Aeroporto Internacional de Tampa. Imagem cortesia de Hensel Phelps e HNTB, em associação com Gensler
De Bangkok a Billund, uma nova onda de anúncios de projetos de arquitetura está remodelando a forma como os espaços de trabalho, cultura, mobilidade e vida pública são concebidos. Na Noruega, na Tailândia, nos Estados Unidos, na Dinamarca e na Austrália, essas propostas refletem uma ênfase cada vez maior na integração tecnológica, na construção sustentável e em ambientes flexíveis e preparados para o futuro. Seja projetando polos de produção para profissionais de criação digital, campi de mídia adaptáveis ou paisagens cívicas repletas de história e intenção ecológica, cada proposta oferece uma visão de como a arquitetura está evoluindo para dar suporte a indústrias emergentes, programação cultural e novas formas de engajamento público. Esta edição do Architecture Now reúne uma seleção de projetos anunciados recentemente que destacam a interseção entre design, tecnologia e inovação em um contexto global.
Uma análise anterior sobre marcos culturais no Oriente Médio projetados por arquitetos/as internacionais destacou temas recorrentes, como a arquitetura como uma extensão da paisagem, o desenho responsivo ao clima e a abstração de formas tradicionais. Esses projetos frequentemente introduziram soluções ambientais de alta tecnologia, utilizaram formas monumentais para reinterpretar a identidade local ou se posicionaram como marcos na paisagem urbana ou desértica mais ampla. Embora essas abordagens tenham definido muitas das instituições culturais mais reconhecidas da região, elas representam apenas um lado do discurso arquitetônico. Uma trajetória igualmente significativa, porém distinta, surge de arquitetos/as locais, que trabalham a partir de estruturas existentes, contextos históricos e ambientes habitados para criar instituições profundamente integradas ao seu entorno. Essa abordagem prioriza a continuidade, a transformação e a acessibilidade, garantindo que a arquitetura continue sendo parte viva do tecido cultural, em vez de se limitar a um objeto isolado.
De novos desenvolvimentos em escala urbana a propostas de reuso adaptativo, esta edição do Architecture Now destaca uma série de projetos anunciados recentemente ao redor do mundo. O escritório Foster + Partners lidera a retomada de Amaravati, uma capital planejada na Índia; o Safdie Architects propõe uma nova torre no bairro histórico de Old Port, em Portland; e o SOM inicia as obras de um pavilhão cultural e acadêmico na Temple University. Outras atualizações incluem um plano de preservação para uma ponte histórica em Praga, um empreendimento hoteleiro costeiro em Abu Dhabi e um projeto residencial de grande escala no Brooklyn projetado por TenBerke. Em conjunto, esses projetos refletem as prioridades em constante evolução em habitação, sustentabilidade, patrimônio e espaço público em diversos contextos globais.
Esta edição do Architecture Now reúne projetos que exploram como a arquitetura está remodelando portais globais, destinos culturais e a vida urbana. O projeto do SOM para o novo Saguão de Embarque e Desembarque em Austin e a proposta da Scott Brownrigg para o Heathrow West destacam o aeroporto como um limiar cívico, enquanto o complexo de três torres do escritório Kerry Hill Architects em Brisbane prioriza o espaço público e as paisagens subtropicais na habitação de alta densidade. A torre à beira-mar do escritório Zaha Hadid Architects na Flórida dá continuidade à tradição costeira escultórica de Miami, e o Japa Valley Tokyo, de Pharrell Williams e NIGO, apresenta um distrito cultural temporário que mescla arte, hospitalidade e varejo. Juntas, essas iniciativas refletem como infraestrutura, estilo de vida e design se cruzam para definir a experiência urbana contemporânea.
O escritório Stanton Williams foi selecionado para projetar o Fleming Centre, uma instalação de última geração voltada para a pesquisa e o engajamento público que será construída no campus do St Mary's Hospital em Paddington, Londres. Anunciado pelo Royal Institute of British Architects (RIBA), o projeto visa criar um polo global de colaboração e inovação para combater a resistência antimicrobiana (AMR), um grave desafio de saúde que afeta populações em todo o mundo. O Fleming Centre faz parte da Fleming Initiative, uma iniciativa mais ampla desenvolvida em parceria entre o Imperial College Healthcare e o Imperial College London.
A demolição do Hotel Jugoslavija, um exemplo notável da arquitetura modernista em Belgrado, teve início, abrindo caminho para novos empreendimentos na paisagem urbana em rápida transformação da cidade. Construído em 1969 em Nova Belgrado, o hotel já foi um dos maiores e mais proeminentes da Europa, refletindo as aspirações da República Socialista Federal da Iugoslávia (RSFI) em seu auge. Projetado pelo arquiteto de Zagreb Lavoslav Horvat, o edifício de oito andares foi um projeto fundamental sob a liderança de Josip Broz Tito. A obra exibia os princípios modernistas da época, aliando funcionalidade a formas arquitetônicas imponentes. Seus interiores apresentavam detalhes luxuosos, incluindo um lustre Swarovski composto por 40 mil cristais, que realçava a importância do edifício como símbolo da presença internacional da Iugoslávia.
Gensler, em colaboração com a El Qalaa El Hamraa e a Buro Happold, revelou planos para um novo estádio dedicado ao Al-Ahly Football Club, equipe amplamente reconhecida por seu destaque no futebol africano e do Oriente Médio. O projeto, aguardado há mais de três décadas, prevê uma arena de última geração projetada não apenas para partidas de futebol, mas também como um marco nacional capaz de sediar eventos de grande escala, estabelecendo um novo padrão para a arquitetura esportiva na região.
O escritório MVRDV acaba de apresentar o projeto do LuLa Light Mall, um shopping center ao ar livre em construção em Luxelakes Eco-City, na cidade de Chengdu, na China. A proposta consiste em volumes sobrepostos com espaços abertos entre eles, criando terraços, passarelas e escadarias que integram o entorno natural e oferecem vistas para o lago vizinho. Luxelakes Eco-City, um distrito em desenvolvimento no sul de Chengdu, abrange 5,5 quilômetros quadrados e conta com 1,4 quilômetro quadrado de lagos e áreas verdes. A localização do shopping, situado entre a paisagem natural ao sudeste e edifícios de grande altura ao noroeste, funciona como uma transição entre os ambientes urbano e natural.
A arquiteta francesa Anne Lacaton, vencedora do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2021, foi laureada com o prêmio Jane Drew de Arquitetura 2025, uma distinção anual que reconhece profissionais da arquitetura cujo trabalho e compromisso com a excelência do design têm contribuído para elevar a presença de mulheres na arquitetura. Integrante do W Awards, a premiação homenageia figuras que impulsionaram a prática arquitetônica por meio de inovação, engajamento e impacto. Lacaton, cofundadora do escritório parisiense Lacaton & Vassal, foi selecionada por sua abordagem pioneira em uma arquitetura sustentável e socialmente responsável.
Em um momento em que a prática arquitetônica está cada vez mais atrelada ao clima e ao contexto, a fronteira entre o construído e o natural tornou-se um território crítico de experimentação. A seleção de projetos não construídos deste mês reúne oito propostas conceituais que trabalham nos limites da paisagem. Em Ramia, do João Teles Atelier, a arquitetura inspira-se diretamente na metáfora de uma semente que rompe a terra, utilizando madeira, concreto e água para criar um percurso sensorial pela ecologia de Tulum. Por sua vez, o Mobius Pier, do X Atelier, projeta-se em uma curva suave sobre a margem do rio, funcionando simultaneamente como infraestrutura e ponto de observação. De forma semelhante, o projeto Il mare degli Umbri aborda esse limiar de outra maneira, restaurando a linha costeira histórica do Lago Trasimeno e reintroduzindo as ecologias de áreas úmidas locais. Cada projeto desta coletânea reflete uma postura singular: alguns tratam o limite como uma experiência espacial, outros como uma linha reguladora e, ainda, outros como um ponto de retorno cultural ou ecológico.
No discurso arquitetônico contemporâneo, o planejamento urbano é cada vez mais reconhecido como um meio de conciliar o crescimento com prioridades sociais, culturais e ambientais de longo prazo. Para além de organizar edifícios e infraestrutura, essas propostas de grande escala visam regenerar o tecido urbano, adaptar áreas históricas ou subutilizadas e estabelecer diretrizes para comunidades inclusivas e resilientes. Enviados pela comunidade do ArchDaily, os projetos apresentados nesta edição de Arquitetura Não Construída destacam como os planos diretores podem responder aos desafios contemporâneos enquanto preparam as cidades para um futuro incerto.
Abrangendo diversas geografias, da Europa ao Oriente Médio e às Américas, os projetos selecionados reinterpretam complexos industriais, sítios culturais e bairros residenciais por meio de estratégias que priorizam a sustentabilidade, a mobilidade e a identidade coletiva. Muitos compartilham o foco no design regenerativo: a reabertura de canais históricos, a criação de espaços públicos adaptados ao clima e a introdução de corredores verdes e centros comunitários para reconectar as pessoas com seus ambientes. Juntos, eles demonstram como o planejamento urbano vem se consolidando como uma ferramenta fundamental para repensar a maneira como as cidades crescem, se adaptam e sustentam a vida cívica.
À medida que as instituições de ensino em todo o mundo se adaptam às constantes mudanças nas demandas da sociedade, a arquitetura voltada ao aprendizado também evolui. Esta seleção com curadoria reúne projetos enviados pela comunidade global do ArchDaily, destacando como arquitetos e arquitetas estão repensando o futuro de escolas e universidades por meio do design. Essas propostas refletem preocupações globais urgentes: a importância da educaçãocentrada na comunidade, a revitalização de edifícios e bairros históricos, a integração de sistemas naturais e a busca por expressões espaciais que acomodem tanto o ensino formal quanto as trocas informais. Sejam situados em centros urbanos densos, vilas rurais ou paisagens costeiras, esses projetos respondem a contextos culturais e ambientais específicos, ao mesmo tempo em que dialogam com questões arquitetônicas mais amplas de sustentabilidade, acesso e identidade.
O/A arquiteto/a britânico/a Asif Khan acaba de revelar o projeto de transformação de um cinema da era soviética em Almaty, no Cazaquistão, no Centro de Cultura Contemporânea Tselinny, um espaço multifuncional projetado para apoiar o desenvolvimento de profissionais criativos/as cazaques e da Ásia Central. O projeto, iniciado em 2018, tem inauguração prevista para abril e contará com espaços para exposições de arte, performances, exibições de filmes, oficinas e outras atividades. Após a conclusão, o Centro Tselinny se tornará a primeira instituição cultural independente do Cazaquistão.
Na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, o Egito apresenta Let's Grasp the Mirage, seu pavilhão nacional que propõe uma exploração interativa da sustentabilidade através da lente simbólica do oásis egípcio. Com curadoria de Salah Zikri, Ebrahim Zakaria e Emad Fikry, e comissionado pelo Ministério da Cultura do Egito e pela Accademia d'Egitto, o projeto reflete sobre o delicado equilíbrio entre conservação e desenvolvimento, alinhando-se ao tema da Bienal de 2025: "Intelligens. Natural. Artificial. Collective."
A General Motors e a Bedrock apresentaram uma proposta ousada de US$ 1,6 bilhão para reimaginar o icônico Renaissance Center de Detroit e os 27 acres no entorno ao longo da orla do rio Detroit. O plano visa transformar o marco dos anos 1970 em um complexo dinâmico de uso misto voltado a habitação, escritórios e entretenimento. A proposta inclui a demolição de duas torres de 39 andares do complexo deamp;nbsp;cinco arranha-céus, liberando uma área valiosa na orla para novos projetos, sem descaracterizar a famosa silhueta urbana da cidade.