50 artistas brasileiros/as e internacionais. Segundo o arquiteto e curador Fernando Serapião, a Casa Bola representa uma das obras mais radicais da arquitetura brasileira, desafiando o espaço doméstico convencional e refletindo a visão experimental de Eduardo Longo para a habitação.
A 25ª edição do Coachella Valley Music and Arts Festival retorna ao Empire Polo Club em Indio, Califórnia, de 10 a 12 e de 17 a 19 de abril de 2026, reunindo mais de 130 atrações ao lado de um ambicioso programa de instalações artísticas em grande escala. Apresentada pela Public Art Company (PAC) e com curadoria do fundador Raffi Lehrer em colaboração com o diretor de arte da Goldenvoice, Paul Clemente, a seleção deste ano explora a monumentalidade por meio da luminosidade, transparência e leveza das formas. Situadas no oásis desértico do Coachella, as instalações convidam o público a interagir física e sensorialmente, respondendo às mudanças da luz do dia e à atmosfera em constante evolução do amanhecer ao anoitecer.
Projeto finalista do MVRDV para o concurso Shift Landmark, 2026. Imagem cortesia de MVRDV
Shift, uma empresa que oferece programas digitais para reduzir as emissões de carbono por meio de mudanças de comportamento individual, anunciou as cinco equipes finalistas que avançam para a segunda etapa de seu concurso internacional de arquitetura. Lançado em janeiro de 2025, o Shift International Architecture Competition buscou propostas para projetar o "Shift Landmark": um edifício de 25.000 a 30.000 m² em Waterkant, um novo distrito à beira-rio no sul de Roterdã. O projeto inclui um hotel, um centro de conferências e reuniões e uma praça de alimentação sustentável. Seu objetivo é estabelecer um novo padrão para um destino voltado a propósitos que transforme a vida circular em "algo que indivíduos, empresas e organizações possam sentir, vivenciar e colocar em prática". Os cinco conceitos de projeto selecionados refletem diferentes visões de sustentabilidade e ação climática, desenvolvidos por equipes lideradas pelos escritórios europeus do MVRDV (Países Baixos), Heatherwick Studio (Reino Unido), Office for Political Innovation (Espanha), Mecanoo (Países Baixos) e Ecosistema Urbano (Espanha).
Com abertura prevista para 19 de janeiro de 2026, o Sydney Fish Market é o primeiro projeto concluído dentro da revitalização mais ampla de Blackwattle Bay, no porto interno de Sydney. Projetado pelo escritório 3XN em colaboração com o BVN e o Aspect Studios, e construído pela Multiplex, o complexo desenvolvido sob medida substitui o antigo mercado por uma estrutura contemporânea que combina um mercado atacadista de peixes em operação com comércio, gastronomia e espaços públicos à beira-mar. Localizado a aproximadamente 1,6 quilômetro a sudoeste do centro financeiro de Sydney, o projeto ressignifica um dos maiores mercados de peixes do mundo em volume, transformando-o em uma infraestrutura ativa e, ao mesmo tempo, em um destino cívico.
Lesley Lokko OBE foi agraciada com o African Cultural Icon Award, que homenageia "líderes nas artes criativas que promovem a cultura e o patrimônio africanos em um cenário global". A honraria é um dos nove prêmios concedidos anualmente a personalidades indicadas pelo público e recomendadas pelo setor, avaliadas por um júri de toda a África. As pessoas indicadas são avaliadas com base no "impacto, inovação, sustentabilidade e contribuição para o crescimento da África". Lokko é fundadora e presidente do African Futures Institute (AFI), com sede em Acra, Gana, e diretora do Nomadic African Studio, um programa de ensino itinerante anual com duração de um mês que atua em todo o continente africano. A profissional foi reconhecida por suas contribuições transformadoras para a arquitetura, a educação e o discurso cultural dentro e fora da África, desafiando constantemente as narrativas convencionais sobre identidade, espaço e criatividade africanas.
O V&A East Museum, projetado pelos/as arquitetos/as O'Donnell + Tuomey, abrirá ao público em 18 de abril de 2026. Comissionado ao escritório em 2015, o novo edifício está localizado no Queen Elizabeth Olympic Park, próximo à sua instalação irmã recentemente inaugurada, o V&A East Storehouse, projetada por Diller Scofidio + Renfro. Situado na região leste de Londres, o mais novo distrito cultural do Reino Unido, apoiado pela Prefeitura de Londres, o complexo de dois edifícios tem como objetivo "destacar as diversas maneiras pelas quais artistas, designers e criadores/as de todo o mundo usam a criatividade para moldar o planeta". Dedicados à oportunidade criativa e ao seu poder de gerar mudanças, os cinco níveis públicos do museu contam com duas galerias permanentes, uma galeria de exposições temporárias de 900 m², um espaço para projetos e eventos no último pavimento, instalações de aprendizagem e um café.
O artista, diretor e produtor australiano indicado ao BAFTA Liam Young cria mundos imaginários como uma forma de refletir sobre os futuros que tememos, desejamos e já estamos construindo. Como criador e designer de atmosferas, ele propõe paisagens especulativas que refletem as possibilidades de um mundo por vir, seja ele ideal ou verdadeiramente perturbador. Em sua prática de construção de mundos nas indústrias de cinema, televisão e videogames, a ficção torna-se uma ferramenta para navegar pelas urgências ambientais do presente. Ele é considerado um "futurista" que trabalha na intersecção de estratégias de design, cenários tecnológicos e imaginações coletivas, com base em suas pesquisas acadêmicas, mas alcançando um público mais amplo em exposições como "In Other Worlds" no Barbican Centre, em Londres, e "Age of Nature" no Danish Architecture Center, em Copenhague. Em fevereiro de 2026, ele foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner para o Louisiana Channel, onde compartilha suas visões sobre o nosso futuro: desde a consolidação da arquitetura como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de punk planetário na escala da crise climática.
Após sua 7ª edição em 2024, evento centrado no tema "Resources For a Future" (Recursos para um Futuro), a Bienal de Arquitetura de Tallinn retorna em 2026 com o questionamento "How Much?" (Quanto?). Organizado pelo Centro de Arquitetura da Estônia, o evento será realizado sob a curadoria de Stuudio TÄNA, Mark Aleksander Fischer e Mira Samonig. De 9 de setembro a 30 de novembro de 2026, a bienal explorará as relações entre limitação, custo e arquitetura — aspectos frequentemente deixados à margem do debate arquitetônico, mas que inevitavelmente moldam o ambiente construído —, com o objetivo de abrir novos caminhos para compreender o significado de valor, acessibilidade econômica e responsabilidade na arquitetura. A organização divulgou recentemente a programação completa de exposições, workshops, concertos, eventos para famílias e mostras de cinema da TAB 2026, voltada tanto para profissionais de arquitetura quanto para o público geral.
BIG–Bjarke Ingels Group foi selecionado para projetar o campus de uma nova universidade de STEM em Arkansas, Estados Unidos, em um terreno próximo ao centro de Bentonville, onde antes ficava a sede do Walmart. O projeto compreende três edifícios que ocupam duas quadras urbanas e foi desenvolvido em colaboração com o escritório Polk Stanley Wilcox Architects, que atuará como responsável técnico. O campus abrange cerca de 39.200 metros quadrados (aproximadamente 422.000 pés quadrados), incluindo áreas verdes, praças públicas, um edifício acadêmico, um makerspace e uma residência estudantil. Embora o projeto tenha sido revelado recentemente, a universidade planeja receber sua primeira turma de estudantes em 2029.
"A equidade de gênero continua sendo um problema persistente na arquitetura. As arquitetas representam cerca de um terço ou menos da profissão em todo o mundo." Esta é a declaração de abertura do documentário Transnational Narratives: A Documentary Celebrating South Asian Women in Architecture, fruto da 4ª Bolsa Lilly Reich para a Igualdade na Arquitetura. A bolsa, uma iniciativa da Fundació Mies van der Rohe, promove a igualdade de acesso a oportunidades na prática arquitetônica e apoia o estudo e a disseminação de contribuições para a arquitetura que foram injustamente invisibilizadas. Nesse contexto, o documentário, concebido pela Dra. Igea Troiani, pela Dra. Mamuna Iqbal, pela artista e pesquisadora Paula Roush e pela cineasta Rime Tsujino, traz visibilidade às experiências de seis arquitetas de origem sul-asiática: Sumita Singha, Chitra Vishwanath, Sara Khan, Fauzia Qureshi, Sajida Vandal e Neelum Naz, cujas trajetórias profissionais abrangem a Índia, o Paquistão e o Reino Unido.
Visualizações do projeto do Museum of Furniture Studies, 2026. Imagem cortesia de COBE
O Museum of Furniture Studies foi fundado em 2017 em Estocolmo, apresentando um acervo de mais de 1.300 peças de mobiliário criadas por mais de 44 designers internacionais. A sede física do museu fechou em 2022, mas a instituição manteve sua visibilidade por meio de seu Arquivo Digital de Design de Mobiliário até ser adquirida pela IKEA em 2024. Nesta semana, o escritório dinamarquês de arquitetura Cobe anunciou a transformação de um antigo galpão da IKEA em Älmhult, na Suécia, na nova sede do museu. O projeto prevê a conversão de um depósito fechado em um espaço aberto e acessível voltado ao design, preservando sua estrutura industrial. A inauguração do edifício está prevista para o início de fevereiro de 2027.
Tsuyoshi Tane é um arquiteto japonês nascido em 1979 em Tóquio e radicado em Paris, onde fundou o ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects em 2006. Com atuação em projetos culturais, institucionais e de paisagismo, Tane desenvolveu uma abordagem arquitetônica que posiciona a memória como diretriz fundamental do projeto. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, gravada em seu estúdio em Paris, ele reflete sobre a arquitetura como uma disciplina de observação e pensamento, argumentando que o design significativo surge de uma leitura atenta dos vestígios contidos em um terreno. Para ele, a arquitetura não é produzida a partir de uma tela em branco, mas começa com uma investigação sobre o que já existe física, cultural e emocionalmente sob a superfície de um lugar.
Battersea Power Station é uma antiga usina termoelétrica a carvão localizada na margem sul do Rio Tâmisa, em Londres, com projeto original assinado por J. Theo Halliday e Giles Gilbert Scott. Famosa por aparecer na capa do álbum de estúdio Animals, lançado pelo Pink Floyd em 1977, e no filme Sabotage, de Alfred Hitchcock, de 1936, a usina é um dos maiores edifícios de tijolos do mundo, reconhecida por seus acabamentos e decoração de interiores em estilo Art Déco. Hoje reconhecido como parte do patrimônio industrial moderno, o local começou a ser transformado em um empreendimento comercial em 2012, com a reutilização adaptativa orientada por um masterplan desenvolvido por Rafael Viñoly. No dia 16 de fevereiro, a Battersea Power Station anunciou a contratação do escritório de desenho urbano estratégico Studio Egret West para desenvolver o masterplan original para os 16 acres restantes do bairro de 42 acres à beira-rio, no sudoeste de Londres.
Um novo museu dedicado à ciência da fibra de carbono foi inaugurado em Fiorenzuola d'Arda, Itália, em 17 de dezembro de 2025. O projeto remonta a 2021 e foi desenhado pelo escritório CRA–Carlo Ratti Associati em colaboração com o falecido arquiteto italiano Italo Rota. Encomendado pela MAE, fabricante de equipamentos para a produção de fibra de carbono, o projeto transforma um dos maiores acervos do mundo sobre fibra de carbono em um museu dinâmico, unindo a pesquisa à preservação arquivística e convertendo o arquivo em um espaço de exploração interativa. O projeto é descrito pela equipe de projeto como um "museu vivo", um lugar para ler, indagar e conectar ideias.
O Centro de Exposições e Espetáculos de Songshan Lake, projetado pelo escritório ZHA em colaboração com o Beijing Institute of Architectural Design, é um novo complexo cultural e esportivo na cidade de Dongguan , na China. O edifício está localizado na Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia da cidade, um polo de inovação tecnológica e ciência estabelecido em 2001 como um centro de pesquisa, desenvolvimento e manufatura de alta tecnologia. Com uma área construída total de 45.000 metros quadrados, o novo centro cultural foi projetado para ser uma âncora cívica e cultural para a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau (GBA). A construção do edifício à beira-rio teve início em 2021, e o complexo foi inaugurado oficialmente em 30 de março de 2026.
Esta semana foi marcada pela destruição deliberada, desenfreada e injusta decorrente da guerra no Sudoeste Asiático. Como uma das manifestações mais prejudiciais do abuso de poder humano, testemunhamos a destruição de lugares que guardam memórias e sustentam a cultura, bem como a perda e os danos irreparáveis às vidas humanas que lhes conferem identidade. Na expectativa de oferecer cenários mais promissores e construtivos para o futuro, apresentamos, em contraposição a essa realidade, um panorama de avanços em relação à disparidade de gênero que caracteriza a arquitetura e os caminhos a seguir, um conjunto de projetos emblemáticos de interesse público e comunitário que avançam da Turquia ao México, além de três grandes projetos de infraestrutura de transporte multimodal que buscam melhorar a forma como circulamos e habitamos o espaço público na Europa e nos Estados Unidos.
O compilado de notícias desta semana reúne discussões atuais sobre espaço público e coletivo, infraestrutura cultural e transformação urbana de longo prazo em diversos contextos geográficos. Desde modelos de gestão compartilhada que redefinem a propriedade do espaço público em cidades como Paris e Nova York, até iniciativas de grande escala impulsionadas por eventos vinculadas a Milano Cortina 2026 e ao Fórum Urbano Mundial em Baku, os projetos e iniciativas selecionados destacam a interseção entre governança, cultura e infraestrutura na prática contemporânea. Esses temas são aprofundados por meio de uma combinação de processos de planejamento estratégico, incluindo esforços internacionais de planejamento experimental no norte de Lviv, e projetos construídos nas áreas de educação, cultura e arquitetura temporária — desde uma nova instalação de ensino odontológico em Blantyre, no Malawi, até espaços culturais restaurados e recém-inaugurados nos Estados Unidos e em Taiwan, além de intervenções de reutilização adaptativa apresentadas na Bienal de Arquitetura de Chicago. Os exemplos internacionais delineiam um panorama arquitetônico moldado pelo reuso, pelo engajamento público e pelo papel em evolução do design na resposta a estruturas sociais, culturais e institucionais.
Ooooh, that's EpiQ! Por Ricardo Orts Ulises. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily presentes em Milão
Celebrado anualmente em 22 de abril, o Dia Internacional da Mãe Terra pauta o debate arquitetônico desta semana por meio de um apelo urgente para repensar a relação entre o ambiente construído e os sistemas naturais, destacando temas como o rewilding urbano, a restauração de ecossistemas aquáticos e a integração de saberes ancestrais nas práticas de projeto contemporâneas. Por outro lado, a abertura do Salone del Mobile.Milano 2026 e da Milan Design Week 2026 busca reforçar a relevância global do design como plataforma de intercâmbio e experimentação, movimentando a cidade de Milão com uma rede de exposições e instalações voltadas tanto para o setor quanto para o público geral. Entre os anúncios de projetos premiados nesta semana, o concurso House of No Waste (HØW), promovido pelas Nações Unidas, destaca respostas arquitetônicas emergentes aos desafios climáticos e de recursos. Os projetos premiados demonstram estratégias escaláveis para reduzir o desperdício de materiais e o carbono incorporado, ao mesmo tempo em que promovem uma infraestrutura pública adaptável, socialmente responsiva e consciente do uso de recursos.