Realizada em Pamplona de 23 a 26 de setembro, a Bienal de Arquitetura Latino-Americana 2025 reuniu escritórios emergentes e vozes consolidadas do continente. A edição se destacou pela qualidade e diversidade das práticas selecionadas: projetos de grande riqueza formal e conceitual, desenvolvidos por escritórios jovens, porém de uma solidez admirável, que refletem a maturidade e a vitalidade do panorama arquitetônico latino-americano atual.
Lina Bo Bardi / Preliminary Study – Practicable Sculptures for the Belvedere at Museu Arte Trianon, 1968. Credit line: Doação Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, 2006. Cortesia de MASP.
Aldo van Eyck e Lina Bo Bardi foram duas figuras subversivas. Suas visões de coletividade e ludicidade, mesmo aplicadas em estruturas muito distintas, tinham como principal ponto em comum uma ideia de arquitetura que vai além do desenho. Um espaço que se faz vivo pela apropriação, pelo movimento e pela troca. Dos playgrounds holandeses ao museu paulistano, os ideais dos arquitetos se entrelaçam, fortalecendo a ideia de uma arquitetura onde qualquer um se torna criança.
No mundo da arquitetura de interiores, onde a criatividade e a cultura se cruzam, Tola Ojuolape se destaca como uma designer cujo trabalho é um testemunho de narrativa pessoal. Desde seus primeiros estudos em arte e construção até sua formação em arquitetura de interiores, a carreira de Tola tem sido moldada por uma profunda conexão com sua herança nigeriana, descoberta durante suas viagens de retorno ao continente africano. Essa jornada influenciou profundamente sua filosofia de design, criando um processo intimamente entrelaçado com a história, a cultura e o senso de lugar.
Ópera e Centro de Convenções Isola Della Musica por Renzo Piano Building Workshop. Render. Imagem cortesia de RPBW
Renzo Piano Building Workshop (RPBW), em colaboração com o escritório PTW Architects, com sedes em Sydney e Hanói, deu início à construção da Isola della Musica, uma nova casa de ópera e centro de convenções em Hanói, no Vietnã. Encomendado pelo Sun Group, o projeto foi concebido originalmente em 2017 e faz parte de um plano diretor mais amplo que remodela o limite existente entre o Lago Oeste e o Lago Đầm Trị. Inspirado no histórico de cultivo de pérolas da região, o edifício apresenta uma série de cascas curvas de concreto cujas formas e superfícies evocam a textura e a luminosidade da madrepérola.
Sandibe Okavango Safari Lodge / Nicholas Plewman Architects em associação com Michaelis Boyd Associates
No leste e no sul da África, os lodges de safári atraem turistas de todo o mundo que desejam contemplar as paisagens e a fauna do mundo natural. Geralmente situados em parques nacionais e reservas de caça, suas localizações remotas tornam a viagem dispendiosa e, portanto, propícia para estadias de luxo. Muitas vezes negligenciados como tipologia arquitetônica, muitos lodges correm o risco de cair na armadilha de serem insensíveis ao contexto ou de imitarem de forma grosseira métodos construtivos vernáculos, resultando em pastiche. Por outro lado, o lodge de safári situa-se na interseção entre o mundo construído e o natural, aproximando populações rurais e urbanas, riqueza e pobreza, fauna silvestre e seres humanos. Desse modo, representa uma oportunidade para projetar com a máxima responsabilidade social e ambiental.
O granilite há muito tempo se posiciona na interseção entre durabilidade, expressão artística e apelo atemporal. Originado na Itália como uma alternativa pragmática para reaproveitar fragmentos de mármore em pisos, o granilite tornou-se sinônimo de elegância e resistência na arquitetura. Tradicionalmente feito à mão com pedriscos e cal — e, posteriormente, cimento —, o material criava superfícies contínuas e sem emendas que celebravam tanto o trabalho artesanal quanto a durabilidade. Com o tempo, à medida que os métodos construtivos evoluíram e os projetos passaram a exigir maior eficiência, adaptabilidade e modularidade, o granilite expandiu-se para além de seus limites tradicionais. De sistemas moldados in loco a formulações modernas à base de epóxi, o material evoluiu para uma solução versátil que viabiliza espessuras menores, instalação mais rápida e uma gama mais ampla de cores e agregados. Hoje, o granilite pré-moldado complementa o método tradicional, abrindo caminho para novas aplicações — de escadas e revestimentos de parede a mobiliários e elementos de design sob medida — sem comprometer o desempenho ou a estética.
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta espanhola Marina Otero Verzier, vencedora do Wheelwright Prize 2022, sobre sua pesquisa a respeito do custo material e extrativo da nuvem digital, tema desenvolvido em seu livro En las profundidades de la nube, publicado em 2024 pela Ediciones Asimétricas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143097/data-centers-caixas-cegas-e-nuvens-digitais-segundo-marina-otero-verzierArchDaily Team
Qual é o papel do mobiliário urbano no espaço público? Alinhado aos comportamentos humanos em sociedade, o desenho dos espaços públicos insere-se em uma investigação complexa que compreende, além da análise de usos, a participação da comunidade, o estudo das condições climáticas e geográficas, a economia de recursos, entre tantos outros fatores, a seleção de equipamentos e elementos urbanos adequados para satisfazer as necessidades de uma grande parcela da população. Como defende o arquiteto e urbanista espanhol Oriol Bohigas Guardiola, a arquitetura, além de uma arte, é um serviço direto à sociedade. Portanto, a harmonia entre as múltiplas disciplinas que intervêm simultaneamente deveria consolidar ferramentas que melhorem e/ou facilitem a vida em comunidade. Compreender o papel que o mobiliário urbano desempenha ao colaborar para a realização de certas atividades — de acordo com sua disposição, dimensões, materialidade e vida útil de longo prazo — é parte importante do funcionamento atual e futuro dos espaços urbanos.
Frankfurt é frequentemente reconhecida por seu skyline marcante, uma característica rara nas cidades europeias. Grandiosos arranha-céus de vidro consolidam seu papel como um polo financeiro global; no entanto, por trás dessa imagem vertical, revela-se uma cidade construída sobre camadas de séculos de história, destruição e reconstrução. De casas medievais em enxaimel ao modernismo do pós-guerra e edifícios altos contemporâneos, Frankfurt tem se reinventado constantemente através da arquitetura, gerando um ambiente construído onde diferentes períodos coexistem em diálogo.
A transformação da cidade acelerou após a Segunda Guerra Mundial, quando grande parte de seu núcleo histórico foi destruída e as equipes de planejamento urbano buscaram equilibrar o rápido crescimento econômico com a necessidade de reconstrução cultural. Marcos urbanos como a praça Römerberg foram meticulosamente reconstruídos, enquanto intervenções modernistas e projetos de infraestrutura introduziram novas escalas e linguagens. Mais recentemente, projetos de escritórios de renome internacional reformularam a orla do rio e os distritos de negócios, somando ícones arquitetônicos que expressam a relevância global de Frankfurt.
O Cobe revelou o projeto do Museum Wegner em Tønder, na Dinamarca, uma nova instituição cultural dedicada à vida e obra do renomado designer dinamarquês Hans J. Wegner. O museu ficará localizado em Hestholm, uma históricafazenda que remonta a 1445, e combinará a reutilização adaptativa de estruturas existentes com uma extensãocontemporânea. Após um processo seletivo de entrevistas, o Cobe foi escolhido em fevereiro de 2024 para desenvolver o projeto arquitetônico, que agora avança em direção à sua concretização com forte apoio local e nacional.
Nas comunidades indígenas da América do Sul, o lugar da criança é onde ela desejar estar. Os bebês engatinham pelo chão de terra, se aproximam das fogueiras, investigam formigueiros, experimentam o mundo com o corpo inteiro. Eles aprendem sentindo: descobrem limites, reconhecem perigos e colhem lições que nenhum manual poderia ensinar. No cenário urbano, por outro lado, as crianças costumam ser contidas em espaços pensados para adultos, repletos de regras que, embora bem-intencionadas, muitas vezes as afastam de experiências vitais. Diante dessas diferenças culturais, não nos caberia julgar qual modelo é melhor, mas sim, perceber que, quando culturas diferentes se observam, sempre há espaço para aprender.
No âmbito arquitetônico, essa infância vivida com rara liberdade de tempo e espaço, convida a repensar a forma como moldamos nosso cotidiano: por que limitar a exploração espontânea das crianças em ambientes controlados? Por que criar barreiras físicas e simbólicas entre elas e o mundo natural? E, sobretudo, como a arquitetura contemporânea poderia romper esse paradigma e, inspirada pela criança indígena, criar espaços que devolvam à infância sua dimensão mais selvagem, curiosa e plena?
As participações arquitetônicas do Bahrein em exposições internacionais têm conquistado reconhecimento global crescente, marcado recentemente por prêmios importantes na Expo 2025 Osaka e na Bienal de Arquitetura de Veneza. Esses marcos refletem uma trajetória mais ampla na qual a cultura de projeto do país, baseada na inteligência climática e na continuidade cultural, consolidou-se como uma voz proeminente nos debates internacionais sobre arquitetura contextualizada.
Essa visibilidade crescente se apoia em uma profunda linhagem arquitetônica. A identidade do Bahrein é moldada há muito tempo por sua posição como um cruzamento marítimo no Golfo Pérsico, onde o legado dos assentamentos de extração de pérolas e a malha urbana compacta de Muharraq e Manama revelam um diálogo entre as tradições locais e os intercâmbios globais. Hoje, esse diálogo evolui por meio de práticas que fundem a preservação com a experimentação, traduzindo o patrimônio em uma linguagem arquitetônica contemporânea que é, ao mesmo tempo, específica de seu lugar e voltada para o futuro.
O Prêmio Internacional de Arquitetura de Paisagem Cornelia Hahn Oberlander, de caráter bienal, foi criado com o objetivo de aumentar a visibilidade, a compreensão, a valorização e o diálogo em torno da arquitetura de paisagem. A concepção do Prêmio Oberlander teve início em 2014, e o/a laureado/a mais recente foi o/a arquiteto/a paisagista Kongjian Yu, pioneiro/a no conceito de "Cidade Esponja". Este ano, a The Cultural Landscape Foundation (TCLF) anunciou que o arquiteto paisagista Mario Schjetnan, baseado na Cidade do México, e seu escritório, o Grupo de Diseño Urbano (GDU), são os vencedores do Prêmio Oberlander de 2025. Segundo a TCLF, Schjetnan pertence a uma geração de arquitetos/as paisagistas, arquitetos/as e urbanistas que se conscientizaram sobre os impactos ambientais do desenvolvimento urbano e suas consequências para a vida, o planeta e seus habitantes. Ele e a equipe do GDU são os primeiros latino-americanos a receber o Prêmio Oberlander.
Ciudad Cayalá, uma comunidade de uso misto de iniciativa privada na periferia da Cidade da Guatemala, costuma ser descrita como um "parque temático" de paredes caiadas de branco, telhas vermelhas e praças de paralelepípedos. Contudo, uma análise mais detalhada revela uma narrativa urbana bem mais complexa. Sua verdadeira importância reside na capacidade de criar um espaço público seguro e bem gerido, propondo uma releitura contemporânea dos princípios urbanísticos históricos que marcam o patrimônio arquitetônico e urbano da região. Por trás das fachadas ao estilo de Antigua esconde-se um experimento urbano: um resgate moderno de elementos arquitetônicos como arcadas, pátios internos e praças abertas, que propõem um espaço público de gestão privada como resposta aos desafios urbanos da região.
Assim como a famosa boneca russa Matryoshka, abrir uma embalagem muitas vezes parece revelar camadas infinitas. Dentro de uma caixa de papelão, pode haver isopor moldado, depois várias almofadas de ar de plástico e, finalmente, um plástico filme individual em torno de cada peça. Mesmo um produto pequeno pode deixar um rastro de resíduos plásticos muito maior do que seu próprio tamanho. Agora, imagine essa lógica aplicada a um canteiro de obras, onde cada componente, cada entrega de materiais, costuma chegar envolto em múltiplas camadas de proteção. O que já parece excessivo no varejo ganha proporções monumentais quando repetido diariamente em grandes projetos de construção.
Concursos abertos de arquitetura são, há muito tempo, considerados portas de entrada para novas ideias. Eles garantem condições equitativas ao propor uma chamada única, um conjunto de regras claro e uma avaliação baseada exclusivamente na qualidade do trabalho, realizada de forma anônima. Para os organizadores — sejam cidades, instituições ou empresas —, representam uma maneira de reunir propostas relevantes em um fórum público transparente, respaldado por um júri qualificado. Não por acaso, os concursos marcaram momentos decisivos na história da disciplina, como o concurso para o Centre Pompidou em Paris, que projetou Renzo Piano e Richard Rogers ao estrelato com seu "edifício do avesso", ou aquele para a nova capital do Brasil, vencido por Lúcio Costa com o Plano Piloto que sintetizou a cidade em dois eixos que se cruzam, interpretados ora como um avião, ora como uma cruz.
Afinal, por que os concursos ainda são importantes para a arquitetura hoje? Para além de seu papel histórico na concepção de projetos icônicos, eles continuam a servir como campos de testes para novas ideias, talentos e inovações. Nas seções a seguir, exploramos os concursos sob três ângulos: as motivações que levam arquitetos e arquitetas a continuarem participando deles, as razões pelas quais os organizadores continuam a promovê-los e um roteiro prático de estratégias para ajudar você a abordar seu próximo concurso com clareza e propósito.
Na segunda-feira, 13 de outubro, encerrou-se a Expo Osaka 2025. A exposição reuniu representantes de 165 países e organizações internacionais e recebeu cerca de 28 milhões de visitantes em Yumeshima, uma ilha artificial na Baía de Osaka. O local foi redefinido por meio de um plano diretor e delimitado por uma estrutura circular de madeira que quebrou o recorde mundial do Guinness, ambos projetados pelo escritório Sou Fujimoto Architects. Ao longo de 184 dias, o público pôde visitar pavilhões autoconstruídos, modulares e compartilhados, além de exposições nacionais e atividades públicas organizadas sob o tema central "Concebendo a Sociedade do Futuro para as Nossas Vidas". Durante seus seis meses de funcionamento, a Expo propôs a exploração de três subtemas fundamentais — Salvar Vidas, Empoderar Vidas e Conectar Vidas —, em um convite para reunir novas perspectivas para o nosso ecossistema social e construído.
A tranquilidade é essencial ao selecionar metais sanitários para um projeto comercial. Como líder global em metais e acessórios arquitetônicos premium, a ABI Interiors tem o compromisso de entregar soluções sustentáveis e pautadas pelo design que atendem às necessidades práticas e criativas de arquitetos/as em empreendimentos comerciais, residenciais e de grande escala.
Quando o Archigram publicou sua visão fanática de cidades pneumáticas e megaestruturas móveis na década de 1960, parecia estar projetando edifícios. Sob a superfície, os vanguardistas impulsionavam a cultura por meio de alternativas radicais de estilos de vida e formas de organização na cidade. Laboratórios se revelavam entrelinhas nos textos de revistas como Domus ou Casabella, com propostas que funcionavam como verdadeiros projetos para as civilizações do futuro. Da Bauhaus de Gropius em 1919 aos experimentos no deserto de Arcosanti na década de 1970, a arquitetura operava como uma forma de profecia cultural. A forma construída era o argumento. O desenho era a visão. Hoje, vivemos em um mundo que se assemelha notavelmente ao que os/as "starchitects" do século XX imaginaram — construção modular, cidades digitais interconectadas e sistemas automatizados. No entanto, a arquitetura contemporânea raramente propõe cultura com a mesma confiança totalizadora.
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Vencedor do 1º Prêmio: Our Light. Imagem cortesia de Buildner
Buildner anunciou os resultados de sua quarta edição anual do concurso internacional de ideias de arquitetura Hospice - Home for the Terminally Ill. Esta chamada global de ideias continua a explorar como a arquitetura pode apoiar os cuidados de fim de vida com empatia, dignidade e sensibilidade ao contexto. O concurso convidou arquitetos/as e designers a irem além dos requisitos clínicos e a conceberem espaços que ofereçam calor emocional, conexão social e um profundo senso de lugar.