"Mapear o Novo Mundo" é o lema do Projeto PLATEAU, liderado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT), para desenvolver e expandir o acesso a modelos 3D que representam a diversidade das cidades de todo o país. O Japão é composto por um total de 744 cidades, incluindo 14 com populações que superam um milhão de habitantes, 190 com população entre 100 mil e um milhão, e 540 com populações entre 10 mil e 100 mil habitantes. Até o momento, modelos 3D de mais de 250 cidades foram disponibilizados como dados abertos por meio do Centro de Informações G-Espaciais público do país, podendo também ser acessados através de um visualizador online no navegador. Segundo as autoridades públicas, o projeto visa fortalecer a resiliência urbana ao fornecer à sociedade novas ferramentas para enfrentar desafios locais. Isso envolve não apenas a modelagem do espaço urbano, mas também a colaboração com governos locais, empresas privadas e comunidades de tecnologia. O projeto inclui ainda uma reconstrução digital do local da recém-encerrada Expo Mundial de Osaka.
À medida que o discurso arquitetônico continua a se expandir pelos domínios cultural, educacional e cívico, os acontecimentos de esta semana destacam como a disciplina opera simultaneamente por meio do legado, da produção de conhecimento e do engajamento público em grande escala. De reflexões sobre figuras influentes e seu impacto duradouro a cenários acadêmicos em evolução e novas formas de infraestrutura cultural, a arquitetura se posiciona tanto como um repositório de ideias quanto como um agente ativo na formação de identidades contemporâneas. Ao mesmo tempo, projetos que abrangem áreas como entretenimento, museus e desenvolvimento de orlas apontam para uma crescente ênfase em programas híbridos e ambientes experienciais, nos quais a arquitetura atua como mediadora entre a cultura, a vida pública e o público global.
O Getty Centeranunciou um amplo programa de modernização que marca sua transformação mais significativa desde a inauguração em 1997. Localizado nas montanhas de Santa Monica e com vista para Los Angeles, o campus fechará temporariamente ao público de 15 de março de 2027 até a primavera de 2028 para viabilizar as obras planejadas. A iniciativa tem como foco aprimorar a experiência dos/as visitantes, melhorar a acessibilidade e promover a resiliência energética, além de apoiar a gestão de longo prazo da instituição. Antes do início do fechamento, o Getty Center manterá sua programação de exposições e eventos até o início de 2027.
Qapital Tower Equador. Imagem cortesia de Kengo Kuma and Associates(KKAA)
O escritório Kengo Kuma & Associates revelou os planos para o Qapital, uma torre de uso misto de 32 andares que será construída em Quito, no Equador, em colaboração com a incorporadora local Uribe Schwarzkopf. Com conclusão prevista para 2029, o projeto marca o primeiro trabalho do arquiteto japonêsKengo Kuma no país, expandindo o portfólio internacional do escritório para o contexto sul-americano. Localizada em frente ao Parque La Carolina, no distrito financeiro de Quito, a torre de 125,8 metros de altura apresenta um programa organizado verticalmente que reúne espaços residenciais, comerciais e comodidades compartilhadas.
O ambulatório sul do Coliseu de Roma foi restaurado por meio de uma intervenção liderada pelo Stefano Boeri Interiors, estúdio multidisciplinar fundado pelos arquitetos Stefano Boeri e Giorgio Donà, para o Parco Archeologico del Colosseo, com foco na reconstrução da crepídine e na repavimentação de seções ausentes para restabelecer os níveis originais do solo do monumento e melhorar a legibilidade de seu perímetro sul. O projeto se baseia em uma campanha de investigação arqueológica que orientou tanto a definição geométrica da intervenção quanto sua articulação material.
Malabo serviu como capital da Guiné Equatorial desde a independência do país da Espanha, em 12 de outubro de 1968, até 2 de janeiro de 2026, quando um decreto promulgado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo oficializou a transferência da capital para Ciudad de la Paz ("Cidade da Paz"), localizada na província de Djibloho. Obiang formalizou a mudança como parte de uma reorganização territorial planejada há bastante tempo. Embora a antiga capital continue a ser um polo econômico importante na ilha de Bioko, Ciudad de la Paz foi concebida como uma capital planejada na porção continental da África. A iniciativa de transferir a capital remonta a 2008, com o início das obras em 2011. A nova capital, também chamada de Djibloho (em referência à província) ou Oyala, é apresentada pelo governo como um esforço de descentralização para melhorar a acessibilidade em todo o território nacional.
A proposta de projeto do escritório UNS para a nova Linha 2 do Metrô de Turim, desenvolvida em colaboração com Settanta7, Mijksenaar, Frigorosso, 3BA e WSP, foi selecionada por um júri internacional de especialistas presidido por Dominique Perrault. A proposta baseia-se na ideia de "fluxo", um conceito que historicamente moldou a cidade italiana, desde os rios Pó e Dora até os 18 quilômetros de pórticos em arco que estruturam a circulação de moradores/as e visitantes. O projeto prevê a Linha 2 como um novo "rio urbano", guiado por três princípios de design para facilitar esse fluxo: branding, experiência de trânsito e escalas de identidade. Com 32 estações planejadas no total, a fase inicial de projeto inclui 10 estações, entre elas Mole Giardini, San Giovanni Bosco e Carlo Alberto.
O California Science Center é um destino dinâmico onde visitantes de todas as idades podem explorar as maravilhas da ciência por meio de exposições interativas, demonstrações ao vivo, programas inovadores e filmes em grande formato. O centro e o cinema IMAX estão localizados no histórico Exposition Park, em Los Angeles, onde uma expansão está em construção desde junho de 2022. O novo Samuel Oschin Air and Space Center, projetado pela equipe de arquitetura da ZGF Architects, é uma ampliação com cerca de 18.500 metros quadrados que praticamente duplicará o espaço de exposição educativa do Science Center. A construção do edifício foi concluída em 13 de abril de 2026. Sua principal atração é o ônibus espacial aposentado Endeavour, da NASA, utilizado em missões de 1992 até sua 25ª e última viagem, em 2011.
BIG – Bjarke Ingels Group está perto de concluir o EVE Music Hall em Čepin, no leste da Croácia, projetado em colaboração com o SIRRAH projekt e o Theatre Projects. O projeto de 10.000 m² abriga uma casa de shows, instalações para congressos, áreas de exposição, um café e espaços para eventos na cobertura. O local deve receber concertos, conferências, exposições e atividades culturais, com capacidade para quase 4.000 pessoas em áreas cobertas e até 25.000 ao ar livre. O novo edifício cultural marca o primeiro projeto do escritório na Croácia e deve se tornar sua primeira casa de espetáculos musicais concluída, com previsão de entrega para o início de 2027.
O Museu de Arte ARoS Aarhus, na Dinamarca, inaugurou As Seen Below – The Dome, um novo Skyspace do/a artista estadunidense James Turrell que completa o The Next Level, a expansão subterrânea de aproximadamente 4.000 metros quadrados do museu, projetada pelo escritório de arquitetura Schmidt Hammer Lassen. Aberto ao público em 19 de junho de 2026, o projeto marca o ápice de mais de duas décadas de colaboração entre a cidade de Aarhus, o ARoS e o escritório dinamarquês de arquitetura, após a conclusão do edifício do museu em 2004 e a adição de Your Rainbow Panorama, de Olafur Eliasson, em 2011. Localizada sob o renovado Musikhusparken, no centro de Aarhus, a instalação é a peça central da mais recente expansão do museu e acrescenta uma nova obra em grande escala de Turrell ao seu acervo.
Render da vista externa da unidade de atendimento ambulatorial e farmácia do projeto da Clínica Ineza, 2026. Imagem Cortesia de Kéré Architecture
O escritório Kéré Architecture projetou um novo centro de saúde na região de Bubanza, no Burundi, cerca de 40 quilômetros ao norte da antiga capital do país, Bujumbura. Comissionado pela ONG Ineza Clinic, o projeto visa melhorar o acesso à saúde para a população rural da região, complementando os serviços do hospital geral já existente, com foco em maternidade e atendimento cirúrgico especializado. O plano de Francis Kéré distribui o programa em dez pavilhões conectados por uma via que sobe a encosta em zigue-zague em direção a um centro de visitantes, formando um complexo de 3.000 m². O projeto combina materiais provenientes da região circundante, artesanato tradicional e transferência de conhecimento, minimizando sua pegada de carbono, apoiando a economia local e fortalecendo as equipes da região. A construção já foi iniciada, e a conclusão da primeira fase está prevista para este ano.
O Southbank Centre é um complexo cultural em Londres construído entre 1963 e 1968, amplamente considerado um exemplo representativo do brutalismo britânico. Hoje, o local abriga uma ampla variedade de eventos, incluindo artes visuais, teatro, dança, música clássica e contemporânea, literatura, poesia e debates. O edifício foi projetado por uma equipe do Departamento de Arquitetura do Conselho do Condado de Londres, liderada pelo arquiteto Norman Engleback. Tornou-se um exemplo controverso de arquitetura moderna após sua inauguração em outubro de 1967, quando engenheiros/as elegeram o Queen Elizabeth Hall como o "ápice da feiura" em uma votação sobre novos edifícios, e o Daily Mail se referiu a ele como "o edifício mais feio da Grã-Bretanha". Cinquenta e nove anos depois, em 10 de fevereiro de 2026, o complexo recebeu o status de tombamento Grau II pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS) do governo britânico, após uma campanha de 35 anos que defendia sua proteção como patrimônio arquitetônico moderno.
Unidades de Habitação Temporária Tierras em Palenque, México, por Manuel Cervantes Estudio. Imagem cortesia de International Union of Architects (UIA)
Durante uma cerimônia realizada no Fórum Urbano Mundial (WUF) em Baku, Azerbaijão, em 20 de maio de 2026, a União Internacional de Arquitetos (UIA) e o ONU-Habitat anunciaram os/as vencedores/as do terceiro ciclo do Prêmio UIA 2030. O prêmio bienal reconhece projetos construídos que trazem contribuições significativas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Arquitetos/as foram convidados/as a enviar projetos de arquitetura, paisagismo e desenho urbano que abordassem desafios ambientais, sociais e econômicos urgentes em seis categorias: gestão sustentável da água, promoção de ambientes de trabalho seguros, habitação adequada e acessível, planejamento eficiente e inclusivo, acesso a espaços verdes e públicos e resiliência climática.
O escultor mexicano Pedro Reyes desenvolveu uma prática multidisciplinar que abrange escultura, arquitetura, engajamento social e ativismo. Com formação como arquiteto, Reyes aborda a escultura como um processo tanto material quanto coletivo, combinando o entalhe tradicional em pedra com projetos participativos que tratam de questões sociais contemporâneas. Seu trabalho frequentemente explora a transformação, seja por meio de materiais físicos ou de ação comunitária, posicionando a escultura como uma ferramenta para reimaginar realidades sociais. Em uma entrevista de 2025 ao Louisiana Channel, Reyes discute a influência da arquitetura em sua prática artística, o conceito de "escultura social" e a importância de preservar as tradições artesanais em um mundo cada vez mais automatizado.
O espaço público é frequentemente compreendido como um local que não pertence a ninguém em particular — coletivamente acessível, porém mantido por instituições. No entanto, um número crescente de iniciativas vem desafiando essa premissa ao testar modelos de gestão compartilhada e propriedade distribuída. Em Paris, o projeto Adoptez un banc introduz uma abordagem baseada em patrocínio, permitindo que pessoas e grupos apoiem financeiramente e assumam, de forma temporária e simbólica, a responsabilidade por mobiliários públicos históricos, sem comprometer seu uso coletivo. Em outros pontos da cidade, hortas comunitárias que operam sob a estrutura do programa Main Verte demonstram um modelo de autogestão, no qual proprietários de terras públicos e privados mantêm a titularidade dos terrenos, mas delegam o controle cotidiano a associações de cidadãos/ãs para produção de alimentos e uso compartilhado. Em Nova York, o projeto Common Corner representa um terceiro caminho, fundamentado na colaboração institucional e no design participativo, em que agências públicas, organizações sem fins lucrativos, designers e moradores/as coproduzem o espaço público no contexto da habitação social. Juntos, esses três casos sugerem que o cuidado, a autoria e a responsabilidade podem ser distribuídos entre cidadãos/ãs e instituições, gerando ambientes urbanos mais resilientes e conectados à realidade local.
Parque Prado, Colômbia, por Connatural Arquitectura en el Paisaje, Vencedor da Categoria 5 do Prêmio UIA 2030. Imagem cortesia de International Union of Architects (UIA)
As notícias desta semana revelam um foco crescente em reconectar o design com a realidade física, seja por meio da construção, da paisagem, do espaço público ou da participação coletiva. Da proposta curatorial da próxima Bienal de Arquitetura de Veneza 2027 a projetos reconhecidos internacionalmente que abordam a resiliência a enchentes, habitação acessível e restauração ecológica, muitos dos debates da semana questionaram o crescente distanciamento da arquitetura em relação às condições materiais, ambientais e sociais. Ao mesmo tempo, grandes intervenções culturais, estruturas temporárias e fóruns públicos exploraram como as instituições e os espaços cívicos podem se tornar mais acessíveis, adaptáveis e engajados com a vida urbana cotidiana.
Com atuação em arquitetura e urbanismo, Paola Viganò recebeu a indicação da Pro Helvetia para assinar a curadoria do Pavilhão da Suíça na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Selecionada após recomendação unânime do júri, a proposta de Viganò explora a água como uma condição territorial, ecológica e política, adotando o papel da Suíça como a "caixa-d'água da Europa" como ponto de partida conceitual. Desenvolvido em conjunto com o StudioPaolaViganò e uma equipe interdisciplinar, o projeto examina a água não apenas como recurso, mas também como sujeito, entidade jurídica e força que molda paisagens, infraestruturas e o espaço construído.
De projetos e instituições que reforçam a relação entre arte e arquitetura a iniciativas que buscam novas abordagens para desafios urbanos e ecológicos persistentes, os acontecimentos desta semana refletem um esforço mais amplo para reconsiderar estruturas estabelecidas e expandir o papel do design na sociedade contemporânea. Seja por meio da reutilização adaptativa, da inovação de políticas, da experimentação artística ou da pesquisa crítica, arquitetos/as e organizações culturais exploram como os sistemas existentes podem ser transformados para responder às realidades emergentes. Essas questões ecoam em novos projetos arquitetônicos que traduzem condições ambientais e aspirações cívicas em forma construída. Em Chicago, a conclusão do Obama Presidential Center posiciona a arquitetura como um veículo para a memória pública, ao passo que, na Albânia, o projeto Lighthouse do escritório OODA reinterpreta paisagens e tradições locais por meio de uma torre voltada para a costa do Adriático. Enquanto isso, a proposta do Heatherwick Studio para o centro de visitantes AlUla Manara responde às condições da paisagem desértica da Arábia Saudita, combinando pesquisa científica e turismo em um destino dedicado à observação do céu noturno.
A exposição What is This? A Spa, a Gym, a Zoo for Tiny Animals? está em cartaz no Palau Victòria Eugènia, em Barcelona, de 11 de maio a 5 de julho de 2026. Organizada pela Fundació Mies van der Rohe e com curadoria de Anna Sala e Ivan Blasi, a exposição apresenta o acervo da instituição sob uma nova perspectiva curatorial, reunindo maquetes, desenhos, documentos, filmes e registros de intervenções artísticas realizadas no Pavilhão de Barcelona desde 1986. Com entrada gratuita e aberta diariamente, a mostra convida o público a interagir com o arquivo tanto como uma coleção histórica quanto como um registro em constante evolução do discurso arquitetônico.
Lorcan O'Herlihy, o arquiteto e educador de origem irlandesa que fundou o escritório Lorcan O'Herlihy Architects (LOHA), sediado em Los Angeles, faleceu aos 66 anos. Sua morte foi confirmada pela empresa em 14 de junho de 2026. Ao longo de uma carreira de mais de três décadas, O'Herlihy destacou-se por promover uma prática arquitetônica focada em habitação, urbanismo e engajamento social, ajudando a moldar debates sobre densidade, acessibilidade econômica e o papel cívico do design nas cidades contemporâneas.
Prêmio AlMusalla 2027 - Retrato do grupo, da esquerda para a direita: Jessam Al-Jawad (Al-Jawad Pike), Zeina Koreitem (MILLIØNS), Meriem Chabani (New South), Ali Ismail Karimi (Civil Architecture). Imagem cortesia de Diriyah Biennale Foundation
Em 28 de fevereiro de 2026, as notícias sobre a perda de vidas humanas, o padrão operacional dos ataques militares, os danos à infraestrutura, as interrupções nas comunicações e as reações internacionais após os ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã confirmaram ao mundo um novo foco de guerra no Sudoeste Asiático. Este conflito militar também gerou impactos humanos e na infraestrutura do Líbano, da Síria, do Iraque e da Jordânia, com zonas de combate ativas em seus territórios, além dos Estados do Golfo, onde os danos afetaram particularmente as bases militares dos EUA e a infraestrutura energética. O cenário soma um novo palco de conflito armado na região, após mais de dois anos de destruição sistemática de vidas, habitats e instalações essenciais na Faixa de Gaza, com quase 81% das estruturas destruídas até o final de 2025. Atualmente, esses territórios sofrem com a desestruturação deliberada de sua normalidade, afetando infraestruturas essenciais, cotidianas e bens culturais de relevância global. Embora as informações ainda sejam dispersas e preliminares, é possível mensurar parte dos danos ao patrimônio cultural causados por este novo desdobramento do conflito armado.
Fallingwater, a icônica residência projetada por Frank Lloyd Wright, foi reaberta ao público após a conclusão de um projeto de preservação de três anos. A reabertura coincide com o 90º aniversário do edifício e o início de sua 63ª temporada de visitas, marcando um momento fundamental na conservação contínua de uma das obras mais reconhecidas da arquitetura moderna. A intervenção, liderada pela Western Pennsylvania Conservancy, concentrou-se em resolver desafios estruturais e ambientais, mantendo a integridade do projeto original de Wright.